CASAL DE EX-CANGACEIROS DE LAMPIÃO CONTA COMO ERA A VIDA NO CANGAÇO

AUTOR – Nonato Freitas – Jornalista, bacharel em Letras pela Universidade de Fortaleza (UniFor), poeta, pesquisador e servidor aposentado pelo Senado Federal

FONTE – Revista SENATUS – Maio 2008, Senado Federal, Brasília – DF

Depois de 66 anos no mais absoluto anonimato, sem contar nada a ninguém sobre a vida deles no cangaço, Moreno e Durvalina, a Durvinha, único casal de cangaceiros do bando de Lampião (Virgulino Ferreira da Silva) e Maria Bonita ainda vivo, resolveram relatar os longos e dramáticos momentos que juntos passaram na caatinga sob a perseguição implacável da polícia. No dia da morte do Rei do Cangaço, na Gruta de Angico, na beira do rio São Francisco, em Sergipe, pela volante (força policial) do tenente João Bezerra, Moreno e Durvalina estavam em Mata Grande, distante 70 quilômetros do local. Homem de confiança de Virgulino, ele cumpria uma missão no comando de um subgrupo de cangaceiros.

Moreno lembra que, além de Lampião e Maria Bonita, mais nove cangaceiros foram mortos e degolados naquele dia (28 de julho de 1938). Ao todo, entre homens e mulheres, eram cerca de 47 pessoas. Os que escaparam do cerco se entregaram em seguida à polícia. Corisco, o Diabo Louro, sanguinário e igualmente homem de total confiança de Lampião, no momento do massacre encontrava-se do outro lado do rio, a três quilômetros de Angico.

Tinha sob seu comando um subgrupo. Moreno recorda que Corisco chegou a ouvir os tiros, mas nada pôde fazer em defesa dos companheiros por estar à margem oposta do rio, sem condição de atravessá-lo.

Hoje, aos 98 anos, Moreno vive com Durvalina, de 93, em Belo Horizonte. Ambos estão aí vivinhos, lúcidos e cheios de histórias para contar. Histórias repletas de dramas vividos num tempo em que, no Nordeste, a lei era ditada pela boca do mosquetão e pelas afiadas lâminas de punhais que chegavam a medir 87 centímetros.

Com a morte de Lampião, o medo se espalhou como um fantasma entre os cangaceiros que não haviam sido capturados.

Eles temiam ser degolados a qualquer momento. Assim mesmo continuavam a desafiar as incansáveis volantes que eram comandadas por homens experientes e destemidos.
Dois anos após a morte de Lampião, o tenente Zé Rufino, da polícia alagoana, temível caçador de cangaceiros, decepou a cabeça de Corisco, que preferiu morrer lutando a se entregar às forças do governo. Naquele tempo, a ordem era uma só: ou o cangaceiro se entregava, ou então era morto e degolado em seguida. Diante dessa crua realidade, Moreno tomou uma decisão. Homem corajoso que sempre foi, chamou a companheira de um lado e confessou que não se entregaria aos macacos, termo usado por Lampião e seus cabras para desqualificar os soldados das volantes.

SOZINHOS NA CAATINGA

Depois daquela manhã em que Lampião tombou morto ao lado de sua amada Maria e de mais nove companheiros, o cangaço, na verdade, ficaria riscado, definitivamente, do mapa do Nordeste.

Corisco ainda resistiu durante dois anos ao lado de Dadá, sua brava e fiel companheira. Mas sem Lampião, sem Maria Bonita, e tantos outros, como Corisco, Luiz Pedro, Virgínio, Zé Baiano, Juriti, Ezequiel (Ponto Fino, irmão de Lampião), Sabonete, Menino de Ouro e Jararaca, todos eles homens rudes e de extrema valentia, sem essas legendas do cangaço, que ficaram para trás, mortos em combate com as volantes, o mundo do crime nada mais representava para Moreno e sua Durvalina.

O que fazer então com a vida? Abrir mão da liberdade e se entregar à polícia? Ou seria melhor pôr o pé na estrada e fugir?

Fugir para onde, se apenas conheciam as veredas áridas e abrasadoras das caatingas? E se na próxima curva dos caminhos desérticos fossem surpreendidos por uma volante? Ah, isso tudo ia moendo, pouco a pouco, o juízo de Moreno.

