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KHEVSURS – OS ÚLTIMOS CAVALEIROS CRUZADOS?

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Soldado Khevsur armado com broquel, espada e mosquete, vestindo sua cota de malha, 1877.

Seriam os Khevsurs do norte da Geórgia descendentes de cruzados que se estabeleceram nas montanhas do Cáucaso?

Fonte – www.historiamilitaronline.com.br

Os Khevsurs ou Khevsureti eram habitantes do Reino da Georgia, país que, apesar de possuir uma extensão diferente da que existe hoje, leva o mesmo nome e situa-se ao leste do cáucaso e ao sudoeste da Rússia.

Em 1915, um ano após o início da Primeira Guerra Mundial, os habitantes de Tblisi (capital da Georgia) acordaram para assistir a marcha de uma tropa de guerreiros montados descendo por suas ruas de paralelepípedo. Armados com cotas de malha enferrujadas, espada e broquel, carregando fuzis que eram praticamente artefatos de museu. Eles chamavam a si mesmos de Khevsoor. Sua missão: Após saberem que seu Czar estava em guerra, decidiram deixar suas espadas à disposição do imperador.

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Eles acreditavam ser os descendentes diretos de um grupo de cruzados que acabou indo parar no leste do cáucaso e nunca mais saiu de lá. As razões para este êxodo não estão claras até hoje, porém, também não está comprovado se é apenas uma lenda ou um engano histórico.

A pergunta que fica é, como ainda próximo ao Século XX, haviam partes do mundo onde soldados ainda utilizavam indumentária de combate medieval durante escaramuças que digam-se “modernas”?

A resposta é bem interessante. Quando Europa entrou no Séc. XX, ainda haviam pequenos vestígios de populações que ainda estavam virtualmente intocadas pelo avanço tecnológico/industrialização e da comunicação. Algumas destas sub-culturas isoladas ainda traziam traços de sistemas de combate que até mesmo os grandes niveladores culturais do século, Comunismo e Fascismo/Nazismo, levaram décadas para erradicar.

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Inúmeras tentativas de explicar o surgimento destes guerreiros provenientes de referências medievais europeias, inclusive em seus costumes, foram em vão. No entanto, traços do idioma francês e alemão foram encontrados em seu dialeto local, tal como os detalhes de sua indumentária que remontam armaduras de malha utilizadas pelos persas durante as cruzadas.

Com tantas variações ao tentar explicar como tudo isto ainda persiste numa região sem quaisquer tradições do gênero, talvez este fato ainda permaneça para sempre sem uma devida explicação.

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PAPA CANONIZA 30 BRASILEIROS; OS PRIMEIROS MÁRTIRES DO PAÍS

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Cerimônia de canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu no Vaticano – Fonte – (Foto: Michelle Rincon/Inter TV Cabugi)

Do UOL, em São Paulo – Material enviado pelo amigo Franklin Albagli

Maior país católico do mundo, o Brasil ganhou 30 novos santos na manhã deste domingo (15). Em uma cerimônia na praça São Pedro, no Vaticano, o papa Francisco canonizou os “mártires do Rio Grande do Norte”, grupo de fiéis católicos assassinados por holandeses calvinistas em 1645.   

Pronunciando a fórmula ritual da canonização, o pontífice declarou santos os sacerdotes diocesanos André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, o camponês Mateus Moreira e outros 27 leigos, incluindo quatro crianças. Eles são os primeiros mártires brasileiros santificados pela Igreja Católica. 

“Não se pode dizer ‘Senhor, Senhor’, sem viver e colocar em prática a vontade de Deus. Necessitamos nos revestir a cada dia com seu amor, de renovar a cada dia a escolha de Deus. Os santos canonizados hoje, sobretudo os tantos mártires, indicam esse caminho. Eles não disseram ‘sim’ ao amor apenas com palavras, mas com a vida, e até o fim”, ressaltou o papa na cerimônia de canonização.

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Fonte – https://joaobosco.wordpress.com/2007/09/22/onde-esta-a-verdade-sobre-o-masacre-de-cunhau/

Acompanhada por milhares de fiéis, a cerimônia começou com o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o cardeal Angelo Amato, que apresentou ao papa a petição de canonização dos “novos santos” e leu uma pequena biografia de cada um deles.

Na sequência, o papa pronunciou a fórmula em latim: “Após ter reflexionado largamente e invocado a ajuda divina, e escutando o parecer de muitos dos nossos irmãos bispos, declaramos santos os beatos (…) Os inscrevemos no Catálogo dos Santos, e estabelecemos que em toda a Igreja sejam devotamente honrados entre os santos.”

Ao final da canonização, as relíquias dos novos santos foram levadas altar.

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Localização aproximada, no mapa atual do Rio Grande do Norte, da maior parte das doações de terra por volta de 1614 – Fonte – http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-22012014000200105

 Massacres no Rio Grande do Norte  

A história dos massacres de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, só começou a ser divulgada no fim dos anos 1980, graças às pesquisas do monsenhor Francisco de Assis Pereira (1935-2011), que escreveu um livro sobre o tema, chamado “Beato Mateus Moreira e seus companheiros mártires”.   

Segundo o relato da Igreja Católica, invasores holandeses calvinistas assassinaram 69 pessoas que assistiam a uma missa celebrada pelo padre André de Soveral na cidade de Cunhaú (atual Canguaretama), em 15 de julho de 1645. 

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Foto – https://joaobosco.wordpress.com/2007/09/22/onde-esta-a-verdade-sobre-o-masacre-de-cunhau/

Menos de três meses depois, em 3 de outubro, outro grupo de católicos foi massacrado, em uma paróquia de Natal. De lá, o sacerdote Ambrósio Francisco Ferro foi levado para a cidade de Uruaçu (São Gonçalo do Amarante) e morto ao lado de outros 80 fiéis. 

