Arquivo da categoria: Segunda Guerra Mundial

NEONAZISMO: OS FANTASMAS DE HITLER

Fonte - AFP/Getty
Fonte – AFP/Getty

Como a ideologia que prega o ódio renasceu na Europa, o mesmo cenário dos crimes contra a humanidade cometidos na Segunda Guerra – e como ela se espalha até mesmo no Brasil

TEXTO – Eduardo Szklarz – FONTE – http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/neonazismo-fantasmas-hitler-806550.shtml?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_avhistoria

O ruído era ensurdecedor. Jovens de camisas negras se aglomeravam na praça fazendo a saudação Heil Hitler! e entoando a Canção de Horst Wessel, o hino nazista. Num bar perto dali, intelectuais vociferavam contra gays, culpavam os estrangeiros pelo desemprego e advertiam sobre a “conspiração judaica” que levou o país à ruína.

A cena bem poderia ter ocorrido na Berlim dos anos 30. Mas aconteceu em 4 de junho passado em Atenas, berço da democracia, durante um ato do partido neonazista grego Aurora Dourada. Em toda a Europa, mas também em outros países, a chaga do nazismo renasceu e vem crescendo. Tal como ocorreu com Hitler e seus asseclas, usam-se as armas da democracia para atacá-la e destruí-la.

Russia - Fonte - www.thestar.com
Russia – Fonte – http://www.thestar.com

Nas eleições de maio para o Parlamento Europeu (PE), o Aurora Dourada elegeu três deputados. “Somos a terceira força política do país”, disse o porta-voz Ilias Kasidiaris, que tem uma suástica tatuada no braço. Grupos de extrema direita festejaram a presença recorde em um parlamento que a maioria delas rejeita. Na Alemanha, o neonazista Partido Nacional Democrático (NPD) conseguiu pela primeira vez um assento no PE. Na Hungria, o fascista Jobbik é a segunda maior legenda. A Frente Nacional, cujo patriarca, Jean-Marie Le Pen, sugeriu o vírus ebola para solucionar o problema da imigração, teve 25% de apoio dos franceses.

O que explica esse fenômeno? Qual foi o momento em que ser nazista/fascista deixou de ser vergonhoso para se tornar aceitável? É o que veremos nesta reportagem.

A fagulha nacionalista

A extrema direita não é um bloco monolítico. Alguns partidos são racistas, xenófobos, outros são contra muçulmanos ou gays. Muitos são tudo isso. Mas há um elemento comum a todos: o nacionalismo. “Nem todo nacionalismo é de direita e muito menos fascista, mas todo movimento nazifascista é nacionalista”, afirma o historiador Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus, superintendente da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, em São Paulo.

Ucrânia - Fonte - http://www.globalresearch.ca/the-bbc-supports-ukraines-neo-nazis/5383112
Ucrânia – Fonte – http://www.globalresearch.ca/the-bbc-supports-ukraines-neo-nazis/5383112

Nacionalismos florescem em tempos de crise. Tem sido assim desde o final do século 19, quando russos massacraram milhares de judeus acusando-os pela morte do czar Alexandre II (1818-1881). A onda de perseguições se alastrou pelo Leste Europeu, onde judeus e outras minorias foram culpados pelas mazelas de cada país. Isso porque o nacionalismo não é um mero amor à pátria: é uma defesa ferina da identidade nacional que pressupõe a glorificação de “Nós” e a exclusão dos “Outros”. Por isso desemboca em violência.

Em 28 de junho de 1914, por exemplo, o nacionalista sérvio Gavrilo Princip disparou contra o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro da coroa austro-húngara. E deflagrou a Primeira Guerra. Durante o conflito, o nacionalismo serviu de base para a principal – e mais aterradora – invenção política do século 20: o fascismo. Era um movimento de massas autoritário e populista baseado no anticomunismo, na expansão imperialista e em um Estado policial que controlava a vida pública e privada das pessoas.

O fascista (e socialista na juventude) Benito Mussolini assumiu o poder na Itália em 1922 para logo implantar uma ditadura. “O fascismo reconfigurou as relações entre o indivíduo e o coletivo, de modo que o indivíduo não tinha direito algum fora do interesse da comunidade”, diz o historiador americano Robert Paxton no livro The Anatomy of the Fascism (“A Anatomia do Fascismo”).

Alemanha - Fonte - Reuters
Alemanha – Fonte – Reuters

Em 1933, o nazismo triunfou na Alemanha agregando um novo ingrediente ao pacote fascista: a raça. Hitler quis purificar a comunidade alemã dos seres considerados “inferiores”, entre eles judeus, homossexuais, eslavos, deficientes físicos e mentais. Segundo o führer, era preciso eliminar esses “bacilos” do corpo da sociedade para assegurar a supremacia ariana. Após a Segunda Guerra, contudo, o nacionalismo deu lugar ao mundo bipolar: EUA x URSS. As superpotências fatiaram o planeta em áreas de influência do capitalismo e do comunismo. Na lógica da Guerra Fria, ser extremista era vergonhoso. Mas não por muito tempo.

Cara nova

“O neonazismo surgiu na Europa entre as correntes de direita mais radicais. De certa forma, foi constituído pelos velhos nazistas que sobreviveram aos expurgos do pós-guerra, principalmente na Alemanha Ocidental”, diz Luiz Dario Ribeiro, professor de História Contemporânea da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

De fato, muitos nazistas convictos ingressaram no serviço público alemão após a guerra e aproveitaram os novos cargos para manter vivas as suas ideias. Foi o caso de Hans Globke, um dos autores das discriminatórias Leis de Nuremberg (1935) e colaborador de Adolf Eichmann, o arquiteto da “Solução Final”. Globke virou assessor do chanceler alemão Konrad Adenauer nos anos 50. Assim, o anticomunismo da Guerra Fria criou condições para que o caráter nazista desses agentes fosse esquecido.

Estados Unidos - Fonte - www.jewishpress.com
Estados Unidos – Fonte – http://www.jewishpress.com

O próximo passo deles foi criar organizações de fachada para incorporar novos membros. O alemão Partido Nacional Democrático (NPD) e o Movimento Social Italiano (MSI), por exemplo, eram agrupamentos nazifascistas que se escondiam atrás de nomes simpáticos. “Os novos membros eram jovens convencidos de que deveria haver uma luta de vida e morte contra os comunistas”, diz Ribeiro.

Nos anos 60, o neonazismo ganhou adeptos com a crise do colonialismo europeu. Grupos como o Occident e o Exército Secreto Francês (OAS) atraíram nacionalistas frustrados pela derrota da França nas guerras de independência da Indochina (1946-54) e da Argélia (1954-62). O OAS perpetrou atentados contra argelinos e tentou até mesmo assassinar o presidente francês Charles de Gaulle por permitir a descolonização.

Pierre Sidos, fundador do Occident, era filho de um membro da Milice – a brigada paramilitar francesa que caçou judeus e membros da Resistência durante a ocupação nazista. Sidos prosseguiu com as ideias do pai, recrutando universitários para combater os manifestantes que pediam reformas no Maio de 68. De Gaulle proibiu o Occident, mas vários de seus membros integraram a Frente Nacional, fundada por Le Pen em 1972.

Espanha, material de grupos neonazistas apreendido - Fonte - http://antoniosalasjournalist.blogspot.com.br/2013/08/hammerskin-condemns-neo-nazi-group.html
Espanha, material de grupos neonazistas apreendido – Fonte – http://antoniosalasjournalist.blogspot.com.br/2013/08/hammerskin-condemns-neo-nazi-group.html

Os neonazistas também buscaram reabilitar a ideologia de Hitler. E para isso recorreram a uma teoria pseudocientífica, o revisionismo, que acusava os vencedores da guerra de contar a História à sua maneira. O pai do revisionismo foi o historiador francês Paul Rassinier. Ele havia sido prisioneiro político dos nazistas mas começou a defender o Tercero Reich depois da guerra. Ele negava o Holocausto. “Eu estive lá e não havia câmaras de gás”, dizia. De fato. Rassinier esteve em Buchenwald, um campo de concentração situado na Alemanha que realmente não tinha câmaras de gás. Os campos de extermínio ficavam na Polônia ocupada, como em Auschwitz e Treblinka, dotados de câmaras de gás e crematórios. Mas os livros delirantes de Rassinier conquistaram leitores na Europa e foram traduzidos nos EUA pelo historiador Harry Elmer Barnes – outro adepto de teorias da conspiração.

