Arquivo da categoria: Opiniões

A TRISTE SITUAÇÃO DO RICO ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

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Rostand Medeiros – Escritor e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN

Desde 2005 que eu frequento o nosso Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Norte e desde essa época ele está localizado na antiga sede do extinto supermercado “Superete Queiroz”, na esquina da Avenida Coronel Estevam, antiga Avenida “9”, com a Rua Dr. Alfredo Lyra, no Alecrim.

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Também desde 2005 existe a promessa de mudança do Arquivo para uma sede definitiva, mas nada até o presente momento foi feito. Acompanhei nesta época o trabalho árduo, mas infelizmente infrutífero, do Promotor de Justiça João Batista Machado na busca de uma solução para o local.

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Em agosto de 2017 eu solicitei ao então Diretor da casa, o Professor Claudio Augusto Pinto Galvão, para fotografar alguns exemplares do jornal “A República” para uma pesquisa que atualmente realizo. Durante este trabalho eu testemunhei o esforço do Professor Claudio e dos abnegados funcionários da casa solicitando apoio a Secretaria da Administração do Estado para a solução dos problemas ali existentes. Mas nada vi de solução durante o período que lá estive.

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E que problemas são estes?

Muito mofo, estrutura deficiente, o gesso do teto prestes a cair, falta de pessoal, de material, muitas goteiras que formavam poças na parte interna e outros mais! 

Os problemas são tantos e tão visíveis, que prefiro lhes trazer as fotos que fiz no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Norte em setembro passado.

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Recentemente o Sobre o Professor Claudio Galvão me enviou um vídeo de uma verdadeira “cachoeira” dentro do Arquivo. A gravação foi realizada recentemente, neste último período de chuvas mais fortes que atingiram Natal agora em fevereiro. 

Veja o vídeo neste link

https://www.youtube.com/watch?v=WcI1Eh0lUL8&feature=youtu.be

 

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Se nada for realmente feito, tudo ali corre perigo.

Às vezes penso que o atual estado do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Norte é uma ação deliberada de grande parte da classe política do nosso estado. 

Bem eu acredito que todos no Rio Grande do Norte sabem que grande parte da estrutura política potiguar é tradicionalmente formada por oligarquias. Sendo assim, penso que no intuito de evitar que  pesquisadores mostrem através de suas pesquisas históricas os erros dos membros mais velhos destas oligarquias ao longo de sua trajetória política, o melhor era que o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Norte e seu acervo fossem totalmente destruídos.

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Grande parte da memoria estadual, inclusive do judiciário, repousa naquele local. A quantidade de tesouros ali existentes é fenomenal. Creio que a perda deste patrimônio será um duro golpe na memória e na formação do pensamento do povo potiguar sobre sua própria existência.

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Enfim não podemos esquecer que para muitos políticos a melhor maneira de conduzir seus eleitores como se fosse gado, ocorre quando esse povo não tem nenhuma noção sobre a História e a formação do seu lugar, nem como essas pessoas se enquadram no contexto histórico de sua região. Como resultado desse desconhecimento o povo dessa terra acaba por não ter muito orgulho do seu lugar, de suas tradições e de sua herança cultural.

No final esse povo acaba sem saber quem ele realmente é, de onde veio e a razão do porque está aqui.

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CERIMÔNIA DE ENTREGA DA MEDALHA DO MÉRITO ACADÊMICO AGNELO ALVES, CONCEDIDA PELA ACADEMIA NORTE RIO GRANDENSE DE LETRAS AO BLOG TOK DE HISTÓRIA

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Rostand Medeiros – Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN

Na última terça-feira, dia 14 de novembro de 2017, tive a grata satisfação como responsável pelo blog TOK DE HISTÓRIA de está presente na sede da Academia Norte Rio Grandense de Letras para receber a Medalha do Mérito Acadêmico Jornalista Agnelo Alves.

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O nosso veículo digital de propagação de informações históricas recebeu este importante reconhecimento formal na categoria blog, fato que me deixou muito honrado e com uma maravilhosa sensação de dever cumprido.

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Junto aos meus amigos o jornalista José Pinto Junior, igualmente agraciado com a Medalha Agnelo Alves, e Lívio Oliveira, membro da Academia Norte Rio Grandense de Letras.

