1944 – A TRAGÉDIA DA B-24 EM FORTALEZA-CE

ACONTECIMENTOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NA CAPITAL CEARENSE

Autor – Rostand Medeiros

Ninguém discute a importância de Natal no contexto da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. A existência do intenso tráfego aéreo de aviões de transporte e de bombardeiros aliados, entre a capital potiguar e as bases aéreas na ilha de Ascenção, no meio do Oceano Atlântico, e principalmente nas cidades de Dacar e Acra, na África, foi um fator de grande importância para a vitória aliada neste conflito. Não se pode esquecer que de Natal partiam aeronaves que patrulhavam a costa brasileira e que foram destruídos alguns submarinos.

 Mas não foi apenas Natal que participou deste esforço. Várias outras capitais e cidades brasileiras, mesmo limitadamente, também possuíam bases aéreas e “entraram na guerra”. Fortaleza, capital do estado do Ceará, foi uma delas.

A cidade de Fortaleza em 1937.

 As Primeiras Bases Aéreas

Nesta cidade o primeiro campo de pouso foi o do Alto da Balança, que se transformou em um ponto de apoio dos aviões do mítico Correio Aéreo Nacional (CAN). O local era mantido por uma unidade do Exército Brasileiro desde 21 de setembro de 1936 e servia igualmente de apoio as empresas aéreas estrangeiras e brasileiras. Na história do Campo do Alto da Balança, assim como no Campo de Parnamirim em Natal, foi ponto de parada de vários aviadores estrangeiros que realizaram os chamados “raids” aéreos. Um destes foi a famosa aviadora estadunidense Amelia Mary Earhart, que pousou na capital alencarina no dia 4 de junho de 1937.

E os Americanos Chegaram

Segundo Augusto Oliveira e Ivonildo Lavor, autores do livro “A história da aviação no Ceará”, quando os norte americanos estavam implantando suas bases no Nordeste do Brasil, antes mesmo da declaração de guerra brasileira contra a Alemanha e a Itália, estes decidiram que em Fortaleza a base aérea local seria construída no antigo “Sítio Pecy”, que passou a ser conhecido como Pici Field (Campo do Pici) e sua construção teve início ainda em julho de 1941.

Quando a pista ainda estava em sua fase final de construção, ela foi prematuramente inaugurada quando um bombardeiro B-17 pousou por se encontrar perdida em relação a sua rota original. Segundo os dois autores de “A história da aviação no Ceará”, o sobrevoou deste grande quadrimotor causou certo pânico em Fortaleza.

Ainda segundo Augusto Oliveira e Ivonildo Lavor, com o crescimento do tráfego aéreo para Natal, além do fato da pista do Pici ter sido concluída com um tamanho limitado, fez com que o comando da USAAF na região resolvesse construir uma segunda pista em Fortaleza. O Campo do Pici ficou então sob a responsabilidade da U.S. Navy (Marinha dos Estados Unidos) e ao novo local foi dada a denominação de Adejacento Field (Campo Adjacente), por está próximo ao Campo do Pici.

Armamento sendo transportado para aviões Lockheed PV-1 Ventura da U. S. Navy, em Pici Field

Com uma denominação esdrúxula como essa, aparentemente pautada na falta de criatividade, os cearenses da capital passaram logo a chamar o lugar de “Base do Cocorote”.

Inaugurado em 10 de dezembro de 1943, Adjacento Field serviu a praticamente um grande propósito; durante cinco meses, até 14 de maio de 1944, com o intuito de desafogar o tráfego aéreo em Parnamirim Field, o local foi o ponto de partida de grandes quadrimotores, a maioria deles pertencentes a 15ª Força Aérea da USAFF, que tinham bases no sul da Itália e seguiam sem escalas diretamente para Dacar.

O destacamento americano que operava a base era conhecido como 1155th AAFBU Army Air Force Base Unit – Fortaleza, que era parte do South Atlantic Division (Divisão do Atlântico Sul), todos subordinados ao ATC – Air Transport Command (Comando de Transporte Aéreo).

Fortaleza antes da Segunda Guerra Mundial. Fonte – Livro “Ah Fortaleza!”, Gilmar Chaves, Patrícia Veloso, Peregrina Capelo, organizadores. Fortaleza: Terra da luz Editoria, 2006, pág. 49.

Durante este período a utilização de Adjacento Field foi muito intensa, onde foram realizadas 1.778 travessias. A partir de 15 de maio de 1944 esta base deixou de realizar este tipo de operação, passando a receber apenas aviões de linha ou alguma aeronave que apresentava alguma emergência.