Era o ano de 1940. Lá fora Hitler mostrava suas garras para o mundo. A Segunda Grande Guerra, com as famigeradas câmaras de gás, começava a ceifar milhares de vidas inocentes. No cinema, a grande sensação era E o vento levou, rodado um ano atrás em Hollywood. No Brasil, para variar, surgia um movimento simpático ao III Reich, ou seja, algumas figuras importantes da nossa política trabalhavam, às escondidas, em prol das idéias nazistas lideradas por Hitler. Felizmente o raciocínio não vingou e, dois anos depois,no dia 23 de agosto de 1942, Getúlio Vargas decide declarar guerra ao eixo formado por Alemanha, Itália e Japão. Mas para Moreno, perdido naquele mundinho de nada, sem tomar conhecimento de qualquer fato exterior, nada disso tinha a menor importância.

Em pleno sertão nordestino, acuado agora pela solidão de haver perdido tantos amigos, Moreno optou então pela fuga. Mas, como um homem rude, sem nenhuma instrução escolar, que mal conhecia os limites da região onde nasceu e da qual nunca se
ausentou, conseguiu romper a vigilância dos homens da lei e fugir, ao lado de sua amada, para um lugar tão distante como Minas Gerais? Pois Moreno e Durvalina, caro leitor, conseguiram romper esse cerco.

Antes de contar esta fascinante história de fuga, vamos conhecer um pouco a trajetória desses dois intrépidos cangaceiros.

Natural de Tacaratu, Pernambuco, Moreno, cujo nome completo é Antonio Ignácio da Silva, nasceu no dia lº de novembro de 1909. São seus pais: Manuel Ignácio da Silva e Maria Joaquina de Jesus. Ele entrou para o cangaço ali pelo ano de 1930, quando era apenas um jovem de 21 anos. Antes de abraçar a vida do cangaço, Moreno era um acato trabalhador que ganhava seu honesto dinheirinho prestando serviços nas fazendas da região. Numa destas fazendas, de propriedade de um senhor chamado André, Moreno, ou melhor, Antonio (como era chamado antes de ingressar no cangaço), praticou o primeiro homicídio, das 21 mortes que cometeu durante sua longa vida de cangaceiro. O fato é narrado em todos os seus detalhes por João de Sousa Lima, diretor de publicação e arquivo público do Instituto Histórico e Geográfico de Paulo Afonso, na Bahia, no livro intitulado Moreno e Durvinha – Sangue, amor e fuga no cangaço, lançado em 2006.

Uma sobrinha do dono da fazenda enamora-se de Antonio. Para azedar a amizade entre ambos, uma agregada da propriedade, conhecida por Antoninha, conta para Antonio que a moça não é mais virgem. Acrescenta que ela havia “se perdido” em troca de uma novilha de gado. Esta mesma conversa é levada ao conhecimento de André pela própria Antoninha, mas de forma envenenada. Diz que o boato fora espalhado por Antonio, que é abordado pelo patrão. Injuriado, ele nega tudo, argumentando que soube do fato pela boca de Antoninha. Ao entardecer, André reúne no pátio da fazenda, além de sua sobrinha, todas as pessoas que convivem ali com ele. Lá estão também Antonio, um irmão de André, de nome Ananias, Antoninha e seu marido. Ao notar a aproximação de Antonio, Antoninha se antecipa, dizendo:

– Oh, seu Zé, que história é essa que o senhor foi contar
para o André?

– Aquela que você me contou.

– Mentira sua, disse ela nervosa.

Antonio respondeu que não era homem de mentira e aplicou um violento murro na orelha de Antoninha, que caiu zonza no chão. Diante da cena, o marido dela partiu furioso sobre Antonio, que sacou de uma faca peixeira e, ato contínuo, cravou a arma no peito do homem, que caiu se esvaindo em sangue sobre a mulher e, em seguida, morreu.

Antes de fugir, Antonio, a faca assassina em punho, ainda mirou as pessoas ali presentes com o olhar transtornado de quem estava pronto para o que desse e viesse. “Quem se considerar meu amigo não se aproxime!”. Como ninguém fez um único gesto para detê-lo, pegou o caminho do mato e sumiu no meio do mundo. Esta foi a porta aberta para Antonio entrar no desafiante e incrível mundo do cangaço. Depois de trabalhar numa usina de açúcar e em algumas fazendas da região, Antonio se depara, numa dessas propriedades, com um bando de cangaceiros. Eram eles: Virgínio, Luiz Pedro, Maçarico, Fortaleza e Salviano, vulgo Medalha.

Deixaram com ele um recado para o Sr. Antonim, dono da fazenda, avisando que em determinado prazo voltariam para pegar uma encomenda. Eram duzentos mil réis. Quando voltaram, trouxeram com eles um coiteiro, devidamente amarrado, que os havia denunciado à polícia. Traição no cangaço era sinônimo de morte. Os cangaceiros se arrancharam na fazenda durante uns três dias e fizeram amizade com Antonio, que se mostrou interessado em segui-los. Antes de partirem, submeteram-no a um teste de fogo. Entregaram-lhe uma “Mauser” (carabina automática, de fabricação alemã) e pediram que fizesse o serviço.

