GENEALOGIA – COMO E POR QUE OS MÓRMONS ESTÃO CATALOGANDO TODOS OS REGISTROS CIVIS DO BRASIL

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Crédito: Felipe Larozza/ VICE

Texto – Cláudio Goldberg Rabin

As pessoas conhecem os mórmons como aqueles jovens que vagam o mundo, de camisas engomadas para dentro das calças pretas, batendo de porta em porta para converter os fiéis à palavra de Joseph Smith. Há, porém, uma face menos conhecida e mais impressionante da fé professada pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: a obsessão por catalogar todo e qualquer documento que comprove a passagem de uma alma pela Terra.

Em abril, a Igreja Mórmon fechou um acordo para limpar, digitalizar e catalogar quase 200 mil livros cartorários, com registros de nascimento, óbito e casamento que estavam parados à espera de um milagre no Arquivo Público de São Paulo. O milagre chegou pelas mãos do projeto Family Search, braço da igreja que coleta documentos de valor genealógico e mantém um site de mesmo nome para buscas por familiares. Não foi o primeiro acordo do tipo no Brasil. Não será o último.

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Crédito: Felipe Larozza/ VICE

“Antes de virem para cá, esses documentos ficavam num galpão na Mooca [bairro da Zona Leste de São Paulo], que era insalubre e precário. Estiveram por 30 anos sujeitos a todo tipo de intempéries, como luminosidade muito forte ou infiltrações. Alguns desses livros foram acometidos de avarias”, disse o historiador Wilson Ricardo Mingorance, diretor do Centro de Arquivo Administrativo do órgão e um dos responsáveis pelo acordo.

Em termos não-técnicos, significa que os livros estavam cheios de pó e fungos. O problema dos fungos foi eliminado antes da parceria: o material passou por um bombardeio de radiação de Cobalto-8 e depois foi para o depósito na sede do Arquivo em Santana, perto da estação de metrô Portuguesa-Tietê. Lá, a ONG mórmon e o órgão público fecharam acordo de cooperação que previa limpeza, digitalização e catalogação do material em até dois anos.

Mingorance disse que não há dinheiro envolvido e por isso não se trata de uma parceria público-privada. O projeto usa as dependências arquivo e só. Banca todos os custos — que são altos. Por curiosidade, o diretor pesquisou quanto uma empresa privada cobraria pelo serviço. Daria R$ 22 milhões.

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Crédito: Felipe Larozza/ VICE

Mas dinheiro não é problema. Mario Silva, gerente de relacionamentos da Family Search e responsável por buscar e cultivar parcerias parecidas pelo país, não revelou os custos da operação, mas disse que a sede da igreja em Salt Lake City, no meio-oeste americano, considera o Brasil uma prioridade. Pelos cálculos dos mórmons, existem 1,3 milhão de fiéis no país. Os dados do IBGE, contudo, são mais conservadores: 226 mil pessoas, segundo o Censo de 2010.

De qualquer maneira, o investimento é alto: “O Brasil é o país com o maior número de equipamentos depois dos Estados Unidos. São 41 contra 48”, disse Silva. Por equipamentos, eles quis dizer as unidades de trabalho que contam com máquina fotográfica, computador e lâmpadas, como se fosse um mini-estúdio no qual o modelo é uma página de livro. O custo de uma estação pode chegar a U$ 20 mil. Os operadores, que são terceirizados pela empresa de recursos humanos Randstad, trabalham como se estivessem em uma linha de produção e se divide entre higienização e digitalização. É uma rotina no estilo Tempos Modernos, mas de proporções bíblicas.

A equipe de limpeza tem nove pessoas. Um passa o aspirador de pó na capa, lombada, primeira e última página para tirar o grosso do pó. Em seguida, os livros vão para duplas de limpadores que ficam sentados em cadeiras altas em frente a mesas de sucção que passam até três tipos de pincel em cada — repito: cada — página. Com toucas, aventais descartáveis brancos e óculos de proteção, o grupo lembra aqueles comerciais antigos da Intel caso fossem refilmados pela página do Facebook O Brasil Que Deu Certo.

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Crédito: Felipe Larozza/ VICE

O tempo de limpeza, me disse Rafael Aquino da Silva, 21, é de mais ou menos 10 minutos por unidade. Às vezes mais: “Os livros variam muito. Tem uns que vêm zoados mesmo”.

Depois de limpos, os livros são recolhidos e entregues à equipe de digitalização, que fica numa sala separada ao lado. Cada um dos 23 funcionários fica em uma estação. O trabalho consiste em virar as páginas dos livros cartorários e fotografar cada uma disparando a máquina fotográfica com um clique na tecla de espaço — pressionada com a mão ou com os pés. É tão mecânico que algumas pessoas assistem a episódios de séries no celular enquanto operam o sistema. A sala cheira a pó. Som é de várias páginas viradas a cada segundo e dos obturadores sendo disparados para registrar o nosso passado burocrático.

Cada imagem têm entre nove e 20 megas. Daiane Alves, 20, a coordenadora do setor, disse que cada operador faz cinco mil fotos por dia. É um volume de dados de um terabyte por semana por computador. Às sexta-feiras, a empresa recolhe os HDs e os envia por Sedex para Salt Lake City onde cada imagem é conferida por uma equipe local. Lá os mórmons armazenam a informação em um cofre gigantesco escavado em uma montanha de granito a 20 quilômetros da cidade. O local foi projeto para resistir a uma guerra nuclear. Mais tarde, as imagens ficam disponíveis para consulta pelo site da Family Search e o arquivo público fica com uma cópia.

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Crédito: Felipe Larozza/ VICE

Com escalas diferentes, o mesmo procedimento já foi feito em 17 dos 27 Estados brasileiros. De cemitérios em Ponta Grossa, no Paraná, passando por em cartórios da Paraíba e pelo registro de escravos no Rio Grande do Sul, há vários projetos já executados, em andamento ou em negociação.

Como os registros civis só se tornaram obrigatórios em 1920, os mórmons também rodam o Brasil catalogando arquivos de dioceses católicas. “Há algum tempo atrás havia muita gente que nascia, vivia e morria sem ter um documento nesses rincões do Brasil. Em muitos casos, o único registro da passagem desse indivíduo pela terra é o batismo católico”, disse Silva, do Family Search. Um terço das cerca de 300 dioceses nacionais já foi registrada.

Segundo Silva, por vezes existe alguma resistência por parte de alguns bispos, mas não é a regra. A questão entra na seara religiosa e na motivação da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em operar mais de 300 câmeras em diferentes países.

