“AOS VENTOS QUE VIRÃO”, UTILIZA O CANGAÇO PARA RETRATAR UM NORDESTE EM TRANSFORMAÇÃO

Fonte - http://www.guilhermefernandes.com/2014/07/aos-ventos-que-virao-critica.html
Fonte – http://www.guilhermefernandes.com/2014/07/aos-ventos-que-virao-critica.html

Após ser supervalorizado e, depois, deixado de lado, o cangaço volta às telas de cinema pelas mãos de Hermano Penna com Aos Ventos Que Virão. O cineasta cearense, conhecido por Sargento Getúlio, de 1983, parte de uma premissa bastante interessante para seu novo trabalho, qual o destino de um cangaceiro depois da morte de Lampião, apresentando assim um leve panorama da situação sócio-política do nordeste na primeira metade do século XX. Em uma pequena cidade, mais precisamente Poço Redondo, no interior de Sergipe, o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi assassinado.

Com a sua morte, morrem também o Cangaço e uma parte da história do Brasil. Tem início uma perseguição aos cangaceiros remanescentes, que não possuem mais uma liderança e nem pra onde ir. Mas o jovem Zé Olimpio (Rui Ricardo Diaz) decide mudar sua história, ele busca se casar com sua noiva Lucia, vivida por Emanuelle Araújo, e viver tranquilamente na cidade de Poço Redondo, em Sergipe. Porém, ele logo percebe que isto é impossível, já que o Sargento Isidoro (Edlo Mendes), assim como grande parte dos policiais do nordeste, está disposto a matar todos que participaram do bando de Virgulino Ferreira.

Emanuelle Araújo em cena de "Aos Ventos que Virão", de Hermano Penna
Emanuelle Araújo em cena de “Aos Ventos que Virão”, de Hermano Penna 

Assim, o casal decide largar tudo e tentar a vida em São Paulo. O Cangaceiro acaba se somando aos milhares de nordestinos que migram para o sudeste e o centro-oeste brasileiro e acaba indo trabalhar na construção civil. No sudeste, Olimpio percebe que mesmo não sofrendo os mesmos riscos de antes, sua vida não tem tanta possibilidade de melhorar, principalmente por conta do preconceito dos empresários contra os jovens nordestinos. E é neste momento que a luta de Zé Olímpio começa. Seus inimigos, o preconceito, um subemprego e a intolerância.

Com a morte de seu pai, Zé Olimpio retorna a sua cidade e, diante dos desmandos dos políticos locais e já sem o grande risco de perder a vida, decide ficar e entrar para a política. Porém, ele logo percebe que a vida na política não é muito diferente daquela que tinha no bando de Lampião. É quando descobre a corrupção e a injustiça, ao ver um juiz impedir que seus eleitores possam votar. Revoltado, ele passa a ter atitudes agressivas como protesto. No site http://brcine.com.br/especial/critica/aos-ventos-que-virao/ comenta que o principal destaque de Aos Ventos Que Virão fica com o trabalho de Penna com os atores. As interpretações, com toques teatrais, dá uma leveza ao filme que não traz nenhum grande recurso.

O diretor e as crianças do sertão
O diretor e as crianças do sertão 

Os diálogos, principalmente no início da trama, ajudam a cativar o espectador para a história de amor entre Zé Olímpio e Lucia, e pelo ímpeto do herói em sempre ajudar os seus conterrâneos. No entanto, o filme acaba não segurando o ritmo e vai perdendo a força com o tempo. Se as atuações e a proposta do filme animam, a forma como é conduzido deixa a desejar, pela quantidade de temas que acabam sendo contemplados. Aos Ventos Que Virão peca por tentar transformar a história de Zé Olimpio em uma saga e não segurar com a mesma força do início, principalmente pela dificuldade de apresentar ao espectador as passagens de tempo.

Em momentos, o público é surpreendido em um ou outro dialogo que determinada cena se passa anos após a cena anterior, causando certa confusão na compreensão geral. Mesmo com a ousadia de tentar contar a saga de um homem durante décadas, não se pode dizer que Aos Ventos Que Virão seja um filme pretensioso, pelo contrário. E é justamente a simplicidade do projeto que acaba conquistando o espectador que acompanha as idas e vindas de Zé Olimpio.

Com “Aos Ventos Que Virão”, Hermano Penna mostra que o sertão ainda é relevante e que existem boas historias para serem contadas sobre nosso povo. Basta que tenhamos coragem, compromisso com a verdade e estômago forte para encararmos nossos próprios contrassensos.

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Filme: Aos Ventos Que Virão Direção: Hermano Penna 2014, Brasil, 94′, Drama Roteiro: Hermano Penna, Jaqueline Tavares, Paulo Sacramento Elenco: Rui Ricardo Diaz, Emanuelle Araújo, Luis Miranda, Lucio Tranchesi, Edlo Mendes, Marat Descartes, Francisco Gaspar Hermano Penna responde tambem pelo roteiro de Aos ventos que virão, que estreou dia 24 de julho no Espaço Itaú de Cinema, em São Paulo. É conferir!

Fontes – http://brcine.com.br/especial/critica/aos-ventos-que-virao/

http://www.itaucinemas.com.br/novidade/477-Aos-Ventos-que-Viraordquo_-de-Hermano-Penna_-retrata-um-nordeste-em-transformacao

http://www.guilhermefernandes.com/

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