De acordo com Pereira, todos foram assassinados porque os holandeses, que também recrutaram índios para realizar o massacre, não admitiam o catolicismo nas áreas sob sua dominação. Segundo seu relato, o camponês Mateus Moreira repetia a frase “Louvado seja o Santíssimo Sacramento” antes de ter seu coração arrancado.   

Algumas vítimas tiveram as línguas arrancadas para que não fizessem mais suas orações católicas. Outras tiveram braços e pernas decepados. Crianças foram partidas ao meio e degoladas.Calcula-se que cerca de 150 pessoas tenham morrido nos dois ataques, mas apenas 30 foram identificadas, beatificadas e canonizadas. Desse total, 28 eram brasileiras, uma era portuguesa, e outra, possivelmente francesa ou espanhola.

O processo de beatificação dos mártires foi aberto em 16 de junho de 1989 e concluído em 5 de março de 2000, em uma cerimônia celebrada pelo papa João Paulo 2º. Em geral, o rito de beatificação e canonização pede a comprovação de milagres, mas essa condição é dispensada em caso de martírio por motivos de ódio à fé católica.  

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A foz do Rio Grande em 1609 – Fonte – http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-22012014000200105

Os 30 brasileiros canonizados são: André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira, Antônio Vilela Cid, Antonio Vilela e sua filha (identificada apenas como uma criança do sexo feminino), Estêvão Machado de Miranda e duas filhas (também não identificadas), Manoel Rodrigues de Moura e sua esposa (não identificada), João Lostau Navarro, José do Porto, Francisco de Bastos, Diogo Pereira, Vicente de Souza Pereira, Francisco Mendes Pereira, João da Silveira, Simão Correia, João Martins e seus sete companheiros (identificados apenas como um grupo de jovens que se recusaram a lutar pela Holanda contra Portugal), a filha de Francisco Dias – que não está entre as vítimas, mas é provável que ele tenha morrido junto à pequena -, Antônio Baracho e Domingos de Carvalho.

Outros santos  

O papa Francisco também proclamou santos os três “meninos Mártires de Tlaxcala (México)”, assassinados entre 1527 e 1529, bem como o sacerdote espanhol Faustino Míguez (1831-1925), fundador do Instituto Calasancio Filhas da Divina Pastora, e do capuchinho italiano Angelo da Acri (1669-1739).   

Os novos santos mexicanos Cristóbal, Antonio e Juan, meninos indígenas assassinados por sua fé entre 1527 e 1529, haviam recebido uma formação com os primeiros missionários franciscanos procedentes da Espanha.

Aos 13 anos, o jovem Cristóbal tentou converter o pai, que o matou a pauladas quando retornava da escola franciscana. Antonio e Juan aceitaram acompanhar como intérpretes em 1529 missionários dominicanos à região de Oaxaca, sul do México. Os dois jovens foram assassinados por índios quando ajudavam os missionários a destruir representações de ídolos dos indígenas.

Já Faustino Miguez, nascido na Galícia, noroeste da Espanha, dedicou sua vida ao ensino. O italiano Antonio Falcone foi um padre itinerante que percorreu o sul da Itália. Foi beatificado em 1825. (*Com informações de agências de notícias).

O EMPREENDEDOR NEVALDO ROCHA – DO SERTÃO POTIGUAR PARA A REVISTA FORBES

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Nevaldo e seu filho Flávio Rocha – Fonte – agorarn.com.br

Rostand Medeiros – Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Nascido no sertão, na cidade de Caraúbas, no Rio Grande do Norte, mais precisamente em uma casa do Sítio São Mateus, Nevaldo Rocha de Oliveira é descendente direto de famílias de antigos colonizadores do interior potiguar.

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Casa do Sítio São Mateus, em Caraúbas, Rio Grande do Norte, onde nasceu Nevaldo Rocha – Foto – Rostand Medeiros

Entre seus antepassados está Bento Antônio de Oliveira, comerciante, proprietário de terras e gado, homem de muito prestígio em sua região. Foi juiz de paz de Caraúbas em 1880, era irmão de Francisco Gurgel de Oliveira, que chegou a 3° Vice-presidente da província potiguar nessa época. Bento Antônio faleceu em março de 1888.

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Notícia sobre a morte de Bento Antônio de Oliveira.

Dos seus vinte filhos um dos que mais se destacou na atividade comercial foi Antônio Bento Fernandes de Oliveira, que também exerceu funções públicas. Em 1899 ele foi juiz distrital em Caraúbas, fez parte da Intendência da cidade em 1906 e, aparentemente, vemos seu nome como Presidente desta Intendência em 1913, o que equivalia atualmente ao cargo de Prefeito Municipal. Mas Antônio Bento se destacou mesmo foi no comércio, onde sua loja era destaque na região e já trabalhava com “fazendas”, ou tecidos, no início do Século XX. Antônio Bento tocava esse comércio junto com seus irmãos, conforme podemos ver na nota abaixo de 1905.

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Trazendo no sangue essa herança, Nevaldo Rocha nasceu em um meio onde a religiosidade e o trabalho eram valorizados desde muito cedo. Como muitas crianças nascidas na primeira metade do Século XX em alguma cidade pequena do interior potiguar, ele frequentou desde cedo a igreja local, dedicada a São Sebastião, onde foi coroinha, e ainda integrou o antigo 22º Grupo de Escoteiros Pedro Maia Filho.

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Igreja de São Sebastião, em Caraúbas, década de 1950.