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Crédito: Felipe Larozza/ VICE

Antes mesmo de eu perguntar, Silva explicou o que embasa a motivação: “Para nós, as famílias são eternas. Os relacionamentos não terminam com a morte. Todo mundo vai morrer, mas todos vão ressuscitar e viver para sempre. E quem for merecedor viverá para sempre como família”. O céu mórmon seria mais ou menos como um eterno encontro familiar de Natal. Na prática, a igreja investe para que os membros tenham acesso a informações que lhes permitam montar uma árvore genealógica e conhecer a própria história.

Mais importante: a doutrina permite que os fiéis batizem antepassados que não são mórmons. Silva explica: “Meu tataravô era índio. Ele nasceu, viveu e morreu no meio do mato. Nem teve a chance de ouvir falar em Jesus Cristo. Morreu e não foi batizado. Seria justo que ele ficasse privado das bençãos do evangelho porque nunca teve a chance de aceitá-las? Para nós, não”.

A treta com as outras religiões é pela possibilidade da conversão póstuma de qualquer pessoa. O responsável pela Family Search afirma que isso não é possível, já que os templos só permitem a cerimônia em linhas de descendência direta. Nos demais casos, é preciso de autorização de um parente. Ele gostaria, por exemplo, de converter o Ayrton Senna, mas não pode. “É preciso ter um laço de sangue”.

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Crédito: Felipe Larozza/ VICE

Ainda assim, nos Estados Unidos há diversas denúncias de batismo involuntário. Entre os nomes mais famosos estão Anne Frank e Mahatma Gandhi. Não é uma prática comum, mas também não é algo que pode ser controlado. Por outro lado, embora alguns líderes religiosos considerem a prática um desrespeito, condenar o ato é um tipo de aceitação tácita de que a crença mórmon está certa.

Mas há também um outro motivo, que é um tipo de soft power religioso. A igreja, por meio do site da Family Search, permite que qualquer pessoa tenha acesso à informações sobre seus antepassados. Não é um tipo evangelização ostensiva, como missionários batendo de porta em porta, mas é um mecanismo para ganhar corações.

E ao menos o meu foi conquistado. Testei o site com alguns amigos, mas não encontrei nada. Ao procurar pelos meus parentes, encontrei o cartão de imigração do meu bisavô quando chegou ao Brasil em 1939. Judeu-alemão, veio da Holanda depois de ter fugido dos nazistas na Alemanha. Foi, de alguma maneira, reencontrado pela obsessão da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

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FONTE – http://motherboard.vice.com/pt_br/read/a-grande-arvore-genealogica-mormon

A FAZENDA COLÔNIA – UM INTERESSANTE LOCAL DA HISTÓRIA DO CANGAÇO

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Trago aos amigos que visitam a página do blog TOK DE HISTÓRIA, o texto do amigo Sálvio Siqueira que conta a história da mítica Fazenda Colônia, em Pernambuco. Este foi o local de nascimento do cangaceiro Antônio Silvino e do tenente João Bezerra, o homem que comandou a volante que matou Lampião. 

Conheço este local desde 2006 e lá retornei algumas vezes. Em 2008 ali estive visitando com amigos algumas grutas que serviram de esconderijo para Antônio Silvino e seus cangaceiros. Esta foi uma das primeiras postagens do TOK DE HISTÓRIA. (https://tokdehistoria.com.br/2010/12/29/as-grutas-da-fazenda-colonia-2/ )

Já em 2013 lá estive com a equipe da TV Brasil, de Brasília, realizando o episódio do programa “Caminhos da Reportagem” sobre Cangaço (https://tokdehistoria.com.br/2013/08/29/junto-com-a-tv-brasil-nas-trilhas-de-lampiao-em-pernambuco-ii/)

A Fazenda Colônia é um lugar que merece ser visitado, que nosso amigo Sálvio apresenta neste texto.

Boa leitura!

Texto – Sálvio Siqueira

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A história nos relata que por volta do século XVIII, colonos já habitavam a citada Serra. Uma fazenda, autossustentável, como tinha que serem na época, adota o nome da serra, Colônia. Na localidade, primeiro, “instalaram um engenho de cana-de-açúcar que funcionava com mão de obra escrava; – segundo dizem os antigos da região – também existia um cemitério na dependência de tal Fazenda, já em 1801”, onde, segundo relatos, está sepultado o corpo de “Batistão”, Francisco Batista de Morais , pai de Batistinha ou Nezinho, Manoel Batista de Morais, futuro “Antônio Silvino”.

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Nas terras dessa fazenda nasceram duas personagens que ficaram encravadas nas pilastras da História do Cangaço, Manoel Batista de Morais e João Bezerra da Silva. Um, seguiu as veredas dos cangaceiros, chegando a ser chefe de bando tendo, ficando na história conhecido como o cangaceiro Antônio Silvino, “O Rifle de Ouro”, que em 1914, depois de ter sido baleado, entrega-se ao aspirante Theófanes Ferraz Torres, que o remove para Casa de Detenção na cidade do Recife, capital de Pernambuco.

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.Já o outro, João Bezerra da Silva, foi para o lado oposto, no Estado vizinho das Alagoas, fazer parte da Força Pública daquele Estado, aonde viria comandar, em 1938, já como tenente da Força Pública alagoana, o ataque que colocou fim a vida de Lampião, mais dez cangaceiros e um Praça da Força Pública do Estado de Alagoas, da volante do, então,Aspirante Francisco Ferreira de Melo, Adrião Pedro de Souza, no coito de um riacho da fazenda Forquilha, local que ficou conhecido como “Grota do Angico”, no município, hoje, de Poço Redondo no Estado de Sergipe.

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João Bezerra era primo de Manoel Morais, o “Rifle de Ouro”. Os dois eram esquerdos e Nezinho, Silvino, ensina o primo João como lidar com as armas.

A dita fazenda fica, hoje, fincada próximo ao Distrito de Ibitiranga, no município da cidade de Carnaíba – PE.

No último dia 09 de março de 2016, nós, Edinaldo Leite, Jorge Veras e eu, fomos fazer uma visita pesquisa à sede da dita fazenda. 

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Trouxemos para os amigos vários registros fotográficos, das casas, do antigo engenho e da Capela, que, acho, tem todas as características de ser uma Igreja, e não uma Capela.

Normalmente os estudos mostram imagens externas da Capela. Nós, capturamos imagens internas inéditas para nossos amigos. Mostramos a madeira de lei, cedro, como marco secular, sustentando e protegendo a história que por suas portas adentraram.

