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O NOSSO LIVRO “LUGARES DE MEMÓRIA” ENTRE OS MAIS VENDIDOS NA UFRN

Rostand Medeiros – IHGRN.

Fiquei muito feliz essa semana quando soube através de amigos e do pessoal da Livraria do Centro de Convivência do Campus Universitário, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, que nosso novo livro “Lugares de Memória – Edificações e estruturas históricas utilizadas em Natal durante a Segunda Guerra Mundial” está entre os dez mais vendidos na conhecida Livraria do Campus, uma das maiores no estado, entre os meses de novembro e dezembro de 2019.

Ainda tive a grata surpresa de ter o nome do nosso livro lembrado pelo jornalista Vicente Serejo, que na sua coluna do dia 17 de dezembro, no do jornal Tribuna do Norte publicou a seguinte nota:::

Como foi dito pela imprensa, em suas 170 páginas “Lugares de Memória” traz informações, curiosidades e imagens de edificações e estruturas existentes na capital potiguar durante a Segunda Guerra Mundial, encerrado em 1945.

O livro apresenta informações e imagens (atuais e antigas) de 27 locais de Natal que possuem ligação com a participação do Brasil no conflito, incluindo quartéis, hospitais, sedes de companhias aéreas, bares, cabarés, hotéis, clubes militares, residências de oficiais e do cônsul norte-americano, entre tantos outros pontos que ainda mantêm as características de sete décadas atrás, ou cujos prédios originais deram lugar a novas edificações.

Publicado pelo Caravela Selo Cultural, o prefácio de “Lugares de Memória” é do jornalista e escritor Carlos Peixoto e o texto abre com a palestra do ex-governador Juvenal Lamartine, proferida em 1939 – sete meses antes da deflagração da guerra – e que já previa não só o conflito, como o envolvimento da capital potiguar. Já os 27 locais foram divididos em cinco partes, conforme os bairros: Santos Reis, Rocas, Ribeira, Petrópolis e Tirol.

O livro continua sendo vendido na Livraria do Campus, ao preço de R$ 40,00.

Segue a relação dos dez livros mais vendidos na Cooperativa do Campus entre novembro e dezembro de 2019.

UMA VIAGEM PELA CIDADE VELHA DE “GUERRA”

LUGARES CONHECIDOS, COMO A CASA DO ITALIANO LETTIERI, NA RIBEIRA, ONDE HOJE É O CONSULADO, E OUTROS CURIOSOS COMO O ESCRITÓRIO DO FRANCÊS MARCEL GIRARD, REPRESENTANTE DA AIR FRANCE EM NATAL, SÃO RECORTES DA HISTÓRIA QUE ROSTAND MEDEIROS ESMIÚÇA COM MUITA PAIXÃO.

Ramon Ribeiro – Repórter – Tribuna do Norte

Fonte – http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/rostand-medeiros-em-uma-viagem-pela-natal-velha-de-guerra/466200

A curiosidade e a paixão pelo Rio Grande do Norte, fez de Rostand Medeiros um pesquisador insaciável pela história potiguar. Sua curtição é esmiuçar arquivos públicos, acervos privados, documentos oficiais, fotos antigas, é também conversar com velhas figuras guardiãs da memória coletiva do Estado. Dessas viagens no tempo que faz, ele retorna com material bruto que aos poucos transforma em livro. É de sua autoria, por exemplo, três biografias “João Rufino-Um visionário de fé” (2011), sobre o criador do grupo industrial 3 Corações, “Fernando Leitão de Morais-Da Serra dos Canaviais a Cidade do Sol” (2012) e “Eu não sou herói – A História de Emil Petr” (2012), este sobre um veterano da 2ª Guerra Mundial.

Por falar em 2ª Guerra, esse é um dos principais temas de Rostand, ao lado da história da aviação. Sobre aviação, ele foi coautor de “Os Cavaleiros do Céu: A Saga do voos de Ferrarin e Del Prete” (2009), que conta a história do primeiro voo sem escalas entre a Europa e a América Latina; e sobre a 2ª Guerra, lançou em 2019 “Sobrevoo: Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”.

Mas agora, ao apagar das luzes de 2019, Rostand surge com novo livro, ainda dentro de seu tema predileto: “Lugares de Memória – Edificações e estruturas históricas utilizadas em Natal durante a Segunda Guerra Mundial”. A obra apresenta 27 locais referentes aquele tempo, a maioria na Ribeira, trazendo curiosidades quer ajudam a entender como era o dia a dia de Natal naqueles anos intensos.

