A TRISTE SITUAÇÃO DA CASA GRANDE DO ENGENHO GUAPORÉ – LUGAR DE MUITAS HISTÓRIAS

Uma Casa Que Marca a Paisagem e a História de Ceará-Mirim – O Médico e a Filha do Barão – A Energia do Seu Proprietário – A Razão do nome Guaporé – Nilo Pereira e o Casarão – Decadência e Recuperação – Nova Decadência – Ocupação dos Artistas – A Visita do GRUPO TOK DE HISTÓRIA a Esse Local 

Rostand Medeiros – IHGRN e GRUPO TOK DE HISTÓRIA

Quem segue em veículo pela rodovia RN-064, que liga as cidades potiguares de Touros a Ceará-Mirim, ao se aproximar dessa última e se descortina uma bela paisagem, com a cidade de Ceará-Mirim como destaque. Logo depois os ocupantes do carro começam a visualizar uma grande e interessante casa à esquerda. Já quem se encontra em alguns lugares na zona urbana de Ceará-Mirim também tem condições de visualizar essa mesma casa com seus dois pavimentos, uma porta principal, várias janelas e ausência de alpendre na parte frontal.

Casa grande do engenho Guaporé, Ceará-Mirim, Rio Grande do Norte – Foto – Ricardo Morais.

Essa casa antiga, uma referência na paisagem de Ceará-Mirim, se encontra solitariamente em uma grande área aberta e quem se aproxima do lugar percebe, pela imponência da estrutura, que seus antigos proprietários eram ricos proprietários rurais. Principalmente para os que gostam de temas históricos, sem maiores problemas aquele velho casarão desperta, tal qual um imã, o desejo de ir lá, fazer fotos e conhecer mais sobre o local. Estamos falando da casa grande do engenho Guaporé, elemento típico de moradia do patriarcado rural de Ceará-Mirim, que surgiu na segunda metade do século XIX, com a ampliação da produção açucareira.

Foto – Ricardo Morais.

Recentemente, com os amigos Jerônimo Tinoco, German Zaunseder e Ricardo Morais, que juntos fazemos parte do GRUPO TOK DE HISTÓRIA, decidimos visitar esse interessante local.

Enérgico e Atuante

A casa grande do engenho Guaporé foi edificada em data incerta, mas as fontes de época que pesquisei apontam que seu dono foi Vicente Ignácio Pereira.

Nasceu em Natal no dia 3 de maio de 1833, sendo filho de Joaquim Ignácio Pereira e Ana Maria de Jesus. Vicente foi o segundo potiguar formado em Medicina, assumiu a vaga de deputado provincial, foi 1º Vice-presidente do Rio Grande do Norte e durante o período da calamitosa e tristemente famosa estiagem que arrasou o Nordeste entre 1877 até 1879, ocupou por curto período a governadoria estadual.

Vicente Ignácio Pereira (1833 – 1888), do livro Natureza e história do Rio Grande do Norte – Primeiro tomo (1501 – 1889), de João Alves de Melo, Imprensa Oficial, Natal-RN,1950, pág. 519.

Luís da Câmara Cascudo informou que por ter uma ação bastante enérgica e enfrentar os atrasados métodos administrativos da sua época, Vicente Ignácio arranjou muitas inimizades durante seu período de governo. Eu tive a oportunidade de ler sobre isso com mais detalhes nos jornais antigos, mas vejamos o que Cascudo escreveu:

Foto – Ricardo Morais.

Enfrentou o comodismo, a afilhadagem, o desperdício, demitindo inúteis cortando despesas, dispensando comissões, fiscalizando, direta e pessoalmente, todos os serviços. A rapidez de suas decisões estarrecia à lentidão do tempo. De pronto, multiplicou os recursos alimentares, enviando socorros para as regiões assoladas, exigindo a caridade produtiva, fazendo trabalhar a massa de retirantes em vez de fornecer víveres (Ver Uma História da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte – Fundação José Augusto, Natal-RN, 1972, págs. 441 e 444).

Essa característica enérgica do dono da casa grande do engenho Guaporé, talvez possa ser explicada por experiências anteriores durante a sua formação acadêmica e sua vivência fora do Rio Grande do Norte.

