Arquivo da tag: RACISMO

1941 – O ATAQUE DE UM AVIÃO NAZISTA AO CARGUEIRO TAUBATÉ E O PRIMEIRO POTIGUAR A TESTEMUNHAR O HORROR DA SEGUNDA GUERRA

7873797
Rara foto da Historic Images, do Ebay, mostrando o Taubaté danificado dia 22 de fevereiro de 1941. Foto provavelmente batida pelo hidroavião inglês que deu apoio ao navio brasileiro.

Rostand Medeiros – Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN

Já faz muito tempo que a terra potiguar é um lugar complicado para quem nasceu por aqui sem um sobrenome familiar nobre, com a coloração mais escura na pele e principalmente sem dinheiro no bolso. Por isso era bem normal, na época em que o transporte marítimo era mais utilizado, que muitos jovens das camadas mais humildes de nossa população se concentrassem no Cais da Tavares de Lira. Local importante de Natal, ali atracavam os antigos navios mistos de passageiros e cargas conhecidos como paquetes, principalmente das empresas Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro e Companhia de Navegação Nacional. Estes jovens então tentavam ganhar alguns trocados carregando malas, transportando mercadorias, ou servindo como os primeiros Guias de Turismo da capital potiguar. Além do mais, está no ponto de embarque e desembarque mais importante da nossa cidade, era onde poderia surgir o que para muitos era uma verdadeira oportunidade de ouro – Se tornar um trabalhador embarcado em uma das naves que aqui passavam. Além de, obviamente conhecer o mundo, estes jovens tentavam conseguir novas opções longe desse belo lugar cheio de racismos e preconceitos.   

alfa-285
Cais da Tavares de Lira, no bairro da Ribeira, em Natal. Uma provinciana capital do Nordeste do Brasil.

Mas para quem embarcava vindo de um porto nordestino, com poucos recursos e instrução quase zero, sobrava geralmente os locais mais sujos e escuros da embarcação, onde o trabalho principal era ser foguista. Como nessa época a maioria destes barcos não tinha motor a diesel, o foguista era aquele que colocava carvão nas caldeiras a vapor, para assim conseguir energia suficiente para o deslocamento do navio. Uma função importante, mas certamente uma das mais desprezadas.

alfa-145
Porto de Natal no início do Século XX.

Não sei se João Lins Filho foi um dos que ficavam no Cais da Tavares de Lira batalhando uma vaga em alguns destes barcos, mas sei que era potiguar e que ele era um dos 58 tripulantes listados a bordo do navio Taubaté, para uma viagem a portos na África e no perigosíssimo Mar Mediterrâneo de 1940![1]

Internamento

O Taubaté era uma nave velha, construída em 1905 pelo estaleiro alemão Bremer Vulkan AG, da cidade de Bremen. Recebeu inicialmente o nome de Franken, que batizou toda uma classe de nove navios cargueiros e esta nave pertenceu inicialmente a empresa de navegação Norddeutscher Lloyd. Estes navios percorriam principalmente as rotas entre a Alemanha e a Austrália, além da América do Sul.  

Imagem1
O Hessen, navio cargueiro alemão da classe Franken, a mesma do Taubaté.

Tanto o Franken como seus navios irmãos eram equipados com um motor a vapor de 3.200 HP, que lhe proporcionavam a velocidade máxima de 11,5 nós (cerca de 21 quilômetros por hora), possuíam em média 130 metros de comprimento e 16 metros de largura, deslocando 5.055 toneladas.

I0013129-8Alt=006900Lar=004958LargOri=006610AltOri=009200
Propaganda da Norddeutscher Lloyd no Brasil em 1911, mostrando que o Franken, futuro Taubaté, já frequentava o porto do Rio de Janeiro antes da eclosão da Primeira Guerra.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial quase todos esses barcos foram capturados pelos Aliados, ou se internaram em portos neutros. O Franken, sob o comando do capitão H. Lindrob buscou o porto do Rio de Janeiro procedente da Austrália, transportando minério destinado ao porto de Antuérpia, Holanda [2]. Ele era um dos 49 navios espalhados em dez portos brasileiros, que aqui estavam em sistema de internamento[3].

I0008169-3Alt=007379Lar=005224LargOri=005224AltOri=007379

Com a deterioração das relações diplomáticas entre o Brasil e a Alemanha os navios desta nação em nossos portos foram confiscados pelo nosso governo, sendo rebatizados e entregues a companhias de navegação nacionais. O Franken recebeu a denominação de Taubaté, e ficou sob a responsabilidade da empresa Lloyd Brasileiro. Logo estava navegando com uma carga de café para a Índia[4]. Desde 1917 este navio vinha ostentando a nossa bandeira verde e amarela e cumprindo o seu papel de transportar cargas pelos mares[5].

Navegando Para Onde Os Alemães Estão Combatendo!

No final do ano de 1940 o Taubaté era comandado pelo experiente capitão de longo curso Mario Fonseca Tinoco, um homem que possuía uma longa e respeitável carreira, mas talvez pelos seus posicionamentos políticos e um problema ocorrido quando estava no comando de um dos barcos do Lloyd Brasileiro, quase sempre foi designado para comandar navios velhos e pequenos.

I0021036-3Alt=005589Lar=004077LargOri=004077AltOri=005589 - Copia (2)
Capitão de longo curso Mario Fonseca Tinoco.

Mesmo assim o capitão Tinoco sabia conduzir seus comandados e seus barcos de maneira correta. E ele precisava exercer bem sua função em 1940, pois naquele tumultuoso período inicial da Segunda Guerra Mundial, quem estava a bordo do Taubaté e de outros navios sem dúvida realizava um trabalho bem arriscado[6].

passengersinhistory.sa.gov.au - Copia
Outro navio irmão do Taubaté, o Westfalen – Fonte – passengersinhistory.sa.gov.au

E em novembro daquele ano o velho navio foi contratado por uma empresa exportadora do Rio de Janeiro para levar uma carga de 3.000 toneladas de café, acondicionadas em 110.000 sacas, até a beligerante área do Mar Mediterrâneo [7]. Esta carga foi anteriormente carregada no porto de Santos e eles partiram do porto do Rio em 14 de novembro. Como medida de precaução/ foram pintadas duas grandes bandeiras brasileiras nos costados do Taubaté para identificar a nação a qual a nave pertencia[8].

I0066131-3Alt=006082Lar=004389LargOri=004389AltOri=006082 - Copia

Enquanto o navio brasileiro seguia sua viagem, os combates da Segunda Guerra cresciam em violência em várias partes do mundo.

Na Europa a Inglaterra ainda se defendia dos ataques dos aviões alemães na Batalha da Inglaterra e, apesar de sofrerem bombardeios em suas cidades principais, já haviam mostrado aos nazistas que pelo ar eles não conseguiram dobrar o Império e nem a intrépida RAF. No Extremo Oriente, antes do ataque a base naval americana de Pearl Harbor, os japoneses continuavam sua luta para aniquilar os chineses. Na Grécia os italianos sofriam para derrubar a resistência do exército grego e em dezembro de 1940 pediam ajuda aos alemães. No norte da África os italianos também viam sofrendo sistemáticas derrotas para os britânicos, principalmente após o início da Operação Compass, que objetivava a recuperação do oeste do Egito aos italianos e a captura da Cirenaica, uma possessão italiana no norte da África, na atual Líbia.

2629711091_6acb340384_o
Benito Mussolini e seu grande aliado.

Em janeiro de 1941 a ofensiva das forças Britânicas e da Commonwealth nesta região obteve muito sucesso e estes se aproximavam cada vez mais da cidade Líbia de Tobruk. É quando o ditador Benito Mussolini pede socorro a Adolf Hitler para salvar suas tropas e sua honra e o alemão concorda em fornecer ajuda. Mas antes mesmo que as tropas germânicas do chamado Afrika Korps ponham suas botas na África, comandados pelo competente general Erwin Rommel, a aviação militar alemã, a Luftwaffe, já está com suas asas sobre o Mar Mediterrâneo.

worldwarphotos.infoJunkers_Ju_88_of_LG_1
JU 88 da X. Fliegerkorps – Fonte – worldwarphotos.info

Entre janeiro e fevereiro de 1941 a Luftflotte 2, uma das principais divisões da Luftwaffe, sob o comando do marechal Albert Kesselring, recebe ordens para se deslocar a sua X. Fliegerkorps (X. Fl. Kps.) da gélida Noruega até a caliente Itália. Este era um formidável corpo aéreo com mais de 250 aviões de combate de vários modelos e divididos em doze unidades aéreas.

KMS Gneisenau Heinkel He 111
O encouraçado alemão KMS Gneisenau, sobrevoado por um Heinkel He 111.

Durante esses dois meses esse grande grupo de aviação vai utilizar as bases italianas de Catania, Comisso, Palermo, Trapani e Gela, todas localizadas na Sicília[9]. A ideia de Albert Kesselring de posicionar a X. Fliegerkorps nesta área era reprimir a interferência da Marinha Britânica, a Royal Navy, nas rotas de abastecimento marítimo para a Península Italiana e reduzir a capacidade estratégica da ilha de Malta como base militar.

E logo os aviadores alemães começam o seu “show” pelo Mediterrâneo![10]

HMS-Illustrious-under-attack
O porta aviões inglês HMS Illustrious sob ataque da Luftwaffe em 10 de janeiro de 1941 – Fonte – http://ww2today.com

Em 10 de janeiro de 1941 o porta-aviões inglês HMS Illustrious, que se dirige para a ilha de Malta, é atacado por bombardeiros de mergulho alemães Junkers JU 87 Stukas vindos da base de Trapani e fica seriamente avariado[11]. No outro dia, no início da tarde, doze Stukas afundam o cruzador HMS Southampton[12]. Esses ataques deixam claro que a Luftwaffe tem o comando do ar sobre o Mediterrâneo. Eles também apontam para a verdadeira agonia que a ilha de Malta vai sofrer nos próximos meses e criar uma das páginas mais intensas da História da Segunda Guerra Mundial.

wdfghjwww.simplonpc.co.uk
o Schleswig, outro navio irmão do Taubaté – Fonte – http://www.simplonpc.co.uk

Certamente os tripulantes do Taubaté ouviam nos rádios valvulados de ondas curtas o noticiário em português da rádio britânica BBC e sabiam o que ocorria na região[13].

Dando A Volta Na África

Do jeito que a coisa estava Mar Mediterrâneo e desejando evitar problemas, o Lloyd Brasileiro ordenou ao capitão Mario Fonseca Tinoco que atravessasse o Atlântico Sul até o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, contornasse esta perigosa área marítima e entrasse no Oceano Índico. Daí ele deveria acompanhar a costa leste africana até o Golfo de Áden, entre os atuais países do Iêmen e do Djibuti. Daí o Taubaté iria entrar no Mar Vermelho e seguir até o Canal de Suez, ultrapassá-lo para navegar pelo Mar Mediterrâneo e chegar a Port Said, no Egito, seu destino final. Realmente o foguista João Lins podia se um homem pobre e trabalhar em uma função muito humilde no Taubaté, mas certamente era um potiguar que conhecia muito mais do mundo do que a maioria dos seus conterrâneos daquela época.

I0021076-3Alt=006372Lar=004592LargOri=004592AltOri=006372 - Copia
O Taubaté.

Esta era uma Viagem longa, com muitas milhas marítimas a serem percorridas, mas o Lloyd estava colocando na mesma época não apenas o Taubaté, mas outros navios nessa mesma rota. Como foi o caso dos vapores Juazeiro e Atlântico, que saíram dias depois do Rio de Janeiro e seguiam a esteira do Taubaté.[14]

A viagem foi tranquila até o porto da cidade iemenita de Áden, dali o barco brasileiro foi escoltado por destróieres ingleses até o Canal de Suez. Essa prevenção tinha sentido, pois ali perto, na Etiópia e outras áreas da África Oriental, estavam se desenrolando sérios combates entre britânicos e italianos pela conquista desta região[15].

O Taubaté então atravessou o Canal de Suez sem problemas e chegou a Port Said.

Um Novo E Perigoso Contrato

Após descarregar todo o café e ficar com porões vazios a espera da próxima carga, mais de quarenta dias se passam desde a chegada do Taubaté naquele porto. É quando surgem as empresas Société de d’Avances Commerciales, do Egito, e a Shalon Brothers, de Isaac Shalon, um judeu radicado na Turquia.

Port Said-servatius.blogspot.com.br
Port Said – Fonte – servatius.blogspot.com.br

Ambas as empresas fecham um acordo com o representante do Lloyd Brasileiro, que talvez fosse o próprio capitão Tinoco, para realizar um fretamento do porto egípcio de Alexandria até o porto de Boston, Estados Unidos. Mas antes disso o navio teria de pegar cargas em portos na ilha Chipre e mais cargas em Port Sudan, principal porto marítimo sudanês, às margens do Mar Vermelho. Na sequência haveria paradas nos portos de Buenos Aires, Montevideo, Santos, Rio de Janeiro, Nova York, Baltimore e finalmente Boston. O seguro da tripulação ficou a cargo dos contratantes estrangeiros.

Esse tipo de fretamento nada tinha de errado, o problema era percorrer a distância entre o Egito e o Chipre, uma ilha extremamente estratégica e colônia britânica no Mediterrâneo. Mesmo sendo apenas umas 200 milhas náuticas (380 quilômetros), quase nada em termos de distâncias marítimas, o que ocorria a volta de Chipre na época é que era o problema.

wwwfffgg
Outra imagem do navio Schleswig, irmão gêmeo do Taubaté.

Acredito que, além de possíveis vantagens comerciais, o tempo de inatividade no Egito em meio a notícias dos combates cada vez mais intensos entre os britânicos e o Afrika Korps no vizinho deserto da Líbia, tenha feito com que o representante do Lloyd Brasileiro decidisse fechar o acordo com os contratantes da Société de d’Avances Commerciales e da Shalon Brothers. Mesmo com o risco, o Taubaté partiu para o Chipre. No futuro o Lloyd Brasileiro vai responder na justiça por liberar seu barco para percorrer esse trajeto[16].

Limassol 1941
Porto de Limassol, Chipre, em 1941.