O lançamento do livro será no dia 5 de dezembro, na Livraria Cooperativa Cultural, na UFRN, às 10 horas. A publicação sai pela Editora Caravela Selo Cultural e conta com o apoio do Fundo de Incentivo e Cultura de 2018, da Prefeitura de Natal. Sobre o livro e aquele período, Rostand Medeiros conversou com a TRIBUNA DO NORTE.

Parceria com o MPF_RN ajudou na criação desse livro.

Inventário

Essa pesquisa começou em 2015, quando a Promotoria de Justiça de Natal me solicitou a elaboração de um relatório sobre os locais utilizados pelas forças militares americanas em Natal durante a Segunda Guerra. Listamos 32 locais históricos entre Natal e Parnamirim. A ideia era incentivar ações de preservação. Mas naquele ano nada foi feito. Até que no início de 201, o Ministério Público Federal do RN, preocupado com a situação do Patrimônio Histórico de Natal, promove uma audiência sobre o tema. Informo sobre o relatório já feito e sou solicitado para aprofundar as pesquisas. O que fiz, mas focando apenas em Natal, fechando em 27 locais relacionados a 2ª Guerra. Agora, com a parceria da Editora Caravela, estou publicando o trabalho em livro.

Na casa com um amplo alpendre apresentada na foto, serviu de moradia para o comandante das tropas do exército americano em Natal durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje é a sede do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte.

Preservar é importante

O livro fala de locais que se não for feito nada, vão se perder em ruínas. Mesmo com grande parte dos locais deteriorados, é um material que aponta para existência de uma rota turística. De todos os meus livros, esse é o que mais me entusiasmou. Espero que essa publicação possa ser útil, derepente para ajudar na preservação dos prédios que cito.

Ribeira

Acho que a 2ª Guerra é um dos aspectos mais proeminentes da história do Rio Grande do Norte. E nisso está a Ribeira. O bairro já foi o centro de tudo no Rio Grande do Norte. Roosevelt e Churchill falam de Natal em suas biografias. Arrisco dizer que naqueles tempos, para os Aliados, referente à Segunda Guerra, Natal era a cidade mais importante da América do Sul. Você olha para a Ribeira hoje chega bate uma tristeza. É uma decadência que vem desde os anos 70. Recuperá-la pode dar um boom no turismo histórico.

Maternidade Januário Cicco, antigo Hospital Militar de Natal na ápoca da Segunda Guerra.

Descobertas

Muitos dos lugares são conhecidos. A casa do italiano Lettieri, na Ribeira, onde hoje é o Consulado, está bem preservada, assim como a Maternidade Januário Cicco, que era o Hospital Militar de Natal, e o Grande Hotel. Mas uma das minhas descobertas é o Rádio Farol, com as antenas enormes. Ficava na Praia da Limpa, um lugar entre a Fortaleza dos Reis Magos e o Rio Potengi.

Oleoduto

Uma estrutura com história interessante é o oleoduto Pipeline, que ia até a Base de Parnamirim. Sendo que nas Rocas há um trecho do encanamento que está visível. Descobri que em 1977 esse cano chegou a estourar e os moradores aproveitaram para encher tanques de combustível até secar. Outra coisa legal é que o Colégio 7 de setembro, na Rua Seridó, no tempo da Guerra era o Quartel dos Marines da Marinha Americana.

Antiga sede do Consulado d França em Natal na época da Segunda Guerra.

Dois espiões e um francês         

Em Natal tinha uma coisa muito curiosa nos tempos da Guerra. O francês Marcel Girard era representante da Air France em Natal. Seu escritório ficava na Rua Tavares de Lira. Perto dali, na Rua Chile, estava aloja de secos e molhados do alemão Ernst Luck, que ficava no térreo do Àrpege, e a casa do italiano Guglielmo Lettieri, comerciante conhecido na cidade. Cada um dos três atuava como representante diplomático de seus respectivos países em Natal. Imagine só! A Europa em guerra, a França invadida pelos alemães, e os três tendo de conviver na Ribeira. É provado que Luck espionou para a Alemanha e Lettieri para a Itália. Os dois foram condenados pelo Tribunal de Segurança Nacional e ficaram detidos na Colônia Agrícola de Jundiaí. Mas no fim da Guerra, ambos foram perdoados.

Jornal da BBC

A ação da Agência Pernambucana, importante veículo de comunicação em Natal durante a Guerra, é abordado no livro “Lugares de memória”.