Ainda em 1855, quando ele tinha 22 anos e era estudante do 2º ano da Faculdade de Medicina da Bahia, seguiu para o sul daquele estado com o intuito de combater uma grande epidemia de cólera. Vicente Ignácio esteve junto com professores, colegas e o pessoal médico da Marinha, que na época também era conhecida como Armada Imperial.

Foto – Ricardo Morais.

Mesmo sem conseguir maiores detalhes desse trabalho, sabemos que esse grupo de atendimento esteve em comunidades localizadas entre os municípios baianos de Camamu, Ilhéus e Porto Seguro (Ver Falla Recitada na Abertura da Assembleia Legislativa da Bahia pelo Presidente da Província o Doutor Álvaro Tibério Moncorvo e Lima. Em 14 de Maio de 1856, pág. 125).   

Conforme podemos ver na nota acima, publicada no jornal carioca Correio da Tarde, de 28/12/1859, pág. 3, naquele mês Vicente Ignácio se formou em Medicina e logo no ano seguinte entrou para o então Corpo de Saúde do Exército Brasileiro, onde recebeu a patente de 2º tenente cirurgião.

Membros do antigo Corpo de Saúde do Exército.

No seu tempo como militar mereceu destaque a sua participação em uma comissão formada por militares da Marinha e do Exército do Brasil, com o objetivo de demarcar a fronteira com o Peru e que deveria contar com a participação de autoridades daquele país vizinho. Para a época, com suas condições limitadas em relação a transportes, higiene, saúde, conhecimento das áreas de levantamento, dos contatos com os indígenas e outros problemas, fazia com que a realização desse tipo de missão fosse classificada como de extremo risco. Vale frisar que nesse tempo o Estado do Acre não fazia parte do território brasileiro.

Conforme podemos ver na próxima nota, em 5 de outubro de 1861 foi publicado no jornal carioca Correio Mercantil, e Instructivo, Político e Universal (pág. 2) que a canhoneira Iguatemi partiu no dia 18 de setembro de Recife e navegou até Belém, capital do Pará, sob o comando do capitão tenente José Costa e Azevedo, o chefe da comissão. Após a chegada no Pará os militares deveriam seguir até a fronteira peruana.

Talvez para alguém que mora no Rio Grande do Norte e desconheça a região amazônica, pode parecer estranho que uma comissão de militares brasileiros para chegar na área da fronteira com o Peru, tenha que passar por Belém e seguir, ou “descer”, até a fronteira. Mas os Rios Amazonas e Madeira são totalmente navegáveis nesse trecho por centenas de quilômetros, alcançando o Rio Guaporé. Até hoje existe uma linha de navegação entre Belém e Porto Velho, capital de Rondônia, que leva de seis a oito dias de viagem (ver – https://www.rome2rio.com/pt/map/Rond%C3%B4nia/Bel%C3%A9m#r/Ferry )

Diário do Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1861, pág. 1.

O interessante da participação de Vicente Ignácio foi que, segundo as datas dos jornais, ele foi convocado para participar dessa comissão após a mesma ter chegado em Belém. Como ele estava no Rio de Janeiro, onde o porto era muito movimentado, é provável que tenha embarcado em algum veleiro ou vapor que seguiu para o norte e tenha chegado a Belém. Mas se assim fez, foi em vão, pois o certo é que no final de dezembro a comissão de limites com o Peru ficou paralisada por problemas com os peruanos. Finalmente, no dia 20 fevereiro de 1862, foi publicado no jornal carioca Correio Mercantil, e Instructivo, Político e Universal (pág. 2) que deveriam ficar na região apenas o comandante da comissão e um oficial de sua escolha. Aí não me restam dúvidas que o escolhido não foi Vicente Ignácio, pois ele foi transferido para o Rio Grande do Norte em maio de 1862.

Detalhe – A comissão de limites com o Peru só concluiu seus trabalhos em 1866, em meio a Guerra do Paraguai, que começaria em dezembro de 1864 e se prolongaria até março de 1870.

Correio da Tarde, Rio de Janeiro, 17 de maio de 1862, 1ª pág.