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O nome dessa Capela é Capela de Santo Antônio. Daí, do nome do santo, é que Manoel Batista de Morais, retira o “Antônio”, já que o “Silvino” foi, como sabemos, em homenagem a um familiar, que já era cangaceiro antes dele.

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Para vocês, meus amigos, também trazemos, por enquanto de longe, a imagem de uma caverna de pedra, a “Gruta do Cangaceiro”, uma gruta numa serra próximo a sede da fazenda, onde Antônio Silvino, ou outro procurado pela Força Pública qualquer, como por exemplo, na época dele, Batistão, ficavam escondidos quando a ‘coisa’ apertava.

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Mas, as imagens internas da “Gruta” serão mostradas em uma futura data, em outra matéria.

Quero chamar atenção dos pesquisadores, historiadores, estudantes, curiosos e população em geral, para a localização da dita fazenda “Colônia”, que, na realidade, não está no município de Afogados da Ingazeira, PE, e sim, no Distrito de Ibitiranga, no município da cidade de Carnaíba – PE.

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Lei Provincial nº 1403 de 12 de maio de 1879, a “Passagem de Afogados” foi denominada simplesmente de “Vila de Afogados”, a qual posteriormente foi designada popularmente com “Afogados da Ingazeira” por motivo de pertencer administrativamente ao município de Ingazeira, como era costume na época, acrescer o nome nas localidades do município a que pertenciam.

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O distrito foi criado por força da Lei Provincial nº 1403, de 12 de maio de 1879 e o município em 1º de julho de 1909, pela Lei estadual nº 991.

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“Na ocasião o município era composto dos distritos de: Afogados da Ingazeira (sede), Espírito Santo (atual Tabira), Ingazeira e Varas (atual Jabitacá). A partir de 1933, ficou assim formado: Afogados da Ingazeira, Macacos (atual Iguaraci), Varas (atual Jabitacá), Bom Jesus (atual Taparetama), Jangada (atual Solidão) e Tabira. Atualmente o município é distrito único”.(Gentílico: afogadense)( cidades.ibge.gov.br)

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“A palavra Carnaíba,é uma corruptela de Carnauba, árvore existente em abundancia no local, pois nos festejos Antoninos, as barracas eram cobertas com folhas dessas árvores.

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Segundo inscrições e desenhos ainda existentes em pedras e furnas localizados no município, esses indícios nos levam a crer que nessas localidades poderiam ter servido de habitação para aborígenes, primeiramente os índios Carirís, que foram abandonando as terras pouco a pouco, até a chegada dos povos civilizados, pela metade do século XVIII. Seu território pertencia à Casa da Torre de Garcia D’avila, conforme o livro de tombo da referida Casa, que faz referencias as fazendas Carnaíba Velha e Oitizeiro, que foram arrendadas ao Capitão Manoel de Souza Diniz, pela quantia de 14$000 por ano.

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No meado do século XIX chegaram ao local os portugueses João Gomes dos Reis e o tenente coronel Saturnino Bezerra, que fixaram residência no local. No ano de 1870, João Gomes dos Reis construiu uma capela sob a invocação de Santo Antônio, santo de sua devoção e um cemitério de varas (pau a pique), devido a uma grande lagoa que alí existia a fazenda recebeu o nome de lagoa da barroca, como na época o local era parte integrante do município de Flores, o Sr. João Gomes dos Reis, solicitou um fiscal da sede municipal para efetuar o alinhamento das ruas.

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Gentílico: Carnaibano ou Carnaibense (cidades.ibge.gov.br)

O nascimento de Manoel Batista de Morais, data de 2 de novembro de 1875 e o de João Bezerra da Silva em 24 de junho de 1898 os dois na fazenda Colônia, no mínimo, são cidadãos florestenses. Jamais afogadenses.

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O acesso à estrada que leva ao Distrito de Ibitiranga e de lá a fazenda Colônia, tem seu acesso na PE 320. Quem vai de São José do Egito, PE, sentido Serra Talhada, PE. Fica logo após o primeiro acesso a cidade de Afogados da Ingazeira, PE, distando uns 600 metros à direita. Já quem vem no sentido de Serra Talhada, PE a São José do Egito, PE, na mês PE 320, também deve acessar depois da primeira entrada nesse sentido, para cidade de Afogados da Ingazeira, PE, sendo que a esquerda. Tem uma placa informando que o distrito está há 10 km. Chegando ao Distrito pega-se uma estrada que leva direto a sede da fazenda.

Com exceção da primeira foto desta postagem, todas as outras fotos são de autoria de Edinaldo Leite, Sálvio Siqueira e Jorge Veras.

LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA

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O livro “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, fez parte nesta última sexta-feira (26/08), do projeto Sexta do Repente, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal em Brasília, na Casa do Cantador, em Ceilândia Sul, núcleo cultural nordestino junto à Capital Federal. 
 
Enquanto o autor do livro assinava autógrafos, acontecia no tablado o projeto Sexta do 
repente, para tanto já foram escolhidas sete duplas. Serão seis eventos de 26 de agosto a 9 de dezembro. Os repentistas, como manda a tradição, improvisarão de acordo com os temas sugeridos pela platéia. 
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A obra, que é a primeira pesquisa histórica publicada pelo professor de Português e Literatura, costura acontecimentos importantes do início do século XX no Nordeste – Cangaço, Canudos, Padre Cícero, Coluna Prestes, coronelismo e Estado Novo – em uma só história.

Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.


Serviço – 
“O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016
O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira …
Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,
Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

30 FOTOS DA SEGUNDA GUERRA EM NATAL COM IMPRESSIONANTES EXPLICAÇÕES

Esse interessante material foi publicado no site curiozzzo.com (https://curiozzzo.com/2016/08/25/fotos-da-segunda-guerra-em-natal-com-explicacoes/ ), de Henrique Araújo, com fotos realizadas pelos militares americanos em Natal durante a II Guerra, em meio ao cotidiano da cidade. Ficou muito legal!

Valeu Henrique por trabalhar a favor da democratização da informação histórica para o povo desta cidade que precisa conhecer seu passado, valorizar sua história no presente e caminhar com orgulho para o futuro !

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Quem acompanha o Curiozzzo sabe bem que costumamos falar bastante sobre a 2ª Guerra Mundial (temos videos inéditos e até fotos coloridas), quando os Americanos montaram a maior base militar fora do EUA da história, chamada de Parnamirim Field, na cidade de Natal, e que este acontecimento levou a cidade a um enorme desenvolvimento cultural, estrutural, populacional, e etc.

Os fatos daquela época eram como um tesouro que estava praticamente esquecido no baú da história do RN, e o Curiozzzo o fez emergir e voltar a flutuar no “mar” da internet, de uma forma mais simplificada, leve e divertida, fazendo assim milhares de pessoas terem contato com ela novamente (ou pela primeira vez).