Outra coisa que gostei muito de ter estudado foi sobre a Agência Pernambucana de Luiz Romão, com seus difusores espalhados pela cidade. Era algo formidável. Ele retransmitia a versão em português do jornal da BBC. Foi legal descobrir a importância da difusora dele. E é uma pena que hoje o local esteja em ruínas.

Grande Hotel

Mas para mim, não tem dúvidas, o Grande Hotel foi o principal lugar da 2ª Guerra em Natal. Era uma referência central por receber autoridades americanas. Além de ter a figura forte de Teodorico Bezerra como seu proprietário. Resgatei muitas histórias no livro.   

NOVO LIVRO – PELO BEM DA HUMANIDADE, COMO O TOTALITARISMO LEVOU O MUNDO À SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Contatos – Tel: (32) 99128-6442  

Email – contato@insightbrasil.net

A Segunda Guerra Mundial possui inúmeras faces na historiografia, mas poucas são fiéis ao fato histórico. Decorridos 80 anos do início da guerra, a sua nuance primordial continua sendo a menos conhecida: o rosto totalitário.

Apoiado em uma investigação original, este livro oferece respostas a perguntas incômodas e, em regra, ignoradas: por que o povo europeu — o mais erudito da sua época — não impediu o avanço totalitário? Por que nações esclarecidas acreditaram nas falsas promessas de ditadores, permitindo a ruína da democracia? Qual é a real origem da última grande guerra? Como a barbárie subjugou os mais elementares princípios e valores da civilização ocidental? Como foi possível o Holocausto?

Para solucionar essas questões, Pelo Bem da Humanidade esmiúça a trajetória de alguns dos principais personagens envolvidos no último conflito mundial e os eventos-chave que o precederam, revelando um semblante oculto e distinto daqueles geralmente vistos nos compêndios de História.

A obra traz à luz essa fisionomia totalitária, que, em troca da promessa de construção do paraíso terrestre, causou a maior tragédia vivenciada pela humanidade. Conhecer os traços dessa faceta obscura nos permite identificar seus reais genitores e sua prole disseminada na sociedade atual, ao descortinar o ninho dos crescentes antagonismos que assolam o Ocidente há várias décadas.

O AUTOR E SUAS OBRAS

Durval Lourenço Pereira é tenente-coronel R1 do Exército Brasileiro. Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (1990), mestre em Operações Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (1998) e graduado em Cinema, Televisão e Mídia Digital pela Universidade Salgado de Oliveira (2006).

Foi assessor militar do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

​É membro da Academia Campineira de Letras, Ciências e Artes das Forças Armadas.

Produziu e dirigiu os documentários O Lapa Azul: os homens do III Batalhão do 11º Regimento de Infantaria na II Guerra Mundial; e Navalha: um batalhão brasileiro na Linha Gótica. É autor do livro Operação Brasil: o ataque alemão que mudou o curso da Segunda Guerra Mundial.

NO PRÉDIO HISTÓRICO DA RAMPA COM O SR. WILLIAM POPP, EMBAIXADOR INTERINO DOS ESTADOS UNIDOS NO BRASIL

Foto – Ana Paula Andrade , SETUR

Rostand Medeiros – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN

Através de um convite feito pela Secretaria de Turismo do Estado do Rio Grande do Norte – SETUR, eu estive hoje no prédio histórico da RAMPA para acompanhar a visita do Sr. Willian W. Popp, encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, o segundo no escalão dessa representação diplomática.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Como os Estados Unidos ainda não indicaram quem vai ser o titular do cargo de Embaixador em nosso país, o Sr. Popp é o atual responsável pelo comando do posto.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Estiveram acompanhando essa visita os membros do Consulado dos Estados Unidos em Recife o diplomata Daniel A. Stewart e Stuart Alan Beechler, funcionário desse consulado.

Com Daniel A. Stewart e Stuart Alan Beechler – Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Daniel e Stuart são dois bons amigos, que juntamente com o Cônsul Geral dos Estados Unidos em Recife, o Sr. John Barret, acompanham com atenção e possuem enorme interesse em nossa história comum.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Uma história que une durante a Segunda Guerra Mundial a antiga estação de hidroaviões da Rampa, juntamente com Parnamirim Field, Natal, o Rio Grande do Norte, o Brasil e os Estados Unidos.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Recentemente estive junto com Daniel, Stuart e o Sr. Barret no trabalho de resgate histórico e homenagens aos aviadores da Marinha dos Estados Unidos que pereceram em 10 de maio de 1944, na área rural do município potiguar de Riachuelo, em um acidente com um hidroavião Consolidated PBY-5A Catalina.

