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“COCO” CHANEL ERA ESPIÃ NAZISTA

Está Em Uma Nova Biografia da Famosa Estilista

“Sleeping with the Enemy: Coco Chanel’s Secret War” (Dormindo com o Inimigo: a Guerra Secreta de Coco Chanel, numa tradução livre) do jornalista Hal Vaughan afirma ter juntado todas as peças do quebra-cabeças sobre os rumores nunca verificados sobre o passado nazista desta rainha da moda.

“Sleeping with the Enemy’ fala sobre como Coco Chanel tornou-se parte da operação de inteligência alemã; como e porque foi alistada em missões de espionagem; como escapou da prisão na França depois da guerra, apesar do conhecimento de suas atividades”, afirma a editora Knoff em comunicado.
Entre as revelações do livro estão incluídas documentação com o número de agente nazista de Chanel, uma missão que realizou na Espanha, em troca da libertação de um sobrinho detido e sua relação com líderes do nazismo, como Hermann Goering e Joseph Goebbels, entre outros.

O livro do escritor e jornalista americano Hal Vaughan também apresenta provas sobre as ações de Chanel para encobrir outros espiões nazistas e uma tentativa de apropriar-se de bens de seus sócios judeus, afirma a editora na nota à imprensa.

Hal Vaughan descreve em detalhes a relação de Chanel com o barão Hans Gunther von Dincklage, um oficial alemão dos serviços secretos, mencionada em outras biografias da estilista, mas cuja verdadeira influência é apresentada pela primeira vez.

Capa do livro polêmico

“Dincklage é revelado aqui como um mestre da espionagem nazista e um agente da inteligência militar alemão que tinha a seu dispor uma rede de espões, no Mediterrâneo e em Paris, que reportava diretamente ao ministro de propaganda nazista Joseph Goebbels, considerado a mão direita de Hitler”, diz o comunicado.

A vida de Coco Chanel (1883-1971) é um filme em si, já que de órfã pobre transformou-se numa das grandes estilistas do século XX e que ainda fascina, 40 anos depois de sua morte.

Nasceu em 19 de agosto de 1883 em Saumur (oeste da França). Tinha 12 anos quando a mãe morreu e foi abandonada pelo pai junto a quatro irmãos.
Gabrielle Chanel – seu verdadeiro nome – viveu num orfanato e, já adulta, trabalhou numa confecção até conhecer um rico herdeiro, Etienne Balsan.

Um empresário inglês, Boy Chapel, considerado o grande amor de sua vida, ajudou-a a abrir seu primeiro estabelecimento, dedicado à fabricação de chapéus. Seguiu-se a alta-costura, com a inauguração da casa de número 31 da rua Cambon em 1919; pouco depois, lançaria o primeiro perfume, o N° 5.
Depois da Segunda Guerra Mundial, exilou-se na Suíça até 1953, regressando, em seguida à criação de uma coleção recebida friamente em Paris, mas que conquistou o mundo.

Chanel morreu em 10 de janeiro de 1971 num quarto do Hotel Ritz na capital francesa e foi enterrada em Lausanne (Suíça).

Fonte: http://cafehistoria.ning.com/, através da Agência France Prees

UM NAVIO PIRATA EM FLORIANÓPOLIS


Exploradores lutam para preservar e estudar destroços de embarcação espanhola que foi capturada por britânicos e naufragou no litoral catarinense no século XVII

Em 1989, o mergulhador Alexandre Viana encontrou uma botija antiga em uma parte rasa do mar da praia dos Ingleses, em Florianópolis. O aspecto do objeto o fez pensar em um naufrágio, mas ele não podia imaginar aonde o achado o levaria. Com o tempo, novas botijas e vários outros objetos começaram a surgir, e Alexandre fundou, junto com Narbal Corrêa e Marcelo Lebarbenchon Moura, o Projeto de Arqueologia Subaquática (PAS), para investigar a origem das misteriosas peças. Os anos de pesquisa levaram a uma constatação surpreendente: as botijas vinham de um navio que havia naufragado no litoral de Santa Catarina no século XVII.

