A BUSCA PELOS CAÇAS SPITFIRES ENTERRADOS NA ÁSIA

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A PESQUISA PARA ENCONTRAR 140 CAÇAS INGLESES SPITFIRES ENTERRADOS EM MYANMAR E O QUE ISSO TEM HAVER COM A ARQUEOLOGIA DE ARTEFATOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL EM NATAL

Em dezembro de 1941, a invasão japonesa da Birmânia iniciou aquela que seria a mais longa campanha terrestre da Grã-Bretanha em toda a Segunda Guerra Mundial.

Após o ataque japonês as ilhas Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os japoneses avançavam inexoravelmente em praticamente toda a Ásia. Em pouco tempo derrotaram os britânicos em Cingapura e os norte-americanos nas Filipinas. Não demorou muito para os nipônicos se voltassem para a Birmânia, então uma província da Índia Britânica. A capital birmanesa era Rangoon, que caiu nas mãos dos japoneses em março de 1942. Britânicos, indianos e seus aliados chineses retrocederam para a Índia.

Ingleses se rendem aos japoneses na Ásia
Ingleses se rendem aos japoneses na Ásia

O verdadeiro problema para os Aliados nesta frente de combate foi o meio ambiente. A Birmânia, um país situado no sudeste da Ásia, é uma região onde existem selvas, montanhas, planícies, rios, lagos e mangues, tudo isso sempre em meio a muita umidade e constantes doenças, onde a malária predominava.

O único vislumbre de esperança veio das chamadas forças “Chindits”, grupos de penetração de longo alcance, que travaram uma exitosa guerra de guerrilhas contra os japoneses na selva birmanesa.

Forças britânicas na Birmânia observam a ação do inimigo.
Forças britânicas na Birmânia observam a ação do inimigo.

Ao longo de 1943 o horizonte parecia sombrio para os britânicos, que não tinha os recursos e a organização para recapturar a Birmânia. Mas em breve eles vão constituir o XIV Exército Britânico, a mais cosmopolita força de combate do Comando do Sudeste Asiático, composto de ingleses, indianos e africanos ocidentais.

Em meio a muitas batalhas, derrotas e vitórias, as forças da Comunidade Britânica conseguiram colocar os japoneses em retirada; dos seus 85.000 soldados, 30.000 foram mortos.

Finalmente, em 6 de maio de 1945, uma operação anfíbia ambiciosa permitiu ao XIV Exército entrar em Rangoon. Embora este tenha sido efetivamente o fim da campanha, as forças japoneses restantes na Birmânia só vão se render em 28 de agosto de 1945.

C-47 Dakota, o "burro de carga aliado", em uma base na Birmânia. A maioria destes aviões que serviram no oriente passaram por Natal, vindos dos Estados Unidos.
C-47 Dakota, o “burro de carga aliado”, em uma base na Birmânia. A maioria destes aviões que serviram no oriente passaram por Natal, vindos dos Estados Unidos.

Um dos fatores fundamentais da derrota dos japoneses na Birmânia foi contínua utilização do reabastecimento aéreo junto às tropas Aliadas. Este apoio foi fornecido principalmente por aviões bimotores de carga norte-americanos C-47 Dakota, versão militar do mítico Douglas DC-3. A maioria das aeronaves que participaram do esforço para derrotar os japoneses na Birmânia, bem como as cargas por eles transportadas e suas tripulações, passaram por Natal e Parnamirim Field.

Em um campo de pouso vemos no primeiro plano o nariz de um Spitfire e ao fundo um caça japonês abatido e queimando.
Em um campo de pouso vemos no primeiro plano o nariz de um Supermarine Spitfire e ao fundo um caça japonês abatido e queimando.

Na área de atuação do XIV Exército foram utilizados caças, como o monomotor Supermarine Spitfire, o mais famoso avião de combate britânico. Esta é a mesma aeronave que os ingleses utilizaram para derrotar ondas de bombardeiros alemães durante a fase inicial da Segunda Guerra Mundial, na famosa Batalha da Inglaterra. Cerca de 20.000 Spitfires foram construídos.

