O TOQUE DA SEGUNDA GUERRA

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85 ANOS, A PIANISTA NALVA NÓBREGA CONTA COMO SE INSPIROU NO CLIMA QUE NATAL VIVEU COM A PRESENÇA DOS AMERICANOS PARA PRODUZIR SEU TRABALHO MUSICAL

Autor – Henrique Arruda – NOVO JORNAL

O ano era 1942 e o mundo estava em guerra pela segunda vez. Enquanto lá fora a batalha entre países aliados e os do eixo seguia firme, Nalva Nóbrega, 85, adorava conhecer os soldados estrangeiros que chegavam em Natal. Por causa da sua timidez, que só desaparecia quando ela estava acompanhada de sua grande paixão, o piano, a caicoense deixava as tentativas de comunicação com os homens para as amigas desinibidas.

E se hoje em dia a moderna Natal não fala em outra coisa senão na Copa do Mundo e na quantidade de estrangeiros que vai passar pela cidade no período dos jogos, imagine para aquela cidadezinha pacata da época, perdida entre dunas, mar e rio, que de repente é tida como a principal base para as tropas norte-americanas durante o confronto de proporções globais!

Diante da efervescência registrada no recém-inaugurado Grande Hotel, na Ribeira, e em toda extensão da Rua Dr. Barata, Nalva e suas amigas observavam os bonitões que circulavam pela cidade. “What time is it (que horas são)?”, perguntava em voz alta a mais animada do grupo quando algum deles se aproximava, até mesmo para testar o aprendizado da língua estrangeira que estudavam no Colégio Santa Terezinha, em Caicó.

Exatamente 72 anos depois, Nalva está na sala de seu apartamento, em Petrópolis, sentada ao lado do seu piano branco, enquanto relembra esses e outros episódios da época em que Natal foi invadida pelo país da Coca Cola, chicletes e outras maravilhas, em plena II Guerra Mundial.

Foram essas mesmas memórias que lhe fizeram gravar o sexto CD da carreira como pianista. No repertório, o foco foi para as canções que costumavam tocar nos bailes e rádios de Natal naquela época. O trabalho foi lançado há pouco mais de duas semanas em sessão solene no Teatro Alberto Maranhão.

Scan_Pic0045A pianista tira da memória 20 canções, incluindo a icônica valsa “Royal Cinema” de Tonheca Dantas, que no ano passado completou 100 anos e é tida como uma das composições mais importantes para a história da música no Rio Grande do Norte.

“A BBC vivia tocando a Royal Cinema, mas dizendo que era de autor desconhecido”, recorda Nalva, carregando o mesmo brilho no olhar da caicoense que aprendeu a tocar piano aos 4 anos com sua tia. “Minha tia foi uma excelente pianista e Tonheca Dantas, inclusive, chegou a fazer uma música para ela, mas eu não tenho mais a partitura”, lamenta, apontando para o teto do escritório, onde se pode observar na prateleira uma pasta com partituras e documentos relacionados ao seu universo particular da música.

“Se for lhe contar tudo pode sentar que vai demorar. Minha vida é um romance”, adverte sem se decidir entre ficar em pé ou sentada, empolgação que carrega desde os tempos de sala de aula. Além de ser aposentada pelo Tribunal de Contas da União, Nalva também é aposentada pela UFRN, onde foi professora de contabilidade no curso de Administração.

Fonte http://www.potiguarte.blogspot.com.br/

FILME CAÇADORES DE OBRAS-PRIMAS COM GEORGE CLOONEY

Atores principais de The Monuments Men - Os Caçadores de Tesouros

Atores principais de The Monuments Men – Os Caçadores de Tesouros

Está lá nos livros de história que Hitler roubou milhões em peças de arte na Europa e as colocou em túneis, escondidas. O que poucos sabem é que um grupo de homens, velhos demais para as atividades de soldados, se alistou e foi em busca das maravilhosas obras de arte europeias, exibidas até então em museus e em coleções particulares de famílias judias e resgataram muitas delas da voracidade de Hitler.

Essa é a história de heróis anônimos da Segunda Guerra Mundial, que o ator e diretor George Clooney escolheu para nortear “Caçadores de Obras-Primas”, seu mais novo filme. É uma interessante história baseado no livro “Monuments Men”, escrito por Robert M. Edsel e Bret Witter.

General Dwight D. Eisenhower visitando mina de sal onde os nazistas guardavam obras de arte roubadas

General Dwight D. Eisenhower visitando mina de sal onde os nazistas guardavam obras de arte roubadas

Com um elenco de luxo, composto por Matt Damon, John Goodman, Bill Murray e Jean Dujardin, Cate Blanchett, além do próprio Clooney, a película promete. Mas, não espere deste “Caçadores de Obras-Primas” mais um drama sobre a Segunda Guerra, o longa-metragem não aborda o tema sem humor.

Durante a guerra um grupo de especialistas, curadores, galeristas e artistas que foram enviados à Europa pelo presidente Franklin D. Roosevelt para recuperar centenas de milhares de obras de arte roubadas pelos nazistas, além de proteger milhares de peças ameaçadas pelos bombardeios aliados.

Obra do francês Édouard Manet recuperada próximo a Frankfurt

Obra do francês Édouard Manet recuperada próximo a Frankfurt

“Não estamos muito familiarizados com esta história, o que é estranho vindo de um filme sobre a Segunda Guerra Mundial. Geralmente, você acredita que já viu tudo sobre esta época”, disse Clooney em uma entrevista coletiva em Beverly Hills.

Os mais de 100 homens que percorreram a Europa durante a operação tinham a tarefa de localizar e recuperar as obras que Adolf Hitler havia roubado de famílias judias e dos grandes museus europeus para criar seu megalômano museu de arte de Linz.

Quadro do pintor Rubens recuperado de uma mina na Prússia

Quadro do pintor Rubens recuperado de uma mina na Prússia

“Era um grupo de homens que alguém jamais imaginaria em uma zona de guerra”, disse Grant Heslov, produtor e um dos roteiristas do filme, grande colaborador de Clooney no projeto. “Não eram jovens nem estavam aptos para a batalha ou atos de heroísmo”.

Para criar uma consciência

A seriedade do tema não impede que o filme adote um tom leve e divertido, reivindicado pelos autores. “É o tom que George e eu queríamos”, disse Heslov. “Queríamos fazer um filme que nos recordasse o tipo de fitas de guerra que assistíamos em nossa juventude. Havia algo de humor nelas”. “Sabíamos que não faríamos “A Lista de Schindler” ou “O Resgate do Soldado Ryan”. Estes são filmes excelentes, mas com uma perspectiva totalmente distinta sobre a guerra”, completou.

Os nazistas eram tão caras de pau, que chegaram a se fotografarem retirando obras de arte. Como mostrado aqui na Itália, colocando em um caminhão quadros do pintor Piero del Pollaiolo

Os nazistas eram tão caras de pau, que chegaram a se fotografarem retirando obras de arte. Como mostrado aqui na Itália, colocando em um caminhão quadros do pintor Piero del Pollaiolo

Muitas obras saqueadas por Hitler foram encontradas e entregues a seus proprietários, mas foi um “processo longo, que continua hoje em dia”, observou Clooney. “Não é tão simples, porque é difícil sentir empatia por alguém como Rothschild, que tinha a maior coleção privada do mundo. As pessoas pensam que, como eram ricos, o dano não era tão grave. Mas, obviamente, as obras tinham que ser devolvidas”.

Em “Caçadores de Obras-Primas”, Clooney aborda o lugar da arte na sociedade, assim como sua importância e proteção. “Basta ver o desaparecimento das obras de arte que está acontecendo neste momento na Síria”, recordou.

O tenente James R. Rorimer, na vida civil um curador de arte medieval do Metropolitan Museum of Art, de Nova York, examina uma coleção de joias italianas do século XVI, da coleção Rothschild

O tenente James R. Rorimer, na vida civil um curador de arte medieval do Metropolitan Museum of Art, de Nova York, examina uma coleção de joias italianas do século XVI, da coleção Rothschild

O ator e diretor espera que o filme ajude “a criar consciência sobre até que ponto é importante proteger a cultura de cada país e buscar a maneira de recuperar” estas obras. “Se o filme conseguir chamar a atenção para o tema e provocar um debate, terá sido útil”.

Ao ser questionado sobre seu método, Clooney não deixa de fazer piada. “Trabalhei com os irmãos Coen, com Steven Soderbergh, com Alexander Payne. Trabalhei com cineastas formidáveis ao longo dos anos. Você tenta observar o que eles fazem e depois simplesmente rouba deles”, concluiu, com seu famoso sorriso sedutor.

Espadas de Frederico, O Grande, ricamente trabalhadas e recuperadas do saque nazista

Espadas de Frederico, O Grande, ricamente trabalhadas e recuperadas do saque nazista

George Clooney, 52 anos, sempre atua ao lado de amigos. É uma de suas premissas. Como diretor não faz diferente. Ele reuniu gente a quem conhece há anos para contar uma história inusitada e provar que o amor à arte vale, sim, uma vida. Este é o quinto filme dirigido por Clooney, após “Confissões de uma Mente Perigosa” (2002), “Boa Noite e Boa Sorte” (2005), “O Amor não tem Regras” (2008) e “Tudo pelo Poder” (2011). “Eu gosto muito, me diverte. Atualmente, prefiro dirigir a atuar. Não sei se estou melhorando ou não, mas evoluo com as novas direções”.

