NOSSA ENTREVISTA NA REDE BANDEIRANTE DE NATAL


Meus amigos no último dia 24 de maio eu fui gentilmente convidado pelo jornalista José Pinto Junior para participar do seu programa de entrevistas

“Conexão Potiguar”, nos estúdios da Rede Bandeirantes de Natal, no bairro da Candelária.

Aqui junto ao jornalista José Pinto Junior

Basicamente comentei sobre nosso último livro, “João Rufino-Um visionário de fé”, sobre a questão da pesquisa para a realização da obra, etc. Sobre este tema veja este link – (https://tokdehistoria.wordpress.com/2011/04/14/meu-novo-livro-%E2%80%93-%E2%80%9Cjoao-rufino-um-visionario-de-fe%E2%80%9D/)

Outro assunto é nosso trabalho que estou realizando atualmente, sobre a vida do Senhor Emil Antony Petr, um norte americano, veterano da II Guerra que a mais de quarenta anos vive em Natal. Sobre este tema veja este link – (https://tokdehistoria.wordpress.com/2011/02/22/um-veterano-da-usaaf-que-mora-em-natal/)

Foi bastante positivo e só tenho a agradecer a José pinto Junior e ao amigo José Correia Torres Neto pelo apoio na realização desta entrevista.

Bem aqui estão os links para quem desejar assistir esta entrevista;

Um abraço a todos e obrigado pela atenção.
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CORISCO – O DESTEMIDO ALAGOANO

No dia 25 de maio, deste, completou 71 anos que o famoso cangaceiro Corisco foi assassinado pelas armas do tenente Zé Rufino, o maior caçador de cangaceiros de todos os tempos. O assassinato aconteceu em Brotas de Macaúbas, no Estado da Bahia. No momento, sua companheira Dadá foi atingida com um tiro na perna, sendo obrigada a fazer uma cirurgia, e não sendo aproveitada, foi amputada. Foi presa, mas posteriormente foi liberada para novamente participar da sociedade livre.

Corisco

Cristino Gomes da Silva Cleto era seu nome verdadeiro. Nascido no dia 10 de agosto de 1907, em Matinha de Água Branca, no  Estado de Alagoas. Era filho do sofrido casal Manoel Anacleto e Firmina Maria.

No ano de 1924,  foi convocado pelo Exército Brasileiro para cumprir o serviço militar, mas talvez não satisfeito com as exigências das forças armadas, desistiu   em seguida.

No ano de 1926, Corisco resolveu participar da pior vida do mundo,  incorporou-se à “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia”,  do famoso Virgulino Ferreira da Silva, vulgarmente chamado “Lampião”. Corisco foi um dos cangaceiros mais admirados pelas mulheres,  pela sua beleza, dono de um belo físico  e cabelos longos. Entre os comparsas ele era admirado  pela sua  força física.  No cangaço fora alcunhado por Corisco, pela sua ligeireza, Diabo Loiro, Alemão…

Assim que Lampião levou Maria de Déia, a futura Maria Bonita para o cangaço, com a liberação do chefe, Corisco raptou uma moça de 13 anos, descendente dos índios Pancarerés, a Sérgia Ribeiro da Silva, conhecida por Dadá. Como a companheira não sabia  ler e escrever, Corisco a ensinou, e também os manejos de  armas de fogo.

Em relação às vestes dos cangaceiros, Dadá foi a maior  estilista do bando; costurava e enfeitava as vestes de todos os cangaceiros. Corisco foi o seu companheiro até o dia de sua morte.

Mesmo vivendo de correrias dentro das caatingas, o casal teve sete filhos, mas apenas três deles sobreviveram, e um deles é o Sílvio Bulhões, muito conhecido por todos os escritores e pesquisadores do cangaço.

Corisco e Dadá

Como em toda sociedade sempre há desavenças por uma razão qualquer, infelizmente Lampião e Corisco  se desentenderam, causando a separação do bando, e com isso Corisco foi obrigado a formar o seu próprio grupo de cangaceiros, mas continuou conservando a amizade com o chefe Lampião.

Na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota de Angicos, no Estado de Sergipe, a polícia alagoana desbaratou o bando de cangaceiros;  matou e degolou onze asseclas, que infelizmente não conseguiram furar o cerco, e entre eles morreram: o rei  Lampião e a sua rainha Maria Bonita.

O fim de Lampião

O cangaceiro Corisco não se encontrava no acampamento no momento do massacre, e ao tomar conhecimento, vingou-se ao seu modo.

Cinco dias depois do combate na Grota de Angicos, Corisco  matou o  coiteiro Domingos Ventura, e mais cinco pessoas de sua família, incentivado por Joca Bernardo, dizendo que o coiteiro Domingos Ventura era o responsável pela denúncia de Lampião.

Em seguida, separou  as cabeças dos corpos, e mandou-as para o Tenente João Bezerra da Silva. E comelas foi o recado: “-Faça uma fritada. Se o problema é cabeça, aí vai em quantidade”.

Como havia sido mortos os pais dos cangaceiros, isto é, seus protetores,  com uns trinta dias depois do massacre de Angico, a maioria dos facínoras já havia se rendido. Na ativa apenas permaneciam os grupos de Moreno e Corisco.

Corisco foi morto e enterrado em Jeremoabo, no Estado da Bahia, e com ele foi sepultada a “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.”

Esta postagem é do Sr. José Mendes, da cidade e Mossoró, Rio Grande do Norte.

ITALIANOS EM NATAL – A ALFAITARIA LETTIERI E FULCO

A Melhor Alfaiataria da Cidade em 1928

Não sei atualmente se Natal possui entre seus habitantes um grande número de pessoas nascidas na Itália. Mas acredito que pelo menos em termos proporcionais, em relação ao número de habitantes que existiam na cidade no início do século passado, o número de italianos fosse maior do que é hoje.

O negócio era um dos mais importantes no seu ramo em Natal. Já o brasileiríssimo nome da alfaiataria era uma homenagem a Dona Julia Amazonas, esposa do italiano Guglielmo Lettieri, que lhe deu seis filhos.