A Pesquisa em Busca dos Aviões Perdidos

David J. Cundall, um fazendeiro e entusiasta da aviação de Lincolnshire, Inglaterra, foi informado que em 1996 raros caças Spitfires Mk XIV tinha sido declarados excedentes no final da guerra e foram enterrados em caixas na Birmânia.

David J. Cundall (esq.), o homem que sonhou desenterrar 140 aviões da Segunda Guerra Mundial
David J. Cundall (esq.), o homem que sonhou desenterrar 140 aviões da Segunda Guerra Mundial

Cundall pesquisou e reuniu o testemunho de oito militares sobreviventes. Pouco antes da retirada da maioria das tropas britânicas ali estacionadas, estas aeronaves foram desmontadas, lubrificadas, acondicionadas em grandes caixas de madeira recobertas com teca e secretamente enterrados em solo birmanes. O trabalho teria sido realizado por ordens de Lorde Louis Mountbatten, comandante em chefe britânico na região, com a ajuda de engenheiros norte-americanos.

Um grande aliado de Cundall foi Stanley Coombe, um veterano de guerra de 91 anos de idade e um dos oito ex-militares britânicos que diz ter testemunhado o “sepultamento” das aeronaves. Coombe estava estacionado em Rangoon enquanto servia no Regimento Real de Berkshire. Conta que ao ver os enormes caixotes de madeira, ele perguntou a um capitão da RAF (Royal Air Force) o que havia ali e ele disse: “Você não vai acreditar, mas eles são Spitfires” e informou que logo seriam enterrados. Ao espantado Coombe o oficial afirmou que “Era mais barato enterrá-los do que levá-los para casa e assim evitariam que eles caiassem em mãos erradas”. Os relatos apontavam que os aviões foram depositados a uma profundidade de até 10 metros e que o número de Spitfires poderia chegar a 140 unidades enterradas.

Seria desta maneira que se encaixotavam aviões Spitfire.
Seria desta maneira que se encaixotavam aviões Spitfire.

Cundall informou que conseguiu pretensas evidências no Arquivo Nacional Britânico, que apoiavam a alegação que os caças haviam sido enterrados ao invés de repatriados.

Em entrevista a jornalistas, o fazendeiro admirador de antigos aviões disse que a prática de enterrar aviões, tanques e jipes era comum após a guerra “Basicamente, ninguém tinha conseguido ordens para levar esses aviões de volta a Grã-Bretanha. Eles eram apenas excesso e uma forma de dar um destino a estas máquinas era enterrá-los”. Comentou ainda de maneira bem simplista que “Temos que entender que a guerra havia acabado, todo mundo queria ir para casa, ninguém queria nada, então era só enterrar e voltar para casa. Foi isso.”

Encontrar Um Caça Magistral Enterrado em um País complicado

Independente disso, com o passar dos anos o legado histórico do Spitfire só fez crescer.

Associado à divulgação no cinema, na literatura e outras formas de artes, este antigo avião de combate da Segunda Guerra Mundial se tronou um objeto de adoração popular.

Vocês sabiam que existe um Spitfire em um museu no Brasil? Ele está muiton bem preservado e se encontra no Museu da TAM, em São Carlos, no interior do estado de São Paulo.
Vocês sabiam que existe um  autêntico Supermarine Spitfire em um museu no Brasil? Ele está muito bem preservado e se encontra no Museu da TAM, em São Carlos, no interior do estado de São Paulo.

A maioria destas verdadeiras relíquias aéreas se encontram estáticos em museus, mas alguns, em meio a um grande esforço de abnegados, continuam voando. Principalmente na Europa e nos Estados Unidos estas velhas máquinas são as grandes atrações em festivais aéreos e alguns exemplares destes chamados “Warbirds” chegam a valer milhares de dólares. Atualmente ainda existem mais de 50 Spitfires voando.

Um Supermarine Spitfire nos dias atuais.
Um Supermarine Spitfire nos dias atuais.

Os britânicos permaneceram na Birmânia até 1948, quando foi concedida a independência no dia 4 de janeiro daquele ano. Com o passar dos anos a Birmânia se transformou no atual Myanmar. Mas não foram apenas estas mudanças que David Cundall encontrou naquele país. Desde 1962 a situação política era no mínimo caótica.