Barnes dizia que os julgamentos de nazistas como Eichmann eram uma tramoia sionista e descrevia os Einsatzgruppen (esquadrões da morte da SS) como “guerrilhas”. Outro revisionista norte-americano, Francis Parker Yockey, tinha ideias ainda mais estranhas. Ele defendia uma união totalitária entre a extrema direita, a URSS e governos árabes para derrotar o “poder judaicoamericano”. Yockey foi preso pelo FBI por fraude, com três passaportes falsos, e se matou na prisão em 1960. Mas seu livroImperium se tornou objeto de culto dos neonazistas.

Gangues se aliam aos partidos

O nacionalismo sofreu uma metamorfose com a crise do petróleo de 1973. Em meio à recessão europeia, os extremistas adotaram um novo inimigo: o imigrante, sobretudo aquele oriundo das ex-colônias árabes. “A xenofobia atraiu jovens desempregados e sem perspectivas para a extrema direita”, diz Ribeiro.

Grécia - Fonte - www.theguardian.com
Grécia – Fonte – http://www.theguardian.com

Foi o caso dos skinheads, uma tribo formada nos anos 60 na Inglaterra por jovens de classe baixa que curtiam ritmos como ska e reggae. Os skinheads originais não eram racistas (muitos eram negros jamaicanos), mas alguns deles atacavam gays e asiáticos. E, na recessão dos anos 70, uma ala do movimento se vinculou ao partido neonazista inglês National Front (NF), que promovia a “superioridade branca”.

“Os partidos de extrema direita precisavam de militância e a encontraram nas gangues”, diz Nóbrega. Gritos de guerra xenófobos entraram para o repertório dos hooligans – torcedores de futebol conhecidos por deixar um rastro de vandalismo e pancadaria. O jornalista americano Bill Buford conviveu durante quatro anos com hooligans do Manchester United, na década de 80, e viu como eles eram facilmente recrutados pelo NF.

Mas nem todos os brutamontes que surravam estrangeiros estavam desempregados. Muitos aderiram à violência xenófoba por pura sede de adrenalina. Foi o caso de Mick, o primeiro hooligan que Buford conheceu. “Ele parecia um eletricista perfeitamente feliz, com um enorme maço de dinheiro no bolso para comprar passagens e ver os jogos”, diz Buford no livro Entre os Vândalos. E, enquanto cooptavam as gangues, os partidos de extrema direita seduziam os eleitores. Em 1984, por exemplo, a Frente Nacional obteve quase 11% dos votos dos franceses e elegeu 10 membros ao Parlamento Europeu. Um deles foi Dominique Chaboche, antigo membro do grupo Occident.

Itália - Fonte - http://www.thelocal.it/20130814/neo-nazis-prepare-to-party-in-Milan
Itália – Fonte – http://www.thelocal.it/20130814/neo-nazis-prepare-to-party-in-Milan

Para recuperar terreno, partidos de esquerda também assumiram o discurso xenófobo e racista. Entre eles o Partido Socialista (PS) francês e o Partido Comunista Italiano (PCI), que acusaram os imigrantes de macular a cultura nacional. O objetivo era frear a debandada de eleitores para a direita. O resultado foi desastroso. Judeus franceses estão arrumando malas para mudar para Israel por medo de perseguição. De janeiro a maio, 2,5 mil franceses emigraram, quatro vez mais que em 2013.

No fim dos anos 80, as células extremistas já haviam erguido uma rede internacional. Ela era articulada pelo alemão Michael Kühnen, o norueguês Erik Blücher e o belga Léon Degrelle, um ex-general de Hitler que vivia na Espanha e liderava o Círculo Espanhol de Amigos da Europa (Cedade). Kühnen revelou que era gay em 1986, quando estava preso por incitar à violência. Após sua morte em decorrência da aids, em 1991, o neonazismo na Alemanha foi levado adiante por Christian Worch.

Nos EUA, a rede cresceu graças a Willis Carto, fundador do Instituto para a Revisão Histórica (IHR) e do extinto Liberty Lobby – que publicava o jornal antissemita Spotlight. Timothy McVeigh, o terrorista que em 1995 detonou um caminhão-bomba em frente a um edifício em Oklahoma City, deixando 168 mortos e 700 feridos, era leitor assíduo do Spotlight. McVeigh colocou anúncios no jornal para vender munição.

Inglaterra - Fonte - www.birminghammail.co.uk
Inglaterra – Fonte – http://www.birminghammail.co.uk

Fascismo maquiado

O grande salto da extrema direita veio após o fim da URSS, em 1991. Grupos nacionalistas até então sufocados pelo regime soviético despontaram no Leste Europeu. Com o fim do comunismo e a social-democracia desmoralizada, os extremistas europeus capitalizaram nas urnas. Na Dinamarca, por exemplo, o Partido Popular obteve 13 cadeiras no Parlamento em 1998. “O ressurgimento do fascismo na Europa pós-Guerra Fria não é orquestrado por um ditador seguido por homens com camisas pardas e braçadeiras com suásticas”, diz o jornalista norteamericano Martin A. Lee no livro The Beast Reawakens (“A Besta Desperta”). “Uma nova geração de extremistas de direita, sintetizada pelo führer do Partido da Liberdade austríaco, Jörg Haider, adapta sua mensagem e seus modos aos novos tempos.”

Haider foi duas vezes governador do estado da Caríntia, na Áustria, e só não foi mais longe porque morreu num acidente de carro em 2008. Mas outros líderes como ele têm chegado lá. O búlgaro Volen Siderov ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais em 2006. Seu partido, Ataka (“Ataque”), é hoje o quarto maior da Bulgária, com 23 cadeiras no Congresso.

Chile - Fonte - laprensa.peru.com
Chile – Fonte – laprensa.peru.com

Graças à internet, os extremistas propagam sua animosidade de forma simples e barata. Um dos primeiros sites de ódio foi o Stormfront, criado em 1995 por Don Black, ex-líder da Ku Klux Klan. Hoje o site conta com 250 mil membros e um fórum online com mais de 9 milhões de posts. A nebulosa virtual inclui o site Radio Islam, que dissemina propaganda antissemita em 23 idiomas. Esses portais seguem a tática de Hitler: usar a democracia para propagar mensagens antidemocráticas.

“Como a liberdade de expressão é um dos bens mais apreciados em qualquer democracia, ela não pode ser regulada de antemão. Cada caso tem que ser analisado”, diz Sergio Widder, representante do Centro Simon Wiesenthal para a América Latina. E nenhum país preza a liberdade de expressão mais do que os EUA. Isso explica por que muitos neonazistas hospedam seus sites em território norte-americano.

França - Fonte - www.vice.com
França – Fonte – http://www.vice.com

Por suas leis permissivas, os países escandinavos se transformaram em refúgio de extremistas. Não é à toa que o marroquino Ahmed Rami, fundador da Radio Islam, reside na Suécia. Redes de skinheads, como Combat 18 e Blood & Honour, também difundem sua mensagem através de DVDs, CDs e shows ao redor da Europa sob o olhar complacente da polícia.

