O QUE DEVE FAZER O URUGUAI COM A ÁGUIA NAZISTA DO ADMIRAL GRAF SPEE?

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A controversa águia do Graf Spee – Fonte – http://www.bbc.com

Troféus de guerra normalmente não são tão imponentes como a estátua de bronze sólido da foto acima. Este objeto uma vez adornou o encouraçado de bolso Admiral Graf Spee, um famoso navio de guerra alemão, que afundou vários navios mercantes aliados no Oceano Atlântico, até ser afundado pela sua própria tripulação no Rio da Prata, no Uruguai, em 1939.

Esta águia de bronze, empoleirada sobre uma suástica, cujo desenho foi um projeto pessoal do próprio Hitler, pesando entre 350 e 400 quilogramas, foi resgatada da popa Graf Spee em 2006 por uma equipe de mergulhadores britânicos.

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Admiral Graf Spee em 1937 – Fonte – http://www.maritimequest.com

Muitos imaginavam que o artefato havia se perdido para sempre quando o Graf Spee afundou, mas hoje ninguém parece muito bem saber o que fazer com ela.

Nunca a Segunda Guerra Mundial chegou tão perto da América do Sul como em 13 de dezembro de 1939, quando três cruzadores da Marinha Real desafiaram a nave alemã Admiral Graf Spee ao largo da costa uruguaia. Este encouraçado, um dos mais modernos navios de guerra do mundo em sua época, travou uma batalha naval implacável e feroz contra os britânicos, fato que ficou conhecido como a Batalha do Rio da Prata. Seriamente danificado após a luta, o Graf Spee seguiu para o porto de Montevideo, capital do Uruguai.

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O Graf Spee e a água no seu casco – Fonte – http://www.maritimequest.com

Dias depois, com a negação da ampliação do tempo de permanência do barco no porto uruguaio, o comandante do navio, o Kapitän zur See Hans Wilhelm Langsdorff (20 de março de 1894 – 20 de dezembro de 1939) ordenou o afundamento de sua nave diante de uma Montevideo extasiada. A inteligência britânica o enganou com falsas informações que uma poderosa força da Marinha Real estava ao largo da costa uruguaia pronta para destruir seu navio.

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A nave alemã em sua última navegação, diante de um grande número de uruguaios – Fonte – http://www.maritimequest.com

Acreditando não ter condições de travar um combate desigual, além de querer evitar que os inimigos se apossassem dos segredos do seu navio e de provocar uma mortandade desnecessária entre seus homens, Langsdorff deu a ordem que selou o destino do Graf Spee. O capitão se matou logo em seguida e a nave queimou por três dias antes de finalmente afundar.

O impressionante símbolo bronze do Terceiro Reich, com quase nove pés de largura, é um objeto único. A única outra estátua confeccionada com a mesma finalidade está junto do que sobrou do encouraçado de bolso alemão Bismarck, que afundou noTerceiro Reich, em 1941.

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O fim – Fonte – http://www.maritimequest.com

Embora a peça, logo depois que foi recuperada, tenha sido brevemente exposta no saguão de um hotel em Montevidéu, nos últimos anos o artefato esteve sob a custódia da Marinha do Uruguai e isso vem gerando um longo debate sobre o que fazer com os artefatos nazistas recuperados do naufrágio do Graf Spee.

De acordo com um homem de negócios uruguaio chamado Alfredo Etchegaray, um dos responsáveis pela sua recuperação, o resgate de objeto no naufrágio do Graf Spee levou 30 anos entre pesquisas e recuperação e custou cinco milhões de dólares. Já a Suprema Corte do país lhe concedeu 50 % da propriedade da peça, com o governo uruguaio mantendo os direitos sobre a outra metade. Etchegaray está esperando um retorno do seu investimento através da venda ou exposição da escultura, mas o governo parece relutante em fazê-lo.

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A águia nazista exposta em um hotel da capital uruguaia

O Governo do Uruguai pode está inquieto sobre a estátua, pois muitos criminosos de guerra nazistas fugiram para a América do Sul após a conclusão da guerra.

O Uruguai – e outros países latino-americanos como a Argentina e o Brasil – se tornaram os destinos de muitos criminosos de guerra nazistas após o fim do Terceiro Reich. Aribert Ferdinand Heim, um infame médico da SS, chamado Dr. Morte por suas vítimas nos campos de concentração nazistas, viveu clandestinamente no Uruguai até 1983 e Adolf Eichmann, conhecido como o autor do Holocausto, foi localizado pela inteligência israelense na Argentina em 1960.

