EKRANOPLANO: UM AVIÃO? UM BARCO? UMA ABERRAÇÃO?

Um ekranoplano na cidade de Makhachkala, no Daguestão, na Federação Russa.
Um ekranoplano na cidade de Makhachkala, no Daguestão, na Federação Russa.

Mas enfim o que é um?

À primeira vista parece um engenho saído do mundo da realidade virtual e dos videogames, misto de barco, avião e hovercraft, ou o resultado da imaginação delirante de algum artista gráfico. Não é um avião, não é um barco, nem é um veículo terrestre; também não é um hovercraft, apesar de apresentar certas semelhanças. 

O próprio nome é estranho: Ekranoplano é uma palavra composta a partir da expressão russa ecranniy que significa à letra “Efeito Solo” e refere-se a um veículo capaz de deslocar-se – e bem depressa – graças a esse efeito. Que espantosa máquina é esta, afinal, que parece saída de um filme de ficção científica ou de um moderno jogo de computador? 

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Desde 1920, os primeiros pilotos começaram a perceber que, à medida que os aviões se aproximavam das pistas no pouso, os aviões tinham uma maior sustentação, este fenômeno é conhecido como “Efeito Solo”. Foi o matemático holandês Daniel Bernoulli quem estabeleceu a equação matemática que explica o principio que hoje tem o seu nome e apresentou os resultados em sua obra Hidrodinâmica (1738), sendo deste princípio que surge a ideia do Efeito Solo. 

Ao aprofundar suas observações os primeiros aviadores notaram que a utilização prática do Efeito Solo antevia a possibilidade de conceber um veículo que se deslocasse próximo ao chão, sem a necessidade de construir qualquer estrada ou via. Além de que o baixo atrito permitiria atingir grandes velocidades. A superfície de deslizamento ideal seria a água, uma vez que é completamente lisa e isenta de obstáculos. Físicos e curiosos construíram alguns protótipos com base nessa descoberta. Após o fim da Segunda Guerra Mundial esta a ideia praticamente abandonada. 

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Alexeev Rostislav Evgenievich era um engenheiro naval russo, que ao estudar o Efeito Solo, projetou uma máquina que usufruísse desse efeito e criou o ekranoplano, com a grande vantagem de ser veloz e poderoso em relação à capacidade de carga e alcance. Mas Rostislav percebeu que se o aparelho se elevasse demais, perderia sustentação e fatalmente cairia. 

Apesar disso, o governo soviético ficou impressionado com a ideia e até 1992 ela foi testada e recebeu apoio, inclusive com a construção de três exemplares. Os modelos construídos possuíam motores a jato, ou turboélice. Na maioria dos casos alguns modelos utilizaram os dois tipos de motores, e em grande quantidade. 

KM, o Monstro do Mar Cáspio
KM, o Monstro do Mar Cáspio

Um ekranoplano importante foi chamado o “Monstro do Mar Cáspio”. Designado como KM, tinha incríveis 100 metros de comprimento e 540 toneladas de peso máximo. Nada menos que 10 motores lhe davam a força necessária para ele se manter a uma altura de no máximo três metros de altura. Se subisse acima disso, poderia perder a sustentação e cair no mar. Voava em média a 30 cm de altura, enfrentando ondas de até cinco metros. Foi perdido em um acidente, onde se estatelou contra a água. Ao invés de descer o aparelho para ganhar sustentação, o piloto subiu, provavelmente pensando que estava em um avião comum. Tentaram resgatar o aparelho do fundo das águas, mas sua tonelagem impediu tal fato. 

Não podemos esquecer que se estava em plena Guerra Fria e, mesmo com o acidente, o governo soviético da altura viu com bons olhos o desenvolvimento de um veículo militar veloz com possibilidade de baixa de ser detectado pelo radar e com capacidade de despejar uma grande quantidade de soldados e equipamentos em alguma praia. O projeto, denominado KM, ficou concluído em 1966. Foi o primeiro e maior veículo de efeito de solo alguma vez construído. Os testes decorreram nas águas do Mar Cáspio sob o maior segredo. Das cem unidades previstas inicialmente, apenas foram construídas cerca de vinte deste aparelho. 

Orlyonok A-90
Orlyonok A-90

O A-90 Orlyonok foi desenvolvido na década de 60 e fez seu primeiro voo em 1972. Foi transferido para o Mar Cáspio, na Rússia, onde se acidentou em 1975. Seu projeto fez os russos conhecerem melhor o veículo, assim como provou que novos materiais de fabricação deveriam ser utilizados. Era um anfíbio, pois decolava da água e era equipado com duas rodas. Possuía apenas 58 metros de comprimento e pesava cerca de 140 toneladas. No entanto, dois reatores e um motor a hélice levavam-no a ultrapassar os 400 Km/hora a uma altitude de 5 a 10 metros. Estas características davam-lhe também a possibilidade de operar sobre terra, o que devia ser verdadeiramente impressionante! 

Outro modelo também ganhou destaque, pois era impulsionado por oito motores a jato, com quatro em cada lado. Por ser um projeto militar, tinha seis lançadores de mísseis em cima de sua fuselagem. Seu nome de batismo é Lun-Class, com designação MD-160. Informações sobre ele são difíceis, mas existem boatos que falam que seu serviço ativo terminou em 1999. 

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Os projetos foram congelados após a Guerra Fria e o fim da União das Republicas Socialistas Soviéticas- URSS.

Um dos modelos de ekranoplano se encontra colocado em uma grande rampa, as margens do mar Cáspio, na cidade de Makhachkala, no Daguestão, na Federação Russa.

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Nota Final – Apesar de antigo, o Efeito Solo ficou muito conhecido nos carros de Formula 1. Em 1978 os projetistas da equipe LOTUS, cujo o chefe era o gênio inglês Colin Chapman, aplicaram o Princípio de Bernoulli na modelagem aerodinâmica dos carros de corrida. A ideia era criar uma zona de baixa pressão embaixo do veículo para cravá-lo no chão com o mínimo de arrasto.  Os aerofólios e laterais dos bólidos produziam uma menor velocidade do ar sobre a asa em relação à parte de baixo, o que provoca mais pressão em cima do que embaixo dela, deixando o carro grudado ao solo. O efeito aumentou consideravelmente a velocidade, ao mesmo tempo em que acrescentou uma gigantesca dose de perigo às corridas.

O mítico carro negro da LOTUS
O mítico carro negro da LOTUS

O Efeito Solo é neste momento mais abrangente do que possa imaginar: carros do dia a dia, discos, aviões (forma da asa), carburadores dos motores (onde a pressão do ar que passa através do corpo do carburador, diminui quando passa por um estrangulamento. Ao diminuir a pressão, a gasolina flui, se vaporiza e se mistura com a corrente de ar), até mesmo nos discos magnéticos que povoam os nossos computadores. Pois permite que as cabeças de gravação e leitura possam flutuar em cima da superfície do disco sem lhe tocar e sem o danificar. 

Fontes – http://obviousmag.org/archives/2009/07/ekranoplanos.html

http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=10855

http://canalpiloto.com.br/ekranoplano-uma-aberracao-ou-invencao/

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