Frio como uma pedra de gelo, Antonio segurou a arma com firmeza e mirou calmamente o peito do miserável. Em seguida, acionou o gatilho. O pobre homem caiu morto no meio do acampamento. Naquele instante, Luiz Pedro, famoso pela valentia e por ser um dos homens de confiança de Lampião, deu dois passos em direção a Antonio e afirmou, convicto: “Você vai com a gente. E de agora em diante seu novo nome será Moreno”. Estava, assim, selado o batismo do ingresso de Antonio Ignácio da Silva no cangaço. Por ser um homem extremamente arisco e muito valente e, acima de tudo, pelo faro que tinha das coisas, cedo se destacou entre os companheiros como uma pessoa altamente preparada para o cangaço. Mais tarde vamos vê-lo substituindo Virgínio, cangaceiro morto em combate, no comando de um subgrupo de Lampião.

Durvalina Gomes de Sá nasceu em Paulo Afonso, BA, no dia 25 de dezembro de 1915. Seu umbigo está enterrado na Fazenda Arrasta-pé, de propriedade de seus pais, Pedro Gomes de Sá e Santina Gomes de Sá. A fazenda, um oasisinho aconchegante, ficava a dois passos do Raso da Catarina, região inóspita, talvez a mais inóspita do País. Era lá, no Raso, onde Lampião e seus cabras se refugiavam quando a perseguição das volantes se tornava mais intensa. Amigo da família de Durvalina, Lampião escolheu a fazenda Arrasta-pé como um dos seus coutos preferidos. O local, palco de comemorações familiares, com direito às devidas festinhas, vivia sempre rodeado de cangaceiros.

Numa dessas visitas, o cangaceiro Virgínio, vulgo Moderno, viúvo de Angélica Ferreira da Silva, irmã mais velha de Lampião, se enfeitiçou por Durvalina, que tinha apenas 15 anos. Ela era muito bonita e vivia triturando o coração dos rapazes que frequentavam a fazenda de seus pais. Virgínio, 27 anos, natural do Rio Grande do Norte (nasceu em 1903), com fama de galanteador, não perdeu tempo. Pegou Durvalina e, para desespero dos pais dela, fugiu com a moça para o cangaço.

Amigo próximo e ex-cunhado de Lampião, Virgínio era chefe de um sub-bando. Perverso, costumava castrar suas vítimas.

Há registro de diversos casos em que ele mesmo castrava ou mandava alguém do bando executar o serviço.

Durvalina nutria por ele um grande amor. Tiveram dois filhos, Lourdes e Pedro, que, criados longe dos pais, vieram a falecer nos primeiros anos de vida. Durvalina ficou ao lado de Virgínio até o dia em que, atingido no joelho por uma bala desferida em combate por um soldado, ele morreu depois de perder muito sangue.

Profundamente abatida, Durvinha é amparada por Moreno, que faz parte do grupo, sendo a segunda pessoa de Virgínio. Ele pergunta se ela quer voltar para a casa dos pais ou se quer ficar com ele. Ela aceita ficar com Moreno. Então, a partir daquele momento, Durvalina e Moreno iniciam um romance que se perpetua até os dias de hoje. São 72 anos de união.
Agora, Moreno é o novo chefe do bando. Amigo inseparável de Virgínio, ele chora copiosamente no momento em que vai enterrar o velho companheiro de incontáveis lutas. Em seu livro, João de Sousa Lima conta que, no dia seguinte à morte de Virgínio, ocorrida em outubro de 1936, nas proximidades da fazenda Rejeitado, sul de Sertânia, Pernambuco, os soldados desenterraram o corpo dele e arrancaram os dentes de ouro que estavam incrustados na boca do morto. E ainda, num ato de extrema selvageria, cortaram a orelha do cangaceiro e a levaram salgada para ser exibida no povoado Morro Redondo.

Com a morte de Virgínio, Moreno assume a chefia do grupo, que começa a se esvaziar. Mas a debandada é passageira. Logo o bando se fortalece de novo e Moreno segue sua vida no cangaço ao lado de Durvalina. Vez por outra ele retoma o contato com Lampião para juntos discutirem estratégias e novas investidas dos grupos. Nesses encontros, que se dão em coutos ou em plena caatinga, as presenças de Corisco, Luiz Pedro e Zé Sereno, também chefes de subgrupos, são imprescindíveis. Vale lembrar que os subgrupos funcionavam sob a supervisão de Virgulino.