Veja agora novas fotos que registram o cotidiano naquela época, com as devidas [e inéditas] explicações do usuário André Madureira, um amante especial do período antigo da cidade:

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Esta é a Avenida Rio Branco em Junho de 1943. A esquerda vê-se parte da fachada do prédio de nº 597. Nessa época funcionava aqui uma pensão chamada Pensão América. A partir de Maio de 1942, o local também passou a abrigar a Agência dos Correios e Telégrafos da Cidade Alta.

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Aqui Natal em 1943. Na foto alunas de colégio possam para fotografia em frente a Pensão América (citada anteriormente).

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Esta é Natal em 1943. Na foto uma carroça de entrega em frente a Pensão América.

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Essa foto, tirada na varanda dos fundos e que tinha vista para o rio Potengi, mostra um soldado abraçado com uma das funcionárias de uma das casas de prostituição mais conhecidas de Natal, o Wonder Bar.

Talvez seja essa, pelo menos até agora, uma das fotos que melhor mostre o interior desse prostíbulo que era localizado nos fundos do sobrado nº 106 da rua Chile.

Uma observação importante: atrás da moça aparece parte de uma pequena pia. Isso denuncia a possibilidade de essas duas portas a esquerda serem banheiros. Por terem sidos instalados junto ao rio, é certeza que os dejetos eram lançados nas águas do Potengi.

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Novamente fotos tiradas no Wonder Bar. Nas duas fotos menores acima, se vê as mesmas portas que ficavam nos fundos desse famoso cabaré.

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De novo aqui o então antigo Wonder Bar em 1979. Na foto ele já estava perto de ser demolido. Aqui tanto a parte dos fundos como a parte da frente já estavam em ruínas.

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Há exatamente 70 anos, um novo local de entretenimento das tropas militares americanas, localizadas aqui, começou a funcionar na Praia de Ponta Negra.

Na verdade, o que foi noticiado pela imprensa, era a instalação de um “beachhead” naquela ainda distante praia ao sul de Natal. Talvez o significado aqui do nome “beachhead” não fosse o mesmo daquela operação das tropas em combate, que, ao chegar na costa do território inimigo, ele possa ser apreendido e mantido, para assim, garantir o contínuo desembarque das tropas e dos materiais.

Esse beachhead era quase no estilo dos USOs já existentes na cidade. Uma extensão na verdade. Foi com a aprovação das autoridades de Parnamirim, que um serviço de cantina foi estabelecido, possibilitando aos banhistas ótimo atendimento. Com a praia aberta a qualquer hora, eram servidos sanduíches e bebidas frias. Cadeiras de praia, esteiras e ainda espreguiçadeiras estavam disponíveis para os usuários.

Eram ainda ofertados equipamentos esportivos adequados para uso na praia, jogos como Xadrez, damas, cartas, jornais, revistas, etc. Com a instalação desse novo local de divertimento, a senhorita de nome, Margaret Weiher, antes trabalhando em um dos USOs da cidade, fora designada a operar esse novo serviço de expansão dos USOs. “Peggy” já era bem conhecida por militares nesta área, tendo trabalhado por vários meses na lanchonete do, “Town Club”, USO localizado na Praça Augusto Severo.

Agora as atividades desse programa estariam sendo introduzidas em Ponta Negra pelo Serviço Móvel do USO. Foi noticiado que, na tarde do dia 25 de março de 1945, aconteceria na praia uma grande festa no estilo da “Coney Island Carnival” . Seria para marcar o inicio desse novo serviço móvel e chamar a atenção de todos os militares para o local.

Lutas de boxes, competições esportivas, músicas, um concurso de beleza de banho e outras atrações seriam oferecidas no carnaval. Mesmo antes da inauguração, já havia projeto para ampliação das instalações. Um pavilhão com amplo espaço para relaxamentos e jogos seria adicionado em um futuro próximo. Um verdadeiro local de paz e alegria, muito diferente do que estava acontecendo no outro lado do Atlântico.

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No período da 2º Guerra Natal vivia um momento até então nunca visto na cidade. Foi nessa época que Natal começou a receber pessoas vindas de todos os lugares. Esses vinham nos navios que aportavam em nosso cais, chegavam amerissando no Potengi pelas asas da Condor, Air France, Pan Am, ou ainda pelos trens da Central.
Assim Natal cresceu.

O seu ainda pequeno comércio, acompanhando esse vertiginoso crescimento, começou a ver o aumento no números de lojas, bares, restaurantes, pensões, etc.

A Ribeira era nessa época nosso centro comercial. Dentro dessa, a rua Dr Barata era nossa “5ª Avenida”, uma referência a umas das principais avenidas de New York. E foi lá, na rua Dr Barata, que nessa época, surgiu o bar que comento agora.

O Bar Nacional era o ponto de reunião e de divertimento dos militares da Royal Air France (RAF), que tinham mesa cativa no lado esquerdo do salão onde ficavam horas bebendo Tom Collins, uma mistura de gim, água tônica, limão e açúcar.

Nesse bar não tinham garçons. Como forma de instrumento de atração para os fregueses, aumentando assim o movimento do ambiente, Dona Sara, proprietária desse estabelecimento, recrutava apenas moças para o serviço de atendimento. As jovens, as vezes sem opção, aceitavam o emprego de garçonete e terminavam se rendendo aos americanos que as gratificavam com dólares.

Em dias de maior movimento, um batalhão de garçonetes se movia freneticamente do balcão para as mesas e vice-versa, sempre na preocupação de atender a numerosa clientela que tanto bebia quanto conversava ruidosamente.

Nos sábados o bar fervilhava de militares estrangeiros, sendo em maior quantidade americanos. Dona Sara estava sempre empenhada em que seus fregueses tivessem bom atendimento, mais ao mesmo tempo mantinha certa vigilância sobre suas funcionárias.

Mesmo assim não se incomodava que após o serviço, uma ou outra fosse encontrar-se com o namorado que há pouco estivera bebendo no bar e lhe dera uma gorjeta em dólar.
Entre tantas meninas, uma se destacava.

Seu nome, Luciete. Uma morena de altura mediana, olhos e cabelos castanhos, que apesar da pouca beleza era, segundo relato de quem a conheceu, uma mulher fascinante e desejável.

No entanto, a dona do bar parecia exercer certo controle sobre as garçonetes. Quando alguma delas se demorava em conversa com algum freguês que não fosse americano, dona Sara, do lado de dentro do balcão gritava: “menina, vá atender a mesa daquele sargento”. Apontando sempre para um americano.

