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UMA REVOLUÇÃO PELO VOTO – A CAMPANHA PARA GOVERNADOR DE 1960 NO RIO GRANDE DO NORTE

Aluizio Alves
Propaganda eleitoral de Aluízio Alves – Fonte – https://juscelinofranca.blogspot.com.br/2013/05/7-anos-sem-aluizio-alves-o-homem-da.html

Rostand Medeiros – Membro da Diretoria do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

No ano de 1960 era governador no Rio Grande do Norte o caicoense Dinarte de Medeiros Mariz, da União Democrática Nacional – UDN. Neste seu último ano de mandato o governador buscava consolidar os candidatos à sua sucessão.

Dinarte Mariz discursando.

Paralelamente as bases oposicionistas, representados pelo Partido Social Democrático – PSD se organizavam para eleger o então deputado federal Aluízio Alves, tendo como vice-governador monsenhor Walfredo Dantas Gurgel.

As limitadas bases do PSD no Rio Grande do Norte começaram a apoiar a candidatura e as definições de apoio ao candidato oposicionista se avolumavam. Foi então deflagrada a campanha “Cruzada da Esperança”, com o apoio da maioria dos deputados federais potiguares, inclusive dois da UDN e o apoio de vários partidos anteriormente conflitantes que se uniram para assegurar a vitória dos candidatos da “Cruzada”.

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Aluízio Alves e Monsenhor Walfredo Gurgel na campanha de 1960 – Fonte – http://www.moradadamemoria.com.br/aluizio-alves/

Sob muitos aspectos a campanha de Aluízio Alves ao governo potiguar de 1960 foi revolucionária, onde contou, por exemplo, com a participação de um profissional que havia estudado marketing político nos Estados Unidos e até mesmo participado naquele país da vitoriosa campanha presidencial de Dwight David “Ike” Eisenhower.

Este homem era Roberto Albano e esta era uma situação até então inédita em uma campanha eleitoral no Rio Grande do Norte.

Albano havia participado em 1958 da vitoriosa campanha de governador do pernambucano Cid Sampaio e em terras potiguares ele repetiu de forma inédita por aqui o uso do sistema de pesquisas eleitorais e o uso de material propagandístico como adesivos, cartazes e foram criadas músicas que contagiavam as multidões. Uma destas músicas que chamou muita atenção durante a campanha foi a “Marcha da Esperança” e o slogan principal foi “A esperança e a fé salvarão o Estado”.

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Ponte sobre o Rio Potengi na década de 1960. Era uma época onde o Rio Grande do Norte carecia de obras estruturantes.

Logo Aluízio Alves chegou do Rio de Janeiro e a campanha “Cruzada da Esperança” começou para valer.

Começa a Campanha

Segundo o jornal Tribuna do Norte estampa, no dia 22 de maio de 1960, um domingo à noite, Aluízio desembarcou de um avião do Loyde Aéreo no extinto Aeroporto Augusto Severo. Era por volta das sete e meia da noite e Aluízio já desembarcou direto nos braços do povo. Foi realizada uma grande carreata com mais de 400 veículos até a Praça Gentil Ferreira, onde se realizou um comício que foi classificado como o primeiro grande evento de sua campanha no Rio Grande do Norte, com mais de 15.000 pessoas presentes.

No Rio Grande do Norte a campanha de Aluízio pegava fogo. Foram muitas as vigílias, passeatas de longa e de curta distância, mas sempre com muitas pessoas presentes. Foi criado o “Caminhão da Esperança”, onde os principais candidatos percorriam bairros da capital e as cidades do interior do Estado. O “Caminhão da Esperança” percorreu todos os quadrantes do Rio Grande do Norte.

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Trem da Esperança – Fonte – http://www.moradadamemoria.com.br/aluizio-alves/

Na busca para alcançar o maior número de adeptos foram utilizamos outros meios disponíveis existentes na época, como o “Trem da Esperança”. Que saiu de Natal até a cidade de Nova Cruz, realizando muitas paradas e comícios ao longo do percurso.