Sede do PAS, que está catalogando as partes encontradas do navio- (C) Victor Carlson

O primeiro a levantar essa hipótese foi o historiador Amílcar D’Avila de Mello. Ele suspeitou que os destroços eram de uma embarcação espanhola tomada pelo pirata inglês Thomas Frins que naufragou em 1687 na atual praia dos Ingleses.

Com o tempo, os exploradores subaquáticos encontraram peças que corroboram essa tese, endossada ainda por pesquisas realizadas pelo arqueólogo Francisco Silva Noelli sobre artefatos de embarcações do período. “Esses piratas ficaram vários anos saqueando as colônias espanholas na costa do Pacífico e conseguiram um barco para encontrar outro grupo, ao todo 900 homens” – explica Viana. “Há relatos pontuais desses ataques. E achamos fragmentos de conchas e moluscos do Pacífico no lastro.”

Ao que tudo indica, havia também índios e negros a bordo, pois os mergulhadores encontraram fragmentos de ossos humanos, sugerindo batalha antes do afundamento da nau. De fato, Frins e seus homens foram capturados por Francisco Dias Velho, o bandeirante que fundou a cidade de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), e enviados a São Paulo para ser interrogados. O documento que atesta a captura, infelizmente, perdeu-se, mas seria, ao que tudo indica, o melhor endosso de todas as interpretações. O assassinato de Dias Velho pode ter sido cometido por Thomas Frins, que, solto, foi vingar-se.

Desenho esquemático dá uma ideia de como era a nau, que foi a pique em 1687- (C) Victor Carlson

Hoje, o PAS tem a guarda de um notável acervo. Essas peças atualmente passam por um processo de restauro e conservação em contêineres montados na praia dos Ingleses, que servem também de laboratório e espaço para exposição ao público. Seu livro de visitas conta com mais de 25 mil assinaturas. O projeto recebe apoio do governo estadual e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Além disso, seus integrantes obtiveram a primeira autorização da Marinha para exploração. Pode-se falar em êxito até aqui.

Imagem ilustrativa. Fonte-http://www.google.com.br/imgresMCoasM

Esse tipo de acervo, porém, demanda técnicas de análise e conservação específicas e continua em tratamento, à espera de um destino à altura da descoberta, dos esforços de desvendamento e do patrimônio. “Vamos definir o que é preciso para instalações adequadas e exposição”, afirma o atual presidente do PAS, Narbal Corrêa, que precisará, sem dúvida, do apoio das autoridades. Trata-se da preservação de um achado arqueológico que o acaso tornou relíquia de Santa Catarina e do Brasil. É a luta presente dos integrantes do PAS.

Autora – Mônica Cristina Corrêa – Doutora em língua e literatura francesa pela USP, tradutora e representante cultural da Succession Saint-Exupéry em Santa Catarina.

Fonte – http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/um_navio_pirata_em_florianopolis.html

A DESCOBERTA DA AUTOBIOGRAFIA DO PRIMEIRO GRANDE CRAQUE DO FUTEBOL BRASILEIRO

QUANDO PAPEL VELHO VALE MUITA COISA

Quem primeiro divulgou foi o jornalista Juca Kfouri, na sua coluna do jornal “Folha de São Paulo”. Depois a TV GLOBO divulgou no Esporte Espetacular do último domingo, da forma mais capenga que se pode imaginar.

Em todo caso é uma extremamente interessante para quem é interessado e apaixonado pela história de maneira geral.

Cesar Oliveira é um editor de livros sobre futebol e comanda um site interessante sobre o nobre esporte bretão (www.livrosdefutebol.com), consta que o mesmo herdou a biblioteca de Milton Pedrosa, o organizador da pioneira coletânea “Gol de Letra- Futebol na literatura brasileira” Lançado em 1968, este raro livro é uma primorosa seleção das melhores crônicas do futebol brasileiro, escritas por gênios como Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues, Sergio Porto, Fernando Sabino, Mario Filho, Carlos Heitor Cony, Armando Nogueira, Carlos Drummond de Andrade, Aparício Torelli (Barão de Itararé), Coelho Netto, Graciliano Ramos, Henrique Pongetti, José Carlos de Oliveira, José Lins do Rego, Mario de Andrade, Max Valentim, Oswald de Andrade, Paulo Rónai, Thomas Mazzoni, e outros.