Em Myanmar foi criado um dos regimes mais sangrentos, fechados, militarizados e opressores, cuja política ditatorial assombrou o mundo. Isso tudo em meio a uma violenta guerrilha oposicionista, uma tentativa de democratização em fins da década de 80 e o reinício do governo militar autoritário na década seguinte. Para completar o caldo de problemas a população de Mianmar é divida entre muitas etnias, várias religiões (apesar da predominância do budismo), muitos idiomas e continua a ser um dos países mais pobres da Ásia.

Aung San Suu Kyi é a principal ativista pela redemocratização de Myanmar. Já foi agraciada com o Prêmio Nobel e até Bono, da banda U2 compôs a música “Walk On” em sua homenagem.
Aung San Suu Kyi é a principal ativista pela redemocratização de Myanmar. Já foi agraciada com o Prêmio Nobel e até Bono, da banda U2, compôs a música “Walk On” em sua homenagem.

Somente nos últimos anos começou um novo processo de abertura e distensão política no país e isso possibilitou que David Cundall seguisse adiante na sua empreitada.

Euforia

Durante a primeira fase do projeto, os pesquisadores esperavam recuperar 60 aviões enterrados em vários locais de Myanmar: 36 aviões na antiga base da RAF de Mingaladon, atual aeroporto internacional de Yangon (nome como Rangoon é conhecida atualmente), seis em Meikthila no centro de Mianmar, e 18 em Myitkyina, no estado de Kachin. Outros seriam recuperados em uma segunda fase.

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O acordo com o complicado regime de Myanmar contou inclusive com a participação e cooperação do atual primeiro-ministro britânico David Cameron, que em abril de 2012 conseguiu a autorização para que a equipe de pesquisadores britânicos visitasse o país asiático para aprofundar os trabalhos e o definitivo sinal verde para o início das escavações veio em outubro de 2012.

Sobre o acordo ficou definido que o governo de Myanmar teria um avião para exibição em um museu, bem como metade do total restante. A empresa privada dirigida por Cundall (DJC) receberia 30 por cento do total recuperado e a empresa Shwe Taung Por Group (STP), parceiro local de Cundall, receberia 20 por cento.

Logo surgiu o apoio financeiro de Victor Kislyi, de 36 anos, um rico empreendedor da Bielorrússia, dono da empresa de jogos virtuais Wargaming.net.

Ceticismo

Apesar da grande euforia entre os entusiastas de história militar em todo o mundo, alguns observadores na Grã-Bretanha e em Myanmar estavam prá lá de céticos com toda esta situação.

Escavações ao lado da pista do aeroporto.
Escavações ao lado da pista do aeroporto.

O jornalista U Sein Win, de Yangon, questionou: “É difícil acreditar que estes Spitfires foram enterrados aqui. Nós queremos saber como os britânicos e americanos enterraram sem ninguém saber, em uma época em que não havia tantas máquinas de escavação pesada nestas localidades e para que enterrar caças novos?”.

Em janeiro último uma carta foi publicada no conceituado jornal londrino The Times, onde Lionel Timmins, um veterano mecânico de voo na época da guerra, baseado na Base da RAF de Mingalardon, lançou mais dúvidas sobre a história: “Eu não vi nada de enterros de Spitfires, nem ouvi qualquer rumor e saberia se algo assim houvesse acontecido”.

Outro veterano, Stanley Ross, de 87 anos, subtenente do Royal Army Ordnance Corps (RAOC), responsável pelo parque de veículos ao lado do campo de pouso durante a rendição japonesa, que também estava estacionado em Mingaladon, comentou que ali havia principalmente aviões C-47 Dakota e quando a guerra terminou também chegaram Spitfires. Para ele “A base era muito básica, nós vivíamos em tendas ao lado do aeródromo e do outro lado tinha o parque de veículos”. E afirmou que: “Eu nunca tinha visto ou ouvido nada sobre Spitfires enterrados, até ler sobre o trabalho deste cara (Cundall)”.

Cundall (de óculos) observa a evolução dos trabalhos.
Cundall (de óculos) observa a evolução dos trabalhos.

Para entornar mais o caldo um porta-voz do Ministério da Defesa britânico em Londres, simplesmente informou a jornalistas do The Times que não havia registros no ministério do envio de Spitfires para a Birmânia, nem ordens de enterramentos destes aviões em 1945.