A Alfaiataria Lettiere e Fulco ficava num dos principais pontos de comércio de Natal na década de 1920, a Avenida Tavares de Lira, onde havia o famoso cais, por onde desembarcavam grande parte dos potiguares e visitantes que chegavam e partiam da cidade.

Lettieri havia nascido na Itália, provavelmente na década de 1880, havia chegado ao Brasil em outubro de 1903, tendo vivido no Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e chegou à cidade de Natal em 15 de maio de 1915.

O outro “paizzano” que com maestria aplicava a tesoura nos tecidos da sociedade natalense e dividia o negócio com Lettieri era Giovanni Fulco, que em 1928, data em que a revista “A Cigarra” lançou a propaganda que vemos neste post, ainda não havia completado dois anos que estava no Rio Grande do Norte. Ele havia vindo da cidade italiana de Tortora, província de Corenza e desembarcou em Recife no dia 20 de dezembro de 1920 e chegou a Natal em 27 de abril de 1926.

Guglielmo Lettieri foi durante algum tempo representante oficial do governo italiano em Natal. Foi ele que recebeu e apoiou os aviadores italianos Arturo Ferrarin e Carlo Del Prete. Estes dois homens realizaram o primeiro voo sem escalas entre a Europa e a América do Sul e pousaram na bela Praia de Touros, a cerca de 80 quilômetros ao norte de Natal. Na nossa capital foram recebidos e festejados pela comunidade italiana.

Todos os dois, até onde sei se deram muito bem em Natal, fazendo um largo grupo de amizades, criando raízes e deixando inúmeros descendentes.

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PRECONCEITO E RACISMO CONTRA NORDESTINOS – FATO ANTIGO

ATÉ MÁRIO DE ANDRADE JÁ SE POSICIONOU CONTRA ISSO

Autor – Rostand Medeiros

Existe muita coisa de boa e de ruim do ser humano, mas certamente uma das piores é o preconceito e o racismo em relação as suas origens. E você só sabe como funciona este tipo de situação, e o quanto isso é perverso, apenas no dia que sente.

Em relação a este assunto, existe um movimento ocorrendo em São Paulo, terra maravilhosa e de muita gente boa, que revela uma situação triste e complicada.

Há um ano teve início um abaixo assinado divulgado na internet, do chamado “Movimento São Paulo para paulistas” http://tudoporsaopaulo2010.blogspot.com/

Sou uma pessoa que se impressiona muito com o preconceito e com o racismo, pois durante mais de dez anos trabalhei como Guia de Turismo em Natal, onde conheci e fui alvo de preconceito e racismo pelo fato de ser nordestino.

Ser nordestino, viver no Nordeste, me causa muito orgulho. Neste sentido os fatos que infelizmente tive o desprazer de presenciar foram mais amargos ainda, pois ocorreram na minha própria terra.

Lembro-me que, talvez devido ao fato de ter a pele clara, sempre me diziam que eu “-Não parecia com um nordestino!”. Na mesma hora eu respondia; “-Mas para você, como se parece um nordestino?”.  Daí, primeiramente, vinha a cara de surpresa, o risinho torto e sem graça, os olhos procurando algo perdido no espaço e as respostas mais ouvidas foram “-Ah, sei lá!”.

Quando havia alguma coisa errada na rua, como por exemplo, uma pessoa que jogava um papel na calçada, não faltava a sentença; “-Mas como nordestino faz besteira!”.

Outra coisa triste eram as comparações. Nunca consegui compreender como alguém gasta tanta grana para viajar, vem para outras cidades e, ao invés de curtir, fica ridiculamente fazendo comparações desairosas e negativas sobre o lugar visitado.

Ouvi muitas vezes a máxima que na nossa terra “só havia gente feia”. Afirmavam que sua região de origem do turista era diferente, pois lá o povo não era tão “misturado”. Misturado?

E por aí seguia.

Não vale nem a pena rememorar tais episódios de forma específica. Nem listar de forma ridícula “de qual estado vem os turistas mais racistas”, pois durante todo este tempo de luta no turismo, estes fatos negativos foram poucos.

Essa é a nossa unica imagem quando se fala em Nordeste?

Mas, infelizmente ocorreram e o ruim é que dá uma raiva difícil de esquecer!

Coisa Antiga

Mas voltando ao caso do triste e vergonhoso movimento paulista. O pior é que este tipo de preconceito, de racismo contra os nordestinos, não é novidade.

Anteriormente, principalmente para fugir da seca, o pobre sertanejo da nossa região seguia para o norte do país, para a Amazônia em busca do sonho da borracha e da terra cheia de florestas e rios. Mas houve o momento em que o destino mudou e no final da década de 1920 teve início o movimento de migração de nordestinos em direção a São Paulo. Logo começaram as críticas contra a chegada destas pessoas.

Em 1929 havia a ideia que nordestinos “desocupados e preguiçosos” eram trazidos para São Paulo para “vadiarem” na grande metrópole. Mas ouve vozes em contrário. Uma delas veio de um paulista de renome, ninguém menos que Mário de Andrade.

Em um artigo originalmente publicado em março de 1929, no jornal paulista “Diário Nacional”, tendo sido reproduzido integralmente no jornal natalense “A Republica”, no dia 7 de abril de 1929, o autor de “Turista Aprendiz”, mesmo iniciando o artigo afirmando que não iria “entrar nessa discussão sobre imigração nordestina”, faz uma defesa do trabalhador da nossa região que estava no seu estado.

Mário de Andrade

TRABALHADOR NORDESTINO

Mário de Andrade

Não pretendo entrar nessa discussão sobre imigração nordestina, que anda ascendendo ardores por aí. Discussão que deu lugar a patriotismos regionalistas muito detestáveis. Antipatrióticos.  E me parece que mal colocada. Excetuada alguma nota rara de visão exata (Amadeu Amaral, Antonio Bento de Araújo Lima), o problema foi tratado debaixo de uma mentalidade capitalista e não propriamente econômica.