Pareciam apenas papéis velhos, esquecidos, aparentemente sem valor. No meio do calhamaço, melhor, verdadeiro catatau de papéis velhos, o editor Oliveira encontrou uma pasta rosa, onde haviam 135 páginas datilografadas com o texto original e autobiográfico escrito por Arthur Friedenreich, o primeiro grande craque das massas alucinadas pelo futebol no Brasil.

Arthur Friedenreich

E não era só. No meio do material de Milton Pedrosa estavam cem fotos Arthur Friedenreich, todas inéditas, algumas com mais de cem anos, todas em perfeito estado de conservação. Tudo devidamente autorizado para publicação, com a assinatura da viúva do craque, Dona Joana Friedenreich.

Quem foi Arthur Friedenreich?

Ele foi tão somente a primeira grande lenda do futebol brasileiro.

Simples assim?

Certamente.

Arthur Friedenreich, ou El Tigre, ou Fried, como era conhecido, viveu entre 1852 e 1969, era filho de um imigrante alemão, alto, daqueles branquelos, com olho verde, com uma moreníssima brasileira, que trabalhava como empregada doméstica e era uma mulher conhecida por ser reservada.

Um dado interessante é que o craque manteve uma positiva relação com Charles Willian Miller, o inglês que trouxe o futebol ao Brasil foi um de seus mentores.

Charles Willian Miller

Segundo os textos escritos pelo próprio jogador “Fui aperfeiçoando meus recursos olhando Charles Miller, chutando a redonda sob seu olhar, que foi assim como o meu professor primário no futebol. Mas coube a Hermann Friese, que fora campeão no futebol alemão, me ensinar o secundário e o superior. Com ele, comecei a subir a ladeira e cheguei à efetivação no nível mais alto do futebol.

Herman Friese foi, junto com Miller, um dos pioneiros da criação do futebol brasileiro. Havia nascido em Hamburgo, Alemanha e falecido em São Paulo, teria sido o primeiro estrangeiro a jogar no Brasil foi juiz de futebol e técnico, sendo o primeiro treinador oficial de Friedenreich.

Herman Friese

Friedenreich foi também o primeiro grande nome da Seleção Brasileira. Em 1919, no Campeonato Sul-Americano, a atual Copa América, que foi disputada nas Laranjeiras, no estádio do Fluminense, para um público de 35.000 pessoas, quando o futebol era muito mais violento que hoje, e não havia o temido cartão vermelho.

Estádio das Laranjeiras, 29 de maio de 1919

O craque marcou o gol que valeu o primeiro título importante de nosso futebol, contra o Uruguai. Nascia ali a idolatria em torno do nome dele. Ele foi carregado pelas ruas do Rio de Janeiro e suas chuteiras ficaram expostas numa joalheria na Rua do Ouvidor, a principal do comercio carioca no início do século. Foi a primeira manifestação da massa em torno de um jogador de futebol.

Friedenreich Junto a Seleção Brasileira. Ele está agachado, ao centro

O editor César Oliveira comentou sobre este jogo que “Segundo os cronistas da época, o Uruguai batia muito no time do Brasil. Houve duas prorrogações, e as seleções jogaram 150 minutos. Friedenreich, mesmo sem dois dentes na boca, porque um uruguaio tinha acertado ele, conseguiu marcar o gol do título”.

Tesouro

Segundo César de Oliveira “Herdei da família do jornalista Milton Pedrosa, de cujos filhos sou amigo, o acervo da Editora Gol”, uma editora criada exclusivamente para lançar títulos exclusivamente sobre o futebol, mas que faliu e daí se explique o porque de  Milton Pedrosa não ter lançado este tesouro.

"El Tigre" em ação

Depois de 41 anos perdidas no acervo da família do autor de “Gol de Letra- Futebol na literatura brasileira”, esses documentos são parte da memória do futebol brasileiro. César de Oliveira  considera que estes documentos precisam e devem ser cuidadas por entidades dedicadas à preservação de iconografia histórica. Com profissionais gabaritados que cuidem delas, limpem, restaurem, preservem, arquivem, indexem e abram para consulta pública”, diz, se colocando-se aberto a negociações: “Quero ter certeza de que serão bem tratadas.”