A convenção que homologou os nomes dos candidatos se realizou no dia 11 de agosto de 1960, uma quinta feira, dia do aniversário de Aluízio Alves. Segundo o jornal Tribuna do Norte primeiramente aconteceu pela manhã uma missa comemorativa do aniversário de Aluízio na antiga Catedral. Depois ocorreu uma reunião nos jardins da residência do empresário Rui Moreira Paiva, na Avenida Rodrigues Alves, com a presença dos principais candidatos e lideranças políticas, onde Aluízio leu o esboço do seu programa de governo.

Depois todos seguiram para a Praça André de Albuquerque, no centro da cidade, onde se realizou uma grande concentração popular, formada por pessoas de todas as partes da cidade que para lá se dirigiam em numerosas passeatas, destacando-se em número de pessoas e animação a passeata que veio do popular bairro das Rocas. Em meio a muito entusiasmo foi realizada a parte programática da convenção, onde foram homologados os nomes dos candidatos da “Cruzada da Esperança”. Foram escolhidos os seguintes candidatos.

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Campanha nas ruas. Aluízio na carroceria do “Caminhão da Esperança” – Fonte – http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/50-anos-do-governo-da-esperanca-a-campanha-da-esperanca/171456

Para governador – Aluízio Alves;

Para vice-governador – Monsenhor Walfredo Gurgel;

Para prefeito da capital – Djalma Maranhão;

Para vice-prefeito – Luiz Gonzaga dos Santos.

Em praça pública Aluízio e Djalma Maranhão anunciaram ao povo seus respectivos planos de governo.

A Campanha no Interior

Já logo no início Aluízio e o monsenhor Walfredo Gurgel seguiram para o interior do Rio Grande do Norte para levar a “Cruzada da Esperança”. Um destes casos ocorreu em uma grande movimentação política no Seridó.

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Fonte – http://www.moradadamemoria.com.br/aluizio-alves/

No dia 13 de agosto Aluízio e seus companheiros de campanha saíram de Natal, seguindo para Currais Novos, onde o candidato deu uma entrevista na Rádio Brejuí e depois o destino para a cidade de Jucurutu.

No outro dia, domingo, dia de feira em Acari, houve uma grande concentração dos aluizistas. Onde foi realizado um grande comício na antiga Praça Presidente Vargas, hoje Cipriano Pereira, diante da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

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Monsenhor Walfredo Gurgel em Caicó, atuando como educador, anos antes da campanha de 1960. A primeira jovem a esquerda é Dona Célia Vale, esposa do norte-americano Emil A. Petr e biografado em 2012 pelo autor deste texto.

O palanque foi o tradicional e ainda existente coreto. Ali, no começo da noite, em meio a uma multidão expressiva falaram várias lideranças. No momento de Aluízio falar ele então elencou várias metas que pretendia executar no seu governo para a Região do Seridó e, antes de encerrar o discurso, informou a multidão o apoio que recebeu para a sua candidatura do líder seridoense José Augusto Bezerra de Medeiros, ex-governador potiguar que nesta época vivia no Rio de Janeiro. A multidão aplaudiu de maneira entusiástica e ensurdecedora o teor da missiva e esse acontecimento tiveram muita repercussão em toda a região.

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Aluízio Alves em Macau – Fonte – http://www.obaudemacau.com/?page_id=30330

Um dos maiores eventos foi a caminhada da capital até a cidade de Macaíba, a maior manifestação em prol de Aluízio que ocorreu naquela campanha de 1960.

O povo seguiu seu líder a pé, chamou atenção a quantidade de pessoas, de bandeiras e todos percorrendo o velho caminho que passava pelos Guarapes. Era gente de todos os cantos da capital e dos sítios vizinhos. Havia homens, mulheres, jovens, velhos, crianças, ricos, pobres, enfim o povo potiguar se fez presente nesse dia.

As Eleições

Segundo as páginas da Tribuna do Norte e do Diário de Natal as eleições ocorreram em uma segunda-feira, 3 de outubro, onde foi decretado feriado nacional em todo o país. Tropas federais foram convocadas para conter os ânimos de uma campanha onde, infelizmente, ocorreram excessos decorrentes do radicalismo que marcou a mesma.

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Aluízio Alves e Monsenhor Walfredo Gurgel – Fonte – http://www.moradadamemoria.com.br/aluizio-alves/

Entretanto, as manifestações ocorridas na capital no sábado e no domingo antes da eleição foram intensas, mas sem problemas.