Ainda outra coisa que ninguém distinguiu foi entre “proletário” nordestino e “desocupado” nordestino. Homem do campo. Homem da cidade. Em todas as cidades deste mundo se ajunta sempre uma população mariposa. A cidade atrai. Uma gente fraca, e o que é pior, dotada de todas as “habilidades” que a fraqueza engendra, vem chamada por esta atração. E fica por aí, na barra da saia da cidade, mariposando, vivendo de expedientes, na folga dos biscates. De fato essa gente vadia. E “vadeia” que no Nordeste significa brincar, cantar, dançar, se divertir.

E essa psicologia romântica do verbo “vadiar” nos da bem um elemento pra aquilatar da capacidade do homem do povo nordestino. Não se pode chamar de “vadiação” ao caso do individuo que vai pra city das cidades, a espera e trabalho. Muito menos ao fato do sertanejo na seca, rodeado pelo gado, estar esperando a hora de queimar o xiquexique pra criação comer. Esse mesmo homem é capaz de agüentar léguas a pé e tem capacidade física formidável. Basta ver o que é um samba ( ), um coco violento, durando a noite, para saber do que são capazes fisicamente os homens e mulheres nordestinos. A própria condição da vida nordestina em certas zonas, a do gado, a da carnaúba, é que obriga a longas estiagens de trabalho econômico. Porem, no vale do Assu, (carnaúba) pór exemplo, se diz que não tem noite sem samba. O proletário exerce nas noites a atividade que não teve por onde exercer durante o dia. E por isso o verbo “vadiar” mudou de sentido lá. Significa o brinquedo: o exercício às vezes duma fadiga inclemente, prodígio de esforço físico e habilidade. Ora o brinquedo é sempre uma transposição de atividades que não podem ser exercidas.

Porem não quero negar a existência do desocupado urbano nordestino. Existe como existe em S. Paulo, em Montevidéu, em Paris. E a psicologia do desocupado, do homem… da fuzarca, é a mesma por toda parte. Os agentes em busca de colonos pras fazendas não se dão ao trabalho de dias inteiros através do sertão, arrebanhando gente. Chegam nos portos e pegam as mariposas do biscate. Está claro que virá muito colono ruim assim. Mariposa não se transforma em proletário do dia pra noite Mas também sei de fazendeiro que coloniza a propriedade só com nordestinos. Porem não fia em agente. Manda, mas é o próprio sertanejo nordestino que já tem na fazenda, trabalhador, colono excelente, buscar os conhecidos dele, lá de Catolé do Rocha, de Martins, do Seridó, gente boa.

Descendente de índio ou africano o proletário nordestino conserva disso a psicologia de quem foi muito dominado e abatido. É manso. É bem mandado. É de uma obediência servil. Vive no Nordeste uma diferenciação de classes que me chocou. Às vezes me feriu mesmo. Não é a toa que nos últimos tempos está se dando uma recrudescência no emprego da expressão “senhor de engenho”. No geral iniciativa do proletário é circunscrita ao mínimo possível pelo “seu doutor”, que significa homem de gravata. Também pra explicar a psicologia do cangaceiro nordestino, o argumento dele se revoltar contra as injustiças da justiça me parece fácil por demais. Há sem duvida no cangaceiro um fundamento mais secular de revolta contra a injustiça social das classes. E contra a escravidão que, se perdeu a base de compra e venda, não perdeu o sentido de obediência e mando.

Quanto ao argumento que o proletário nordestino raro enriquece aqui, é argumento capitalista e não econômico.

Malfadado por uma terra que acumula omissões, o homem do povo nordestino se rege pelo “primo vivere”. É a psicologia da fome, mais dramática que condenável. Quando vem pro sul ganha fácil. Então se deslumbra. Vê tudo fácil, gasta, não amontoa. Fenômeno perfeitamente explicável em quem atinge terras de aventura capitalista. Se deu na Califórnia e no Alasca. No sul da África. Na Argentina e Brasil. Em S. Paulo, terra de aventura, tem centenas de estrangeiros que fazem o mesmo. Antes e depois de ricos. Porque a riqueza não justifica, os luxos rastaqüeras. Mas nós não censuramos o senhor conde Matarazo que esbanja um trust num monumento tumular ridículo. Porem por causa do proletário nordestino não se adaptar desde logo a mania de ajuntar ouros… a Prefeitura abre portãozinho  para quanto ricaço esbanje chique. Pelo menos que soubesse abrir portões maravilhosos, que nem os que a gente encontra em cemitérios nordestinos, o de Arez, o de Goianinha, o de Augusto Severo, por exemplo. Portões que nordestino fez. Mas os nossos problemas não tratam de civilização, de cultura, de economia. Se resumem a cócegas de capitalização.

O mais engraçado é que todos acabaram reconhecendo que o proletário é excelente. Porquê e praquê tanta birra então? Nós vivemos no geral suspeitos às franjas dos problemas brasileiros. Em vez de atacarmos diretamente os problemas, vivemos desbastando as superfícies dum instrumento malfeito. É o que o caracteriza, desde a Monarquia, a desídia nossa.

(Do “Diário Nacional”, de São Paulo)

O Conhecimento de Mário de Andrade Sobre o Nordeste

Percebemos que os apontamentos do escritor Mário de Andrade neste artigo certamente surgiram a partir das experiências do autor nas suas duas viagens pelo Norte e Nordeste do Brasil. Nestas aventuras etnográficas, Mário desejava conhecer o Brasil e o povo brasileiro. Elege o Norte e o Nordeste como regiões privilegiadas do que deveria visitar e realiza seus objetivos em duas distintas viagens de estudo e pesquisa.

Mário pesquisando o Brasil

Na sua segunda viagem ele demora-se no Nordeste em trabalho de coleta de documentos musicais, conhecendo músicas de “feitiçaria”, cocos, danças dramáticas, romances, cantos de trabalho. Quando esteve no Rio Grande do Norte no final de 1928, conheceu muita coisa na companhia de intelectuais locais, registrou em fotos as paisagens, a arquitetura, o sertão e a população dos locais visitados.