Aproveitando a Terra do Sol

Mas apesar desta aparente utilização limitada, entre 1942 e 1945,  sempre havia militares norte americanos na cidade de Fortaleza. Existia até mesmo uma sede local da USO.

A sede da USO em Fortaleza, o conhecido “Estoril” dea Praia de Iracema. Fonte – Livro “Ah Fortaleza!”, Gilmar Chaves, Patrícia Veloso, Peregrina Capelo, organizadores. Fortaleza: Terra da luz Editoria, 2006, pág. 62.

A USO (United States Organization) foi fundada em 1941, sendo uma organização privada, criada em resposta a um pedido direto do então presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt. Ele desejava que pessoas e organizações diversas se unissem sob uma única sigla para fornecer serviços recreativos que ajudassem na elevação do moral das tropas americanas nas áreas de conflito durante a Segunda Guerra Mundial. A USO teve uma atuação muito intensa neste período e com enorme sucesso.

Na capital alencarina a sua sede era em uma suntuosa residência a beira-mar da Praia de Iracema. A antiga Praia dos Peixes era então um local ainda pouco utilizado pela população local, onde existiam apenas algumas casas de veraneio. A residência utilizada pelos americanos, um verdadeiro palacete, havia sido construída em 1920 pelo rico coronel pernambucano José Magalhães Porto, que morava na cidade e a denominou inicialmente de “Vila Morena” .

Amigos que tenho em Fortaleza me comentaram que as informações dos seus avós e pais, que viveram aqueles dias da presença norte americana na cidade, era que estes militares estrangeiros achavam a sede da USO um lugar agradável, com uma brisa convidativa, onde dava para tomar um ótimo banho de mar, em uma água deliciosamente quente, sob um sol escaldante. Para depois apreciar uma deliciosa e diferente água de coco.

Militares americanos em momento de descontração

Além de aproveitarem a natureza praiana, os militares dos Estados Unidos aproveitavam outras coisas boas do Ceará. Eles mantinham relações cordiais com as moças da cidade. Estas eram de famílias tradicionais, normalmente muito bonitas, elegantes, educadas e que não estavam nem aí para as críticas da sociedade local. Logo estas jovens foram apelidadas pejorativamente de “Coca-Colas”. Comenta-se que a denominação depreciativa surgiu por elas terem o privilégio de tomar o famoso refrigerante americano que, na ocasião, somente era visto nas telas do cinema. Provavelmente elas bebiam Coca-Cola da fábrica da “The Coca-Cola Company” em Natal.

Um dos vários B-24 que passaram por Fortaleza. Esta é a B24H, nº 41-28750, batizada como "The Thunder Mug", pertencente a Esquadrilha 789, do 467 Grupo de Bombardeiro, comandada pelo Tenente Charles Kagy, em rota transatlântica pela América do Sul. Ao fundo a torre de controle da base de Adjacento Field Fonte - http://moraisvinna.blogspot.com

Não podemos esquecer que em Natal havia situação semelhante. Os norte americanos promoviam festas na base de Parnamirim Field, as famosas festas “For All” (Para todos) e faziam questão de ter, com toda fidalguia e respeito, a presença das moças potiguares nos eventos. Devido a distância da base e o centro de Natal, elegantemente os promotores das festas disponibilizavam gratuitamente um ônibus para buscar as jovens na cidade. De maneira prá lá de depreciativa, os marmanjos locais passaram a denominar este ônibus como “marmita”, pois transportava “a comida dos americanos”.

Memórias

Apesar deste clima positivo, a passagem de aviões pela região Nordeste do Brasil em direção a África, não era isenta de problemas. Não se pode esquecer que atravessar o Oceano Atlântico era bem mais arriscado do que agora, a aviação ainda não tinha os modernos recursos e se vivia uma guerra.

Em arquivos localizados nos Estados Unidos estão guardados microfilmes com inúmeros relatórios da antiga Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Force – USAAF).

Entre estes documentos estão os denominados MACR, que é uma sigla para Missing Air Crew Report (Informe de Tripulação Aérea Desaparecida), onde era detalhado os acidentes de aeronaves norte americanas em todas as partes do mundo durante este conflito. Abrangiam casos que iam desde a derrubada de uma aeronave em território inimigo, ou como era mais comum no caso das aeronaves que passavam pelo Brasil, o desaparecimento na selva, ou no mar. Eram preenchidos dois dias depois que uma aeronave não retornava de uma missão.