O Barão

Em 14 de fevereiro de 1863 Vicente Ignácio casou com Isabel Duarte Xavier Varela, filha de Manoel Varela do Nascimento, um rico proprietário rural da região de Boca da Mata, futura Ceará-Mirim, e senhor da casa grande do engenho São Francisco. Segundo Olavo Medeiros Filho, foi Isabel Duarte que trouxe para essa união metade das terras de um sítio denominado Ilha Bela, avaliado em vinte contos de réis (ver Os Barões de Ceará-Mirim e Mipibu, Fundação Guimarães Duque, Coleção O Mossoroense, Série C, Vol. 1410, Mossoró-RN, 2005, pág. 30).

Mas o presente do pai de Isabel foi logo trocado por uma propriedade denominada Bonito, que na sequência foi rebatizada como Guaporé, onde foi construída a casa grande que visitamos. Acredito que a denominação surgiu das marcantes lembranças fixadas na mente do seu novo dono, quando este percorreu a região amazônica, mesmo sem saber se o mesmo navegou por este grande rio, situação que considero improvável.

Manoel Varela do Nascimento, o Barão de Ceará-Mirim. O quadro do Barão e da Baronesa de Ceará-Mirim foram pintados em 1866 pelo pintor alemão Johann Brindsell, ou João Brindseil, como ele ficou conhecido durante o tempo em que esteve entre o Ceará e o Rio Grande do Norte.

No ano seguinte após seu casamento, Vicente Ignácio assumiu uma vaga de deputado provincial filiado ao Partido Liberal e deixou as fileiras do Exército. Acredito que essa situação evitou a sua ida para a Guerra do Paraguai.

Bernarda Varela Dantas, a Baronesa de Ceará-Mirim.

Onze anos depois do casamento com Isabel Duarte, o seu sogro Manoel Varela do Nascimento se tornou o primeiro potiguar a ser agraciado com um título nobiliárquico, com o título de Barão de Ceará-Mirim.

Talvez pela história do Barão ser extremamente marcante nessa região, sua figura é muito associada a casa grande do engenho Guaporé e pouco se comenta sobre Vicente Ignácio Pereira. Percebo que isso é algo tão forte, que em uma ocasião escutei de uma pessoa que desconhece a história à afirmação que esse homem poderia ser enquadrado como “um cidadão que casou com a filha do Barão e se deu bem na vida”. Mas essa afirmação está bem distante da verdade, além de ser algo leviano.

Foto – Ricardo Morais.

Sobre a casa grande do Guaporé, segundo todas as fontes que li, até agora não se sabe a data concreta da sua fundação, nem mesmo se foi edificada após o casamento de Vicente e Isabel e a troca de propriedades, ou poderia existir antes. Entretanto, a primeira notícia que consegui sobre o engenho Guaporé foi publicada inicialmente no Jornal de Recife e republicada no Rio de Janeiro, na segunda página de O Globo – Órgão dos Interesses do Commercio, da Lavoura e da Industria, de 31 de dezembro de 1876. Conforme podemos ler abaixo, essa nota comenta sobre a boa qualidade das terras em Ceará-Mirim e da produção do engenho Guaporé.

Entretanto, segundo Gilberto Osório de Andrade, no texto O ciclo da cana-de-açúcar no Rio Grande do Norte (Revista GeoInterações, Assú, v.4, n.1, p.62-66, jan/jun. 2020. ISSN 2526-3889) a progressão do ciclo de desenvolvimento da cana-de-açúcar no Rio Grande do Norte no final dom século XIX não foi constante. Segundo o autor o “efeito da concorrência do algodão e dos derradeiros esforços de reanimação da pecuária”, contribuíram para isso. Andrade aponta que entre 1894 e 1910, o município de Ceará Mirim figurou em quinto lugar no quadro geral da receita dos municípios potiguares, mesmo assim o chamado Vale do Ceará-Mirim fabricava 60% do açúcar de todo o Rio Grande do Norte.

Festas e Mortes

Essa casa grande, que tanto chama atenção e se destaca na paisagem de Ceará-Mirim a mais de um século e meio, também ficou famosa por suas festas e a qualidade da sua decoração.