Mas a acolhedora Caraúbas era pequena para seus sonhos. Abandonou a escola aos 12 anos, partindo para Natal em um caminhão, com sonhos de uma vida diferente na bagagem. Saído de uma das regiões mais castigadas pela seca e pela fome no país, pode-se dizer que Rocha tinha um futuro um tanto quanto incerto pela frente.

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A grande base de Parnamirim Field durante a Segunda Guerra Mundial. Neste local trabalhou Nevaldo Rocha.

Na capital potiguar começou a trabalhar em uma famosa relojoaria, cujo proprietário era um judeu, membro de uma tradicional comunidade judaica radicada há décadas em Natal. Naquela época a cidade era considerada um ponto estratégico para a aviação norte-americana e importante eixo aéreo do esforço dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. E foi na Base de Parnamirim onde os aviadores se reuniam que Nevaldo viu a oportunidade de melhora das vendas. Seu tino empreendedor o fez oferecer os relógios para os americanos e militares brasileiros que passavam pelo local. Em pouco tempo, destacou-se como vendedor e acabou, no fim das contas, comprando a loja do seu antigo patrão.

O Início

Segundo o Site Asaas ( www.asaas.com), no final da década de 1940, em sociedade com o irmão, Newton Rocha, Nevaldo abriu sua primeira loja de roupas, que recebeu o nome de A Capital e ficava no bairro da Ribeira. O empreendimento foi instalado na cidade por ele escolhida como ponto de partida para uma carreira de sucesso: Natal. Vale ressaltar que no ano de 1951 Nevaldo Rocha viajou para os Estados Unidos e conheceu muito da forma de comercialização e de sua estrutura de produção. Certamente o fruto maior desta viagem foi o aprendizado.  

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Jornal natalense A ORDEM, edição de 27 de setembro de 1951, Pág. 2.

Depois de quatro anos de investimentos na empresa, decidiram construir uma confecção no ano de 1956 em Recife, no Estado de Pernambuco. Tal como ocorreu com seus antepassados, Nevaldo e Newton chamaram para trabalhar na empresa seus irmãos contando também com a participação dos irmãos Nelson e Nilton Rocha. Juntos abriram mais quatro pontos de venda para distribuir e comercializar as peças da confecção própria. E tudo isso foi feito em uma época em que os investimentos na indústria têxtil no país ainda eram extremamente tímidos. Mais uma vez o instinto empreendedor falou mais alto.

Dois anos depois a matriz foi transferida para Natal.

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Propaganda de 1960 das Lojas Seta, um dos empreendimentos de Nevaldo Rocha.

Vinte e nove anos depois, Nevaldo compra as lojas Riachuelo e Wolens, expandindo, assim, os negócios da família e investindo em uma novidade para ele, o ramo de varejo.

Como uma das principais características do empresário é a inquietação, ele também investiu — no mesmo ano — na sede da Guararapes Têxtil, com uma área de construção de 40 mil metros quadrados.

Em 1979, o Grupo Guararapes adquiriu as cadeias de lojas Riachuelo e Wolens, expandindo sua atuação para o varejo têxtil. Idealizada por Flávio Rocha, em 1982, a marca Pool foi lançada. A grife, ícone de moda nos anos 80, foi a principal patrocinadora do piloto Ayrton Senna no início de sua carreira. Atualmente, o Grupo Guararapes possui cerca de 40 mil colaboradores. Representa a maior confecção de vestuário da América Latina, investindo em pesquisa, criação, desenvolvimento e no processo de distribuição – com uma produção de quase 200 mil peças ao dia, totalmente comercializadas pela Riachuelo. 

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Nevaldo Rocha em 1971.

Pouco tempo depois, a rede também ampliou os negócios para outros setores da economia, garantindo bons rendimentos com seus cartões de crédito, com sua transportadora, seus shoppings centers e suas lojas próprias. O patrimônio e as responsabilidades só crescendo.

Além da Riachuelo, o grupo é proprietário do Shopping Midway em Natal (RN), da Midway Financeira, da Transportadora Casa Verde e de três Centros de Distribuição localizados em pontos estratégicos (em Guarulhos, SP; Natal, RN; e Manaus, AM). O Grupo Guararapes aposta também na cultura, com os Teatros Riachuelo no Rio de Janeiro (RJ) e o Teatro Riachuelo em Natal (RN). 

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A Guararapes no início da década de 1970, quando então trabalhavam cerca de 2.000 no grupo.

O grupo Guararapes se tornou um dos grupos que mais movimentam a economia do país, sendo que as lojas Riachuelo representam 75% do faturamento total da rede. São abertas, em média, 30 novas lojas Riachuelo por ano em diferentes Estados e cidades do país.

Muito Trabalho

Nevaldo Rocha nunca foi adepto às entrevistas, prefere colocar a mão na massa a falar sobre o trabalho. É considerado um grande estrategista, e essa característica ficou ainda mais evidente quando pediu uma trégua aos credores e deu à rede mais independência.

Desde 1986, ele conta com o apoio do filho na administração dos negócios. Os dois, juntos, fizeram da Riachuelo uma das lojas de moda mais democráticas do país, abordando todos os estilos e atraindo milhares de consumidores por ano.

A trajetória de Rocha é digna de aplausos e admiração. Foi resistente e não se rendeu às dificuldades que bateram à sua porta quando ainda era apenas uma criança. Aprendeu, na marra preciosas estratégias de marketing e de vendas. E o segredo? A persistência que o fez nunca desistir de um sonho: o de crescer.

Em 2011 os primeiros netos do fundador da rede Riachuelo começam a assumir cargos na administração do Grupo Guararapes, controlador da terceira maior cadeia de lojas de vestuário do País e a maior empresa confecção da América Latina.

