VOCÊ NÃO PRECISA DE SEUS GADGETS

Tecnologia é inútil para nossa sobrevivência. Ela sempre foi, e continuará sendo, apenas um instrumento para alcançar nossos objetivos. Não o objetivo em Si.

Há alguns meses participei de uma experiência interessante. Um grupo de empresários e profissionais de ponta em suas áreas aceitou passar uma semana em um lugar remoto do estado americano de Utah. Sem telefones, tablets ou notebooks — eles não teriam sinal de qualquer maneira. Cinco pesquisadores, eu entre eles, acompanharam a pesquisa, que tinha o objetivo de verificar a que ponto o uso contínuo de tecnologia causa danos semelhantes aos observados em dependentes de álcool ou drogas. Percebemos que, sim, chegamos a um ponto em que criamos uma relação patológica com os aparelhos que nos cercam. A cada dia, mais pessoas começam a acreditar que as amizades, os contatos de trabalho e os relacionamentos amorosos dependem deles.

É claro que não passamos tão mal sem os gadgets quanto um viciado em crack, mas não conseguimos mais viver sem eles. Nem percebemos mais que, em última análise, não são tão necessários.

Não estou sugerindo que o melhor é abandonar seu iPhone 4 ou cortar a internet. Evidentemente, é mais fácil dirigir com um GPS no carro. O importante é lembrar que podemos muito bem viver sem nenhum desses aparelhos.

Para a nossa sobrevivência, a tecnologia é inútil. E ela já nos atrapalha mais do que ajuda. De acordo com um estudo da Universidade de Glasgow, existem três maneiras de lidar com a tecnologia: relaxada, pressionada ou estressada. E 64% das pessoas estão no terceiro grupo. Mais: sabemos que os usuários compulsivos de tecnologias voltadas à comunicação estão sobrecarregando o funcionamento do lóbulo frontal, a última área do cérebro a se desenvolver e a primeira a se degradar com a idade. É o mesmo que acontece com quem sofre mal de Alzheimer. Por sobrecarregar o lóbulo frontal que uma pessoa que dirige falando ao celular tem mais chances de bater o carro do que um motorista alcoolizado, por exemplo.

Tecnologia, segundo a definição mais aceita, é qualquer objeto que não faz parte do nosso corpo e facilita nossa vida. Há tecnologia em armas, roupas, carros. Mas ela sempre foi um instrumento, e não um fim em si. Nossa obsessão por novos aparelhos não pode nos fazer esquecer disso.

AUTOR – Paul Atchley  – Psicólogo, professor e pesquisador da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, estuda o uso compulsivo de telefones celulares por jovens.

Fonte – http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI236751-17774,00-VOCE+NAO+PRECISA+DE+SEUS+GADGETS.html

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s