“Precisamos encontrar respostas que se adaptem aos novos desafios. Não podemos confrontar o nazismo do século 21 da mesma forma que nos anos 80”, diz Widder. Em 2010, por exemplo, a Rússia proibiu a publicação de Minha Luta, a autobiografia de Hitler, para tentar conter o extremismo. Mas o livro está disponível na web, virou best-seller entre os ebooks e tem mais de 100 versões à venda na Amazon. “A obra de Hitler é uma fonte para quem estuda o nazismo. Não sei se proibir o livro é a melhor resposta. Vamos censurar o acesso à internet?”, diz Widder.

Encontrar respostas é difícil numa era em que a xenofobia existe até em governos democráticos – a França expulsou mais de 20 mil ciganos nos últimos anos. E o nazismo volta a assombrar quase sete décadas após a derrota alemã na guerra. Segundo estudo da Universidade de Leipzig, um em cada seis alemães orientais tendem à extrema direita. Em 2002, era só um em cada doze. Na Espanha, 18 mil tweets “#putosjudios” (putos judeus) foram postados após a vitória do Maccabi Tel Aviv sobre o Real Madrid, em maio passado, na Euroliga de Basquete – e houve comentários racistas durante a Copa do Mundo contra torcedores brasileiros.

Peru - Fonte - www.taringa.net
Peru – Fonte – http://www.taringa.net

“A História é cíclica: tende a se repetir. E ela nos mostra que esse tipo de ideologia é nocivo. Começa pequeno e vai crescendo por meio da demagogia, muitas vezes com um discurso maquiado”, diz Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba, único do gênero no Brasil. Aqui, aliás, páginas do Facebook cultuam a supremacia branca com ofensas a negros e índios. “Não somos racistas, somos orgulhosos”, proclama uma delas, que tem mais de 8 mil likes.

ELES ESTÃO ENTRE NÓS
Cresce o número de brasileiros envolvidos com o neonazismo

O neonazismo também se prolifera no Brasil, porém de forma mais clandestina do que na Europa. Os adeptos dificilmente mostram a cara em manifestações públicas, mas estão bem organizados e encontraram na internet o meio ideal para disseminar ideias antissemitas e racistas. Aproximadamente 150 mil brasileiros baixam mensalmente mais de 100 páginas com esse tipo de conteúdo, de acordo com a antropóloga Adriana Dias, que estuda o tema há 12 anos.

Brasil - Fonte - pt.wikipedia.org
Brasil – Fonte – pt.wikipedia.org

A pesquisadora mapeou o neonazismo no país e monitora o movimento na internet. Entre 2002 e 2009, o número de sites específicos saltou de 7,6 mil para 20,5 mil, um aumento de 170%. Nos últimos nove anos, o número de blogs cresceu mais de 550%.

A internet é hoje o meio de comunicação usado para expressar os mais variados tipos de intolerância. Em novembro de 2010, na eleição de Dilma Rousseff – a candidata mais votada no Nordeste –, 3 mil denúncias de manifestações preconceituosas nas redes sociais foram feitas na SaferNet Brasil, entidade de combate a crimes e violação aos direitos humanos na internet.

Com uma grande população de origem alemã, o Sul é a região de maior concentração de neonazistas. Em São Paulo e Distrito Federal, o movimento também vem crescendo, de acordo com o estudo. Não existe um pensamento único entre os neonazistas brasileiros. Em 2009, o estudante de arquitetura Bernardo Dayrell Pedroso, de 24 anos, uma liderança nacional de extrema direita que estava criando uma dissidência entre mineiros e paulistas, foi assassinado. Ele e a namorada, Renata Waeschter Ferreira, de 21 anos, foram mortos a tiros na volta de uma festa de comemoração dos 120 anos de Adolf Hitler.

Grupo de neonazistas de Niteroi-RJ, presos com seu material de propaganda, depois de terem agredido o natalense Cirley Santos - Fonte - http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/neonazistas-ovacionaram-hitler-antes-de-agredirem-nordestino
Grupo de neonazistas de Niteroi-RJ, presos com seu material de propaganda, depois de terem agredido o natalense Cirley Santos em 2013 – Fonte – http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/neonazistas-ovacionaram-hitler-antes-de-agredirem-nordestino

“Precisamos estar alertas para combater esse tipo de crime”, diz Anita Novinsky, professora da Faculdade de História da Universidade de São Paulo, ao se referir às manifestações racistas que proliferam na internet e ao crescimento de grupos radicais no país. “Não podemos esquecer que o nazismo ganhou corpo e criouuma política de extermínio em apenas seis anos na Alemanha.”

Anita veio da Cracóvia, Polônia, pouco antes da Segunda Guerra, com os pais, para escapar do massacre que estava por vir. Mas a maioria dos parentes dela foi parar em campos de concentração. “A mídia é capaz de transformar qualquer país em qualquer coisa. É muito perigoso, principalmente se houver apoio do governo. Por sorte, o Brasil é um país democrata, com leis rígidas para coibir a intolerância racial, de classes ou de gêneros”, afirma a professora.

O PERFIL DO INTOLERANTE
  • Há 300 grupos neonazistas, 90% deles se concentram em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
  • Os integrantes são brancos, homens e jovens. A maioria com ensino superior.
  • Para se inserir nas células, é necessário enfrentar um ritual de iniciação. Geralmente, espancar um negro ou judeu na rua.
  • Se aceito no movimento, o novato recebe senha para acessar um manual, que lhe dirá, entre outras coisas, como reconhecer um útero branco – a mulher perfeita para procriação de um neonazista.
  • Mulheres não são muito ativas no movimento.
  • A maioria tem dificuldade de socialização.
  • Acham que os brancos perderam o poder desde a eleição de Lula. Isso tem a ver com o preconceito contra nordestinos e à ascensão da nova classe média.
  • São fundamentalistas religiosos – o que ajuda a confundir liberdade religiosa com crimes de ódio.*
 

The Anatomy of the Fascism, Robert Paxton, Vintage, 2005

Entre os Vândalos, Bill Buford, Companhia de Bolso, 2010

The Beast Reawakens, Martin A. Lee, Routledge, 1999

Antissemitismo e Nacionalismo, Negacionismo e Memória, Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus, Unesp, 2006

FOTOS HISTÓRICAS COLORIZADAS DIGITALMENTE – UMA ÓTIMA FERRAMENTA PARA O ENSINO E A PESQUISA HISTÓRICA

- Caça F6F-5 “Hellcat” queimando no porta aviões USS Lexington (CV-16). Esta aeronave era pilotada pelo oficial Ardon R. Ives, que espertamente conseguiu se salvar correndo sobre a asa, que lhe protegeu. O fato se deu em fevereiro de 1945, mas Ives morreu em um duelo aéreo em maio daquele ano.
– Caça F6F-5 “Hellcat” queimando no porta aviões USS Lexington (CV-16). Esta aeronave era pilotada pelo oficial Ardon R. Ives, que espertamente conseguiu se salvar correndo sobre a asa, que lhe protegeu. O fato se deu em fevereiro de 1945, mas Ives morreu em um duelo aéreo em maio daquele ano.

Pessoas em todo mundo vem colorindo digitalmente fotos históricas, muitas delas da época da Segunda Guerra Mundial. Esta ação vem literalmente colorindo o maior conflito da história da humanidade, trazendo uma nova visão, instigando o interesse (Principalmente entre os mais jovens) e ampliando o conhecimento geral. Clique nas fotos para ampliar.

- O tenente Paul Unger, da polícia do exército americano, lotado na segunda divisão blindada, revista o prisioneiro Kurt Peters, um membro da SS, com a patente de Untersturmführer (equivalente a segundo-tenente), que pertencia ao III. Battalion, do SS-Panzergrenadier Regiment 37, parte integrante da 17. SS-Panzergrenadier, a conhecida Division Götz von Berlichingen. Foto realizada na área de Notre-Dame-de-Cenilly, 18 quilômetros a sudoeste da cidade de Saint Lô, França, no dia 27 de julho de 1944.
– O tenente Paul Unger, da polícia do exército americano, lotado na segunda divisão blindada, revista o prisioneiro Kurt Peters, um membro da SS, com a patente de Untersturmführer (equivalente a segundo-tenente), que pertencia ao III. Battalion, do SS-Panzergrenadier Regiment 37, parte integrante da 17. SS-Panzergrenadier, a conhecida Division Götz von Berlichingen. Foto realizada na área de Notre-Dame-de-Cenilly, 18 quilômetros a sudoeste da cidade de Saint Lô, França, no dia 27 de julho de 1944.