Houve muita previsão de violências, mas elas não aconteceram. Os eleitores dos dois candidatos, cada um ao seu modo, chegaram ao último momento da luta eleitoral em um clima de normalidade. Desde cedo muita gente foi para as ruas com suas bandeiras verdes dos aluizistas e vermelhas dos seguidores de Djalma Marinho. Havia em Natal um clima de verdadeiro carnaval, com a improvisação de blocos, de passeatas e de pequenos comícios, com pessoas de todas as idades participando.

Na segunda as eleições foram tranquilas, com um amplo comparecimento do eleitorado aos locais de votação e com abstenção mínima. Não se registraram maiores ocorrências nas inúmeras seções eleitoras espalhadas pelo Rio Grande do Norte. Soube que muitas destas terminaram a votação cedo devido ao comparecimento maciço de eleitores assim que as mesmas foram abertas. Às cinco da tarde encerrou-se o pleito.

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Juscelino Kubitschek e Aluízio Alves – Fonte – http://www.moradadamemoria.com.br/aluizio-alves/

O grupo aluizista em Natal manteve uma equipe bem organizada para coordenar os trabalhos da “Cruzada da Esperança” no dia da eleição. À frente estava o ex-governador Silvio Pedroza, o seu cunhado Graco Magalhães Alves e o candidato a prefeito Djalma Maranhão.

O Resultado

Naquele tempo as apurações eram mais lentas, pois eram manuais. Mas na terça-feira, 4 de outubro, já estava consolidada a vitória de Jânio Quadros em todo o país, de Aluízio Alves no Estado e de Djalma Maranhão como prefeito de Natal.

Para se tenha uma ideia da vantagem de Aluízio na eleição para governador, o jornal Tribuna do Norte aponta que em todas as urnas das 1ª e 2ª Zonas Eleitorais de Natal e em 12 urnas da 3ª Zona Eleitoral da Capital, Aluízio obteve 12.499 votos, contra 6.424 de Djalma Marinho, ou seja, o dobro da votação do candidato governista. Nas ruas o povo dizia com razão – “Aluízio ganhou na capital e Djalma perdeu no interior”.

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Discuso da vitória – Fonte – http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/50-anos-do-governo-da-esperanca-o-tempo-das-mudancas/171453

Os festejos foram muitos com o sucesso de Aluízio, mas os ecos da campanha ainda mantinham os ânimos bem acirrados. O jornal Diário de Natal de 8 de novembro de 1960 trás os detalhes de um caso que chamou a atenção no Rio Grande do Norte.

Tiros na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte

Mas a vitória de Aluízio Alves por si só não evitou o desarmamento dos ânimos bastante radicalizados pela campanha política de 1960. E isso se refletiu em todas as áreas, até dentro de locais onde o decoro exigia mais tranquilidade. 

No dia 7 de novembro, uma segunda-feira, aconteceu uma seção extremamente tensa na Assembleia Legislativa e com desdobramentos violentos. O deputado estadual Carvalho Neto, que apoiou a eleição de Aluízio, denunciou nesta sessão o deputado Moacir Duarte de forma bastante agressiva. Moacir era genro de Dinarte Mariz e líder de seu governo na Assembleia Legislativa.

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Segundo Carvalho Neto o líder udenista teria pedido uma contribuição financeira “por fora” ao empresário italiano Cornélio Giordanetti, proprietário do “Moinho Mobrasa”, na Ribeira. O dinheiro seria uma contribuição para ser utilizada na campanha política daquele ano.

Na mesma hora Moacir repeliu a insinuação e exigiu provas das acusações contra ele, na sequência foi para frente da tribuna e perguntou a Carvalho Neto se realmente era sobre ele que o deputado estava falando. Diante da resposta positiva Moacir Duarte partiu para cima do seu acusador tomando o microfone e o conflito começou.

Moacir então puxou um revólver e disparou contra Carvalho Neto, que aparentemente percebeu o que iria ocorrer tentou se baixar, mas escorregou e caiu. Se não fosse essa sua ação teria levado dois tiros, que inclusive vararam a tribuna feita de madeira de lei.