Na edição de setembro de 2012 da revista Forbes, o grupo Guararapes foi avaliado em 4,6 bilhões de reais.

Fontes: 

http://economia.ig.com.br/empresas/comercioservicos/netos-do-fundador-da-riachuelo-chegam-a-gestao-do-grupo/n1597322227290.html

http://www.thaisagalvao.com.br/2013/10/24/prefeito-e-comitiva-de-caraubas-visitam-o-empresario-nevaldo-rocha-filho-ilustre-da-cidade/

https://www.asaas.com/blog/perfil-empreendedor-nevaldo-rocha-das-lojas-riachuelo/

https://www.riachuelo.com.br/a-empresa/grupo-guararapes

UMA ÓTIMA NOTÍCIA – FOI LANÇADO UM LIVRO SOBRE A HISTÓRIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL EM FORTALEZA

Livro

Foi lançado no dia 17 de agosto, às 19h, no Salão Nobre do Ideal Clube, em Fortaleza, Ceará, o livro ‘Salto sobre o Lago’, do arquiteto e urbanista cearense José Henrique de Almeida Braga.

A publicação aborda o período da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) na capital cearense, enfocando os antecedentes, fatos, personagens, lugares, as unidades militares, os Soldados da Borracha e o dia-a-dia da cidade e das pessoas nesse período.

Considero esta uma ótima notícia para conhecer os aspectos envolvendo o período da Segunda Guerra Mundial na capital cearense e, por tabela, ampliar o conhecimento sobre este conturbado período histórico na Região Nordeste. 

É fruto de uma pesquisa extensa, que exigiu muito do autor Henrique Braga, mas com um positivo e interessante resultado para aqueles que desejam conhecer mais sobre o tema. Além de tudo é uma ótima notícia para todos que desejam conhecer mais da participação do Nordeste do Brasil na Segunda Guerra Mundial. 

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Foto do dia 28 de dezembro de 1943, onde vemos membros da US Navy preparando cargas de profundidade em Pici Field, Fortaleza. Ao fundo um bimotor de patrulha PV1.

Salto sobre o Lago 

Considerada uma obra referencial para os pesquisadores que queiram conhecer mais profundamente sobre o panorama da Segunda Guerra Mundial em Fortaleza, o livro Salto sobre o Lago é resultado de pesquisas em bibliotecas, hemerotecas, depoimentos, arquivos físicos e virtuais, e outros recursos disponíveis na internet. As pesquisas trouxeram à tona, informações muito interessantes que foram verificadas em outras fontes, e contribuíram em muito para elucidar e complementar muitos fatos.

Fruto de um mapeamento, identificação e análise de registros, o livro assinala o período de 1942, quando o Brasil declara guerra à Alemanha, Itália e Japão, aliando-se aos Estados Unidos da América e a outros países na Segunda Guerra Mundial.

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A participação no conflito exigiu do País várias condições impostas por um Acordo de Cooperação Militar com os Estados Unidos, que trazia a modernização das Forças Armadas brasileiras e a permissão para a construção e o uso de bases aéreas para os Estados Unidos no Norte e Nordeste do Brasil.

Nesse cenário, a guerra e a presença dos militares estrangeiros na pacata Fortaleza trouxeram rápidas mudanças socioculturais para a cidade e seus habitantes, com a adoção de novos hábitos e comportamentos. Unidades militares foram criadas ou ampliadas, a atividade comercial foi parcialmente adaptada para o esforço de guerra, e a presença de militares, artistas e autoridades brasileiras e estrangeiras tornava a cidade mais internacional, mais cosmopolita. Há ainda a inesquecível e valorosa contribuição dos cearenses que participaram dos combates ao inimigo em solo italiano, nas praias e águas territoriais pátrios, alguns tombando e outros se ferindo nos campos de batalha.

O autor

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Henrique Braga autografando seu trabalho.

José Henrique de Almeida Braga é arquiteto e urbanista formado pela Universidade Federal do Ceará e pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas, em Gestão Estratégica da Tecnologia da Informação. Atuou profissionalmente como arquiteto no governo do Estado do Ceará, e como profissional liberal. Atualmente exerce atividades profissionais na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Recebeu o título de Amigo do Instituto do Ceará – Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará, e foi agraciado com a Medalha Amigo da Marinha.

Para comprar este livro entre em contato com o autor através do e-mail – jhenrique.braga@gmail.com

Ou através do website da Editora Premius – www.premius.com.br

Em Fortaleza, o livro também pode ser adquirido de forma presencial na Editora Premius, à rua Manoelito Moreira nº 55, bairro Benfica. Fone (85) 3214-8181.
A editora disponibilizou o livro para a venda na Livraria Leitura no Shopping Del Paseo e Shopping Rio Mar.

JAPÃO, 23 DE SETEMBRO DE 1543: ORIENTE ENCONTRA OCIDENTE

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A chegada dos portugueses ao Japão – Fonte – http://www.vortexmag.net/a-influencia-portuguesa-na-cultura-do-japao/

Como três marinheiros portugueses mudaram a história do país para sempre

AUTOR – Fabio Marton – FONTE – http://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/japao-23-de-setembro-de-1543-oriente-encontra-ocidente.phtml#.WcqQQciGPIV

Em 23 de setembro de 1543, após um dia de tempestades, uma multidão acordou Nishimura Oribenojo, chefe de uma aldeia na ilha de Tanegashima, extremo sul do Japão. Havia uma aparição na praia. Homens de cara peluda, nariz comprido, olhos esquisitos e cabelos sujos, marrons e enrolados. Usavam chapéus enormes, calças bufantes e jaquetas pretas. Calçavam sapatos fechados até a canela. Com os estrangeiros estranhos, havia muitos chineses, que os japoneses conheciam bem, e o chefe se dirigiu a um deles. De acordo com o livro Teppoki (algo como “A História das Armas de Fogo”), do japonês Nanpo Bunshi, travaram o seguinte diálogo:

– Não sabemos de onde vieram. Parecem esquisitos, não?