No intenso calor das caatingas, saqueando ou fugindo das volantes, a vida de Moreno e Durvalina era um verdadeiro inferno. Nos poucos momentos em que não estavam sob a mira dos fuzis inimigos, os dois aproveitam as sombras da noite para fazer
amor. Algumas vezes nem podiam terminar o ato porque eram surpreendidos pelas volantes e tinham que fugir às pressas.

Numa dessas paradas, com o céu incendiado de estrelas, conforme lembra Durvalina, a polícia não apareceu. E ali, no meio da mais profunda solidão da caatinga, os dois se amaram intensamente. E vieram outras noites calmas e abençoadas por Cupido.
Outras manhãs, outras tardes, outras madrugadas. E haja amor entre os dois cangaceiros. Corria o ano de 1937. Durvalina passou a mão sobre a barriga e descobriu que estava grávida. No dia 03 de janeiro de 1938, ela deu à luz um menino, nos carrascais da fazenda Riachão, em Tacaratu. Quem serviu de parteiro foi o próprio Moreno.
Com muitas dificuldades para criar o menino na vida de nômades que levavam, Moreno e Durvalina decidiram doar a criança para o cônego Frederico Araújo de Oliveira , de Tacaratu. A criança foi batizada com o nome de Inácio e ficou com o padre até o dia em que este morreu, 14 de janeiro de 1944. Depois, Inácio foi levado à cidade de Paulo Afonso para conhecer a verdadeira família. Hoje, Inacinho, como é mais conhecido, vive no Rio de Janeiro, onde é oficial da Polícia Militar daquele estado.

A FUGA

Agora que o cangaço não tinha mais horizontes, pois todos os seus grandes líderes, como Lampião e Corisco, estavam mortos, só haviam duas saídas para Moreno: se entregar à polícia ou fugir. O próprio padre Frederico Oliveira fazia apelos insistentes para que o casal fugisse, pois do contrário a presença deles em suas terras, caso fossem descobertos, poderia trazer grandes problemas para o sacerdote. Moreno decidiu atender os pedidos do padre, mas disse para Pedro Tiririca, porta-voz do vigário, que precisava de ajuda para ir embora. O padre lhe mandou roupas, calçados, um burro com mantimentos e 200 mil réis.

No dia 02 de fevereiro de 1940, dia da Festa de Nossa Senhora da Saúde, Padroeira de Tacaratu, os cangaceiros aproveitaram o silêncio da noite e partiram. Tiveram, antes, o cuidado de trocar as tradicionais roupas do cangaço por vestes comuns. Em seguida, Moreno escondeu todas as balas num oco de pau. Depois, emocionado, pegou o velho mosquetão que o acompanhou por tanto tempo e o colocou, cuidadosamente, na fenda de uma rocha. Ali também deixou o chapéu, mas não se esqueceu de arrancar da peça uma moeda de ouro e uma libra esterlina que serviam de adorno. Com o coração partido, Durvalina chorou copiosamente por se ver forçada a afastasse do filho. Moreno, acostumado às brutais estocadas do cangaço, também não resistiu e seus olhos encheram-se de lágrimas. E ainda improvisou os seguintes versos: “Dentro do meu coração/Nasceu um pé de flor/Mas toda folhinha murchou/por causa de meu filho Inacinho/Que em Tacaratu ficou”. Matos têm olhos e paredes têm ouvidos. Era preciso, portanto, muito cuidado nessa nova empreitada. O peito protegido por uma medalha de Nossa Senhora e do Sagrado Coração de Jesus, Durvalina, um longo xale a cobrir-lhe a cabeça e os ombros, era a imagem perfeita de uma pacata senhora em sua monótona mas decidida marcha rumo ao desconhecido. De nomes mudados, os cangaceiros pegaram as margens do rio São Francisco, cuja rota seguia em direção a Minas Gerais. Quando perguntavam para onde iam, a resposta era a sempre a mesma: “Somos romeiros e vamos pagar uma promessa em Bom Jesus da Lapa”.

O autor deste blog junto ao filho de Moreno e Durvinha, Inácio.

Depois de quatro longos e extenuantes meses, alimentando-se de peixes, arroz de leite, arroz solto, feijão, farinha, rapadura, tudo isso servido por pescadores e ribeirinhos, sem falar nos mantimentos dados pelo padre, chegam finalmente a Bom Jesus
da Lapa, interior da Bahia.