Mais detalhes sobre os eventos acontecidos em Riachuelo, veja esses links:

https://tokdehistoria.com.br/2019/03/30/membros-do-corpo-diplomatico-dos-estados-unidos-no-brasil-visitaram-a-cidade-de-riachuelo-p

https://tokdehistoria.com.br/2019/07/04/a-guerra-chega-ao-agreste-potiguar-a-queda-de-um-catalina-em-riachuelo/

https://tokdehistoria.com.br/2019/04/09/sobrevoos-e-historias-vividas-na-guerra/

Carlos Ribeiro Dantas explicando o projeto – Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Coube ao arquiteto da SETUR Carlos Ribeiro Dantas, que trabalha com denodo e especial atenção na recuperação desse patrimônio histórico, conduzir os visitantes.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Carlos apresentou os serviços que estão sendo realizados e apontou as necessidades para a conclusão da obra. Posso testemunhar que os trabalhos estão sendo muito bem conduzidos e a entrega desse patrimônio ao povo potiguar se dará em breve.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Também esteve nessa visita Ana Paula Andrade, da comunicação da SETUR, bem como Hyvirng Ferreira, a Vivi, minha amiga da bela cidade de Patu e assessora técnica da EMPROTUR.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

A minha participação nessa visita foi apoiar, quando necessário, os visitantes e os membros da SETUR com informações históricas.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Nessa visita, que durou quase duas horas, muito me chamou a atenção o fato do Sr. Willian Popp buscar informações sempre detalhadas sobre os aspectos técnicos da obra. Ele igualmente buscou conhecer as informações de caráter histórico sobre a utilização do prédio da Rampa pela aviação comercial dos Estados Unidos antes da Segunda Guerra e pelos militares da marinha do seu país durante o conflito.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

O Sr. Popp comentou ser um fato que a existência do complexo militar americano no Rio Grande do Norte durante a Segunda Guerra é praticamente desconhecido nos Estados Unidos, bem como sobre os episódios aqui ocorridos. Mas informou que a história aqui existente é muito rica e interessante para o povo norte-americano e que a atuação conjunta da representação diplomática do seu país no Brasil e do Governo do Estado do Rio Grande do Norte pode ampliar essa informação e o conhecimento sobre Natal na Guerra.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Da minha parte recebi dos membros da SETUR total liberdade para expor ao Sr. Willian Popp meus pensamentos sobre esse período histórico.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Enalteci a importância histórica, social e cultural dos eventos aqui ocorridos, o fato dessa história comum ser algo que permeia todas as camadas da nossa sociedade, que em minha opinião os potiguares gostam e desejam aprender mais sobre esses fatos e outros aspectos que considerei pertinente.

Foto – Charles Franklin de Freitas Góis

Sob todos os aspectos foi um momento extremamente positivo e que possa gerar bons frutos para o turismo e para o conhecimento da história potiguar pelo seu povo.

Antes de chegar ao Brasil o diplomata William Popp foi conselheiro político da Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia, e atuou ainda em missões na Colômbia, Angola e Nicarágua.

Possui mestrado em Estratégia de Segurança Nacional pela Escola Superior de Guerra dos Estados Unidos, em Washington, mestrado em Artes em Assuntos Internacionais, pela Universidade George Washington, e bacharelado em Estudos Internacionais e Ciências Políticas pelo Westminster College.

A VIDA DE UM SOBREVIVENTE BRASILEIRO DO HOLOCAUSTO É LEMBRADA EM MÚSICA

Freddy Glatt, sobrevivente do Holocausto. Foto: UNIC Rio/Luise Martins

‘Essas músicas nos ajudam a entender um pouco do sofrimento’ – O conto angustiante de Freddy Glatt, que cruzou o continente europeu para escapar da máquina da morte nazista, é imortalizado em música e um videoclipe.

FONTE – https://www.timesofisrael.com/a-brazilian-holocaust-survivors-life-gets-memorialized-in-song/

RIO DE JANEIRO, Brasil (JTA) – Freddy tinha cinco anos quando viu uma pedra de pavimentação quebrar a fachada da loja de seu pai em Berlim.  “-Eu era muito jovem para lembrar com detalhes, mas lembro que meu pai disse ‘Corra por dentro!’ e então corremos. Eu me senti aterrorizado”, disse ele sobre o ataque à loja. Mais tarde, assistiu aterrorizado os nazistas espancaram seu pai. Em 1933, Adolf Hitler já havia tornado a vida insuportável para a família Glatts, forçando-os a fugir para a Bélgica.