O editor disse não acreditar que a biografia tenha sido escrita por Friedenreich, mas por um dos primeiros repórteres envolvidos com o futebol, que assinava com o pseudônimo de Paulo Várzea. “O livro tem característica de um jornalista com textos bom de ler sobre fatos do cotidiano”, afirma, confidenciando que Friedenreich é apresentado como uma criança que não gostava de ir à aula e preferia jogar bola.

Uma lenda que foi desmitificada pelo texto encontrado, dizia que Friedenreich teria feito mais de 1.300 gols em sua carreira, numa época que não havia uma divisão clara entre profissionais e amadores. Na verdade, ele marcara “apenas” 550 tentos de forma oficial. Mas, considerando os números de jogos, Arthur Friedenreich alcançou uma média de gols por partida melhor que a do próprio Pelé.

Este verdadeiro tesouro arqueológico deve se transformar em um interessante livro em pouco tempo. Mesmo sendo adorado pelo público da sua época, existem poucos registros de sua trajetória esportiva ou pessoal de Arthur Friedenreich. Por esta razão o achado do editor carioca César Oliveira se torna ainda mais raro e especial.  O editor está em busca de patrocinadores para lançar o livro em 2012, quando se comemoram os 120 anos de nascimento do jogador e pretende resguardar os originais.

Fontes

http://blogdojuca.uol.com.br/2011/07/preciosidade/

http://pt.wikipedia.org

http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2011/07/tesouro-do-futebol-editor-encontra-autobiograifa-de-arthur-friedenreich.html

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O BONSAI NORDESTINO

Quem tem a oportunidade de conhecer um típico bonsai se encanta com esta verdadeira obra de arte natural, produzida pelo homem através de cuidados especializados.

Apesar de associados à cultura japonesa, foram os chineses os primeiros a cultivar árvores e arbustos em vasos de cerâmica. Atualmente muitas pessoas em todo o mundo tem no cultivo de um bonsai um hobby extremamente atraente.

Já na bela cidade serrana de Triunfo, encravada a mais de 1.000 metros de altitude, em pleno sertão pernambucano encontramos uma pessoa que criou um original “Bonsai Sertanejo”.

O Bonsai Nordestino

Valdilene Alves da Costa é a competente Gerente de Atendimento da aconchegante Pousada Baixa Verde, que nas horas vagas começou a desenvolver um autêntico bonsai com plantas típicas da caatinga nordestina.

Ela informa que a ideia original foi de seu amigo Aliomá Rodrigues, um triunfense que atualmente reside na cidade pernambucana de São José de Belmonte e trabalha como funcionário público na área da justiça. Aliomá desenvolveu este hobby pela admiração que possui em relação à cultura oriental, só que buscou adaptar as plantas típicas da região de Triunfo e das cidades circunvizinhas em seus bonsais. Valdilene se interessou pelo método e o amigo Aliomá prontamente lhe ensinou a forma e os métodos para desenvolver estes pequenos exemplares da típica caatinga sertaneja.

A base destes bonsais são pedras graníticas planas, fáceis de serem encontradas na região. Na sequência, utilizando cimento, são unidas a esta pedra principal vários seixos de cascalho, que servem como proteção lateral. Depois é colocada a terra misturada com adubo orgânico e as plantas.

O segredo para os cactos não crescerem e sua manutenção são muito fáceis de serem realizados. Segundo Valdilene deve-se deixá-los na sombra, adicionando uma vez por semana um pouco de água, procurando não molhar diretamente os cactos, que a artesã mistura com plantas do tipo suculentas..

Como o Sertão é um paraíso da biodiversidade, não faltam variedades de cactos para colocar nestes bonsais. São exemplares de pequenos mandacarus, xique-xiques, facheiros, rabo de raposa, coroa de frade, palma, espinheiro e muitas outras, todos naturais e conseguidos na região.

