PRECONCEITO E RACISMO CONTRA NORDESTINOS – FATO ANTIGO

ATÉ MÁRIO DE ANDRADE JÁ SE POSICIONOU CONTRA ISSO

Autor – Rostand Medeiros

Existe muita coisa de boa e de ruim do ser humano, mas certamente uma das piores é o preconceito e o racismo em relação as suas origens. E você só sabe como funciona este tipo de situação, e o quanto isso é perverso, apenas no dia que sente.

Em relação a este assunto, existe um movimento ocorrendo em São Paulo, terra maravilhosa e de muita gente boa, que revela uma situação triste e complicada.

Há um ano teve início um abaixo assinado divulgado na internet, do chamado “Movimento São Paulo para paulistas” http://tudoporsaopaulo2010.blogspot.com/

Sou uma pessoa que se impressiona muito com o preconceito e com o racismo, pois durante mais de dez anos trabalhei como Guia de Turismo em Natal, onde conheci e fui alvo de preconceito e racismo pelo fato de ser nordestino.

Ser nordestino, viver no Nordeste, me causa muito orgulho. Neste sentido os fatos que infelizmente tive o desprazer de presenciar foram mais amargos ainda, pois ocorreram na minha própria terra.

Lembro-me que, talvez devido ao fato de ter a pele clara, sempre me diziam que eu “-Não parecia com um nordestino!”. Na mesma hora eu respondia; “-Mas para você, como se parece um nordestino?”.  Daí, primeiramente, vinha a cara de surpresa, o risinho torto e sem graça, os olhos procurando algo perdido no espaço e as respostas mais ouvidas foram “-Ah, sei lá!”.

Quando havia alguma coisa errada na rua, como por exemplo, uma pessoa que jogava um papel na calçada, não faltava a sentença; “-Mas como nordestino faz besteira!”.

Outra coisa triste eram as comparações. Nunca consegui compreender como alguém gasta tanta grana para viajar, vem para outras cidades e, ao invés de curtir, fica ridiculamente fazendo comparações desairosas e negativas sobre o lugar visitado.

Ouvi muitas vezes a máxima que na nossa terra “só havia gente feia”. Afirmavam que sua região de origem do turista era diferente, pois lá o povo não era tão “misturado”. Misturado?

E por aí seguia.

Não vale nem a pena rememorar tais episódios de forma específica. Nem listar de forma ridícula “de qual estado vem os turistas mais racistas”, pois durante todo este tempo de luta no turismo, estes fatos negativos foram poucos.

Essa é a nossa unica imagem quando se fala em Nordeste?

Mas infelizmente ocorreram e o ruim é que dá uma raiva difícil esquecer.

Coisa Antiga

Mas voltando ao caso do triste e vergonhoso movimento paulista. O pior é que este tipo de preconceito, de racismo contra os nordestinos, não é nova.

Anteriormente, principalmente para fugir da seca, o pobre sertanejo da nossa região seguia para o norte do país, para a Amazônia em busca do sonho da borracha e da terra cheia de florestas e rios. Mas houve o momento em que o destino mudou e no final da década de 1920, teve início o movimento de migração de nordestinos em direção a São Paulo. Logo começaram as críticas contra a chegada destas pessoas.

Em 1929 havia a ideia que nordestinos desocupados e preguiçosos eram trazidos para São Paulo para “vadiarem” na grande metrópole. Mas ouve vozes em contrario. Uma delas veio de um paulista de renome, ninguém menos que Mário de Andrade.

Em um artigo originalmente publicado em março de 1929, no jornal paulista “Diário Nacional”, tendo sido reproduzido integralmente no jornal natalense “A Republica”, no dia 7 de abril de 1929, o autor de “Turista Aprendiz”, mesmo iniciando o artigo afirmando que não iria “entrar nessa discussão sobre imigração nordestina”, faz uma defesa do trabalhador da nossa região.

Mário de Andrade

TRABALHADOR NORDESTINO

Mário de Andrade

Não pretendo entrar nessa discussão sobre imigração nordestina, que anda ascendendo ardores por aí. Discussão que deu lugar a patriotismos regionalistas muito detestáveis. Antipatrióticos.  E me parece que mal colocada. Excetuada alguma nota rara de visão exata (Amadeu Amaral, Antonio Bento de Araújo Lima), o problema foi tratado debaixo de uma mentalidade capitalista e não propriamente econômica.