O navio brasileiro partiu e, segundo os jornais de época, esteve nos portos cipriotas de Limassol, Lanarca e finalmente Famagusta. Após o recolhimento de cargas, o Taubaté está de partida da ilha de Chipre para o Egito na manhã do dia 22 de fevereiro de 1941.

De Famagusta o conferente de cargas José Francisco Fraga, de 28 anos, que morava na Rua Souza Valente, n° 7, São Cristóvão, Rio de Janeiro, escreveu uma carta para sua família onde comentou que eles não “esperassem notícias dele nem tão cedo”[17].

Ele não tinha ideia de quanto tragicamente estava certo!

Alemães Ao Ataque

4294529

O interessante livro do pesquisador inglês John Weal, JU 88 – Kampfgeschwader of north Africa and the Mediterranean (© 2009 Osprey Publishing Limired), aponta que entre janeiro e fevereiro de 1941, as três esquadrilhas de JU 88 A 4 que atuaram no X. Fliegerkorps tiveram uma vida bem movimentada naqueles dias.

John Weal é um autor especializado na história da Luftwaffe, com mais de 30 livros publicados sobre o tema e na sua obra afirma que estas aeronaves realizaram ataques aéreos a ilha de Malta, apoio as tropas do Afrika Korps que lutavam contra os britânicos, ataques a Benghazi e Tobruk na atual Líbia, ataques contra alvos no Egito, além de patrulhas marítimas e ataques a navios que seguiam em todo Mediterrâneo em comboios, ou solitários.

www.worldwarphotos.infoJu88_A_L1-GH_1.LG_1_North_Africa_1942
Um Ju 88 do I. / LG 1, no Norte da África em 1942- Fonte – http://www.worldwarphotos.info

Isso é referente especificamente as missões dos JU 88 A 4. Fora estes aviões ainda estavam na região os formidáveis bombardeiros HE 111 H 3, os bombardeiros de mergulho Ju 87 R 1 Stukas, os caças bombardeiros BF 110 D 3 e outros mais. A Luftwaffe verdadeiramente malhava em ferro quente todo o Mar Mediterrâneo e o Norte da África[18].

Em 21 de fevereiro a Luftwaffe atacou o comboio AS.21, que seguia escoltado por três destróieres do porto de Piraeus, na Grécia, para Alexandria, Egito. Tudo começou com três JU 88 A 4 que caíram em cima dos treze navios do comboio quando estes navegavam no canal da ilha Citera, ao largo da extremidade sul da região do Peloponeso, a parte meridional da porção continental da Grécia. Os JU 88 atingiram o petroleiro dinamarquês, mas trabalhando para os ingleses, Marie Maersk, de 8.271 toneladas. Este foi rebocado para o porto de Piraeus bastante danificado, com seis tripulantes mortos, oito desaparecidos e quatro que foram capturados.

www.worldwarphotos.infoHeinkel_He_111_II.KG26_arfield_Gabbert_Pommern_1939
Uma bela foto de um HE 111 do II. / KG 26, ainda em 1939 – Fonte -www.worldwarphotos.info

Após o amanhecer do dia 22 de março, quinze aeronaves alemãs novamente atacaram o comboio AS.21, desta vez a 22 milhas náuticas (35 quilômetros) ao sul da ilha de Gavdos, um pequeno promontório considerado um dos pontos mais extremos da Europa, a poucas milhas ao sul da ilha de Creta. Desta vez foi uma ação conjunta de bombardeiros Ju 88 A 4 e HE 111 H 3 que lançaram várias bombas e afundaram o mercante grego Embiricos Nicolaos (3.798 ton.) e o petroleiro norueguês Solheim (8.070 ton.)[19].

www.theatlantic.com
Nariz de um HE 111. O metralhador disparava deitado – Fonte – http://www.theatlantic.com

Enquanto tudo isso ocorria, a quase 500 milhas náuticas de distância a leste dali (cerca de 930 quilômetros), por volta das cinco da manhã desse intenso dia 22 de março, o Taubaté deixava a ilha de Chipre[20].

Die Walküre

Sem maiores dados é impossível apontar se foi um Ju 88 A 4 ou um HE 111 H 3 alemão que atacou o navio brasileiro, bem como não sabemos de onde ele partiu e nem de qual esquadrilha fazia parte. Entretanto eu acredito que a ação ocorrida no começo da manhã contra o comboio AS.21, ao sul da ilha de Gavdos, pode ter feito com que outros bombardeiros nazistas continuassem a buscar o comboio para um novo ataque. Como os navios do AS.21 tentavam chegar a Alexandria, o mesmo destino do Taubaté, não é difícil supor que alguma destas aeronaves alcançou à área ao sul de Chipre e houve o encontro com o navio brasileiro[21].

776ac7e479fee51c032de7b2a5a54cf4
Representação artística de um JU 88 atacando um cargueiro. No caso do ataque ao navio brasileiro, sendo o atacante um avião deste modelo, essa bem poderia ser uma imagem próxima dos fatos.

Conjecturas a parte todas as informações apontam que por volta do meio dia, com o sol a pino, quando o navio estava a cerca de 100 milhas náuticas de Lanarca, surgiu um avião bimotor voando lento, baixo e ostentando a inconfundível suástica nazista na cauda, além de cruzes gamadas nas laterais e nas asas. Esses aviadores teutônicos não chegaram ao som do Ato terceiro da ópera Die Walküre, de Richard Wagner, mas ao som de potentes motores Jumo[22].

a07007-he111-cmyk
Representação artística de um bombardeiro HE 111 atacando navio mercante. Imagem meramente ilustrativa.

A aeronave passou sobre o Taubaté e começou a realizar voltas. A tripulação ficou surpresa, mas tranquila, pois nos costados a bandeira brasileira estava nitidamente pintada e o Brasil ainda mantinha relações diplomáticas com a Alemanha Nazista. Entretanto, logo depois de dar algumas voltas o avião alemão começou a virar diretamente para o navio e veio em alta velocidade, foi quando a primeira de seis (algumas fontes apontam quatro) bombas foi lançada e uma coluna de água emergiu do Mediterrâneo. Imediatamente após o lançamento da primeira bomba começou as rajadas de metralhadoras do tipo MG[23].

Imagemgyh2
Metralhadora MG de um bombardeiro alemão em ação.

O capitão Mario Fonseca Tinoco contou que em um primeiro momento houve pânico a bordo. Certamente nessa hora o pessoal que não estava no convés, talvez por medo de alguma bomba atingir o casco e a nave afundar rapidamente, veio para fora da nave. Pode ser que nesse momento o potiguar João Lins tenha visto o avião atacante.

Os oficiais e os marujos mais experientes então transmitiram ordens e informações que conseguiram colocar a situação sob algum controle. O capitão Tinoco contou a um jornal de Recife que após a primeira bomba cair a sua ideia foi manter o curso do barco firme, permanecendo na mesma direção, sempre em frente. Não sei se essa era a melhor tática contra esse tipo de ataque, mas no caso do Taubaté deu certo[24].

Imagem2u
Imagem ilustrativa de um a bombardeiro alemão atacando um navio mercante com bombas.

O capitão tentou enviar toda sorte de sinais para o avião, mas a resposta eram mais disparos[25]. O avião nazista voltou e uma das bombas caiu muito perto do navio brasileiro, estremecendo tudo a bordo, varando o casco da embarcação com estilhaços, ferindo tripulantes e danificando o leme, que ficou inoperante. Os telegrafistas Américo Rodrigues da Silva, Josias Correia de Castro e Raimundo Evangelista Monteiro enviaram mensagens telegráficas sobre o ataque, mas seu posto de trabalho recebeu vários disparos e um deles foi ferido.

Imagemhh2
Metralhador de bombardeiro alemão enquadrando um navio mercante com a sua MG. Imagem Meramente ilustrativa.

O capitão Tinoco mandou que içassem uma bandeira branca, mas nada disso demoveu os alemães do seu ataque. Ele também afirmou ao Diário de Notícias do Rio que algumas bombas eram pintadas de preto e uma de vermelho. Tripulantes comentaram que o avião passava muito baixo, “rente as antenas telegráficas” e chamou atenção dos brasileiros a insistência dos alemães em atirar com suas metralhadoras contra o navio e sua tripulação. Certamente aqueles aviadores queriam pintar na cauda de sua aeronave a silhueta do Taubaté, indicando seu afundamento.

Morto Agarrado à Bandeira do Brasil

Conforme o avião despejava bombas e balas, membros da tripulação eram feridos. O 2° cozinheiro Teodoro da Silva Ramos, morador da Rua Faria Braga, 34 A, morro de São Roque, São Cristóvão, Rio de Janeiro, levou vários estilhaços nas costas, ocasionando feridas que deixariam grandes cicatrizes. Outro ferido com gravidade foi Henrique Leandro da Silva, colega do potiguar João Lins Filho, que ficou com uma fratura no crânio. O maquinista Aníbal Landelino Borges levou tal quantidade de ferimentos, com alta gravidade, que ninguém a bordo acreditava na sua sobrevivência. Foi o valoroso trabalho do enfermeiro Emiliano Priamo da Silva que salvou sua vida e de mais outros doze feridos[26].

dorset-under-air-attack-iwm-gm-a11173 (1a)
Cargueiro debaixo de bombas.

Existe uma notícia coletada após o ataque, já em Alexandria, e transmitida inclusive por agências internacionais, que chamou muito a atenção do povo brasileiro – Um grupo de quatro tripulantes subiu em dos pontos mais altos do Taubaté levando uma grande bandeira do Brasil. Nesse local, em um intervalo dos disparos, cada um dos quatro homens segurou em uma das pontas do nosso pavilhão nacional para que pudesse ser visto e reconhecido pelo avião atacante. Mas se alguém no avião viu a bandeira verde e amarela foi para melhor fazer mira, pois o conferente José Francisco Fraga foi atravessado por vários tiros e morreu praticamente na hora. Dois dos seus colegas também ficaram feridos nesse momento.

wwdw1

O carioca Fraga foi o primeiro brasileiro a perecer em decorrência de ação inimiga direta durante a Segunda Guerra Mundial[27].

Sem o leme o Taubaté então parou, o que o deixou completamente pronto para ser afundado. Neste ponto as narrativas são conflitantes, mas, ou por que a carga de bombas do avião havia encerrado, ou por imperícia dos aviadores em acertar o Taubaté, ele não foi atingido.

download
Os aviadores nazistas até que tentaram, mas o Taubaté não foi fazer parte do desenho da cauda deste JU 88 baseado na Itália em 1941.

Mesmo assim o capitão deu ordens de abandonar o navio, mas os tripulantes do bombardeiro continuaram disparando suas M.G., frustrando as tentativas de fuga dos marinheiros e também atingindo, ou “picotando”, os barcos salva vidas. Foi neste momento que o foguista João Pereira da Silva, que segurava uma das cordas utilizadas para arriar uma das baleeiras do navio recebeu uma saraivada de estilhaços, caiu sobre o convés e desmaiou[28].

wrwsr - Copia (2)
Nesta foto de jornal vemos na extrema esquerda o conferente Fraga e o cachorro Taubaté, mascote do navio brasileiro.

A mastreação, a chaminé, o casco, tombadilho, ponte de comando, o camarote do capitão, a sala de radiotelegrafia ficaram crivados de disparos. As metralhadoras do avião varreram o convés de popa a proa. O mascote de bordo, um cachorro chamado Taubaté, foi ferido duas vezes, mas sobreviveu[29].

warfarehistorynetwork.com - Copia
HE 111 atacando nave mercante – Fonte – warfarehistorynetwork.com

O imediato Armando Viana comentou ao Diário de Pernambuco que o ataque só parou quando surgiu outro avião no horizonte. Alguns tripulantes ficaram assustados com o novo “visitante”, mas o bombardeiro nazista desapareceu “como por encanto”, pois a nova aeronave era inglesa. Para o imediato era um “Spitfire”, mas documentos oficiais do Almirantado, que aqui reproduzo abaixo, apontam que a aeronave salvadora era um hidroavião.

Fold3_Page_1340_World_War_II_War_Diaries_19411945

Os informes que li afirmam que o ataque do avião alemão durou, dependendo da fonte, de 60 a 90 minutos[30].

Notícias no Brasil

O Taubaté consegue chegar a Alexandria, onde está atracado o vapor Juazeiro, que dá todo apoio ao pessoal do navio atacado, bem como as autoridades consulares brasileiras do Cairo, as autoridades britânicas e egípcias. Em meio a muito buraco de bala, pedaços de estilhaços e sangue, os tripulantes são removidos para o hospital.

I0004503-3Alt=006366Lar=004553LargOri=004553AltOri=006366 - Copia

O conferente José Francisco Fraga é enterrado em cerimônia simples, mas carregada de muita emoção, no Cemitério Cristão de Alexandria. Ele morreu um dia antes de completar 29 anos e deixou no Rio a noiva Geraldina Gonçalves com o enxoval pronto para o casamento que iria se realizar no seu retorno. Mas o sonho foi desfeito.

I0005061-3Alt=007100Lar=005506LargOri=005506AltOri=007100 - Copia

Pelos próximos dias do ditador Getúlio Vargas e seus Ministros, juntamente com o Lloyd Brasileiro, prometem apoio às famílias e especialmente atender o pedido de Dona Isabel Maria Fraga –  O de trazer o cadáver do conferente Fraga para ser enterrado no Rio[31]. Outra situação envolvendo a Senhora Isabel foi que ela declarou a imprensa que não dormiu direito na noite do dia 22 de março e sonhou com seu filho vestindo seu imaculado uniforme branco da Marinha Mercante, mas este estava manchado de sangue[32].

20171219_090928

No Brasil a notícia do ataque ao Taubaté causa surpresa e indignação, mas não ao ponto de gerar protestos públicos. O tema é notícia de primeira página em todos os jornais do país. Mas estranhamente em Natal, capital do Estado onde o foguista João Lins Filho é natural, os dois principais jornais locais, A República e A Ordem, pouco comentou sobre o ataque em si e apenas lançaram pequenas notas sobre a situação do conterrâneo. Mas temos a informação que seus familiares foram até a Delegacia de Ordem Política e Social – DOPS, na Ribeira, onde procuraram o Diretor José Gomes da Costa em busca de notícias junto ao Lloyd Brasileiro sobre o tripulante potiguar do Taubaté, que felizmente eram positivas.

a ordem 4 abril 1941

O Itamaraty emite uma nota de protesto para a Alemanha Nazista, cuja chancelaria respondeu cerca de oito dias depois informando que iria apurar o caso e punir quem tivesse cometido erros. Mas ficou só nisso[33].