Logo nos arrabaldes da cidade, foram acolhidos na casa de uma senhora chamada Gertrudes. “Durvalina chegou aos extremos de suas capacidades, dentro do seu limite, enfadada, sentindo dores e o corpo com um pouco de inchaço”, observa João Lima em seu livro. A cangaceira estava há vários dias com a menstruação atrasada. Mesmo recebendo o carinho e a atenção da dona da casa, que abrigou o casal por uns dias, o estado de saúde de Durvalina se agravava cada vez mais. Chegou um momento em que, enlouquecida, saiu correndo totalmente nua ao encontro de Moreno, que estava descansando, sentado debaixo de uma árvore na frente da casa. Ao perceber a cena, assustado, ele segurou a companheira e a conduziu para dentro da residência. Dias depois, já restabelecida, Durvalina parte em companhia de Moreno na carroceria do primeiro caminhão que encontraram parado na feirinha da cidade. No bolso, os duzentos mil réis que acabara de receber com a venda do burro. Seguiram rumo a Montes Claros, Minas Gerais, mas desceram em Araçuaí, no entroncamento, pois o motorista havia avisado que só ia até aquele local. De lá foram furando de novo a estrada a pé. Doçura de caminhada. O pior já tinham deixado lá para trás. Chegaram em Montes Claros ao alvorecer do outro dia. Compraram umas coisinhas na estação, com o dinheiro apurado na venda do burrinho e, em seguida, tomaram a direção de Bocaiúva. Ali passaram um ano na fazenda Taboa, onde Moreno trabalhava cortando lenha para a velha Maria Fumaça, maquinazinha a vapor que até hoje encanta as pessoas.

Moreno queria abrir novas veredas. Então, arrumou de novo as tralhas e partiu com Durvalina para Augusto de Lima, onde trabalharam na fazenda Curumataí, no povoado de Santa Bárbara, de propriedade do Sr. Torval Sampaio, durante dez anos. Dez anos de trabalhos abençoados. Moreno começou a crescer. Além de cultivar muita mandioca, ele extraía lenha e vendia o produto para a Estrada de Ferro Central do Brasil. Chegou a ser o maior fornecedor de farinha da região do Norte de Minas. Seus negócios prosperam bastante. Depois, abriu uma casa noturna, que permaneceria em seu poder até o ano de 2000, quando resolveu “se aposentar”, aos 91 anos.

Hoje, ele vive em Belo Horizonte ao lado da mulher e dos cinco filhos (além dos netos e bisnetos), todos nascidos em Minas. São eles: Murilo, João, Nely, Dadá e Dinho. Inacinho, o primeiro filho deixado para o padre Frederico criar, virou oficial de polícia e vive no Rio de Janeiro. Aliás, o casal soube orientar bem os filhos. João, além de poliglota (escreve e fala fluentemente vários idiomas sem nunca ter ido a uma escola especializada), é maître de um grande hotel em Belo Horizonte. Nely é funcionária pública, Murilo foi motorista e aposentou-se como instrutor da empresa de ônibus Gontijo, e Dinho é comerciante. O casal passou 66 anos, desde o dia em que deixou o cangaço, no mais absoluto segredo, sem contar um dedo de sua emocionante história a ninguém. A ninguém mesmo. Nem os filhos sabiam de nada. Em 2005, adoentado, Moreno pensou que ia morrer e resolveu contar tudo para os filhos. Antes, conversou com Durvalina sobre o assunto, mas ela não concordou com o marido. Depois de muita insistência ela cedeu. A primeira pessoa a saber dos fatos foi Murilo, filho mais velho do casal. Depois, os ex-cangaceiros reuniram o restante da família e contaram, olho no olho de cada filho, a longa e dramática vida que levaram no cangaço.

A emoção tomou conta de toda a família e, como não podia ser diferente, as lágrimas inundaram os olhos de todos. Nely começa a travar uma alucinada busca na esperança de localizar o irmão Inacinho. Faz desesperadas tentativas. Liga pra quase todo mundo em Tacaratu, cidade onde ele foi deixado pelos pais com o padre Frederico Araújo. Depois de angustiantes telefonemas conseguiu falar com a Casa de Cultura e, por intermédio de dona Joana, fica sabendo que Inacinho vivia no Rio de Janeiro e só aparecia em Tacaratu durante os festejos da Padroeira. Quando Nely falou com o irmão pelo telefone e contou a história dos pais, Inacinho pensou tratar-se de mais um dos muitos trotes que recebera na ânsia de localizá-los. Então, para convencer o irmão, Nely pôs Durvalina do outro lado da linha.

Finalmente convencido de que Durvalina era sua mãe, ele desabou a chorar.
O encontro de Inacinho com os pais e o restante dos irmãos e demais parentes, inclusive os tios, irmãos de Durvalina, se deu no dia 05 de novembro de 2005 na casa de Moreno, em Belo Horizonte. Parecia cena de filme. Aliás, o cineasta cearense Wolney Oliveira vai aproveitar algumas imagens que fez desse encontro para o filme que está rodando sobre o cangaço, intitulado Lampião, Governador do Sertão.