Auschwitz.

Oitenta e cinco anos depois, Freddy Siegfried Glatt agora é presidente da Associação Brasileira de Sobreviventes do Holocausto no Rio de Janeiro. Sua história de vida acaba de se tornar uma música que foi composta e cantada pelo neto brasileiro de seu primo Max, que aos 71 anos imigrou do Rio para Israel.

Wall, à esquerda, escreveu uma canção para o sobrevivente do Holocausto Freddy Glatt. 
(Marcus Gilban)

“-Contar histórias de família sobre o nazismo é extremamente importante para garantir que o Holocausto nunca mais se repita, com ninguém”, disse Lazar Wall, pseudônimo de Luis Waldmann, que decidiu colocar a história de Glatt em uma música, quando seu idoso primo publicou suas memórias intitulada Eles roubaram minha infância.

Wall, um músico de 40 anos, passou a maior parte dos feriados judaicos e encontros familiares com Freddy Glatt, a quem ele chama de “tio”. Ele intitulou a música de “101 Jerusalém”, o endereço de um dos últimos esconderijos dos Glatts.

O livro ‘Roubaram minha infância’ traz a história verídica de um sobrevivente singular da II Guerra Mundial: um menino com alguma sorte e muitos sonhos. Apesar de toda a atrocidade contra os judeus durante o Holocausto, a infância de Freddy Siegfried Glatt é permeada por momentos poéticos, singelos e inesquecíveis.

“-Esta é a minha primeira música com tema judaico, que mostrei a Glatt quando estava pronta como uma surpresa”, disse Wall ao JTA. “-Para mim, representa a resistência e unidade do povo judeu, apesar do antissemitismo que persiste até hoje”.

Com a mudança para a Bélgica, Freddy Glatt foi matriculado em uma escola pública e se juntou ao movimento juvenil sionista Maccabi Hatzair. O menino de língua alemã aprendeu flamengo, hebraico, iídiche e francês. O antissemitismo existia na Bélgica, onde crianças muitas vezes eram juradas, cuspidas e espancadas.

Desfile alemão defronte ao Palácio Real de Bruxelas, Bélgica.

Quando o primeiro ataque aéreo alemão atingiu Antuérpia, em 1940, a Bélgica já não se sentia protegida da guerra. O avanço da Alemanha nazista pedia uma nova fuga e seu “opa” – vovô em alemão – Salomon reservou quatro vagas na traseira de um caminhão de lixo que seguia para a fronteira francesa. Os dois irmãos adolescentes de Glatt, Bubbi e Heinz, deveriam viajar de bicicleta e encontrá-los na fronteira.

“-Os milhares de refugiados ao longo do caminho pareciam os hebreus fugindo do Egito”, lembrou Glatt.

Pouco depois de cruzar a fronteira da França, a família embarcou em um trem que mais tarde foi alvo de dois aviões alemães de combate JU-87 Stukas. Estilhaços atingiram a perna de Glatt, ferimento que levou meses para cicatrizar. A família se estabeleceu perto de Toulouse, na França sob domínio do governo fantoche francês de Vichy, mas seus dois irmãos nunca apareceram. Naquela época, seus pais já haviam se divorciado e ele havia se mudado para o Brasil.

Junkers Ju-87 Stuka alemães.

“-Eles me disseram que havia cobras andando nas ruas no Brasil”, disse Glatt com uma risada alta.

Outros refugiados e um conhecido recém-chegado relataram que seus irmãos foram vistos dirigido um carro abandonado de volta para a Bélgica. Voltaram para a casa de sua família e reabriram a loja de seu avô, pois a perseguição aos judeus nesse país ainda não havia começado. Em êxtase com as notícias, Salomon desejava retornar para onde estavam seus netos. O plano era recuperar as economias de toda sua vida ainda escondidas em Antuérpia e tirar a família da Europa nazista.

Eles atravessaram a França ocupada pelos alemães inicialmente em uma limusine Minerva construída na Bélgica com a ajuda de um contrabandista de pessoas, depois a pé e de trem. A família se reuniu em Antuérpia. Salomon, cujas economias estavam intactas, começou a administrar seus negócios novamente. Mas logo eles seriam obrigados a usar a estrela de David amarela em suas roupas e o terror das perseguições recomeçou.

Cartaz em língua francesa com os detalhes das leis antijudeus aplicadas na Bélgica a partir de 28 de Outubro de 1940.