A indicação entre os acadêmicos para honrar o TOK DE HISTÓRIA com esta medalha partiu do Professor Carlos de Miranda Gomes, a quem só tenho agradecimentos. Fui informado que a ideia de outorgar esta medalha ao nosso blog contou com a unanimidade dos integrantes desta respeitada instituição cultural potiguar, entre estes os amigos Iaperi Araújo e Lívio Oliveira, a amiga Leide Câmara, além do Presidente Diógenes da Cunha Lima, a quem tive o privilégio de receber dele uma acolhida muito carinhosa.

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Junto ao Professor e advogado Carlos de Miranda Gomes. Só agradecimentos pela indicação do nosso blog TOK DE HISTÓRIA para receber essa honraria.

O fato dos membros da tradicional Academia Norte Rio Grandense de Letras outorgarem ao blog TOK DE HISTÓRIA esta honraria demonstra como seus integrantes observam com atenção o mundo digital e as infinitas possibilidades de divulgação e acesso as informações que as ferramentas digitais proporcionam. Para mim isso ficou bem claro no discurso de boas vindas proferido a todos os agraciados pelo Presidente Diógenes da Cunha Lima quando elencou os atuais feitos, as conquistas e a atuação desta casa em prol da nossa memória e cultura.

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Junto ao Presidente da Academia Norte Rio Grandense de Letras Diógenes da Cunha Lima.

E vale ressaltar essa instituição não tem uma História curta. No mesmo dia em que eu recebi essa medalha, a Academia Norte Rio Grandense de Letras comemorava 81 anos de criação.

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Jornal natalense “A República”, de 15 de novembro de 1936.

Nos meus arquivos guardo uma cópia fotografada do jornal natalense “A República”, de 15 de novembro de 1936, um domingo, noticiando que no dia anterior, na sede do Instituto de Música do Rio Grande do Norte havia ocorrido a primeira reunião oficial da Academia Norte Rio Grandense de Letras.

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Recebendo essa honraria dos Acadêmicos Carlos Gomes e do amigo Iaperi Araújo.

Neste encontro histórico foi lido e aprovado, com algumas pequenas alterações, os estatuto da nova Academia de Letras, elaborados pelo acadêmico Mathias Maciel, além da votação para a escolha da sua primeira diretoria.

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Agraciados e membros da da Academia Norte Rio Grandense de Letras.

Entre os escolhidos para dirigir a nova instituição pela primeira vez figuraram Henrique Castriciano de Souza – Presidente, Luiz da Câmara Cascudo – Secretário Geral, Edgar Ferreira Barbosa – 1° Secretário, Aderbal de França – 2° Secretário e Clementino Hermógenes da Silva Câmara – Tesoureiro.

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Junto ao amigo Ormuz Barbalho Simonetti, digno e esforçado Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, instituição a qual sou sócio efetivo com muito orgulho.

Na sequência foram oficialmente criadas três comissões acadêmicas, sendo estas as do regimento interno, a de contas e a que deveria criar a revista da instituição, até hoje editada. Para finalizar ficou decidido que a próxima reunião da Academia seria dedicada a escolha dos patronos da instituição, escolhidos entre norte rio grandenses ilustres já falecidos.

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Com a amiga de todas as horas Isa Cristina.

No seu estatuto, no seu Artigo 1°, está descrito de forma simples e direta a que fins se destinava aquela nova instituição cultural – “A cultura da língua e da literatura nacional, especialmente a do Rio Grande do Norte”.

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Com meu querido tio Joaquim Paulino de Medeiros Neto. Dois descendentes do Coronel Quincó, lá do pé da Serra da Rajada, do Sertão do Seridó.

O fato desta primeira reunião da Academia de Letras haver sido realizada no Instituto de Música do Rio Grande do Norte, além da inexistência da sede da Academia na Rua Mipibu, 443, acredito que teve ligação com o fato da instituição dirigida na época pelo Maestro Waldemar de Almeida e ter uma intensa movimentação musical e cultura que agitava a cidade e congregava os que se dedicavam a cultura potiguar.

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Nosso grande amigo Ricardo Sávio Trigueiro de Morais presente na cerimônia.

Ao tomar conhecimento desta rica História não posso deixar de comentar o quanto me senti feliz e realizado ao receber esta Medalha do Mérito Acadêmico Jornalista Agnelo Alves.