Lento e Complicado Retorno

O navio atacado e sua tripulação permaneceram 47 dias no Egito, onde foram feitos reparos e os tripulantes feridos gradualmente se recuperavam. Foi classificado de verdadeiro milagre ter havido um único falecimento devido ao ataque aéreo. No dia 25 de março o foguista João Pereira da Silva é operado por hábeis médicos e enfermeiras ingleses do B.M.H. Alexandria (British Military Hospital Alexandria). Estes profissionais retiram do seu corpo quatro estilhaços de projetis de metralhadora da região frontal e dois estilhaços do braço. O foguista perdeu todos os dentes de sua arcada superior[34].

www.mycommunity.org.sg
O B.M.H. Alexandria (British Military Hospital Alexandria) – Fonte – http://www.mycommunity.org.sg

Durante este período a tripulação do Taubaté testemunhou alguns ataques aéreos germânicos, tanto de dia quanto a noite, bem como a ação defensiva britânica com o uso de canhões antiaéreos. Felizmente o navio não foi atingido[35].

fe11d936fc8b6c419ba1c540c1ed468d
Porto de Alexandria, Egito.

Finalmente chegou o dia de partir. O navio estava extremamente carregado de algodão egípcio, couros, lã, goma arábica e outras cargas menores. Seguiu em direção sul, bordejando a costa leste africana, refazendo em sentido contrário seu caminho anterior. Houve escalas em Port Sudan, Áden e Lourenço Marques, capital do então o território da África Oriental Portuguesa (atual Maputo, capital de Moçambique).

I0008862-3Alt=002113Lar=001584LargOri=004527AltOri=006037

Nesta cidade as autoridades coloniais portuguesas realizaram uma recepção tão acolhedora que o capitão Tinoco considerou como uma verdadeira “homenagem”. Provavelmente foi neste porto que o comandante percebeu que a sua tripulação precisava de um descanso. Eles estavam longe de casa há vários meses e tendo passado por problemas complicados, vendo alguns companheiros feridos e um morto, em meio a uma situação inusitada. O capitão decidiu então refazer o roteiro e seguir para Recife. Ali seria feita a troca da tripulação, antes de ir para os Estados Unidos.

I0008089-3Alt=007113Lar=004652LargOri=004652AltOri=007113

Mas antes houve uma parada no porto de East London, uma cidade localizada na costa sudeste da África do Sul. Parada rápida, mas ao voltar ao alto mar em direção ao Brasil o Taubaté foi atingido por uma violenta tempestade, que no pensamento do imediato Armando Viana “Só não foi ao fundo porque estava bem carregado”. Mas essa tempestade marcou a tripulação já atingida, pois um dos seus membros foi simplesmente levado do convés pela força das águas e desapareceu.

O Taubaté segue então para a capital pernambucana atravessando o Oceano Atlântico com suas combalidas máquinas, conseguindo ridículos quatro nós de velocidade. Leva mais de um mês para conseguir esse feito.

I0006059-3Alt=006300Lar=004556LargOri=004556AltOri=006300 - Copia

Ao entrar no porto, as cinco da tarde do dia 13 de agosto de 1941, a situação do navio era de tal penúria, que somente com o apoio do rebocador 4 de outubro é que ele entra no porto.

wwwvvbb
Porto do Recife

Uma verdadeira multidão de pernambucanos vai ao cais do porto testemunhar a chegada do Taubaté, que ancora no Armazém 5, onde as autoridades portuárias, a imprensa e até mesmo alguns parentes do pernambucano Teodoro da Silva Ramos esperavam ansiosos para visitar o 2° cozinheiro ferido. Chama atenção de todos os furos dos projetis e estilhaços em vários locais do barco. Quando desembarcam um dos tripulantes mostra a imprensa uma caixa cheia de estilhaços que atingiu o barco Taubaté [36].

Finalizando

Após os reparos o Taubaté retornou as atividades de navegação comercial em meio a Segunda Guerra Mundial. Documentos apontam que esse navio participou de vários comboios entre o Brasil e a ilha de Trinidad, ou de Nova York para Guantánamo, Cuba, e de lá para a zona do Canal do Panamá. Em agosto de 1944, conforme podemos ver neste documento da US Navy, o Taubaté inclusive comandou um destes comboios.

Fold3_Page_2_World_War_II_War_Diaries_19411945

Mas em um sábado, 3 de julho de 1954, o velho navio com mais de cinquenta anos de mar encalhou na ponta do molhe do porto de Recife e ali encerrou a sua trajetória[37].

Provavelmente após a volta do Taubaté Dona Isabel Fraga, a mãe do falecido tripulante, soube dos detalhes do ocorrido e não se conformou. Certamente açodada pelo não cumprimento da promessa do retorno do corpo de seu filho de Alexandria para o Rio, ela abriu um processo contra o Lloyd Brasileiro perante a vara dos feitos da fazenda do Rio de Janeiro. Representada pelo advogado Alberto de Oliveira, a querelante reclamava do contrato firmado pelo Lloyd para ir ao Chipre, em meio a um conflito bélico e a revelia da tripulação. Ela pedia uma indenização de 100 contos de réis.  

I0021961-3Alt=006306Lar=004547LargOri=004547AltOri=006306

Mas parece que a opinião pública não compreendeu muito bem a busca de Dona Isabel por uma indenização. Ainda mais em uma época onde o que não faltava no Brasil eram famílias chorando o desaparecimento de seus entes queridos, em meio a dezenas de afundamentos de navios nacionais provocados por submarinos do Eixo. Dois anos depois mais de 25.000 homens seguiriam para a Itália com a missão de combater diretamente os nazistas e o caso de Dona Isabel cairia no esquecimento. Não descobri os desdobramentos do seu processo[38].

I0006059-3Alt=006300Lar=004556LargOri=004556AltOri=006300 - Copia (2)
Foto de jornal da tripulação do Taubaté.

Outro que sofreu no corpo foi o foguista João Pereira da Silva, que dois anos depois ainda sofria de terríveis dores físicas por causa de vários estilhaços no seu corpo. Em março de 1942 ele se encontrava internado no Hospital Gaffrée e Guinle, no Rio de Janeiro, para mais uma operação de retirada de estilhaços. Este era a décima “lembrança” daquele dia a ser retirado, desta vez na região temporal direita e ele seria operado pelo médico Armando Amaral. O foguista João Pereira da Silva se encontrava internado neste hospital através de ações do Instituto dos Marítimos, entidade que defendia sua classe. Mas Pereira estava sem receber um centavo de fonte alguma[39].

Nada mais encontrei sobre o discreto potiguar João Lins Filho, que aparentemente nunca se interessou de contar esse episódio fora de seu círculo mais próximo de parentes e amigos, sobre o seu destino. Talvez, como aconteceu com muitos potiguares humildes que conheciam outras terras naquele tempo, decidiu deixar para trás o Rio Grande do Norte.

Última questão – É possível que João Lins Filho não tenha sido o primeiro potiguar a testemunhar os horrores da Segunda Guerra Mundial?

Sim, é possível.

Mas até que alguém prove o contrário, pelo menos em termos documentais, ele foi dos nossos conterrâneos o que primeiro viu algo que nunca deveria ter acontecido.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.


NOTAS

[1] A família Lins era muito numerosa na área do Engenho Cajupiranga, cujo dono na década de 1920 era o fazendeiro Virgílio Lins, senhor de largas faixas de terras e essas áreas são hoje parte da cidade potiguar de Parnamirim. Sei também que os Lins se espalharam pela região litorânea, na área da antiga cidade de Papary, hoje Nísia Floresta, e na área das praias de Pirangi e Tabatinga.

[2] Ver jornal A Noite, Rio de Janeiro-RJ, edição de quarta-feira, 7 de junho de 1917, pág. 3 e o jornal O Imparcial, Rio de Janeiro-RJ, edição de quinta-feira, 9 de agosto de 1917, pág. 6.

[3] Ver Relatório do Ministério da Marinha, Abril de 1916, Imprensa Naval, Rio de Janeiro, pág. 135

[4] Algumas fontes apontam que o Taubaté só teria sido adquirido pelo Lloyd Brasileiro em 1925. Mas os jornais de época apontam a versão que desde o seu confisco ele já passou para a responsabilidade desta empresa

[5] Ver jornal O Imparcial, Rio de Janeiro-RJ, edição de domingo, 7 de outubro de 1917, pág. 6.

[6] Mario Fonseca Tinoco foi imediato no vapor Acary durante a Primeira Guerra Mundial, quando este navio foi torpedeado em 3 de novembro de 1917 pelo submarino alemão U-151, próximo ao arquipélago de Cabo Verde, África. Logo foi promovido a comandante de navios, mas em 1932 Fonseca se aliou aos paulistas na Revolução Constitucionalista e foi por isso foi exilado em Portugal. Já em 1936 a situação dele ficou complicada no Lloyd Brasileiro, pois estava no comando do navio Una quando este afundou na costa catarinense em 26 de outubro de 1936. Sobre o afundamento do Acary, ver jornal A Razão, Rio de Janeiro-RJ, edição de domingo, 4 de dezembro de 1917, pág.1. Sobre a participação do capitão de longo curso Mario Fonseca Tinoco na Revolução Constitucionalista ver https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/108009/ISSN1808-1967-2007-3-1-108-123.pdf?sequence=1 Em relação ao afundamento do Una ver jornal A Razão, Rio de Janeiro-RJ, edição de terça feira, 27 de outubro de 1936, pág.5.

[7] Ver o jornal O Radical, Rio de Janeiro-RJ, edição de quinta feira, 27 de março de 1941, pág. 4.

[8] Ver Diário de Pernambuco, Recife-PE, edição de quinta feira, 27 de março de 1941, pág. 1.

[9] As unidades, as bases e os aviões da X Fliegerkorps na Itália entre janeiro e fevereiro de 1941 foram os seguintes –

Unidade          Base         Avião

Stab / LG 1   Catania       Ju 88 A-4

  1. / LG 1 Catania        Ju 88 A-4

III. / LG 1      Catania      Ju 88 A-4

  1. / KG 26  Comiso      He 111 H-3
  2. / KG 4 Comiso         He 111 H-3

(F)/121          Catania        Ju 88 D-1

III. / ZG 26     Palermo    Bf 110 D-3

Stab / St.G 3  Trapani     Ju 87 R-1

I./ St.G 3       Trapani       Ju 87 R-1

  1. / St.G 3 Trapani     Ju 87 R-1
  2. / JG 26 Gela            Bf 109 E-7
  3. / NJG 3 Gela           Bf 110 E-3

[10] Sobre a Luftflotte 2 ver https://weltkrieg2.de/luftwaffe-2-september-1939/ . Sobre a X Fliegerkorps ver https://www.asisbiz.com/Luftwaffe/xfk.html e http://deacademic.com/dic.nsf/dewiki/2635768 . Sobre o marechal Albert Kesselring ver http://www.fliegerhorste.de/rothwesten.htm .

[11] Sobre o ataque ao HMS Illustrious ver http://ww2today.com/10th-january-1941-luftwaffe-planes-attack-hms-illustrious .

[12] Sobre o afundamento do HMS Southampton ver https://maltagc70.wordpress.com/tag/hms-southampton/ .

[13] As fontes aqui pesquisadas informam que o Taubaté possuía como sistema de comunicação apenas o posto telegráfico para emitir sinais em código Morse. Mas encontrei a informação que eles possuíam rádios de ondas curtas e certamente captavam o serviço em português da BBC, o principal meio que os brasileiros do início da década de 1940 utilizavam para conseguir notícias internacionais.

[14] . Ver Diário de Notícias, Rio de Janeiro-RJ, edição de sábado, 5 de abril de 1941, pág. 1.

[15] Os combates na África Oriental, ocorridos entre 1940 e 1941 são episódios pouco conhecidos no âmbito da Segunda Guerra Mundial. Ver https://web.archive.org/web/19970121012937/http://gi.grolier.com/wwii/wwii_8.html e http://www.bbc.co.uk/history/ww2peopleswar/timeline/factfiles/nonflash/a1057547.shtml

[16] Toda a questão do trajeto deste navio, a questão do fretamento e outras considerações estão incluídas no processo aberto pela mãe de José Francisco Fraga, a Senhora Isabel Maria Fraga, que processou judicialmente o Lloyd Brasileiro em 1942 pela morte do seu filho. Ver Diário de Notícias, Rio de Janeiro-RJ, edição de sexta feira, 13 de fevereiro de 1942, pág. 1.

[17] Ver Diário Carioca, Rio de Janeiro-RJ, edição de sexta feira, 4 de abril de 1941, pág. 1.

[18] John Weal é escritor, artista gráfico, autor prolífico e bem estabelecido sobre assuntos ligados a aviação militar alemã na Segunda Guerra Mundial. Possui uma das maiores coleções privadas de literatura original de língua alemã sobre este conflito e sua pesquisa sobre a Luftwaffe está firmemente baseada neste enorme arquivo. Ele mora na histórica vila de Cookham, Berkshire, a oeste de Londres, Inglaterra.

[19] Sobre os ataques da Luftwaffe no Mar Mediterrâneo nos dias 21 e 22 de março de 1941, especialmente o ataque ao sul da ilha Gavdos ver http://www.warsailors.com/singleships/solheim.html  e http://www.naval-history.net/xDKWW2-4103-30MAR02.htm .

[20] O Chipre era na Segunda Guerra um local extremamente estratégico como importante base de fornecimento de materiais e treinamento, além de possuir uma estação naval.