AINDA SOBRE ESTE TEMA, VEJA NO TOK DE HISTÓRIA - http://tokdehistoria.wordpress.com/2013/11/03/a-incrivel-descoberta-de-1-500-valiosas-obras-de-arte-roubadas-pelos-nazistas-durante-a-segunda-guerra-mundial/

CHURCHILL, O HUMORISTA

Winston Leonard Spencer Churchil, ou simplesmente, Sir. Winston Churchill, como ficou mundialmente conhecido este brilhante político britânico. Nasceu em 1874 e veio a falecer em 1965, ficando mundialmente conhecido pelo seu trabalho e liderança junto aos países aliados no combate aos nazistas e fascistas.

Winston Leonard Spencer Churchil, ou simplesmente, Sir Winston Churchill, como ficou mundialmente conhecido este brilhante político britânico. Nasceu em 1874 e veio a falecer em 1965, ficando mundialmente conhecido pelo seu trabalho e liderança junto aos países aliados no combate aos nazistas e fascistas.

Nem só de gente carrancuda se faz a História.

Winston Churchill foi, sem dúvida, uma das maiores figuras de todos os tempos.

Mas Churchill não era só um político genial e um orador incomparável. Era também um sujeito extremamente bem humorado.

Rápido no raciocínio, cáustico nas respostas, era um interlocutor temido.

Certa vez, no seu aniversário de 80 anos, um fotógrafo com menos de 30 aproximou-se e disse:

“Sir Churchill, espero estar aqui novamente para fotografá-lo nos seus 90 anos”.

Churchill respondeu:

“E por que não, meu jovem? Você me parece bastante saudável”.

O presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt e Winston Churchill na Conferencia de Casablanca, Marrocos, em janeiro de 1943. Em pé, da esquerda para direita, temos o general Henry H. Arnold, o almirante Ernest King, o general George Marshall,  o almirante Sir Dudley Pound, o general Sir Allen Brook e o marechal do ar Sir Charles Portal. Foi depois deste encontro na África que Roosevelt veio se encontrar com o presidente Getúlio Vargas em Natal.

O presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt e o primeiro ministro Winston Churchill na Conferência de Casablanca, Marrocos, em janeiro de 1943. Em pé, da esquerda para direita, temos o general Henry H. Arnold, o almirante Ernest J. King, o general George C. Marshall, o almirante Sir Dudley Pound, o general Sir Allen Brook e o marechal do ar Sir Charles Portal. Após este encontro na África Roosevelt veio a Natal e aqui se encontrou com o presidente Getúlio Vargas.

Em outra ocasião, George Bernard Shaw, um dos maiores dramaturgos e escritores ingleses de todos os tempos,   resolveu convidá-lo para a estreia de uma peça sua. Como era daqueles que perdia o amigo, mas não perdia a piada, Shaw mandou-lhe um bilhete com os dizeres:

“Tenho o prazer e a honra de convidar Sua Excelência, o Primeiro-ministro, para a primeira apresentação da minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver”.

Churchill enviou-lhe um telegrama em seguida:

“Agradeço ao ilustre escritor o honroso convite. Infelizmente, não poderei comparecer à primeira apresentação de sua peça. Mas prometo que irei à segunda, se houver”.

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Em 1940, entre o dramático episódio da Retirada de Dunquerque e a épica a Batalha da Inglaterra, Churchill realizou um memorável discurso no Parlamento Britânico. Andrew Roberts comenta no seu livro Tempestade da guerra – Uma nova história da Segunda Guerra Mundial, que após Churchill proferir este discurso, enquanto ainda era intensamente ovacionado, sentou ao lado do ministro conservador Walter Elliot e lhe cochichou preocupado no caso dos alemães atravessarem o Canal da Mancha:

“Não sei como vamos combatê-los – creio que teremos de quebrar suas cabeças com garrafas – as vazias, é claro”.

Em outra oportunidade, durante uma sessão do parlamento, a primeira mulher eleita para a Câmara dos Comuns, Nancy Astor. Apesar de amigos, Nancy Astor alterou-se durante uma discussão. Aos berros, afirmou:

“Se Sua Excelência fosse meu marido, eu colocaria veneno no seu café”.

Ao que Churchill respondeu:

“Pois se eu fosse marido de Vossa Excelência, eu tomaria o café”.

Agora, a melhor de todas.

Ao lado de Winston Churchill vemos o Marechal Bernard Law Montgomery, 1º visconde Montgomery de Alamein

Ao lado de Winston Churchill vemos o Marechal Bernard Law Montgomery, 1º visconde Montgomery de Alamein

Bernard Montgomery foi um dos comandantes das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. Fez fama por bater o general alemão Erwin Rommel, a Raposa do Deserto, nas batalhas pelo Norte da África. Mas – dizem as más línguas – não era assim tão bom quanto diziam. Além disso, era um certinho a toda prova, caxias mesmo. Ainda assim, Monty, como era chamado pela imprensa, ficou se achando o máximo após o fim da guerra.

Certo dia, durante uma celebração qualquer, Monty foi discursar sobre sua experiência na guerra. Disse ele:

“Eu não fumo, não bebo e não prevarico. Por isso, sou herói de guerra”.

Na plateia, Churchill emendou para um colega que estava ao seu lado:

“Já eu fumo, bebo e prevarico. Por isso, sou chefe dele”.

http://blogdomaximus.com/2011/03/23/pra-desopilar-churchill-o-humorista/

1943 – QUEM FOI O MOTORISTA DO JIPE DE ROOSEVELT E VARGAS EM NATAL

Roosevelt e Vargas em Natal. Na direção do jipe o capitão David Channing Moore

Roosevelt e Vargas em Natal. Na direção do jipe o capitão David Channing Moore

Autor – Rostand Medeiros

Hoje, através do amigo Petit das Virgens, soube que outro dileto amigo, a quem muito admiro, desejava saber a identidade do militar americano que dirigia o jipe que transportou os presidentes Franklin Delano Roosevelt e Getúlio Dorneles Vargas, quando os dois estiveram em Natal em 1943. Quem desejava saber a informação é o meu amigo Luiz Gonzaga Cortez. Jornalista dos bons, a quem tenho enorme admiração. Seus livros e seu trabalho no Diário de Natal são referências para mim. Principalmente sobre 23 de novembro de 1935, dia da deflagração da Intentona Comunista em Natal. A importância está no sentido de descobrir mais sobre a participação do meu avô, Joaquim Paulino de Medeiros Filho, neste malogrado movimento.

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Já sobre a pergunta do amigo, o nome do motorista era David Channing Moore, era um capitão e creio não era um piloto. Ele havia trabalhado na empresa IBM, era formado na Brown University (mas não sei em que), entrou na USAAF (United States Army Air Force) no ano 1942. Serviu em Washington, América do Sul, Norte da África e continuou sua trajetória militar em um grupo de caça junto à 14th Air Force, no teatro de guerra CBI – China, Burma e Índia.

Material jornalistico de um jornal americano, de 1943, apontando o capitão Moore como motorista do famoso jipe

Material jornalistico de um jornal americano, de 1943, apontando o capitão Moore como motorista do famoso jipe

Passou 31 meses servindo fora dos Estados Unidos. Deixou a USAAF no posto de coronel. Foi policial e morava em um subúrbio de Nova York chamado Bronxville. Casado, tinha três filhos e morava na Elm Rock Road, número 12, no Condado de Westchester, a cerca de 25 km ao norte de Manhattan.. Já o que ele especificamente fazia em Natal eu não sei…

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A MAIOR MATADORA DE HOMENS – E AÍ, ENCARAVA?

Lyudmila Mykhailvna Pavlichenko

Lyudmila Mykhailvna Pavlichenko

Conheça a história da atiradora de elite Lyudmila Pavlichenko. Até o final da Segunda Guerra Mundial esta ucraniana tornou-se a atiradora mais bem sucedida da história, com 309 soldados inimigos mortos

Autor – Rostand Medeiros

É interessante como a extinta União Soviética, um país comunista, não pareceu ter muitos problemas em matéria de igualdade de gênero durante a sua história, em comparação com os países europeus e os Estados Unidos, que promoviam a liberdade e igualdade para todos. Não podemos esquecer que foram os soviéticos que enviaram a primeira astronauta ao espaço exterior no início da década de 1960 (Valentina Tereshkova) e um par de décadas antes, promoveu as suas mulheres para combaterem os invasores nazistas. Aqui temos a história da maior matadora destes inimigos de seu país e, talvez, a mulher que comprovadamente matou mais homens em toda história.

No seu trabalho

No seu trabalho

Pelas fotos que aqui trago eu não posso dizer que a mulher da foto acima, com belos olhos castanhos, um uniforme de corte extremamente masculino e muito condecorada, é alguma grande referência em termos de beleza feminina. Inclusive nas fotos que temos neste artigo podemos ver que esta militar parecia estar até acima do peso. Ou seria o corte do seu uniforme que a deixava cheinha?

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Mas esta mulher de olhos extremamente luminosos, aparência simples, tranquila e serena, matou mais de três centenas de homens dos exércitos que um dia vieram do oeste e ousaram invadir a sua terra.

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Seu nome era Lyudmila Mykhailvna Pavlichenko, nasceu na cidade ucraniana de Balaya Tserkov, em 1916, filha de um operário e de uma professora. Na adolescência se mudou para a cidade de Kiev, a capital ucraniana, na época um estado satélite da União das Republicas Socialistas Soviéticas, a URSS. Desta época ela descreveu-se como uma menina “indisciplinada na sala de aula”, mas atleticamente competitiva, e que não se permitiria ser superada por meninos “em nada”.