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É antes de tudo um grande estímulo para continuar propagando através do TOK DE HISTÓRIA interessantes episódios do passado, tendo sempre como foco a ideia de democratizar para o maior número possível de pessoas essas informações.

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O BLOG TOK DE HISTÓRIA FOI AGRACIADO COM MEDALHA DA ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS

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Aos amigos e amigas, o nosso blog TOK DE HISTÓRIA foi agraciado com a MEDALHA DO MÉRITO ACADÊMICO AGNELO ALVES pela ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS, na categoria blog.

É um reconhecimento maravilhoso desse projeto, pautado na ideia da democratização da informação histórica.

Muito feliz.

Um forte abraço a todos.

Rostand Medeiros

EVOCAÇÃO A PADRE MONTE

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Padre Luiz Gonzaga do Monte – Fonte – http://www.dhnet.org.br/nivaldomonte1/familia.htm

Um texto do jornalista Aluízio Alves sobre sua amizade e a ocasião do falecimento daquele que é considerado um dos mais importantes intelectuais e cientistas potiguares

Autor – Aluízio Alves

Publicado em uma edição do jornal Tribuna do Norte em fevereiro de 1994.

Nas homenagens que o Rio Grande do Norte presta ao Cônego Luiz Monte, no 50° aniversário de sua morte, não tratarei de sua presença importante nos trabalhos da Igreja Católica, no ensino fundamental e na vida intelectual do Estado. Outros o farão com as condições de tempo para pesquisas necessárias na imprensa e nos depoimentos de quantos, na época, conviveram com a sua extraordinária figura.

Lembrarei, apenas, o amigo, que conheci, menino ainda em Angicos, e em curiosa circunstância.

O único automóvel de passeio que existia em Angicos era propriedade de meu Pai. E não havia automóveis de aluguel.

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Aluízio Alves

Numa tarde, véspera de natal, chegou à nossa casa o Padre Monte. Viera de trem contando com um transporte que passaria pela cidade e o levaria aquela noite à Vila de Afonso Bezerra para celebração da Missa da Grande Noite. E fora surpreendido com a notícia de que o carro, por defeito inesperadamente apresentado, não estava em condições de viagem. Soubera que meu pai possuía um automóvel e queria saber se poderia utilizar.

Posto a sua disposição veio a nova surpresa: o motorista Otacílio amanhecera com catapora.

Com a notícia o Padre Monte olhou para mim:

– Você não sabe guiar? Perguntou, rindo. Eu não podia saber, nos meus 14 anos.

– Eu ensino a você. E com certo constrangimento de meu Pai, fui com ele à garagem, assumi a direção, e ele, ao meu lado, indicando as providências manuais, me fez tirar o carro, e sob o olhar de alguns curiosos que nos cercavam, saímos para a grande viagem. Sim, porque enquanto o percurso era feito em normalmente uma hora e meia, em estrada de barro, daquela vez demorou quatro horas.

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Texto produzido por Aluízio Alves e aqui reproduzido.

Voltamos na madrugada, e fomos tomar café em nossa casa.

Com a timidez própria pela companhia dos mais velhos, meus pais, e o hóspede, tentei tirar com o garfo uma bolacha, que pulou para o chão, sob severo olhar de minha mãe.

Antes da inevitável repreensão, padre Monte saiu em minha defesa.

– Tira-se mesmo com o garfo. Apenas, molha-se o garfo no café, antes. E o fez com êxito.

Vim morar em Natal, fui seu aluno no Ateneu, e aí fizemos uma boa amizade. Convidava-me para almoçar com ele no Seminário, dava-me livros e acompanhava o início de minha atividade como repórter, sempre achando graça no meu entusiasmo pela atividade política.

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Padre Luiz Monte e seus familiares. A sua esquerda está seu pai Pedro Alexandre do Monte e a direita a sua mãe Belarmina Sobral Ferreira do Monte e em pé, de batina, o então seminarista Nivaldo Monte, seu irmão. Moravam em uma casa situada na esquina da Avenida Rio Branco, com a Rua Apodi, em Natal – Fonte da foto – http://www.dhnet.org.br/nivaldomonte1/familia.htm

Quando fui dirigir o Serviço Estadual de Reeducação e Assistência Social e a LBA, enfrentei o problema dos mendigos e menores abandonados. Depois de construir em terreno cedido pelo Prefeito José Varela, o Instituto Juvino Barreto, para velhos; alugar uma casa na rua Seridó para menores do sexo masculino (onde fora fundado com a minha presença, aos 11 anos, o Partido Popular), o Instituto Mello Mattos, cuja administração entreguei a Orígenes Monte, hoje, padre, e irmão de padre Monte; com pioneira Clínica de Conduta, chefiada pelo médico João Machado, e construir, em Lagoa Seca, o Instituto João Maria, fechado anos depois, pondo-se em suas instalações, a CIDA, da Secretaria da Agricultura, resolvi tirar das ruas mendigos e menores abandonados. Mediante seleção, iniciamos o trabalho.