[21] No processo aberto pela Senhora Isabel Maria Fraga contra o Lloyd Brasileiro em 1942, existe a ideia que a saída do Taubaté de Chipre tenha sido comunicada por espião nazista a Luftwaffe, que então enviou um avião para o ataque. Apesar de plausível, essa versão carece de maiores dados para sua corroboração. Ver Diário de Notícias, Rio de Janeiro-RJ, edição de sexta feira, 13 de fevereiro de 1942, pág. 1.

[22] Segundo dados existentes, deferentes versões deste tipo de motor equipavam tanto o JU 88 A 4 como o HE 111 H 3 da LuftWaffe, então em ação naqueles dois primeiros meses de 1941 no mar Mediterrâneo e no Norte da África.

[23] As várias voltas do bombardeiro talvez possam indicar que a tripulação da aeronave viu a pintura da bandeira brasileira, sabidamente um país neutro. Mas era inegável para eles que a proa do navio apontava em direção ao Egito, local onde se encontravam seus inimigos. Aí fica mais fácil, embora sem justificativa, entender a razão do ataque pelos aviadores alemães.

[24] Ver Diário de Pernambuco, Recife-PE, edição de terça feira, 26 de agosto de 1941, pág. 5.

[25] Ver Diário de Notícias, Rio de Janeiro-RJ, edição de sábado, 5 de abril de 1941, pág. 1.

[26] O 2° cozinheiro Teodoro da Silva Ramos, também é apresentado por alguns jornais como Teodósio da Silva Ramos. Ver Diário de Pernambuco, Recife-PE, edição de quinta feira, 14 de agosto de 1941, pág. 5.

[27] Confesso que pensei não ser real a notícia envolvendo a morte do conferente Fraga segurando a nossa bandeira. Imaginei que poderia ser o tipo de notícia ufanista, típica da propaganda do governo Vargas. Uma “patriotada” como se diz hoje em dia. Mas tudo indica que a história é verídica, segundo notícias vinculadas na época pela própria BBC. Ver o jornal O Radical, Rio de Janeiro-RJ, edição de quinta feira, 27 de março de 1941, pág. 4 e o jornal A Noite, Rio de Janeiro-RJ, edição de sábado, 5 de abril de 1941, págs. 1, 2 e 3.

[28] Ver o jornal O Radical, Rio de Janeiro-RJ, edição de quinta feira, 17 de março de 1942, pág. 2.

[29] Ver Diário da Noite, Rio de janeiro-RJ, edição de sexta-feira, 4 de abril de 1941, págs. 1 e 2. Os jornais cariocas basicamente reproduziram uma reportagem feita pelo jornal A Tarde, de Salvador, que deu o furo com as informações transmitidas pelo jornalista Larry Alena, da Associated Press, que realizou uma visita ao Taubaté em Alexandria após a sua chegada.

[30] Ver Diário de Pernambuco, Recife-PE, edição de quinta feira, 27 de março de 1941, pág. 1.

[31] Mas essa situação só vai acontecer depois da deposição de Getulio Vargas. Somente em agosto de 1946, durante o governo de Gaspar Dutra, o navio “Camboinhas” chega ao Rio com os despojos de José Francisco Fraga.

[32] Ver Diário Carioca, Rio de Janeiro-RJ, edição de sexta feira, 4 de abril de 1941, pág. 3.

[33] Ver jornal A Noite, Rio de Janeiro-RJ, edição de sexta feira, 3 de abril de 1941, pág. 1 e a edição de sábado, 12 de abril de 1941, pág. 3.

[34] Ver o jornal O Radical, Rio de Janeiro-RJ, edição de quinta feira, 17 de março de 1942, pág. 2.

[35] Ver Diário de Pernambuco, Recife-PE, edição de quinta feira, 14 de agosto de 1941, pág. 5.

[36] Ver Diário de Pernambuco, Recife-PE, edição de quinta feira, 14 de agosto de 1941, pág. 5.

[37] Ver Diário de Pernambuco, Recife-PE, edição de quinta feira, 8 de julho de 1954, pág. 3.

[38] Ver Diário de Notícias, Rio de Janeiro-RJ, edição de sexta feira, 13 de fevereiro de 1942, pág. 1.

[39] Ver o jornal O Radical, Rio de Janeiro-RJ, edição de quinta feira, 17 de março de 1942, pág. 2.

Anúncios

A TUMULTUADA CHEGADA DO ROCK AND ROLL A NATAL

80015
Fonte – crandall1950syoungculture.files.wordpress.com

Rostand Medeiros – Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte 

Sabemos que durante a Segunda Guerra Mundial a cidade de Natal sofreu muitas mudanças com a presença das tropas estadunidenses e suas bases militares. Ocorreram, além da visível mudança demográfica da cidade, muitas alterações no quesito de comportamento, o acesso a novos meios de informações e novos padrões econômicos.

Estilos, sons e acessórios comuns aos militares americanos foram incorporados ao dia a dia dos jovens natalenses e, aparentemente, esse desejo de absolver o que vinha da nação considerada na época “o grande irmão do norte” continuou nos anos seguintes e não parou mais.

478437905
Militares norte-americanos em Parnamirim Field – Fonte – Getty Images

Mas nem tudo que veio dos “States” foi aceito de forma tranquila em Natal!

E  uma dessas rejeições foi com o Rock and roll.

Mas quando ele desembarcou na capital potiguar?

Música De Origem Negra Em Uma Terra Racista

Se as origens do Rock and roll têm sido até hoje ferozmente debatido por comentaristas e historiadores de música, existe o consenso que o rock surgiu no sul dos Estados Unidos. E foi através da reunião de várias influências e de uma combinação de diversos gêneros musicais populares que incorporaram principalmente a fusão da tradição musical africana com a instrumentação europeia. E tudo começou basicamente em julho de 1951. 

Alan_Freed_disk_jockey
Alan Freed – Fonte – http://www.wikipedia.org

Alan Freed era o disck-jockey de um programa de rádio na cidade de Cleveland, no estado de Ohio (EUA), e um dia percebeu em uma loja de discos alguns jovens que dançavam freneticamente ao som de uma música alucinante, que até então ele nunca havia parado para ouvir.

Era o Rhythm and blues, ou R&B, um som muito mais conhecido entre a comunidade negra dos Estados Unidos na época e distante dos brancos anglos saxões pelo peso do racismo existente naquele país.

s-l1600
Cartaz do Moondog Coronation Ball – Fonte – http://www.wikipedia.org

Por sugestão de Leo Mintz, o dono da loja, Freed passou a divulgar aquele ritmo na rádio WJW-AM, onde trabalhava. Logo, encantado com o som frenético, Freed criou um programa chamado Moondog Rock Roll Party, inspirado na velha canção “My Daddy he Rocks me With a Steady Roll”.

No ano seguinte, Freed, Mintz e o promotor Lew Platt decidiram produzir um concerto com os artistas e bandas de R&B. No dia 21 de março de 1952 foi realizado no Cleveland Arena, um local com capacidade para 10 mil pessoas, o Moondog Coronation Ball, que é considerado o primeiro show de Rock and Roll da História. O show foi um sucesso e com casa cheia.

md
Show do dia 21 de março de 1952 no Cleveland Arena, o primeiro show de Rock and Roll da História – Fonte – http://www.wikipedia.org

Um ano depois uma música denominada “Rock Around the Clock” e interpretada pela banda Bill Haley and his comets alucinou os jovens norte-americanos e tocou fogo no país. Devido ao rápido sucesso de “Rock Around The Clock”, que foi aclamado como o hino oficial do Rock and roll, outros artistas como Chuck Berry, Little Richard e Jerry Lee Lewis se juntaram a Bill Haley.

obaudoedu.blogspot.com.br
Bill Haley and his comets – Fonte – obaudoedu.blogspot.com.br

Não demorou e um rapaz chamado Elvis Aaron Presley entra em cena com uma sensualidade em sua voz rouca e uma maneira inigualável de dançar. Mais que um símbolo sexual, Elvis cantava como um negro e transformou aquele suposto modismo numa verdadeira revolução cultural. Com o lançamento do disco “Heartbreaker Hotel”, em 1956, Elvis atingiu vendas extraordinárias e foi consagrado como o “Rei do Rock”.

r
Elvis, o “Rei do Rock”

Grande parte do rápido e estrondoso sucesso do rock nos Estado Unidos aconteceu durante um período de forte prosperidade e isso não foi uma coincidência. 

No final da década de 1940 mais pessoas naquele país possuíam rádios e as televisões tornavam-se um objeto comum no dia a dia. Além das mudanças tecnológicas, aquela prosperidade do pós-guerra de muitas famílias de classe média significou que os adolescentes tinham dinheiro para gastar. Consequentemente por esta época a indústria fonográfica avançou aos saltos, permitindo que a música pudesse ser distribuída em massa.

arton13805
Chuck Berry

Não podemos também esquecer que os primeiros rumores do movimento de direitos civis, que visava combater o forte racismo reinante naquele país, estavam na pauta do dia e tornava as músicas de origem afro americana mais acessíveis.

O som e todo o estilo ligado ao Rock and roll sintetizou o conceito de cultura juvenil de uma forma surpreendente e sem precedentes nos Estado Unidos pós-Segunda Guerra Mundial e desempenharia um importante papel na definição desse conceito para grande parte do mundo durante a segunda metade do século XX. Influenciando desde a moda, atitudes, estilo de vida e linguagem.

Jerry_Lee_Lewis_1950s_publicity_photo_cropped_retouched
Jerry Lee Lewis – Fonte – http://www.wikipedia.org

Mas aonde este som chegou causou polêmicas e acaloradas discussões. No Brasil não foi diferente!

Filme Com Música Para Balançar As Estruturas

Em 21 de março de 1956 a empresa Columbia Pictures lançou um filme de baixo orçamento, segmentado diretamente para o público adolescente e que certamente não prometia grande coisa. Mas a película tinha a participação da banda Bill Haley and his comets, cuja música “Rock Around the Clock” batizou a obra nos Estados Unidos. Inesperadamente o filme se tornou um grande sucesso e logo começaram os problemas.

jonmwessel.wordpress.com

A geração mais velha não aceitou gentilmente essa nova e barulhenta música. O filme começou a encontrar problemas em certas comunidades norte-americanas, onde líderes religiosos pediram um boicote. Outras controvérsias logo sugiram quando o filme foi distribuído internacionalmente. 

Em Londres o público adolescente ficou tão agitado dançando, batendo os pés, quebrando cadeiras e gritando durante a sessão, que o gerente do cinema onde era exibido teve que parar o filme e apelar para que eles se sentassem. Por causa de sua recepção estridente em Londres o filme foi banido das pequenas cidades inglesas. Em outubro de 1956, após as primeiras exibições da película na Noruega, adolescentes invadiram as ruas de Oslo gritando “mais rock!” 

www.zoomerradio.ca
O filme “Rock Around the Clock” em cartaz na capital da Inglaterra – Fonte – http://www.zoomerradio.ca

O filme estreou no Brasil no final daquele ano, primeiramente nas grandes cidades do centro sul, e trazia o título de Ao Balanço das Horas. Logo as alegres músicas do novo estilo causaram problemas.

Em São Paulo, no dia 20 de dezembro de 1956, com medo que algo parecido ao que aconteceu na Inglaterra e na Noruega se repetisse por aqui, a exibição do filme no chique Cine Paulista, na Rua Augusta, foi vigilantemente acompanhada pela polícia e pelo Juizado de Menores. Este foi o antigo setor do judiciário especializado em questões ligadas a menores e que hoje é conhecido como Vara da Infância.

CinePaulista.acervo.estadao
Policiamento na exibição de “Ao balanço das horas” na capital paulista – Fonte – CinePaulista.acervo.estadao

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o filme Ao Balanço das Horas “provocou manifestações histéricas de adolescentes”, com a primeira sessão sendo interrompidas duas vezes por causa dos jovens que gritavam e xingavam os guardas que os proibiam de dançar na sala. Ainda segundo o jornal, o então governador Jânio Quadros pediu ao chefe de polícia que tomasse “providências drásticas” contra os bagunceiros. “Se forem menores, entregá-los ao honrado juiz”, ordenou.

1446660026705
Agitação nos cinemas paulistas – Fonte – CinePaulista.acervo.estadao

Mas não ficou apenas nisso – O jornal O Estado de São Paulo aponta que entidades como o Movimento de Arregimentação Feminina e a Comissão de Moral e Costumes da Confederação das Famílias Cristãs, representando 10 mil famílias paulistas, se posicionaram contra a fita Ao Balanço das Horas. Sob uma forte pressão, Aldo de Assis Dias, juiz de menores na cidade de São Paulo, ampliou a proibição etária do filme de 14 para 18 anos.

I0000318-3Alt=005281Lar=003270LargOri=004360AltOri=007041 - Copia
Como foi noticiado em um jornal natalense o tumulto em apresentação do filme Ao balanço das horas em São Paulo

No Rio de Janeiro a confusão ao redor de Ao Balanço das Horas não foi menor. Quase um mês depois das exibições em São Paulo, o periódico Diário de Natal (Ed. de 17/01/1957) publicou uma extensa reportagem sobre a briga envolvendo policiais e amantes do Rock and roll na saída de um cinema na então Capital Federal. Houve interrupção do tráfego e ocorreram prisões. Logo, tal como ocorreu em São Paulo, o juiz de menores do Rio, o Dr. Rocha Lagoa, alterou a classificação do filme de 14 para 18 anos. 

clubedosentasdecatanduva.blogspot.com.br
LP com a trilha sonora do filme – Fonte – clubedosentasdecatanduva.blogspot.com.br

Brilhantina, Casacos e Lambrettas

Nesse tempo na provinciana Natal, então com pouco mais que 150.000 habitantes, ainda não tinha emissoras de televisão atuando localmente. Era o rádio que fazia o papel de grande transmissor para as massa.

alfa-316
Natal década de 1950

Por uma interessante razão que desconheço as causas técnicas, já ouvi de várias pessoas que viveram naquela época que se captava bem melhor as emissoras de rádio do Rio de Janeiro do que as de São Paulo na capital potiguar. Logo as notícias dos conflitos por causa de Ao Balanço das Horas era comentário geral entre os jovens locais.

