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A DESINFORMAÇÃO! MAIS UMA ESTRATÉGIA USADA POR “LAMPEÃO”

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O início da divisão do bando em subgrupos

Por Sálvio Siqueira

Longe de nós leitores, estudantes, pesquisadores e escritores do tema cangaço fazermos apologia ao crime nem a criminosos. Pelo contrário. Pesquisamos, estudamos e lemos obras sobre o Fenômeno Social que existiu desde meados do século XVIII até seu desaparecimento no início dos anos 1940, quase meados do século XX.

No decorrer dos estudos nos são apresentados os fatos, com os atos ocorridos e suas personagens, os quais estão afixados nas barreiras do riacho permanente da história. Sendo a imaginação humana por demais fértil, principalmente em prol de si própria, logicamente que a narração desses acontecimentos foram, e são, alterados ao longo do tempo, para mais ou para menos, e até foram algumas fantasias, causos, lutas e combates, criadas por alguns. Infelizmente, dentre os próprios escritores, pesquisadores e historiadores vemos em suas entre linhas, inúmeras criações fantasiosas sobre o tema cangaço.

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Os grandes inimigos dos cangaceiros – Grupo de volantes comandados por Manoel Neto, que está de óculos na extrema direita.

Cada um tem sua ‘maneira’ de ver a história. Muitas vezes ela segue para determinado ponto, e esses só a vem em outra direção.

Uma das coisas ocorridas no desenrolar desse Fenômeno Social que nos chama por demais a atenção, referindo a era lampiônica, são as artimanhas, táticas e estratégias planejadas, montadas e executadas por um sertanejo nascido no Pajeú das Flores, região do sertão pernambucano, que pouco frequentou escola alfabetizadora, na infância, e nunca, jamais, esteve em uma escola militar. No entanto, usou práticas de guerrilhas em sua guerra particular contra as Forças Militares de vários Estados da Região Nordeste que o perseguia que são por demais admiráveis.

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Memorial da Resistência em Mossoró, Rio Grande do Norte – Foto – Rostand Medeiros

Lampião e seu bando estão ‘curando’ as feridas da derrota sofrida em Mossoró, RN, na cidade cearense de Limoeiro do Norte. Seu bando a partir daí, já bastante desfalcado, começa a desmantelar-se por inteiro. Nos dias vindouros, após a estada naquela metrópole cearense, muitos são pegos e presos, outros são mortos e vários debandam, tendo ainda aqueles que resolvem se entregarem. Por fim, resta apenas cinco ‘cabras’ e ele. Decidido a continuar no ‘trono’, resolve o “Rei dos Cangaceiros” transpor as águas do Velho Chico e, em terras baianas, dá sequência a seu reinado. Esse ocorre no ano de 1928. Lá estando, entra em contato direto com Corisco, cangaceiro que atuou em seu grupo em terras pernambucanas.

Mais ou menos um ano que estavam no Estado da Bahia, Lampião resolve recomeçar suas extorsões, roubos e mortes, só que, dessa vez, ele muda seu modo de agir. Em determinadas cidadelas baianas, ele não permite que seus homens façam alguma ‘travessura’, já em outras, a coisa coloca-se como uma verdadeira carnificina.

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Após estarem juntos, o grupo de Lampião e o pequeno grupo do “Diabo Louro”, fazendo um só bando, isso já no ocaso de 1929, o chefe mor dos cangaceiros dá instruções a seu, agora, lugar tenente, Corisco, para ele ir com parte do bando para determinada região do sertão baiano, comece a fazer muitas estripulias por lá, usando  a rapidez nos ataque e, principalmente, nas retiradas, sem nem mesmo terem o tempo de roubarem algo, só com o intuito de chamar a atenção das autoridades estaduais. Começando assim, a ação dos subgrupos, propriamente dito.

“(…) a atuação do subgrupo por ele (Corisco), comandado, naquele momento, tem a finalidade exclusiva de confundir a polícia e nisso o récem-nomeado ‘chefe’ vem obtendo sucesso (…).” (“CORISCO – A Sombra de Lampião” – DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. 1ª Edição. Natal, RN. 2015)

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A ação é muito bem praticada por Corisco. Além de atacar determinados povoados e pequenas cidades, ele manda ‘avisos’ que atacará outros (as). Com isso são formadas, às pressas, defesas para as mesmas e as autoridades são informadas. O plano dá resultado positivo, tanto que a própria imprensa também cai nele, e sabedora do conteúdo dos boletins militares, publica notícias de por onde estão os cangaceiros atuando.