Mário de Andrade passa a escrever no jornal “Diário Nacional” a partir de 1927, onde publica a maior parte de sua produção, entre críticas, contos, crônicas e poemas, até 1932, quando o jornal é fechado. O “Diário Nacional” era o órgão noticioso do Partido Democrático, agremiação política a qual Mário de Andrade era filiado. Respondia pela redação do periódico Sérgio Milliet, Antônio Carlos Couto de Barros e Amadeu Amaral.

É Combatido

Percebo que este preconceito, este racismo regionalista existente no Brasil, só tende a crescer na medida em que crescem as nossas eternas e futuras crises econômicas, políticas, sociais, morais, éticas, etc., etc. É como uma espécie de válvula de escape para superar as frustrações de um momento.

Ainda bem que vivemos em uma democracia, onde todos tem o direito de manifestarem as suas ideias e por sorte existem pessoas que não se conformam com as ações preconceituosas e racistas, como a realizada pelo “Movimento São Paulo para paulistas”. Uma manifestação interessante sobre este movimento veio do jornalista Paulo Henrique Amorim, que mostra de forma clara e inteligente o que pensa quem cria este tipo de coisa.

Veja o link; http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/11/08/o-que-pensa-quem-quer-sp-so-para-paulistas/

Ainda bem que depois de um ano ativo, pelo menos até a manhã de 24 de maio de 2011, o triste movimento “Movimento São Paulo para paulistas”, possuía 1849 assinaturas.

E, infelizmente, Também Existe Aqui

Como já senti o preconceito e o racismo pelo simples fato de ser de onde sou, é inevitável que dentre todas estas ações preconceituosas e racistas existentes por aí,  a que me chama mais a minha atenção é o que ocorre contra estrangeiros.

No passado muitos imigrantes vindos de outros países sofreram inúmeras formas de racismo ao desembarcarem no “grande país tropical”.

Assim ocorreu quando japoneses chegaram a mais de 100 anos e se tornaram alvo de fortes críticas e perseguições. Ou como aconteceu com os sírios e libaneses, que aqui eram chamados pejorativamente de “Turcos”. Ou com os “branquelos” alemães. No topo da lista não podemos esquecer os portugueses, que vinha da “terrinha” para serem alvos de eternas piadas.

Mesmo a distante China, que nem tinha tantos imigrantes no Brasil em épocas passadas, ficou conhecido como o país onde tudo que não prestava era mandado para lá. Era o famoso “Vai prá China!”, que tinha o mesmo significado de “Vai para aonde o diabo te carregue”.

Afora que, tudo que é mal feito em termos de produtos manufaturados vem do Paraguai e também da China.

E por aí vai.

Mas o irônico é que as piadas com os portugueses e a mania de se mandar tudo que não presta para a China diminuíram na medida que estes países ganharam mais prestígio no cenário mundial.

Será que estas manifestações de preconceito e racismo é algo inerente ao DNA de todos os seres humanos que vivem na Terra?

Não sei, mas como existem quase 2.000 pessoas que assinam este tipo de manifesto público, infelizmente, em nossa querida Natal, igualmente existe preconceito e racismo.

No caso potiguar, os preconceitos e os racismos são múltiplos. Focados muitas vezes em quem tem mais que outros, na cor da pele, onde mora, qual seu sobrenome, a sua família, de onde se vem e outros mais.

Por aqui eu percebo que uma das coisas que mais incomoda muita gente é a miscigenação dos estrangeiros na “Capital Espacial do Brasil”.

Devido ao fato dos estrangeiros se casarem com potiguares morenas, de origem humilde, oriundas do interior, ou da Zona Norte de Natal, se diz que eles “só gostam de negas”.

Se você que está lendo este artigo e, por acaso, acha que não existe preconceito e racismo em Natal, é porque você é igual aos que participam do “Movimento São Paulo para paulistas” e devia assinar o manifesto.

Siga estas ideias

P.S.- Segundo site http://preconceitoouracismo.zip.net/, a diferença entre preconceito e racismo é a seguinte;

Preconceito: Atitude discriminatória que baseia conhecimentos surgidos em determinado momento como se revelassem verdades sobre pessoas ou lugares determinados. Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém ao que lhe é diferente.

Racismo: É a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros.

Mas para mim é tudo terrível e sofremos da mesma maneira.

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MEMORIES OF WORLD WAR II IN NATAL, BRAZIL

A DIFFERENT DAY IN PONTA NEGRA BEACH

Although little known outside Brazil, this country was during the Second World War the main U.S. ally in Latin America.
At that time many Brazilian ships were sunk in the conflict, causing the declaration of war against Germany and Italy on August 22, 1942.
But even before this date, naval forces U.S. maintained a network of air bases in the major coastal cities of Brazil. For the U.S. bases in the cities of Belém and Natal were of vital importance to the call of the South Atlantic route, they passed thousands of aircraft to the south of Europe, Africa, Middle East, India, China, Burma and elsewhere.

American soldiers at Ponta Negra beach during World War II

From December 1941 until the end of the conflict, the city of Natal, located in the Brazilian Northeast, received a large number of American soldiers who operated the wide Parnamirim Air Base, besides their patrol squads and hunting and destruction Nazi and Fascist submarines.
The U.S. military authorities worked together with the authorities and the Brazilian military that even with serious deficiencies in equipment and training, did their best to protect their territory.

Defending the Coast of Northeastern Brazil

Four months before the day of the official declaration of war against Germany and Italy, the Brazilian military employed a system of patrols along their shores. The then Brazilian minister of war, General Zenóbio da Costa created what is called “Plan for the Defense of the Northern Army.”
Among the orders for the thousands of Brazilian soldiers assigned to this mission, is the exercise of strong vigilance on the coast. This task was assigned to the 7th Military Region, then a control region (now extinct) of the Brazilian Army, with headquarters in the city of Recife. The Brazilian Air Force and the Navy of Brazil also participated in these efforts, but in other ways.