Talvez não fosse rara as vezes que esses excluídos fossem terminar em algum bar de terceira categoria na conhecida 15 do meretrício. Era assim que era mais conhecida a rua 15 de Novembro, limite entre os bairros da Ribeira e Rocas.

Por conta de aparecimento de um surto de infecções intestinais registrados em um dos hospitais da cidade, em fins de 1943 houve, por parte do Exército americano, uma vistoria em alguns restaurantes da cidade. Em 16 de janeiro de 1944, um relatório que saiu na imprensa americana, mostrava o resultado dessa inspeção sanitária feita 17 dias antes.

Os restaurantes que seriam inspecionados deveriam ser os que tinham maior movimento de militares americanos.

Os estabelecimentos vistoriados foram: Choze Restaurante, Kelly Restaurante, Bar Nacional, Lido Restaurante, Grande Hotel, Casino Natal, e do bar em frente ao Beach Club.

Nesse relatório, que continha normas sanitárias do Exército dos EUA, estava descrito o resultado das condições insalubres existentes na maioria dos bares e restaurantes da capital. Nisso todo o pessoal militar ficaram proibidos de comer qualquer alimento preparado em alguns restaurantes locais.

Apesar de imponente e muito procurado por pessoas famosas que aqui chegavam, o nosso Grande Hotel também estava na “lista negra” dos que tiveram suas cozinhas inspecionadas e reprovadas por serem, segundo o próprio relatório, “completamente imundos e repugnantes”. O resultado ainda condenava as cozinhas dos restaurantes Choze e Lido. Ambos na Dr Barata.

Na intensa pesquisa feita por mim, verifiquei que o Bar Nacional não durou muitos anos. Posso estar enganado quanto ao seu período de funcionamento, mas não encontrei registro algum dele após 1948. Não durou muito tempo. Veio com a guerra, e foi embora com ela.

E Luciete? Teria aquela bela morena ido trabalhar em outro bar? Teria ela, vendo a cidade se esvaziar com a partida dos militares americanos, ido embora para tentar a vida em outra cidade?

O que se sabe é que, após o fim da guerra, apesar das transformações ocorridas na cidade e com algumas coisas deixadas aqui pelos americanos, Natal teve realmente uma queda no movimento e alguns pequenos comerciantes tiveram de fechar as portas ou mudar de local.

Digo ter sido esse, o Bar Nacional, o prédio “perdido”, que está também no hall dos que fizeram parte do cotidiano da II guerra em Natal, mais difícil de encontrar.

Na fachada superior, um detalhe até hoje presente é o desenho que lembra a bandeira Nacional. Talvez dai tenha vindo a ideia de colocar o nome de “Bar Nacional”.

Como foi dito anteriormente, o Bar Nacional foi também um dos protagonistas daquele período festivo e boêmio da Natal em tempos de guerra. Tendo vida curta, não durou muito tempo. Veio com a guerra, e foi embora com ela.

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Aqui nessa foto, tirada em frente ao Bar Nacional, uma coisa muito comum entre alguns natalenses brincalhões e os soldados americanos pode ser registrada. Na imagem aparece alguns meninos colocando, no braço de um soldado, saguis aparentemente dóceis. O militar parece ficar encantado com o macaquinho.

Conta a história que, tentando ganhar alguns dólares dos americanos, alguns natalenses conseguiram vender urubus depenados como se fossem galinhas para o centro de provisões de Parnamirim.

Pior era feito com os sagüis, bicho de estimação favorito dos militares. As crianças embebedavam o pequeno primata, que, parecendo ser manso, passava a ter melhor cotação. Os soldados sempre acabavam no prejuízo, pois os animais ficavam indóceis e fugiam assim que despertavam do pileque.

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Enquanto é observado por garotos da redondeza, o soldado americano posa pra foto na descida da Av. Rio Branco sentido Ribeira.

Fotógrafo: Não informado. Ano: 1943

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Possivelmente convidados a sair na foto, os garotos, antes observadores, agora se juntam aos amigos americanos para serem todos fotografados.

Um detalhe que se pode observar aqui é que, apesar da aparente simplicidade, sem muitos recursos dos garotos, era comum, quase que imprescindível o uso de calças e camisas, que geralmente eram brancas, pelos homens a partir de certa idade, 14 ou 15 anos talvez.

Fotógrafo: Não informado. Ano: 1943

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Soldado americano posa pra foto na Av. Rio Branco no bairro da Ribeira.

Nessa época, quem estivesse passando na Av. Rio Branco por traz do Salesiano, teria fácil acesso ao terreno desse colégio. Há cerca de 11 anos, com o falecimento de Ignez Barreto, o terreno da antiga vila Barreto passava para as mãos dos padres Salesianos.

Com isso, parte do terreno foi cortado pelo prolongamento da Av. Rio Branco. Agora essa via passava pelo meio da antiga propriedade da família Paes Barreto. Ao fundo aparece a Estação da EFCRGN.

Fotógrafo: Não informado
Ano: 1943

 

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Após parada pra foto, soldados seguem pela Rio Branco sentido Ribeira. Nessa época, quem estivesse passando por essa avenida teria, nesse trecho, fácil acesso ao terreno desse colégio.

Há cerca de 11 anos, com o falecimento de Ignez Barreto, o terreno da antiga vila Barreto passava para as mãos dos padres Salesianos.

Com isso, parte do terreno foi cortado pelo prolongamento da Rio Branco. Agora essa via passava pelo meio da antiga propriedade da família Paes Barreto.

Ao fundo se vê as belas palmeiras imperiais do colégio Salesiano.

Fotógrafo: Não informado
Ano: 1943

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Essa fotografia mostra a visão que se tinha ao sair do Wonder Bar por uma saída que dava acesso ao rio. Na verdade essa saída ficava logo abaixo do local onde funcionava o cabaré.

Depois da escada e no final do mesmo corredor existia uma porta com alguns degraus onde pequenas embarcações podiam encostar.

Fotógrafo: Não informado
Ano: 1943

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Essa é talvez a única fotografia conhecida que mostra o interior do Wonder Bar. Nela aparece um soldado com uma das funcionárias de uma das casas de prostituição mais conhecidas de Natal.

Esse prostíbulo era localizado nos fundos do sobrado nº 106 da rua Chile. Ao lado da escada que dava acesso ao piso superior funcionava o serviço de profilaxia de doenças, que eram nesse caso, venéreas.

Fotógrafo: Não informado
Ano: 1943.