Valdilene vende seus bonsais já prontos, por valores que se iniciam a partir de R$ 20,00. Infelizmente, pelo peso e tamanho destas pequenas obras de arte naturais, ela informa que a venda destes bonsais pelo correio é inviável e a única maneira de se conseguir este produto é comprando diretamente com ela, na Pousada Baixa Verde, em Triunfo.

Valdilene confessa que não sabe praticamente nada sobre os métodos de criação e manutenção dos bonsais clássicos. Não sabe dizer se o que aprendeu a fazer com seu amigo Aliomá é realmente um bonsai. Mas isso não importa, pois para ela o que vale é o prazer de criar estes pequenos cenários da flora da caatinga e mostrar a beleza da nossa natureza típica.

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AS IMAGENS NAS PAREDES DAS ANTIGAS CASAS DO SERTÃO

Autor – Rostand Medeiros

Sempre que viajo ao sertão gosto de observar os costumes, o modo de vida, a forma como o sertanejo interage com o Mundo.

Aguço meus sentidos principalmente quando estou nos sítios, nos rincões, nas pequenas ou grandes propriedades rurais, sejam nas modernas ou nas antigas, com seus sótãos, suas grossas paredes e histórias.

Fique bem claro que ao fazer estas observações, nunca faço de modo pedante, superior, tipo “o cara da capital que olha de cima”, mas apenas pela ideia de poder ainda observar os últimos resquícios do velho sertão, que muda cada dia, cada vez mais rápido.

Não sou contra a evolução, o progresso, apenas tenho a utopia de ver o que Câmara Cascudo e Mario de Andrade viram em sua viagem pelo sertão, ou ver os costumes que Oswaldo Lamartine observou e transmitiu magistralmente.
Sei que agora, o que existe, é somente uma pálida visão deste antigo sertão.

Observei que mesmo nos sítios mais distantes, no interior das casas sertanejas, a velha iconografia existente nas paredes destas casas, está cada vez mais difícil de ser observada.

As figuras atualmente mostradas são muito distintas das imagens que os sertanejos orgulhosamente apresentavam, com sua variedade de contrastes, suas figuras santificadas, suas simpatias e outros temas. Sobram imagens inúmeras outras bandas de um forró de qualidade duvidosa, ou imagens de ídolos do futebol e da televisão.

Não que a figura santificada tenha deixado de existir, mas o espaço diminuiu e muito. Os políticos ainda se fazem presentes, mas diferente do passado, mais na época de eleição.

Neste sentido, no jornal “A Republica”, de 13 de março de 1923, em um artigo intitulado “A Iconographia Sertaneja”, já se apontava as mudanças da percepção iconográfica do sertanejo potiguar de então.

Naquele tempo, junto com a imagem do santo de devoção, já havia a figura do político. Entre as imagens mais vistas, até nas “mais humildes choças”, estava o retrato de Augusto Severo, depois as figuras de Pedro Velho, Ferreira Chaves e uma ou outra de Alberto Maranhão.

A figura do ex-senador Almino Afonso, outrora muito popular, estava deixando de ser vista. Fato semelhante ocorria com a figura do velho chefe político de Mossoró, Almeida Castro.

O retrato de Augusto Severo ainda era popular em 1923, devido à mitificação da sua figura como o “grande herói potiguar dos ares”. Em relação à ainda estarem fixados nas paredes sertanejas, as figuras da decadente oligarquia Maranhão e seus aliados, pode-se explicar no sentido que estas figuras políticas estavam, naquele período, deixando o cenário do poder, para a ascensão de José Augusto Bezerra de Medeiros e Juvenal Lamartine de Faria. Deve-se levar em conta que as informações naquele tempo demoravam muito a chegar aos rincões do nosso Estado.

Papa Leão XIII

Chama a atenção no artigo, o fato do autor comentar existirem muitas fotos do Papa Leão XIII e poucas dos seus sucessores, Pio X e Bento XV. Provavelmente isto se devia ao sucesso que este Papa obteve junto ao clero nordestino. O Papa Leão XIII ficou conhecido pelas suas doutrinas econômicas, nas quais ele argumentava a falha do capitalismo e do comunismo. Ficou famoso como o “papa das encíclicas”. A mais conhecida de todas foi a “Rerum Novarum”, de 1891, sobre os direitos e deveres do capital e trabalho. Ele introduziu mudanças fortes no pensamento social católico, que alcançaram o sertanejo de outrora e fizeram a sua figura ser um sucesso nas casas do sertão nordestino.

