BIOGRAFIAS NÃO AUTORIZADAS QUE MUDARAM A FORMA DE MUITA GENTE VER O MUNDO

ENQUANTO NO BRASIL ESQUENTA A POLÊMICA SOBRE A QUESTÃO DAS BIOGRAFIAS NÃO AUTORIZADAS, PROIBIR ESTE TIPO DE PUBLICAÇÃO LÁ FORA É FORA DE QUESTÃO E ESTE É UM GRANDE FILÃO DO MERCADO EDITORIAL. MAS O BIÓGRAFO TEM DE TER MUITO CUIDADO COM O QUE ESCREVE

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“The Missionary Position: Mother Teresa in Theory and Practice” (1995, Twelve), de Christopher Hitchens

Quando questionado sobre o título de duplo sentido (“missionary position”, em inglês, pode ser uma gíria para a posição “papai e mamãe”), o autor respondeu: “Era ou isso ou “Vaca Sagrada”, o que teria sido de mau gosto”. Trata-se de uma crítica feroz à Madre Teresa, que é retratada como uma oportunista política e dogmática que, em vez de tentar acabar com a pobreza, preferia ensinar como suportá-la. Segundo Hitchens, ela desviava fundos de suas obras de caridade para uma rede global de conventos. Jornais como o “The New York Times” consideraram a obra convincente (Carlos Messias) Reprodução.

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“Che Guevara, Uma Biografia” (1997, Objetiva), de John Lee Anderson

Com mais de 800 páginas (dependendo da edição), trata-se da mais completa biografia já publicada sobre o revolucionário argentino. Além de narrar a trajetória de Che de cabo a rabo, o livro ajudou a desmitificar a sua imagem de idealista, retratando-o mais como um guerrilheiro extremista, disposto a sacrificar a própria vida e a de quem mais ficasse no caminho dos seus objetivos. Mais do que isso, a pesquisa do autor alterou para sempre os próprios autos da história, revelando que os restos mortais do marxista estavam enterrados em uma vala no aeroporto de Vallegrande, na Bolívia. A obra foi considerada livro daquele ano pelo “The New York Times” (Carlos Messias).

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“Barack H. Obama: The Unauthorized Biography” (2008, Progressive Press), de Webster G. Tarpley

Também autor de “George Bush: The Unauthorized Biography”, Tarpley retrata o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos como um fascista pós-moderno, insistindo em propagar o nome do meio do político, que é Hussein. Segundo Tarpley, Obama não passaria de um rosto carismático –e narcisista– a serviço do estrategista político Zbigniew Brzezinski, que serviu como conselheiro de segurança durante a administração Carter. O livro foi publicado no ano da campanha para eleição do primeiro mandato do político, mas, segundo os seus fiéis opositores, conseguiram fazer com que a obra fosse varrida para debaixo do tapete (Carlos Messias)

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“Hitler” (2010, Penguin/Companhia das Letras), de Ian Kershaw

Condensando dois volumes em um, a edição brasileira é mais enxuta. No entanto, preserva a descrição detalhada da intimidade do ditador antes e durante a Segunda Guerra Mundial. O autor enfatiza os aspectos sociais da Alemanha pós-Primeira Guerra que levaram ao nazismo, sem abrir mão dos traços da personalidade da figura mais sinistra da história do século 20. “É o tipo de biografia magistral que somente um historiador de primeira linha é capaz de escrever?, disse a resenha do “The Observer” (Carlos Messias)

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“Princess Diana: Her Life Story, 1961-1997” (1997, Publications International), de Richard Buskin

Originalmente publicado em 1992, este livro ganhou 32 páginas cobrindo a morte e o velório, que foi transmitido mundialmente, da Princesa de Gales. Mesmo sendo não autorizada, a obra tem mais credibilidade do que a biografia com a qual Diana chegou a contribuir, “Diana – Her True Story”, do jornalista de celebridades Andrew Morton, quem, segundo ela e outros membros da realeza britânica, distorceu os fatos e depoimentos que lhe foram amplamente concedidos (Carlos Messias)

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“A Woman Named Jackie: An Intimate Biography of Jacqueline Bouvier Kennedy Onassis” (2000, Lyle Stuart), de C. David Heymann