Neste período a garota participava de um clube de tiro e se deu bem nesta atividade. Mesmo depois de aceitar um emprego em uma fábrica de armas, ela continuou a praticar a sua pontaria. Em 193,7 a jovem Lyudmila se matriculou na Universidade de Kiev, onde estudava história com a intenção de tornar-se uma professora.

Os exércitos de Hitler, a Wehrmacht, arrasando a Europa

Os exércitos de Hitler, a Wehrmacht, arrasando a Europa

Mas em junho de 1941, os alemães lançaram  contra a União Soviética a Operação Barbarossa e a garota imediatamente alistou-se na 25ª Divisão de Rifles, começando sua carreira militar como uma simples recruta. No alistamento ela teve que forçar a barra para ser designada como uma franco atiradora, ou “sniper”, pois o pessoal do alistamento, provavelmente levado pela sua aparência, queria que ela fosse enfermeira.

Lyudmila em ação.

Lyudmila em ação.

No seu primeiro dia no campo de batalha ela estava em uma posição próxima ao inimigo e ficou paralisada de medo. Incapaz de levantar a sua arma, um rifle M1891/30 Mosin Nagant, de 7,62 mm. Um jovem soldado russo ficou ao seu lado na sua posição de tiro. Mas antes que eles tivessem a chance de estabelecer seus alvos, um tiro ecoou e uma bala alemã tirou a vida de seu camarada. Lyudmila ficou chocada. “Ele era um bom menino e tão feliz”, ela lembrou. “Ele foi morto repentinamente ao meu lado. Depois disso, nada poderia me impedir”. Em pouco tempo ela registrou suas primeiras vitórias; com precisão matou dois batedores alemães que tentavam reconhecer uma área perto da localidade rural de Belyayevka.

Rifle M1891/30 Mosin Nagant, de 7,62 mm, similar ao utilizado pela atiradora de elite

Rifle M1891/30 Mosin Nagant, de 7,62 mm, similar ao utilizado pela atiradora de elite

A jovem soldado lutou tanto na região de Odessa e na Moldávia, onde acumulou a maioria de suas mortes. Extremamente seletiva, como toda mulher deve ser, Lyudmila tinha uma enorme preferência por homens que utilizavam no peito e nos ombros muitas fitas, condecorações e outros penduricalhos que os oficiais militares se ornamentam para mostrar a sua bravura em combate. Consta que mais de 100 oficiais nazistas pagaram com a vida por andar com estes prêmios diante da mira telescópica do rifle de Lyudmila.

Ela se tornou um dos mais de 2.000 atiradores de elite do sexo feminino no Exército Vermelho, dos quais apenas cerca de 500 sobreviveram à guerra. Creio que não vale nem a pena descrever o que os nazistas faziam com as atiradoras que eles capturavam vivas!

Um atirador de elite alemão. Igal a este Lyudmila matou 36.

Um atirador de elite alemão. Igual a este Lyudmila matou 36.

Como a contagem de homens mortos pela ucraniana só crescia, ela recebeu mais e mais missões perigosas, incluindo a mais arriscada de todas – o duelo à distância com franco-atiradores inimigos. Lyudmila Pavlichenko nunca perdeu um único embate contra seus opositores, matando 36 atiradores em caçadas que poderia durar todo um dia e uma noite. Em um caso o duelo durou três dias.

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Sobre este caso em particular ela comentou que “Essa foi uma das experiências mais tensas da minha vida”. É  interessante ver como esta jovem teve resistência e força de vontade que a levou a ficar 15 ou 20 horas deitada, mantendo a calma, silêncio e o sangue frio necessário para apertar o gatilho no momento certo. “Finalmente”, disse ela sobre seu perseguidor nazista, “ele fez um movimento e atirei”. Um a menos!

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Quando os alemães ganharam o controle de Odessa, sua unidade foi enviada para a região da cidade de Sevastopol, ou Sebastopol, ao sul da península da Criméia, onde Lyudmila passou oito meses de intensos combates.

Em maio de 1942 ela já tinha alcançado o posto de tenente, quando foi citada pelo Conselho do Exército do Sul por ter matado 257 soldados alemães, incluindo 187 em seus primeiros 75 dias neste estranho trabalho para uma mulher.

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Seu total de mortes confirmadas durante a Segunda Guerra Mundial foi de 309. Também deve ser notado que o número real de inimigos abatidos por Lyudmila foi, provavelmente, muito mais do que os 309 confirmados por testemunhas. Historiadores acreditam que esta mulher pode ter matado mais de 500 inimigos.

Lyudmila foi ferida em quatro ocasiões distintas. A mais grave ocorreu em junho de 1942, quando sua posição de tiro foi bombardeada por fogo de morteiros e ela recebeu estilhaços no rosto.

Lyudmila com a Primeira Dama dos Estados Unidos, a Sra. Eleanor Roosevelt

Lyudmila com a Primeira Dama dos Estados Unidos, a Sra. Eleanor Roosevelt

Apenas dois meses depois de deixar Sevastopol, a jovem oficial estava nos Estados Unidos, em um trabalho puramente propagandístico. Ela se tornou o primeiro cidadão soviético a ser recebido pelo Presidente Roosevelt na Casa Branca e manteve uma ótima relação com Eleanor Roosevelt, a Primeira Dama.

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Para a imprensa americana Lyudmila relatou que suas botas negras tinham “Conhecido a sujeira e o sangue de batalha”. Ela deu entrevistas com descrições contundentes de seu dia como uma franco atiradora. A ucraniana relatava sua odisseia com extrema sinceridade, olhando os repórteres nos olhos, falando com delicadeza, mas de maneira firme e muito orgulhosa em relação aos seus feitos. Matar nazistas, disse ela, não lhe despertou emoções complicadas. Na época afirmou “A única sensação que tenho é a grande satisfação que um caçador sente ao matar um animal de rapina”.

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A atiradora fez tanto sucesso na terra de Tio Sam que até mesmo virou “hit” de canção popular. Isso ocorreu quando o músico americano Woody Guthrie gravou uma canção Intitulada “Senhorita Pavlichenko”, em homenagem a durona atiradora de olhos suaves. Neste país Lyudmila ainda foi agraciada com uma pistola Colt calibre 45, com gravações exclusivas de sua visita, e um rifle Winchester 70. O último dos quais pode ser visto em Moscou, no Museu Central das Forças Armadas.

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Tendo alcançado o posto de major, Lyudmila nunca mais voltou a combater, mas tornou-se instrutora de franco atiradores soviéticos até o fim da guerra. Em 1943, ela foi premiada com a Estrela de Ouro de Herói da União Soviética.

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Lyudmila Mykhailvna Pavlichenko foi destaque em dois selos postais comemorativos na União Soviética depois da guerra (um deles trago ao lado). Ela terminou um mestrado em história na Universidade de Kiev, foi ativa no comitê soviético de veteranos de guerra e, entre outras coisas, trabalhou como assistente de pesquisa na sede da marinha soviética.

Morreu em 10 de outubro de 1974, aos 58 anos de idade.

Apesar do número elevado de mortos, não podemos esquecer que esta mulher era apenas uma militar em combate, nunca foi uma “serial killer”. Ela cumpria seu dever de defender seu país, que havia sido invadido e, como em todas as guerras, se espera que os militares matem o maior número de invasores inimigos.

Ou alguém acha que por ser mulher ela não poderia cumprir a sua missão?

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PARNAMIRIM FIELD NA IMPRENSA INTERNACIONAL

Reportagem de uma revista

Reportagem de uma revista australiana sobre Parnamirim Field

A VISÃO DA IMPRENSA ESTRANGEIRA SOBRE A GRANDE BASE AÉREA EM SOLO POTIGUAR

Autor – Rostand Medeiros

Publicado originalmente no encarte especial dos 55 anos de criação do município de Parnamirim, Rio Grande do Norte, no jornal Potiguar Notícias, de 13 de dezembro de 2013.

Em termos de politica internacional, dificilmente alguém contestará que, o mais importante acontecimento, nesta área, ocorrido no Rio Grande do Norte, em todo o século XX, talvez em toda a sua história, tenha sido o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, e do Brasil, Getúlio Dorneles Vargas, em 28 de janeiro de 1943, a bordo do navio de guerra americano USS Humboldt, ancorado no estuário do Rio Potengi.

Parnamirim Field

Parnamirim Field

A partir deste histórico acontecimento, a imprensa norte americana passou a dar uma maior visibilidade sobre a participação prática e efetiva do Brasil na guerra e a apresentar ao público americano como ajudávamos o esforço de guerra Aliado. Um dos focos da atenção dos jornalistas foi a importância da Natal Air Base, também conhecida pelos aviadores americanos como Parnamirim Field, então considerada uma das maiores bases aéreas construídas fora dos Estados Unidos e uma das principais encruzilhada das rotas aéreas no mundo.

A United Press em Parnamirim Field

Um dos primeiros jornalistas a transmitir estas informações ao público norte americano foi James Alan Coogan, natural de Milwaukie, Oregon. Ele era o chefe do escritório da respeitada agência de notícias United Press para a América do Sul.