Mas Cundall não parou e de Myanmar chegaram às primeiras notícias.

Decepção

Em janeiro de 2013 diferentes locais começaram a ser escavados por equipes distintas de 21 entusiastas da aviação e três arqueólogos independentes: Martin Brown, de 47 anos, Rod Scott, de 49 anos e Andy Brockman, de 51 e líder dos arqueólogos. Além destes faziam parte do grupo geofísicos da Universidade de Leeds e o Dr. Adam Booth, um geofísico do Imperial College, de Londres.

Preparação do terreno.
Preparação do terreno.

Logo foi noticiado que uma grande caixa de madeira foi encontrada em Myitkyina. Foi informado aos jornalistas que a equipe de pesquisa inseriu uma câmera na caixa e encontrou muita água barrenta. O que mais havia dentro não foi possível ser visto e se afirmou que para bombear a água para fora seria um trabalho de semanas.

Cundall comentou que o público esperava que as aeronaves estivessem em perfeitas condições, mas diante da realidade climática e geológica da região, era possível ser encontrada uma massa de metal corroído e peças de aviões enferrujados.

O próprio arqueólogo Andy Brockman afirmou que provavelmente o local era apenas um antigo bunker japonês abandonado.

Um monge budista para abençoar as escavações,,,
Um monge budista para abençoar as escavações,,,

Na antiga base da RAF em Mingaladon, agora Yangon International Airport, após as primeiras escavações, os arqueólogos esbarraram em feixes de cabos elétricos e tubulações de água e o trabalho parou. Ventilou-se a possibilidade deste material está acima das caixas enterradas.

Stanley Coombe, o veterano de guerra de 91 anos de idade e aliado de David Cundall, foi ao local de escavações e afirmou que viu as grandes caixas sendo enterrado a poucos metros de onde hoje é a pista principal do aeroporto. Foi passado o sonar de análise do terreno e detectado altas concentrações de metal, o que animou a todos. Até mesmo um monge budista veio abençoar a escavação para trazer bons fluidos.

Se esta situação fosse no Brasil, certamente o gringo teria chamado um Pai de Santo!

,,Mas o resultado foram apenas placas perfuradas, utilizadas para pistas de pouso temporárias na época da guerra.
,,Mas o resultado foram apenas placas perfuradas, utilizadas para pistas de pouso temporárias na época da guerra.

A equipe cavou um enorme buraco, mas apesar de toda expectativa e do apoio religioso, tudo o que foi encontrado foram apenas partes de placas de aço perfuradas, material utilizado para construir uma pista temporária de pouso durante a guerra.

No meio desta situação a imprensa sensacionalista britânica fez a festa. Logo começou uma intensa troca de informações nada positivas entre o sonhador David Cundall, arqueólogos e o representante da empresa Bielorrussa envolvida no projeto.

Então no final de janeiro de 2013, em meio a um intenso calor tropical e tensão crescente, a coisa toda começou a degringolar.

Outro ângulo das escavações.
Outro ângulo das escavações.

Foi publicada uma declaração de Cundall que afirmou; “Há provas contundentes, muitas testemunhas oculares, mas os arqueólogos não confiam em testemunhas oculares”.

Cundall acrescentou que a falta de registros documentais poderia ser explicado pelo possível extravio de papeis em algum lugar entre a antiga Birmânia e Londres, e pelo fato da RAF estar querendo enterrar os Spitfires em silêncio, em vez de deixar provas escritas do que tinham feito.

No meio de toda esta situação confusa logo veio a pá de cal. As autoridades locais revogaram a autorização de escavação, pois temiam que cavar tão perto de pista poderia enfraquecê-la e causar algum colapso.

Dentro de um avião decolando, é possível ver a extensão das escavações ao lado da pista do aeroporto, que se encerraram em fevereiro de 2013.
Dentro de um avião decolando, é possível ver a extensão das escavações ao lado da pista do aeroporto, que se encerraram em fevereiro de 2013.

Em 15 de fevereiro de 2013 a Wargaming.net anunciou que estava retirando o seu apoio ao projeto, afirmando categoricamente que “Não havia aviões enterrados”.