– São comerciantes dos bárbaros do sul. Quando bebem não usam copos e, quando comem, usam os dedos, e não palitos, como nós. Eles demonstram seus sentimentos sem nenhum autocontrole e não conhecem a escrita ou o uso dela. Esses comerciantes têm o hábito de viajar de lugar em lugar, trocando as coisas que têm pelas que não têm. Eles não são realmente estranhos. E, aliás, são bastante inofensivos.

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Uma carraca portuguesa em Nagasaki, século XVII.

O chinês acertou no fato de os europeus comerem com a mão – na época, talheres eram uma novidade. E, ainda hoje, os japoneses são notavelmente contidos. Possivelmente os estranhos, marinheiros portugueses, eram analfabetos também na sua própria língua. Mas, definitivamente, sabiam usar copos – e, a história mostraria, não eram inofensivos.

O comércio nanban

Os portugueses se chamavam Francisco Zeimoto, Antônio Peixoto e Antônio da Mota. Bárbaros do sul – em japonês, nanban – é como os ocidentais ficariam conhecidos a partir daí. O comércio português seria chamado de “comércio nanban”. O nome foi dado pelos chineses porque os portugueses sempre chegavam pelo sul – e porque, para eles, não passavam de um bando de bárbaros irritantes e sujos. Os três bárbaros haviam pegado carona em um junco chinês em Malaca (Malásia), cidade conquistada por Portugal em 1511. Queriam conhecer “Cipangu”, terra lendária descrita por Marco Polo – que nunca foi ao Japão.

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Navio mercante japonês de influência ocidental, shuinsen (literalmente “navio de selo vermelho”) de 1634 do Xogunato Tokugawa, Museu de Ciência Naval de Tóquio.

Os estrangeiros foram levados ao daymio, o senhor feudal da ilha, Tanegashima Tokitaka. Tokitaka mostrou-se curioso, mas especialmente por um item – as armas que os portugueses traziam consigo. A pedido do daymio, os portugueses dispararam contra alvos usados para treinar arqueiros. “O respeito pelos portugueses deve ter aumentado nesse momento. De bárbaros do sul, eles subitamente se tornaram portadores de uma nova mágica”, escreve o historiador dinamarquês Olof G. Lindin em Tanegashima: The Arrival of Europe in Japan (Tanegashima: A Chegada da Europa ao Japão). Tokitaka tomou medidas imediatas – pediu que o ensinassem a atirar e comprou as armas por 2 mil ryos (moedas de ouro de 16,5 g). Fazia sentido. O Japão estava em guerra civil, sem poder central, desde 1467. O imperador era uma peça decorativa. O xogum, o daymio com maior poder militar, que fazia as vezes de ditador, não tinha o controle de todo o país. Nesse cenário, os portugueses deram suas aulas de tiro e foram embora da ilha carregando seu pagamento. Mas por causa deles, uma nova era estava começando no Japão.

O interesse

Oficialmente, a primeira nau portuguesa chegou em 1550. O próprio navio, com mais de mil toneladas, causou um segundo choque nos japoneses e, como as armas de fogo, acabaria copiado e produzido em massa. No plano comercial português, o Japão tinha uma função secundária em relação a Índia e China. Da Índia, eles compravam especiarias, e da China, seda e porcelana. Ambas iam parar na Europa. No Japão, vendiam um pouco de tudo – vinho, azeite, arcabuzes, canhões, salitre, óculos, lunetas e sabão. De volta, levavam prata e cobre, com que pagavam os produtos indianos e chineses. Apenas algumas peças de artesanato, presentes de luxo, chegavam à Europa.

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Fonte – https://aopedaraia.blogspot.com.br/2012/12/portugueses-no-japao-no-seculo-xvi.html
Os portugueses manteriam o monopólio do comércio com os japoneses até 1592, quando os próprios japoneses começam a mandar seus navios para a China – os navios do selo vermelho (shuinsen), caravelas feitas com a ajuda dos portugueses. Se os japoneses achavam os ocidentais um bando de bufões, os ocidentais adoraram os japoneses. De acordo com a historiadora Renata Cabral Barnabé, da USP, “a visão foi das melhores, principalmente entre os padres. São Francisco Xavier chegou a dizer que os japoneses eram os melhores dentre os povos já conhecidos fora da Europa. Alexandre Valignano, jesuíta das Índias Orientais, afirma serem eles comparáveis aos europeus e em certos pontos até melhores”.

Falando em padres, os japoneses acabaram por importar outra especialidade ocidental: o cristianismo. Em 15 de agosto de 1549, o jesuíta Francisco Xavier, a bordo de um junco chinês, desembarcou em Tanegashima. Após visitar diversos daimyos e se desentender com monges budistas, São Francisco (canonizado em 1622) tentou falar com o imperador Ogimachi. Para isso, percorreu metade do país a pé, descalço e no inverno, acompanhado de outro padre e de um japonês convertido, que servia de intérprete. Seu plano era encher o monarca de presentes e, se o Todo Poderoso permitisse, quem sabe convertê-lo. Mas, após a épica jornada, acabou barrado na porta. Frustrado, decidiu gastar seus presentes com daimyos mais receptivos e conseguiu fundar missões em Bungo, Yamaguchi e Hirado (atual Nagasaki). Em dezembro de 1551, deixou o Japão, prometendo voltar, só que morreu numa colônia portuguesa em dezembro de 1552. Mas a missão de Francisco Xavier deu frutos.