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No início de 1943 os Aliados já tinham começado a virar favoravelmente o jogo da guerra e forças alemãs, italianas e japonesas estavam sofrendo derrotas em inúmeras frentes de combate ao redor do mundo. Coogan iniciou uma série de reportagens enaltecendo que foi a partir de Parnamirim Field que surgiu a “energia aérea” que estava ajudando a derrotar as forças alemãs e italianas no Norte da África. Daquela base aérea, decolavam, dia e noite, milhares de aviões de transporte com homens e materiais que ampliavam o poderio Aliado naquela parte do mundo.

Mesmo informando que era um segredo militar, o número de aviões que decolavam com um pequeno intervalo de tempo das pistas de Parnamirim, para Coogan era impressionante a quantidade de “Fortalezas Voadoras”, “Liberators”, “Mauraders” e outros modelos, que chegavam e partiam initerruptamente, durante as 24 horas do dia, sete dias por semana.

Os Acorrentados

Coogan observou que a base tinha um forte esquema de proteção e se encontrava cercada de trincheiras ocupadas por brasileiros e americanos, atentos a alguma ação do inimigo. Somente depois de novembro de 1942, após ações Aliadas na África que inviabilizaram um possível ataque inimigo ao Nordeste do Brasil, ocorreu um grande alívio para os defensores da grande base de Parnamirim. Estas ações foram principalmente o desembarque americano no Norte da África (Operação Torch) e a posse da cidade de Dakar, na época capital colonial da África Ocidental Francesa.

Posição geográfica de natal em reportagem estrangeira

Posição geográfica de natal em reportagem estrangeira

O moral das tropas era elevado e havia muito trabalho sendo feito, o que deixava os homens sem tempo para pensarem em diversões comuns aos grandes centros.

Para o jornalista da United Press, as tripulações dos aviões americanos cada vez mais ampliavam sua capacidade operativa e suas habilidades, ao realizarem vários voos entre os Estados Unidos e as frentes de combate, sempre utilizando Parnamirim Field como ponto obrigatório.

O jornalista percebeu que, mesmo sem estarem diretamente expostos ao combate, os corpos e as mentes dos homens da Divisão de Transportes eram muito cobrados.

Portão em Parnamirim Field, guarnecido por brasileiros e americanos

Portão em Parnamirim Field, guarnecido por brasileiros e americanos

Eles voavam constantemente no traslado de novos aviões, transportando homens e materiais de combate para as várias áreas do conflito. Coogan comentou que os pilotos de transporte na base aérea se autodenominavam “Os Acorrentados”, por viverem presos aos cintos dos assentos de suas aeronaves.

O Comandante Americano e Parnamirim

Nesta época não existia uma força aérea dos Estados Unidos independente, sendo esta força uma parte do exército deles. Por esta razão, o comandante em chefe das forças do exército americano no Atlântico Sul era o General Robert. L. Walsh.

Com 48 anos de idade, Walsh havia sido brevetado como piloto em 1918, pertencendo desde então ao quadro de aviadores do exército americano e havia assumido a função no Brasil em 20 de novembro de 1942. Vindo do setor de inteligência, era considerado pelo jornalista Coogan como o “mais modesto general americano”.

C-47, o "Burro de carga" da aviação Aliada. Muitos destes passaram por Natal

C-47, o “Burro de carga” da aviação Aliada. Muitos destes passaram por Natal

Em uma entrevista concedida no Quartel General da Divisão de Transportes em Parnamirim Field, junto com a sua oficialidade, em meio ao constate barulho de pousos e decolagens de aeronaves multimotores, o reservado general tinha consciência da importância do trabalho dos seus homens e daquela grande base aérea, tida pelo Alto Comando Aliado como vital. Comentou que apesar de algumas improvisações iniciais, do limitado tempo para o lazer dos seus homens naquele inicio de 1943, a missão a eles passada estava sendo cumprida a contento.

Tanto o general como seus oficiais transmitiram a Coogan que as bases aéreas norte-americanas no Brasil eram de grande auxilio para o combate das forças nazifascistas, igualmente era notável a contribuição dos operários e técnicos brasileiros para a construção das bases aéreas, especialmente Parnamirim Field, a maior e mais movimentada.

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O interessante na entrevista com o General Walsh foi ele enaltecer primeiramente os operários e técnicos civis brasileiros, com bastante ênfase por sinal, e só depois comentar favoravelmente a colaboração de nossas autoridades.

Disciplina Folgada

Em uma das passagens de sua extensa reportagem, que no Brasil foi publicada em quatro edições em jornais cariocas, Coogan comentou que a quantidade e o volume de tarefas em Parnamirim Field era tal, que a disciplina militar era mais “democrática”. Para o jornalista americano havia em Parnamirim Field uma “disciplina folgada”.

Os praças americanos em Parnamirim tratavam seus oficiais por “Senhor”, mas não ficavam a toda hora batendo os calcanhares, nem realizando continências simetricamente perfeitas. Se, por exemplo, os militares americanos de patente inferior estavam descanso em baixo da asa de algum avião, eles não se levantam rapidamente e prestavam continência a passagem de qualquer tenentinho.

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Na verdade, o jornalista da United Press, que morava há algum tempo no Rio de Janeiro e certamente conhecia os hábitos castrenses brasileiros, ao transmitir esta questão, mostrava uma das grandes diferenças que existia entre os nossos militares e os militares dos Estados Unidos. Enquanto os nossos oficiais, muitas vezes, se preocupavam mais com o tamanho de um corte de cabelo, a posição de uma mão na hora da continência, ou quão lustrada uma bota estava, para os americanos, valia mais a questão da operacionalidade do elemento e o cumprimento das missões, do que a rigidez de certos procedimentos de saudação militar.

Em contrapartida, os militares americanos daquela época nunca conseguiram compreender como a oficialidade brasileira aceitava tranquilamente conviver com negros em suas tropas.

Repouso e Diversão

Havia alojamentos, locais de alimentação e recreação distintos para praças e oficiais, mas não era incomum que em uma mesma mesa se alimentassem, ou realizassem um jogo de cartas, coronéis e majores, junto com capitães e tenentes. Os oficiais de maior graduação tinham seus alojamentos individuais, oficiais não tão graduados formavam duplas e dividiam um alojamento.

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Já os praças, ao menos nesta época, se alojavam em grandes tendas montadas em sólidos alicerces de concreto, com pisos de ripas de madeira. Normalmente ficavam em número de quatro pessoas por barraca. O correspondente da United Press ocupou solitariamente a barraca de número 64. Apesar da força inclemente do sol nordestino, a tropa americana considerava o clima agradável pela ação dos ventos e as noites eram tranquilas e agradáveis.

As maiores diversões dos americanos dentro de Parnamirim Field eram escutar as emissoras estadunidenses em rádios valvulados de ondas curtas, jogos de cartas e calorosas partidas de beisebol. Este esporte tão estranho aos brasileiros na época envolvia as tropas do corpo aéreo do exército e da marinha americana, que tinham uma área dentro da base, junto com um setor exclusivo da Força Aérea Brasileira.

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Uma interessante compensação para os militares americanos em Parnamirim Field, em comparação àqueles que estavam servindo na cosmopolita e animada cidade do Rio de Janeiro, ou outra localidade brasileira bem mais confortável, era que os jornais americanos chegavam com no máximo um ou dois dias após sua publicação.

Um Repórter Australiano em Parnamirim Field

Mas não eram apenas os jornalistas americanos que transmitiam para seus leitores impressões sobre Parnamirim Field.

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Quase um ano após a publicação das reportagens de James Alan Coogan, esteve em Natal o jornalista australiano J. A. Marris, da revista Western Mail, da cidade de Perth, a capital e maior cidade do estado australiano da Austrália Ocidental.

Sua reportagem, intitulada “Skayway Base”, foi divulgada na edição de quinta feira, dia 20 de janeiro de 1944 desta revista, com amplo destaque na coluna “This Week”. Merris utilizou no texto uma linguagem bem clara, onde detalhou a importância estratégica de Parnamirim Field e um dia do seu intenso movimento aéreo.

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O australiano informou que nesta época na grande base aérea já não havia tendas e nem trincheiras contra um ataque aéreo. Mas se por um lado o medo de um ataque já não existia, o movimento aéreo era intenso. Na sua opinião, nas pistas de asfalto de Parnamirim Field “passavam os grandes heróis anônimos do transporte aéreo moderno”.

Vital para a vitória Aliada

O jornalista informou que a construção da base ocorreu enquanto na África do Norte os Aliados lutavam contra as forças do Afrika Korps, comandados pelo mítico General alemão Erwin Rommel.

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A estratégica base área militar foi construída em solo brasileiro no mais rigoroso sigilo militar, onde um exército de brasileiros simples, a maioria sertanejos fugidos da grande seca, concluíam, com muito suor e sacrifício, um lugar que possibilitou a criação de uma rede de linhas aéreas que na época supria quase todas as frentes de guerra.

Quando o General Rommel ameaçou invadir Alexandria, no Egito, em 1942, os olhos do mundo estavam voltados para o Vale do Nilo, mas os olhos dos comandantes aliados estavam focados na distante base de Parnamirim. Pois foi através desta estratégica área militar, que um fluxo de aviões vindos dos Estados Unidos e transportando valiosos materiais estratégicos, foi fundamental para a vitória Aliada na frente Africana.

Para o jornalista australiano foi em Parnamirim que o destino do Egito e do Oriente Médio, e talvez de todo o curso da guerra, foi decidido.