Outro ponto tocado pelo autor foi o fato de, em meio a um Brasil efervescente de revoltas e revoluções, não haver encontrado a foto de um “agitador das massas”, mostrando o conservadorismo das populações interioranas.

Já o santo mais visto nas casas não poderia ser outro que não São José, principalmente pela sua relação com o dia 19 de março, o dia decisivo, o dia da verdade, o dia quando o agricultor sabe se vai ter ou não chuvas, se o seu ano está salvo ou perdido. A figura deste santo existia em quadros de todos os tamanhos e formatos. Nossa Senhora, sobre qualquer invocação, era sempre muito popular.

Em um sertão de poucas letras, de poucos livros, onde as figuras ditas “letradas”, eram praticamente invisíveis nestes lares. O autor afirmou ter encontrado, em apenas uma casa, a figura do poeta Olavo Bilac.

Nos locais que moravam as pessoas mais idosas, ou que um venerável idoso era o comandante deste lar, era normal as imagens de D. Pedro II, com sua respeitável barba branca, e a da “Redentora”, a princesa Isabel.

Uma surpresa; Segundo o autor de “A Iconographia Sertaneja” neste época a figura do padre Cícero Romão Batista era extremamente popular no sertão, com muito prestígio e enorme influência. Para ele era difícil alguém de fora fazer até uma simples crítica ao “Padim Ciço do Joazeiro”.  Contudo, apesar de todo o prestígio do cura cearense poucas eram as imagens deste “santo” nas casas sertanejas visitadas.

Antigamente, ao se entrar em uma casa no sertão, era fácil conhecer o pensamento político, o santo de sua devoção e outras características. Hoje é diferente.

As duas fotos que apresento, foram conseguidas no interior da Paraíba, em duas localidades distintas e bem pequenas, próximas as fronteiras com o Ceará e Pernambuco. Foram as imagens que considerei mais bonitas e originais.

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VOCÊ QUER SABER SOBRE SEUS ANTEPASSADOS?

Você gostaria de saber informações sobre seus antepassados? Sobre sua árvore genealógica, então deve entra no endereço http://www.familysearch.org/eng/default.asp (inglês) ou https://new.familysearch.org/pt/action/unsec/welcome (português) e iniciar uma busca.

A “Family Search International” é considerada a maior organização que trabalha o tema da genealogia em todo o mundo.  Sua principal ferramenta consiste no site FamilySearch.org, que oferece acesso gratuito a imagens digitais de registros genealógicos em todo o mundo. É uma grande coleção de registros, recursos e serviços projetados para ajudar as pessoas a aprender mais sobre sua história familiar.

A “Family Search” foi criada em 1894, em Salt Lake City, nos Estados Unidos, primeiramente como Genealogical Society of Utah (GSU), um dos segmentos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Igreja Mórmon), que até hoje administra esta organização em mais de 110 anos de trabalho em prol da genealogia em todo o Planeta.

A “Family Search International” começou a utilizar a microfilmagem para seus registros genealógicos em 1938 e a imagem digital de registros em 1998. Estas imagens, que abrangem famílias de mais e100 países, estão armazenadas no Granite Mountain Records Vault. Este é um grande arquivo, escavado profundamente no subsolo, próximo ao Cnyon Little Cottonwood, próximo a Salt Lake City.

Granite Mountain Records Vault

Nestas instalações, ideais para criar um ambiente controlado para o armazenamento de longo prazo e apto a resistir até mesmo a ataques atômicos. Lá estão mais de 2,4 milhões de rolos de microfilme, que equivalem a mais de 3 bilhões de páginas de registros familiares e todo ano mais 40.000 rolos de microfilme são incorporados ao acervo.

Mas para que os Mórmons tem todo este trabalho, quando a maioria dos nomes  registrados, que estão guardados e disponibilizados no site da“Family Search International”, não são de membros de sua igreja?