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Portugueses no Japão – Fonte – https://aopedaraia.blogspot.com.br/2012/12/portugueses-no-japao-no-seculo-xvi.html
Em 1563, Omura Sumitada, que havia oferecido aos portugueses o porto de Nagasaki dois anos antes, tornou-se o primeiro daimyo a se converter. E forçou todos os seus cortesões a virar cristãos e começou a queimar templos e relíquias budistas. A partir de então, ordens conflitantes começaram a partir de Kyoto, a capital imperial. Em 1559, o xogum Ashikaga Yoshiteru deu autorização para a pregação do cristianismo. Seis anos depois, o imperador Ogimachi emitiu uma ordem banindo a religião na capital. Mas nem o xogum nem o imperador tinham tanto poder quanto os daimyos em suas comunidades. Eles é que permitiam ou proibiam a religião de acordo com suas conveniências. Assim, os europeus e suas armas tornaram-se aliados (ou inimigos) importantes para os senhores feudais.

Para um deles, essa relação foi particularmente estratégica. Extrovertido, pouco afeito a cerimônias, Oda Nobunaga era esquisitão para os padrões japoneses. E essa sua “esquisitice” foi seu maior trunfo. Os samurais tinham o respeito e a fama, mas o grosso das tropas era formado por ashigaru, soldados pagos da classe trabalhadora. Até Nobunaga, os ashigaru eram vítimas fáceis dos samurais. Ele treinou seus ashigaru a lutarem de forma semelhante aos lanceiros da Europa. Mais importante, os equipou com arcabuzes, que então já eram produzidos no Japão. Em 1573, na batalha de Mikatagahara, a cavalaria mais temida do Japão, do daimyo Takeda Shingen, foi destruída pelos camponeses de Nobunaga. No mesmo ano, suas tropas e as de seu servo Toyotomi Hideyoshi conquistaram Kyoto, dando fim ao xogunato Ashikaga. Nenhum dos dois se tornou xogum: o título coube a um protegido de Nobunaga, Tokugawa Ieyasu, que acabou com os últimos focos de resistência na Batalha de Sekigahara (1600).

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Um antigo biombo, do Museu nacional de arte antiga, mostra aspectos do contato entre japoneses e portugueses – Fonte – https://aopedaraia.blogspot.com.br/2012/12/portugueses-no-japao-no-seculo-xvi.html
Seita perigosa

Ironicamente, o novo xogunato, permitido pelas armas europeias, foi a sentença de morte das relações amistosas com o Ocidente. Hideyoshi considerava os cristãos uma seita perigosa e proibiu missionários em 1587, sem muito efeito. Em 1596, o galeão espanhol San Felipe naufragou em Tosa com vários missionários. Um deles, mais linguarudo, afirmou que a conversão era o primeiro passo para a conquista do Japão. Hideyoshi conhecia a história recente da Espanha nas Américas e nas Filipinas. O resultado foram os “26 mártires do Japão”, 6 europeus e 20 japoneses cristãos crucificados em Nagasaki, a cidade mais cristã do país.

Tokugawa Ieyasu tentou manter uma política de “Europa sem cristianismo” e viu uma chance no comércio com protestantes, mais pragmáticos: focados no comércio e menos interessados em pregar. Em 1600, o inglês William Adams (1564-1620) aportou no Japão e se tornou uma figura importantíssima para o xogum – ajudou Ieyasu a construir caravelas e organizar suas tropas -, a ponto de ser proibido de deixar o país e ser declarado samurai, o único caso na História de um samurai estrangeiro.

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Gravura mostrando portugueses ensinando aos japoneses a utilizarem armas de fogo.

Os sucessores de Ieyasu foram progressivamente mais duros com os cristãos, vistos como desagregadores da unidade nacional. Em 1635, o Japão fechou os portos para os estrangeiros, com exceção de Nagasaki, aberto a um comércio limitado com os holandeses, e passou a oferecer recompensas a quem denunciasse cristãos. Era o início do isolamento do país, o sakoku, que duraria até 1853. Em 1853, uma carta e um canhonaço de um navio americano abriram o país na marra. 

Voz ocidental: O comércio nanban deixou sua marca no vocabulário japonês

➽Boru: de “bolo”, tipo de doce
➽Furasuko: frasco
➽Konpeito: de “confeito”, outro tipo de doce
➽Oranda: Holanda
➽Shabon: sabão
➽Tabako: tabaco
➽Tempurá: de “tempero” (os portugueses introduziram a fritura em imersão no Japão)

O MITO SOBRE A ORIGEM DE SOBRENOMES DE JUDEUS CONVERTIDOS

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No desenho ‘Caminhada dos prisioneiros para o auto de fé’, de A. Shoonebeck, um retrato da perseguição aos judeus – Reprodução

Nomes de plantas e árvores, como Pinheiro e Carvalho, não pertenceram só a cristãos-novos

POR DANIELA KRESCH, ESPECIAL PARA O GLOBO

Na Bahia do século XVII, o professor de um colégio jesuíta perguntou o sobrenome de um de seus alunos. A resposta foi inusitada: “Qual deles, o de dentro ou o de fora”? A história, contada pela historiadora da USP Anita Novinsky em sua dissertação “O mito dos sobrenomes marranos”, exemplifica o dilema dos cristãos-novos brasileiros, nos primeiros séculos do país. Expor ou não o sobrenome da família fora de casa, sob risco de ser identificado pela Inquisição e acusado do crime inafiançável de “judaísmo”? O temor e a delicadeza do tema fizeram com que a genealogia dos descendentes de judeus portugueses no Brasil fosse envolta, por séculos, numa bruma de mitos e ignorância. Nos últimos anos, no entanto, pesquisadores têm revelado surpresas sobre os sobrenomes marranos no Brasil.