Movimento Internacional

J. A. Marris cruzou o Oceano Atlântico em direção aos Estados Unidos. Narrou que, após a chegada a Parnamirim Field, na sua aeronave, logo adentrou uma equipe de homens do setor de defesa sanitária. Estes passaram a fumegar em todas as partes do avião doses de veneno contra possíveis mosquitos africanos transmissores de doenças.  Segundo nos narrou Fernando de Góes Filho, um dos oficiais brasileiros responsáveis por este serviço era o seu pai, o médico Fernando Góes.

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Logo após desembarcar, o australiano soube que seu avião estava sendo requisitado para retornar a África e cumprir outra missão. Agora ele iria esperar uma vaga em outro avião que seguisse para os Estados Unidos, em meio a um dos maiores congestionamentos de tráfego aéreo de aviões americanos e de material de guerra. Marris agora era um “caronistas aéreo”.

Havia muita poeira e calor em Parnamirim Field, além de um barulho constante dos grandes motores aéreos ligados e guardas verificando as credenciais de todos que chegavam. Logo, os outros passageiros presentes ao setor de embarque e desembarque davam ao jornalista australiano uma ideia do caráter internacional da grande base aérea.

A importância de Parnamirim Field na época da Segunda Guerra pode ser medido pelo número de pessoas de importância política internacional que aqui estiveram. Como Eleanor Roosevelt que esteve na base em 1944

A importância de Parnamirim Field na época da Segunda Guerra pode ser medido pelo número de pessoas de importância política internacional que aqui estiveram. Como Eleanor Roosevelt, que esteve na base em 1944

Em um canto, um holandês, que trabalhava em um gabinete ministerial do seu país, dialogava com um funcionário de uma empresa aérea americana. Através de uma porta estreita, corre um coronel da Força Aérea Chinesa para pegar um avião que seguia para Washington. Mais adiante, era possível escutar histórias de pessoas que vinha de lugares tão diferentes como Chongqing (cidade no centro da China), Glasgow (Escócia) e Trípoli (capital da Líbia). Logo um grupo de militares passa a observar com muita atenção em uma determinada direção. Era um grupo de enfermeiras americanas que desembarcavam.

Em pouco tempo pousava uma esquadrilha de bimotores B-25 Mitchell, parando para reabastecer antes do salto sobre o Oceano Atlântico em direção à África. Depois o repórter australiano testemunhou outro avião que taxiava na pista, ainda trazendo manchas barrentas do solo africano em seu trem de aterrissagem. Esta última aeronave deixava um grupo de soldados feridos, que seriam levados para a principal unidade hospitalar que atendiam estes militares em Natal e hoje é conhecido como Maternidade Januário Cicco. Um dos feridos não passava de um simples garoto, mas que trazia um grande ferimento na perna e era um calejado veterano. Recuperava-se depois de dois anos de combate.

Partindo de Parnamirim Field

Finalmente J. A. Marris recebeu a noticia que iria continuar sua viagem. O avião era um bimotor Douglas C-47, de uma pequena esquadrilha de três aeronaves idênticas. Estes haviam aterrissado apenas uma hora antes, foram rapidamente reabastecidos, revisados e agora estavam alinhados na pista prontos para outra viagem.

Base Aérea de Acra durante a Guerra. localizada na atual Gana, África, foi um dos destinos dos aviadores Aliados depois de partirem de Parnamirim

Base Aérea de Acra durante a Guerra. localizada na atual Gana, África, foi um dos destinos dos aviadores Aliados depois de partirem de Parnamirim

Toda a bagagem a bordo foi empilhada no meio da fuselagem, formando um grande monte de objetos, cobertos com uma rede para evitar que se deslocassem dentro da aeronave e tudo isso era amarrado no piso. Entre tripulantes e passageiros ali estavam vinte homens; o piloto, o copiloto, um alto executivo de uma grande empresa de aviação americana, dois oficiais do exército chinês, um grupo de náufragos americanos resgatados, um trabalhador de um estaleiro da Filadélfia, três funcionários do governo de Londres e meia dúzia de outros pilotos americanos.

Durante o voo o C-47 seguiu ao longo da costa brasileira e da selva. Alguns passageiros tentavam dormir em desconfortáveis bancos que foram originariamente projetados para paraquedistas, enquanto outros jogavam cartas. De vez em quando se mudava a posição das pernas para passar as dores musculares e, ocasionalmente, ficava-se em pé, onde era possível dar três passos sem pisar em alguém e assim fazer o sangue circular.

Militares de países da Commonwealth são desembarcados de um C-47 americano. Parnamirim Field, como mostra a reportagem australiana, tinha um grande aspecto internacional

Militares de países da Commonwealth são desembarcados de um C-47 americano. Parnamirim Field, como mostra a reportagem australiana, tinha um grande aspecto internacional

Apesar de todo desconforto, ao ler a reportagem de Marris, fica evidente para este repórter australiano que Parnamirim Field era a mais importante engrenagem aérea em sistema de grande circulação de material e armas de guerra.

Ele reproduziu um interessante comentário de um observador realista, que muito sintetiza a importância de Parnamirim; “certamente Hitler daria dez de suas divisões em troca daquele lugar”.

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UM DOCUMENTÁRIO E UMA MINISSÉRIE QUE RETRATAM OS BRASILEIROS NA 2ª GUERRA SÃO OS NOVOS PROJETOS DE JOÃO BARONE

Certamente “Caminho dos Heróis” e “Terra de Ninguém” ajudarão a ampliar o conhecimento dos brasileiros em relação à participação dos pracinhas da FEB na Segunda Guerra Mundial

Uma grande dificuldade que existe na vida de muitos dos homens que participaram de guerras é o recordar. Para muitos que realmente estiveram no meio do fogo cruzado, que tiveram medo de morrer dentro de uma trincheira fria e lamacenta, além de terem sentido o cheiro terrível dos cadáveres apodrecendo, trazer estas lembranças a tona, reviver todo aquele horror, é um fardo deveras pesado e complicado.

Agora imagine você caro leitor que seu pai, seu grande amigo, seu mentor, quando ainda era um jovem, um dia saiu de sua casa para vestir um uniforme militar. O Exército lhe deu um fuzil, ele esteve em combate em uma terra estranha e foi um dos brasileiros que participou da Segunda Guerra Mundial. Certamente além de seu amigo e mentor, ele se tornaria seu maior herói.

Agora imagine que, na sua busca natural de conhecimentos, você desejou saber muitos detalhes sobre a guerra. Mas pelo fardo deveras pesado e complicado de tudo que seu pai viu em combate, muito pouco ele comentou. Logo você percebia que não era legal falar sobre isso, pois de alguma maneira ele sofria.

Mas aí um dia seu pai, seguindo os desígnios da natureza, parte desta existência para um plano superior, deixando muitas saudades. Em meio à tristeza pela ausência, você sente um grande vazio. Um vazio que esmaga por dentro e grande parte disso tem haver com o desconhecimento sobre o que houve com seu pai na época da guerra. Agora só tinha um jeito, era palmilhar os caminhos da história.

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Bem, guardadas as proporções foi mais menos isso que aconteceu com os irmãos João Henrique e João Alberto Barone, que decidiram cair em campo na busca de conhecer a história da participação do seu pai, o Senhor João Lavor, como membro da Força Expedicionária Brasileira em luta na Itália.

Os irmãos Barone cresceram em uma casa com muita música. É daí que vem o trabalho principal de João Alberto Barone, baterista do Paralamas do Sucesso.  Mas seu segundo interesse, que vem desenvolvendo paralelamente há anos, já produziu documentários sobre a participação do Brasil na segunda guerra e em breve lança seu segundo livro sobre o assunto, “1942: O Brasil e Sua Guerra Desconhecida”.

A nova empreitada do músico, junto ao irmão João Henrique Barone, é a minissérie “Terra de Ninguém”, sobre esse momento histórico e o que significou para o Brasil. Ela será produzida integralmente em Santa Catarina, através de uma parceria com a Orbital Filmes. O objetivo de João Alberto é produzir um material de resgate histórico inédito no Brasil, sobre um episódio que é pouco contado e pouco lembrado. “A gente quer mostrar a guerra do Brasil, como o Brasil lutou a guerra. É diferente da guerra dos americanos, retratada em Hollywood”, diz ele. O combate enfrentado pelos brasileiros na região da Toscana, na Itália, não foi aquele das mega-produções hollywoodianas, com aviões de guerra e grandes explosões. Foi um enfrentamento corpo a corpo, à moda antiga.

Foto - Rosane Lima / No Jipe da 2ª Guerra, o diretor Paulo Trejes e João Barone, baterista do Paralamas do Sucesso e estudioso do combate

Foto – Rosane Lima / No Jipe da 2ª Guerra, o diretor Paulo Trejes e João Barone, baterista do Paralamas do Sucesso e estudioso da Segunda Guerra

O núcleo central da minissérie terá quatro personagens, um da Bahia, um do Rio de Janeiro, um de Minas Gerais e um de Santa Catarina — que será apelidado de “gaúcho”, para mostrar os estereótipos de uma época em que havia muito menos conexão entre as regiões. A partir deles a história ficcional vai se desenrolar, porém sempre baseada em muita pesquisa sobre o período. “O romantismo faz parte da dramaturgia, mas junto a isso existem dados e fatos. Por isso passa a ser também um registro histórico”, diz Paulo Trejes, da Orbital, que vai dirigir a série.