Brazilian soldiers in the beach

Army units were moved to the northeastern beaches. Men from various parts of the country occupied the coast, in a form of defense somewhat questionable in the sense of war. Actually they were more observant of things happening on our beaches, which itself was a fighting force able to deter a possible invasion.

Brazilian soldier watching the coastline in a poor lookout

But they were important in its function and this activity had its value.
I believe that the Brazilian military brass pointed to other goals. How to prevent the landing of spies by submarine and the very question of the psychological context of transmitting to the population of these coastal regions that our forces were present on our shores, taking part of our defense.
Despite this importance, we know that given the revealing of the history of Brazilian participation in World War II, by quite a few studies that linked the memories of the Brazilians who were at the European front.
If the state of history connected people who crossed the ocean to fight in Italy is limited, the more difficult are the testimonies of those who were patrolling our beaches, awaiting the arrival of an enemy that could land at any time.
The lives of these soldiers of the Brazilian army was not easy.

Brazilian soldiers

Besides having to endure the jokes of people who said they were on the beach “sunbathing” there was the scarcity of accommodation, food, the uncertainty of the appearance of the enemy, the monotony of deserted beaches, the wear caused mainly by the mighty Northeastern sun, salt, sand, wind, rain fell from time to time and homesickness, especially for those who had come from afar.
Indeed the situation was monotonous. But not always!

The Sad Arrival of a North American in the Ponta Negra Beach

Years ago I met the Mr. Clóvis Ramalho Ribeiro Dantas, a Brazilian born in Natal, father of our great friend, the economist Vivianne Fernandes Ribeiro Dantas, she is a competent official of the Regional Labor Court of Natal.
Mr. Clóvis, was the retired bank cashier. Serious man, worker, mason, quiet and liked to tell stories of his participated in the Second World War.
He recounted his sufferings always one of the “beach soldier” as the coast guard was known. He spoke about the patrols, the lack of what to do, spending all day staring at the sea of ​​night patrols and day to day of this function.
But one day something appeared on the horizon and everything was different and busy.

Ponta Negra Beach

You said that Mr. Clóvis said that “beginning of the year 43, probably in January.” He was on patrol in the area of ​​Ponta Negra Beach, in the area near the present highway known as the “Via Costeira”, a desert location at the time, but currently is full of sumptuous hotels that receive thousands of tourists who visit the city of Natal.
According to him, his friend, a military, who was the first person to spot the small boat. For this military, which drew his attention to the sea were some sea birds flying over a point in the sea and then he noticed the small boat.
Then someone, or the strength of the tide, brought the boat to shore. Several Brazilians were watching what was in it. Your Mr. Clóvis was among these patrols.
What caught his attention, even when he was walking some distance from the ferry, was the smell of rotting flesh. Inside the lifeboat was the reason: there was a human body in a state of putrefaction. He was a man, of the North American military, with clothes of a foreign exchange official U.S. Army. The body was very dehydrated, badly burned, with multiple wounds in the skin caused by the sun and birds. The head was hanging on the edge of the raft, and what most caught the attention of Mr. Clóvis, was the lips late opening of grotesque form, showing what was due to the action of the sun.
At the time when he recounted this episode, he told me that it may be endured, but many colleagues vomit before the board. Like most of the Brazilian population is devout Catholic, to these other military men, who made the sign of the cross and remained on their knees and prayed for the souls of the dead.
It is war that, but even without going directly to Natal, he sent a message there saying.

Signs of a tragedy in the Atlantic

Another thing that caught the attention of this young Brazilian soldier was a small bag that from the U.S. A Brazilian sergeant opened to verify its contents and found, according to Mr. Clóvis, several “small plates with engraved names”. He was speaking of the famous identification nameplates, involved in several armies during the Second World War. Used primarily to identify the wearer in case of death or injury, the small plates served as a source of medical information for treatment, always bringing the blood type and other data. The Americans called this material “Dog Tag” because of its similarity with the plates placed in collars, used to identify dogs.
Soon they reached the shore where were U.S. military, both soldiers and officers. Some of the men rolled the body, which when searched, photographed it, took notes, and sought information from the Brazilian patrol through interpreters.

Demonstrating the use of rescue boat in a school of the Air Force 

Everything was done quickly, without much talk, no crying, with the military quiet and reserved. Soon the U.S. military took the corpse, the bag with small plates, the ferry, put everything into a vehicle and drove away.
Mr. Clóvis Ramalho Ribeiro Dantas never forgot this day. But until his death in 2008, her never knew who was the American on the ferry. Mr. Clóvis thought the occupant of the boat was the victim of a submarine that sank a ship in the Atlantic and Mr. Clóvis  never knew his name.
Life goes on.

News was even in Australia

I’ve never forgotten the story that Mr. Clóvis told me with, to the richness of detail and eloquence as he recounted this episode.

But at the same time, due to lack of information provided to the Brazilians at the time, about who the person was on the ferry, there were few details known about the case.

Recently I remembered the story of Mr. Clóvis and his like today we have this unique tool (both for good and for bad) that we call the internet, I had the desire to seek contacts with people around the world, seeking any information on this episode.

I left information about the case and to my luck and surprise, Mr. Henry F. Mann, Sydney, Australia, sent me a helpful message, which forwarded the pictures of two pages of old newspapers in his country. The newspapers were of January 1943 and had an interesting story about a plane crash in the middle of the Atlantic Ocean.

Reporting on the event of Ponta Negra in Australian newspaper

In a note from the Australian newspaper “The Mail”, Adelaide city, edition of February 20, 1943, on the first page, reports that a small life raft, rubber, bearing the body of Maj. Arthur Mills, member of the Army Air Corps Ferry Command, who drifted to a beach near Natal, Brazil.
According to United Press correspondent stationed in Natal, the note added that the boat had neither food nor water, and the ferry had probably followed the drift of more than 1,000 miles across the South Atlantic
Pointed to note that Major Mills struggled to survive because the small boat had fish bones and one of those traditional emblems of an eagle (which the Americans put on the caps of officers during World War II) was transformed into a makeshift fishhook.