Muitos que tem acima de quarenta anos de idade, certamente possuem em seus antigos álbuns fotográficos várias fotos em preto e branco. Até o início da década de 1970 a fotografia colorida era mais rara e mais cara, por isso quando pensamos sobre a história antes dessa época, quase sempre encaramos isso em preto e branco. 

- Os membros da tripulação do submarino U-50 exibem suas Cruzes de Ferro em Wilhelmshaven, na costa alemã do Mar do Norte, em 2 de Março de 1940. Este submarino era do Tipo VII B e era comandado pelo Kapitänleutnant Max-Hermann Bauer. Um mês e dois dias todos os 44 tripulantes morreram quando o U-50 bateu em uma mina no Mar do Norte.
– Os membros da tripulação do submarino U-50 exibem suas Cruzes de Ferro em Wilhelmshaven, na costa alemã do Mar do Norte, em 2 de Março de 1940. Este submarino era do Tipo VII B e era comandado pelo Kapitänleutnant Max-Hermann Bauer. Um mês e dois dias todos os 44 tripulantes morreram quando o U-50 bateu em uma mina no Mar do Norte.

A tecnologia avançou tanto, que atualmente conseguimos “colorir” fotos históricas, criando uma chance aproximada de ver o mundo como ele era na época em que o evento foi clicado. E isso é realmente espetacular.

- Interior de um avião de transporte Curtiss C-46 Commando, modificado como ambulância de evacuação aérea, atuando nas Filipinas, início de 1945. A foto apresenta uma clara operação de evacuação aérea, onde as vítimas provavelmente estavam sendo retiradas de alguma pequena ilha para um hospital maior, talvez em Manila. Além da enfermeira e dos feridos, o sargento que aparece na foto era provavelmente o que chamavam de “Mestre de Carga”, que em determinado momento poderia carregar para aeronave vítimas e em outras munições. Este tipo de aeronave bimotor, realizando este tipo de operação, esteve presente em Parnamirim Field durante a II Guerra. Os feridos trazidos a Natal seguiam para o hospital da guarnição norte-americana, atual Maternidade Escola Januário Cicco, na Avenida Nilo Peçanha. Quando faleciam eram enterrados no Cemitério do Alecrim. Ver - http://tokdehistoria.com.br/tag/cemiterio-do-alecrim/
– Interior de um avião de transporte Curtiss C-46 Commando, modificado como ambulância de evacuação aérea, atuando nas Filipinas, início de 1945. A foto apresenta uma clara operação de evacuação aérea, onde as vítimas provavelmente estavam sendo retiradas de alguma pequena ilha para um hospital maior, talvez em Manila. Além da enfermeira e dos feridos, o sargento que aparece na foto era provavelmente o que chamavam de “Mestre de Carga”, que em determinado momento poderia carregar para aeronave vítimas e em outras munições. Este tipo de aeronave bimotor, realizando este tipo de operação, esteve presente em Parnamirim Field durante a II Guerra. Os feridos trazidos a Natal seguiam para o hospital da guarnição norte-americana, atual Maternidade Escola Januário Cicco, na Avenida Nilo Peçanha. Quando faleciam eram enterrados no Cemitério do Alecrim. Ver – http://tokdehistoria.com.br/tag/cemiterio-do-alecrim/

Intrigantes fotos antigas em preto-e-branco surgem com um colorido que parecem que foram produzidas ontem. Ao longo dos últimos três a quatro anos, começou fortemente uma tendência cada vez mais popular de compartilhar pela internet fotos históricas colorizadas digitalmente.

- Clássica foto da "Operation Tidal Wave", o bombardeio massivo das refinarias de petróleo de Ploesti, na Romenia. A foto foi realizada no dia 1 de agosto de 1943, a aeronave fotografada é a "The Sandman" do 345th Bomb Squadron, 98th Bomb Group, conhecidos como "The Pyramiders", da 9th Air Force. Era um B-24D-55-CO S 'Liberator', número 42-40402, perdido quatro meses depois, em 19 de dezembro de 1943, no ataque a Augsburg, Alemanha. O 2Lt. USAAF Emil Anthony Petr, a quem tive a honra de biografar no meu livro “Eu não sou herói” esteve algumas vezes em missão de combate sobre Ploesti e me fez uma bela discrição sobre estes ataques, os quais eu não incluí no livro, mas são muito interessantes. Colorizado por Royston Leonard, do Reino Unido. - https://www.facebook.com/pages/Colourized-pictures-of-the-world-wars-and-other-periods-in-time/182158581977012
– Clássica foto da “Operation Tidal Wave”, o bombardeio massivo das refinarias de petróleo de Ploesti, na Romenia. A foto foi realizada no dia 1 de agosto de 1943, a aeronave fotografada é a “The Sandman” do 345th Bomb Squadron, 98th Bomb Group, conhecidos como “The Pyramiders”, da 9th Air Force. Era um B-24D-55-CO S ‘Liberator’, número 42-40402, perdido quatro meses depois, em 19 de dezembro de 1943, no ataque a Augsburg, Alemanha. O 2Lt. USAAF Emil Anthony Petr, a quem tive a honra de biografar no meu livro “Eu não sou herói” esteve algumas vezes em missão de combate sobre Ploesti e me fez uma bela discrição sobre estes ataques, os quais eu não incluí no livro, mas são muito interessantes. Colorizado por Royston Leonard, do Reino Unido. – https://www.facebook.com/pages/Colourized-pictures-of-the-world-wars-and-other-periods-in-time/182158581977012

Não sei como os acadêmicos e doutores em história percebem as antigas fotos coloridas digitalmente. Talvez por existir nesta tarefa certa dose de imaginação para compor o cenário mais próximo do original, seja vista com reservas pelos especialistas.

- Grupo de míticos caças Supermarine Spitfire Mark VC, do 2º Esquadrão da Força Aérea Sul-Africana (SAAF), com base em Palata, Itália, voando sobre o Mar Adriático durante uma missão na frente de batalha do Rio Sangro. Out-Dez 1943. (© IWM CNA 2102) - Colorizado por Tom Thounaojam, de Imphal, Índia.
– Grupo de míticos caças Supermarine Spitfire Mark VC, do 2º Esquadrão da Força Aérea Sul-Africana (SAAF), com base em Palata, Itália, voando sobre o Mar Adriático durante uma missão na frente de batalha do Rio Sangro. Out-Dez 1943. (© IWM CNA 2102) – Colorizado por Tom Thounaojam, de Imphal, Índia.

Pessoalmente vejo como uma ferramenta fantástica de criação do interesse geral pela história e uma ótima ferramenta de ensino. Isso em uma área onde um professor sem inspiração causa um estrago enorme!

- O submarino alemão U-455, os conhecidos “U-boat”, era um do tipo VII C, estava pronto para o combate em 21 de agosto de 1941, com uma tripulação de 51 homens. Esta nave realizou dez patrulhas de combate, passou 469 dias operando no mar, mas só afundou três navios inimigos. Acredita-se que esta nave afundou por bater em uma mina marítima no dia 6 de Abril de 1944 e foi descoberto por mergulhadores em 23 de outubro de 2005, perto da cidade italiana de Gênova. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia - https://www.facebook.com/kolorierte.unterseeboote.von.edwardtambunan
– O submarino alemão U-455, os conhecidos “U-boat”, era um do tipo VII C, estava pronto para o combate em 21 de agosto de 1941, com uma tripulação de 51 homens. Esta nave realizou dez patrulhas de combate, passou 469 dias operando no mar, mas só afundou três navios inimigos. Acredita-se que esta nave afundou por bater em uma mina marítima no dia 6 de Abril de 1944 e foi descoberto por mergulhadores em 23 de outubro de 2005, perto da cidade italiana de Gênova. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia – https://www.facebook.com/kolorierte.unterseeboote.von.edwardtambunan

Já as fotos históricas colorizadas digitalmente dos períodos de conflito, além do trabalho normal diante do computador, requer uma ampla pesquisa histórica sobre praticamente tudo que ali é mostrado.