O Diabo Louro ataque Rio do Peixe, depois segue pra Vila de Saúde, aí trava combate com volantes, solta a ‘notícia’ que atacará Caem, depois que irá até Jacobina… E assim Corisco vai cumprindo a missão determinada pelo “seu capitão”. Segue fazendo destino a Vila de Riachuelo, nessa é formada uma tropa de combate que vai para a mata, de encontro o bando que está vindo. Mas, mais uma vez, são boatos. A turba segue para outra ‘freguesia’. Em 16 de outro de 1929.  Corisco está as portas da cidade de Miguel Calmon. Muda de rumo e seguindo de noite adentro, cai em um piquete armado pela polícia baiana, isso já no município de Morro do Chapéu, em um povoado chamado Tábuas. Em pouco tempo, dias apenas, há notícias de Corisco vinda de uma estação ferroviária em um Distrito denominado Barrinha. São comunicadas as autoridades de Jaguarari e Bonfim e a imprensa começa a cobrar mais participação da Força. E assim seguiram aqueles cangaceiros chamando atenção, muito mesmo, por onde passara.

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Lampião e seu bando

Com todos os olhares das autoridades, imprensa e população voltadas para as ações praticadas por Corisco e seus cangaceiros, Lampião está prestes a cumprir uma promessa que fizera aos trabalhadores de uma estrada rodagem num lugar chamado Carro Quebrado. Virgolino, anteriormente havia prevenido que, se retornasse a ver homens trabalhando na construção da dita estrada, a qual ligaria Juazeiro a Santo Antônio da Glória, mataria todos, aqueles que estivessem trabalhando bagariam com a vida. No dia 18 de outubro de 1929, Lampião executa a tiros e sangrados, nove trabalhadores que trabalhavam na construção da estrada. O crime é bárbaro e desnecessário. Chama bastante atenção. Após mais outras investidas do “Rei Vesgo”, a imprensa começa e as autoridades começam a desconfiar do porquê do ‘furacão’ que Corisco andou levantando bem distante de onde começava agir seu chefe. Ocorrem ataques, roubos, extorsões e mortes em lugares muito distantes e ao mesmo tempo.

““ Convencida, agora, de que os bandidos se acham, efetivamente, divididos em dois grupos, do que lhe deu certeza terem ocorrido, quase nas mesmas horas, o tiroteio de Morro do Chapéu a a façanha de Carro quebrado, a chefia da Polícia, ao que sabemos, vai mudar de plano, já tendo, nesse sentido, telegrafado aos comandantes das forças volantes dando as necessárias instruções”. (Diário de Notícia, outubro de 1929)”(Ob.Ct.)

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Corisco e seus cachorros

Mas, para as autoridades começarem a agirem dividindo as tropas, se faz necessário algum tempo para adaptação. Enquanto isso, os dois grupos continuam agindo em pontos longínquos.

No mês seguinte a chacina dos trabalhadores, novembro de 1929, Lampião faz visitas amigáveis as cidades de Nossa Senhora das Dores e Capela, no Estado sergipano. De volta a terras baianas, já em dezembro do mesmo ano, Lampião ataca a vila de Cansanção e, em seguida pratica mais uma chacina na de Queimadas, onde executam sete militares, execuções essas que até os dias de hoje, não sabemos seu significado, razão ou motivos. Em Queimadas, uma pequena vila na época, Lampião dá prosseguimento ao plano anteriormente arquitetado, soltando para os quatro ventos, que matou Corisco por ele estar querendo tomar seu poder. Se pesquisarmos as datas das ações cometidas pelos dois grupos, veremos que haverá delas, terem ocorridos fatos no mesmo dia, e até mesma hora, ou próxima a essa, só que muito distante uma da outra.

“(…) fora uma ação planejada com intuito de confundir a polícia. O intento, claro, fora conseguido (…).” (Ob. Ct.)