O “Diário de Natal” colocou-se contra a solução, acusando-a, inclusive, de nazista: dar um lar a mendigos, e dar oportunidade de educação e formação a crianças pobres…

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O tradicional Seminário de São Pedro de Natal – Fonte – http://dasdores2011.blogspot.com.br/2014/01/

Em plena campanha, cheguei ao meu gabinete e encontrei um bilhete, deixado pessoalmente pelo Padre Monte; “Alguma vez, você já viu alguém atirando pedras em fícus-benjamim? Certamente, não. Não dá frutos. Mas, todos os dias vê alguém jogando pedras em mangueiras que nos dão as nossas gostosas mangas. Seu trabalho está dando frutos. Continue com as bênçãos de deus. Padre Monte”. Continuei. E os mendigos e os menores abandonados só voltaram as ruas depois que, eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte, vim exercer outras tarefas. Fechou-se o Mello Mattos, com suas oficinas, fechou-se o Padre João Maria com seu coro orfeônico que tinha os aplausos da Cidade. Sobrou, apenas, o Juvino Barreto, que fui visitar, a pouco tempo, nos seus 30 anos de resistência.  

Mas, um dia de fevereiro de 1944, recebi um aviso: padre Monte saíra do Seminário, onde morava, na tarde anterior, com pequena maleta e o livro “Damião, o leproso”, e, sem qualquer aviso de viagem, não voltara para dormir nem para os compromissos de aulas no dia seguinte.

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Após a morte do Padre Luiz Monte muitos textos foram produzidos tanto na imprensa potiguar e nacional.

Com toda a discrição, em face ao título do livro, fui ao Leprosário São Francisco[1]. Depois ao Hospital então Juvino Barreto, hoje Onofre Lopes. Nada, final, fui encontrá-lo, já à noite, no Sanatório Getúlio Vargas onde recebera assistência medica de Milton Ribeiro Dantas. Pediu-me total segredo de sua doença e de sua presença ali. A razão desses cuidados eu não entendia. Conversei, depois, com Saul, velho enfermeiro e amigo, e dessa conversa tomei algumas providências: confidenciei a Margarida Filgueira, que trabalhava comigo, e muito amiga do padre Monte, e adquiri roupa de cama na loja “Nova Aurora”, na Ribeira, e alimentos no Armazém Chaves, e Margarida ficou incumbida da provisão necessária.

Todos os dias eu passava ali, pela manhã, e no fim da tarde, e me preocupava, não só seu estado de fraqueza, sem reação aparente, mas, sobretudo, a sua tristeza. Uma tarde, tirou do bolso superior do pijama, o seu relógio, de ouro, e me entregou. Supus que queria saber a hora. Não. Devolveu-me. “É seu”. Um presente com ar de despedida. Ainda hoje, deploro que, no tumulto da madrugada da deposição de Getúlio, tenha perdido aquela lembrança importante.

No dia 28, fui chamado por Saul, às pressas. Cheguei o mais rápido possível. Encontrei-o em processo de asfixia, e vi aproximar-se a morte. Acendi a vela, pus nas suas mãos, ante os olhos conscientes e tristes, que, pouco depois, se apagaram na minha presença, de Milton Ribeiro Dantas e Saul.

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Seminaristas e a direção do Seminário São Pedro de Natal na década de 1930. Dom Marcolino é o 3° da esquerda para direita e o Padre Monte é o religioso que aparece com um papel na mão esquerda.

Saí dali para comunicar a família e ao Bispo Dom Marcolino. Fui encontrá-lo no Colégio das Neves, pregando Retiro Espiritual. Dei-lhe a notícia. Não segurou o pranto convulso. E verifiquei que nem sabia da doença, nem do internamento do Padre Monte.