- Clássica foto do ataque japonês a base americana de Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941. Marinheiros em uma lancha de resgate retiram um sobrevivente da água junto ao USS West Virginia (BB-48) durante, ou logo após. O ataque aéreo japonês. Fotografia da Marinha dos Estados Unidos, colorizado por Royston Leonard, Reino Unido.
– Clássica foto do ataque japonês a base americana de Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941. Marinheiros em uma lancha de resgate retiram um sobrevivente da água junto ao USS West Virginia (BB-48) durante, ou logo após. O ataque aéreo japonês. Fotografia da Marinha dos Estados Unidos, colorizado por Royston Leonard, Reino Unido.

As pessoas que se dispõem a realizar este trabalho tem que saber muito sobre a cor dos uniformes, das máquinas, das armas, ter uma ideia acurada da ecologia de uma determinada região, do clima e por aí vai. Muitas destas fotos trabalhadas digitalmente são da época da Segunda Guerra Mundial.

- Artilheiro de uma B-24 “Liberator” em 1944. Colorizado por Mike Gepp, Austrália.
– Artilheiro de uma B-24 “Liberator” em 1944. Colorizado por Mike Gepp, Austrália.

Pessoas em todo mundo vem realizando este trabalho e que assim continue para não esquecemos este período negro da história da humanidade. Que sabe assim não repetimos o que aconteceu!

- Nesta foto vemos alguns Boeings B-17 Flying Fortress, do 324th Bomb Squad, 91st Bomb Group, da 8th Air Force a caminho de bombardearem Tours, na França, em 5 de janeiro de 1944. A nave da esquerda é o B-17F, número 42-29837, batizado 'Lady luck', à direita está o B-17F, número 41-24490, 'Jack the Ripper' (Jack, o Estripador). Colorizado por John Winner, dos Estados Unidos.
– Nesta foto vemos alguns Boeings B-17 Flying Fortress, do 324th Bomb Squad, 91st Bomb Group, da 8th Air Force a caminho de bombardearem Tours, na França, em 5 de janeiro de 1944. A nave da esquerda é o B-17F, número 42-29837, batizado ‘Lady luck’, à direita está o B-17F, número 41-24490, ‘Jack the Ripper’ (Jack, o Estripador). Colorizado por John Winner, dos Estados Unidos.
- Julho de 1943, Greenville, South Carolina, homens do Air Service Command em um jogo de cartas. Colorizado por “Retropotamus”, Estados Unidos.
– Julho de 1943, Greenville, South Carolina, homens do Air Service Command em um jogo de cartas. Colorizado por “Retropotamus”, Estados Unidos.
- O Tenente Samuel 'Ted' Hutchins, de Port Charlotte, Flórida, corre sob a asa do seu hidroavião monomotor Chance-Vought OS2U Kingfisher, a partir do encouraçado USS South Dakota, na região de Okinawa, 22 de janeiro de 1945. Colorizado por Leo Determann - https://www.facebook.com/media/set/?set=a.372675339504890.1073741828.372672342838523&type=3
– O Tenente Samuel ‘Ted’ Hutchins, de Port Charlotte, Flórida, sob a asa do seu hidroavião monomotor Chance-Vought OS2U Kingfisher, a partir do encouraçado USS South Dakota, na região de Okinawa, 22 de janeiro de 1945. Colorizado por Leo Determann – https://www.facebook.com/media/set/?set=a.372675339504890.1073741828.372672342838523&type=3
- Submarinos alemães tipo VII-C durante a construção nos estaleiro da empresa Blohm und Voss, em Hamburgo, 1940. Os dois submarinos aqui retratados são do mesmo tipo, o da esquerda está mostrando o casco de pressão "interior". A construção de submarinos alemães nunca conseguiu suprir as necessidades para deter o fluxo de homens e armas Aliadas que atravessavam principalmente o Oceano Atlântico. Como resultado, a campanha para cortar as linhas de comunicação marítimas aliadas falhou. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia.
– Submarinos alemães tipo VII-C durante a construção nos estaleiro da empresa Blohm und Voss, em Hamburgo, 1940. Os dois submarinos aqui retratados são do mesmo tipo, o da esquerda está mostrando o casco de pressão “interior”. A construção de submarinos alemães nunca conseguiu suprir as necessidades para deter o fluxo de homens e armas Aliadas que atravessavam principalmente o Oceano Atlântico. Como resultado, a campanha para cortar as linhas de comunicação marítimas aliadas falhou. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia.
- O conhecido B-17 batizado como "MEMPHIS BELLE". Tema de filme hollywoodiano, pertenceu a Oitava Força Aérea, tinha base na Inglaterra e após completar 25 missões de combate voltou para os Estados Unidos.
– O conhecido B-17 batizado como “MEMPHIS BELLE”. Tema de filme hollywoodiano, pertenceu a Oitava Força Aérea, tinha base na Inglaterra e após completar 25 missões de combate voltou para os Estados Unidos.
- “Missão Albany” - Logo após a meia-noite de 6 de junho de 1944, 2.000 paraquedistas iriam liderar os desembarques do Dia D, saltando atrás das linhas inimigas cinco horas antes das primeiras tropas molharem suas botas nas praias da Normandia. A aeronave da foto é o clássico C-47 e muitos destes estiveram em Parnamirim Field. Colourizado por Paul Reynolds - https://www.facebook.com/blackdot.imaging?fref=ts
– “Missão Albany” – Logo após a meia-noite de 6 de junho de 1944, 2.000 paraquedistas iriam liderar os desembarques do Dia D, saltando atrás das linhas inimigas cinco horas antes das primeiras tropas molharem suas botas nas praias da Normandia. A aeronave da foto é o clássico C-47 e muitos destes estiveram em Parnamirim Field. Colourizado por Paul Reynolds – https://www.facebook.com/blackdot.imaging?fref=ts
- Soldados norte-americanos da 10th Armoured e da 45th Division, ambos do 7th Us Army, posam sobre um potente canhão ferroviário alemão em Rentwertshausen, Alemanha. Abril de 1945.
– Soldados norte-americanos da 10th Armoured e da 45th Division, ambos do 7th Us Army, posam sobre um potente canhão ferroviário alemão em Rentwertshausen, Alemanha. Abril de 1945.
- Fábrica da empresa Boeing, em Seattle, uma das que produziram bombardeiros pesados B-17F "Flying Fortress". Foto de Andreas Feininger, colorizado por Tom Thounaojam.
– Fábrica da empresa Boeing, em Seattle, uma das que produziram bombardeiros pesados B-17F “Flying Fortress”. Foto de Andreas Feininger, colorizado por Tom Thounaojam.

PARA VER OUTRAS FOTOS COLORIDAS NA INTERNET, VEJA A COMUNIDADE DO FACEBOOK WW2 Colourised Photos – https://www.facebook.com/pages/WW2-Colourised-Photos/393166910813107?ref=profile

NOVO LIVRO SOBRE O BRASIL NA II GUERRA MUNDIAL – AUTOR ESCOCÊS

$_35

Na sequência do seu livro sobre a história de Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial, considerado um best-seller internacional, o escocês Neill Lochery traz “Brazil: The Fortunes of War”, a sua visão sobre a história do envolvimento do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial.

