HOJE SÃO OS AEROPORTOS, NO PASSADO FORAM OS PORTOS

Atualmente um dos maiores entraves para o desenvolvimento do país está na baixa eficiência e nos inúmeros problemas envolvendo as empresas ligadas ao sistema de transportes aéreos, aeroportos, a tal da “malha aeroviária”, “Infraero”, “Anac” e outras siglas e termos que até bem pouco tempo os brasileiros sequer sabiam que existiam. Devido aos inúmeros “apagões aéreos”, escandalosas esperas em aeroportos, cancelamentos de voos, O povo brasileiro descobriu da pior maneira que seu sistema de transporte aéreo é uma porcaria.

Sofrimento

Certamente que este vai ser um grande desafio para a presidenta Dilma e os membros de seu governo. Principalmente com a aproximação das Olimpíadas no Rio de Janeiro e a Copa do Mundo de 2014 (que talvez, quem sabe, Natal venha a sediar alguns jogos).

Mesmo a capital do Rio Grande do Norte estando em um ótimo ponto estratégico para a aviação, muitos potiguares tiveram (e tem tido) a sua cota de insatisfações com os problemas anteriormente relatados no pequeno e problemático aeroporto Augusto Severo.

Se hoje os problemas são nos aeroportos, no passado era o porto de Natal que deixava a população em polvorosa. Era um tempo em que apenas os veleiros, depois os vapores e por fim os navios com motores a carvão e a diesel era a única forma das mercadorias e da população potiguar seguir para pontos mais distantes.

Informatvo publicado em jornais da chegada de barcos a vapor em Natal n final do séc. XIX.

Segundo Tarcísio Medeiros (in “Aspectos geopolíticos e antropológicos da história do Rio Grande do Norte”, 1973, pág. 90), no dia 16 de janeiro de 1840 o vapor “São Sebastião” ao entrar na barra do rio Potengi, destroçou seu leme de madeira na pedra conhecida “Picão do Sul”. O barco teve de ser descarregado, seguiu para o outro lado do rio que banha Natal, foi propositalmente encalhado nas margens arenosas e passou a ser concertado. O problema foi que seus passageiros tiveram que ficar doze dias, em uma cidadezinha com pouco mais de seis mil habitantes, sem fazer nada.

Se fossem pessoas comuns à coisa toda não seria tão problemática. Mas os passageiros do “São Sebastião” eram tudo, menos simples passageiros.

Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias

Nesta época ocorria principalmente no Maranhão, a revolta que ficou conhecida como Balaiada. Para acabar com o levante, a Corte no Rio de Janeiro decidiu enviar no vapor “São Sebastião”, para azar de Natal, tropas sob a chefia do então coronel Luís Alves de Lima e Silva.

Devido à repercussão do acidente com o leme do “São Sebastião”, fosse por ordem direta, ou pelo falatório criado, a capital do Rio Grande do Norte penou entre 1840 e 1875, trinta e cinco longos anos, tendo de receber barcos fora da barra do Rio Potengi, na área conhecida como “Lamarão”. O embarque e o desembarque era uma aventura, onde mercadorias e pessoas embarcavam e desembarcavam em batelões, jangadas, catraias, pontões, com fortes homens munidos de longas varas, que “varejavam” entre os barcos e a praia. Essa desonra com a nossa terra só serviu para atrasar seu progresso.

Fora o atraso nesta operação, o pobre do passageiro corria o risco de se molhar ou se afogar. Neste aspecto, até que ficar esperando o tempo passar no saguão de um moderno aeroporto é uma penalização até que branda dinate das agruras que nossos antepassados sofriam fora da barra do Rio Potengi.

Os problemas no porto de Natal continuaram por anos. Nas quatro primeiras décadas do século XX, bastava algum choque, ou um encalhe passageiro, sem maior repercussão, de alguma nave do Loyd Brasileiro, ou de alguma outra empresa de navegação, para a notícia correr célere nos jornais das capitais dos vizinhos estado, principalmente em Recife, como podemos ver nesta charge publicada em um jornal recifense na década de 1920.

Com o incremento da aviação, Natal, uma cidade que cresceu debaixo de asas, foi gradativamente esquecendo os velhos problemas do seu porto.

 

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