Um ano depois, os judeus de Antuérpia foram obrigados a se mudar para Heusden, uma aldeia perto da fronteira com a Alemanha e a Holanda. Sua deportação para os campos de extermínio foi interrompida, já que a Alemanha estava ocupada demais transportando milhões de judeus da Europa Oriental para a morte.

Aos 13 anos, como preconiza a tradição judaica, Glatt não poderia ter seu bar mitzvah. “-Não havia rabino, nem talit, nem tefilin ou Torá em Heusden”, disse Wall. Ele so realizaria seu bar mitzvah aos 85 anos de idade, na sinagoga de Copacabana, no Rio.”

Entrada ferroviária de Auschwitz – Fonte – en.auschwitz.org

Os alemães autorizaram a família Glatts a voltar a Antuérpia, com exceção dos meninos mais velhos: Bubbi e Heinz. Estes foram enviados para trabalhar em uma mina de carvão. Em 1942, ambos foram convocados para trabalhar na Muralha do Atlântico, uma fortificação destinada a conter o esperado avanço aliado. Uma vez no trem, eles foram levados para Auschwitz.

Enquanto isso, a Gestapo, ajudada por espiões locais, como a Juventude Hitlerista flamenga, caçava ativamente os judeus que permaneciam na Bélgica. Salomon e Chawa, os avós de Glatt, foram encontrados e deportados para Auschwitz. Décadas depois, Glatt soube que Salomon, Chawa, Bubbi e Heinz foram assassinados em Auschwitz em 1942.

Judeus seguindo para um Campo de concentração – Fonte – encyclopedia.ushmm.org

“-Em um novo esforço para se esconder dos nazistas, Freddy e sua mãe mudaram-se novamente, agora para um pequeno apartamento na 101, Jerusalem Street, no distrito Schaerbeek, Bruxelas”, disse Wall. “-O banheiro era minúsculo, o que significa que Freddy teve que usar um chuveiro público, cuidadosamente escondendo sua circuncisão.”

Aos 14 anos, Freddy Glatt começou a trabalhar como assistente do dono de uma banca de jornal. À noite, ele trabalhava em uma fábrica de baterias clandestinas e, entre turnos, produzia cartões com o tema Mickey Mouse para vender em uma papelaria. Ele também roubaria trilhos de trem e os venderia como sucata.

O dinheiro apurado permitia a ele e a sua mãe visitas raras ao cinema. Os filmes eram precedidos por noticiários produzido pelos nazistas mostrando bombas da Luftwaffe em Londres e a Operação Barbarossa esmagando a União Soviética. Glatt muitas vezes entrou na arena do Palais des Sports para assistir a lutas, boxe e outros eventos esportivos.

Rei Leopoldo III e a Rainha Elizabeth da Bélgica.

Com o prosseguimento da guerra, a perseguição e a escassez se agravaram, e a mãe de Glatt, Rozalia, pediu ao rabino-chefe da Bélgica que colocasse seu filho em um lugar seguro. Com o apoio da resistência belga e judaica, e da ajuda de Elisabeth, esposa do Rei Leopoldo III, da Bélgica – cujos esforços em favor de centenas de crianças judias lhe renderam uma designação para receber o título de “Justo Entre as Nações” – Glatt partiu para uma escola para meninos católicos.

Depois, do playground, ele viu várias vezes centenas de bombardeiros americanos B-17 seguindo para a Alemanha. Tempos depois, ele viu nazistas mutilados, atacados por soldados americanos e britânicos recém-chegados da Normandia, como outro bom presságio do fim do pesadelo.

Quando os Aliados finalmente libertaram a Bélgica em setembro de 1944, Glatt se reuniu com sua mãe e ambos começaram a procurar freneticamente os parentes desaparecidos, ainda inconscientes de seu destino. Em 1947, mãe e filho se mudaram para o Brasil. O pai de Glatt encontro a ex-esposa e o filho e se casaram novamente no Rio de Janeiro.

Glatt vive no Rio desde então. Ele se casou com, Betty, sua esposa desde 1954, e eles têm três filhos, seis netos e dois bisnetos.

A música de Wall, cantada em inglês, conta a história em imagens telegráficas ao longo de uma batida insistente e melancólica, terminando com um gostinho da liberdade de Glatt e um lembrete do destino sombrio de seus irmãos.

PARA VER E OUVIR A MÚSICA CLIQUE AQUI – https://www.timesofisrael.com/a-brazilian-holocaust-survivors-life-gets-memorialized-in-song/

“-A música de Wall sobre Glatt traduz a importância desse tipo de arte como veículo para transmitir períodos históricos autoritários e principalmente mostrar o que a intolerância, o racismo e o preconceito são capazes de gerar”, comentou ao JTA a historiadora Silvia Rosa Noserk Lerner.