Com as ações executadas com total êxito pelos dois bandos, de repente, todos os cangaceiros somem do ‘mapa’. Todos se refugiam dentro da imensidão do Raso da Catarina, e por lá permanecem por vários e vários dias… Nas quebradas do Sertão baiano.

Fonte “CORISCO – A Sombra de Lampião” – DANTAS, Sérgio Augusto de Souza.

DE NÓS, PRA VOCÊ – SALVE O DIA DO NORDESTINO

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FONTE – https://medium.com/@basepropaganda/se-oriente-fc01dc8dfa2d#.ru8msgkp4

08/10/2016 — Dia do Nordestino

Durante a construção deste projeto, conversamos com alguns amigos que são do Nordeste e vivem em outras regiões do país para que juntos analisássemos e ilustrássemos algumas situações nas quais o preconceito, mesmo polido ou acompanhado de algum tipo de elogio, machuca e ajuda a perpetuar estereótipos.

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Estamos sempre em busca do nosso lugar no mundo. E, por onde quer que a gente vá, carrega em si um universo próprio, cheio de coisas que só a gente sabe realmente como são. Aquela tal de experiência de vida, não é?

O simples fato de termos nascido em uma região específica não nos torna especiais ou ~diferentões~, mas é claro que temos prazer em externar a nossa origem. Afinal, são palavras e expressões que nos lembram os amigos de infância, sabores e canções que nos levam imediatamente aos encontros de família, dificuldades que costumamos associar a quem sofre como nós.

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Porque sim, sofremos. Algumas vezes como qualquer um sofre, claro. Mas, outras, simplesmente por sermos de “lá”, do Nordeste. Um sofrimento que pode surgir a partir do que você pensa da gente, de como você imagina a nossa história ou do que você nem se interessa em saber se é verdade, ou não.

Você pode estar por perto, esbarrar com a gente na rua, pode ser um amigo do peito ou um ilustre desconhecido. Mas, em qualquer uma dessas possibilidades, vai sempre nos enxergar como uma xilogravura, um sotaque ou uma reprodução satírica de características engraçadas, exóticas, bizarras…

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Sim. É possível que você consiga identificar qualidades em nós, mas quase sempre elas serão suprimidas pela ideia que você tem da nossa origem.

Talvez você até encontre uma forma que acredita ser mais polida para mostrar que nunca seremos como você. Mas não adianta; viemos de um mundinho como qualquer outro, porém completamente nosso e presente em cada parte do que somos.

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A sua tentativa de provar que consegue ver algo bom em nós não suprime o fato de que esse “mundinho” continua sendo diminutivo pra você.

Por isso, no dia em que comemoramos mais uma vez o fato de sermos NÓS, deixamos o recado: Se oriente! Elogio não anula preconceito.

 ORGULHO DE SER NORDESTINO!

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FONTE – http://nordeste304.blogspot.com.br/

PROFESSOR DE HISTÓRIA TEM MUSEU DO NORDESTE DENTRO DE CASA, NA PARAÍBA

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Professor transformou a própria casa em um museu regional do Nordeste (Foto: Artur Lira / G1)

Adonhiran Ribeiro adota conceito de ‘museu casa’ e faz resgate cultural.
Local tem peças de até 200 anos usadas no semiárido paraibano.

Um professor do curso de história da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, transformou a própria residência em um “Museu Vivo do Nordeste”. Adotando um conceito de “museu casa”, ele faz a recomposição de moradias e ambientes típicos do semiárido nordestino. As peças expostas têm de 50 a 200 anos. O local existe há quase 10 anos, no bairro Bodocongó, na zona oeste da cidade. Para visitar o museu é necessário fazer agendamento, mas a entrada é gratuita.

O professor Adonhiran Ribeiro dos Santos explica que o museu surgiu por meio de um projeto de extensão da UEPB. No local é possível encontrar móveis, armas, medicamentos, acessórios, ferramentes, instrumentos musicais e até um fogão a lenha que ainda é usado por ele, além de outros objetos e utensílios. Ao todo, são cerca de 600 peças. A viagem no tempo começa logo na entrada, onde o visitante precisa balançar um chocalho bovino que serve como campainha.