Sobre esses fatos, passaram 50 anos. E esse meio século de amizade e testemunho não me deixam esquecer a lembrança e a saudade do grande sacerdote, do grande cientista, da grande figura humana que sempre marcarão o Rio Grande do Norte.


NOTA – 

[1] Nascido Jozef de Veuster -Wouters, depois conhecido como Damião de Molokai, ou Padre Damião, foi um missionário católico nascido na Bélgica em 1840 e que pertenceu a Congregação dos Sagrados Corações. Quando completou vinte e um anos de idade um bispo do Havaí, arquipélago do Pacífico e então um reino independente, estava em Paris para ministrar algumas palestras e conseguir missionários para a região. Ele expunha os problemas ali existentes especialmente dos doentes de lepra, à época doença incurável, que eram por determinação do governo exilados e abandonados numa ilha chamada Molokai. Damião se interessou e se colocou à disposição para ir como missionário à ilha. Passou mais de dez anos no lugar e contraiu a lepra. Morreu em 15 de abril de 1889 e seu corpo foi transladado para a Bélgica, onde recebeu os solenes funerais de Estado. Em 1995, por seu trabalho e dedicação, padre Damião de Molokai foi beatificado pelo papa João Paulo II e em 11 de outubro de 2009 foi canonizado pelo Papa Bento XVI em presença do rei e da rainha da Bélgica. Para a Igreja Católica passou a ser chamado São Damião de Molokai. Já “Damião, o leproso”, a que Aluízio Alves se referiu em seu texto, é um livro que conta a história de Damião de Veuster na remota ilha de Molokai e foi escrito pelo antigo marinheiro australiano John Farrow (que mais tarde foi trabalhar como diretor de cinema em Hollywood e chegou a ganhar um Oscar). Nota TOK DE HISTÓRIA.

A CIDADE DE SÃO MIGUEL E O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE – IHGRN

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Da esquerda para direita vemos Gustavo Sobral (Diretor da biblioteca do IHGRN), Betânia Ramalho (Vice-presidente do IHGRN), Ormuz Somonetti (Presidente do IHGRN), José Gaudêncio Torquato (Prefeito de São Miguel), Rostand Medeiros e Edgar Dantas (Sócios efetivos do IHGRN).

Rostand Medeiros – Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Desde 2010 eu tenho uma relação muito positiva com a cidade de São Miguel e seus habitantes. Naquela boa terra do Oeste Potiguar fiz muitos amigos, conheci um município de pessoas altivas, orgulhosas e que valorizam muito sua terra.

Por esta razão fiquei realmente muito feliz quando o amigo José Gaudêncio Torquato, atual Prefeito de São Miguel, atendendo um convite formulado por Ormuz Simonetti, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN visitou essa que é a principal casa da memória potiguar.

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Tive a oportunidade de participar deste encontro, juntamente com Gustavo Sobral – Diretor de Biblioteca e Museu, Betânia Ramalho – Vice Presidente do IHGRN e Edgar Ramalho Sócio efetivo do IHGRN.

José Gaudêncio Torquato foi um dos prefaciadores do meu livro “João Rufino-Um visionário de fé”, junto com o cantor cearense Raimundo Fagner, lançado em 2011 e que tras a biografia do Sr. João Rufino, criador do grupo empresarial que produz os cafés Santa Clara e Três Corações.

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José Gaudêncio conhecendo o acervo do IHGRN.

O prefeito de São Miguel trouxe vários e interessantes documentos sobre a História da sua cidade e buscou junto aos membros do IHGRN outras informações históricas sobre sua terra. Logo surgiram interessantes e positivas ideias de parcerias, que certamente deverão gerar muitos e proveitosos frutos, que serão divulgados no momento certo. Nesse primeiro momento esse contato entre o Prefeito de São Miguel e a direção do nosso Instituto Histórico foi extremamente salutar

Independente dessa questão e da amizade que eu tenho por José Gaudêncio, o melhor é ver um prefeito potiguar extremamente interessado em buscar informações sobre a História do seu município, mesmo que neste município já exista, pelo menos em minha opinião, uma acentuada percepção da valorização de sua História.