Depois de encorajar John F. Kennedy a escrever “Profiles in Courage”, que retrata a história do senado norte-americano e que ganhou o Pulitzer de melhor biografia em 1957, a primeira-dama mais fascinante dos Estados Unidos foi tema de dezenas de biografias. No entanto, nenhuma delas foi tão completa (com 715 páginas) e controversa quanto esta, que se atreve a enxergá-la além do objeto de fascínio e, em vez de desmerecê-la, procura compreendê-la na intimidade, expondo toda sua complexidade (Carlos Messias)

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“The Unauthorized Look at Steve Jobs 101 Genius Ideas to Success” (2013, 202 Press), de Xander Christoph

Lançada em junho, esta biografia tenta identificar e traduzir para a prática os componentes que formavam o gênio criativo Steve Jobs (1955-2011). Elementos como a mente inquisitiva, a arrogância, a determinação, a fase hippie e a formação cultural são analisados com lupa. Diferentemente da biografia autorizada, de Walter Isaacson, esta obra também lança luz, sem filtros, sobre características menos elogiosas do cofundador da Apple, como suas práticas selvagens de capitalismo, exploração de mão de obra e delírios de grandeza (Carlos Messias)

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“Elvis” (1981, McGraw-Hill Book Co.), de Albert Goldman

Poucas biografias renderam tanta revolta quanto esta, chegando a fazer com que o autor fosse insultado em rede nacional. Em vez do glamuroso pop star, aqui o Rei do Rock é retratado como um caipira ignorante, infantil e incongruente, capaz de torrar US$ 100 em picolés em uma noite, que, mesmo se declarando publicamente contra as drogas, usava fraldas por incontinência, devido ao abuso de substâncias controladas. Sem contar as narrativas de orgias com garotas adolescentes (as quais ameaçava fisicamente) e a descrição pouco enaltecedora do seu membro (o “Little Elvis”), que teria sido motivo de vergonha para o galã. Não é leitura para fã (Carlos Messias)

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“Get Back: The Unauthorized Chronicle of the Beatles” “Let It Be” Disaster” (1999, St. Martin”s Griffin), de Doug Sulpy e Ray Schweighardt

Um dos registros mais completos do rompimento da maior banda de rock da história. A obra narra em detalhes o dia a dia das gravações do disco “Let it Be”, entre os dias 2 e 31 de janeiro de 1969, quando se formou um atrito irreparável entre os “fab four”, levando à dissolução do grupo. O autor se baseou nos sigilosos rolos de fita dos bastidores da gravação do filme “Let it Be”, que foram roubados após a conclusão do documentário e apreendidos pela polícia três décadas depois (Carlos Messias)

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“His Way: The Unauthorized Biography of Frank Sinatra” (1987, Bantam), de Kitty Kelley

Antes mesmo da publicação desta obra, o “Sr. Olhos Azuis” em pessoa ameaçou processar a autora em US$ 2 milhões, ideia que logo abandonou. Entre as principais acusações –aparentemente, realistas–, o Voz de Veludo seria um mulherengo crônico, teria histórico de violência doméstica sob efeito de doses cavalares de álcool e ligações com a máfia italiana. A autora declarou ter tido acesso a grampos da polícia de Nova York, arquivos de mafiosos e horas de entrevista com o ator Peter Lawford, um dos melhores amigos de Sinatra, enquanto ele estava no leito de morte (Carlos Messias)

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“Madonna: Unauthorized” (1992, Island Books), de Christopher Andersen

Apesar de não ter revelações lá muito surpreendentes, esta biografia remonta em detalhes escândalos já bem conhecidos da Rainha do Pop, como a criação rígida por uma família católica, as primeiras experiências sexuais, envolvimentos com drogas no início do estrelato e o conturbado casamento com o ator Sean Penn, à época um alcoolatra, que praticava violência doméstica (Carlos Messias)

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“Michael Jackson: The Magic, The Madness, The Whole Story, 1958-2009” (2009, Grand Central Publishing), de J. Randy Taraborrelli