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Museu conta com peças de 50 anos até 200 anos de fabricação artesanal (Foto: Artur Lira / G1)

“Quem entra no museu tem a sensação de estar num lugar verdadeiro daquela época, típico do Nordeste. Uma das vantagens desse conceito de museu é que as peças ficam expostas e o visitante pode pegar e até usar a maior parte delas, diferente de outros museus onde as peças ficam protegidas por vidros e alarmes”, disse o professor.

Com agendamentos para visitas, o museu conta com apresentações de trios de forró pé-de-serra, emboladores de coco e outras atrações artistas da cultura regional.

No museu casa, o professor Adonhiram mora com a esposa e a filha mais nova. Neste mesmo local ele criou outros dois filhos, que atualmente são casados e moram em outras casas. Apesar da transformação na residência e necessidade do cuidado com as peças, a família do professor gosta da ideia.

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Prensa artesanal era usada em produção no Brejo paraibano, diz historiador (Foto: Artur Lira / G1)

“No início, minha esposa ficou um pouco chateada. São muitas peças pela casa, mas, todos já se acostumaram”, disse.

A maior parte das peças que o museu conta foram adquiridas pelo próprio professor, outra parte foi doada por outros professores e alunos da UEPB, por meio de um projeto de extensão, e uma pequena parte foram de peças encontradas perdidas.

“Sempre que eu viajo para o interior, eu tenho o cuidado de passar com calma pelas estradas vicinais. Vez ou outra encontro peças jogadas em cantos de cercas, ou terrenos abandonados. Muitas vezes os antigos donos jogam, sem saberem o valor histórico que aquela peça tem”, explicou ele.

Pilão de 200 anos

Uma das peças mais antigas que museu tem é um pilão com cerca de 200 anos. O professor explica que ele foi usado por famílias da cidade de Gurjão, no Cariri, para amassar grãos. A peça foi encontrada em 2006. “Outro pilão bastante raro que eu encontrei foi o ‘pilão deitado’. Essa peça estava jogada do lado de uma árvore sendo usada como banco para as pessoas sentarem”, lembrou Adonhiran.

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Espaço ‘Meu Cariri” tem várias plantas do semiárido nordestino (Foto: Artur Lira / G1)

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Além dos objetos, ferramentas e utensílios, o museu conta com dois ambientes composto de plantas da região.

No espaço batizado de “Meu Cariri” são encontrados mamonas, arrudas, espadas de São Jorge, comigo-ninguém-pode, mandacarú, cacto e a dama da noite, além de outras espécies trepadeiras e medicinais.

“São plantas que ainda hoje muitos moradores da zona rural cultivam em suas casas. Algumas para serem usadas em chás e medicações caseiras, como também por conta de algumas crenças, como o exemplo de plantas que eles acreditam afastar energias negativas da casa”, contou Adonhiran.

Cozinha do século 20

Outro ambiente que chama a atenção dos visitantes é a recomposição de uma cozinha típica do Nordeste brasileiro, no início do século 20. Nela existe um fogão a lenha com panelas de barro que ainda são usadas pelo professor.

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Cozinha do museu tem fogão a lenha funcioandoe panelas de barro (Foto: Artur Lira / G1)

“Geralmente, no São João, a gente acende o fogão e faz comida. Me reúno com familiares e amigos e aqui a gente revive os festejos juninos da época de nossa infância”, destacou o professor.

Ainda na cozinha, são encontradas garrafas de cachaças e outras bebidas alcoólicas antigas. Para não perder a tradição, ao passar pela cozinha do museu, não é difícil encontrar cascas de laranjas jogadas na estrutura que sustenta o telhado. “Antigamente as mulheres tinham a crença de que se jogassem a casca da laranja no teto e ela ficasse presa na madeira que sustenta o telhado, seria sinal de um bom casamento”, contou Adonhiran.

Agendamento de visitas

Para visitar o local é necessário fazer um agendamento por meio do telefone (83) 3333-1936. A visita pode ser feita também por grupos de estudantes. O museu fica na Rua Manoel Joaquim Ribeiro, 239, Bodocongó, em Campina Grande.