Mas antes de adentrarmos sobre as apresentações desta película em Natal, é bom que fique registrado que, sobre aspectos estéticos, a cena do Rock and roll já estava presente na cidade, principalmente com a utilização de uma pequena motoneta de origem italiana.

propaganda da lambretta anos 50
Propaganda da Lambretta – Fonte – http://www.propagandashistoricas.com.br

Com o fim da Segunda Guerra Mundial na Itália o proprietário de uma fábrica de tubos de aço chamado Ferdinando Innocenti decidiu reconstruir seu negócio em Lambratte, Milão. Percebendo a necessidade de prover os italianos com um meio de transporte barato e seguro, o proprietário se uniu ao engenheiro Pierluigi Torre e projetaram uma motocicleta modelo “scooter”, de baixo custo de produção e manutenção. Esse veículo foi a icônica Lambretta.

bikepics-2404382-full
1957 Lambretta L

As primeiras foram construídas em 1947, com um motor de dois tempos provido de um único cilindro, com 123 cc de volume de deslocamento e rodava até 33 quilômetros com um litro de gasolina, algo importante em uma Itália com escassez de combustível. Um dos pontos fortes da Lambretta era a boa estabilidade devido ao baixo centro de gravidade proporcionado pelo motor próximo à roda traseira. Logo a pequena “scooter” se tornou um sucesso na Europa e no resto do mundo. Coube a Lambretta desenvolver no Brasil a primeira fábrica de veículos do país em 1955. Chamada Lambretta do Brasil S.A. tinha sede no bairro da Lapa em São Paulo e sua produção entre 1958 e 1960 superou a quantidade de 50.000 unidades ao ano.

27-3-1957 - Copia.JPG

Em fins de 1956 e início de 1957 chegaram as primeiras Lambrettas em Natal. Eram comercializadas na firma Paulirmãos, uma sociedade dos empresários Camilo de Paula e José Rezende Filho, com matriz em Mossoró e filial na capital potiguar, na Praça Augusto Severo, 260, na Ribeira. A pequena máquina caiu no gosto dos filhos da elite natalense e vendeu muito. Meu pai, Calabar Medeiros, então com apenas 16 anos, trabalhou em Paulirmãos e testemunhou o sucesso daquela motoneta por aqui.

Mas a Lambretta não era apenas um meio de transporte, era um veículo com forte atitude e estilo. Os jovens da cidade circulavam em suas máquinas em grupos, todos com brilhantinas nos cabelos (sempre sem capacetes) e envergando casacos pretos de couro. Gostavam de se reunir na área do Grande Ponto, no centro da cidade, onde passavam ruidosamente com seus canos de escape abertos e fazendo muito barulho.

6-2-1957.JPG

As pequenas máquinas fizeram tanto sucesso que até mesmo corridas de Lambrettas ocorreram em Natal, em um circuito improvisado no bairro de Petrópolis, cujo grande campeão foi Roberto Eider Lira. Alguns dos “Lambretistas” natalenses ficaram famosos por suas proezas em suas motonetas, como Beto Pires, que utilizava nafta no tanque de combustível para ampliar a potência da sua pequena máquina.

Toda aquela movimentação, todo aquele barulho, todos aqueles casacos escuros misturados com cabelos alisados a brilhantina, começaram a incomodar alguns membros da elite local, que ficariam ainda mais incomodados quando descobriram que seus filhos estavam escutando uma música tão barulhenta quanto as suas Lambrettas de escape aberto.

Encontro e Filmes Polêmicos

Mesmo sem o filme Ao Balanço das Horas ainda ter desembarcado nos cinemas locais, mesmo com a galera local escutando Rock and roll através dos poucos discos existentes na cidade, ou através das ondas curtas, médias e tropicais dos grandes rádios valvulados, aquele som contagiante chegou causando alvoroço em Natal.

I0000326-3Alt=005242Lar=003279LargOri=004372AltOri=006989 - Copia (2) - Copia

Em uma sexta feira da primeira semana de março de 1957, quando os jornais da cidade informaram com letras garrafais que existiam rumores que estava sendo arquitetado pelos “Lambretistas” natalenses uma apresentação do “tristemente famoso” Rock and roll no cruzamento das ruas João Pessoa e Princesa Isabel. Com medo que os distúrbios ocorridos em São Paulo e no Rio se repetissem em Natal, os jornais pediram veementemente a presença da polícia para coibir a tal apresentação. 

20170129_122442 - Copia

Logo o Dr. Claudionor de Andrade, então Secretário de Segurança, informou que não havia sido solicitado o devido alvará para a dita apresentação e que os policiais estariam presentes em seus Jipes de patrulha no cruzamento da João Pessoa e Princesa Isabel para coibir a exibição pública dos “Lambretistas”. O Dr. Claudionor expressou claramente que “não permitiria que se introduzisse em nossa terra uma dança tão prejudicial aos bons costumes como o Rock and roll” (Diário de Natal, Ed. de 8/3/1957).

20170129_144248 - Copia

Enquanto a elite e as autoridades se ouriçavam contra o Rock and roll e uma parte da população de Natal aguardava Ao Balanço das Horas com ganas de queimar o rolo de exibição em frente à Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, espertamente os proprietários do extinto Cinema Rio Grande aproveitaram a controvérsia e lançaram o filme Ritmo Alucinante para o público jovem de Natal.

a95c12b43740e8d665e5edc0be31d2e7--rock-roll-just-dance
Cena do filme “Ritmo Alucinante”, que ficou em cartaz apenas por quatro dias em Natal.

Este era um musical fraquíssimo de enredo, produzido em preto e branco e intitulado originalmente em inglês “Rock, Rock, Rock!”. Mas trazia aquilo que a galera queria – Rock and roll. O filme tinha como ator principal o radialista Alan Freed e vinha com uma interessante performance de Chuck Berry com a música  “You Can’t Catch Me” (Diário de Natal, Ed. de 29/4/1957). Mesmo Ritmo Alucinante tendo sido exibido sem maiores alterações, estranhamente essa película ficou em cartaz no Cine Rio Grande por exíguos quatro dias, quando o normal era no mínimo uma semana.

Mas Ritmo Alucinante deve ter levado um bom público ao cinema, pois um mês depois duas outras películas com temáticas focadas nos problemas da juventude estadunidense da época, consideradas extremamente polêmicas e que tinham angariado um grande sucesso a nível mundial, foram exibidas para os natalenses.

Estou falando de O Selvagem (The Wild One) e Juventude Transviada (Rebel Without a Cause). O primeiro filme tinha como ator principal ninguém menos que Marlon Brando e foi exibido no Cine Rio Grande. Já o segundo filme, cujos atores principais eram James Dean e Natalie Wood, foi exibido no Cinema Rex. (Diário de Natal, Eds. de 22 e 27/5/1957)

É certo que nesse tempo os filmes demoravam meses para chegar à longínqua e provinciana Natal, mas O Selvagem era de 1953 e Juventude Transviada de 1955 e a muito já tinham sido exibidos no Rio, São Paulo e até em Recife. Aparentemente os proprietários dos cinemas natalenses já tinham os rolos destas películas em mãos, mas não as exibiram para evitar problemas com autoridades judiciais e religiosas.

JAMES_DEAN-1
Imagem da rebeldia através de James Dean em “Juventude Transviada ” – Fonte –  Ellus

Mas, aparentemente, estes mesmos proprietários, em meio a toda polêmica gerada pelo Rock and roll e a juventude de Natal, não perderam a oportunidade de faturar algum lançando estes filmes polêmicos no final do mês de maio de 1957.

Ambas as películas, que se tornariam clássicos, foram liberadas para maiores de 18 anos e muitos “Lambretistas” foram com suas máquinas e seus casacos para os cinemas da cidade.

A Festa Que Mexeu Com Natal

Acredito então que naquele primeiro semestre de 1957 curtir o Rock and roll em Natal era algo que ficava restrito ao ambiente privado, principalmente aos existentes nas amplas e iluminadas residências do Tirol e Petrópolis, os bairros nobres da cidade. Mas aquele som alucinante logo seria tocado em um dos templos da elite local – Os salões da sede social do América Futebol Clube, no bairro de Petrópolis.

20170129_125551 - Copia

Foram as jovens Inês Aranha e Márcia Santos, tidas como “finos ornamentos da nossa sociedade”, que estiveram a frente da organização do evento intitulado “1° Festival de Rock and roll”, que prometia “demonstrar com real valor e agrado a música difundida por Elvis Presley”. As notas de jornal informaram que o baile seria animado pelo prestigiado Conjunto Melódico de Paulo de Tarso. (Diário de Natal, Ed. de 5/6/1957). 

34a354c6e35c9a84debe1ac5d27f9b83 (1)
Ocorreram cenas como esta na festa do América? Acredito que sim!

Não sei se alguém do grupo de Paulo de Tarso encarou ao vivo e a cores, na noite de sábado, 8 de junho de 1957, o público reunido no América munido de uma legitima guitarra Gibson ES-300. Ou se o pessoal presente foi animado ao som de Victrolas e discos de “velocidade” (frequência) de 78 rpm. Mas, mesmo com poucas informações, o certo é que houve a festa, com casa cheia e a presença de muitos “Lambretistas”. Consta que lá aconteceu a apresentação de três corajosos casais, que mandaram ver nos requebros e passos tidos como escandalosos desse “tal de Rock and roll”.

20170129_125629

Mesmo sem maiores informações eu tenho a certeza que a festa foi um sucesso e não tenho dúvidas que chamou a atenção da cidade. Pois a reação subsequente das autoridades para frear o ímpeto da garotada rebelde de Tirol e Petrópolis foi dura.

Umas semana depois, dia 15 de junho de 1957, um sábado, o então juiz titular da Vara de Menores, o Dr. Oscar Homem de Siqueira, baixou uma portaria determinando que os comissários de menores proibissem a entrada de jovens nas festas de Rock and roll em Natal.

20170129_144918

O magistrado, utilizando os termos do Artigo 131 do então Código de Menores, não proibiu expressamente a ocorrência de alguma festa que certamente deveria está programada para acontecer naquele fim de semana. Mas na prática o Dr. Oscar proibiu o público alvo de participar, pois nessa época eram considerados menores de idade aqueles que tinham menos de 21 anos.

jotamaria-america.blogspot.com.br
Dr. Oscar Homem de Siqueira – Fonte – jotamaria-america.blogspot.com.br

A portaria do juiz é interessante sobre alguns aspetos do entendimento do tradicionalismo vigente em Natal na época. Pois além de proibir o acesso e a permanência dos jovens menores de 21 anos nos locais de exibição do Rock and roll, textualmente o juiz ordenava que os comissários proibissem a garotada de “dançar” (Diário de Natal, Ed. de 18/6/1957).

I0000813-3Alt=005276Lar=003328LargOri=004437AltOri=007035
Parte da portaria determinando que os comissários de menores proibissem a entrada de menores nas festas de Rock and roll em Natal

Logo o magistrado foi ovacionado por vários setores da sociedade potiguar, chegando mesmo ao ponto de unir setores irreconciliáveis do cenário político e social local.

94870
Luiz Maranhão Filho

O jornalista Luiz Maranhão Filho, antigo membro do Partido Comunista do Brasil, que em 1958 seria eleito deputado estadual no legislativo potiguar pelo Partido Trabalhista Nacional e em 1974 seria morto de forma covarde pela Ditadura Militar, dedicou a decisão do titular da Vara de Menores um largo artigo em defesa de sua atitude. O artigo foi intitulado “Ainda há juízes” (Diário de Natal, Ed. de 21/6/1957).

Seguindo a mesma linha de pensamento do líder esquerdista, foi emitida uma nota de apoio ao Dr. Oscar Homem de Siqueira pelo Secretariado Arquidiocesano da Defesa da Fé e da Moral, representando a Igreja Católica (O Poti, Ed. de 26/6/1957).

20170129_145312

A vida do Rock and roll e de seus apreciadores não andava nada fácil em Natal, mas parece que outros setores da sociedade natalense pensavam contrários ao titular da Vara de Menores. Tanto assim que finalmente o tão esperado Ao Balanço das Horas finalmente foi exibido  nacidade.

O fato se deu somente na primeira quinzena de agosto de 1957 e a exibição no Cinema Rex foi cercada de todos os cuidados e de muita polícia. Mas estranhamente a faixa etária para exibição foi de 14 anos. Não houve nenhuma alteração! (O Poti, Ed. de 11/6/1957)

I0001065-3Alt=005265Lar=003346LargOri=004462AltOri=007020

O resto do ano de 1957 é possível ler nos velhos jornais natalenses diversos e contundentes ataques realizados por intelectuais locais contra o Rock and roll, mas logo um evento social, recheado de belas mulheres, mostraria a elite natalense que aquela musica não era esse bicho todo!

As Belas Estrangeiras Bailam Ao Som do Rock

Certamente não existiu na década de 1950 um tipo de celebridade meteórica que marcou mais essa época do que as misses e seus suntuosos desfiles de beleza.

23jul14
A baiana Martha Rocha e a vencedora do concurso Miss Mundo de 1954 – Fonte – efemeridesdoefemello.com

Estes eram concursos que, da noite para o dia, tornavam belas desconhecidas em estrelas de primeira grandeza do imaginário nacional, sendo a mais famosa miss tupiniquim a linda Maria Martha Hacker Rocha, uma baiana de faiscantes olhos verdes, consagrada como Miss Brasil em 1954 e que ficou em segundo lugar no concurso Miss Mundo daquele ano.

No Rio Grande do Norte não era diferente. Este tipo de concurso movimentava muito a sociedade local, com jovens representando clubes de futebol, cidades e entidades. Havia torcidas organizadas, entrevistas nas rádios e jornais locais, além de muito glamour.

I0071859-3Alt=004796Lar=007041LargOri=009388AltOri=006395 - Copia
As beldades que chegaram em Natal em 1958

Em maio de 1958, as vésperas da Copa do Mundo da Suécia e meio de supetão, Natal recebeu a visita da platinada finlandesa Marita Lindahl, a vencedora do concurso Miss Mundo de 1957, e de outras beldades a nível mundial. Além da campeã desembarcaram na terra de Poti, com mais de 600 quilos de bagagem, a segunda colocada Lillian Juul Madsen, da Dinamarca, Teresinha Gonçalves Morango, do Brasil (natural do Amazonas), e as representantes da França, Claude Navarro e da Suécia, Ellinor Ulla Eldin, além da modelo francesa Danielle Challier.