16

O Bar Nacional, que ficava na Rua Doutor BaO Bar Nacional, que ficava na Rua Dr. Barata nº 195. Na foto um soldado americano aparece ao lado de uma das garçonetes do Bar Nacional. Seria essa a garçonete Luciete?

Fotógrafo: Não informado.
Ano: 1943.

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Soldado americano posa para foto em frente ao Bar Nacional.

Fotógrafo: Não informado
Ano: 1943.

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Bonde da linha Alecrim-Grande Ponto-Ribeira passando pelo avenida Rio Branco. Nessa época, por volta de fins de 1942 e início de 1943, já tínhamos algumas linhas de auto-ônibus fazendo frente aos velhos e cansados elétricos da Cia. Força e Luz.

Mesmo assim, falavam que a preferência por esse transporte ia se acentuando a cada dia, pois o natalense não suportava a maçada que os ônibus faziam nas paradas à espera de mais um passageiro.

Os anos passavam mais eles teimavam em andar lotados, acontecendo que em algumas horas ninguém distinguisse nada do elétrico, tal o número de pingentes que se agarravam de todo jeito no barulhento bondezinho.

Nessa imagem é possível ver o prédio do Natal Club que, nessa época, passava por reforma com a construção da nova sede, agora mais ampla e em dois pavimentos.

Espremido entre o Natal Club e o Cinema Rex aparece o prédio onde funcionou a 24ª Circunscrição de Recrutamento. A partir de 17 de outubro de 1942 esse prédio passou a funcionar como sede da Cruz Vermelha em Natal.

Fotógrafo: Não informado
Ano: Entre fins de 1942 e inicio de 1943

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Bonde da linha Petrópolis/Ribeira seguindo pela Av Duque de Caxias

Fotógrafo: Não informado
Ano: 1945

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Bonde da linha Petrópolis/Ribeira passando pela praça Augusto Severo. No prédio à direita funcionava um dos United Service Organizations existentes na cidade. Esse era conhecido com U.S.O downtown.
O outro ficava em frente ao Reservatório R.2, na esquina da Av Getúlio Vargas com rua das Dunas

Fotógrafo: Não informado
Ano: 1943

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Engraxates locais polindo sapatos de soldados americanos em local não identificado.

A tradição de engraxate remete ao ano de 1806, ano de nascimento do ofício de engraxate, quando um operário poliu em sinal de respeito às botas de um general francês e foi recompensado com uma moeda de ouro por isto.

Na Itália, durante a Segunda Guerra, apareceram os “sciusciàs”, garotos que para ganhar qualquercoisa lustravam as botas dos militares, além de terem cópias de jornais, goma de mascar e doces.

As cadeiras de engraxate foram inventadas por Morris N. Kohn em 1890. O engraxate hoje em dia é uma profissão em via de extinção.

Ano: 1943

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A mesma foto acima só que por outro ângulo

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Chegada de alguns americanos em uma provável feira. Seria a feira das Rocas?

Nessa época, 1943, essa feira funcionava sempre na rua Almino Afonso no trecho próximo ao Grupo Escolar Izabel Gondim.

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Soldados americanos na lagoa do Bomfim.

Ano: 1943

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A “pista” dos americanos 

Ano: 1943

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Bonde do Alecrim seguindo pela praça Augusto Severo. À direita aparece parte do Tabuleiro da baiana, uma espécie de quiosque que ficava no lado norte da praça, próximo onde antes ficava o antigo coreto.

Fotógrafo: Não informado
Ano: Início dos anos 40

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Nessa foto aparece, partindo da estação da EFCRGN, uma oficial do exército americano seguindo em trem da Central.

Fotógrafo: Não informado
Ano: Início dos anos 40

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Bonde da Força e Luz seguindo pela praça Augusto Severo.

O fotógrafo identificou essa foto como sendo “front of USO Club”, fazendo uma referência ao USO (United Service Organizations), também conhecido por “Downtown Club”, que funcionava onde foi o antigo Cinema Polytheama.

O outro USO, conhecido como “Beach Club”, funcionava na esquina da rua das Dunas com Av Getúlio Vargas, no bairro de Petrópolis.

Fotógrafo: Não informado
Ano: Início dos anos 40.

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Foto com vista para o Grande Hotel, o maior e mais importante hotel de Natal até os anos 60.

Fotógrafo: Não informado
Ano: Início dos anos 40

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Foto com vista para o Grande Hotel, o maior e mais importante hotel de Natal até os anos 60.

Fotógrafo: Não informado
Ano: Início dos anos 40

ATENÇÃO NATAL!!! – VEM AÍ O LIVRO QUE REDESCOBRIU OS ANTIGOS CARNAVAIS DA CIDADE DO NATAL!

capa natigos carnavais 2016 volume I - Copia

No principio, era só o ‘mela – mela’ popular, foliões usando-se de tudo que dispunham para brincarem o então chamado ‘Entrudo’ – Cinza de carvão, goma, farinha, barro e muita água suja. Todo mundo que se atrevesse a passar perto da Igreja Matriz, no Centro Alto e redondezas da antiga Rua Grande, atual Praça André de Albuquerque, levava um banho. Estava então ‘batizado’. A brincadeira ocorria por três dias nos meses de fevereiro ou março. Os jornais ditos oposicionistas divulgavam essas primeiras manifestações populares carnavalescas, isso entre 1875 a 1900.

Depois, esses brincantes – foram se organizando e levando seus festejos para a alegre Rua da Palha, atual Rua Vigário Bartolomeu, ainda na Cidade Alta (1910/1920). Festeiros, boêmios, artistas e até políticos eram seus aguerridos frequentadores. Tempos mais tarde o carnaval vai ficando muito mais organizado e então desce para a larga e boemia Avenida Tavares de Lira, no bairro da ribeira (1923/ 1935). O carnaval supera crises e ultrapassa os apertos políticos e econômicos e chega de volta a Cidade Alta, na moderna Avenida Rio Branco e imediações do seu Grande Ponto (1936/1945). Dribla as violências policiais e até as severas censuras da ditadura Vargas…

Lendo-o, você vai conhecer tudo isso e muito mais! Até viver o que seus avós e bisavós viveram! Saber quem foram os nossos primeiros carnavalescos da cidade dos ‘Três Reis Magos’! Reis e Rainhas. Clubes e agremiações. Tudo cronologicamente entre 1875 e 1945 – final da Segunda Guerra Mundial. Fotos inéditas a partir dos anos 10… Os registros das festas paralelas oficiais e particulares. Os primeiros bailes festivos no velho Teatro Carlos Gomes… Tudo o que os antiguíssimos jornais registraram sobre as folias de rua. Ora seus cronistas reclamando ou elogiando os festejos momescos.