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Pessoalmente acredito que um dos caminhos do desenvolvimento pessoal e coletivo passa também pela preservação e divulgação de sua memória histórica e cultural. Conhecendo de forma positiva esses elementos eu acredito que as pessoas tem uma maior tendência de compreender a importância de manter vivo muito dos seus valores tradicionais, os valores de suas origens e sua identidade. Identidade essa que ajuda a se definir enquanto cidadão, sabendo situar-se na sociedade, sem se perder no meio de uma multidão sem conexões.

Alguém já disse que “Nós não precisamos ser conservadores, nem devemos estar presos ao passado. Mas precisamos ser legítimos e só as raízes nos dão legitimidade”. Assim aqueles que não conhecem suas raízes perdem muito do sentido de suas vidas.

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Por incrível que pareça para muitas pessoas nos dias atuais, de pensamentos sempre tão rápidos e imediatistas, o futuro não existe sem o passado. Passado esse que não deve se restringir apenas como uma lembrança e sim ser usado para o crescimento no presente, em direção ao futuro.

Por isso eu valorizo muito e apoio a ação de José Gaudêncio Torquato em buscar parcerias com o IHGRN para a sua amada São Miguel.

NATAL E O FANTASMA DE SAINT-EXUPÉRY

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Comandante Antoine de Saint-Exupéry durante ba Segunda Guerra Mundial – Foto -John Phillips

Muitas pessoas escreveram e testemunharam a passagem de Saint-Exupéry por Natal, enquanto ele estava na Argentina.

AUTOR – Patrick de Bure

Antoine de Saint-Exupéry deixou a cidade francesa de Bordéus em 9 de setembro de 1929, no navio de carga e passageiros S. S. Massilia, da companhia de navegação Chargeurs Réunis, chegando a Buenos Aires em 12 de outubro, após dezoito dias de cruzando o Atlântico.

Ele retornará à França em 1 de fevereiro de 1931 no navio de passageiros S. S. Alsina e nunca mais retornará à América do Sul.

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S. S. Alsina – Fonte – https://www.marine-marchande.net/Perchoc/Perchoc-02/02-Perchoc.htm

No final ele permanecerá no escritório da Aéropostale na Argentina apenas 15 meses. Uma breve estada na América do Sul.

Entretanto várias pessoas da cidade brasileira de Natal, no extremo nordeste do Brasil e um local de muita importância na História da aviação da América do Sul, testemunharam a sua visita a esta bela cidade.

Os escritores locais Pery Lamartine de Faria (1995, p.65) e Nilo Pereira (que escreveu o artigo “Saint-Exupéry em Natal”, Tribuna do Norte, Domingo 14/04/1985) citaram artigos sobre o assunto anteriormente publicados em Natal e informaram sobre relatos de testemunhas oculares que indicaram a presença de Exupéry na cidade.

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1930: Saint Exupéry no serviço de correio argentino – Fonte – https://www.quora.com/The-Little-Prince-book-What-is-the-story-of-Antoine-de-Saint-Exup%C3%A9ry

De acordo com Pery Lamartine o que dificultava a pesquisa estava no fato de que na década de 1920 os pilotos franceses e brasileiros não registraram seus voos. Ainda segundo o escritor Pery, no antigo aeródromo de Parnamirim, que pertencia a Aéropostale, não se deixou nenhum documento sobre os desembarques de aeronaves neste local.

Saint-Exupéry fala sobre a árvore africana baobá em seu livro “O Pequeno Príncipe”, livro que todos deveriam ler. A obra contém uma parábola que diz exatamente “vamos livrar-nos das ervas daninhas antes de se tornarem baobás que poderiam explodir o planeta”.

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Detalhe da capa do livro J’ai vécu l’épopée de l’aéropostale, de Marcel Moré.

Existe um grande baobá plantado desde 1877 na cidade de Nísia Floresta, próximo a Natal. Mas esta não é a fonte de inspiração do escritor. Quando ele estava voando sobre as paisagens do norte da África, ele viu milhares deles. É uma pena que ele não tenha evocado a beleza de sua flor.

Saint-Exupéry nunca esteve em Natal em missão oficial em um avião.

Mas tenho um dilema e uma hipótese, que nunca foi confirmada.
Será que Antoine de Saint-Exupéry  fez uma escala em Natal de navio, quando seguia para Argentina para assumir seu posto?

