1928-PARA GANHAR CASTANHA-UM POEMA DE JORGE FERNANDES

Na histórica revista A Cigarra, publicada em Natal durante os anos de 1928 e 1930, encontramos um verso do poeta potiguar Jorge Fernandes, que aqui reproduzo.

PARA GANHAR CASTANHA

Já apareceu na rua

Com uma muleta andando largo

Com uma perna só…

-Mutilado da Grande Guerra-

É toda vida um menino antigo

Jogando academia pelas calçadas…

-Primeiro ano…

(Volta o caquinho com bem cuidado

Prá não ficar no risco)

E o mutilado que nunca foi a Grande Guerra

Da Europa joga de novo o segundo ano…

E assim ele joga até o sexto ano para se formar…

E o mutilado que nunca foi a Guerra

É toda vida uma criança antiga

Jogando o jogo antigo de academia

Empurrando o caquinho com o pé só

Prá se formar

-Mutilado da grande guerra-

Da grande guerra de todo o mundo-

SOBRE JORGE FERNANDES

Jorge Fernandes

Na página  http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_grande_norte/jorge_fernandes.html encontramos uma pequena biografia sobre este interessante poeta;

JORGE FERNANDES de ????j?Oliveira(1887-1953) nasceu em Natal-RN. É considerado um dos precursores da poesia moderna no Brasil. Jorge Fernandes com seu “LIVRO DE POEMAS”, de versos modernos, editado em 1927. 

“A poesia, no Rio Grande do Norte, apresenta dois momentos culturais  da maior plenitude literária e (anti) literária: a publicação do Livro de poemas, de Jorge Fernandes, em 1927, e o lançamento local da poesia concreta, em 1966, com o seu posterior desdobramento no poema/processo. (…) no espaço literatizante inaugurado por Jorge Fernandes, levantar a problemática da vanguarda, ou seja, da poesia (abstração: sentimento) ao poema (concreção: fisicalidade).”  Moacy Cirne

“O poema jorgiano contém, em seu bojo, a simbolização onomatopaica (vide Manhecença…, Briga do teju e a cobra, Viva o sol!…Tetéu, etc.), o recurso caligramatizante (Rede), o espaçamento verbal (Tetéu),  a metacrítica ao parnasianismo. No meio de tanta versalhada, que então se publicava, o nome de Jorge Fernandes — cuja poesia, até 1959/1960, ainda seria bastante atual — é um monumento literário. Nas palavras de Mário de Andrade, seuLivro de poemas conserva uma memória guardada nos músculos, nos nervos, no estômago, nos olhos, das coisas que viveu”” Moacy Cirne em A POESIA E O POEMA DO RIO GRANDE DO NORTE. Natal: Fundação José Augusto, 1979.

Nesta mesma página encontrei o poema de Jorge Fenandes que mais gosto e que de vez em quando leio para minha filha Tainá, embalando ela em uma gostosa rede.

LIVRO DE POEMAS

(1927)

  REDE

Emboladora do sono…

Balanço dos alpendres e dos ranchos…

Vai e vem nas modinhas langorosas…

Vai e vem de embalos e canções…

Professora de violões…

Tipóia dos amores clandestinos…

Grande…  larga e forte…  pra casais…

Berço de grande raça.

 S                                  A

U                        S

S               N

P       E

Guardadora de sonhos

Pra madona ao meio-dia

Grande… côncava…

Lá no fundo dorme um bichinho…

—  Balança o punho da rede pro menino dormir.

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4 opiniões sobre “1928-PARA GANHAR CASTANHA-UM POEMA DE JORGE FERNANDES”

  1. Como este conteúdo não estar sob direitos autorais, e mesmo assim o historiógrafo o liberou com este anúncio: “É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor”, eu o trasladei para o meu blog, que ficou muito bonito a publicação.

    José Mendes Pereira – Mossoró-RN.

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