O aclamado historiador Neill Lochery revela aos seus leitores nos Estados Unidos e Europa como os líderes do Brasil, governando com esperteza e oportunismo econômico, transformaram a grande nação tropical em uma potência regional durante a guerra. Os recursos naturais do Brasil e a proximidade com os Estados Unidos tornou o país estrategicamente valioso para os Aliados e os membros do Eixo, fato que Getúlio Dornelles Vargas, o ditador que governava o país, compreendeu perfeitamente.

O Rio em 1941  - Fonte - http://www.neill-lochery.co.uk/
O Rio em 1941 – Fonte – http://www.neill-lochery.co.uk/

O Rio de Janeiro durante a Segunda Guerra Mundial foi o cenário de uma constante duplicidade política dos líderes do Brasil, que conseguiram lucrar com a importância estratégica do país para todos os beligerantes. Vargas e um punhado de seus conselheiros mais próximos jogaram com ambos os lados do tabuleiro geopolítico, gerando uma enorme riqueza para o Brasil e, fundamentalmente, transformando sua economia e infraestrutura.

big_page_19_1

Mas a neutralidade aconchegante do Brasil não era para durar. Forçado a escolher um dos lados do maior conflito da história da humanidade, Vargas declarou guerra às potências do Eixo e enviou 25 mil soldados para o teatro europeu, sendo o primeiro e único país latino-americano a realizar tal feito. Segundo o autor a Força Expedicionária Brasileira chegou tarde para ter uma participação mais decisiva no teatro de guerra europeu, mas também foi chamada para casa muito cedo, perdendo a oportunidade de garantir um papel significativo para o Brasil no fim do pós-guerra.

Vargas e Roosevelt em Natal - Fonte - http://www.neill-lochery.co.uk/
Vargas e Roosevelt em Natal – Fonte – http://www.neill-lochery.co.uk/

Segundo nota do jornal The Washington Times, o livro de Neill Lochery, lançado em junho de 2014, possui um ritmo acelerado em meio à guerra e a intriga diplomática. Para o jornal o livro revela um capítulo da Segunda Guerra Mundial pouco conhecido do público americano. Para o autor o fato mais importante da nossa participação foi país ter servido como parte fundamental na rota de abastecimento de material aerotransportando, assim como de tropas entre os Estados Unidos e a África, Oriente Médio e Ásia. Nesta rota o mais importante ponto foi Natal.

Para Lochery tudo mudou no Brasil durante e após a Segunda Guerra Mundial. Graças em grande parte a uma aliança com os Estados Unidos na década de 1940, o país passou por uma transformação radical, criando indústrias, infraestrutura de transporte, posição política na América do Sul e no mundo. O autor aponta em “Brasil: The Fortunes of War” que a guerra levou ao nascimento do Brasil moderno, que prosperou e entrou para a pequena lista de países que se beneficiaram enormemente com o conflito. Em 1945 o Brasil era um membro do vitorioso das Nações Unidas.

A esquerda Oswaldo Aranha e ao seu lado Orson Welles
A esquerda Oswaldo Aranha e ao seu lado Orson Welles

Possuindo um governo que tinha um governo com moldes de uma ditadura fascista, com estreitos laços comerciais com a Alemanha, o Brasil bem poderia ter caído no lado dos países do Eixo. Para Neill Lochery isso teria consequências desastrosas para os Estados Unidos e, na verdade, para as Américas como um todo. O autor mostra o tempo, esforço e habilidade da administração Roosevelt para ganhar o Brasil para os Aliados. Em nítido contraste com o que aconteceu com a Argentina, que quase nada fez pelos Aliados durante a guerra, o que levou o Brasil a tornar-se a nação dominante no seu continente.

Orson Welles filmando no Rio - Fonte - http://www.neill-lochery.co.uk/
Orson Welles filmando no Rio – Fonte – http://www.neill-lochery.co.uk/

O autor de “Brasil: The Fortunes of War” presta muita atenção aos jogadores americanos e brasileiros que realizaram este cortejo de sucesso. A partir dos Presidentes Roosevelt e Getúlio Vargas, dos ministros das Relações Exteriores Cordell Hull e Oswaldo Aranha, daqueles que trabalhavam no Departamento de Estado dos Estados Unidos, como Sumner Welles e Nelson Rockefeller, para não falar de figuras como Orson Welles e Walt Disney. Neste livro, a atmosfera única das cidades e da cultura do Brasil tem a atenção de Neill Lochery. Personagens e o ambiente dominam o livro, às vezes em detrimento de questões geopolíticas. Consta que o autor utilizou uma série de documentos inéditos, só recentemente liberados nos arquivos no Brasil e em Portugal, juntamente com uma pesquisa mais abrangente nos arquivos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.

Disney e Vargas no Rio
Disney e Vargas no Rio

Mas a nota do jornal Washington Times trás um triste dado. Apesar de todas as suas qualidades, “Brasil: The Fortunes of War” é, infelizmente, também marcado pelo desleixo. O jornal aponta que são muitas as pequenas e grandes imprecisões históricas. Durante a reunião entre os presidentes Roosevelt e Vargas, na cidade brasileira de Natal, após a Conferência de Casablanca, em janeiro de 1943, lê-se que o avião do Franklin Delano Roosevelt aterrissou às 8 horas da manhã de “8 de janeiro de 1942”. Pior é quando o autor aponta que a gravata e a braçadeira preta que o presidente americano usou naquele encontro eram em razão da morte do “seu filho”. Na verdade os quatro filhos de Roosevelt serviram nas forças armadas dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, mas todos eles sobreviveram para morrer em paz décadas mais tarde. Se um deles tivesse sido morto, isso seria uma grande notícia na época e teria figurado na narrativa histórica do conflito. “Onde diabos o autor conseguiu isso?” pergunta o Washington Times.

O escocês Neill Lochery
O escocês Neill Lochery

Algo como isto é para dar uma pausa. O que devemos fazer ao encontramos algo assim, vindo de um estudioso oriundo de uma das melhores universidades de Londres? Além disso, por que nenhum de seus editores pegaram um erro tão flagrante? 

FONTE – http://www.washingtontimes.com/news/2014/jul/31/book-review-how-wwii-transformed-brazil/#ixzz3CpuSojA3

http://www.neill-lochery.co.uk/

AMERICANS DURING WWII – UM INTERESSANTE MATERIAL FOTOGRÁFICO SOBRE OS AMERICANOS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, FORA DOS ESTADOS UNIDOS, EM UMA ZONA TROPICAL…

 WWII (26)

 CLIQUE NAS FOTOS PARA AMPLIAR

WWII (16)

WWII (17)

WWII (22)

WWII (14)

WWII (19)

CBI 6

WWII (25)

WWII (23)

WWII (20)

WWII (21)

bases2-p2

WWII (27)

 WWII (18)

WWII (1) 

FILME GANHADOR DO FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO DE 2014 MOSTRA DRAMA DOS PRACINHAS BRASILEIROS NA II GUERRA

Fonte - http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/
Fonte – http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/

Em uma edição do 42º Festival de Cinema de Gramado que dividiu os Kikitos entre diversos concorrentes e o grande vencedor da noite foi A Estrada 47, de Vicente Ferraz, que levou o troféu de melhor longa-metragem brasileiro.

Na Segunda Guerra Mundial, 25 mil soldados da FEB (Força Expedicionária Brasileira) foram enviados para combater as forças do Eixo na Itália. Quase todos os homens encaminhados eram de origem pobre e, em sua maioria, despreparados para o combate. Agora uma película de produção brasileira, italiana e português e rodado na Itália, busca trazer ao público um lado mais humano desta história.

A Estrada 47, do diretor e roteirista Vicente Ferraz conta a história de quatro pracinhas que, repentinamente, foram parar no epicentro da guerra, no rigoroso inverno de 1944 e tiveram de se superar em todos os sentidos. Após um ataque de pânico, eles se perdem na neve e acabam encontrando um correspondente de guerra e dois soldados desertores: um italiano que quer se juntar à resistência do seu país contra os exércitos de Hitler e um alemão cansado da guerra.