Ainda outra coisa que ninguém distinguiu foi entre “proletário” nordestino e “desocupado” nordestino. Homem do campo. Homem da cidade. Em todas as cidades deste mundo se ajunta sempre uma população mariposa. A cidade atrai. Uma gente fraca, e o que é pior, dotada de todas as “habilidades” que a fraqueza engendra, vem chamada por esta atração. E fica por aí, na barra da saia da cidade, mariposando, vivendo de expedientes, na folga dos biscates. De fato essa gente vadia. E “vadeia” que no Nordeste significa brincar, cantar, dançar, se divertir.

E essa psicologia romântica do verbo “vadiar” nos da bem um elemento pra aquilatar da capacidade do homem do povo nordestino. Não se pode chamar de “vadiação” ao caso do individuo que vai pra city das cidades, a espera e trabalho. Muito menos ao fato do sertanejo na seca, rodeado pelo gado, estar esperando a hora de queimar o xiquexique pra criação comer. Esse mesmo homem é capaz de agüentar léguas a pé e tem capacidade física formidável. Basta ver o que é um samba ( ), um coco violento, durando a noite, para saber do que são capazes fisicamente os homens e mulheres nordestinos. A própria condição da vida nordestina em certas zonas, a do gado, a da carnaúba, é que obriga a longas estiagens de trabalho econômico. Porem, no vale do Assu, (carnaúba) pór exemplo, se diz que não tem noite sem samba. O proletário exerce nas noites a atividade que não teve por onde exercer durante o dia. E por isso o verbo “vadiar” mudou de sentido lá. Significa o brinquedo: o exercício às vezes duma fadiga inclemente, prodígio de esforço físico e habilidade. Ora o brinquedo é sempre uma transposição de atividades que não podem ser exercidas.

Porem não quero negar a existência do desocupado urbano nordestino. Existe como existe em S. Paulo, em Montevidéu, em Paris. E a psicologia do desocupado, do homem… da fuzarca, é a mesma por toda parte. Os agentes em busca de colonos pras fazendas não se dão ao trabalho de dias inteiros através do sertão, arrebanhando gente. Chegam nos portos e pegam as mariposas do biscate. Está claro que virá muito colono ruim assim. Mariposa não se transforma em proletário do dia pra noite Mas também sei de fazendeiro que coloniza a propriedade só com nordestinos. Porem não fia em agente. Manda, mas é o próprio sertanejo nordestino que já tem na fazenda, trabalhador, colono excelente, buscar os conhecidos dele, lá de Catolé do Rocha, de Martins, do Seridó, gente boa.

Descendente de índio ou africano o proletário nordestino conserva disso a psicologia de quem foi muito dominado e abatido. É manso. É bem mandado. É de uma obediência servil. Vive no Nordeste uma diferenciação de classes que me chocou. Às vezes me feriu mesmo. Não é a toa que nos últimos tempos está se dando uma recrudescência no emprego da expressão “senhor de engenho”. No geral iniciativa do proletário é circunscrita ao mínimo possível pelo “seu doutor”, que significa homem de gravata. Também pra explicar a psicologia do cangaceiro nordestino, o argumento dele se revoltar contra as injustiças da justiça me parece fácil por demais. Há sem duvida no cangaceiro um fundamento mais secular de revolta contra a injustiça social das classes. E contra a escravidão que, se perdeu a base de compra e venda, não perdeu o sentido de obediência e mando.

Quanto ao argumento que o proletário nordestino raro enriquece aqui, é argumento capitalista e não econômico.

Malfadado por uma terra que acumula omissões, o homem do povo nordestino se rege pelo “primo vivere”. É a psicologia da fome, mais dramática que condenável. Quando vem pro sul ganha fácil. Então se deslumbra. Vê tudo fácil, gasta, não amontoa. Fenômeno perfeitamente explicável em quem atinge terras de aventura capitalista. Se deu na Califórnia e no Alasca. No sul da África. Na Argentina e Brasil. Em S. Paulo, terra de aventura, tem centenas de estrangeiros que fazem o mesmo. Antes e depois de ricos. Porque a riqueza não justifica, os luxos rastaqüeras. Mas nós não censuramos o senhor conde Matarazo que esbanja um trust num monumento tumular ridículo. Porem por causa do proletário nordestino não se adaptar desde logo a mania de ajuntar ouros… a Prefeitura abre portãozinho  para quanto ricaço esbanje chique. Pelo menos que soubesse abrir portões maravilhosos, que nem os que a gente encontra em cemitérios nordestinos, o de Arez, o de Goianinha, o de Augusto Severo, por exemplo. Portões que nordestino fez. Mas os nossos problemas não tratam de civilização, de cultura, de economia. Se resumem a cócegas de capitalização.