MORTO HÁ 76 ANOS, LAMPIÃO AINDA ‘VIVE’ NO FUTEBOL DE PERNAMBUCO

SE Lampião jogou bola antes de entrar no cangaço, vai ver que ele lia O Globo do Rio lá no meio da caatinga, para saber o resultado do Fla-Flu
SE Lampião jogou bola antes de entrar no cangaço, vai ver então que ele lia O Globo do Rio, lá no meio da caatinga, para saber o resultado do Fla-Flu?

Publicado em 29/07/2014, 07:00 /Rádio ESPN, com ESPN.com.br

http://espn.uol.com.br/noticia/428614_morto-ha-76-anos-lampiao-ainda-vive-no-futebol-pernambucano

Virgulino Ferreira da Silva jogava bola quando era jovem na fazenda do pai. Era começo do século XX, quando o futebol brasileiro ainda era incipiente e dava seus primeiros passos. Mas ele jamais se destacaria com a bola nos pés.

Ficaria famoso mesmo com uma arma nas mãos. E com um outro nome: Lampião.

Na última segunda-feira, completaram-se 76 anos da morte de uma das mais famosas figuras do sertão e da história brasileira. O mais curioso: Lampião ainda aparece diariamente em Pernambuco graças ao futebol.

Desde 2011, o cangaceiro é mascote do Serra Talhada, clube da cidade homônima e local de nascimento de Virgulino. A escolha de uma figura que não é unanimidade – ladrão para alguns, um Robin Hood para outros – não foi apenas uma homenagem.

“Nas discussões, resolvemos colocar ele como nosso mascote porque resistimos como ele resistiu na época do cangaço, algo para nos encorajar a manter viva nossas raízes e nossa tradição”, explicou José Raimundo, presidente do Serra Talhada, em entrevista à Rádio ESPN.

Serra Talhada, o time de Lampião - Time de Lampião?
Serra Talhada, o time de Lampião – Time de Lampião?

A resistência está na história do futebol da cidade. Uma cisão política no Serrano, então equipe única na cidade, culminou na saída de Raimundo. Ao lado de outros colegas, decidiu fundar, então, o novo clube.

O projeto é ousado: chegar à Série B do Brasileiro em dois anos. Até aqui, campanhas modestas na primeira divisão do estadual: 9º entre 12 equipes em 2012; 11º entre 12 na segunda fase em 2013; 4º na primeira fase entre 9 times em 2014.

Após a disputa do Pernambucano, o jeito é se contentar com meses sem atividade. “São quatro, cinco meses trabalhando e oito sem competições. É situação de calamidade, você investe e não tem retorno. Os estaduais não tem rentabilidade”, afirmou o dirigente.

Como Lampião, o Serra Talhada se vira para sobreviver no sertão do futebol brasileiro.

NOTA DO RESPONSÁVEL PELO TOK DE HISTÓRIA – Como não sou, nem nunca serei, o dono de nenhuma verdade, confesso que estranhei a afirmação inicial desta nota publicada pela ESPN, que o cangaceiro Lampião  “jogava bola” quando jovem!

PEGA DE BOI NO MATO – TRADIÇÃO E CULTURA DO NORDESTE

Pega de boi no mato - Fonte - http://www.portalserrita.com.br/
Pega de boi no mato – Fonte – http://www.portalserrita.com.br/

Com o objetivo de preservar a memória do sertanejo, reconhecendo a valentia e a importância do vaqueiro nordestino e para manter viva uma tradição, cresce cada vez mais  o esporte da Pega de boi no mato por todo o Nordeste brasileiro.

Vaqueiros nordestinos - Fonte - http://www.portalserrita.com.br/
Vaqueiros nordestinos – Fonte – http://www.portalserrita.com.br/
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Diferente da famosa vaquejada, onde o boi corre numa arena demarcada, perseguido por uma dupla de cavaleiros, a Pega de boi no mato acontece no meio da vegetação catingueira, com os vaqueiros encourados se embrenhando no mato em cima dos seus cavalos ligeiros para pegar o boi.