Fonte - http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/
Fonte – http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/

Assim, passam a formar um estranho grupo de deserdados de várias nacionalidades. Com ajuda dos dois ex-inimigos, os pracinhas tentarão desarmar o campo minado mais temido da Itália: A Estrada 47.

Para viver estes heróis anônimos, foi escalado os atores Daniel de Oliveira é Guima, Julio Andrade é Tenente, Thogun Teixeira é Sargento Laurindo, Francisco Gaspar é Piauí. Na tropa internacional, o filme conta com o italiano Sergio Rubini, o alemão Richard Sammel e o português Ivo Canelas. Para que a guerra cotidiana vivida pelos pracinhas tivesse na tela a veracidade necessária, Ferraz e a equipe de produtores fizeram questão que A Estrada 47 fosse rodado nas mesmas paisagens em que a guerra ocorreu. O projeto tem produção das brasileiras Três Mundos Produções e da Primo Filmes, da italiana Verdeoro e da portuguesa Stopline Films.

Fonte - http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/
Fonte – http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/

A II Guerra não mudou somente o destino da humanidade no século 20, mas transformou para sempre as vidas desses brasileiros. Mais que os conflitos que toda guerra oferece, os protagonistas, assim como as tropas brasileiras, precisaram transpor as barreiras da língua, do preconceito, do despreparo e do medo. São as pequenas-grandes histórias desta guerra e de nossos soldados que revela A Estrada 47. Mais que grandes conquistas e fatos que entraram para os relatos oficiais, Vicente Ferraz revela os bastidores da participação do Brasil no conflito.

Fonte - http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/
Fonte – http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/

Além da versão oficial baseada em uma detalhada pesquisa de época, Ferraz contou com a contribuição valorosa dos depoimentos dos próprios pracinhas e ex-correspondentes de guerra. Sem cair na armadilha do chamado “filme de gênero”, A Estrada 47 não é um Filme de Guerra e vai muito além de um relato histórico. “Mais que os livros de história que li, o que mais me interessou foram os relatos dos próprios pracinhas. Vários escreveram livros de memória. Independentemente do valor literário, foi por meio daqueles relatos que entendi finalmente a dimensão daquela aventura: jovens, humildes, caboclos, mulatos, filhos do Brasil que estavam lá. A emoção, a coragem, o medo, o frio, a saudade humanizaram muito a ideia que eu tinha daquela guerra. Vi o melhor do brasileiro naqueles relatos”, declara o diretor. 

Fonte - http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/
Fonte – http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/

Mas aparentemente a crítica não tratou de forma tão positiva A Estrada 47. Rubens Edwald Filho, o crítico cinematográfico mais conhecido do Brasil sequer tece palavras para o ganhador de Gramado em 2014, em uma entrevista concedida ao jornal gaúcho Zero Hora. Para o jornalista e crítico de cinema Luiz Carlos Merten, em uma análise sobre os filmes exibidos no Festival de Gramado de 2014, comentou após assistir este filme pela segunda; “Continuei não gostando de A Estrada 47, mas tivemos um debate muito interessante sobre a campanha da FEB na Itália, sobre o filme de guerra no cinema brasileiro”. Merten aponta que Vicente Ferraz contou como, a partir das crônicas de Rubem Braga, começou a ter uma outra percepção dessa história. Mais intimista, mais humana. Mas o roteiro do diretor é considerado por este crítico “muito demonstrativo, com cinco ou seis personagens brasileiros e dois desertores estrangeiros, um alemão e um italiano. Cada um parece estar ali como porta-voz de alguma coisa”. 

Fonte - http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/
Fonte – http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/

Já o jornalista Francisco Carbone viu que em Estrada 47 “há uma óbvia intenção de acertar e fazer bem feito”. Ele considera o filme realizado tecnicamente com cuidado e até um certo requinte, de direção de arte principalmente. Mas Carbone aponta que o problema é o roteiro que em certos momentos possuí limitações e em outros tenta alçar voos muito maiores que as suas asas suportam. Mas completa comentando que “se a intenção era entreter e fazer um passatempo palatável para o grande público, o filme acerta e ganha pontos”.

Apesar das críticas e opiniões divergentes, eu concordo com Francisco Carbone quando ele aponta que é tão difícil vermos produções assim que vale dar uma chance a essa estrada e ver onde ela termina.

Fontes – http://blogs.estadao.com.br/luiz-carlos-merten/gramado-6/ / http://www.portalfeb.com.br/a-estrada-47/ / http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2014/08/acho-que-foi-a-melhor-selecao-que-ja-fizemos-diz-critico-de-cinema-4577067.html  / http://www.vertentesdocinema.com.br/2013/10/critica-estrada-47-por-francisco-carbone.html

6 DE AGOSTO DE 1945, O DIA EM QUE OS HOMENS ABRIRAM AS PORTAS DO INFERNO

Capitão Van Kirk, à esquerda, o coronel Paul Tibbets ao centro e o major Thomas W. Ferebee em 1945, depois do voou do “Enola Gay” a Hiroshima. Crédito Força Aérea dos EUA, via Agence France-Press - Getty Images
Capitão Van Kirk, à esquerda, o coronel Paul Tibbets ao centro e o major Thomas W. Ferebee em 1945, depois do voo do “Enola Gay” a Hiroshima. Crédito Força Aérea dos EUA, via Agence France-Press – Getty Images

Theodore Van Kirk, também conhecido como “Dutch” (holandês), morreu nesta segunda-feira (29/07/2014) de causas naturais na Park Springs Retirement Community, em Stone Mountain, Geórgia, Estados Unidos. Ele era o último membro de um grupo de homens que realizaram um evento que mudou radicalmente a história da humanidade.

Van Kirk tinha 24 anos quando exercia a função de navegador do bombardeiro quadrimotor B-29  Superfortress e foi este avião que largou a bomba atômica denominada “Little Boy” sobre a cidade japonesa de Hiroshima.

"Little Boy"
“Little Boy”

O fato aconteceu há 69 anos, mais precisamente às oito e quinze da manhã do dia 6 de agosto de 1945.

Nas primeiras horas da madrugada daquele dia, pilotado pelo coronel Paul Tibbets e tendo uma tripulação de 12 homens, um B-29 batizado como “Enola Gay” decolou da Ilha de Tinian, no Arquipélago das Marianas, no Oceano Pacifico. A aeronave levava no seu interior uma bomba de urânio construído sob um extraordinário sigilo na área do Projeto Manhattan.

Boeing B-29 "Enola Gay" em Tinian - Crédito Força Aérea dos EUA, via Agence France-Press - Getty Images
Boeing B-29 “Enola Gay” em Tinian – Crédito Força Aérea dos EUA, via Agence France-Press – Getty Images

O capitão Van Kirk trabalhava nas suas cartas de navegação, em uma pequena mesa atrás do banco do coronel Tibbets. Em um tempo bem anterior ao GPS, de vez em quando Van Kirk seguia para a área do compartimento de bombas com um sextante na mão, ali se posicionava em um domo de plástico transparente e buscava conferir se a rota da aeronave estava correta guiando-se pelas estrelas.

Quando o “Enola Gay” chegou a Ilha de Iwo Jima o sol começava a aparecer no horizonte. Deste ponto o B-29 começou uma subida para 9.500 metros de altitude. Às oito e quinze da manhã chegaram ao Japão e a Hiroshima, uma cidade que era sede de uma importante concentração militar do exército nipônico e possuía 250.000 habitantes (um pouco menor do que atualmente é a população de Mossoró-RN).

O bombardeador do avião, o major Thomas W. Ferebee mirou no alvo principal da bomba, a Ponte Aioi. As habilidades de navegação do capitão Van Kirk tinha trazido o “Enola Gay” ao seu alvo com apenas alguns segundos de atraso na conclusão de um voo de seis horas e meia. O major Ferebee então lançou a “Little Boy” e o coronel Tibbets executou uma volta com o B-29 para evitar os efeitos da explosão.