O escritor e jornalista ceará-mirinense Nilo de Oliveira Pereira, neto de Vicente Ignácio, nasceu em 11 de dezembro de 1909 no engenho Verde Nasce, mas informou que passou parte de sua infância no velho casarão do engenho Guaporé. Tanto assim que no jornal natalense A República, edição de 8 de novembro de 1939 (págs. 3 e 4), Nilo publicou um interessante texto intitulado “Guaporé”, que depois foi transcrito para seu livro Imagens do Ceará-Mirim (Natal: Imprensa Universitária, 1969). Nesse trabalho o autor traz informações sobre uma recepção que ocorreu naquela casa ao então Bispo de Olinda Dom José Pereira da Silva Barros, ocorrida em agosto de 1882. Esse evento foi detalhado por Luiz Carlos Lins Wanderley em um livreto lançado em 1887.

Décadas depois Nilo Pereira escreveu no jornal natalense O Poti (ed. 31/03/1974, pág. 11) as seguintes lembranças sobre a velha casa do Guaporé – Ainda encontrei a casa com seus vestígios de mansão patriarcal, no melhor sentido da aristocracia canavieira, em que o seu passado esplende como uma página magnífica da própria história da Província. Meu avô paterno, Vicente Inácio Pereira, fez do Guaporé um exemplar do estilo afrancesado que tanto encantou.

Mas também nesse lugar de festas e luxo, vidas findaram sua existência no plano terreno.

O proprietário Vicente Inácio e Isabel tiveram cinco filhos, três garotos (Vicente, Fausto e Olímpio) e duas meninas (Isabel e Maria Cristina). Infelizmente no dia 5 de novembro de 1878, as 5 da manhã, o casal pranteou na casa grande do engenho Guaporé a morte de Maria Cristina, de 13 anos de idade (Correio de Natal, 16/11/1878, pág. 1). Vicente Inácio também ali faleceu aos 55 anos, no dia 22 de novembro de 1888. Já em 5 de junho de 1931, aos 82 anos, Isabel Duarte partiu. Segundo André Felipe Pignataro, Presidente da Academia Ceará-mirinense de Letras e Artes – ACLA, essas duas mortes causaram uma enorme comoção em toda Ceará-Mirim.

Decadência e Recuperação

Já antes do falecimento de Isabel Duarte, o engenho Guaporé estava em decadência no sentido de produção açucareira e sua casa grande seguia no mesmo rumo. Nilo Pereira, em seu texto de A República de 1939, comentou sobre o estado de abandono em que a casa grande se encontrava naquela época.

Foto antiga da casa grande do engenho São Francisco.

Quando Nilo Pereira revisitou a casa grande do Guaporé, é provável que aquelas terras já fizessem parte do inventário da Usina São Francisco, que passou a atuar com mais força na década de 1940, sua direção comprou velhos engenhos na região e cuja sede funcionava na antiga casa do Barão de Ceará-Mirim. A Usina São Francisco era um dos maiores complexos industriais existentes no Rio Grande do Norte daquele tempo e uma evolução na produção açucareira no Vale do Ceará-Mirim.

Foto – Ricardo Morais.

Aparentemente durante esse período a casa grande do Guaporé ficou subutilizada, ou simplesmente abandonada. Mas na década de 1970, segundo uma notícia publicada no Diário de Natal (ed. 09/01/1975, pág. 5), a direção da Usina São Francisco doou a velha residência ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte. O ato foi realizado por Geraldo José de Melo, então diretor geral da Usina São Francisco e, segundo a nota, tinha “o objetivo de ser recuperada e transformada num ponto de atração turística na região”. 

Três anos depois foi informado que a Fundação José Augusto teria um aporte de 18 milhões de cruzeiros para investir na preservação do patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Norte e desse dinheiro 3 milhões e 200 mil seriam destinados a restauração da casa grande do Guaporé (Diário de Natal, ed. 27/04/1978, pág. 8).

Foto – Ricardo Morais.

