NATAL NO CAMINHO DOS NAZISTAS PARA A INVASÃO DOS ESTADOS UNIDOS

Mapa da revista Life que mostra Natal em uma das possíveis rotas de invasão dos Estados Unidos pelas forças do Eixo
Mapa da revista Life que mostra Natal em uma das possíveis rotas de invasão dos Estados Unidos pelas forças do Eixo

Autor – Rostand Medeiros

Entre os meses finais de 1941 e os primeiros meses de 1942, a balança da derrota na Segunda Guerra Mundial pendeu perigosamente para o lado dos países Aliados.

Nesta época os alemães estavam no controle da Áustria, Tchecoslováquia. Polônia, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Noruega, Iugoslávia, Finlândia, Grécia, Lituânia, Letónia e Estónia, bem como partes da União Soviética e da África do Norte. Enquanto isso a Itália, aliado dos nazistas, controlavam a Etiópia e Líbia e os japoneses, outro aliado de Hitler, tinham anexado grandes áreas da China, Sudeste da Ásia e Indonésia.

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Após o ataque japonês a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, os Estados Unidos estão enfrentando a ameaça real das potências do Eixo. Em meio a toda apreensão do grave momento para os americanos, na edição da revista Life do dia 2 de março de 1942, são apresentados vários cenários de possíveis invasões inimigas ao país. Em mapas que certamente geraram vários pesadelos aos mais moles, foi apresentado uma série de perspectivas de como especialistas previam um ataque das forças inimigas a terra do “Tio Sam”.

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Estes mapas foram criados pela Life a partir de um polêmico artigo escrito pelo autor de ficção científica Philip Wylie, que descreveu o terror que seria uma derrota americana na guerra.

Os mapas mostravam as pretensas movimentações de forças alemãs, italianas e japoneses invadindo o país através de vários locais – do Atlântico em direção a costa leste, um bombardeio ao Canal do Panamá e outros mais.

Seu propósito era servir como um aviso aos leitores que os Estados Unidos já não era apenas um observador da Segunda Guerra Mundial. A situação era real e uma invasão era tida como uma possibilidade muito plausível na época.

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Agora meu caro leitor, adivinhe qual era a cidade Latino Americana que, na visão da Life, primeiro serviria como ponto de arrancada das forças do Eixo em direção aos Estados Unidos no continente americano?

Acertou quem disse Natal.

E esse perigo era, em um determinado momento da Segunda Guerra, até que bem real.

Se o Feldmarschall (marechal de campo) Erwin Rommel, comandando seu Afrika Korps houvesse vencido os ingleses no Norte da África, ocupado o Egito e conquistado o então estratégico Canal de Suez, certamente que os riquíssimos campos de petróleo do Oriente Médio seriam um prêmio que chegaria de bandeja.

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Diante desta vitória retumbante os franceses que habitavam a colônia da África Ocidental, cuja capital era Dacar e eram aliados dos alemães, certamente cederiam seu estratégico porto e aeroporto aos amigos nazistas sem problemas. Alguém duvida?

Assim o Atlântico Sul estaria diante das forças de Hitler e do outro lado se encontrava a tranquila e estratégica Natal.

E talvez Rommel e seus aliados italianos não estivessem sozinhos em Dacar. É possível que tivessem a companhia dos japoneses.

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Sabemos que após o vitorioso ataque japonês a base naval de Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, estes conquistaram grande parte do Oceano Pacífico e do Oriente. Entre as conquistas estavam a então Indochina Francesa, Tailândia e Birmânia, onde o avanço nipônico parou. Eles foram detidos pelas terríveis chuvas do período de Monções, mais do que pela força de combate das tropas inglesas, hindus, australianas e chinesas.

Mas imaginemos que nem as forças Aliadas e nem as chuvas tivessem parado os japoneses. Aí certamente eles teriam chegado a Índia, onde muitos conterrâneos de Mahatma Gandhi nutriam pelos seus conquistadores ingleses nada mais do que um puro ódio. Bastaria aos japoneses prometerem uma independência (que certamente não viria) que a Índia cairia facilmente.