H bombJPG

43 segundos depois do lançamento, a cerca de 550 metros acima do solo, a porta do inferno foi aberta. Morreram 78.000 pessoas instantaneamente, um número que quase triplicou até o final do ano de 1946. O “Enola Gay” foi fustigado por um par de ondas de choque. Uma potente luz branca encheu a cabine e Van Kirk comparou esta luz a um flash fotográfico.

Aquela foi a primeira vez na história que uma bomba atômica foi usada em combate. A segunda ocasião foi três dias depois, na cidade de Nagasaki, onde cerca de 80.000 foram mortos.

Hiroshima
Hiroshima

Entre manter uma resistência insana, ou ser gradativamente exterminado pelos Estados Unidos, o governo japonês decidiu se render, acabando oficialmente a Segunda Guerra Mundial.

Van Kirk se aposentou do serviço militar em 1946, tendo recebido entre outras condecorações a Estrela de Prata e a DFC-Distinguished Flying Cross. Ele se formou em engenharia química e fez um bacharelado pela Universidade Bucknell e tornou-se um executivo de marketing da empresa DuPont.

Muitas pessoas viram a tripulação como heróis de guerra, que salvaram a vida de milhares de militares americanos diante da resistência fanática que os japoneses certamente realizariam com a invasão do seu território metropolitano e anteciparam o fim da guerra. Em uma entrevista muito depois do dia 6 de agosto de 1945, Van Kirk defendeu o momento e a razão do bombardeio. Afirmou que “-Todo mundo condenou, especialmente os jovens” e completou apontando que estes mesmos jovens  “-Não estudavam o suficiente para saber por que soltamos a bomba. Mas quem largou a bomba sabia que havia uma guerra acontecendo e que a única maneira que eu sei como ganhar uma guerra é forçar o inimigo a se submeter”.

hiroshima-6

Mas se não demonstrava maiores arrependimentos pelo que realizou Van Kirk igualmente afirmou, ao conceder uma entrevista em 2005 a Associated Press, que diante de sua experiência durante a Segunda Guerra Mundial ele gostaria de ver as armas atômicas abolidas.

Van Kirk será enterrado no próximo dia 05 de agosto, em sua cidade natal, Northumberland, na Pensilvânia.

Fonte – ABC / AFP / NYT

22 FOTOS COLORIDAS DOS AMERICANOS EM NATAL DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

E os militares aproveitavam para se inteirar da cultura local e relaxar um pouco na praia - Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
E os militares aproveitavam para se inteirar da cultura local e relaxar um pouco na praia. Como comentou o amigo Ormuz Simonetti, nesta foto só jumento é brasileiro!- Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com

São 22 fotos de alta qualidade, coloridas, com ótima resolução, que mostra Natal e Parnamirim Field em 1942, via o site http://www.buzzfeed.com, a quem agradecemos por haver publicado este material tão interessante para a história de Natal.

Agradeço de coração a dica da amiga Andreza Diniz, que acredita na nossa ideia de democratizar a informação histórica. Isso mostra a cores o que foi o impacto daqueles dias aqui em Natal e Parnamirim Field. Valeu amiga!

onte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Olha o Morro de Ponta Negra ainda fechado e a natureza bem preservada das dunas no entorno – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
onte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Não tenho certeza, mas acredito que menos o militar a direita, os outros dois parecem utilizar as afamadas “Natal Boots”, feitas pelo sapateiro Edísio – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Me chamou atenção a quantidade de operários – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com

Existe muita coisa a ser estudada nesta relação e na permanência dos americanos em solo potiguar durante a Segunda Guerra Mundial. Vou trazer um exemplo que surgiu após a publicação destas fotos, através de uma maravilhosa provocação do amigo Antônio Guedes Filho.

Ele lembra que da cidade de Currais Novos, no Seridó Potiguar, muita gente saiu de lá para trabalhar nas áreas militares construídas pelos americanos. Quando realizei meu 2º livro “João Rufino-Um visionário de fé”, sobre a vida do fundador do Grupo Santa Clara/3 Corações, eu estive por vários dias entre as cidades de São Miguel, Pau dos Ferros (no RN) e em Pereiro (CE). Nas três localidades encontrei relatos de pessoas cujos familiares vieram trabalhar na construção de Parnamirim Field e na Base Naval Natal. Todas praticamente “tangidas” pela seca de 1942 e pelas notícias trazidas pelos viajantes que comentavam como a grana corria solta em Natal. Muitos vieram e aqui ficaram, mas outros voltaram e deixaram histórias interessantes sobre as tropas estrangeiras, o movimento em Natal, a prostituição, o medo da guerra, as diferenças sociais e culturais, a carestia com a vinda dos americanos, o extremo desemprego com a saída deles e várias outras coisas.

Trabalhadores brasileiros em Parnamirim Field - Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Trabalhadores brasileiros em Parnamirim Field. Pessoas simples que ajudaram a construir esta grande unidade militar, muitos chegaram a região fugidos da grande seca de 1942 – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com

O problema é que o Rio Grande do Norte é um lugar onde a história e a memória é extremamente relegada a poucos grupos sociais, a maioria da população não é incentivada a procurar o que existe e muitos não tem acesso a estas informações. Além disso, muitos dos que estudam o tema não se interessam pela sorte e relato daqueles mais humildes que estiveram envolvidos no processo, sejam por um extremo pedantismo, ou burrice mesmo. O foco é tão somente centrado nos americanos, nos equipamentos e como a elite de Natal na época interagiu com os estrangeiros.

Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Provavelmente o momento de finalização do trabalho e o embarque nos caminhões que os levariam as suas casas – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Um PB4Y da US Navy - Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Um Consolidated PB4Y-1 da US Navy. Havia em Parnamirim Field uma área da USAAF (Força Aérea do Exército dos Estados Unidos), uma da US Navy (a Marinha deles) e da nossa FAB- Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Provavelmente brasileiras - Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Certamente brasileiras que trabalhavam como enfermeiras, ou no Casino dos Oficiais, que acredito ser o mais provável – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Estas mulheres junto aos oficiais da US Army provavelmente são americanas – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Em umtempo que em Ponta Negra ainda se vendia lagostas na beira mar. Certamente estas mulheres eram moradores da Vila de Ponta Negra - Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Em um tempo que nas praias natalenses ainda se vendia lagostas na beira mar. Certamente estas mulheres eram moradores da Vila de Ponta Negra. Me questiono o quanto este contato foi positivo, ou negativo, para grande parte de nosso povo? – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Nesta foto é possível ver com mais amplitude a área do Morro do Careca. Provavelmente o militar com um quepe a direita é brasileiro – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Barracas de Parnamirim Field - Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Barracas de Parnamirim Field. Durante as chuvas, no começo da Base, provavelmente esta área entre as barracas poderia se transformar em um belo lamaçal! – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Construção de alojamentos - Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Construção de alojamentos – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via - http://www.buzzfeed.com
Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images​, via – http://www.buzzfeed.com
Um Consolidated C-87 Liberator Express em Parnamirim Field
Manutenção em um Consolidated C-87 Liberator Express em Parnamirim Field. Esta aeronave pertencia ao ATC – Air Tranport Command – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images, via – http://www.buzzfeed.com
Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images, via - http://www.buzzfeed.com
Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images, via – http://www.buzzfeed.com
- Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images, via - http://www.buzzfeed.com
Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images, via – http://www.buzzfeed.com
Para muitos a primeira hgrande onda de "turismo" na capital potiguar - Fonte - Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images, via - http://www.buzzfeed.com
Para muitos a primeira grande onda de “turismo” na capital potiguar – Fonte – Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images, via – http://www.buzzfeed.com

Ver também – http://tokdehistoria.com.br/2012/01/24/as-cores-na-rampa-e-na-base-de-parnamirim-durante-a-ii-guerra/

http://tokdehistoria.com.br/2013/09/30/fotos-de-parnamirim-field-na-segunda-guerra-mundial/