NATALENSE É AGREDIDO POR GRUPO NEONAZISTA EM NITERÓI, NO RIO DE JANEIRO – RAZÃO DO ATAQUE : SER NORDESTINO

Grupo que atacou o natalense detido e os artefatos nazistas
Grupo que atacou o natalense detido e os artefatos nazistas

Sete jovens neonazistas foram presos na manhã deste sábado (27) na Praça Araribóia, no Centro de Niterói, no Rio de Janeiro, após agressão ao natalense Cirley Santos, de 33 anos.

Morador de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, desde os cinco anos, Cirley Santos, 33, nasceu em Natal (RN) e teme retomar sua rotina após a agressão que sofreu no sábado (27), em frente à estação das Barcas, em Niterói. 

Ele levou um soco que quebrou seus óculos de sol e só não foi emboscado pelos outros seis integrantes do grupo que aguardavam em um carro porque as pessoas que passavam no local alertaram a Guarda Municipal, que conseguiu deter o grupo. Os guardas encontraram os dois agressores dentro de um carro Peugeot preto, próximo à praça. No veículo, estava o restante do grupo, totalizando cinco homens. 

Desempregado, Santos precisa voltar a procurar trabalho, mas teme sair sozinho. “Eu penso que tenho que mudar os lugares por onde passo, prestar mais atenção, não andar mais sozinho. Não sei se eles vão ficar presos por muito tempo, a maioria é da classe média”, disse o rapaz.

Não é a Primeira Agressão

Na delegacia, Cirley Santos contou que foi abordado pelos jovens quando atravessava a praça defronte a estação das Barcas. “Eles me apontaram e ele (Tiago Borges Pita, 28, suspeito da agressão) gritou ‘nordestino de merda’ e me deu um soco. Quem estava em volta viu os outros saírem do carro, mas eles chamaram a Guarda Municipal”, disse Santos.

Ele afirma já ter sido agredido por Pita há aproximadamente dois anos, em um bar de um posto de gasolina em São Gonçalo, onde tomava cerveja com amigos. Na ocasião, Santos vestia uma camiseta com uma bandeira da Jamaica.

“Ele [Pita] me chamou de ‘amante de negros’ e me deu um golpe com um pequeno canivete entre os dedos. Dessa vez também tinha gente em volta, e ele correu. Ele estava sozinho”, afirmou o rapaz, que não prestou queixa à polícia, mas diz não ter esquecido o rosto de Pita. “Só depois que vi que tinha um ferimento no braço, aí fui ao hospital.”

No Brasil fazer apologia ao nazismo e ao racismo é crime sem direito a fiança. Este enquadramento é dado pelo artigo n. 20, parágrafos 1 e 2, da Lei n. 7716 de 5/1/1989 (redação destes parágrafos atualizada pela lei n. 9459 de 15/5/1997
No Brasil fazer apologia ao nazismo e ao racismo é crime sem direito a fiança. Este enquadramento é dado pelo artigo n. 20, parágrafos 1 e 2, da Lei n. 7716 de 5/1/1989 (redação destes parágrafos atualizada pela lei n. 9459 de 15/5/1997

“Paraíba”

Para esquecer e espairecer, Santos foi no sábado à noite a uma festa nordestina que acontecia em seu bairro. Apesar de ter saído ainda pequeno de Natal, ele gosta de participar de festas e outras manifestações culturais nordestinas. Ele disse que já sentiu outras formas de preconceito devido ao lugar de onde veio e que também já viu amigos serem hostilizados.

“Já vi meus amigos serem chamados de paraíba. Não fico pensando muito nisso, não quero sentir raiva. A vida continua”, disse Santos.

Material nazista e iniciação

Pita está preso com os demais membros do grupo: Carlos Luís Bastos Neto, 33; Davi Ribeiro Moraes, 39; Caio Souza Prado, 23; Philipe Ferreira Ferro Lima, 21; e Jéssica Oliveira Charles Ribeiro, 26. Um adolescente de 15 anos também foi detido. Ele irá para um abrigo, e os demais para uma unidade do complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro.