Durvinha faleceu em 2008 e Moreno em 2010

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39 comentários em “CASAL DE EX-CANGACEIROS DE LAMPIÃO CONTA COMO ERA A VIDA NO CANGAÇO”

  1. Parabéns, excelente história, verdadeiro resgate da vida no cangaço.
    2. Amigo, eu tenho procurado informações sobre um cangaceiro de Lampião que, depois de entender que os objetivos do bando eram diferentes do que ele almejava (proteger os pobres e oprimidos), resolveu avisar, previamente, as cidades que iriam ser invadidas por Lampião e que, após descoberto por Lampião, teve os seus olhos vasados e deixado na caatinga onde morreu com infecções generalizadas.
    Consta que o seu era Grosso e tinha um irmão chamado Palminha e que ambos eram nascidos no Estado do Ceará.
    Linda história, lamentavelmente não encontrei com a riqueza de detalhes como as contadas por vocês..
    Gostaria de de saber se vocês podem descobrir essa história dentro do imenso acervo de vocês.
    Um forte abraço.

    Carlos Alberto B. Pereira João Pessoa PB

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    1. Amigo Carlos,
      Primeiramente obrigado pelo envio de sua mensagem.
      Li atentamente o que você enviou, mas infelizmente não possuo nada relativo ao assunto comentado.
      Confesso que nunca ouvi esta história e achei interessante.
      Se estas pessoas existiram, seriam figuras diferenciadas dentro d história do cangaço.
      Espero que alguém possa te ajudar nesta sua busca por informações.
      Um abraço.
      Rostand

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    2. Prezado Jornalista Nonato Freitas:

      Apenas, uma pequena correção.

      O tenente Zé Rufino, apesar de ser pernambucano, era oficial da Polícia Baiana..

      Abraços,
      Paulo Ribeiro

      perre@8@hotmail.com

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  2. Amigo Rostand!

    Grato pela sua resposta.
    Trata-se de uma linda história de idealismo, humanidade, altruísmo que redundou na morte do intrépido cangaceiro Zé da Silva (Zé Grosso) nas condições acima descritas.
    Se o amigo tiver tempo e desejar resgatar essa história eu lhe enviarei o que eu consegui e citarei as fontes.
    O meu objetivo é não somente constatar a veracidade como salvar do esquecimento uma passagem tão relevante que demonstra que nem todos os cangaceiros eram realmente maus.,
    um abraço.
    Carlos Alberto
    J.PessoaPB,27.03.2012.

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    1. Amigo Carlos,
      Fico honrado com a deferência.
      Quis deixar você a vontade para repassar a quem você desejasse, mas me sinto honrado se você passar o material e tentaria ver o que poderíamos conseguir.
      Atualmente estou desenvolvendo um trabalho em Macaparana, onde tem me exigido ausentar-me do blog,mas a gente dá um jeito de se debruçar sobre as informações.
      Neste caso,solicito que por favor envie o material para rostandmedeiros@gmail.com
      Gostaria de te ajudar, mas preciso de dados. Tenho muito material original de jornais, livros e documentação sobre o tema.
      Bom, de toda forma estou a sua disposição.
      Caso seja mais fácil, meus telefones são 84-9904 3153 (TIM) e 84-9140 6202 (CLARO).

      Um abraço,

      Rostand Medeiros

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      1. POR FAVOR ENTRE EM CONTATO PELO MEU TELEFONE
        ARISTIDES TORRES
        32 991390144 tim
        grato
        aristides

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    2. me mande esta historia, por favor.José Grosso, hoje ele manifesta em vários grupos espíritas e conviveu com lampião.Por favor entre em contato conosco e nos envie algumas coisa sobre este personagem,temos fotos dele no bando, se vc quiser eu te mando.abraços
      aristides de o torres
      e mail aristidestorres57@gmail.com
      tel 32 991390144

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  3. Boa noite,
    É incrível como existe histórias sobre o cangaço, e fiquei impressionado com esse relato. Estudo sobre o cangaço a uns 6 anos e confesso que essa história mim impressionou muito.
    Parabéns pela raridade histórica que você conseguiu.
    Att,
    Daniel Francisco

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  4. O cangaceiro Corisco foi baleado em um povoado da minha cidade chamado Pacheco, pov- de Barra do Mendes,já fui ao local varias vezes conversar com os mais velhos e eles me falaram que na época, faleceu uma senhora e eles acompanharam o enterro até a minha cidade e que tinha mais um casal de cangaceiros que estavam lavando roupas em um rio,quando ouviram os tiros saíram correndo e nunca mais foram vistos.