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O nobre pesquisador Gutenberg Costa

Este é o primeiro volume. Obra do inquieto pesquisador Gutenberg Costa, que pioneiramente nos trouxe cronologicamente às historias da parte alegre e pouco conhecida da cidade, que por muitas décadas até fora chamada por alguns historiadores de cidade – “Pacata”…

A referida obra é apresentada pelo historiador e escritor Claudio Galvão e muito bem recomendada nas suas duas orelhas, pelos pesquisadores e escritores Anchieta Fernandes e Claudionor Barbalho. Todos três confrades do autor no Instituto Histórico e Geográfico do RN. São quase 300 páginas, ilustradas com fotografias antigas, de personagens e agremiações envolvidas. Não percam o privilégio de ter em suas mãos e olhos, um verdadeiro e exclusivo trabalho de pesquisa, que pioneiramente trata com minuciosamente os nossos antigos e bons carnavais! E se trata de uma séria obra, que faltava na história da cidade do mestre Câmara Cascudo um dos maiores citados com valiosas informações.

Chegou atrasada, mas em boa hora!”  – Diz, seu quixotesco autor e pesquisador, que a trazia guardada, por quase três décadas em seus arquivos/computador.

capa natigos carnavais 2016 volume I

Publicado pela editora 8, com patrocínio cultural do (FIC) Fundo de Incentivo à Cultura, da Prefeitura de Natal e recursos do próprio autor. Este é apresentado pelo historiador e escritor Claudio Galvão, com comentários de suas orelhas, do também historiador e escritor Claudionor Barbalho e do pesquisador e escritor Anchieta Fernandes. Arte de capa e diagramação do designer visual Marcelo Sena.

Lançamento, dia 28 de Setembro de 2016.

Local: Capitania das Artes (FUNCARTE) – Cidade Alta. Natal/RN

Hora: 18:00 h. Com coquetel regional e surpresas aos presentes.

Contatos com o autor: gutenbergcosta@bol.com.br

9 94273363 (oi) 9 98784493 (Tim).

A MISSA PELOS 90 ANOS DO MAIOR MASSACRE DA HISTÓRIA DO CANGAÇO

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Cemitério onde descansam eternamente os membros da família Gilo massacrados por Lampião em 1926.

Por Rostand Medeiros 

No próximo sábado, dia 27 de agosto de 2016, ás 15:30 será celebrada no local histórico dos acontecimentos uma missa na propriedade Tapera dos Gilo, Na zona rural do município de Floresta, Pernambuco.

É antes de tudo uma missa para honrar os que tombaram diante dos cangaceiros de Lampião no maior massacre da história do Cangaço

Mas como ocorreu este episódio?

Próximo a cidade pernambucana de Floresta existe uma antiga propriedade rural conhecida como Tapera dos Gilo. Uma fazenda normal, até mesmo comum diante das muitas existentes na região sertaneja nordestina. Mas coube ao destino que neste local ocorresse em 1926 um dos mais cruéis ataques de cangaceiros a famílias na história deste movimento.

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Jornal da época comentado o episódio

Segundo nós conta o nobre escritor João de Souza Lima, em dezembro de 1925 o senhor Gilo Donato do Nascimento descobriu que doze burros de sua propriedade tinham desaparecido. Então Manoel Gilo, filho mais velho de Gilo Donato, junto com outras pessoas, seguiu a pista dos animais até encontrá-los a quase 400 quilômetros de distância, em Lavras de Mangabeira, no Ceará.

Os animais, valiosos nas propriedades rurais do sertão do passado, estavam na posse do coronel Raimundo Augusto, que havia comprado as alimárias de Horácio Grande.

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Lampião, o Rei do Cangaço.

Horácio Grande foi processado e preso por esse roubo e em consequência disso jurou matar Gilo Donato e seu filho.

E não ficou só na promessa. Tempos depois Horácio realizou um frustrado ataque a residência de Gilo, onde saiu baleado e perdeu o comparsa apelidado de Brasa Viva. Diante da situação, do poder de fogo e valentia da família Gilo, Horácio Grande entrou no bando de Lampião desejoso de perpetrar sua vingança.

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O escritor Marcos Antonio de Sá explica com o se deu o atque da Tapera dos Gilo.

Através de sua irmã e de sua esposa, Horácio as orientou para que produzissem cartas falsas, aparentemente escritas por Gilo Donato, afrontando severamente o “Rei do Cangaço”. Quem já leu qualquer texto sobre a vida de Lampião sabe que ele era muito rancoroso com aqueles que lhe traiam e lhe difamavam. Onde sempre o castigo para estes faltosos era a morte, normalmente das formas mais cruéis.

No dia 28 de agosto de 1926, um sábado, às quatro horas da manhã, Lampião com um grupo em torno de 120 cangaceiros, atacou a fazenda Tapera.

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Marcos Antonio de Sá mostra uma antigas estaca de uma das casas atacadas e destruidas pelos cangaceiros no ataque a Tapera dos Gilo.

Um longo tiroteio rompeu o silêncio do local. Por horas as pessoas da vizinha Floresta ouviram os tiros ecoando. O capitão Antônio Muniz de Farias, comandante das forças volantes que estavam na cidade, não mostrou coragem pra ir lutar contra os cangaceiros e defender a desesperada família Gilo. 

Quando a casa da sede se encontrava quase totalmente destruída devido aos milhares de balaços recebidos e vários mortos banhavam de sangue seus compartimentos, Lampião comandou a invasão da residência.

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Região da Tapera dos Gilo.

Manoel Gilo foi capturado ainda vivo, estando morto seu pai Gilo Donato, o irmão Evaristo, o cunhado Joaquim Damião e Francisco de Rufina. Na estrada ficaram mortos Permino, Henrique (casado com uma irmã de Gilo), Zé Pedro, Ernesto (da fazenda São Pedro), Janjão, Alexandre Ciríaco (morto quando tentava defender os Gilos e que tinha vindo da fazenda São Pedro), Pedro Alexandre (na Barra do Silva).

A volante do sargento Manoel Neto, um dos mais ferozes perseguidores de Lampião, foi tentar salvar a família Gilo daquele massacre. Mesmo este militar estando baleado e com poucos homens sob seu comando, Neto contrariou as ordens do capitão Muniz e foi se bater com os cangaceiros de Lampião no Campo da Honra.

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Djanilson Pedro, neto de Cassimiro Gilo, no local onde tombou o soldado João Ferreira de Paula, da volante de Manoel Neto (A quixabeira do soldado ).