I0040853-3Alt=005262Lar=003680LargOri=004907AltOri=007016 - Copia

Elas estavam a caminho do Rio para uma exposição sobre moda francesa e realizaram uma parada de 24 horas em Natal. A cidade meio que parou para apreciar as belas mulheres e elas foram acompanhadas por uma verdadeira multidão embasbacada.

20170129_123652 - Copia

Em meio a idas e vindas, as belas foram almoçar na casa do empresário Rui Moreira Paiva.

Em um ambiente tranquilo e relaxante elas foram condignamente recebidas por Dona Carminha, esposa do empresário. Então alguém (talvez Izinha, a filha do casal), colocou na vitrola de alta fidelidade um disco de Rock and roll. Aí, para surpresa geral, as divas da beleza internacional deixaram de lado os anfitriões e quaisquer regras de etiqueta e se esbaldaram a dançar aquela música considerada maldita na capital potiguar.

20170129_123928

Não sei se as pessoas da casa ficaram incomodadas pela alegria das misses com aquela música tida como complicada pela sociedade local, mas o certo é que logo alguém tirou aquele ritmo alucinante da vitrola e sapecou um calypso caribenho, que foi aproveitado apenas pela modelo Danielle Challier. Depois a vitrola tocou um puro samba verde e amarelo, mas aí todas as belezas pararam de rebolar e ficaram apenas ouvindo.

Entretanto o episódio não passou despercebido para o então repórter social Wolden Madruga, que acompanhou os passos das belas mulheres por Natal. Além de comentado nos jornais locais, a dancinha das misses se tornou motivo de conversas no Grande Ponto, o local de formação de opinião na cidade. Para alguns era terrível saber que aquelas belas jovens gostavam daquela música maldita!

I0040864-3Alt=005246Lar=003680LargOri=004907AltOri=006994 - Copia

Mas como nesta cidade tudo que vinha de fora era bom (menos o Rock)eu acredito que aquela pequena apresentação dançante, realizada por algumas das mulheres consideradas as mais belas no mundo naquele tempo, mesmo indiretamente fez com que algo mudasse na sociedade natalense em relação a percepção sobre o Rock and roll. (O Poti, Ed. de 9/5/1957)

Veio Para Ficar

Logo as lojas de discos em Natal começaram a vender com maior frequência discos de Rock and roll. Sabemos que em maio de 1958 chegou na cidade o disco de 78 rpm do cantor norte-americano Little Richard chamado “Volume 2”, que vinha com doze músicas e era produzido pela London Records. (O Poti, Ed. de 28/5/1958)

$_57

Não demorou e Natal recebeu o primeiro grupo internacional a tocar Rock and roll.

Mas quem veio não foi nenhum grupo de jovens estadunidenses com cabelos bem aparados, banhados de brilhantina, realizando uma dancinha leve e todos trajando ternos iguais. Quem aqui tocou pela primeira vez o som perseguido foi um grupo de música caribenha.

20170129_150053

Chamados de “Guyana Caribbean Varieties” era formado por pessoas oriundas da então colônia britânica da Guiana e de outras partes do Caribe. Sabemos que haviam se apresentado em outros países, tinham realizado shows em Fortaleza e em Natal ficaram hospedados no bairro da Ribeira, no tradicional Grande Hotel. Eles se apresentaram na Rádio Poti e no Teatro Alberto Maranhão e foram bem avaliados. O foco do grupo de mais de 20 artistas era principalmente as músicas caribenhas, mas o guitarrista Reggie Simpson liderou na parte do Rock and roll.

1950s Swing Dancers

Conforme o tempo foi passando aquele ritmo musical que tanto encheu as páginas dos jornais natalenses com polêmicas foi paulatinamente desaparecendo dos periódicos. E quando comento isso é tanto pelo lado das polêmicas, como pelo lado da aceitação do Rock and roll. Pouco observamos referências sobre o Rock, mas certamente seus apreciadores passaram a curtir aquele som com mais tranquilidade.

tlp969374

Entretanto a Rádio Poti parece ter percebido que uma mudança havia acontecido, pois encontrei na sua grade de programação que eles estavam transmitindo um programa radiofônico chamado “Hoje é dia de Rock”, o primeiro do gênero no rádio potiguar.

83091751

Ele era diário, mas tinha parcos 15 minutos de duração, o que daria para tocar umas três músicas no máximo. Mas era transmitido às 11 e 15 da manhã, a hora que a maioria dos estudantes em Natal voltava para suas casas para almoçar e aproveitavam para escutar um rockzinho.

maxresdefault

Apesar de todo o movimento ocorrido, aparentemente o número de pessoas que abraçaram aquela música estrangeira continuou pequena, fato que mudaria radicalmente pouco tempo depois.

É a época do governo JK, do Brasil de “50 anos em 5”, da chegada maciça do rock produzido no Brasil, da venda facilitada de mais discos e de instrumentos musicais apropriados para tocar Rock, da criação de bandinhas locais, de shows e festivais….

Mas isso é outra História!


Fontes na internet

http://www.redegeek.com.br/2016/09/20/ultrageek-258-historia-do-rock-anos-50/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rock_and_roll

http://anuncifacil.com.br/posts/detalhes/7814

https://en.wikipedia.org/wiki/Don’t_Knock_the_Rock

http://super.abril.com.br/cultura/a-hora-do-rock/

http://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,o-rock-proibidao-do-ao-balanco-das-horas,11698,0.htm

CIÊNCIAS MAIS OU MENOS EXATAS

gettyimages-531012072

Ao longo da história, muitas vezes supostas descobertas científicas foram usadas para justificar fenômenos como o racismo, o machismo e o antissemitismo. Mas o que fazer quando o trabalho de teóricos e pesquisadores é influenciado pelas crenças e pelos valores deles próprios? 

Autora – Gabriela Loureiro

Fonte – http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2016/10/ciencias-mais-ou-menos-exatas.html 

Victor Frankenstein foi um jovem suíço que tinha algum conhecimento em alquimia e se dedicou aos estudos de ciências naturais na Alemanha. Traumatizado pela morte da mãe, passou a estudar febrilmente o segredo da geração da vida para tentar trazê-la de volta e não descansou até chegar muito perto — perto demais, na verdade.

Completamente absorvido em sua tentativa de solucionar o mistério da vida, ele ignorou família e professores e se isolou durante dois anos, criando um monstro que o perseguiu até o fim de sua vida e que poderia muito bem ter destruído a humanidade inteirinha se quisesse.

Tudo bem, essa é apenas a história de Frankenstein, o primeiro romance de ficção científica do mundo, escrito pela britânica Mary Shelley no início do século 19. Mas o clássico do terror contém uma lição importante: quando a ciência é feita em negação dos medos e crenças do cientista e ignorando questões éticas, o resultado pode ser devastador.

A obra de Shelley levanta uma série de questões: por que os cientistas fazem o que fazem? É possível fazer melhor? Qual é a responsabilidade do cientista em relação ao seu trabalho?

gettyimages-527669766

Para entender o que a ética tem a ver com a ciência é preciso levar em conta ao menos duas questões: intenção e previsibilidade. Por exemplo, se por algum motivo você quiser colocar em prática as Leis de Newton e soltar uma pedra do alto de um edifício e essa pedra cair na cabeça de um transeunte inocente, de nada importa se você tinha ou não a intenção de matá-lo — se você não levou em consideração que esse risco existia, a responsabilidade é toda sua.

E o mesmo vale para outros experimentos bem mais complexos. “Seria muito mais fácil para os cientistas — e para todos nós, porque isso se aplica a todos — se não precisássemos nos preocupar com a maneira pela qual alguém pode usar o nosso trabalho para fins perversos. Não importa que minhas intenções sejam boas; se eu posso prever que o que estou fazendo pode machucar alguém, tenho que pensar nisso também”, diz Heather Douglas, professora e chefe da Comissão de Ciência e Sociedade da Universidade de Waterloo, no Canadá.

Hoje, o trabalho de Douglas é entender como a ciência deve funcionar em uma democracia para evitar tanto uma tecnocracia em que os cientistas ditem à sociedade como viver quanto uma ditadura em que a ciência seja censurada e perseguida politicamente.

“Temos que pensar em como ciência e democracia interagem em diferentes momentos, como você define o que é ciência, como você faz a ciência ser democraticamente responsável pelos seus resultados, como você quer que a ciência esteja presente na política”, afirma Douglas.

gettyimages-527667426

“Você não assume que as pesquisas dos cientistas sejam neutras e livres de valores pessoais, mas você também dá a eles espaço para tomar as próprias decisões e manter sua integridade”. Na verdade, há uma área de pesquisa voltada exclusivamente à reflexão sobre a natureza, sobre a prática e o papel da ciência na sociedade: a filosofia da ciência, que consiste em explorar as formas pelas quais a ciência e a sociedade transformam uma à outra reciprocamente, ou seja, entender as implicações das práticas culturais e sociais sobre a ciência e vice-versa.

A ILUSÃO DA NEUTRALIDADE

A ideia de que cientistas são robôs evoluídos que não infligem seus valores pessoais ao seu trabalho, que é feito em ambientes absolutamente fechados e isolados não apenas de ondas eletromagnéticas, mas também de preconceitos e emoções humanas, já está ultrapassada há um bom tempo.

Uma das principais vozes que expandiram a crítica à falsa ideia de neutralidade nas ciências é Donna Haraway, filósofa e professora emérita da Universidade da Califórnia. De acordo com ela, a ciência é também uma prática cultural que pode ser interpretada criticamente inclusive questionando o posicionamento de quem realiza a pesquisa e ainda onde ela é desenvolvida — os chamados conhecimentos situados. Em outras palavras, é preciso avaliar as condições que influenciam certas descobertas científicas.

Há vários exemplos dessa influência nos casos de racismo científico. Um dos mais clássicos é o estudo Crania Americana, de 1839, no qual o médico e cientista norte-americano Samuel Morton defende que é possível determinar características da personalidade das pessoas com base no formato do crânio.

MEU GENE, MINHA VIDA

Para Donna Haraway, a humanidade experimenta hoje uma espécie de fetichismo em relação à genética. Existe uma crença bem disseminada de que os genes seriam capazes de determinar completamente quem somos, por que vivemos como vivemos e quais são as diferenças entre grupos distintos de pessoas.

gettyimages-530754282

Segundo ela, há uma necessidade na tecnociência de negar medos, desejos e valores, uma tradição antiga que obedece à lógica cartesiana que separa razão e emoção e favorece a primeira em detrimento da segunda. De fato, os estereótipos de gênero que consideram as mulheres mais frágeis e instáveis do que os homens privaram as mulheres de muitos direitos hoje considerados banais em sociedades democráticas.

Em 1876, o médico Edward Clarke, da Faculdade de Medicina de Harvard, publicou um livro no qual afirmou que a menstruação tornava as mulheres inaptas à educação superior. Segundo a teoria dele, a soma de energia de um corpo é constante e, se uma mulher gastasse energia demais estudando, ela teria que transferir energia de seus órgãos reprodutores para o cérebro e se tornaria infértil.

Por esses e outros motivos, é preciso bater na tecla da ciência ética. Para Martin Savransky, professor de Sociologia da Universidade de Goldsmiths (Londres) e autor do livro The Adventure of Relevance: An Ethics of Social Inquiry (“A Aventura da Relevância: Ética da Investigação Social”, em tradução livre), o problema é que ética e política são vistas como assuntos completamente separados do saber e, quando são observadas como temas “cruzados”, geralmente é em forma de denúncia, por quem aponta o dedo para mostrar que não há objetividade na ciência.

gettyimages-530755210

“Esse argumento de ‘ou isto ou aquilo’, como se o conhecimento fosse ou científico ou político, é o que dificulta uma conversa construtiva e civilizada sobre as políticas da produção de conhecimento. Dizer que a produção de conhecimento é política não é dizer que não é científica. Pelo contrário: significa que, até na ciência — especialmente na ciência —, produzir conhecimento relevante envolve riscos e preocupações”, diz Savransky.

Por um lado, as atrocidades cometidas em nome da ciência nos últimos 300 anos demandaram o desenvolvimento da filosofia da ciência, mas por outro, a separação entre política e ciência transformou esse questionamento ético em um organismo regulador da moralidade dos estudos e não em algo inerente e constitutivo da investigação científica. “A ética é apresentada como mera questão de julgamento — os cientistas não precisam estar particularmente interessados nela, mas precisam demonstrar que estão de acordo com as regras”, explica. Em 2018, o romance Frankenstein completa 200 anos, tempo que, aparentemente, foi insuficiente para que aprendêssemos sua principal lição.

NÓS X ELES

A ideia de que uma raça poderia ser superior a outra remonta à antiguidade greco-romana como forma de diminuir os povos com os quais diferentes exércitos se confrontavam, mas ela só ganhou um selinho de “comprovação científica” no século 18, quando o biólogo sueco Carlos Lineu separou os organismos em três reinos, inventou os conceitos de gênero e espécies e dividiu os seres humanos em quatro categorias, chamadas de raças. As categorias de Lineu foram muito além da biologia e serviram de defesa para uma série de genocídios, como a escravidão, o holocausto e o apartheid sul-africano.

gettyimages-529980980

MOVIDAS A ESTROGÊNIO

Durante boa parte do século 20, acreditava-se que as diferenças entre os gêneros poderiam ser explicadas por hormônios. Portanto, mulheres eram mulheres por causa do estrogênio. Como a capacidade de gerar filhos era o centro da vida de uma mulher na época e o estrogênio era considerado a base da feminilidade, durante três décadas, entre 1940 e 1970, os médicos nos Estados Unidos prescreviam um estrogênio sintético chamado dietilstilbestrol (DES) para mulheres que queriam engravidar, mas sofriam abortos espontâneos.