O mais engraçado é que todos acabaram reconhecendo que o proletário é excelente. Porquê e praquê tanta birra então? Nós vivemos no geral suspeitos às franjas dos problemas brasileiros. Em vez de atacarmos diretamente os problemas, vivemos desbastando as superfícies dum instrumento malfeito. É o que o caracteriza, desde a Monarquia, a desídia nossa.

(Do “Diário Nacional”, de São Paulo)

O Conhecimento de Mário de Andrade Sobre o Nordeste

Percebemos que os apontamentos do escritor Mário de Andrade neste artigo, certamente surgiram a partir das experiências do autor nas suas duas viagens pelo Norte e Nordeste do Brasil. Nestas aventuras etnográficas, Mário desejava conhecer o Brasil e o povo brasileiro. Elege o Norte e o Nordeste como regiões privilegiadas do que deveria visitar e realiza seus objetivos em duas distintas viagens de estudo e pesquisa.

Mário pesquisando o Brasil

Na sua segunda viagem ele demora-se no Nordeste em trabalho de coleta de documentos musicais, conhecendo músicas de “feitiçaria”, cocos, danças dramáticas, romances, cantos de trabalho. Quando esteve no Rio Grande do Norte no final de 1928, conheceu muita coisa na companhia de intelectuais locais, registrou em fotos as paisagens, a arquitetura, o sertão e a população dos locais visitados.

Mário de Andrade passa a escrever no jornal “Diário Nacional” a partir de 1927, onde publica a maior parte de sua produção, entre críticas, contos, crônicas e poemas, até 1932, quando o jornal é fechado. O “Diário Nacional” era o órgão noticioso do Partido Democrático, agremiação política a qual Mário de Andrade se filia. Respondia pela redação do periódico Sérgio Milliet, Antônio Carlos Couto de Barros e Amadeu Amaral.

É Combatido

Percebo que este preconceito, este racismo regionalista existente no Brasil, só tende a crescer na medida em que crescem as nossas eternas e futuras crises econômicas, políticas, sociais, morais, éticas, etc., etc. É como uma espécie de válvula de escape para superar as frustrações de um momento.

Ainda bem que vivemos em uma democracia, onde todos tem o direito de se manifestarem nas suas ideias e por sorte existem pessoas que não se conformam com as ações preconceituosas e racistas, como a realizada “Movimento São Paulo para paulistas”. Uma manifestação interessante sobre este movimento veio do jornalista Paulo Henrique Amorim, que mostra de forma clara e inteligente o que pensa quem cria este tipo de coisa.

Veja o link; http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/11/08/o-que-pensa-quem-quer-sp-so-para-paulistas/

Ainda bem que depois de um ano ativo, pelo menos até a manhã de 24 de maio de 2011, o triste movimento “Movimento São Paulo para paulistas”, possui 1849 assinaturas.

E, infelizmente, Também Existe Aqui

Como já senti o preconceito e o racismo pelo simples fato de ser de onde sou, é inevitável que dentre todas estas ações preconceituosas e racistas existentes por aí,  a que me chama mais a minha atenção é o que ocorre contra estrangeiros.

No passado muitos imigrantes vindos de outros países, sofreram inúmeras formas de racismo ao desembarcarem no “grande país tropical”.

Assim ocorreu quando japoneses chegaram a mais de 100 anos e se tornaram alvo de fortes críticas e perseguições. Ou como aconteceu com os sírios e libaneses, que aqui eram chamados pejorativamente de “Turcos”. Ou com os “branquelos” alemães. No topo da lista não podemos esquecer os portugueses, que vinha da “terrinha” para serem alvos de eternas piadas.

Mesmo a distante China, que nem tinha tantos imigrantes no Brasil em épocas passadas, ficou conhecido como o país onde tudo que não prestava era mandado para lá. Era o famoso “Vai prá China”, que tinha o mesmo significado de “Vai para aonde o diabo te carregue”.

Afora que, tudo que é mal feito em termos de produtos manufaturados, vem do Paraguai e também da China.

E por aí vai.

Mas o irônico é que as piadas com os portugueses e a mania de se mandar tudo que não presta para a China, diminuíram na medida que estes países ganharam mais prestígio no cenário mundial.

Será que estas manifestações de preconceito e racismo é algo inerente ao DNA de todos os seres humanos que vivem na Terra?