A mítica B-24

Existem três informes inéditos de acidentes com aviões B-24, que tem Fortaleza como ponto de partida ou de chegada.

Fabricado pela empresa Consolidated Aircraft, a mítica B-24, conhecida como “Liberator”, era um bombardeiro estratégico, quadrimotor, armado com dez metralhadoras de defesa calibre 12,7 m.m., modelo Browning M2. Tinha peso total de 29.500 kg, podia levar quase seis toneladas de bombas de alto poder explosivo, a uma velocidade máxima de 470 km/h, a uma altitude máxima de 8.500 metros, com um alcance de 6.000 quilômetros. Para levar este monstro alado para a luta sua tripulação normalmente era composta de 10 militares. Este foi o modelo de avião mais visto em Fortaleza durante o pico do movimento de aeronaves em direção a África.

Grupo de bombardeiros B-24 antes da decolagem no Pacífico

Os Problemas Com as B-24

O primeiro deles ocorreu no dia 22 de janeiro de 1944, quando o B-24 registrado com o numeral 42-100307, comandado pelo segundo tenente Henry A. Daum, por volta de uma hora da tarde, em meio a muita chuva, se chocou com uma montanha a “25 miles” (25 milhas) a sudoeste de Fortaleza. Todos os seis ocupantes da aeronave faleceram.

Detalhe do documento informativo da queda B-24 nº 42-100307, comandado pelo segundo tenente Henry A. Daum em choque contra uma montanha no Ceará - Fonte – National Archivies, Washington, D. C., Estados Unidos.

Limitado de informações e pouco detalhista, o relatório da destruição da B-24 do segundo tenente Henry mostra que provavelmente o sinistro ocorreu nas serras existentes entre as cidades de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, facilmente visíveis para quem se desloca de carro pela BR-222, em direção a bela cidade de Sobral.

O segundo sinistro ocorreu na madrugada de 8 de fevereiro de 1944, quando o B-24H, de numeral 41-29293, pertencente a Esquadrilha 758, do 459 Grupo de Bombardeiros, sob o comandado do segundo tenente Daniel B. MacMillin, natural da cidade de Stephenville, no estado do Texas, partiu em direção a Dacar, capital do atual Senegal.

Detalhe do relatório sobre o desaparecimento da B-24H, nº 41-29293 - Fonte – National Archivies, Washington, D. C., Estados Unidos.

Naquela época, segundo a documentação, cada avião que decolava de Fortaleza era obrigado a enviar uma mensagem em código, em períodos de tempo pré-determinado, para que soubessem que estavam voando e qual era a sua posição. Nas três primeiras horas a mensagem chegou, depois nada mais. O B-24 e seus dez tripulantes desapareceram. Os documentos apontam que durante dez dias foram realizadas missões de busca visual, mas nunca mais se soube o que ocorreu com esta aeronave, com o tenente Daum e sua tripulação.

Grupo de B-24 sobre o mar. Fonte Arquivo Revista Life

Mas o caso melhor documentado foi a queda de um bombardeiro B-24 em Fortaleza.

A Tragédia da B-24 do Tenente Brock

Por volta da meia noite e cinquenta do dia 28 de fevereiro de 1944, a B-24H, numeral 42-52645, comandado pelo segundo tenente Willian M. Brock Jr., decolou em direção a Dacar, mas devido a problemas em um dos motores, fez uma volta para aterrissar e caiu.

Parte do relatório do major Ernest E. Dryer, classificado como "SECRETO" - Fonte – National Archivies, Washington, D. C., Estados Unidos.

O oficial de operações de Adjacento Field, major Ernest E. Dryer elaborou um relato sucinto sobre o trágico fato. O major foi chamado pouco depois da uma da manhã, onde foi informado pelo oficial de dia da 1155th AAFBU que havia um incêndio de grandes proporções a sudoeste do Campo Adjacento e que um “native” tinha dito que um avião havia caído.

Para o major o fogo parecia estar muito grande para ser apenas em uma habitação de algum morador local, e que um dos aviões da base (provavelmente um modelo menor) decolou para sobrevoar o local. Mas o incêndio atingia uma área tão grande, que o oficial de operações e um grupo de homens nem esperaram o retorno deste avião e saíram em viaturas para investigar.

Bombardeiros B-24 da 15th Air Force, atacando a refinaria de Ploesti, na Romênia. A B-24 comandado pelo segundo tenente Willian M. Brock Jr.. não chegou a combater

Ao chegar ao local do incêndio, o major Dryer verificou que realmente era um avião, modelo B-24, com a numeração 42-52645. No local já se encontravam viaturas e membros do departamento de bombeiros da cidade de Fortaleza  para manter o fogo sob controle.