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SOBRE O AUTOR – Patrick de Bure é francês, nascido em Paris no dia 24 de dezembro de 1937. É neto do fundador da companhia de aviação Aéropostale, o Sr. Marcel Bouilloux-Lafont, e chegou ao Brasil junto com sua família em setembro de 1940, a bordo do navio “Bagé”, do Lloyd Brasileira. No Rio de Janeiro viveu no bairro de Santa Teresa. Retornou para a França em 1946 e prestou o serviço militar na Força Aérea do seu país em 1957, atuando na África por trinta meses. Trabalhou três anos na Air France e depois na American Express, onde viajou por cinco continentes, em mais de sessenta países. A partir de 1998 passou a viver no Ceará e em 2010 vem residir em Natal junto com a sua esposa Eliane, natural da cidade potiguar de Mossoró. Grande entusiasta da História da aviação, tanto de seu país quanto do Brasil e da América do Sul, Patrick de Bure criou quatro interessantes e-books onde busca democratizar ótimas informações sobre o trabalho do seu avô, dos antigos aviões e dos seus valorosos aviadores.

Estes e-books são:

http://aeronauticabrasil.com/pt/apresentacao-site-ebook-da-historia-aeronautica-no-brasil/

http://www.histoireaeronautiquefrancaiseameriques.com/

http://aeropostaleameriquesud.com/

http://www.histoireaeronautiquepaysameriques.com/

UMA BOA NOTÍCIA DE CARAÚBAS-RN – A RECUPERAÇÃO DA SECULAR CASA DA FAZENDA SABE MUITO

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Velha Casa do Sabe Muito, município de Caraúbas, Rio Grande do Norte.

Texto – Rostand Medeiros, através das informações de Gladstone Praxedes, de Caraúbas, Rio Grande do Norte, que gentilmente enviou as fotos aqui apresentadas.

Em 2014 o amigo Francisco Veríssimo de Souza Neto, da cidade de Apodi, informou ao nosso blog TOK DE HISTÓRIA que a secular casa senhorial da propriedade Sabe Muito, na zona rural do município potiguar de Caraúbas, estava ruindo. Na época o amigo comentou que parte do telhado havia caído e que existia a possibilidade de parte da velha residência poderia desabar durante o próximo inverno.

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A triste situação de como estava a velha casa em 2014 – Foto – Assis Oliveira

As informações transmitidas por Veríssimo foram oriundas da visita do jornalista Assis Oliveira à velha Casa do Sabe Muito, este inclusive me passou gentilmente algumas fotos que mostravam o estado complicado desta antiga casa.

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As atuais reformas – Foto enviada por Gladstone Praxedes.

Na época das fotos o jornalista Oliveira, que é nascido em Caraúbas e há muitos anos mora na cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul, retornava a sua terra natal depois de dezesseis anos de ausência. Certamente ele não gostou nada do que viu!

Para saber mais sobre esta informação veja a matéria publicada em 2014 acessando este link – https://tokdehistoria.com.br/2014/02/15/a-triste-situacao-da-casa-do-sabe-muito/

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Foto enviada por Gladstone Praxedes.

Pois bem, essa semana eu recebi a ótima notícia que a Casa do Sabe Muito está sendo recuperada.

Segundo Gladstone Praxedes, de Caraúbas, no ano de 2015 a propriedade foi adquirida pelo empresário Junior Praxedes, proprietário da Rede de Postos JP, que é natural de Caraúbas. Junior então tomou a iniciativa de restaurar com recursos próprios esse monumento histórico tão representativo dos sertões da região oeste do Rio Grande do Norte.

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Foto enviada por Gladstone Praxedes.

Eu não sou engenheiro civil, mas nem preciso de muita sapiência nessa área para compreender que uma casa daquele porte necessita de muitos recursos para uma reforma de qualidade, como a que está sendo executada pelo empresário Junior Praxedes. Para ele certamente ficaria bem mais barato e fácil passar uma patrol por cima da casa e ainda dava para ganhar algum dinheiro com a venda das telhas, madeiras e outras sobras da demolição.

Ainda bem que isso não aconteceu!

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Foto enviada por Gladstone Praxedes.

Independente do uso que o empresário destine a esta maravilhosa residência, um grande exemplo arquitetônico das antigas casas grandes das fazendas do sertão potiguar, o seu gesto merece todos os elogios e aplausos.

Queira Deus que este exemplo seja seguido por muitos outros!

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Foto enviada por Gladstone Praxedes.