Nascido no Rio de sobreviventes do Holocausto que fugiram da Alemanha no final da década de 1930, Silvia Lerner é autora de um livro em português intitulado Música como uma memória de um drama: o Holocausto, para o qual ela traduziu músicas compostas e cantadas nos guetos e campos de concentração. 

Ela disse que a música de Wall é na tradição de tais músicas.

Freddy Glatt  e sua esposa.

“-Eles compunham para ocupar seu tempo, para sublimar sentimentos que eles não conseguiam entender e nem conseguiam responder”, disse Lerner. “-Essas músicas nos ajudam a entender um pouco do sofrimento que os judeus passaram nestes anos de dominação alemã, mostrando fome, saudade, esperança por dias melhores, preocupação com o futuro de seus filhos e prova que, mesmo em tempos difíceis, pode-se produzir arte”.

“-A música tem o poder de unir sentimentos, rever emoções, lembrar histórias, coexistência, memórias e perdas, e traduzir expectativas e esperanças”, disse Lerner.

Wall espera que sua música faça jus ao seu louvor.

“-Se os jovens vierem a entender o que o Holocausto foi através desta música, nosso objetivo será alcançado”, disse ele.

FALECEU LENINE PINTO, O MAIOR HISTORIADOR SOBRE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO RIO GRANDE DO NORTE

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Conheci esse homem incrível entre 2008 e 2009, quando fui coautor do livro “Os Cavaleiros dos Céus”. Lenine foi de uma gentileza impressionante e de uma atenção enorme para com um desconhecido que desejava apenas escrever sobre a história potiguar. Seus conselhos foram marcantes e eu nunca esqueci suas palavras. Era um homem simples, que amava os livros e a história de sua terra. Devo muito a ele através do seu exemplo. Vá em paz Grande Mestre!

NOVAS HISTÓRIAS SOBRE A SEGUNDA GUERRA

Documentos, fotos e novos capítulos sobre a participação do RN na história do conflito mundial estão em coleção de livros da Caravela Cultural. Uma dessas informações inéditas está em “Sobrevoo – Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”, do historiador Rostand Medeiros, que resgata a história de uma queda de avião no Seridó. A série faz parte de edital lançado pelo SEBRAE

Yuno Silva – Repórter

Publicado no jornal Tribuna do Norte, edição de quartafeira, 27 de março de 2019, na primeira paginado Caderno Viver.

“A participação do Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial” ainda rende, e muito! A cada remexida em arquivos e documentos, surgem novas memórias, detalhes e curiosidades sobre esse período importante para a história mundial e que as cidades de Natal e Parnamirim ainda não souberam preservar e nem tiara nenhum proveito turístico e/ou museógrafo. Foi aqui, nessa esquina continental, no início da década de 1940, onde mascaram o primeiro chiclete, beberam o primeiro chope de máquina, vestiram a primeira caça jeans e jogaram a primeira partida de fliperama da América do Sul.  

Parnamirim, por sua vez, abrigou um dos maiores entrepostos comerciais do planeta na época do conflito; só aqui no RN era possível compara meia calça de nylon – no restante dos países, todo o estoque do tecido sintético criado em 1935 já tinha virado material para fabricação de paraquedas.

A Segunda Guerra se estendeu entre 1939 e 1945, o Brasil se envolveu oficialmente a partir de agosto de 1942, e perceber o que restou do legado norte-americano em terras potiguares exige um olhar atento.

É nesse momento, da necessidade do “olhar atento”, que entram em cena três novos motivos para revisitar aquele momento de efervescência urbana, cultural e social que sacudiram Natal e Parnamirim a editora Caravela Selo Cultural lança no próximo dia 2 de abril, às 11 horas, na sede do SEBRAE-RN, os três livros que integram a coleção “A participação do Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial”.

São três obras independentes, com abordagens diferentes, que se complementam e acrescentam mais “molho” no que já se sabe. “São livros diferentes sobre a mesma temática, e que trazem informações inéditas sobre o assunto”, assegurou o jornalista, engenheiro civil e pesquisador Leonardo Dantas de Oliveira, coautor do livro “A engenharia norte-americana em Natal na Segunda Guerra Mundial”, que ele assina junto com Osvaldo Pires de Souza e Giovanni Maciel de Araújo Silva.