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Aí, segundo a versão estampada no jornal,  mesmo caído no chão Carvalho Neto puxou a sua arma e atirou.

De cinco a seis tiros foram disparados, mas logo a sua arma engasgou. Inclusive uma das balas atingiu uma janela do velho Palácio Amaro Cavalcanti, onde a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte tinha a sua sede e hoje se encontra o Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte.

O Deputado Garibaldi Alves, irmão de Aluízio Alves, ao buscar apaziguar os ânimos entre os dois deputados levou um tiro na perna. Quem desarmou Carvalho Neto foi o deputado Valdemar Veras, então 1° Secretário da Mesa, que lhe tomou uma pistola calibre 45.

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Foi quando José Varela, então Presidente da Assembleia Legislativa e vice-governador, entrou na confusão aos gritos e de revólver na mão. Mandou de maneira forte que os dois deputados que se agrediram baixar as armas, se não “Quem atirava neles dois era ele”.

Varela desarmou a todos e pôs ordem na casa. Em seguida Garibaldi foi levado ao Hospital Miguel Couto, atual Hospital Universitário Onofre Lopes e depois seguiu para Recife.

Essa situação extrema na Assembleia Legislativa mostrou um dos aspectos negativos resultantes desta campanha política e do acirramento do clima entre a classe política do Rio Grande do Norte na década de 1960.

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O ÚLTIMO CINEMA DE CURRAIS NOVOS

 

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“Cine Teatro Des. Tomaz Salustino”, um dos setes cinemas de Currais Novos.

Currais Novos teve 7 (sete!) cinemas. Em 1920, “Nas garras do leão” foi a primeira película a ser exibida no “Cinema de Zuzu”, para espanto e encantamento dos espectadores. Funcionava num prédio na esquina por trás do Tungstênio Hotel, onde hoje encontramos a farmácia Frei Damião. A abertura do primeiro cinema em nossa cidade foi iniciativa de Bevenuto Pereira Filho, Seu Zuzu.

Mais tarde, em 1928, na Praça Cristo Rei (onde até pouco tempo funcionou o CREDSERIDÓ) foi fundado o CINE UNIÃO, tendo, ao longo dos anos, mudado de nome para CINE LUX, CINE SÃO JOSÉ e ROYAL CINEMA. Na época, eram usadas máquinas de projeção de 35mm e 16mm.

Em 1955, voltando ao espaço onde foram projetadas as primeiras películas no “Cinema de Zuzu”, o Desembargador Tomaz Salustino abriu o CINE TEATRO TOMAZ SALUSTINO, o qual realizou sessões semanais durante 18 anos, encerrando suas atividades em 1973.

O CINESPACIAL, último cinema de Currais Novos – e único que alcancei (nasci em 1981), foi inaugurado em 07 de setembro de 1978. Uma das primeiras exibições na imensa tela foi feita em 15 de dezembro de 1978 com o lançamento mundial de “Super-homem”, tendo o galã Christopher Reeve no papel principal. Apesar de ter começado a frequentar esse cinema em 1984/1985, ainda me lembro do cartaz de lançamento do Super-homem fixado no hall de entrada. Esse filme eu só conheci vendo as ‘Sessões da Tarde’ da vida.

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Praça Cristo Rei , Currais Novos, década de 1940.

Em 1986 eu tinha apenas seis anos quando fui com meu irmão mais velho, Wagner, assistir King Kong Lives (King Kong 2), lançado mundialmente em 19 de dezembro de 1986. Foi engraçado (ou trágico?) porque o filme era legendado e eu ainda não sabia ler. Então fiquei apenas curtindo as cenas sem entender bem o que estava acontecendo.

A alegria da criançada da década de 80 em Currais era ir ao CINESPACIAL, comprar pipoca, sentar numa das 800 confortáveis cadeiras alcochoadas (seiscentas na parte de baixo e duzentas no “primeiro andar” – balcão nobre) e assistir às matinês com os filmes d’Os Trabalhões… Os Trapalhões no Reino da Fantasia, Os Trapalhões no Rabo do Cometa, Os Fantasmas Trapalhões, Os Trapalhões na Terra dos Monstros…

Terminava a sessão e a gente saía na calçada ainda se acostumando com a luz da tardezinha, ainda voltando à realidade, depois de experiências tão ricas no mundo da imaginação…

Infelizmente, o último cinema de Currais Novos fechou as portas no dia 01 de janeiro de 1990.