Originalmente publicado em 1991, o livro ganhou uma edição revisada e ampliada em 2004, e outra em 2009, logo após a morte do Rei do Pop. Portanto, envolve 30 anos de pesquisas, contendo citações reveladoras de diversos membros da família do mito. A obra traz o pacote completo: a infância traumatizante no Jackson 5, o vitiligo, a infantilidade, os hábitos estranhos, o casamento de aparência com Lisa Marie Presley, os processos por pedofilia e insinuações de homossexualidade. Caso raro de biografia que não consegue separar o homem do mito (Carlos Messias)

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“Brando: An Unauthorized Biography” (1987, Dutton Adult), de Charles Higham

Espécie de biógrafo das estrelas, Higham já perfilou Katharine Hepburn, Howard Hughes, Cary Grant, Orson Welles, Errol Flynn, entre outros. Ao tratar de Marlon Brando (1924-2004), o autor relata em detalhes a vida do astro, desde a infância difícil em Omaha (EUA) aos bastidores do início da carreira, no teatro, e das filmagens de longas como “Um Bonde Chamado Desejo” (1951). Contando com depoimentos de velhos amigos e ex-amantes do ator, o biógrafo remonta situações cômicas do seu passado e fundamenta a sua reputação de destemido (Carlos Messias)

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“Tom Cruise: An Unauthorized Biography” (2008, St. Martin”s Press), de Andrew Morton

Este best-seller, que teve tiragem inicial de 400 mil exemplares, causou na vida do astro. Primeiro por abordar a separação de Mimi Rogers e de Nicole Kidman, o namoro com Penélope Cruz e com a modelo Sofia Vergara, e o conturbado início de relacionamento com Katie Holmes, que teria tido de se submeter a um teste para se tornar a namorada de Tom Cruise, e precisaria aceitar servir como garota-propaganda da Cientologia. Segundo, por mergulhar pesado no envolvimento do ator com esta instituição. De acordo com a autora, Nicole teria tido atritos com a igreja, que ameaçou tirar a guarda dos seus filhos, durante a separação (Carlos Messias)

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“Angelina” (2010, St. Martin”s Press), de Andrew Morton

Controversa, esta biografía sobre Angelina Jolie foi acusada pelo “New York Times” de ser imprecisa, mas fez a festa dos leitores de tablóides com revelações picantes. Segundo o livro, ela teria tomado banho com Leonardo Di Caprio após a premiação do Globo de Ouro de 1998, os motivos que a levaram a se livrar oficialmente do sobrenome do pai, John Voight, de sua documentação; os espancamentos que sofreu do primeiro marido, Jonny Lee Miller; e a intimidade “caliente” com o segundo, Billy Bob Thornton. Além, claro, da relação com Brad Pitt (Carlos Messias)

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“Mr. Playboy: Hugh Hefner and the Fantasy Life of Modern America” (2009, Wiley), de Steven Watts

Mais do que se apegar a quantas coelhinhas o criador da revista “Playboy” levou para a hidromassagem, esta biografia conta a trajetória de Hugh Hefner apontando como ele se tornou um ideal masculino na cultura de consumo após a Segunda Guerra Mundial. Mas claro que Watts, professor de história da Universidade de Missouri, não deixou de fora algumas curiosidades, como que, na Mansão de Playboy, todos os banheiros são equipados com aspirina, loção de amêndoas para o corpo e preservativos (Carlos Messias)

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“Superhero: An Unauthorized Biography of Christopher Reeve” (1999, Bt Bound), de Chris Nickson

Uma história tocante e rica em detalhes contando como o protagonista de “Super-Homem” (1952-2004) foi de astro de Hollywood a ativista social em diversas frentes, passando, claro, pelo acidente que lhe deixou tetraplégico. Mesmo sem puxar muita sardinha para o lado do biografado, a obra procura mostrar a motivação interna do astro, que sempre teria tido um espírito lutador, que manteria durante ao longo de sua reabilitação, sempre em busca de uma possível cura para sua paralisia (Carlos Messias)

Fonte – http://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2013/10/22/apos-polemica-de-biografias-projeto-podera-ser-votado-ainda-nesta-semana.htm#fotoNav=18

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