Não sei, mas como existem quase 2.000 pessoas que assinam este tipo de manifesto público, infelizmente, em nossa querida Natal, igualmente existe preconceito e racismo.

No caso potiguar, os preconceitos e os racismos são múltiplos. Focados muitas vezes em quem tem mais que outros, na cor da pele, onde se mora, qual seu sobrenome, a sua família, de onde se vem e outros mais.

Por aqui eu percebo que uma das coisas que mais incomoda muita gente é a miscigenação dos estrangeiros na “Capital Espacial do Brasil”.

Devido ao fato dos estrangeiros se casarem com potiguares morenas, de origem humilde, oriundas do interior, ou da Zona Norte de Natal, se diz que eles “só gostam de negas”.

Se você que está lendo este artigo e, por acaso, acha que não existe preconceito e racismo em Natal, é porque você é igual aos que participam do “Movimento São Paulo para paulistas” e devia assinar o manifesto.

Siga estas ideias

P.S.- Segundo site http://preconceitoouracismo.zip.net/, a diferença entre preconceito e racismo é a seguinte;

Preconceito: Atitute discriminatória que baseia conhecimentos surgidos em determinado momento como se revelassem verdades sobre pessoas ou lugares determinados. Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém ao que lhe é diferente.

Racismo: É a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros.

Mas para mim é tudo terrível e sofremos da mesma maneira.

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12 opiniões sobre “PRECONCEITO E RACISMO CONTRA NORDESTINOS – FATO ANTIGO

  1. Aquela emissora de telivisão financiada pelos imperialista é responsável por todos os tipos de preconceitos e o pior de todos , considero o Linguístico.
    Mostram um país sem miscigenação.Omitem informações importantes à população. Continua desempenhando muito bem seu papel…

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  2. Caro Rostand, fui vítima do mesmo preconceito que você. Sou baiano e na universidade onde estudava conhecia paulistas e curitibanas. A paulista me perguntou se eu era mesmo baiano, por ser “diferente”, ou seja, ser branco. A curitibana me indagou: “você é de onde em Curitiba?” sem sequer me conhecer. Quando respondi que era daqui mesmo, ela me perguntou se eu não tinha ascendência sulista. Pode? É muito clara a divisão que fazem de nosso país: o Sudeste/Sul branco e desenvolvido e o restante do país mestiço e pobre. Nada mais vil do que esse racismo regional, fruto da ignorância de alienados da história. Aliás, estudos genéticos têm comprovado que os “brancos” do Sudeste/Sul possuem, como a maioria da população brasileira, são genotipicamente mestiços. Inclusive em colônias alemãs de Blumenau, por ex., existe sim influência negra! Note-se que a grande mídia contribui muito para reforçar esse racismo bairrista. Tenho percebido isso claramente na Folha de S.Paulo, com um discurso supremacista em relação ao Norte (em geral) do país e matérias muito tendenciosas. O jornal da Cultura, a Globo, Record, a grande mídia infelizmente tem contribuído para isso. Mais lamentável ainda é ter de conviver com essa mitologia (sim, porque o discurso racista é mitológico) e, pior, isso só mostra alienação e sobretudo má-fé das elites das regiões supremacistas. O discurso deles é facilmente desmontável ou desconstruído por dados empíricos relativos à cultura e vida do povo brasileiro. Pena que o discurso racista e colonial ainda faça parte do imaginário dos povo colonizados. O racismo está em toda a parte. Aqui mesmo na Bahia as pessoas, mesmo as negras e pardas, consideram-se inferiores às brancas (diga-se uma pequena elite!). O contraditório também é que os “brancos” do Sul em geral são tratados com o mesmo preconceito que aqui praticam na Europa e nos EUA. De vez em quando assistimos relatos humlhantes de brasileiros dessa região. Acabam sofrendo com o mal que praticam…
    Abraço,
    Fábio.