O DES havia sido criado em laboratório pouco antes, em 1938, e já nos anos 1950 pesquisas com animais indicaram que ele não era eficaz. Mesmo assim, continuou sendo receitado pelos médicos por mais 18 anos, e algo em torno de 5 e 10 milhões de mulheres grávidas e suas filhas foram submetidas ao hormônio até que uma pesquisa publicada em 1971 comprovou que o DES era a causa de um câncer vaginal raro em meninas e mulheres expostas ao estrogênio ainda no útero da mãe. Muitas mulheres morreram, e foi feita uma campanha nacional para impedir a receita do DES.

SEXUALIDADE E IDENTIDADE

A homossexualidade passou a ser estudada pela ciência no século 19 como uma preocupação com o processo de urbanização especialmente nas grandes cidades europeias, já que o que era considerado pecado pelo cristianismo passou a ficar mais evidente. Naquele tempo, a homossexualidade era vista como “atividade sexual não natural” com status de doença contagiosa que “drenava fluidos corporais vitais”.

A ciência da época reproduziu a crença e passou a considerar a homossexualidade uma doença psiquiátrica (o “homossexualismo”), e isso só mudou em 1973, depois de muita pressão do movimento gay e por causa da total falta de dados empíricos para manter o status de doença. Por outro lado, a transexualidade continua sendo vista como um transtorno e não uma identidade de gênero, e as pessoas trans ainda são obrigadas a lidar com o estigma de loucura ou degeneração sexual.

pato_flickr

NO MUNDO ANIMAL

Muitas vezes os conceitos políticos sobre comportamento humano extrapolam espécies e os cientistas reproduzem ideias preconcebidas sobre os gêneros também no reino animal. Por um longo tempo, biólogos tentaram entender o ritual de acasalamento dos patos, que costuma ser bastante violento em algumas espécies, com machos forçando penetração nas fêmeas.

Impressionados com o tamanho do pênis do macho, que pode chegar a 40 cm, com sua forma de parafuso e com o fato de que o pênis definha ao final de uma estação de reprodução e cresce de novo na próxima, o foco sempre esteve no comportamento do macho. Foi comprovado que o tamanho depende da competitividade no local: quanto mais machos para competir, maior o pênis.

Mas isso é irrelevante no processo reprodutivo, porque as fêmeas não só também possuem longa vagina em formato de saca-rolhas no sentido contrário ao do pênis como ainda têm uma cavidade que joga fora o esperma do macho se elas não quiserem reproduzir com eles, basta contrair músculos internos. E, na verdade, apenas 3% das copulações forçadas resultam fertilização, o que comprova que são as fêmeas que decidem se vão reproduzir ou não. Ou seja, a resposta estava o tempo todo no sistema reprodutivo das fêmeas.

DE NÓS, PRA VOCÊ – SALVE O DIA DO NORDESTINO

1_ofjpnno-j3y32l4gw4saza

FONTE – https://medium.com/@basepropaganda/se-oriente-fc01dc8dfa2d#.ru8msgkp4

08/10/2016 — Dia do Nordestino

Durante a construção deste projeto, conversamos com alguns amigos que são do Nordeste e vivem em outras regiões do país para que juntos analisássemos e ilustrássemos algumas situações nas quais o preconceito, mesmo polido ou acompanhado de algum tipo de elogio, machuca e ajuda a perpetuar estereótipos.

1_kvu0tcvbihct-vwfvy6gsw

Estamos sempre em busca do nosso lugar no mundo. E, por onde quer que a gente vá, carrega em si um universo próprio, cheio de coisas que só a gente sabe realmente como são. Aquela tal de experiência de vida, não é?

O simples fato de termos nascido em uma região específica não nos torna especiais ou ~diferentões~, mas é claro que temos prazer em externar a nossa origem. Afinal, são palavras e expressões que nos lembram os amigos de infância, sabores e canções que nos levam imediatamente aos encontros de família, dificuldades que costumamos associar a quem sofre como nós.

1_c65xkbp8msgfubslhg_opa

Porque sim, sofremos. Algumas vezes como qualquer um sofre, claro. Mas, outras, simplesmente por sermos de “lá”, do Nordeste. Um sofrimento que pode surgir a partir do que você pensa da gente, de como você imagina a nossa história ou do que você nem se interessa em saber se é verdade, ou não.

Você pode estar por perto, esbarrar com a gente na rua, pode ser um amigo do peito ou um ilustre desconhecido. Mas, em qualquer uma dessas possibilidades, vai sempre nos enxergar como uma xilogravura, um sotaque ou uma reprodução satírica de características engraçadas, exóticas, bizarras…

1_jjdspha3u1vxyucpwzu4kq

Sim. É possível que você consiga identificar qualidades em nós, mas quase sempre elas serão suprimidas pela ideia que você tem da nossa origem.

Talvez você até encontre uma forma que acredita ser mais polida para mostrar que nunca seremos como você. Mas não adianta; viemos de um mundinho como qualquer outro, porém completamente nosso e presente em cada parte do que somos.

1_jhaqbrvudkxryif-gf79tg

A sua tentativa de provar que consegue ver algo bom em nós não suprime o fato de que esse “mundinho” continua sendo diminutivo pra você.

Por isso, no dia em que comemoramos mais uma vez o fato de sermos NÓS, deixamos o recado: Se oriente! Elogio não anula preconceito.

 ORGULHO DE SER NORDESTINO!

dia-do-nordestino2
FONTE – http://nordeste304.blogspot.com.br/

ABSURDO: PESSOAS NEGRAS FORAM EXIBIDAS EM ZOOLÓGICOS HUMANOS NA EUROPA

zoologico-de-pessoas

É fato que o racismo ainda é uma ferida aberta em todo o mundo e difícil de ser curada.

A ideia de um “zoológico humano”, com negros em exibição, coisa que hoje causa espanto e repulsa, era realidade na avançada Noruega de um século atrás e, recentemente (2014), uma exposição intitulada “Kongolandsbyen” foi aberta em Oslo, capital, da Noruega, para marcar os cem anos da abertura da mostra original, que remontou uma pequena cidade que ficou conhecida como Vila Congo. Nela, as “vilas de negros” ou “zoológicos humanos” exibiam pessoas, especialmente vindas da África, em confinamentos semelhantes a jaulas de animais.

ZOOHUMANOVALE

Em 1914, no local da exposição na Noruega, viviam cerca de 80 pessoas de origem africana, a maioria do Senegal, que encenavam para visitantes costumes vistos como exóticos. Calculasse que um milhão e meio de noruegueses (ou três quartos da população total do país, na época) pagaram para assistir os africanos cozinhando e fazendo artesanato, por exemplo, vestidos com trajes tradicionais. Os organizadores disseminavam uma prática conhecida como “exposição etnológica”.

zoologico-de-pessoas_01

A exibição de humanos nesses “zoológicos” não foi exclusividade da Noruega. Igualmente espetáculos horrendos como estes aconteceram na Alemanha, França e Bélgica tiveram, com reproduções de vilas nos mesmos moldes do que aconteceu na Noruega.

Assim, elas eram visitadas continuamente por famílias brancas, especialmente crianças. Algumas delas, no entanto, nunca haviam feito contato com negros antes e chegavam a levar pães e doces para alimentá-los e, assim, chamar sua atenção. 

zoologico-de-pessoas_02

A exibição de africanos e outros povos não ocidentais eram meios utilizados como um instrumento para convencer a opinião pública da necessidade de colonização. Esses grupos eram mostrados como animais, reforçando uma ideia eurocentrista de civilização.

Fonte de textos e fotos – http://oglobo.globo.com/sociedade/mostra-reproduz-zoo-humano-que-exibia-negros-na-noruega-12627773#ixzz4Eqb5TVWQ

http://www.jornalciencia.com/absurdo-ha-apenas-60-anos-pessoas-negras-eram-exibidas-em-zoologicos-humanos-na-europa/

MÍDIA DOS ESTADOS UNIDOS DESTACA ADOÇÃO DE POLÊMICA BANDEIRA DE CONFEDERADOS NO BRASIL

Reportagem sobre o uso de bandeira de Confederados dos EUA no Brasil
Reportagem sobre o uso de bandeira de Confederados dos EUA no Brasil – CLIQUE PARA AMPLIAR AS FOTOS.

FONTE – http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2015/06/24/midia-dos-eua-destaca-adocao-de-polemica-bandeira-de-confederados-no-brasil/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook

Uma reportagem da agência de notícias internacional Reuters divulgada nos Estados Unidos levou o Brasil ao centro de uma forte polêmica norte-americana. Enquanto o país discute o racismo ligado ao uso da bandeira dos Estados Confederados por conta do massacre ocorrido em uma igreja na Carolina do Sul, muitos veículos de imprensa em inglês noticiaram, surpresos, que uma comunidade brasileira adotou a bandeira como símbolo de celebração.

“Enquanto a Carolina do Sul lida com a bandeira dos Confederados, uma cidade do Brasil a usa com orgulho”, diz o título de uma das publicações.

A polêmica bandeira é o símbolo do posicionamento dos Sul dos Estados Unidos, os Confederados, durante a Guerra Civil no país, no século XIX. Estes Estados do sul do país queriam ficar independentes e impedir a abolição da escravatura, o que faz com que a bandeira seja vista até hoje como símbolo do racismo, mesmo que os Confederados tenham sido derrotados.

A cidade brasileira mencionada nas reportagens é Santa Bárbara D’Oeste, no interior de São Paulo, onde é celebrada anualmente uma festa por conta da comunidade de imigrantes do Sul dos EUA ali. Segundo a reportagem, cerca de 10 mil confederados se mudaram para lá durante a Guerra Civil.

General William Barksdale, das forças sulista, conduzindo sua brigada no combate de Gettysburg - Pintura de Don Troiani
General William Barksdale, das forças sulista, conduzindo sua brigada no combate de Gettysburg. A bandeira Confederada aparece com destaque – Pintura de Don Troiani.

Para os americanos, é surpreendente que o símbolo continue sendo usado no Brasil após tanto tempo, mas o orgulho atual da bandeira não tem a mesma carga racial, pois até mesmo descendentes negros dos imigrantes americanos a abraçam durante as celebrações.

Uma outra reportagem, publicada pela ‘Folha’ nesta semana, indica outras formas em que a bandeira aparece no Brasil. Segundo o jornal, o polêmico símbolo americano é usado como enfeite por motociclistas e roqueiros, muitos dos quais também não conhecem necessariamente a ligação dela com a questão racial.

RTX1B0NW

KU KLUX KLAN: ASCENSÃO, QUEDA E ATUAL SOBREVIVÊNCIA DA MAIS RADICAL SOCIEDADE DE ÓDIO AMERICANA

FONTE - www.brasilescola.com - CLIQUE NAS FOTOS PARA AMPLIAR
FONTE – http://www.brasilescola.com – CLIQUE NAS FOTOS PARA AMPLIAR

A organização que espalha ódio pelos Estados Unidos desde o século 19 está fragmentada. Mas não perdeu a capacidade de apavorar o país

Texto Fernando Duarte

Tímido, na infância, o menino Tim McVeigh, era vítima de bullying. Para evitar ao máximo as provocações, fechou-se ainda mais em um mundo próprio, onde criava planos de vingança contra outras crianças. Quando estava com 10 anos, seus pais se divorciaram e ele foi afastado das duas únicas irmãs. Mais ou menos nessa época seu avô lhe ensinou a atirar. Na adolescência, gostava de exibir suas armas de fogo no colégio. Logo começou a ler revistas como Soldier of Fortune, a bíblia dos mercenários. Adulto, entrou para o Exército e passou a frequentar células da Ku Klux Klan. Lutou e foi condecorado na Guerra do Golfo. Quando voltou para os EUA, tentou ingressar nas Forças Especiais, mas foi reprovado pelo exame psicológico. Em 31 de dezembro de 1991, deixou a carreira militar. Pouco mais de três anos depois, em 19 de abril de 1995, aos 26 anos, McVeigh estacionou uma van alugada diante do edifício federal Alfred P. Murrah, em Oklahoma. Deixou o lugar a bordo de seu carro, que havia parado previamente ali. Às 9h02 o utilitário explodiu. A mistura de fertilizante, óleo diesel e produtos químicos destroçou a fachada do prédio. No maior atentado terrorista praticado por um americano na história dos EUA, 168 pessoas morreram, incluindo 19 crianças. Uma hora e meia depois, a polícia prendeu o ex-militar, que dirigia sem licença e portava uma arma não registrada.

Fonte - www.newnownext.com
Fonte – http://www.newnownext.com

McVeigh confessou que colocou a bomba como forma de protestar contra a intromissão demasiada do Estado na vida dos cidadãos: o então presidente Bill Clinton queria aumentar o controle sobre o porte de armas.

O FBI investigou o passado do suspeito, que anos antes havia sido advertido por superiores ao comprar uma camiseta com os dizeres White Power (poder branco), durante uma manifestação da KKK.

A primeira KKK
A Ku Klux Klan nasceu como um subproduto da Guerra Civil americana, iniciada pelos estados do sul do país, inconformados com o fim da escravidão. A luta durou quatro anos, entre 1861 e 1865, e terminou com a vitória da União sobre os insurgentes, 625 mil mortos e uma imensa região destruída, com a economia estagnada e condenada à pobreza por falta de um modelo de desenvolvimento que pudesse substituir rapidamente a mão de obra escrava.

Em 1866, seis oficiais do antigo Exército Confederado fundaram um clube social em Pulaski, no Tennessee – Ku Klux é uma corruptela do grego kuklos, círculo. No ano seguinte, o grupo foi organizado como “O Império Invisível do Sul” durante uma convenção em Nashville. A organização passou a ser presidida por um “grande mago”, o general confederado Nathan Bedford Forrest, um brilhante oficial da cavalaria durante a guerra – e famoso pelo ódio que nutria aos negros e aos colaboradores sulistas do Exército do Norte.

Linchamentos de negros, pratica comum no passado da KKK - Fonte - focuson.alinea.dk
Linchamentos de negros, pratica comum no passado da KKK – Fonte – focuson.alinea.dk

A irmandade teria como principal função a manutenção da supremacia dos brancos – especialmente depois de uma guerra em que os escravos dos antigos senhores eram agora homens livres, capazes de se organizar. Ou seja, os “novos inimigos” precisavam ser combatidos, ainda que pela intimidação e violência.