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Fonte – http://blogs.yahoo.co.jp/

No final do século XV, os judeus compunham entre 10% e 15% da população de Portugal — somando os cerca de 50 mil locais e os quase 120 mil que cruzaram a fronteira em 1492, quando os Reis Católicos Fernando e Isabela expulsaram toda a população judaica da Espanha. Nos primeiros dois séculos depois do Descobrimento, o Brasil recebeu boa parte dessa população, os chamados cristãos-novos (ou “marranos”, pelo apelido pejorativo da época), convertidos ao cristianismo à força, por decreto de Dom Manuel I, em 1497. Historiadores concordam que um em cada três portugueses que imigraram para a colônia era cristão-novo.

Até recentemente, acreditava-se que esses judeus conversos abandonaram seus sobrenomes “infiéis” para adotar novos “inventados” baseados exclusivamente em nomes de plantas, árvores, frutas, animais e acidentes geográficos. Assim, seria fácil. Todos os portugueses com os sobrenomes Pinheiro, Carvalho, Pereira, Raposo, Serra, Monte ou Rios, entre outros, que imigraram para o Brasil após 1500 devem ter sido marranos, certo? Errado.

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Soldados romanos carregando os despojos das guerras judaicas. A destruição de Jerusalém aconteceu em 70 D.C., quando as legiões romanas saquearam Jerusalém e retornaram a Roma com os despojos, daquela que era considerada a cidade mais rica no Império Romano – Fonte – http://www.bible-history.com/archaeology/rome/arch-titus-menorah-1.html.

— Em minhas investigações, não encontrei prova documental de que nomes de árvores, animais, plantas ou acidentes geográficos tenham pertencido apenas ou quase sempre a marranos — afirma Anita Novisnky, uma das maiores autoridades no assunto.

O que causa confusão, segundo Novinsky, é o fato de que os sobrenomes adotados pelos cristãos-novos eram os mesmos usados por cristãos-velhos, alguns por nostalgia, outros por medo de perseguições. Afinal, no Brasil, os marranos foram perseguidos por 285 anos pela Inquisição portuguesa. Quem demonstrasse apego à antiga religião poderia ser condenado à morte na fogueira dos “autos de fé”, as cerimônias de penitência aos infiéis.

Como identificar, então, quem era marrano? A mais importante pista está justamente nos arquivos da Inquisição. Aproximadamente 40 mil julgamentos resistiram ao tempo, 95% deles referentes a crimes de judaísmo. Anita Novinsky encontrou exatos 1.819 sobrenomes de cristãos-novos detidos, só no século XVIII, no chamado “Livro dos Culpados”. Os sobrenomes mais comuns dos detidos eram Rodrigues (citado 137 vezes), Nunes (120), Henriques (68), Mendes (66), Correia (51), Lopes (51), Costa, (49), Cardoso (48), Silva (47) e Fonseca (33).

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Primeira sinagoga das Américas, em Recife – Fonte – http://culturahebraica.blogspot.com.br/2013/01/amazonia-terra-prometida-historia-dos.html

— A Inquisição anotava todos os nomes dos detidos cuidadosamente, como se fosse a Gestapo nazista e mantinha uma relação de bens de cristãos-novos para confiscar — diz Anita.

Isso não quer dizer, no entanto, que todas as famílias com esses sobrenomes eram marranas. Nas investigações, sob tortura, os detidos diziam tudo o que os inquisidores queriam ouvir, acusando vizinhos, empregados e parentes “inocentes”. Fora isso, os sobrenomes eram realmente comuns.

— Não havia nenhum sobrenome exclusivo de cristãos-novos. Até porque eles mudavam sempre que podiam, além de adotarem nomes compostos. Muitos irmãos e esposos adotavam até mesmo sobrenomes diferentes, só para confundir — explica o historiador israelense Avi Gross.

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Judaísmo no Âmbito Familiar. Nem assim havia total segurança – Fonte – http://www.coisasjudaicas.com/2011/11/cripto-judaismo.html

O historiador paulistano Paulo Valadares, autor do “Dicionário Sefaradi de Sobrenomes”, no qual destaca 14 mil sobrenomes oriundos de judeus da Península Ibérica, aponta para mais uma complicação: o da mestiçagem brasileira. A grande maioria dos cristãos-novos se misturou depois de uma ou duas gerações com outras culturas e raças.

— Poucos conseguiram manter as tradições judaicas por muito tempo. Algumas famílias tentaram, se isolando em algumas áreas do país, principalmente no Sertão nordestino, e praticando a endogamia (casamentos dentro da família).

Para os aficionados em genealogia, um novo site na internet, o “Name your roots” (que tem versão em português), pode ajudar a descobrir as raízes. No portal, criado há três meses por dois religiosos israelenses, é possível obter explicações e bibliografia gratuitamente sobre sobrenomes marranos comuns no Brasil.

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Rua dos Judeus e seu mercado de escravos. Quadro Rua dos Judeus – Slavenmarkt, de Zacharias Wagener – 1641 – Fonte – http://bairrodorecife.blogspot.com.br/2014/02/a-rua-do-bode-dos-judeus-da-cruz-e-do.html

Mas Paulo Valadares alerta que é preciso ir além: identificar se há antepassados portugueses que chegaram ao Brasil nos séculos XVI ou XVII ou se foram citados nos anais da Inquisição até o século XVIII, se a família se estabeleceu em alguma região específica e se guarda tradições “estranhas”. O documentário “A estrela oculta do Sertão”, de Elaine Eiger e Luize Valente, traz exemplos de algumas dessas tradições, que ainda sobrevivem no Nordeste: olhar a primeira estrela no céu, não comer certos alimentos como carne de porco, não misturar carne com leite, vestir a melhor roupa na sexta-feira, enterrar corpos em “terra limpa” (envolto apenas numa mortalha), rezar numa língua estranha e colocar pedras em túmulos.