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    • Fábio,
      Primeiramente obrigado pelo seu contato.
      O que você mostra através do seu relato é um retrato que, infelizmente, é bastante real.
      Ainda temos um caminho muito grande a percorrer para acabar com isso.
      Uma das formas é através da informação.
      Um abraço.
      Rostand

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  3. Olha eu não tenho nada contra o nordeste, seu povo … cidades essas coisas … porem só uma, lá é quente demais hauahahuhauhua, apesar que o pais todo é, mais aquela região é muito quente (repito) rs, fora isso é um lugar bonito sim, com pessoas capacitadas tanto quanto qqer região do pais

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  4. Aqui no Rio Grande do Sul há uma frase comparativa que diz: “Isto é pior que a filha casar com nordestino”. Encontrei essa frase no ano passado numa pesquisa sobre dialetos gaúchos .
    Na cidade de Rio Grande, precisamente ao redor do porto, moram trabalhadores nordestinos, e num passeio turístico enquanto o instrutor da viajem nos mostrava alojamentos e vilarejos alguém do ônibus solta: “Ah, mas nordestinos não tomam nem banho” e assim caiu na risada.
    Moro numa cidade pequena e confesso que presenciei este tipo de preconceito num centro maior, pois até então nunca imaginei que no RS houvesse este tipo de atitude, e estou falando isso dentro dos meus 30 anos de vida, e nunca vi nada parecido, inclusive aqui em minha cidade há nordestinos e também nunca vi nada considerado racismo/preconceituoso sobre os mesmos.
    Meu namorado é nordestino. De Alagoas. Em nenhum momento ele teve qualquer complicação nesse aspecto. Muito pelo contrário, ele é muito respeitado como qualquer pessoa deveria ser. Mas o detalhe que chama atenção: ele é branco, pálido.
    É óbvio que a gente cria uma figura representativa das regiões sob as pessoas. Uma amiga minha o perguntou se realmente ele era nordestino, pois ele não era moreno, bronzeado ou afins. Apenas branco, branquelo.
    Por que a pergunta da minha amiga? Fato que numa região onde o sol é escaldante e rodeado de praias a ideia que se tem é de uma pessoa morena, no mínimo queimada do sol. Não vi preconceito na pergunta dela. Apenas vi que quebrou uma expectativa que ela alimentava pelo o que o nordeste representa – muito sol e muita praia. E por ele ser branco também causa questionamentos dentro geografia nordestina a respeito da cor de sua pele. Até os nordestinos questionam sobre um nordestino branco.
    Eu particularmente não consigo imaginar um baiano que não tenha ginga na cintura, que não tenha um bom rebolado, pois a gente sente o quanto a dança está presente neste povo, da mesmo forma um baiano branco/branquelo de pele também por ter muito sol e praia. E no Amazonas só morar índios por estar no meio a floresta. Essas figuras não vejo como preconceito, pois não há uma desqualificação em relação a eles serem das regiões que são. Vejo aí uma expectativa.
    O preconceito vai além quando ha desqualificação por causa da figura representativa – “É baiano e não sabe fazer outra coisa a não ser rebolar”. Aí sim nós temos um sério problema a ser combatido e mostrar que pelo fato da pessoa ser de região A ou B não influencia em sua capacidade intelectual e suas condutas civis/sociais.
    Acredito que o preconceito, pelo menos aqui no RS, está presente nos grandes centros, mas em cidades pequenas acredito que a cultura do racismo e preconceito seja bem menor.

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    • Existem pensamentos assimilados pelos sudestinos e sulistas que os colocam aquém da superioridade a que se julgam.
      1) “São Paulo sustenta o Brasil”
      2) “Nordestino não traz nenhuma riqueza, só favela”.
      Basicamente estas duas. Sou de Salvador-BA, engenheiro eletricista, com pós graduação na Inglaterra e uma breve passagem por São Paulo – 3 dias para fazer um curso na ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Lá, eu engenheiro senior, participava mais que os outros, paulistas, do tema. O professor ficou irritado, gesticulava, quase me xingou…por causa da minha aparência morena. Eu era um sacrilégio. Um “crime religioso” no templo paulista.

      Entendo um pouco de economia. Li “Formação Econômica do Brasil” de Celso Furtado. Livro muito bom. QUE ACABEM AS INVERDADES AGORA que antes citei.

      Eu NUNCA vi um canal de TV passando “de volta para minha fábrica” só o “de volta para minha terra”. A “invasão” de produtos do sul/sudeste no nordeste é uma das causas da pobreza desta região. Ponto 1. Explica-se. Por que o Brasil tem barreiras alfandegárias? Por que existe protecionismo econômico e impostos sobre produtos importados? Resposta: Porque quem vende enriquece, e quem consome fica estagnado. A política macroeconomica nacional que causou a imigração nordestina desde a década de 70. Se produtos chineses entrassem livremente no Brasil, veriamos um monte de fabricas de São Paulo fecharem as portas. Imaginem que o Nordeste é um país. Produtos entram de navio e caminhões todos os dias. Como crescer uma indústria local?

