O “PEGA-PINTO” DA RIBEIRA

Autor – Rostand Medeiros

Calma caros leitores deste blog. Não estamos baixando o nível do nosso informativo, nem muito menos recorrendo a baixaria para chamar a sua atenção.

A propaganda

É que em uma antiga edição de “A Republica”, infelizmente sem a data, mas certamente das décadas de 1920 e 1930, encontrei uma sugestiva propaganda de um estabelecimento comercial que ficava na Avenida Tavares de Lyra, número 50, no bairro da Ribeira e possuía o sugestivo nome de “Pega-Pinto”.

Acredito que se não for, deve ser uma das primeiras lanchonetes da cidade. Digo acredito, pois o proprietário Raimundo Medeiros sequer utilizava a palavra “lanchonete” para designar o seu ponto comercial. Talvez o termo lanchonete não fosse utilizado nesta propaganda, pois ainda não era popular e ninguém sabia o significado.

O que encontrei sobre o termo que designa as pequenas refeições nos jornais antigos é a palavra “launch”. Que era escrito assim mesmo, com aspas e em inglês. Era normal nesta época as notícias envolvendo eventos políticos e acontecimentos sociais da elite terem alguma nota do tipo “então foi oferecido um lauto “launch” para os presentes”.

Mas voltando ao “Pega-Pinto” do Sr. Raimundo Medeiros. O local era bem sortido, onde se vendiam cigarros e charutos, junto com coco verde, caldo de cana, leite, “Nescáo”, “Toddy” e outras coisas.

Avenida Tavares de Lyra

Mas o que chama atenção é o designativo do empreendimento. Certamente para o Sr. Raimundo Medeiros colocar a propaganda do seu “Pega-Pinto” no principal jornal da cidade, mostra que seguramente ele tinha conhecimento junto à sociedade e dinheiro para a publicação.

Evidentemente que o termo “Pega-Pinto” não tinha o mesmo significado de duplo sentido que possui atualmente.

Outra vista desta avenida no passado.

Até porque, entre as décadas de 1920 e 1930, a questão dos bons costumes era levada muito a sério em Natal. Além do mais, o major Luís Júlio, então comandante da Polícia Militar (e natural da mesma Acari de onde são oriundas as minhas raízes), mandaria fechar o estabelecimento e trazer o dono para a antiga Chefatura de Polícia, “debaixo de peia” se fosse necessário, para prestar contas a autoridade policial sobre o indiscreto nome do seu estabelecimento.

Se assim não ocorreu, é porque o “Pega-Pinto” do Sr. Raimundo Medeiros, não fazia mal a ninguém.

P.S.- Infelizmente não encontrei nenhuma indicação em relação de como a sociedade da época compreendia o termo “Pega-Pinto”.

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