— Depois de conviver com comunidades do interior do país, percebi como os descendentes de marranos praticam tradições judaicas no dia a dia — conta Luize , que lança, em agosto, o romance “O segredo do oratório” (Record), contando a saga de uma família de cristãos-novos no Brasil.

O médico paraibano Luciano Canuto de Oliveira, que voltou ao judaísmo depois de descobrir suas origens marranas, define sua identidade de modo parecido com a resposta do aluno do colégio jesuíta, há quatro séculos: “Ser marrano é ser judeu por dentro e católico por fora”.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/o-mito-sobre-origem-de-sobrenomes-de-judeus-convertidos-5227424#ixzz4tQKxtvVB


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NATAL E O FANTASMA DE SAINT-EXUPÉRY

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Comandante Antoine de Saint-Exupéry durante ba Segunda Guerra Mundial – Foto -John Phillips

Muitas pessoas escreveram e testemunharam a passagem de Saint-Exupéry por Natal, enquanto ele estava na Argentina.

AUTOR – Patrick de Bure

Antoine de Saint-Exupéry deixou a cidade francesa de Bordéus em 9 de setembro de 1929, no navio de carga e passageiros S. S. Massilia, da companhia de navegação Chargeurs Réunis, chegando a Buenos Aires em 12 de outubro, após dezoito dias de cruzando o Atlântico.

Ele retornará à França em 1 de fevereiro de 1931 no navio de passageiros S. S. Alsina e nunca mais retornará à América do Sul.

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S. S. Alsina – Fonte – https://www.marine-marchande.net/Perchoc/Perchoc-02/02-Perchoc.htm

No final ele permanecerá no escritório da Aéropostale na Argentina apenas 15 meses. Uma breve estada na América do Sul.

Entretanto várias pessoas da cidade brasileira de Natal, no extremo nordeste do Brasil e um local de muita importância na História da aviação da América do Sul, testemunharam a sua visita a esta bela cidade.

Os escritores locais Pery Lamartine de Faria (1995, p.65) e Nilo Pereira (que escreveu o artigo “Saint-Exupéry em Natal”, Tribuna do Norte, Domingo 14/04/1985) citaram artigos sobre o assunto anteriormente publicados em Natal e informaram sobre relatos de testemunhas oculares que indicaram a presença de Exupéry na cidade.

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1930: Saint Exupéry no serviço de correio argentino – Fonte – https://www.quora.com/The-Little-Prince-book-What-is-the-story-of-Antoine-de-Saint-Exup%C3%A9ry

De acordo com Pery Lamartine o que dificultava a pesquisa estava no fato de que na década de 1920 os pilotos franceses e brasileiros não registraram seus voos. Ainda segundo o escritor Pery, no antigo aeródromo de Parnamirim, que pertencia a Aéropostale, não se deixou nenhum documento sobre os desembarques de aeronaves neste local.

Saint-Exupéry fala sobre a árvore africana baobá em seu livro “O Pequeno Príncipe”, livro que todos deveriam ler. A obra contém uma parábola que diz exatamente “vamos livrar-nos das ervas daninhas antes de se tornarem baobás que poderiam explodir o planeta”.

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Detalhe da capa do livro J’ai vécu l’épopée de l’aéropostale, de Marcel Moré.

Existe um grande baobá plantado desde 1877 na cidade de Nísia Floresta, próximo a Natal. Mas esta não é a fonte de inspiração do escritor. Quando ele estava voando sobre as paisagens do norte da África, ele viu milhares deles. É uma pena que ele não tenha evocado a beleza de sua flor.

Saint-Exupéry nunca esteve em Natal em missão oficial em um avião.

Mas tenho um dilema e uma hipótese, que nunca foi confirmada.
Será que Antoine de Saint-Exupéry  fez uma escala em Natal de navio, quando seguia para Argentina para assumir seu posto?

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SOBRE O AUTOR – Patrick de Bure é francês, nascido em Paris no dia 24 de dezembro de 1937. É neto do fundador da companhia de aviação Aéropostale, o Sr. Marcel Bouilloux-Lafont, e chegou ao Brasil junto com sua família em setembro de 1940, a bordo do navio “Bagé”, do Lloyd Brasileira. No Rio de Janeiro viveu no bairro de Santa Teresa. Retornou para a França em 1946 e prestou o serviço militar na Força Aérea do seu país em 1957, atuando na África por trinta meses. Trabalhou três anos na Air France e depois na American Express, onde viajou por cinco continentes, em mais de sessenta países. A partir de 1998 passou a viver no Ceará e em 2010 vem residir em Natal junto com a sua esposa Eliane, natural da cidade potiguar de Mossoró. Grande entusiasta da História da aviação, tanto de seu país quanto do Brasil e da América do Sul, Patrick de Bure criou quatro interessantes e-books onde busca democratizar ótimas informações sobre o trabalho do seu avô, dos antigos aviões e dos seus valorosos aviadores.

Estes e-books são:

http://aeronauticabrasil.com/pt/apresentacao-site-ebook-da-historia-aeronautica-no-brasil/

http://www.histoireaeronautiquefrancaiseameriques.com/

http://aeropostaleameriquesud.com/

http://www.histoireaeronautiquepaysameriques.com/