More significant was the fact he was found with the body together with six aboard “Dog Tag”, indicating that six other airmen had died, probably on the ferry, amid a tremendous agony of thirst and hunger. The names of these six victims were not released.
It was a very similar story that was told to me by Mr. Clóvis.

Since the newspaper “The Sydney Morning Herald”, issue on 24 January 1943, on the eighth page, you find the news that follows. Two members of the Royal Australian Air Force (RAAF), the pilot W. T. B.  Smithson and Sargent H. V. Lamb, along with thirteen Americans and twelve British who were unaccounted for due to the loss of an American transport plane in the South Atlantic.

The note stated that the body of Major Arthur Mills had been taken on a life raft headed for the Brazilian coast.
The note ended, that some of the personal property of other airmen were found in the raft.

An Old Book Helps Understand This Episode 

Then I remembered that in the city of Recife, a friend of mine has a copy of the book “The eagle in the egg” and might have some information about this case.
Written in 1949 by Lt. Col. Oliver La Farge, and published by Houghton Biffin Company, Boston, this material with 319 pages detailing the history of the ATC – Air Transport Command, which was the agency that developed the network of aircraft, airports, airfields and the whole structure of American air travel in the Second World War.

Fueling aircraft on the airfield’s ATC en route from South America

At my request he did a search and found on page 194, that just before midnight on January 17, 1943, a transport aircraft model Consolidated C-87 “Liberator Express”, registration number 41-1708, took off from the African city of Accra, the former Gold Coast, now Ghana, towards the city of Natal. Its pilot was Captain Orval Eknes Mijkpen and he basically carried passengers. Given in the book that due to a good strong tailwind, Capt. Elwes planned to make the trip nonstop, just flying over the island of Ascension, a volcanic rock in the middle of the Atlantic Ocean, belonging to England and also an important air base support.
But this plane just disappeared.
At noon on Jan. 18, began the search for the aircraft along the route which, although hampered by bad weather conditions, was continually used until January 30, 1943, both by air, for seeking military signals brought on Brazilian beaches of the sea.

C-87

No wreckage was found.
On February 5, a Friday, the Brazilian soldiers patrol in Ponta Negra, among them the Mr. Clóvis Ramalho Ribeiro Dantas, spotted a lifeboat where the dehydrated body of Major Arthur Mills. This was nineteen days after the plane C-87 41-1708 had taken off at night in Accra.

Accra Airport during World War II

This appeared in “The eagle in the egg,” the men who perished on the waters of the Atlantic, left no records or documents to unravel the mystery of the disappearance of C-87.
What was interesting is that the author has confirmed the note’s Australian newspaper, that there were bones and a distinctive cap of colonel to form a fishhook.
For Lt. Col. La Farge, it was evident that the plane had landed successfully in the water and the men on board (or part of them) should have successfully managed to evacuate the stricken aircraft, but with great haste, but apparently did not bring all of their survival gear in the raft.

Investigations 

The ensuing investigation found that Captain Elwes was one of the best pilots to fly over Africa, he was not tired, had not drunk the night before the match in Accra. The records show that the behavior of the entire crew before the flight was normal. There was the usual inspection before takeoff and the engines were in great condition.

Embarking on a military C-54 ATC in Accra

The book claims that the plane was relatively new in service, without having flown in an excessive way. Furthermore there was no unusual incident, nor was any message received from the plane after it took off.
For the book’s author, Lieutenant Colonel La Farge, a likely explanation was that this accident could have been any problem with the fuel on board or the C-87 could have been knocked down by a German submarine.
These are just theories. The truth about what really happened to the C-87 “Liberator Express” will probably never be known.

A Strange Story 

Major Arthur Mills who was a former transport pilot of air mail in the United States, was born in the city of Muscatine, Iowa.
Among the occupants of the aircraft was Sgt Ross Ballard Moore Jr., of Texas. He graduated in 1940 and joined the Army Air Corps of the United States and died in this accident. It was the only crew member who was photographed and there is a strange story involving this military.

Sergeant Ross Ballard Moore Jr.

On the internet site http://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cgi?page=gr&GRid=42650429 amid a series of misrepresentations regarding this accident, a relative says that on the night of 15 January 1943, the older sister of Ballard, called Dorothy Lee, the awoke, and saw at the foot of her bed she saw her brother.

She was surprised and startled, because she knew that he was in South America. What was worse when she heard the figure clearly say “You’ll have to take care of our mother now, I will not be able”. Reportedly, she began to ask what he was talking about but he was gone.

According to the information on this site, the family only learned of the accident two days late.
I am not judging this last information, just informing.

Natal, Brazil, may 2011

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Rostand Medeiros – Was born in Natal, Rio Grande do Norte. He is a 45 years old writer, researcher and expert in producing biographical works. Also does researches in history of aviation, participation of Brazil in World War II and in regionalist aspects of Northeast Brazil. He studied History at UFRN – Federal University of Rio Grande do Norte and is member of Genealogy Institute of Rio Grande do Norte – IGRN and SBEC – Brazilian Society for the Study of Cangaço.

In 2009, he was co-author of “Os Cavaleiros dos Céus – A Saga do Voo de Ferrarin e Del Prete” (in free translation, “The Knights of the Sky: The Saga of Ferrarin and Del Prete Flight”), a book that tells a story from 1928, of the first nonstop flight between Europe and Latin America. This book was supported by the Italian Embassy in Brazil, Brazilian Air Force (FAB) and Potiguar University (UNP).

In 2010, Rostand was a consultant of SEBRAE – Brazil’s Micro and Small Business Support Service, participating of the project “Território do Apodi – nas pegadas de Lampião” (in free translation, “Apodi Territory – In the footsteps of Lampião”), which deals with historical and cultural aspects of rural areas in Northeast Brazil.