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  5. Fico feliz por saber que existe pessoas que dao valor a fatos reais. Eu sou neta de otacilia ferrreira da silva, que minha mae quando nasceu com 21 dias ela faleceu e o nome de de casada era otacilia ferreira dos santos, por causa do meu avô jose tavares dos santos. passo horas vasculhanto a internet para saber se sou parente ou neta da suposta filha do irmão de lampiao joao ferreira da silva, pois,houve uma criança com esse nome que foi levada para roda dos rejeitados os padrinhos levaram para bahia. minha mae com 15 anos veio da bahia. e minha avó adotiva guardava um segredo com uma outra avo cpor nome terta. minha avo adotiva era maria augusta correa da costa natural paraiba irma de antonio costa lins, meu avô emprestado pai do meu padrinho edizio da costa lins, filho de maria ferreira natural paraiba joao pessoa. hoje moram no rj, minha mae é viva. ela nasceu 30.07.1930 segundo ela tem como descobrir. minha mae foi criada pela minha tia aurea da familia bezerra de menezes, meu tio tinha uma fazenda na bahia conde do bomfim o nome dele era narciso bezerra de menezes.vou aguardar resposta ok? Shalom!

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  6. MEU NOME É EDSON PEREIRA, NASCIDO NA PARAÍBA FILHO DE CICERO PEREIRA DE OLIVEIRA, ÊSTE NATURAL DE PRINCESA IZABEL, E PARENTE DO CEL JOSÉ PEREIRA LIMA , PELO FATO DAS MINHAS RAÍZES SER MUITO FORTE EM RELAÇÃO AO MEU NORDESTE QUERIDO, SINTO-ME DE ALGUMA FORMA, FAZENDO PARTE DESSAS HISTORIAS , JA QUE O MEU SAUDOSO PAI FOI DELEGADO DE POLICIA, QUASE TODA A SUA VIDA , POIS O MESMO PERTENCIA A POL MIL PARAÍBANA , E DIANTE DESSES CONTOS , SOBRE A VIDA DOS CANGACEIROS E DE NOSSAS TRADIÇÕES, FICO A VIAJAR EM MEUS PENSAMENTOS , QUANDO ERA CRIANÇA , PELOS SERTÕES DA PARAÍBA, QUANDO MORAVA NAQUELAS CIDADEZINHAS QUE AO ANOITECER, PARECIA QUE TODOS OS DIAMANTES DO MUNDO ESTARIA COLADOS NO CEU, E QUANDO CHOVIA AQUELE CHEIRO DE TERRA MOLHADA QUE SO O NOSSO NORDESTE TEM , SAUDADES.

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  7. Sou fã de história, histórias verdadeiras. Sou de Recife/PE e moro em João Pessoa/PB.
    Fico fascinado pelas reportagens e buscas do que ocorreu na época. Se eu conseguir algo passarei informações, ok?

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  8. o cangaço foi um inicio de revolta da morte do pai de lampiao mas a vingança dele era infinita sempre que sozinho ele pensava maldito macaco porque matou papai entao lampiao nao pensava em outra coisa a nao ser vingança

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  9. olá, na Minissérie Lampião e Maria Bonita, passa uma cena que Maria bonita corta a orelha de Joana Bezerra, uma coiteira de Lampião. já pesquisei um pouco sobre a veracidade dessa parte do vídeo e o que encontro é apenas a minissérie. Gostaria de saber se isso realmente aconteceu.

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    1. Olá Ana Paula, Olha eu não conheço nenhuma história com este teor nos livros sobre as vidas de Lampião e Maria Bonita. Sei de caso que Maria peitou Lampião, evitando que ele matasse um homem amigo de sua família. Mas o caso apontado não. Forte abraço. Rostand

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  10. eu tenho 18 anos.. passo horas e horas lendo essas historias… eu sou apaixonado por historia.. e fico emocionado em saber de tais fatos ocorridos e ainda mais com toda essa riqueza de detalhes.. obg por mostrar isso.. e por favor n deixem a nossa historia morrer.. eu sei que luiz ginzaga gostava de cangaceiros, talvez pelo fato de o pai de seu primeiro amor .. ser um fazendeiro autoritario e preconceituoso.. queria saber se o rei do baião chegou a encontrar algum dia o “rei do cangaço”.. desde ja sou grato por me proporcionar esses momentos de felicidades.. e se puder escreva sobre esse encontro.. abraços … obg…