Os historiadores se dividem sobre a natureza da KKK. Para alguns, o grupo foi fruto da nostalgia de uma enorme população de veteranos de guerra – o que explica sua pesada hierarquia interna (abaixo do grande mago vêm os grandes dragões, grandes titãs e grandes cíclopes). Para outros, a Klan nasceu com políticas e objetivos bem definidos. Seria a resistência clandestina branca contra o governo do norte e sua Reconstrução Radical – que previa a divisão do sul em cinco distritos militares e eleições multirraciais.

Na prática, a Klan atuava como uma gangue de vigilantes, defendendo as propriedades dos brancos. E não era a única no período. Uma organização parecida surgiu no mesmo ano, na Louisiana: os Cavaleiros da Camélia Branca. Parte do pavor que a KKK espalhava pela região era devido ao seu figurino. Capuzes e camisolões brancos tinham duas funções: assustar negros supersticiosos e evitar a identificação dos membros pelas tropas federais que coalhavam a região. Em pouco tempo, o que era um grupo de vigia passou a promover ataques noturnos para matar negros libertos e seus apoiadores brancos. De um ex-general confederado, surgiu o Prescript, o estatuto da KKK. Além do óbvio elemento racista, o documento pregava a resistência contra algumas das práticas impostas pelo lado vencedor da Guerra Civil, como o de negar direito de voto para pessoas que se recusassem a jurar não ter lutado contra as tropas do Norte.

FONTE - www.dailymail.co.uk
FONTE – http://www.dailymail.co.uk

Mais do que apenas minorias raciais, seus milicianos atacavam políticos, a mando do Partido Democrata, que usava as turbas para tumultuar eleições e até assassinar adversários. Só que a proliferação de células acabou se transformando em embaraço até para os patrocinadores da KKK: as arruaças serviam para aumentar o controle do governo federal sobre o sul. Em 1869, o general Forrest ordenou que o grupo fosse desmantelado. O surgimento de milícias rivais forçou diversos estados a adotar legislação proibindo as atividades da Klan. Incluindo o Ato de Direitos Civis de 1871, que deu ao governo poderes para intervir militarmente em localidades onde a KKK se recusasse a depor armas -revogando o habeas corpus e impondo pesadas penalidades para organizações terroristas. Foi o fim da primeira Ku Klux Klan.

A segunda KKK

A KKK parecia morta. A repressão do governo havia funcionado. Em 1882, a Suprema Corte declarou o grupo inconstitucional – e na época a Klan praticamente havia desaparecido. Para alguns historiadores, o fim da primeira Klan deveu-se ao sucesso de seu objetivo: restaurar a supremacia branca nos estados do sul dos EUA. De fato, Carolina do Norte, Tennessee e Geórgia eram governados por simpatizantes da tal supremacia.

FONTE - beefcakepantyhose.deviantart.com
FONTE – beefcakepantyhose.deviantart.com

Mas os EUA estavam mudando. O ódio aos negros rapidamente encontrou outro alvos. O ressurgimento veio com a chegada de imigrantes europeus a partir do final do século 19, especialmente os católicos e judeus. Havia também o momento populacional interno, com o deslocamento de populações negras para áreas predominantemente brancas do Meio-Oeste. Em 1915, perto de Atlanta, na Geórgia, o coronel e pastor metodista William Simmons lançou as bases da segunda geração da KKK, inspirado pelo livro The Clansman (o homem do clã), de Thomas Dixon, publicado dez anos antes, e no extraordinário sucesso do filme O Nascimento de uma Nação, de D.W. Griffith, baseado no livro. O grupo permaneceu pequeno, mas com uma agenda de ódio mais abrangente – que incluía xenofobia e antissemitismo -, e progredia baseado na defesa do patriotismo e de um modo de vida protestante e branco típico das pequenas cidades americanas.

No cenário internacional, um novo elemento funcionou como combustível: a ascensão dos comunistas na Rússia e o crescimento do movimento sindical. Na década de 20, os membros da KKK passavam de 4 milhões. Ao contrário de 1865, a organização se expandiu geograficamente, chegando a regiões que sofriam as pressões sociais da industrialização. Em Detroit, cujo clima e cotidiano não poderiam ser mais diferentes que o dos estados do sul, arrebanhou 40 mil afiliados. A diferença de popularidade em relação ao passado era clara: a agenda da segunda encarnação da Klan tinha um apelo muito mais generalizado.

FONTE - truthernews.wordpress.com
FONTE – truthernews.wordpress.com

“Estamos falando do auge da KKK, em que ela se torna uma espécie de grupo de apoio numa era em que não existia previdência social, por exemplo. E não eram apenas fazendeiros ou trabalhadores braçais que se assustavam com questões de imigração e de mudanças nos modos tradicionais de vida”, diz Thomas Pegram, historiador e autor de “One Hundred Per Cent American” (Cem por Cento Americano), um estudo sobre a segunda encarnação da KKK. “Profissionais liberais também se juntaram às fileiras da Klan. A população americana na época era de quase 100 milhões, então perto de 5% fazia parte do grupo.”

Massificada e com presença em círculos mais altos da sociedade, a Klan pôde exercer influência política. Elegeu xerifes, juízes, deputados e senadores. “A KKK era interessante o suficiente para o eleitorado americano. Mas os políticos que elegia eram amadores e nunca fizeram frente à turma mais experiente. Essas ambições políticas acabariam justamente criando problemas de popularidade para a Klan, pois seus candidatos acabavam parecendo pior que os políticos profissionais aos olhos do público”, afirma Pegram. O caráter religioso fez ainda com que as milícias da KKK tivessem papel preponderante nos anos da Lei Seca nos EUA (entre 1920 e 1933, a fabricação e a comercialização de álcool foram proibidas no país), atuando como poder paralelo na repressão, não raramente usando a violência.

FONTE - paradigm-shift-21st-century.nl
FONTE – paradigm-shift-21st-century.nl

A decadência

O declínio começou quando os opositores da KKK passaram a se organizar. Grupos de pressão como a Liga Antidifamação, um poderoso lobby de defesa dos judeus, engrossaram um coro de protestos que ajudou a marginalizar a Klan. A Grande Depressão dos anos 30 também afastou gente de suas fileiras. Divisões internas e escândalos, como casos de corrupção e até uma condenação por assassinato de um líder no estado de Indiana, minaram o apoio popular. Um resultado imediato foi a fragmentação e radicalização do movimento. Grupos passaram a agir de forma independente e, de linchamentos, passaram ao terrorismo escancarado. Em Birmingham, uma das mais importantes cidades do Alabama, ataques com bombas incendiárias a residências de negros nos anos 50 eram tão constantes que a cidade ganhou o apelido de “Bom-bingham”. O terror acabou criando a própria derrocada da Klan. Em 1963, um atentado a bomba a uma igreja batista do Alabama matou quatro crianças e chocou o país. O então presidente Lyndon Johnson assinou o Decreto dos Direitos Civis de 1964, um marco na história das relações raciais e da democracia nos Estados Unidos.

Ainda nos anos 60, o surgimento do Movimento pelos Direitos Civis e a mobilização pelo fim da segregação racial nos EUA (negros, por exemplo, só tiveram direito universal de voto a partir de 1965) também foram fatores que ativaram a terceira encarnação da Klan. Ativistas que vinham dos estados do norte eram alvos preferenciais da organização, e as investigações do FBI sobre diversos incidentes no sul dos EUA durante a década de 60 serviram de pano de fundo para o filme Mississippi em Chamas. Quando o governo enfim aprovou a legislação de igualdade racial, também foi restaurado um ato especial que serviu para coibir as ações da KKK no século 19 – e os ataques começaram a ficar cada vez mais isolados, embora linchamentos, por exemplo, tenham ocorrido até 1981. A Klan era uma entidade anacrônica, que sobrevivia em pequenas comunidades atrasadas nas regiões mais pobres dos EUA. Era essa a “supremacia branca”?

FONTE - uncyclopedia.wikia.com
FONTE – uncyclopedia.wikia.com

Pequena e furiosa

A Suprema Corte dos EUA julga todo tipo de litígio. Poucos despertaram mais curiosidade pública em 2012 que um pedido de apelação impetrado pela Ku Klux Klan no estado da Geórgia contra a decisão do Departamento de Transportes local de negar a participação do grupo no “Adote uma Rodovia”, programa em que diversas organizações ao redor do país custeiam ou promovem mutirões para a limpeza de trechos de estrada. Ainda tramitando na Corte, o caso chamou a atenção não só pelo envolvimento de uma das mais temidas e notórias associações extremistas da história americana, mas pelo que soou como uma tentativa de jogada de marketing, incluindo um certo tom de desespero – enfim, algo patético.

A Ku Klux Klan nunca pareceu tão isolada. Inclusive quando se leva em conta o racha ideológico no país revelado pelos resultados da recente eleição presidencial (veja ao lado). Na América do século 21, os capuzes brancos e as cruzes incandescentes deram lugar à retórica do movimento Tea Party, um radicalismo de terno e gravata. A KKK também cheira à irrelevância: depois ter milhões de integrantes engrossando suas fileiras no século 20, hoje conta com menos de 10 mil membros. A julgar pelo caso da Geórgia, eles parecem viver uma senhora crise de identidade.

FONTE - www.telegraph.co.uk
FONTE – http://www.telegraph.co.uk

“A sociedade americana mudou bastante nas últimas décadas e isso ajudou demais a transformar a Ku Klux Klan numa organização fora de moda e vista como um bando de malucos. Vive em franca decadência desde as conquistas do movimento pelos direitos civis do final década de 60”, explica o sociólogo Aaron Winter, pesquisador do grupo de estudos Extremis, que analisa movimentos de extrema direita americanos e ao redor do mundo. “E o fato de não estar conseguindo mudar esse quadro, mesmo com a polarização político-ideológica nos EUA, é evidência maior de como ela está obsoleta”, acrescenta.
Se a emancipação dos negros americanos foi um duro golpe para a Klan, a ascensão de Barack Obama resultou numa oportunidade de recrutamento. “A sociedade americana ainda tem muito racismo, e a eleição de Obama por si só não iria acabar com isso, lembra Aaron Winter. O sul do país permanece uma área volátil especialmente com o crescimento da população hispânica e dos sentimentos pouco simpáticos dos americanos quando se fala de imigração. Não por acaso, é um dos assuntos favoritos nos pronunciamentos da KKK. “Somos acusados de racismo, quando na verdade apenas queremos salvaguardar os interesses da população branca americana. Não odiamos ninguém”, afirmou, numa recente entrevista à rede de TV CNN, April Hanson, secretária de um grupo da Klan no estado da Geórgia. A história parece discordar da senhora Hanson, como demonstrou o atentado terrorista de Oklahoma City.

Nascida para odiar

O estatuto da primeira Ku Klux Klan é um exemplo de que a organização surgiu voltada à destruição. Conheça alguns tópicos do Prescript:
– Membros não podem ter lutado contra os confederados na Guerra Civil
– Membros devem se opor à igualdade racial
– Membros devem ser a favor de um governo de brancos
– Membros devem ser a favor do retorno dos direitos dos homens do sul, incluindo os de propriedade (e de ter escravos)
– Membros têm de estar prontos para pegar em armas contra os abusos do poder.

FONTE - www.dailymail.co.uk
FONTE – http://www.dailymail.co.uk

Os estranhos “patriotas” americanos

A Ku Klux Klan pode ser o mais famoso grupo radical de direita dos EUA, mas está longe de ser o único. De acordo com a organização antirracista Southern Poverty Law Center, o número de grupos de protesto contra o governo ou intitulados “patriotas” saltou de 149 para 1 200 desde a eleição de Barack Obama em 2008. “A Ku Klux Klan nem é a mais perigosa organização nesse universo, que vem crescendo por causa da intolerância racial e dos problemas econômicos do país. É um fenômeno sem precedentes e que ocorre num momento perigoso”, diz Mark Potok, pesquisador-chefe do SPLC. O espectro de intolerância é amplo. Conta com neonazistas e organizações pregando o rompimento de Estados com a União. A Segunda Emenda da Constituição dá a indivíduos o direito de portar armas e se organizar em milícias. Racistas e xenófobos dividem espaço com rebeldes nas atenções do FBI: grupos ou cidadãos que se declaram soberanos e desobrigados a respeitar as autoridades foram um dos que mais cresceram desde a chegada de Obama ao poder.

FONTE - misteriossemexplicacao.wordpress.com
FONTE – misteriossemexplicacao.wordpress.com

O ritual da cruz
Um dos símbolos da Ku Klux Klan é a cruz incendiada ou iluminada. O ritual é do ressurgimento do grupo, nos anos 20, e não existia no movimento original, do século 19

Brasão
O emblema circular tem uma gota de sangue no formato do número 6. Remete aos fundadores da KKK e ao sangue derramado dos brancos. Antes era em forma de cruz e tinha o símbolo do yin-yang.

Em nome de Deus
A Klan defende o homem branco, protestante e sulista. A Bíblia é parte integrante dos rituais.

Roupas brancas
A intenção era representar fantasmas de soldados mortos durante a Guerra Civil – e assustar os negros. A ideia surgiu no livro The Clansman e foi adotada pela segunda encarnação da KKK

Bandeira da Klan - FONTE - shark-tank.com
Bandeira da Klan – FONTE – shark-tank.com

Batismo
O novo integrante tem de recitar um juramento: “Lembrem a todo momento: fidelidade à fé jurada é honra, vida, felicidade. Mas, para quem infringi-la, significa vergonha, desgraça e morte”.

Cruz em chamas
Representa o Espírito Santo e era usada em todas as reuniões da KKK. Surgiu na segunda encarnação. A ideia veio do filme O Nascimento de uma Nação (1915)

Armas nos rituais
A Klan é um grupo armado (e que defende a posse de arma como símbolo da luta do indivíduo contra o Estado, o que é garantido na Segunda Emenda da Constituição americana, que permite a criação de milícias).
Bandeira Confederada
Ela representa o Exército do Sul, que se insurgiu contra a União durante a Guerra Civil americana (1861-1865). Foi adotada em 1949.


FONTE – http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/ku-klux-klan-ascensao-queda-atual-sobrevivencia-mais-radical-sociedade-odio-americana-768966.shtml