Partida para pegar os bois - Fonte - http://www.portalserrita.com.br/
Partida para pegar os bois – Fonte – http://www.portalserrita.com.br/

Enfrentando espinhos de juremas e touceiras de xique-xique, demonstrando coragem e valentia. Qualquer acidente pode ser fatal, pois, segundo os sertanejos, os cavalos chegam a alcançar 60 km/h na velocidade máxima da corrida no meio da vegetação ressequida e pontiaguda.

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As roupas de couro são essenciais, usadas pelos vaqueiros para se proteger de acidentes na busca pelo boi no meio do mato. A principal peça é o gibão, que cobre os homens do pescoço à cintura, como se fosse um paletó de couro. Tem o guarda-peito, que é um pedaço de couro curtido com que os vaqueiros resguardam o peito, preso por meio de correias ao pescoço e à cintura. Depois vem a perneira, que é a calça de couro ajustada ao corpo, vai do pé à virilha, mas deixa o corpo livre para cavalgar. Não pode faltar o tradicionalíssimo chapéu do vaqueiro nordestino, que além de lhe proteger do sol, serve como escudo contra eventuais golpes na cabeça. E nos pés vem as esporas, um instrumento de metal que se põe no salto do calçado para incitar o animal que se monta.

Alegria da vaqueirama - Fonte - http://www.portalserrita.com.br/
Alegria da vaqueirama – Fonte – http://www.portalserrita.com.br/
Tradição que se renova - Fonte - http://www.portalserrita.com.br/
Tradição que se renova – Fonte – http://www.portalserrita.com.br/

A Pega de boi no mato é uma tradição que remonta os primeiros tempos da ocupação do sertão nordestino pelos brancos europeus. Antigamente, numa época onde não existia o arame farpado, os animais eram criados soltos pelas propriedades rurais.

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A ideia era deixar os animais à vontade de para buscarem a alimentação. Em determinadas épocas os vaqueiros encourados adentravam a caatinga para realizar a pega do boi. Sempre em meio a muita destreza, coragem e com os vaqueiros entoando seus cantos, seus aboios no meio das “pegas”. Era tudo uma grande confraternização.

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Depois de reunir os animais, era normal os vaqueiros de uma fazenda encontrarem bichos marcados com ferros de outras propriedades. Então ocorriam as famosas festas de “apartação”, onde os animais eram entregues aos legítimos donos, criando entre os habitantes do sertão fortes laços de amizade. Vemos assim como eram importantes os tradicionais ferros de marcar animais.

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Os atuais eventos são realizados nas mesmas propriedades sertanejas do passado, cujos proprietários disponibilizam seus terrenos, animais e alimentação para todos aqueles que do evento participam. Os vaqueiros precisam pagar uma inscrição, um valor simbólico, bem diferente do que é cobrado nas grandes vaquejadas.

Festa nas fazendas onde ocorrem os eventos - Fonte - http://www.portalserrita.com.br/
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Na  pega de boi no mato os bichos são soltos em uma área de caatinga preservada e quem conseguir recuperar os animais é então declarado o vencedor, ou vencedores, e no término do evento são premiados. A premiação é feita com troféus e brindes (animais, selas, arreios), normalmente doados pelos parceiros que organizam estes eventos.

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Como não poderia deixar de ser em uma tradicional festa nordestina, durante todo o dia tem muito forró pé de serra, aboios, cantorias,  com apresentações de grupos locais, onde a cultura das comunidades sertanejas é valorizada.

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A Pega de boi no mato  é uma forma de resgatar a cultura do vaqueiro, é uma homenagem a todos os vaqueiros do nosso Nordeste, que amam lidar com o gado, viver livre, sendo único dono do seu destino,  mostrando agilidade e valentia.

Valente vaqueiro nordestino - Fonte - http://www.portalserrita.com.br/
Valente vaqueiro nordestino – Fonte – http://www.portalserrita.com.br/

VEJA TAMBÉM SOBRE ESTE TEMA – https://tokdehistoria.com.br/2012/09/09/missa-do-vaqueiro-de-serrita-pernambuco-os-primeiros-anos/

– https://tokdehistoria.com.br/2012/04/16/1922-a-grande-vaqueja-de-nova-cruz-para-as-comemoracoes-do-centenario-da-independencia-do-brasil/