A BOA VIDA DOS MILITARES AMERICANOS EM NATAL DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNIDAL

O SITE DA REVISTA NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL DESTACOU A IMPORTANTE PARTICIPAÇÃO DE NATAL COMO BASE AMERICANA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL. CONFIRAM A MATÉRIA ABAIXO

Da Times Square, em Nova York, à praça Vermelha, em Moscou, multidões em êxtase comemoravam a data. Alvamar vestiu sua melhor roupa e escolheu bem as palavras, mas, na hora em que espiou do palco, teve um choque: a platéia, estranhamente, estava quase vazia. Os organizadores do evento, em pânico, saíram pelo bairro da Ribeira e recrutaram uma legião de transeuntes – mendigos, boêmios, prostitutas – para ocupar ao menos uma parte dos 600 lugares disponíveis. Alvamar enfim falou, mas um tom melancólico já tomara conta do teatro, das ruas, das pessoas. A cidade parecia estar de luto. Porque a guerra havia acabado.

 Assim foi a Segunda Guerra em Natal: um tempo de emoções intempestivas, de alegrias e tristezas fora de hora e de contexto. Entre 1942 e 1945, ali funcionou o principal quartel-general dos países aliados no hemisfério sul. Por sua localização, no extremo nordeste da América do Sul, a capital do Rio Grande do Norte é uma das cidades brasileiras mais próximas do continente africano – 3 horas de vôo em jatos de hoje. Por isso ela era uma “ponte” entre os Estados Unidos e a Europa, uma escala obrigatória para todos os vôos que seguiam rumo à África ou aos combates no Atlântico Sul.

Outras bases controladas por americanos seriam montadas no Brasil, do Amapá a Santa Catarina, mas nenhuma delas rivalizou em movimento e importância com o Campo de Parnamirim e a Base Naval de Hidroaviões, os dois núcleos militares de Natal durante a guerra. Em 1943, no auge dos conflitos no Atlântico, Parnamirim era o mais congestionado aeroporto do planeta, com até 800 pousos e decolagens num dia de pico. Natal era tão decisiva que ficou conhecida como a “encruzilhada do mundo”.

 A capital potiguar, contudo, jamais foi palco de qualquer combate. Os submarinos alemães não se aproximaram da cidade e nenhuma bomba inimiga foi lançada sobre suas belas praias ou ruas. Os únicos tiros ouvidos eram de treinamentos rotineiros dos americanos. A tensão da guerra estava no ar, o.k., mas os momentos mais assustadores foram, na prática, os exercícios de defesa civil, como os blecautes. Apesar da óbvia falta de estatísticas oficiais sobre o assunto, Natal foi, com certeza, o lugar de melhor qualidade de vida para um soldado na guerra. Os quase 50 mil natalenses da época, por sua vez, puderam descobrir um mundo de novidades. “As pessoas cantarolavam jazz nas ruas. A vida aqui era diferente, sofisticada, uma festa”, lembra-se Alvamar Furtado, hoje com 86 anos. Natal tornou-se a cidade mais badalada do Nordeste. Os cinemas militares, não raro, e sem que ninguém soubesse fora dali, recebiam convidados especialíssimos: os próprios astros de Hollywood. “Humprey Bogart voou de Marrocos para animar uma sessão de Casablanca no teatro aberto da base de hidroaviões. Os artistas eram comissionados para viajar pelos fronts do mundo todo. A presença deles servia para elevar o moral das tropas”, diz o historiador local José Melquíades, de 76 anos.

Bette Davis, lembra-se ele, também visitou Natal. E a orquestra de Glenn Miller tocou no Cine Rex. Para imaginar como foram aqueles anos loucos em Natal, é preciso observar a guerra como um momento de liberação, um evento protagonizado por uma legião de jovens reprimidos que nunca haviam saído de rincões rurais como Arkansas, Nevada ou Montana. De repente, no meio do horror de um conflito mundial, eles se descobriram num lugar amistoso, tropical, encantador. O mar, a luz, as relações pessoais, tudo era novo em suas vidas. Por vias tortas – a guerra –, eles foram encaminhados ao paraíso.

 Os branquelos gastavam seus dias de folga em banhos de mar nas praias de Areia Preta, Ponta Negra ou num outro trecho da orla, menor e mais reservado, que foi batizado Miami. Muitos pagaram um preço salgado pelo programa – terríveis queimaduras de sol –, mas pode-se dizer que eles inauguraram as belezas naturais que, décadas depois, iriam consagrar Natal: o mar verde, quente e calmo, as dunas mutantes, o vento perene. Os natalenses tinham o hábito de ir à praia apenas na “temporada de banhos”, as férias, entre dezembro e janeiro. Nos dias da guerra, eles descobriram que sua rotina poderia ser bem mais agradável.

Fonte – http://edilsonln.blogspot.com.br/2012/03/sexta-feira-23-de-marco-de-2012-mp.html?spref=fb

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4 comentários em “A BOA VIDA DOS MILITARES AMERICANOS EM NATAL DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNIDAL”

  1. Caro Rostand: Antes de mais,parabéns pelo seu trabalho.Algumas perguntas: 1)vc saberia dizer o nome em inglês(ou abreviatura ou sigla) dos clubes dos oficiais americanos,á época da 2ªGM???… Certa vez vi em um filme a fachada de um desses clubes,e tinha uma abreviatura ,com 3 letras,tipo SOW,ou SAW,ou algo assim. 2)Outra pergunta:esses clubes eram ‘separados” por postos/graduações?.

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    1. Olá amigo Câmara,
      Acredito que pelo seu sobrenome de família, talvez você tenha parentescos com os Arruda Câmara de Nova Cruz-RN.
      Já sobre a sigla, esta era a USO – United Service Organizations e, para ampliar bem seus conhecimentos, veja este link que explica quase tudo sobre esta organização (http://en.wikipedia.org/wiki/United_Service_Organizations).
      Durante a Segunda Guerra Mundial, em cada cidade no Brasil que possuía um número elevado de militares americanos estacionados nelas, sempre havia um, ou dois, clubes da USO. Natal tinha dois, Fortaleza um, Recife acredito que era um e ficava no final de Boa Viagem e no Rio também tinha.
      Bem em relação à segunda parte do seu questionamento, sabemos que os clubes eram utilizados conforme a conveniência e necessidade, mas normalmente não havia tanta diferenciação em quem utilizava, se misturando todos, oficiais e praças americanos. Um oficial do nosso exército, lotado em Natal durante a guerra, me comentou anos atrás que ele e seus colegas achavam estranho o fato dos americanos não seguirem a hierarquia tão ao pé da letra.
      Pra você ter uma ideia melhor, na Itália, na época que a FEB estava lá, os brasileiros (oficiais) tinham verdadeira ojeriza com o jeito desleixado dos soldados da US Army. Eles horrorizavam o jeito displicente deles ficarem mascando chicletes, no jeito de tratarem seus oficiais e interação muito aberta entre as patentes. Já os americanos simplesmente não compreendiam o porquê de nossos oficiais não terem nenhum problema (ao menos aparente) de terem negros no seio de nossas tropas e tratá-los de maneira totalmente normal. Coisas da guerra.
      Muito obrigado pela sua mensagem.
      Rostand – rostandmedeiros@gmail.com

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