O oficial de operações assumiu o comando e enviou um mensageiro de volta à base para informar ao oficial médico que enviasse ambulâncias, a polícia militar e que fosse iniciado o trabalho de relatar os detalhes do acidente imediatamente. Logo descobriram que todos os dez tripulantes pereceram.

Peças de avião, corpos despedaçados e pertences pessoais foram espalhados por uma distância de 1000 pés (300 metros). O corpo de um dos membros da tripulação estava pendurado em uma árvore. Guardas norte americanos foram colocados guarnecendo os destroços e aguardando até que o oficial médico da base assumisse o trabalho de perícia.

Verificado o número do avião com o registro de partida, foi descoberto que aquele B-24 foi o último a sair da base naquela noite e caiu três minutos após a decolagem.

B-24 em chamas

O avião estava tão danificado que uma verificação dos controles não foi possível.

Notou-se que a asa direita tinha batido em uma árvore e quebrou. Por esta razão o caminho que o avião fazia rente ao solo tinha mudado aproximadamente 90 graus para a direita. Em seguida bateu no chão, foi se arrastando em linha reta por cerca de 1000 pés e se desintegrando ao longo do caminho.

Finalmente o B-24 atingiu uma árvore, parou em uma vala e explodiu, jogando detritos em uma larga área. Na queda a aeronave destruiu um barraco vazio e um tanque de óleo foi jogado através do telhado de outro casebre, mas ninguém em terra morreu.

Destaque do depoimento da brasileira Laura sobre a queda da B-24

A documentação trás destacadamente, como principal testemunha, a brasileira Laura Ramos Barreto. Esta é apontada pelos americanos como “Native woman” (Mulher nativa) e informa que morava a cerca de um quilômetro e meio da base, no que hoje provavelmente é o bairro de Montese.

No seu relato prestado nas dependências da 1155th AAFBU, Laura afirmou que sempre a noite escutava os aviões decolando de Adjacento Field e que nesta ocasião ouviu uma aeronave cujos motores pararam repentinamente sobre sua residência. Ela estranho e, ao procurar olhar o avião da janela de sua casa, Laura presenciou três explosões no solo, seguido do forte incêndio.

Um acidente inusitado de uma B-24

Para o major Ernest E. Dryer, o exame das hélices mostrou que pelo menos três dos motores tinha capacidade operativa, mas que não pôde ser dada uma opinião conclusiva em relação ao quarto, devido à extensão dos danos.

As investigações apontaram que a causa do acidente foi uma falha em um dos motores, certamente o que estava mais destruído, imediatamente após a decolagem. Provavelmente o piloto retraiu os flaps em uma altitude muito baixa, fazendo assim  com que o B-24 voasse muito próximo ao solo, batendo em uma árvore, rasgando a asa direita do avião e provocando a explosão.

Os corpos foram enterrados em Fortaleza e transladados pra os Estados Unidos ao final do conflito.

Faziam parte da tripulação da B-24H, numeral 42-52645 os seguintes militares;

Segundo tenente William M. Brock Jr., piloto

Segundo tenente Robert D. Wear, co-piloto

Segundo tenente James H. Beatty, navegador

Segundo tenente Willian D. Davies, bombardeiro

Sargento Kelley L. Epley, engenheiro de voo

Sargento Homer E. Hill, operador de rádio

Sargento Willian C. Ship, atirador de metralhadora

Sargento Thomas M. Bassett, atirador de metralhadora

Sargento Leo P. Desjardins, atirador de metralhadora

Sargento Jack Z. Roby, atirador de metralhadora

Como a participação das bases aéreas em território brasileiro não se restringiu apenas a Natal, estes relatos mostram que certamente existem muitas histórias para serem contadas.

P.S. – GOSTARIA DE AGRADECER A COLABORAÇÃO DO PESQUISADOR CEARENSE ÂNGELO OSMIRO PELO APOIO NESTE TRABALHO

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É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

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15 opiniões sobre “1944 – A TRAGÉDIA DA B-24 EM FORTALEZA-CE”

  1. Um documento magnífico sobre tempos e acontecimentos que parecem esquecidos nas dobras da nossa história!
    Raro de se ver um texto tão bem documentado, um trabalho sério!
    Fotos espetaculares!
    Obrigado, Ronstand, pela viagem no tempo gratuita!
    Muitos anos depois (1968), servi na Base Aérea de Natal, o “Trampolim da Vitória”, e ouvi histórias contadas por antigos funcionários que viram a guerra.
    Abraços!