AUTOR – Wescley J. Gama

FONTE – https://www.facebook.com/casarao.poesia/photos/a.273641746106137.1073741825.273638886106423/733786743424966/?type=3&theater

INSPIRADO EM RECORDAÇÕES, ARTISTA POTIGUAR RETRATA COTIDIANO DO SERTANEJO

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Pintura de uma festa junina em Currais Novos (Foto: Assis Costa) – Fonte – G1

‘Não podemos negar nossas origens’, diz o curraisnovense Assis Costa.
Para pintar, ele lembra das brincadeiras de criança e dos banhos de açude.

Nascido na cidade de Currais Novos, no Seridó potiguar, o artista plástico Assis Costa retrata o cotidiano do sertanejo através das próprias recordações. Prestes a fazer 40 anos, o pintor ainda lembra da sensação única de construir os próprios brinquedos, tomar banho de açude e subir em árvores.

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Circo na cidade (Foto: Assis Costa) – Fonte – G1

O gosto pela arte começou cedo. “Quando eu era criança, comecei a experimentar e usar tintas, além de desenhar. Fiz um curso e, com 14 anos, comecei a vender minhas telas”, disse. Hoje, ele vive da venda das obras.

Com mais de 15 exposições durante a carreira, Assis tem uma preferida. Em 2012, fez uma mostra chamada ‘Seridós’. Ao portal G1, ele disse que foi uma maneira marcante de expor a cidade para quem não conhecia. “Quero ressaltar meu respeito pela cultura potiguar. O que eu vejo é que a religião é muito forte no interior, principalmente a católica. A fé, a paisagem e o povo sertanejo são minhas maiores inspirações”.

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Paisagem do Seridó (Foto: Assis Costa) – Fonte – G1

Os trabalhos sobre o Seridó continuam. “Minha memória reflete em tudo que produzo. Uma das minhas telas mostra como era quando um circo chegava a cidade. Era extraordinário. Toda a população assistia os espetáculos. E é esse o sentimento que procuro demonstrar”, relembrou.

Assis também lembra de situações engraçadas que serviram de inspiração. “Eu estava tomando vinho na casa de um amigo e ele me disse ‘rapaz, você está bebendo muito e daqui a pouco você não vai saber com o que está pintando’, e eu comecei a experimentar o vinho como tinta. E deu certo! Resultou em uma exposição chamada Dom Quixote de Las Manchas de Vinho”, emendou.

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Teatro de João Redondo (Foto: Assis Costa) – Fonte – G1

Não há dúvidas sobre o futuro. “Sempre fui artista e vou continuar sendo. Apesar de morar no interior, pretendo mostrar minhas obras para pessoas do Brasil inteiro, quem sabe até de outros países. Não podemos negar nossas origens. E é por isso que retrato minha cidade com tanto carinho”, afirmou Assis.

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Ceia dos Meninos (Foto: Assis Costa) – Fonte – G1

FONTE – http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2016/07/inspirado-em-recordacoes-artista-potiguar-retrata-cotidiano-do-sertanejo.html

 

DOCUMENTÁRIO SOBRE A MINA BREJUÍ

Recebi do amigo Inácio José Salustino Soares a indicação de um documentário de 15 minutos sobre a Mina Brejuí. Ele foi elaborado pela jornalista Ângela Bezerra e achei o resultado final muito interessante.

Durante a Segunda Guerra Mundial a Mina Brejuí teve seu ápice, fornecendo toneladas de minérios às indústrias do aço. 

Essa atividade foi considerada uma das mais importantes para a economia norte-riograndense, principalmente para a Região Seridó e, em particular, para o município de Currais Novos. A cidade  sentiu o impacto da grande exportação e teve grande expansão no período, com a construção de hotéis, cinema, posto de puericultura, emissora de rádio, estádio de futebol, campo de pouso, colégios, hospital e casa do idoso. 