Itália catarinense

Prevista em 15 episódios, a minissérie deve começar a ser filmada no segundo semestre do ano que vem. As locações já estão sendo mapeadas, entre elas está confirmada a região de Nova Veneza, no Sul do Estado, que apresenta semelhanças com o território italiano. “A gente encontrou condições ideais para a produção aqui”, diz João Alberto Barone.

Foto - Rosane Lima / João Baroni e Paulo Trejes em um programa de entrevista de uma TV catarinense, falam da minissérie Terra de Ninguém

Foto – Rosane Lima / João Baroni e Paulo Trejes em um programa de entrevista de uma TV catarinense, falam da minissérie Terra de Ninguém

O projeto está na etapa de captação de recurso, e terá cuidado especial na escolha de todo o elenco. Serão usados veículos e armas da época, figurinos fiéis aos uniformes usados na guerra, tudo para contribuir com a credibilidade histórica da produção. “Queremos construir a identidade do Brasil na guerra”, diz João Alberto.

Essa identidade, segundo ele, foi marcante pra os italianos. “Os brasileiros ainda são lembrados na Itália, porque eram gentis, sensíveis. Eles não conseguiam comer quando viam mulheres, crianças e idosos em volta passando fome”, explica. É esse o heroísmo particular que a série buscará retratar, sem glamurizar a guerra. A máxima que resume essas relações é: a guerra traz à tona o melhor e o pior do ser humano.

Desejo toda sorte aos irmãos João Henrique e João Alberto Barone nestes novos e certamente interessantes projetos.

Desejo toda sorte aos irmãos João Henrique e João Alberto Barone nestes novos e certamente interessantes projetos.

Bem. Eu acredito que o trabalho dos irmãos João Henrique e João Alberto Barone a muito se firmou entre aqueles que gostam do tema Segunda Guerra Mundial e sempre produzindo coisas boas. Para mim a maior contribuição destes irmãos é a possibilidade de uma maior popularização do tema.

Esta fonte deve ser bebida e dividida com todos, para que aqueles que lá foram não sejam esquecidos e para que esta história não volte a se repetir.

Fonte – http://www.ndonline.com.br/florianopolis/plural/38173-minisserie-dos-irmaos-barone-em-parceria-com-a-orbital-filmes-retrata-brasileiros-na-2a-guerra.html

NATAL DE 1944 – BATALHA DAS ARDENAS – QUANDO DEUS VEIO PARA A CEIA DE NATAL

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Autor – Rostand Medeiros

Para mim o espírito de Natal é algo tão forte, tão intenso, que mesmo no meio de uma sangrenta guerra ele pode produzir milagres. Foi assim na fria véspera de Natal de 1944, nesta incrível história que conto a vocês.

Após a invasão da Normandia, a chamada Operação Overlord, a consequente conquista da Normandia no fim de julho de 1944 e do hoje pouco lembrado desembarque no sul da França em 15 de agosto, os Aliados avançavam rumo a Alemanha de forma mais rápida do que era esperado.

Em meio a problemas de abastecimento e do cansaço das forças americanas e britânicas, Hitler decidiu lançar uma contraofensiva alemã na frente ocidental, na tentativa de deter o avanço Aliado.

Em meio a neve, a destruição de uma aldeia belga na região das Ardenas

Em meio a neve, a destruição de uma aldeia belga na região das Ardenas

Conhecida como Batalha das Ardenas, ou Batalha do Bulge, aconteceu na floresta das Ardenas, na região da Valônia, sul da Bélgica. Tudo começou em meio a um inverno rigoroso, no dia 16 de dezembro de 1944, quando tanques panzers alemães avançaram, causando fortes estragos nas fileiras Aliadas pegas completamente de surpresa. Os americanos e britânicos estavam com suas linhas de combate muito espalhadas, passando a enfrentar uma força inimiga inicialmente superior.

Os alemães capturaram milhares de prisioneiros e seu ataque deixou muitas unidades americanas e britânicas isoladas em meio à floresta.

Fritz Vincken em 1940

Fritz Vincken em 1940

Enquanto a carnificina se generalizada nas Ardenas, uma mãe e seu filho de 12 anos, chamados Elisabeth e Fritz Vincken, tentavam sobreviver ao caos escondidos em uma cabana no meio da floresta.

Escondidos Para Viver…

Eles eram alemães da cidade de Aachen. Ali o marido de Elisabeth tinha uma padaria. Na madrugada de 11 para 12 de abril de 1944, 352 bombardeiros britânicos atacaram esta cidade, perdendo nove aeronaves. O ataque foi intensamente destrutivo, causando danos generalizados e fortes incêndios. Entre os locais atingidos estavam a padaria e a casa dos Vincken, que sobreviveram. Na sequência todos foram evacuados para uma aldeia, onde encontraram abrigo.

Alemães nas Ardenas

Alemães nas Ardenas

Consta que o pai de Fritz ficou então agregado como cozinheiro de uma unidade do exército alemão. Uma noite ele veio em um pequeno caminhão militar e levou sua família para as profundezas da floresta de Ardenas, 20 quilômetros ao sul do abrigo onde se encontravam, perto da fronteira da Alemanha com a Bélgica. Era uma área elevada, bem arborizada, onde existia uma solitária cabana de caça. Foi um amigo belga do marido de Elisabeth que mostrou o caminho para chegar lá. Foi neste local que ela e Fritz se encontravam na véspera de Natal de 1944.

Fritz comentou que na noite anterior as temperaturas caíram para abaixo de zero, entretanto no dia 24 de dezembro, o sol nasceu com vigor, trazendo um espetacular céu azul sem nuvens. Aproveitando a visibilidade, durante todo o dia centenas de aviões aliados voaram em suas missões mortais. O rugido sombrio e pesado de seus motores permaneceriam para sempre enraizado na mente do garoto.

Quando a escuridão caiu no final da tarde, a quietude repentina era caracterizada pelo silêncio na floresta e incontáveis estrelas ​​no céu. Fritz narrou que havia até mesmo longos pingentes de gelo formados fora das janelas da casa. Mãe e filho ficaram algum tempo olhando o espetáculo celeste e comentando quando viriam novamente o seu mundo em paz. Depois entraram para dividirem a ceia de Natal.

Prisioneiros americanos. Na Batalha das Ardenas, só os americanos tiveram 19.000 mortos, 47.500 feridos, 23.000 capturados ou desaparecidos.

Prisioneiros americanos. Na Batalha das Ardenas, só os americanos tiveram 19.000 mortos, 47.500 feridos, 23.000 capturados ou desaparecidos.

Nisso ouviram batidas na porta do abrigo. Aterrorizada, Elisabeth rapidamente apagou as velas que iluminavam o lugar e Fritz foi até a porta, sendo bloqueado por sua mãe.

Mesmo sabendo que ali fora poderia haver problemas, Elisabeth e Fritz decidiram abrir e ver quem lá estava. Como fantasmas contra as árvores cobertas de neve, ali se encontravam dois homens com capacetes de aço. Um deles falou em uma língua que eles não entenderam, apontando para um terceiro homem deitado na neve. Elisabeth percebeu que eram soldados americanos. Eram inimigos!

Um Escolha Difícil

Mãe e filho ficaram olhando em silêncio, parados. Eles estavam armados, poderiam ter forçado a entrada na cabana e, além disso, estavam com um homem ferido, parecendo mais morto do que vivo. Ela sabia que a pena por abrigar o inimigo era a morte por fuzilamento, mas quando olhou nos olhos dos jovens americanos não teve medo, abriu a porta e os deixou entrar. Eles se aproximaram, andando com neve até os joelhos.

Tanque alemão destruido pelos americanos na batalha

Tanque alemão destruido pelos americanos na batalha

Os americanos eram bem jovens, nem barbas tinham. Elizabeth não falava inglês, mas um dos americanos falava francês, idioma que a mãe de Fritz conhecia. Contaram que estavam perdidos no meio da floresta e já vinham andando por três dias, escondendo-se dos alemães e procurando a sua unidade de combate. Porém, tudo o que encontram foi aquela casa.

Sem outra solução Elizabeth mandou Fritz trazer mais seis batatas para o fogo e “Hermann”, um galo gordo. Este homenageava Hermann Goering, o obeso comandante da Luftwaffe, a força aérea dos nazistas, figura a qual Elisabeth nutria pouco afeto. O galo tinha sido engordado durante semanas na esperança de que o pai de Fritz estivesse na casa para o Natal. Mas, algumas horas antes, quando era óbvio que ele não viria, sua mãe tinha decidido que o galo deveria viver mais alguns dias para o caso de seu marido chegar para o Ano Novo.

Os Americanos nas Ardenas careciam de roupas apropriadas para o rigor do inverno. Vemos infantes do 290th Regiment perto de Amonines, Bélgica.  em 4 de Janeiro de 1945.

Os Americanos nas Ardenas careciam de roupas apropriadas para o rigor do inverno. Vemos infantes do 290th Regiment perto de Amonines, Bélgica. em 4 de Janeiro de 1945.

Todavia, diante das circunstâncias, Elisabeth mudou de ideia: “Hermann” serviria para um fim imediato. Em breve o cheiro tentador de frango assado permeava pela cabana.

O clima foi se distendendo e os americanos foram se apresentando. Havia um atarracado, de cabelos escuros, chamado Jim. Seu companheiro, alto e magro, era Ralph e o ferido se chamava Herbie.

Quando Fritz arrumava a mesa para a ceia de Natal e os americanos estavam em um quarto onde o ferido Herbie estava deitado, escutaram uma forte batida na porta.