A obra foi inaugurada em março de 1979 pelo então governador Tarcísio de Vasconcelos Maia, poucos antes de entregar o executivo potiguar ao seu primo Lavoisier Maia Sobrinho. Nilo Pereira comentou que José Ferrão Castelo Branco, então técnico do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, foi a pessoa que mais batalhou por essa reforma.

Quatro anos depois aconteceu no Guaporé uma interessante solenidade. Em agosto de 1983, quando o município de Ceará-Mirim completou 125 anos de emancipação política, foi realizada uma festa na velha casa grande do engenho Guaporé. Sabemos que o então prefeito Roberto Varela esteve presente, bem como Nilo Pereira, que relembrou a história da casa, de sua família e o pianista Orione de Almeida tocou sua partitura intitulada “Velho Solar” (Diário de Natal, ed. 09/08/1983, pág. 2)

Foto de 1984 do interior da casa do Guaporé. Foto de Sebastião Lucena, inserido no livro “Viagem-memória de Nilo Pereira: do Ceará Mirim ao Recife e do Recife ao Ceará-Mirim”, de Helicarla Nyely Batista de Morais, EDURF, 2011.

Sabemos que ainda na década de 1980 foi criado no velho casarão um museu, que inicialmente recebeu a denominação de “Museu do Açúcar”, sendo inaugurado com a presença de Nilo Pereira. Em 16 de dezembro de 1988, o casarão do Guaporé foi tombado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte, através de um pedido do Conselho Estadual de Cultura. Na sequência, não sei se antes ou após o falecimento de Nilo Pereira, ocorrido em 23 de janeiro de 1992, o museu foi denominado com o nome desse jornalista e escritor. O autor dessas linhas visitou esse local na juventude e realmente era bastante interessante e funcionou até o ano de 2001.

Nova Decadência

Com o tempo, mesmo oficialmente tombado, a casa grande do Guaporé foi abandonada. O mato começou a crescer ao seu redor, portas e janelas foram roubadas e o casarão começou a se deteriorar pelo abandono e descaso do poder público.

O professor Jeronymo Tinoco, tradutor e intérprete do GRUPO TOK DE HISTÓRIA, no salão principal da casa grande do Guaporé – Foto – Ricardo Morais.

No carnaval de 2017 o artista plástico natalense Fabio di Ojuara, junto com outros artistas locais, que se autodenominaram “Guerreiros do Guaporé”, realizaram uma ocupação artística no antigo casarão para chamar atenção para seu estado de abandono. O nosso grupo realizou uma limpeza do local e desenvolveu nas suas paredes interessantes pinturas artísticas (ver – http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/artistas-ocupam-casara-o-guapora/376244). Apesar da bela iniciativa e atuação de Fabio di Ojuara e de outros artistas, aparentemente as autoridades não se sensibilizaram e nada de concreto aconteceu para mudar a situação do casarão do Guaporé.

German Zaunseder e Jeronymo Tinoco, do GRUPO TOK HISTÓRIA – Foto – Ricardo Morais.

Quando os membros do GRUPO TOK DE HISTÓRIA chegaram a esse antigo local, tão importante para a identidade de Ceará-Mirim, foi um grande impacto o estado em que o casarão atualmente se encontra. Ele está aberto, extremamente sujo, muito mato ao redor, com janelas e portas faltando e até as telhas estão sendo retiradas. Adentramos apenas no salão inicial, percebemos o estado deplorável no seu interior e ficamos fotografando a área.

Percebemos em nossa visita que se algo REALMENTE não for feito, cada vez a recuperação daquele interessante local se tornara muito mais difícil.

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Agradecimento – A André Felipe Pignataro, Presidente da Academia Ceará-mirinense de Letras e Artes – ACLA, pelos apontamentos históricos em relação ao Barão de Ceará-Mirim. Ao Professor Jeronymo Tinoco pela revisão do texto. Meu muito obrigado!