Durante décadas a Mina Brejuí foi a maior exportadora de sheelita do hemisfério sul. Porém, esse período de glória findou com a entrada dos asiáticos no mercado internacional, que não ofereciam oportunidade competitiva para os brasileiros. Ao final da década de 80, a atividade já estava desmantelada por completo. Estagnação econômica e repulsão populacional foram alguns dos frutos dessa derrocada, principalmente, para o município de Currais Novos.

 Mas desde o início dos anos 90, a extração foi retomada e mais de 300 empregos foram gerados. A Mina Brejuí passou a explorar também o turismo, desenvolvido nos túneis inativos, nas trilhas e no Memorial Thomáz Salustino, museu que conta a história dos tempos áureos da mineração.

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FILME COM A INAUGURAÇÃO DOS CAMPOS DE POUSO DA MINA BREJUÍ E CRUZETA NA DÉCADA DE 1950

Hoje recebi um e-mail vindo de Inácio José Salustino Soares, neto do empreendedor Tomaz Salustino Gomes de Melo. Na sua mensagem Inácio fez a gentileza de me enviar um link do You Tube, onde podemos admirar um filme de quatro minutos sobre a inauguração de dois campos de pouso na região do Seridó Potiguar.

Um dos campos era na Mina Brejuí, no município de Currais Novos, e o outro no Centro Experimental do Algodão do município de Cruzeta. Segundo Inácio, ambos os aeródromos foram construídos e inaugurados por Tomaz Salustino, junto com seu filho, o engenheiro agrônomo Silvio Bezerra de Melo.

Fiquei muito agradecido pelo contato e feliz de ter tido a oportunidade de visualizar este material, que mostra um aspecto interessante da realidade politico e social do Seridó daquela época, principalmente sobre as relações entre os poderes atuantes da região e as autoridades do Governo Federal.

O filme não deixa dúvidas que aquele foi um dia bem especial nos céus seridoenses, com a presença marcante de quatro monomotores de treinamento North American (NA) T-6 Texan e dois bimotores de transporte Beechcraft C-45. Os rasantes dos T-6 foram estonteantes.

Estes T-6 certamente eram do 2º/5º Grupo de Aviação, conhecido como Esquadrão “Joker”, que haviam sidos transferidos do Rio de Janeiro para Natal em novembro de 1953. O 2º/5º também utilizava os caças Republic F-47 Thunderbolt, que marcaram época nos céus de Natal da década de 1950.

Além dos aviões a inauguração contou com figuras de peso da Força Aérea Brasileira que atuavam no Nordeste. Entre estes temos o Brigadeiro Reinaldo Joaquim Ribeiro de Carvalho Filho, carioca de nascimento, na época comandante da II Zona Aérea de Recife, e o comandante da Base Aérea de Natal, o Cel Av. Antônio Joaquim Silva Gomes, além de várias outras autoridades. Entre estes Dom Adelino Dantas e o ex-governador, na época deputado federal, José Augusto Bezerra de Medeiros.

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Sei que a Mina Brejuí começou suas atividades em 1943, filha direta do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial e, se não estou enganado, estes campos de aviação são de 1954, pois o Brigadeiro Reinaldo de Carvalho foi comandante da II Zona Aérea entre os anos de 1953 e 1955. Além disso, tenho a notícia que em novembro de 1954, a II Zona Aérea emitiu um aviso declarando abertos para utilização aeronáutica os campos de pouso da Mina Brejuí e de Cruzeta.

Como nota final sei que anos depois este Brigadeiro seria Ministro da Aeronáutica no Governo João Goulart e iria para a reserva com a eclosão do Golpe de 1964.

Era uma época onde a aviação era muito mais presente no interior potiguar do que na atualidade. Em recente conversa com Dr. Manoel de Medeiros Brito, dileta figura de Jardim do Seridó, memória viva de sua região, me narrou que durante a década de 1950, período em que ele trabalhou como representante oficial do governo potiguar na antiga Capital Federal, era possível ir em um C-47 de Caicó, via Recife e outras capitais brasileiras, até o Rio de Janeiro.

Tempos que não voltam.

Posso estar errado, mas como Inácio José é neto de Tomaz Salustino, acredito que este material é um bem de família. Se assim for, Inácio fez algo muito especial – democratizou via You Tube o acesso das pessoas a este filme.

Muito obrigado pela sua iniciativa Inácio.

Forte abraço.

Rostand Medeiros