Com a expectativa de encontrar mais americanos perdidos, Fritz abriu com hesitação e lá estavam quatro soldados com uniformes muito familiares para a jovem mãe e seu filho. Eram soldados alemães da Wehrmacht, o exército de Hitler.

Blindados anti aéreos alemães destruídos pelos americanos.

Blindados anti aéreos alemães destruídos pelos americanos.

Diante do Perigo

Apesar do medo de Elisabeth e Fritz, ela disse calmamente “Fröhliche Weihnachten” (Feliz Natal em alemão). Os soldados lhe responderam um Feliz Natal e informaram que se perderam do seu regimento e gostariam de abrigar-se na cabana para descansar e esperar a luz do dia, explicou o militar de hierarquia mais elevada, um cabo.

Com uma calma nascida do pânico, Elisabeth respondeu que sim. Eles poderiam descansar, ter uma refeição quente e comer até o pote ficar vazio. Estes sorriram enquanto sentiam o aroma de “Hermann” através da porta entreaberta.

Mas Elisabeth acrescentou com firmeza que na casa estavam três outros convidados e disse quem eram. Daí para frente sua voz se tornou severa ao comentar: “É véspera de Natal e não haverá nenhum tiro aqui”. Ela narrou a situação dos inimigos e pediu que “Nesta noite de Natal todos deveriam esquecer a matança”.

Blindado alemão destruído.

Blindado alemão destruído.

O cabo olhou para ela por uns dois ou três segundos intermináveis ​​de silêncio. Então Elisabeth pôs fim à indecisão “Chega de falar” ela ordenou e bateu palmas rispidamente. “Por favor, coloquem suas armas aqui na pilha de lenha, e se apressem para comer o jantar!”. Aturdidos com a autoridade feminina e diante de um quadro que certamente lembrava as suas mães em seus lares na Noite de Natal, os homens de Hitler obedeceram.  Os quatro soldados colocaram suas armas sobre a pilha de lenha ao lado da porta. Enquanto isso, Elisabeth estava falando francês de forma igualmente autoritária para Jim e logo eles entregaram suas armas àquela valente mulher.

Apesar do clima tenso, Elisabeth foi preparar o jantar. Nisso um dos alemães tinha posto seus os óculos para inspecionar a ferida do americano, ele havia estudado medicina em Heidelberg até poucos meses atrás e informou que graças ao frio a ferida de Harry não iria infecionar.

Uma Ceia de Natal Especial

O relaxamento começou a substituir a suspeita. Fritz Vincken comentou anos depois que, mesmo sendo um garoto de doze anos, todos os soldados pareciam muito jovens. Entre os germânicos havia Heinz e Willi, ambos de Colônia, com apenas 16 anos de idade. O cabo era o mais velho de todos os militares das duas nações em guerra e só tinha apenas 23 anos. Do seu saco de comida ele tirou uma garrafa de vinho tinto e Heinz conseguiu encontrar um pedaço de pão de centeio para aumentar o jantar.

Filme da televisão americana sobre este fato.

Filme da televisão americana sobre este fato.

Quando tudo estava pronto, Elisabeth deu as graças na mesa.  Com lágrimas em seus olhos, ela disse velhas palavras familiares: “Komm, Jesu Herr. Seien Sie unser Gast” (Vem, Senhor Jesus. Seja nosso convidado). Fritz comentou que jamais esqueceu que viu ao redor da mesa lágrimas nos olhos dos jovens militares cansados e longe de casa. Herbie, mesmo ferido, sacou de uma pequena Bíblia, leu uma das passagens e terminou declarando que haveria pelo menos uma noite de paz nessa guerra. Todos concordaram e os soldados alemães e norte americanos compartilharam uma refeição quente, juntos, em uma noite especial.

Depois todos descansaram em paz.

O armistício privado continuou na manhã seguinte. O cabo aconselhou os americanos sobre a melhor maneira de encontrar o caminho de volta para as suas linhas. Olhando por cima do mapa de Jim, o cabo apontou um córrego e disse “Continue ao longo deste riacho e você encontrará o seu pessoal se reagrupando”. O estudante de medicina transmitiu a informação em um Inglês atravessado, mas compreensível. Jim então perguntou por que não ir para a cidade de Monschau? “Nein!”, o cabo exclamou. “Nós retomamos Monschau e lá vocês seriam mortos ou capturados”.

Somente na hora de sair Elisabeth deu-lhes todas as suas armas. Os soldados alemães e americanos apertaram as suas mãos e desapareceram em direções opostas.

Um Grande Encontro

Elisabeth, seu marido (cujo nome desconheço) e seu filho Fritz sobreviveram a Guerra.

Fritz Vincken no Havaí.

Fritz Vincken no Havaí no final da década de 1990.

Seu marido faleceu em 1963 e Elizabeth em 1966. Fritz Vincken se casou em 28 de fevereiro 1958 e logo após emigrou para o Canadá, depois Estados Unidos, onde foi morar em Honolulu, Havaí, onde montou uma padaria. Durante anos Fritz tentou encontrar os sete soldados, mas sem sucesso. Ele chegou até a escrever um texto pessoal de suas lembranças sobre aquela noite nas Ardenas, mas nunca publicou.

Um dia Fritz narrou a sua incrível história para uma revista americana e depois apareceu na televisão em março 1995, em um programa chamado “Unsolved mysteries” (Mistérios não resolvidos), onde novamente narrou sobre aquela noite de Natal verdadeiramente interessante.

Na cidade de Frederick, Maryland, na casa de repouso chamada Northampton Manor Nursing Home, estava Ralph Henry Blank, um pedreiro aposentado e veterano da Segunda Guerra Mundial, que inúmeras vezes, e para várias pessoas, tinha contado a mesma história. Logo, seus familiares fizeram contato com o canal televisivo.

Ralph e Fritz Vincken.

Ralph e Fritz Vincken.

Em janeiro de 1996, Fritz foi até Maryland e reencontrou Ralph em um momento muito emocional. Lá ele soube que além de Ralph, os outros soldados se chamavam Jimmy Rassi e Herbie Ridgin. Consta que Fritz Vincken ainda conseguiu se encontrar com outro dos americanos, mas não consegui descobrir qual deles era. Em relação aos alemães, apesar desta história ter sido divulgada pela imprensa, nada se conseguiu saber destes combatentes.

Nesta história vemos que a força interior de uma única mulher, através de sua inteligência e intuição, em um momento onde o espírito de Natal mostra a sua luz, impediu um potencial derramamento de sangue. Transmitindo o significado prático das palavras: “boa vontade para com a humanidade”.

Ralph Henry Blank  faleceu aos 79 anos, em Frederick, Maryland, no dia 21 de maio de 1999. Já Fritz Vincken, depois de viver vários anos em Honolulu, Havaí, faleceu no dia 10 de janeiro de 2002, aos 69 anos, na cidade de Salem, Oregon.

Desejo a todos que visitaram o nosso TOK DE HISTÓRIA um FELIZ NATAL!

Mais sobre a força do espírito de Natal entre combatentes, veja este relato sobre interessantes fatos ocorridos em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial - http://tokdehistoria.wordpress.com/2013/04/30/5606/

Fontes - http://pulpitbytes.blogspot.com.br/2007_01_01_archive.html

http://jrackman.wordpress.com/2011/12/13/truce-in-the-forest-seeing-the-bigger-picture/

http://the.honoluluadvertiser.com/article/2002/Jan/11/ln/ln37a.html

http://ba-ez.org/educatn/LC/OralHist/vincken.htm

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NATAL NO CAMINHO DOS NAZISTAS PARA A INVASÃO DOS ESTADOS UNIDOS

Mapa da revista Life que mostra Natal em uma das possíveis rotas de invasão dos Estados Unidos pelas forças do Eixo

Mapa da revista Life que mostra Natal em uma das possíveis rotas de invasão dos Estados Unidos pelas forças do Eixo

Autor – Rostand Medeiros

Entre os meses finais de 1941 e os primeiros meses de 1942, a balança da derrota na Segunda Guerra Mundial pendeu perigosamente para o lado dos países Aliados.

Nesta época os alemães estavam no controle da Áustria, Tchecoslováquia. Polônia, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Noruega, Iugoslávia, Finlândia, Grécia, Lituânia, Letónia e Estónia, bem como partes da União Soviética e da África do Norte. Enquanto isso a Itália, aliado dos nazistas, controlavam a Etiópia e Líbia e os japoneses, outro aliado de Hitler, tinham anexado grandes áreas da China, Sudeste da Ásia e Indonésia.

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Após o ataque japonês a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, os Estados Unidos estão enfrentando a ameaça real das potências do Eixo. Em meio a toda apreensão do grave momento para os americanos, na edição da revista Life do dia 2 de março de 1942, são apresentados vários cenários de possíveis invasões inimigas ao país. Em mapas que certamente geraram vários pesadelos aos mais moles, foi apresentado uma série de perspectivas de como especialistas previam um ataque das forças inimigas a terra do “Tio Sam”.

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Estes mapas foram criados pela Life a partir de um polêmico artigo escrito pelo autor de ficção científica Philip Wylie, que descreveu o terror que seria uma derrota americana na guerra.

Os mapas mostravam as pretensas movimentações de forças alemãs, italianas e japoneses invadindo o país através de vários locais – do Atlântico em direção a costa leste, um bombardeio ao Canal do Panamá e outros mais.