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Conquistada esta região seria muito fácil para as tropas japonesas alcançarem o Oriente Médio e realizarem uma ligação com as tropas alemãs e italianas comandadas por Erwin Rommel. Daí, mais da metade do planeta estaria nas mãos das tropas do Eixo e Hitler impulsionaria seus aliados a invadir e sujeitar os mais diversos povos para uma batalha final contra os Estados Unidos.

E certamente que um dos caminhos, como bem mostramos no primeiro mapa deste artigo, seria pelo Brasil e por Natal.

Reunião de nazistas no Brasil - Fonte - http://www.cartacapital.com.br/
Reunião de nazistas no Brasil – Fonte – http://www.cartacapital.com.br/

E é provável que nem sequer fossemos defender nosso território tropical desta invasão de hunos modernos. Pois no próprio gabinete do presidente Getúlio Vargas e em grande parte de nosso Exército Brasileiro, havia inúmeras autoridades e oficiais totalmente germanófilas e a favor das vitórias do Eixo.

Mas ainda bem que isso não aconteceu.

E se as forças do Eixo tivessem vencido a Segunda Guerra?

Capa do romance SS-GB, de Len Deighton, que mostra Londres ocupada pelos nazistas. Na foto Hitler acompanha um desfile da tropa SS, tendo o Big Ben ao fundo
Capa do romance SS-GB, de Len Deighton, que mostra Londres ocupada pelos nazistas. Na foto Hitler acompanha um desfile da tropa SS, tendo o Big Ben ao fundo

Certamente que na Europa os nazistas teriam restringido as liberdades básicas e introduzido severas leis raciais. A orgulhosa Grã-Bretanha teria sido reduzida a uma província de um império alemão. A Alemanha teria assumido os redutos da Europa Oriental e veteranos do exército teriam ocupado as terras conquistadas, seguindo linhas feudais. Milhares de quilômetros de autoestradas construídas por escravos, que os alemães chamam de “Autobahn”, conectariam as terras conquistadas com Berlin, definida nova “capital global”. Neste contexto não é difícil imaginar a deportação de milhões de habitantes da Europa Oriental para a Sibéria, onde certamente morreriam de frio e fome.

Quanto aos judeus, comunistas, ciganos, homossexuais, deficientes físicos, deficientes mentais, os considerados vadios, portadores de enfermidades, os mais idosos, dissidentes, pessoas de pensamento liberal e outros mais, certamente eu não preciso escrever o destino destes cidadãos de terceira categoria para os nazistas.

E quanto a Natal sob o domínio das forças do Eixo?

Bem, deixa pra lá. Pois eu não tenho capacidade de imaginar o inferno!

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7 opiniões sobre “NATAL NO CAMINHO DOS NAZISTAS PARA A INVASÃO DOS ESTADOS UNIDOS”

  1. Boa Noite Rostand! Texto muito interessante, mas na minha opiniao a guerra “acabou” quando Hitler hesitou em massacrar os aliados na famosa “retirada de Dunkerque”, cidade esta que por coincidencia vivi e trabalhei por 8 anos. Naquele episodio e quando Hitler voltou o grosso do exercito para a Russia, selou ali o destino da guerra. Esqueceu Napoleao e sua arrogancia o afundaram. Vale lembrar o heroismo e tenacidade dos ingleses que praticamente sozinhos encararam Hitler e seus aliados ateh que finalmente os EUA se decidissem a entrar na guerra.