Como resultado a volante perdeu o soldado João Ferreira de Paula, que tombou morto embaixo de uma quixabeira, hoje conhecida como “Quixabeira do soldado”. Já tendo perdido um dos seus comandados e como a quantidade de cangaceiros era muito superior ao grupo de policiais, o valente e famoso “Mané Neto” não teve alternativa se não comandar uma retirada. 

Ao final do tiroteio, Lampião então extremamente enfurecido, pegou o sobrevivente Manoel Gilo e perguntou o porquê dos seus familiares enviarem as cartas ofensivas e este então respondeu que eles eram analfabetos e não sabiam escrever. Neste momento, diante da surpresa geral, Horácio Grande pegou a sua pistola e atirou na cabeça do inimigo, matando Manoel Gilo. Só ai Lampião percebeu a trama que Horácio o havia colocado.

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Percorrendo as trilhas do combate.

O Rei do Cangaço o expulsou na hora do seu bando e consta que lamentou a perda de tantos valentes sertanejos a troco de uma mentira. O escritor João de Souza Lima aponta corretamente em sua publicação na Internet que este foi um “arrependimento tardio” (Ver – http://cariricangaco.blogspot.com.br/2015/04/fazenda-tapera-de-manel-gilo-por-joao.html).

Daquele cruel morticínio pereceram entre familiares dos Gilo e seus amigos, além do soldado da volante de Manoel Neto, um total de treze pessoas. Consta que os cangaceiros perderam quatro de seus homens.

Afirmou-se durante anos que da família Gilo só escapou o jovem Cassimiro Gilo, então com 15 anos de idade, que havia ido comprar açúcar e rapadura no Ceará. Entretanto, segundo Marcos Antonio de Sá, Cassimiro não estava no Ceará, ele dormiu na casa de Zé de Anjo, a uns 800 metros da sua morada. Ele tinha ido à cidade de Floresta, na companhia de Zé de Anjo, entregar uma carga desse senhor, na mercearia do comerciante João de Araújo.

Em Floresta estivemos juntos dos maravilhosos amigos (da esq. para dir.) Cristiano Luiz Feitosa Ferraz, Djanilson Pedro e Marcos Antonio de Sá, o conhecido como “Marcos De Carmelita”.

Recentemente, junto com o artista plástico Sérgio Azol, e através do bondoso acolhimento na cidade de Floresta dos amigos escritores Marcos Antonio de Sá, conhecido como “Marcos De Carmelita”, e Cristiano Luiz Feitosa Ferraz, tive a grata oportunidade de conhecer a propriedade Tapera dos Gilo. Além de percorrer os locais do combate, tive a oportunidade de apertar a mão da Senhora Djalmira Maria de Sá, a Dona Dejinha, e seu filho Djanilson Pedro, o “Pané”. Em nossos diálogos fiquei impressionado como eles narram com extrema clareza e emoção os fatos transmitidos por Cassimiro Gilo, mantendo viva a memória daquele dia extremamente cruel para sua família.

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Os autores do interessante livro “As cruzes do Cangaço – Os fatos e personagens de Floresta – PE”, entregando um exemplar do seu trabalho aos descendentes da família Gilo, na fazenda Tapera dos Gilo, local do maior massacre da história do cangaço, fato extensamente narrado no livro.

Marcos Antonio de Sá e Cristiano Luiz Feitosa Ferraz lançaram recentemente o interessante livro “As cruzes do Cangaço – Os fatos e personagens de Floresta – PE”, onde esta trágica história é narrada com extrema grande riqueza de detalhes. Marcos e Cristiano são dois dos organizadores desta missa.

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É inegável que a História do cangaço é uma das grandes referências da identidade dos nordestinos e constitui um elemento formador das formas de representação cultural da região, sendo atualmente extensamente utilizado como verdadeira marca do Nordeste.

Apesar de toda importância histórica deste movimento, alguns dos seus principais episódios se encontram praticamente esquecidos. Neste sentido eu acredito que este evento é uma maravilhosa ferramenta que muito vai ajudar a difundir em âmbito local, regional e nacional a verdadeira dimensão do Massacre da Tapera dos Gilo.

Além de homenagear e destacar os membros desta família que tombaram neste combate, esta missa certamente vai estimular a população da região a conhecer com maior profundidade os episódios envolvendo os fatos históricos ocorridos No dia 26 de agosto de 1926.

AS DIVISAS DE 3º SARGENTO DE MARIA BONITA

A FOTO DE MARIA COM DIVISAS DE TERCEIRO SARGENTO 1

Por Sálvio Siqueira

Em análises e análises, queimando constantemente as pestanas, o pesquisador Rubens Antonio me chamou atenção, quando citou sobre as divisas que contém nas mangas do vestido de Maria Gomes de Oliveira, a Maria de Déa, Maria do Capitão, tão conhecida como “Maria Bonita”, a “Rainha dos Cangaceiros”.

Vale, e muito, um estudo focado nesse detalhe, pois, queiram ou não, esse detalhe vem nos mostrar uma forma, maneira, de que existira uma espécie de hierarquia militar, ou militarista, dentro do grupo e subgrupos cangaceiros.

Militarmente, no sentido próprio da palavra, claro que não podemos falar, simplesmente por não se tratar de um pelotão, coluna, tropa ou batalhão de soldados.

No entanto, tendo, ou portando, as divisas de “Capitão do Exército Patriótico”, divisa essa que o renomado pesquisador/historiador da história do cangaço, Antônio Amaury, autor de vários livros sobre o tema, respondendo a uma pergunta minha em uma ocasião pasada, se são válidas as divisas recebidas por Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, “Rei dos Cangaceiros”, em Juazeiro do Norte, CE, dizendo que são sim válidas, pois estão em, constam nos, registros no Ministério da Guerra.

A FOTO DE MARIA COM DIVISAS DE TERCEIRO SARGENTO 2

Logicamente, Lampião condecora as divisas de 3º sargento a Maria para que a mesma fique destacada e exerça liderança e autoridade perante as outras mulheres do bando. Assim como, os ‘cabras’ tenham respeito e considerações à mesma.

Sabemos, através de literaturas, que seu cunhado, o cangaceiro Moderno, usava uniforme militar, e essa vestimenta foi o que fez com que fosse reconhecido, pois os próprios companheiros “danificaram” sua face completamente, a golpes de faca peixeira, para que os membros da Força Pública não o reconhecesse.

A notícia da morte do um renomado membro do bando deixava os soldados e contratados com mais coragem, assim como diminuía o medo que a população sentia por ele e seus comandados do grupo ou subgrupo. E o medo é uma arma eficaz e terrível. Com a palavra, os especialistas…

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