Completam a coleção uma coletânea “Observações sobre a Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”, reunindo artigos científicos e organizados pelo escritor e editor da Caravela José Correia Torres Neto; e o livro “Sobrevoo – Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”, do pesquisador e historiador Rostand Medeiros.

A coletânea, explicou José Correia, reúne textos atuais produzidos por especialistas e estudiosos da UFRN e de outras universidades de outros estados. “Boa parte do material que estamos publicando já vinha sendo organizado e catalogado pelos autores, e quando decidi editar a coleção tivemos seis meses para deixar tudo pronto para impressão”, lembrou o editor, que aproveitou o edital Economia Criativa 2018 do SEBRAE-RN para viabilizar o projeto.

“O lançamento da coleção no SEBRAE-RN vai coincidir com o lançamento da edição 2019 do edital”, avisou Correia.

Papagaio de guerra

O volume da coletânea organizado pelo editor da Caravela Selo Cultural traz oito artigos científicos e pelos títulos percebe-se que as abordagens buscam ir além do lugar comum.

Entre os textos publicados destaque para “Cabarés de Natal: do esplendor do Cabaré de Maria Boa ao ostracismo do Beco da Quarentena (1942 – 1950)”, escrito por Jéssica Freire Dalcin, Monique Maia de Lima e Yasmênia Evelyn de Barros.

Outros artigos buscam ir mais fundo para instigar a reflexão, como “A busca de um tesouro perdido: o desejo das elites de Natal (RN) em torná-la uma cidade moderna no século 20”, de Giovana Paiva de Oliveira; e “Uma cidade marcada por perdas e sonhos: a Natal da Segunda Guerra Mundial”, de Giovana Paiva de Oliveira em parceria com Ângela Lúcia Ferreira e Yuri Simonini.

Documentos, fotos e novos capítulos sobre a participação do RN na história do conflito mundial estão em coleção de livros da Caravela Cultural. Uma dessas informações inéditas está em “Sobrevoo – Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”, do historiador Rostand Medeiros, que resgata a história de uma queda de avião no Seridó. A série faz parte de edital lançado pelo SEBRAE

Já o livro de Rostand Medeiros faz, literalmente, um “sobrevoo” sobre o momento histórico com textos curtos recheados por curiosidades, detalhes e passagens que ainda não tinham sido revelados.

Relatos e depoimentos se misturam a uma narrativa alicerçada por documentos que comprovam cada afirmação. Medeiros aborda desde a “Influência das tripulações alemãs em Natal”; casos de espionagem; o resgate das primeiras vítimas da guerra em Rio do Fogo, litoral norte do RN, em 1941; e a presença de “Parnamirim Field” na imprensa internacional.

Os autores Leonardo Dantas, José Correia Torres Neto e Rostand Medeiros, junto ao jornalista Yuno Silva, da Tribuna do Norte.

No tocante às curiosidades, destaque para “A pitoresca história de um papagaio que voou em combate nos céus da Europa”; e a queda de um avião de guerra modelo Catalina na cidade de Riachuelo, agreste potiguar. O papagaio “Jock”, inclusive foi notícia em vários jornais e Rostand Medeiros comprova a história emplumada com fac-símile de uma manchete publicada no jornal carioca A Noite em 19 de janeiro de 1944 – naquele momento, de acordo com o jornal, “Jock” acumulava 50 horas de voo e havia sido indicado para receber medalha do Exército americano.

“Muitas das informações são inéditas, extraídas de documentos e diários que só foram liberados recentemente”, disse Leonardo Dantas, que buscou no diário de obras dos batalhões de engenharia notas sobre o legado deixado pelos norte-americanos na infraestrutura urbana: “Avenidas que hoje são importantes vias que cortam a capital do RN foram construídas naquela época. A primeira ‘pista’ de asfalto do Estado foi construída pelos soldados, e ia do Colégio Ateneu até a base de Parnamirim”.       

Nesses diários, também foram colhidos relatos sobre a alimentação e de como era a hora de descanso dos trabalhadores braçais que prestaram serviço para o Exército dos Estados Unidos. “Veio gente de outros estados para trabalhar, pois não tinham mais quem contratar aqui em Natal e Parnamirim para fazer o que eles precisavam”, completou Leonardo.

Coleção “A participação do Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial”

SERVIÇO

Lançamento da coleção “A participação do Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial”, dia 2 de abril, às 11 da manhã, na sede do SEBRAE-RN em Lagoa Nova. Após o dia de lançamento, os livros estarão disponíveis na livraria da Cooperativa Cultural da UFRN.