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    1. Amigo Wallyson,
      Muito agradecido pela sua mensagem.
      Realmente Gonzaga era um “fã” de Lampião, mas em duas biografias que li sobre o “Rei do Baião”, ele não se encontrou com o “Rei do Cangaço”. mas em uma ocasião, quando Lampião e seu bando passaram próximos a região de Exu, a família de Gonzaga se homizoi nos matos, se protegendo dos cangaceiros. mas não houve encontro.
      Mais uma vez obrigado amigo.
      Rostand

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  11. Gosto muito de história sobre o nordeste, principalmente sobre o cangaço. Essa passagem contada sobre Moreno e Durvalina é muito show. Li e re li a história p on entender melhor e juntar outras histórias lidas antes em alguns detalhes se encontram e deixam mais forte a veracidade do fato.
    Isso daria o ótimo filme e eu sou um apaixonado por filmes nordestino iria ser o primeiro a estar sentado na primeira fileiras de cadeira dos cinemas rsrrsrs……maravilhosa história parabéns ao pesquisador!!!!

    Agora p responder o último pergunta feita pro Sandra. Se houve traição no cangaço. Em histórias q eu já li antes houve sim, mas não de Maria bonita em Lampião, sim de Lídia em Zé Baiano com cangaceiro Bem-te-vi. Caso delatado ao bando durante um encontro onde estavam reunidos o principais cangaceiros pelo cangaceiro q flagrou o caso chamado de besouro, quis besouro em troca do seu silêncio q Lídia se entregar se há ele tbm. Lídia recusou e ele contou aos cangaceiros. Zé Baiano ouvindo tudo amarrou Lídia em uma árvore e matou a pauladas no início da conversa quando Bem-te-vi escutou correu pro mato e nunca mais se ouviu falar dele, quando Zé Baiano pegou Lídia pelos cabelos ela gritou a Lampião q besouro só denunciou o caso pq ela recusou – se a deitar com ele, Lampião pediu no instante pro cangaceiros q besouro fosse morto tbm.

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  12. Caro Rostand
    Quando fui conhecer a represa de Xingó conheci um pouco da história do Cangaço. Não fui até o local onde Lampião foi surpreendido pela volante no lado sergipano, mas ouvi o relato de um morador de Piranhas, que na época tinha 7 anos de idade, sobre a exposição das cabeças na escadaria da prefeitura de Piranhas, AL.
    Estávamos vendo as fotos dos cangaceiros no Museu do Homem do Sertão na antiga estação ferroviária de Piranhas quando ele contou que se lembrava das cabeças trazidas em latas e conservadas em querosene. Elas ficaram expostas na escadaria da prefeitura de Piranhas juntamente com os pertences dos cangaceiros antes de seguirem para Maceió.
    Anos depois estive em serviço na cidade de Santana do Ipanema que fica no caminho de Piranhas para Maceió e constatei uma capela erguida na avenida principal onde as cabeças também ficaram expostas.
    Em Mossoró, RN, soube de um fato que mostra como as pessoas desconhecem o nosso passado, pois os picotes de balas na torre da igreja decorrentes do combate com os cangaceiros haviam sido cobertos com argamassa durante uma reforma recente e foram recuperados após um intenso trabalho baseado nas fotos antigas da torre.

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  13. Em Mossoró, RN, soube de um fato que mostra como as pessoas desconhecem o nosso passado, pois os picotes de balas na torre da igreja decorrentes do combate com os cangaceiros haviam sido cobertos com argamassa durante uma reforma recente e foram recuperados após um intenso trabalho baseado nas fotos antigas da torre.

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  14. Sou um autentico fã das histórias referentes ao cangaço, me fascinam. Moro em Vitória/ES, mas neste lugar é quase impossível se encontrar livros e/ou materiais referentes a Lampião, cangaço, etc. gostaria da indicação de livros e afins pra eu me manter atualizo acerca desse passado. parabéns pelos contos de Moreno e Durvalina.
    Luiz Cesar – Vitória/ES

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  15. Magnifica historia já tive o prazer de ouvir parte da historia desses valentes homem em pão de açúcar alagoas por um senhor de mas de 85 anos da família Buer

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  16. LUIZ GONZAGA DA COSTA:eu conheci essas duas pessoas,na cidade Augusto de lima mg.porem com o nome José pernambuco,ele trabalhava com produção de cavão mas miguem sabia de onde vieram e oque foram muito bom e interessante ter participado e ter feito parte sessa história. ,

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  17. eu luiz gonzaga da costa conheci essas duas pessoas na cidade de augusto de lima mg,porem com nome de José pernambuco,trabelhava na produção de carvão,ninguem sabia de onde virão e o que fasiam antes.muito bom ter participado dessa historia ter feito parte dela.

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