Seu propósito era servir como um aviso aos leitores que os Estados Unidos já não era apenas um observador da Segunda Guerra Mundial. A situação era real e uma invasão era tida como uma possibilidade muito plausível na época.

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Agora meu caro leitor, adivinhe qual era a cidade Latino Americana que, na visão da Life, primeiro serviria como ponto de arrancada das forças do Eixo em direção aos Estados Unidos no continente americano?

Acertou quem disse Natal.

E esse perigo era, em um determinado momento da Segunda Guerra, até que bem real.

Se o Feldmarschall (marechal de campo) Erwin Rommel, comandando seu Afrika Korps houvesse vencido os ingleses no Norte da África, ocupado o Egito e conquistado o então estratégico Canal de Suez, certamente que os riquíssimos campos de petróleo do Oriente Médio seriam um prêmio que chegaria de bandeja.

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Diante desta vitória retumbante os franceses que habitavam a colônia da África Ocidental, cuja capital era Dacar e eram aliados dos alemães, certamente cederiam seu estratégico porto e aeroporto aos amigos nazistas sem problemas. Alguém duvida?

Assim o Atlântico Sul estaria diante das forças de Hitler e do outro lado se encontrava a tranquila e estratégica Natal.

E talvez Rommel e seus aliados italianos não estivessem sozinhos em Dacar. É possível que tivessem a companhia dos japoneses.

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Sabemos que após o vitorioso ataque japonês a base naval de Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, estes conquistaram grande parte do Oceano Pacífico e do Oriente. Entre as conquistas estavam a então Indochina Francesa, Tailândia e Birmânia, onde o avanço nipônico parou. Eles foram detidos pelas terríveis chuvas do período de Monções, mais do que pela força de combate das tropas inglesas, hindus, australianas e chinesas.

Mas imaginemos que nem as forças Aliadas e nem as chuvas tivessem parado os japoneses. Aí certamente eles teriam chegado a Índia, onde muitos conterrâneos de Mahatma Gandhi nutriam pelos seus conquistadores ingleses nada mais do que um puro ódio. Bastaria aos japoneses prometerem uma independência (que certamente não viria) que a Índia cairia facilmente.

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Conquistada esta região seria muito fácil para as tropas japonesas alcançarem o Oriente Médio e realizarem uma ligação com as tropas alemãs e italianas comandadas por Erwin Rommel. Daí, mais da metade do planeta estaria nas mãos das tropas do Eixo e Hitler impulsionaria seus aliados a invadir e sujeitar os mais diversos povos para uma batalha final contra os Estados Unidos.

E certamente que um dos caminhos, como bem mostramos no primeiro mapa deste artigo, seria pelo Brasil e por Natal.

Reunião de nazistas no Brasil - Fonte - http://www.cartacapital.com.br/

Reunião de nazistas no Brasil – Fonte – http://www.cartacapital.com.br/

E é provável que nem sequer fossemos defender nosso território tropical desta invasão de hunos modernos. Pois no próprio gabinete do presidente Getúlio Vargas e em grande parte de nosso Exército Brasileiro, havia inúmeras autoridades e oficiais totalmente germanófilas e a favor das vitórias do Eixo.

Mas ainda bem que isso não aconteceu.

E se as forças do Eixo tivessem vencido a Segunda Guerra?

Capa do romance SS-GB, de Len Deighton, que mostra Londres ocupada pelos nazistas. Na foto Hitler acompanha um desfile da tropa SS, tendo o Big Ben ao fundo

Capa do romance SS-GB, de Len Deighton, que mostra Londres ocupada pelos nazistas. Na foto Hitler acompanha um desfile da tropa SS, tendo o Big Ben ao fundo

Certamente que na Europa os nazistas teriam restringido as liberdades básicas e introduzido severas leis raciais. A orgulhosa Grã-Bretanha teria sido reduzida a uma província de um império alemão. A Alemanha teria assumido os redutos da Europa Oriental e veteranos do exército teriam ocupado as terras conquistadas, seguindo linhas feudais. Milhares de quilômetros de autoestradas construídas por escravos, que os alemães chamam de “Autobahn”, conectariam as terras conquistadas com Berlin, definida nova “capital global”. Neste contexto não é difícil imaginar a deportação de milhões de habitantes da Europa Oriental para a Sibéria, onde certamente morreriam de frio e fome.

Quanto aos judeus, comunistas, ciganos, homossexuais, deficientes físicos, deficientes mentais, os considerados vadios, portadores de enfermidades, os mais idosos, dissidentes, pessoas de pensamento liberal e outros mais, certamente eu não preciso escrever o destino destes cidadãos de terceira categoria para os nazistas.

E quanto a Natal sob o domínio das forças do Eixo?

Bem, deixa pra lá. Pois eu não tenho capacidade de imaginar o inferno!

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NOSSA PARTICIPAÇÃO NO CADERNO ESPECIAL SOBRE OS 55 ANOS DE CRIAÇÃO DO MUNICÍPIO DE PARNAMIRIM

Capa do caderno especial do jornal "Potiguar Notícias"

Capa do caderno especial do jornal “Potiguar Notícias”

Autor – Rostand Medeiros

Recentemente recebi um convite do qual fiquei muito honrado e gratificado.

O jornalista José Pinto Junior, apresentador do programa televisivo “Conexão Potiguar”, transmitido pela TV Bandeirantes de Natal e diretor do periódico “Parnamirim Notícias”, me chamou para escrever em um caderno especial, comemorativo aos 55 anos de fundação do município de Parnamirim e encartado em seu jornal.

José Pinto Junior apenas me pediu para escrever algo diferente sobre a base de Parnamirim Field, embrião da criação e do desenvolvimento deste que hoje é o terceiro município em termos populacionais do Rio Grande do Norte (229.000 habitantes – IBGE 2013).

Lançado o desafio aceitei sem nenhum problema. Na verdade me senti muito gratificado, pois escrever sobre a grande base de Parnamirim Field, ou sobre outros fatos da história do Rio Grande do Norte durante o período da Segunda Guerra Mundial não é nenhum sacrifício, é antes um grande prazer. Além disso, desde 1999 eu sou um tranquilo habitante de Parnamirim, onde moro no bairro de Nova Parnamirim, na Avenida Maria Lacerda Montenegro.

Este caderno especial foi publicado hoje (13/12/2013) no “Potiguar Notícias”, que a 15 anos circula nesta progressista cidade potiguar. São duas páginas e meia onde nosso artigo foi postado na integra, junto com seis fotos, algumas inéditas.

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Para este trabalho decidi trazer à tona a visão que a imprensa internacional tinha da base de Parnamirim Field. Quais eram as impressões dos jornalistas estrangeiros sobre esta estratégica área militar.

A partir de pesquisas que realizei, percebi que a partir do encontro histórico entre os presidentes dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt e do Brasil, Getúlio Dorneles Vargas, em 28 de janeiro de 1943, a bordo do navio de guerra americano USS Humboldt, ancorado no estuário do Rio Potengi, a imprensa norte americana passou a dar uma maior visibilidade sobre a participação prática e efetiva do Brasil na guerra e a apresentar ao público americano como ajudávamos o esforço de guerra Aliado. Um dos focos da atenção dos jornalistas foi a importância de Parnamirim Field, então considerada uma das maiores bases aéreas construídas fora dos Estados Unidos e uma das principais encruzilhada das rotas aéreas no mundo. Debrucei-me principalmente sobre o trabalho de dois jornalistas estrangeiros, um norte americano e outro australiano.

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Um deles foi James Alan Coogan, creio que o primeiro jornalista estrangeiro a transmitir estas informações ao público norte americano. Natural da cidade de Milwaukie, Oregon, este norte americano era o chefe do escritório da respeitada agência de notícias United Press para a América do Sul. Sobre Parnamirim Field ele produziu várias reportagens que foram reeditadas em diversos jornais estadunidenses e brasileiros em janeiro e fevereiro de 1943.

Já o outro periodista era o australiano J. A. Marris, da revista semanal “Western Mail”, da cidade de Perth, a capital e maior cidade do estado australiano da Austrália Ocidental. Sua reportagem, intitulada “Skayway Base”, foi divulgada na edição de quinta feira, dia 20 de janeiro de 1944 desta revista. Merris utilizou no texto uma linguagem bem clara, onde detalhou a importância estratégica de Parnamirim Field e um dia em meio ao intenso movimento aéreo.

Reportagem publicada na revista australiana “Western Mail”, sobre Parnamirim Field.

Reportagem publicada na revista australiana “Western Mail”, sobre Parnamirim Field.

Sua experiência aconteceu durante uma viagem aérea em direção aos Estados Unidos, vindo da África. Na reportagem “Skayway Base” fica evidente para este repórter australiano que Parnamirim Field era a mais importante engrenagem aérea em sistema de grande circulação de material e armas de guerra.

Em meio a interessantes impressões sobre a base, J. A. Marris reproduziu um interessante comentário de um observador realista, que muito sintetiza a importância de Parnamirim; “Certamente Hitler daria dez de suas divisões em troca daquele lugar”.

Para este trabalho contei com a ajuda do amigo Durval Lourenço Pereira Junior, dileto pesquisador da história do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, além de diretor e produtor do documentário “Lapa Azul”. Este é um interessante trabalho, com 60 minutos de duração, com inúmeros depoimentos de pracinhas da Força Expedicionária Brasileira sobre suas experiências em combate e já exibido no canal “History Channel”.