Os membros de Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias acreditam que o rastreamento da linhagem de uma família é essencial, pois as famílias são destinadas a ser a força central de nossas vidas e que as relações familiares são destinadas a prosseguir para além desta vida. Isso independente de questões religiosas, politicas, de origem étnica, etc.

Os arquivos no subsolo

Não se acanhe nobre leitor de tentar saber um pouco mais sobre suas raízes. O fato de viver na América do Sul, ser brasileiro e nordestino não é problema para utilizar esta maravilhosa ferramenta e conhecer mais sobre seus antepassados.

Boa Sorte.

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UM FORTE ABRAÇO AO POTIGUAR OSCAR SCHMIDT

Recentemente todo o Brasil ficou apreensivo com a notícia da internação de Oscar Schmidt no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para a retirada de um tumor do cérebro.

Foi durante uma viagem ao exterior que Oscar passou mal e retornou ao nosso país, onde foi submetido a esta cirurgia. O hospital informou que a operação foi realizada com o objetivo de retirar um nódulo localizado na parte frontal esquerda do cérebro.

Ainda segundo a imprensa, o hospital esclareceu que um exame parcial realizado durante a cirurgia, apontou que o nódulo é benigno (de menor gravidade), mas enfatizou que a confirmação definitiva deste diagnóstico só “deverá ser divulgada nos próximos dias”.

Para alegria de todos os procedimentos cirúrgicos foram realizados com sucesso e Oscar está se recuperando de forma satisfatória. A imprensa divulgou que ele está “com muito bom humor”.

Para quem não sabe Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em Natal, no dia 16 de fevereiro de 1958. Ele é filho de Seu Osvaldo Aires e de Dona Janira Bezerra, uma orgulhosa seridoense da cidade de Parelhas.

Até 1970 Oscar e seus familiares residiram na capital potiguar, onde nasceram seus dois irmãos, Luiz Felipe (oficial da Marinha) e Emanuel Tadeu (jornalista e apresentador da Rede Globo).

No primeiro semestre de 2009, em Brasília, tive a oportunidade de conhecer Seu Osvaldo, Dona Janira e Oscar. Coincidentemente este encontro se deu em um restaurante de comidas típicas do nosso sertão, onde eles apreciavam um belo prato de carne de sol.

Extremamente simples e atenciosos, nunca esqueci como sua mãe valoriza suas raízes e de como Oscar tem orgulho de ter nascido em Natal e no Rio Grande do Norte. Já seu Osvaldo demonstrou um afeto muito especial por Natal, fato este comum em praticamente todos os militares que vieram servir as Forças Armadas na capital potiguar.

Para minha satisfação, mesmo sendo um encontro fortuito e inesperado, ao conversar com Dona Janira descobri que ela havia conhecido pessoas da minha família quando morava em Parelhas. No bate papo com Oscar ele espontaneamente buscou conhecer mais detalhes dos aspectos históricos de região de origem de sua mãe.

Isso tudo é muito positivo, pois já tive a oportunidade de conhecer pessoas que por pura ignorância, negam ter nascido no Rio Grande do Norte e desvalorizam suas raízes. Ao ver uma figura como Oscar Schmidt ter este posicionamento, cada vez mais me convenço que devemos conhecer e valorizar nossas origens, pois sem isso certamente uma pessoa tem pouco futuro.

Confesso que me recordei da maior conquista deste grande jogador. Foi a sensacional vitória do Brasil frente aos Estados Unidos, nos Jogos Pan-americanos de Indianápolis, em 1987 (na casa dos “hômi”), que deu a medalha de ouro ao nosso país com uma maravilhosa vitória de 120 a 115 pontos.

Era um domingo à noite e este fantástico jogo foi transmitido pela extinta TVE do Rio, e retransmitido em Natal pela TV Universitária. Simplesmente não acreditava vendo a vitória brasileira e vibrando junto com a minha irmã Carla Régia por este feito sensacional. Aquilo foi incrível.

Espero que logo o nosso “Mão Santa” esteja de volta as suas atividades de comentarista e palestrante, estando plenamente recuperado.

Valeu campeão.

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