“Loucura de Homem Branco”

Evidências levantadas por outros pesquisadores, baseados em documentos, apontam que em 1945 as terríveis condições climáticas e a escassez de equipamentos de trabalho de escavação pesada em Mingaladon, mostram que teria sido impossível para a RAF enterrar aeronaves em caixas de madeira a 10 metros de profundidade.

Equipe de trabalho.
Equipe de trabalho.

Além disso, a ideia que 140 Spitfires Mk XIV pudessem ser considerados “supérfluos” pela RAF e enterrados como peças inúteis, é no mínimo contraditória. Em 1950 vários destes aviões, incluindo modelos Mk XIV, estavam sendo vendidos a Força Aérea da Índia, a Força Aérea Francesa para a sua luta na Indochina, para a Força Aérea Holandesa combater nas Índias Orientais e para outras forças aéreas na região. Não podemos esquecer que a própria RAF ainda utilizou estes aviões por um bom tempo em Cingapura, na Malásia e Hong Kong. A Força Aérea Birmanesa chegou a ter vários Spitfires, alguns deles comprados de segunda mão de Israel.

Cundaal (ao centro) em uma coletiva de imprensa  para explicar o que aconteceu.
Cundaal (ao centro) em uma coletiva de imprensa para explicar o que aconteceu.

No final isso nunca foi uma busca por Spitfires, foi sempre a busca de um sonho.

Um sonho que provavelmente (e infelizmente) nunca vai se tornar realidade. Seria uma “Loucura de homem branco” conforme palavras de um dos escavadores nativos.

Quem Sabe um Dia Ocorra em Natal

Apesar deste caso ter ocorrido lá em Myanmar, não duvido que um dia venha acontecer algo parecido aqui em Natal.

É certo que durante a Segunda Guerra Mundial, próximo a capital potiguar e a Base de Parnamirim, vários aviões americanos caíram, principalmente no mar. Muitos restos destas aeronaves foram resgatados por mergulhadores, que encontravam as carcaças principalmente através da informação de pescadores.

B-25 danificada na Pista de Parnamirim Field
B-25 danificada na Pista de Parnamirim Field

Estes homens do mar encontravam estas velhas máquinas no dia a dia de suas pescarias. Era uma rede que se enroscava, uma fateixa que prendia no fundo, uma linha de espera que enganchava. Aí o pescador descia para soltar seu material de trabalho e esbarrava em algo metálico.

Muitos destes materiais estão com empresários da cidade que colecionam artefatos da época da guerra.

Aqui em Natal também não é difícil serem descobertas velho artefatos sem cargas explosivas, lançadas por aeronaves em seus treinamentos. Muitas desapareceram nas areias macias das dunas que cercam Natal e a Base de Parnamirim e são desenterradas com a expansão urbana.

Dizem que antes dos americanos entregarem Parnamirim para os brasileiros, jogaram nas águas da lagoa da base uma boa quantidade de materiais. Fala-se também que muito material aéreo e terrestre foi enterrado pelos americanos na área da base e que no fundo das águas da lagoa do Bonfim tem um hidroavião PB5Y Catalina intacto, que afundou parado, pelo erro de um tripulante que abriu uma escotilha que não devia.

Bom, que esta história na antiga Birmânia sirva de lição.

Em foto recente, o trabalho de resgate de uma B-17 E  em Papua-Nova Guiné
Em foto recente, o trabalho de resgate de uma B-17 E em Papua-Nova Guiné

Um trabalho arqueológico, que sempre chama atenção da mídia, começa com uma extensa, às vezes complicada, chata e difícil pesquisa histórica. Continua com várias horas de análise de muita documentação com cheiro de mofo, conhecimento da tradição oral e tudo isso cobra muito esforço de qualquer pesquisador sério.

E mesmo assim esta trabalheira toda arrisca a dar em nada.

Fontes – http://www.huffingtonpost.com/2013/01/09/myanmar-spitfire-recovery-water-filled-crate_n_2439276.html#slide=1881565

– http://sg.news.yahoo.com/crate-lifts-hopes-myanmar-spitfire-hunters-071317494.html

– http://www.mmtimes.com/index.php/national-news/3771-doubts-over-spitfire-find.html

– http://www.warhistoryonline.com/tag/spitfires

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