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  2. Realmente é uma aula que não foi dada totalmente intrigante e inusitada, e que para mim foi muito importante pois eu tive o privilégio de conhecer as “antigas bases americanas” no bairro do Pici em fortaleza., Espero que essas bases inexistam nesses cruciantes momentos de suspeitas de invasão cibernetica.

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  3. Sr. Rostand,
    Parabéns pela pesquisa e o conhecimento apurado sobre as bases americanas no Nordeste.
    Sou um admirador dessa histórica passagem dos americanos em Fortaleza, pois nasci, cresci e joguei muita bola na base americana no Pici e em certas ocasiões passávamos o dia todo naquela imensidão de faixa de terras e isto me chamou atenção. Lá encontramos várias quadras polivalentes para basquete, volley e futebol, creio Eu que seria para os soldados se manterem ocupados. A época de 72, em que nós ( time de futebol) lá frenquentávamos e ouvíamos muitas histórias a respeito dos Americanos e o que mais me chamou atenção é que, diante da saída às pressas pelos Americanos, os mesmos deixaram vários equipamentos, carros de combate e outros objetos enterrados, quiçá artefatos explosivos e até hoje tenho essa pulga atrás da orelha, como se diz em nosso ditado. Portanto, em seu conhecimento, consulto a possibilidade de estender sua pesquisa neste contexto, uma vez que é verdadeira e histórica entre as guerra americanas, este comportamento.
    Desde já agradeço, e na certeza do retorno,
    Att. Edson

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    1. Olá Edson,
      Primeiramente agradecer pelo contato e me desculpar pela demora no retorno, pois estava viajando.
      O que você me reportou também é comentado por aqui. Mas no nosso caso contam que os americanos teriam jogado muita coisa em uma lagoa dentro da Base de Parnamirim. Mas pelo que sei isso ficou no campo da lenda.
      É fato que no caso de veículos a maioria foi entregue (ou vendida?) a FAB e a alguns a particulares. No final da década de 1950 e início da posterior, os veículos que haviam sido dos americanos e estavam com nossos militares foram para leilão e ainda rodaram muito tempo aqui pelo RN.
      Esta situação de enterramento de material bélico não é impossível, mas com o adensamento populacional do bairro do Montese ao longo de décadas, acredito que algo poderia ter sido encontrado. Mas não sei!
      E é verdade que os americanos quando estão além mar em suas inúmeras guerra e não precisam de um determinado material, ou é muito caro transportar de volta, acabam deixando por onde passam. Mas no Brasil não procede a informação que saíram ás pressas. Nem precisavam disso. Gradativamente foram fechando as áreas com menor uso e ficando um pouco mais nas mais movimentadas. Mas para muita gente já tinha passado da hora deles irem embora. Se não me falha a memória em 1947 eles ainda estavam aqui em Natal e em Belém, na época o então Senador Luís Carlos Prestes bradava em alto e bom som que os americanos queriam ocupar as bases por tempo indeterminado. Mas aí eles se foram.
      As quadras esportivas com certeza foram eles que fizeram, ou melhor, mandaram fazer!
      Forte abraço,
      Rostand

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  4. Parabéns! ótima matéria! Eu já tinha conhecimento desse fato, mas achei bem mais detalhado aqui. Existe um grupo no Facebook aqui de Fortaleza que se chama “Fortaleza Antiga” e lá tem um vasto acervo histórico de nossa cidade. O grupo tem mais de 50 mil membros e é uma fonte de estudo e conhecimento.

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  5. Caro Rostand, parabéns pela interessante matéria. Cresci ouvindo relatos de meu avô, um dos fundadores da Universidade Federal do Ceará onde funciona o Capus do Pici (antigo Pici Field). Há ainda no Campus relíquias do denso asfalto da pista, assim como das estruturas para fixar os zeppelins. Só uma dica, extraída de um amigo recentemente falecido, que serviu à época da segunda guerra. Cocorote advém de Coco Route (rota do cocó). Esta ainda hoje é a rota de decolagem dos aviões sobre o Rio Cocó em Fortaleza.
    Abr,

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  6. Prezado Rostand Medeiros

    Parabéns pelas pesquisas e, sobretudo, pela divulgação.
    Isso é Fantástico!
    Gostaria de confirmar com você, se a imagem do grupo de bombardeiros sobrevoando o mar que se apresenta nesse site é mesmo arquivo da Revista Life ou do US Army.

    Atenciosamente

    José Henrique Braga

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