In 2011, Rostand Medeiros launched the book “João Rufino – Um Visionário de Fé” (“João Rufino – A visionary of Faith”), a biography of the founder of industrial group Santa Clara / 3 Corações, a large coffee roasting company in Latin America. The book shows how a simple man, with a lot of hard work, was able to develop, in Rio Grande do Norte state, a large industry that currently has seven units and 6,000 employees in Brazil. Also in 2011, he wrote, with other authors, a book of short stories entitled “Travessa da Alfândega” (in free translation, “Customs Cross Street”).

In 2012, Medeiros produced the following books: “Fernando Leitão de Moraes – Da Serra dos Canaviais à Cidade do Sol” (“Fernando Leitão de Moraes – From Sugarcane Mountains to Sun City”) and “Eu Não Sou Herói – A História de Emil Petr” (“I’m not a hero – The Story of Emil Petr”). This latest book is a biography of Emil Anthony Petr, a farmer who was born in Nebraska, United States. During World War II, he was an aviator in a B-24 bombing and became a prisoner of the Germans. This work shows the relationship of Emil with Brazilian people, whose with he decided to live from 1963, when he started to work for Catholic Church.

He also published articles in “Tribuna do Norte”, newspaper of the city of Natal, and in “Preá”, cultural magazine published by Rio Grande do Norte State Government. He founded SEPARN – Society for Research and Environmental, Historical and Cultural Development of Rio Grande do Norte. Currently, is working as a Parliamentary Assistant in Rio Grande do Norte Legislative Assembly and develops other books. Rostand Medeiros is married, has a nine years old daughter and lives in Natal, Rio Grande do Norte, Brazil.

Phones: 0051 84 9904-3153 (TIM) / 0051 84 9140-6202 (CLARO) / 0051 84 8724-9692 (Oi)

E-mail: rostandmedeiros@gmail.com

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PROPAGANDA DE GUERRA

Que eu me lembre, jamais os pilotos da FAB tiveram a oportunidade de realizar o sonho de voar este tipo de avião, mas durante a Segunda Guerra Mundial era normal nas revistas populares brasileiras a existência de inúmeras propagandas de materiais bélicos americanos.

Não sei se a ideia dos gringos eram vender armas para o Brasil ou mostrar seu poder.

O avião da imagem era o caça bombardeiro Vought F4U Corsair.

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A GRUTA DO CANGACEIRO JESUÍNO BRILHANTE – PATU-RN

Mapa do Rio Grande do Norte, mostrando no quadrado negro, a localização da cidade de Patu

Autor – Rostand Medeiros

No Município de Patu, Rio Grande do Norte, encontramos a cavidade natural conhecida como Casa de Pedra de Patu. Na segunda metade do século XIX este local passou a ser utilizado como abrigo pelo cangaceiro Jesuíno Brilhante e seu bando.

Maciço rochoso granítico da Serra do Lima. A cidade de Patu fica na base desta elevação

Esta cavidade natural passou a ser citada por folcloristas, historiadores e pessoas que pesquisam o cangaço e a vida deste cangaceiro, porém nunca havia sido abordada em um estudo que integrasse o lado histórico-cultural, com a sua relevância em relação ao patrimônio espeleológico nacional. Esta lacuna começou a ser preenchida em abril de 1998 pela organização não governamental de pesquisas espeleológicas SEPARN-Sociedade para Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental do Rio Grande do Norte, que iniciou uma série de levantamentos espeleológicos na gruta e seu entorno, tendo as pesquisas continuado em visitações ocorridas respectivamente em fevereiro de 2002, março e maio de 2005, junho de 2007 e setembro de 2008.

1998-Foto da primeira visita da SEPARN a gruta do cangaceiro Jesuíno Brilhante, em época de chuva. Da esquerda para a direita estão os amigos Adeilton Rigaud Lucas Santos, Joaquim das Virgens Neto e o autor deste artigo. Adeilton e Joaquim atualmente são respectivamente geólogos da Petrobrás e do CPRM

Foi possível avaliar as condições de preservação do local, alvo de visitações irregulares, e também foi possível produzir o mapeamento topográfico do interior da cavidade, auferir sua posição exata, produzir estudos sobre a geologia da área, além de lançar as bases e diretrizes para elaboração de um pretenso plano de aproveitamento turístico racional da área.

Serra do Cajueiro, na verdade uma continuidade geológica do maciço rochoso da Serra do Lima

A gruta está localizada na Serra do Cajueiro, no imóvel Fazenda Cajueiro, propriedade rural às margens da RN-078 distante 5,6 Km do centro urbano, sendo o proprietário o Sr. Jorge Pereira de Castro, que é conhecido na região como Jorge Baiano. Durante o chamado período do ciclo do algodão no Nordeste, mais de 150 famílias chegaram a viver na propriedade, sendo um importante centro produtor desta malvácea. Atualmente ainda existem as benfeitorias da época, como a casa sede, capela, os currais e outras casas diversas.

Casas principais da fazenda Cajueiro. Todas com mais de um século

Já a história do cangaceiro Jesuíno Alves de Melo Calado (1844-1879), o Jesuíno Brilhante, está associada à Casa de Pedra de Patu por influências familiares, uma vez que o descobridor da gruta foi seu tio materno, José Brilhante (1824-1873), igualmente cangaceiro e conhecido como “Cabê”. A pouca bibliografia existente sobre a vida de Jesuíno Brilhante conta que o velho cangaceiro José Brilhante, estava abrindo veredas de fuga em meio a uma grande mata e topou com a entrada da gruta.

A trilha de acesso a fonte de água e a cavidade

Se a história é verdadeira não sabemos, mas é nítido como o local é um esconderijo seguro e estratégico. Devido principalmente à sua altitude, a parte superior da cavidade proporciona uma bela visão de todo a região, dando condições de visualização contra seus potenciais perseguidores, numa evidente vantagem tática. Associado a este fator o local onde se encontra a cavidade é de difícil acesso. O fato de existir uma saída lateral, o que proporcionaria uma área de escape do local em caso de emboscada, foi criada pela remoção de blocos graníticos e é creditada a uma intervenção dos cangaceiros na gruta.