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    1. Olá William, agradecido pela sua mensagem e pela oportunidade de debater um tipo de assunto que gosto.
      O próprio Winston Churchill comentou após Dunquerque que “As guerras não são ganhas com evacuações”. Realmente o fato de terem sido salvos milhares de militares da BEF, já calejados em combate na França, Bélgica e Holanda, certamente ajudou a formar no Exercito Britânico um núcleo extremamente positivo para os combates futuros. Mas para mim isso não significa o início do processo de derrota dos nazistas. Como também vejo que Hitler não titubeou em destruir totalmente a BEF, mas deixou-os irem embora, pois naquele momento ainda sonhava com um pretenso acordo de paz com os britânicos.
      No meu entendimento, Dunquerque é sim uma das páginas mais gloriosas, intensas, pulsantes e fantásticas da Segunda Guerra Mundial e que todo cidadão britânico deve enaltecer. Para mim o maior ganho em Dunquerque foi o psicológico.
      Os britânicos sempre viram a Mancha como sua natural muralha aquática contra os continentais europeus e acredito que se sentiam até que bem protegidos. Mas aí, de uma hora para outra, ante o recuo dos Tommys para Dunquerque a coisa mudou. Muito se deve ao maravilhoso trabalho do pessoal da Operação Dínamo, que dos tuneis do Castelo de Dover e comandados pelo almirante Ramsey, colocou seu pessoal para ir atrás de quase tudo que flutuasse e fosse salvar os rapazes do outro lado do canal. A união daquele povo foi para mim impressionante. A frota dos pequenos barcos é uma página impressionante de um povo que salvou seu exército, quando normalmente ocorre o contrário.
      O fator psicológico da evacuação e a união britânica neste episódio foram muito bem explorados por Churchill que posteriormente referiu-se ao resultado da operação como um “milagre”. Na sequência a imprensa britânica apresentou a evacuação como um “desastre que virou um triunfo”. Percebi que os britânicos ficaram tão felizes com a evacuação, que Churchill teve de lembrar ao país, em um discurso na Câmara dos Comuns em 4 de junho, que “é preciso ter muito cuidado para não atribuir a esta evacuação os atributos de uma vitória. As guerras não são ganhas com evacuações”. Depois veio o famoso discurso que lutariam nas praias, nas colinas e por aí vai.
      Para mim Dunquerque sedimentou o processo psicológico entre os britânicos que a guerra não era mais de “Mentira”, era séria e cruel. Se por acaso a aviação inglesa houvesse sido derrotada na Batalha da Inglaterra, (onde tantos deveram a tão poucos), se a operação Leão Marinho (a invasão das ilhas britânicas) tivesse sido um sucesso, a Inglaterra certamente cairia. Mesmo sem duvidar um minuto da capacidade anglo saxônica para o combate, depois da porta arrombada, com a moral e força que os alemães estavam naquele momento, a coisa iria ser difícil de segurar. Com a perda das ilhas britânicas, ficaria inviável qualquer plano de uma invasão capitaneada por tropas americanas a França, como ocorreu no dia D. Se perderia um grande ponto de apoio para derrotar a Alemanha Nazista.
      A perda das ilhas britânicas iria ser um grave problema, mas para mim pior teria sido se Hitler conquistasse a Rússia. Se o rigoroso inverno russo não houvesse detido as tropas de Hitler durante a operação Barbarossa, se seus homens houvessem avançado para muito mais além de Moscou, destruindo muitas fábricas no caminho e se os alemães houvessem conquistado os vastos campos de petróleo do Cáucaso, a coisa ficaria bem feia.
      Muitos historiadores especulam que uma vitória em sua invasão relâmpago do território soviético teria fatalmente inclinado a guerra em favor dos nazistas quase irreversivelmente. Mesmo sem derrotar totalmente as tropas deste grande país, as forças nazistas isolariam de maneira contundente as forças russas cada vez mais a leste, se colocariam em uma grande posição de força naquela parte do Mundo, além de aproveitarem milhares de toneladas de recursos naturais e pontos estratégicos deste vastíssimo território.
      No meu entendimento quem ganhou a guerra na Europa foram os ingleses que realizaram a importante resistência inicial e (por terem mantido seu território) a base para o avanço Aliado, os russos que deram o sangue (20 milhões de mortos) e os americanos que deram a grana e as armas (1 trilhão de dólares em materiais bélicos).
      Mais uma vez agradeço a oportunidade William do debate e coloco meu email a sua disposição.
      Rostand Medeiros
      rostandmedeiros@gmail.com

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      1. Parabéns ….matéria rica em informações …. gosto muito do assunto mas leigo em boa parte .

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  2. Oi Rostand!
    Parabéns pelo trabalho original e profundo.
    Sou curioso de história, em particular das guerras, e me surpreendi com a qualidade de seu blog.
    Parabéns e obrigado pelas informações preciosas!
    Otto.

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