AOS 105 ANOS, HOMEM QUE SALVOU MAIS DE 600 CRIANÇAS DO NAZISMO É PREMIADO

Nicholas Winton e uma das suas crianças -Fonte - http://papodehomem.com.br/
Nicholas Winton e uma das suas crianças -Fonte – http://papodehomem.com.br/

Um inglês que salvou mais de 600 crianças dos nazistas no início da Segunda Guerra Mundial foi condecorado na República Tcheca com a mais alta honraria do país – a Ordem do Leão Branco.

Fontes – http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141028_homem_premio_nazismo_rm

http://papodehomem.com.br/homens-que-voce-deveria-conhecer-10-nicholas-winton/

Nicholas Winton, nascido em 19 de maio de 1909, com bem vividos 105 anos, tinha apenas 29 anos em 1939 quando conseguiu oito trens para levar 669 crianças – a maioria delas judias – da Tchecoslováquia quando eclodiu a Guerra. Elas foram conduzidas para a Inglaterra e para a Suécia, onde ficaram livres das ações dos nazistas.

No ano de 1938, Nicholas teve seu plano de férias de fim de ano com seu amigo, Martin Blake, cancelado. Este mesmo amigo sugeriu uma outra opção: que eles viajassem até a Checoslováquia, pois queria lhe mostrar algo. Winton se interessou pela proposta do amigo e partiram para lá.

A paquistanesa Malala Yousafzai e Nicholas Winton em 2013 Fonte - www.themalaysianinsider.com
A paquistanesa Malala Yousafzai e Nicholas Winton em 2013 Fonte – http://www.themalaysianinsider.com

Winton visitou campos de refugiados fora de Praga e decidiu ajudar as crianças a conseguirem licenças britânicas, da mesma forma como as crianças de outros países foram resgatadas no “kindertransport”.

Na época, ele era um corretor de ações em Londres, e vinha de uma família judia alemã, então estava bem consciente da urgência da situação.

“Eu sabia do que estava acontecendo na Alemanha mais do que muita gente e, com certeza, mais do que os políticos”, disse à BBC.

“Nós tínhamos pessoas ficando conosco que eram refugiados da Alemanha naquela época. Alguns que sabiam que suas vidas estavam em perigo.”

Ao pisar na Checoslováquia, Winton sentiu o clima de horror e medo, compreendeu o que o amigo tanto lhe queria mostrar. O país estava sob o domínio da Alemanha nazista. Milhares de pessoas assustadas e perseguidas com um futuro nada promissor, podendo a qualquer momento ser mandadas para campos de extermínio.

Estátua em sua homenagem (estação em Praga) - http://papodehomem.com.br/
Estátua em sua homenagem (estação em Praga) – http://papodehomem.com.br/

Muitos sentiriam pena, achariam essa situação injusta, ficariam indignados, entretanto, apenas observariam a tragédia acontecer. Nicholas Winton, não. Sabia que poderia fazer algo por essa pessoas. Teve a ideia de mandar as crianças das famílias perseguidas para outros países. Apenas uma ideia, porém, não resolveria a situação. Winton precisaria ter muita disposição e colocar a mão na massa para realizar esse objetivo.

Nicholas pesquisou e coletou dados das crianças que precisavam de ajuda e escreveu cartas para vários países. Foi um trabalho árduo e burocrático, mas nada o fazia desanimar. Persistente, atendeu as exigências impostas pelas autoridades. As portas do mundo sempre se abrem para um guerreiro que não se intimida com os obstáculos. Com a ajuda de organizações cristãs e beneficentes, foi possível conseguir recursos para o transporte dos pequenos refugiados e arrumar famílias interessadas em adotá-los.

Winton conseguiu lotar oito trens com crianças que saíram da Tchecoslováquia, antes da eclosão da Guerra. Mas um nono trem, o que estava ainda mais cheio – com 250 crianças – não conseguiu cruzar a fronteira antes do conflito tomar conta do país.

Setenta e seis anos depois, o britânico participou de uma cerimônia no Castelo de Praga, onde recebeu o prêmio.

Crianças salvas
Crianças salvas

Em seu discurso, ele agradeceu aos britânicos que aceitaram receber as crianças em suas casas.

“Quero agradecer a todos vocês por essa tremenda expressão de agradecimento por algo que aconteceu comigo há quase 100 anos”, disse Winton. “Fico muito contente que algumas das crianças ainda estejam aqui para me agradecer.”

“Eu agradeço aos britânicos por dar uma casa para eles, por aceitá-los e, claro, a enorme ajuda dada por muitos tchecos que fizerem o que puderam para lutar contra os alemães e tentar tirar as crianças do país”, finalizou.

‘Sem medo’

A missão notável do homem apelidado de “Schindler britânico” veio à tona somente no final de 1980.

Ficha de uma das crianças salvas - Fonte - http://www.mzv.cz/
Ficha de uma das crianças salvas – Fonte – http://www.mzv.cz/

Mas ele ressaltou que não teve medo de ajudar. “Não houve nenhum medo pessoal envolvido.”

A atitude de Winton ficou ‘oculta’ por 50 anos – ele não contou a ninguém o que fez – até que sua mulher encontrou um livro de recordações e descobriu.

Winton preferiu não contar nada para outras pessoas sobre o que tinha feito. As crianças cresceram sem notícias de quem havia contribuído para o bem delas.

Muitos o consideravam um herói, mas ele não:

“Não me vejo como um herói. Para ser herói, alguém precisa fazer algo de perigoso. Não fiz. O que fiz foi algo que os outros achavam impossível. Mas eu tinha de tentar, para ver se era possível ou não.

“Não é um ato heróico. Meu lema é: se algo não é obviamente impossível, então deve haver uma maneira de fazer.”

A mulher de Nicholas só descobriu quando foi arrumar o sótão da casa e encontrou um álbum velho com fotos de crianças, telegramas, cartas e uma lista. A história de Winton ficou guardada em segredo por quase meio século.

Quando questionado pela BBC sobre o que achava que tinha mudado daquela realidade de 70 anos atrás para a que vive hoje, o homem de 105 anos não foi muito optimista. “Acho que não aprendemos com os erros do passado”, disse.

Nicholas Winton recebeu a mais alta honraria da República Tcheca: a Ordem do Leão Branco - BBC
Nicholas Winton recebeu a mais alta honraria da República Tcheca: a Ordem do Leão Branco – BBC

“O mundo hoje está em uma situação mais perigosa do que jamais esteve e considerando que agora temos armas de destruição em massa que podem acabar com qualquer conflito, nada está seguro mais.

Winton Mora em Maidenhead, Inglaterra, com sua esposa. É casado desde 1948 e tem dois filhos.

Perguntaram para Winton se ele achava que tinha feito do mundo um local melhor:

“É preciso mais do que um Nicholas Winton para fazer do mundo um lugar melhor. Mas tudo é uma questão é uma visão. Quase todas as crianças que salvei estão envolvidas hoje em trabalhos de caridade. Estão fazendo o bem.

O importante não é chegar em casa de noite e dizer, passivamente: ‘Hoje, eu não fiz nada de mal’. O importante é chegar em casa e dizer: ‘Hoje eu fiz o bem’.”

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