No carro, a polícia encontrou objetos para tortura, bandeiras com suásticas, blusas com símbolos nazistas, um taco de beisebol, botas com biqueiras de aço, livros sobre neonazismo e folhetos com propaganda nazista. A suspeita é de que o grupo iria para um churrasco de iniciação de um membro que aconteceria em Icaraí, bairro nobre de Niterói.

Eles foram encaminhados à 77ª DP (Icaraí), onde foram indiciados por formação de quadrilha, corrupção de menores e intolerância racial, religiosa, por cor ou etnia, prevista na lei 7.716. Pita também foi indiciado por lesão corporal dolosa (com intenção). 

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De acordo com a delegada-adjunta do distrito, Helen Sardemberg, o crime de intolerância não prevê pagamento de fiança, e eles serão soltos somente se conseguirem liberdade provisória por alguma ordem judicial.

A vítima reconheceu o grupo e a polícia vai investigar se os suspeitos estão envolvidos em outra agressão ao mesmo rapaz. A família de um dos presos enviou um advogado à delegacia, que disse ainda não ter condições de dar declarações sobre o flagrante.

P.S. – Isso tudo ainda ocorre com um rapaz que foi para esta cidade carioca com 5 anos de idade. No meu caso eu estaria lascado com meu sotaque carregado.

Fico preocupado de existir um grupo neonazista no Rio de Janeiro, terra que tanto admiro, onde tenho inúmeros amigos e que na nossa história foi o principal destino escolhido por milhares de potiguares na busca de dias melhores no sudeste do Brasil.

Em um caso revoltante como este, clamo que ocorra justiça, pois se não será muito difícil para o Rio receber Copa do Mundo e Olimpíadas. 

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4 opiniões sobre “NATALENSE É AGREDIDO POR GRUPO NEONAZISTA EM NITERÓI, NO RIO DE JANEIRO – RAZÃO DO ATAQUE : SER NORDESTINO”

  1. Se os responsaveis fossempunidos comcerteza ia terordem neste tipo degosto torpe, malvado e sem sentido. O que me deixa espantado éque são fortões, mas não pega um igual só franzinno e det urma dixaz

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  2. é triste ver que pessoas que se dizem superiores usem esse argumento para humilhar outras por suas diferenças,eles não percebem que estão ferindo sua própria gente.sim pois independente da cor,religião ou etnia somos todos brasileiros,amamos nosso país,trabalhamos para seu crescimento..È lamentável situações como essa que nos enchem de vergonha.

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  3. Sou 50% potiguar e 50% Sul-mato-grossense(pantanal) e transito normalmente por regiões do Brasil com histórico de Neonazistas.Já fui abordado pelos mesmos e por sorte minha já haver morado na Alemanha e falar o idioma alemão,eles recuaram.Não souberam lidar com a situação de um provável nordestino ser superior a eles nesses quesitos culturais germânicos.Falei alto com eles e com um alemão bem puxado da Bavária e os mesmos se amedrontaram.Detalhe,Foi com sotaque nordestino.rsrrsrs.
    Diga-se de passagem já fui abordado por neonazistas também por ser brasileiro ou latino como nos chamam; porém desta vez em Frankfurt na Alemanha.Mais uma vez falei em alemão com sotaque da Bavária,terra de Adolf Hitler,mas desta vez o que os afugentou foi porque luto um pouco de capoeira que é afro/nordestina; e ao iniciar a ginga de braços e pernas os amedrontei e os mesmos correram do local.
    Pessoalmente falando digo que fui sempre salvo pela minha cultura superior a desses neonazistas e pelo domínio de uma tradição um tanto nordestina que foi a capoeira.
    Cultura e tradição sempre vão se sobrepor a tudo,inclusive violência.
    Deixo aqui claro que sou totalmente contra estes grupos neo nazistas, mas ao mesmo tempo lembro que os mesmos não representam e nem nunca representarão muitos amigos meus alemães e até gaúchos que tenho no meu círculo pessoal que são verdadeiros seres humanos e grandes humanitários.
    Nilton Duarte Florêncio.
    Biólogo e guia de turismo.

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