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O GRUPO TOK DE HISTÓRIA é formado por pessoas interessadas em conhecer, pesquisar e democratizar as informações históricas, de forma independente e séria. Para isso, o GRUPO TOK DE HISTÓRIA surge como um projeto sob a personalidade jurídica da SEPARN, que, além das linhas próprias de pesquisa, para aprofundar e democratizar a nossa história, oferece consultorias em levantamentos históricos e genealógicos, incluindo biografias.  Para nos conhecer melhor, siga-nos no instagram tokdedistoria e no blog https://tokdehistoria.com.br/



FOTOS DE RICARDO MORAIS, APRESENTANDO OUTROS LOCAIS LIGADOS A HISTÓRIA DA PRODUÇÃO CANAVIEIRA EM CEARÁ-MIRIM.

A PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DO FOGO E O GRUPO TOK DE HISTÓRIA DEBATEM TEMAS DO PASSADO DESSA BELA COMUNIDADE DO LITORAL POTIGUAR

Fonte – Prefeitura Municipal de Rio do Fogo.

Rostand Medeiros – IHGRN

O GRUPO TOK DE HISTÓRIA, um grupo que valoriza a democratização da informação histórica, esteve recentemente no município de Rio do Fogo, onde manteve um positivo encontro com membros da municipalidade sobre aspectos da história dessa cidade no período da Segunda Guerra Mundial.

O foco dos debates girou em torno dos acontecimentos ocorridos no dia 18 de abril de 1941, uma sexta-feira, quando pescadores locais se encontravam na área dos belos recifes de corais ali existentes e conhecidos como parrachos de Rio do Fogo, quando viram um barco com náufragos.

Praia de Rio do Fogo – Foto – German Zaunseder.

Eram os sobreviventes do navio de carga inglês Ena de Larrinaga, que havia sido torpedeado dias antes na região do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, pela tripulação do submarino alemão U-105, comandado pelo Kapitänleutnant Georg Schewe.

Naquele dia vários pescadores rio-foguenses estavam em três jangadas na área externa dos parrachos e não tiveram dúvidas em ajudar os 19 náufragos estrangeiros. Além de dividirem sua água e comida, as três jangadas rebocaram o barco salva vidas até a beira mar. A comunidade de Rio de Fogo então ajudou esses homens com o que foi possível e demonstrou aquilo que as pessoas desse lugar têm de melhor: um forte espírito de solidariedade.

S.S. Ena de Larrinaga – Fonte – https://www.wrecksite.eu/wreck.aspx?15355

O texto completo dessa história é um dos capítulos do meu livro “Sobrevoo – Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”, lançado em 2018, mas que está disponível no nosso BLOG TOK DE HISTÓRIA neste link –https://tokdehistoria.com.br/2020/06/25/rio-do-fogo-1941-chegam-as-primeiras-vitimas/

A reunião foi muito positiva e o GRUPO TOK DE HISTÓRIA se colocou a disposição de ajudar no processo de democratização da informação histórica. Inclusive a Prefeitura Municipal de Rio do Fogo comentou em sua conta oficial do Instagram sobre o encontro, conforme é possível ver abaixo.

RESGATANDO NOSSA HISTÓRIA

Na última terça-feira, 15, os secretários de Turismo, Júnior Ferreira, e de Educação, Joária Vieira, receberam os historiadores que fazem parte do Grupo Tok de História.

Rostand Medeiros, Jerônimo Tinoco e German Zaunseder, vieram até nosso município falar e mostrar um pouco da pesquisa que os mesmos fizeram em resgate a história de nossa querida praia, incluindo detalhes sobre os náufragos sobreviventes da II Guerra Mundial que chegaram até nossa então vila de pescadores naquela época, em 1941.

A reunião que também contou com a participação da equipe de Comunicação da Prefeitura, teve como objetivo iniciar um planejamento para que futuras ações sejam realizadas com intuito de resgatar a história do município.

Para o prefeito Márcio de Cici, é de grande importância esse resgate, seja inserindo esse tipo de conteúdo no ambiente escolar, e também promovendo ações que enalteçam a história de luta do povo rio-foguense perante a comunidade local e aos turistas.

O GRUPO TOK DE HISTÓRIA gentilmente agradece a acolhida, bem como ao prefeito Márcio de Cici, aos secretários de Turismo, Júnior Ferreira, e de Educação, Joária Vieira, a equipe de Comunicação da Prefeitura e ao amigo Thiago Lopes pelos contatos realizados.