      Outra coisa. O IED (Investimento Estrangeiro Direto) é uma afronta ao Nordeste. Tudo vai para o Sul e São Paulo. Exemplo: Scheider Electric. Fábrica alemã que produz produtos eletronicos para indústria. 5 fábricas no Brasil. 4 em São Paulo. E se fosse uma fábrica para cada região do país? Não teria menos imigração? O que acontece são as “externalidades positivas”. A fábrica se instala, vende para outro estado, cria 1000 emrpegos diretos, 5 mil indiretos, como contabilidade, escritorios de advocacia, etc…aí..o cara que faz as contas da empresa tem um emrpego e pode gastar grana no comércio de seu zé. Seu zé ganha mais e contrata mais um funcionário. Mal sabe ele que foi contratado por causa de uma fábrica instalada 1 ano antes.
      É assim que funciona.

      ODEIAM NORDESTINOS? POR QUE NÃO ODEIAM OS PRODUTOS QUE VENDEM PARA ELES? IMIGRAÇÃO ZERO VEM COM IMPORTAÇÃO ZERO.

      2) ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). É retido na fonte e é impsoto estadual. Um cara do Nordeste compra um carro de 30.000 reais. ICMS depende do estado, mas tá em torno de 8 a 11%. Digamos 10% SP cobra. Sabe oque acontece? A montadora estrangeira investe em SP, cira empregos para os paulistas e ainda por cima o nordestino que paga o carro de 30 mil tá imbutido aí o imposto ICMS de 10% – 3 mil reais – que sai DIRETO DO BOLSO DO NORDESTINO PARA O GOVERNO DE SÃO PAULO! É assim que funciona. POUCOS SABEM DISSO!!!!!!!! A Globo não mostra. Não passa no Fantástico. Sò comrpando carros fabricados no sul e sudeste, só UM PRODUTO, dá 20X o tal do bolsa família.
      NÃO HÁ MENÇÃO DO BOLSA CONSUMO!!!!!!!!!!!!

      Quem sustenta a riqueza de Bill Gates? milhões de pessoas do mundo que CONSOMEM seus produtos. Dizer que São Paulo “CARREGA O BRASIL NAS COSTAS” é contra a teoria econômica, pois é o estado que manda seus produtos do Iapoque ao Chuí…e são estas 5 mil cidades brasileiras, que, ao conjunto, fazem a riqueza de São Paulo.

      ESTE SISTEMA BRASILEIRO FOCADO, CENTRALIZADO EM UMA REGIÃO VEM DESDE OS ANOS 1930, POR BAIXO. E EXPLICA-SE A MIGRAÇÃO NORDESTINA NA DÉCADA DE 70, COMEÇANDO POR AÍ, PELO FAMOSO SISTEMA DESEQUILIBRADO. A “ÁGUA PELO LADRÃO”…TANTO ENCHE, ENCHE QUE UMA HORA TRANSBORDA…E TRANSBORDOU NA DÉCADA DE 70 E BOTAM TODAA CULPA NO NORDESTINO, PORQUE NÃO É “BONITO” COMO NOS FILMES DE HOLLYWOOD.

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      • Pow camarada vc tem que dar é uma palestra .Parabens mesmo vc pegou um machado e abriu minha cabeça , eu imaginava algo assim , todo esse preconceito vem muito alem da nossa imaginação . Eu moro no sul e sofro preconceito , Queria muito que o meu estado me desse emprego …O IED
        Parabens mesmo mano

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  5. sou cearense e sou branco e dai? tenho sotaque , falo ligeiro, abrevio palavras (ou simplesmente falo errado rsrsrs) mais ai os paulistelas fala que os nordestinos são feios ? ,ivete sangalo ,luiza tomé, maiane neiva, são feias? , não né ah mais uma coisinha paulistas cuidado ,minotauro e ninotouro são nordestinos (baianos) cuidado com a merda que voces andam falando muito nordestino tem talento e é bonito asim como a belissima atriz luiza tomé (cearense) esobre o sotaque são paulo é o unico lugar que chama carteira de motorista de carta de motorista, não da pra ver estrelas (por causa da poluição do ar) isso é igiene? , e sobre o nordeste ser favela aqui no nordeste é que tem cracolandia?, aqui não tem agua? quem foi que mando agua quando vocês estavam na merda por causa das enxentes? (nos cearenses mandamos agua minerel e alimentos) peço desculpas a todos os paulistas que não tem esse tipo de preconceito e os que tem se presisarem de agua de novo eu mando aqui tem agua e solidariedade de sobra. david bezerra, maracanaú-ce

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