Em 2005, este foi o estado em que os membros da SEPARN encontraram a entrada da gruta. As maiorias das pichações foram feitas com carvão e corretivo branco, modelo escolar

Inúmeras informações foram colhidas através de entrevistas junto aos moradores da região, onde foi possível conhecer a associação entre seus antepassados e gruta, além do conhecimento das práticas comuns daqueles que viviam a vida no cangaço.

No interior da gruta encontramos estas duas estacas de baraúna. Segundo o pessoal da região, estas estacas estão aqui desde o tempo do cangaceiro Jesuíno Brilhante e serviam para armar uma rede. Posso garantir que desde 1998 elas estão lá, mas se foram colocadas na década de 1870, aí é outra história

Na gruta não estão caracterizados sinais evidentes de ocupação por indígenas, mas nada impede que eles tenham utilizado a gruta, vistos os mesmos terem deixados vários registros rupestres nas redondezas e o fato da cavidade ser um abrigo natural próximo à água.

5 de agosto de 2005-Participação no Seminário Jesuíno Brilhante, promovido pela SBEC-Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, em Mossoró. Da esquerda para direita Ricardo Sávio (SEPARN), Kidemyr Dantas (na época presidente da SBEC) e o autor deste artigo.

Os elementos que apontam a entrada de Jesuíno Brilhante na vida do cangaço são os comuns neste tipo de situação; injustiça social, perda da posse da terra, afronta aos valores socioculturais ligados ao meio e consequências ligadas ao fenômeno das secas. Até 1871 Jesuíno trabalhou como lavrador e vaqueiro, era casado e possuía cinco filhos. Porém seus problemas tiveram início com o roubo de alguns de seus caprinos, fato atribuído aos seus vizinhos, a família Limão.

No local do olho d’água encontramos esta árvore marcada por disparos. As pessoas da região afirmam terem sido produzidas pelos cangaceiros. Mas esta versão, sem uma análise mais apurada, não pode ser confirmada.

Não bastasse o sumiço dos animais, alguns dias após o acontecido, um irmão de Jesuíno foi agredido por um membro da família Limão na feira da então Vila de Patu. Movido pela defesa da honra, Jesuíno matou o agressor de seu irmão e com poucas alternativas à sua disposição, tornou-se o cangaceiro mais famoso do Rio Grande do Norte.

Perseguido, seu principal refúgio era a gruta, escondendo-se com o seu bando e sua família, tendo travado combates com policiais. Nunca foi capturado no local, tendo sido morto na Paraíba em 1879, no sítio Riacho dos Porcos, do município de Brejo do Cruz (PB). Morreu em combate aos 35 anos de idade.

No alto da Gruta do Cangaceiro Jesuíno Brilhante, em 2008, ano de muita chuva. O cenário aponta em direção à sede da fazenda Cajueiro

Conforme comentamos anteriormente, são diversos os escritores e pesquisadores do fenômeno do cangaço atestam a utilização desta gruta por este cangaceiro, dentre eles Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) com o seu livro “A Flor de Romances Trágicos”. O primeiro livro publicado que faz inúmeras vezes alusão a esta caverna, é a do escritor cearense Rodolfo Teófilo (1853-1932) com o seu romance, “Os Brilhantes” de 1895. Depois vieram outros literatos, escritores e pesquisadores como Eloy de Souza (1873-1959), Gustavo Barroso (1888-1959).

Em 19 de janeiro de 1969, o escritor Raimundo Nonato (1907-1993) visitou a caverna com a intenção de coletar dados mais fidedignos para a realização do seu livro “Jesuíno Brilhante – O Cangaceiro Romântico”.

Operação de limpeza da pichação encontrada na gruta

O escritor Raimundo Nonato relata o quanto foi difícil o acesso e compreende a razão do cangaceiro haver resistido a várias incursões de forças do governo, dentre estas uma comandada pelo então oficial de polícia e futuro senador e ministro Amaro Bezerra Cavalcanti.

Pichação na entrada

Já a literatura de cordel versa muito pouco sobre o local, já que os poetas populares fixaram-se na figura do cangaceiro e sua vida de lutas, deixando muitas vezes de referir-se ao seu esconderijo.

Resultado do trabalho

Não existem registros fotográficos de Jesuíno Brilhante, contudo a sua caverna-esconderijo é um dos símbolos mais importante de suas aventuras e desventuras.

Restou a fama de cangaceiro romântico, que não desonrava as senhoras, supostamente roubava dos mais ricos e doava aos mais pobres e protegia os sertanejos dos abusos dos coronéis.

Resultado da limpeza. Participaram moradores da fazenda, professores da rede de ensino de Patu e o então secretário de turismo da cidade, Fany Carlos

Na Serra do Cajueiro, desde a base até as altitudes mais elevadas, existem abrigos criados pelo rolamento de blocos de granito. Estes blocos são formados devido ao intemperismo e falhamentos que atuam na rocha. Um destes abrigos é a caverna de Jesuíno Brilhante.

Durante da visita conjunta SEPARN, foi realizada uma topografia preliminar que definiu como área total de progressão da caverna de 60,46 metros, desnível de 6,72 metros, extensão norte a sul de 14,64 metros, extensão leste a oeste de 14,22 metros e altura média de 2 metros. As seções transversais são irregulares, pela acomodação dos blocos. Sua localização em coordenadas geográficas em UTM ficou definida em: área 24 648736E 9319399N. Da sede da propriedade para a caverna percorre-se uma distância de 1.800 metros.

Caminhos utilizados na região de Patu

Atualmente, apesar da visitação desordenada, podemos adiantar que a gruta encontra-se em razoáveis condições de preservação e com real potencial para a sua utilização dentro do contexto de turismo ecológico.

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BLOG AGRACIADO PELA ACADEMIA NORTE RIO GRANDENSE DE LETRAS COM A MEDALHA DO MÉRITO ACADÊMICO JORNALISTA AGNELO ALVES EM NOVEMBRO DE 2017

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