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O Kapitän zur See Hans Wilhelm Langsdorff – Fonte – http://www.maritimequest.com

Além do mais, na época do seu resgate do fundo do mar, quando a águia foi exibida pela primeira vez em Montevidéu, a embaixada alemã no Uruguai reclamou e pediu ao governo para evitar que exibisse “parafernália nazista”.

Etchegaray acredita que seu país continua está sendo pressionado pela Alemanha a manter a controversa peça fora da vista do público. “-Por que não deveria ser exibido publicamente, de forma adequada, é claro, com a explicação histórica?” argumentou o investidor uruguaio em uma entrevista para o Global Post. “-Isso é o que acontece com o Coliseu romano, com instrumentos de tortura utilizados pela Inquisição. Há também museus sobre a Inquisição espanhola e até mesmo antigos campos de concentração nazistas são visitados”.

“-Se o governo quer enterrar esta estátua eles têm o direito de fazer isso, mas nós também temos o direito de receber metade do dinheiro para isso”, acrescentou Etchegaray.

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Fonte – http://www.breitbart.com

Jose Enrique Gomensoro, negociante de arte de Montevidéu, está esperando para vender a parte do empresário, onde espera arrecadar quinze milhões de dólares e já teria recebido ofertas. Etchegaray garantiu ao Global Post que encontrar um comprador não será um problema, “-É muito difícil dizer quanto alguém pode pagar para conseguir a peça. Pode depender do capricho de um único arrematador”.

William Rey Ashfield, um ex-chefe da Comissão de Património Nacional, pensa que quinze milhões de dólares é um preço muito alto, mas reconhece o valor único da estátua. “-Pode ser uma boa atração para um museu, mas é uma peça controversa, que muitas pessoas também irão rejeitar. É uma batata quente, acrescentou.”

Quando Guido Westerwelle, então ministro das Relações Exteriores da Alemanha, visitou o Uruguai em 2010, pediu para que a águia não fosse vendida para colecionadores particulares, temendo que o artefato fosse usado para glorificar o Terceiro Reich nas mãos de neonazistas. Rey Ashfield acredita que o Governo da Alemanha continua agindo nos bastidores e buscando que esta peça fique guardada.

Todas as partes parecem concordar que exibir uma águia de bronze com uma suástica nazista sob suas garras, não seria tão fácil como exibir uma peça de tecnologia de navegação do Graf Spee. Mas até que uma resolução venha a ser declarada, a estátua continuará armazenada em um depósito da Marinha do Uruguai.

E você, o que acha que deve ser feito deste artefato?

 


FONTES

https://www.thevintagenews.com/2016/01/08/45074/

http://www.bbc.com/news/world-latin-america-30471063

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4 comentários em “O QUE DEVE FAZER O URUGUAI COM A ÁGUIA NAZISTA DO ADMIRAL GRAF SPEE?”

  1. Não vejo problema de expor em museu esta águia desde que façam um texto do que significa o nazismo. No próprio Museu da cidade de Berlim há objetos nazistas inclusive uma bandeira. E no Museu do Exército de Bruxelas há uma águia menor em exposição porque esconder fatos passados? Os jovens devem saber o que aconteceu na Alemanha, como o Holocausto com seus campos de extermínio judeus que ainda são visitados. Se apagassem tudo alguém poderia dizer no futuro que não houve holocausto.

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  2. O governo e mais o empresário Etchegaray deveriam expor a peça em um museu. Inclusive deve haver outros artefatos da guerra, como barcos, armas, rádios, carros militares, bandeiras, documentos, fotos, que se possa fazer um acervo sobre o tema Segunda Guerra Mundial na América do Sul ou no Uruguai. Não deve ser vendida nem sequer pra um museu que seja na Alemanha – não há nada que justifique. É como os restos dos nossos inconfidentes que ficaram séculos na Europa e o Brasil teve de comprá-los pra poder expô-los no seu lugar justo, junto do povo brasileiro. E claro que deve ser contada a história da Segunda Guerra na América do Sul.

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  3. Não há por que se preocupar com esse objeto se exposto em um museu naval uruguaio, pela lembrança de um episódio de bravura, humanidade e honra ligado ao couraçado de bolso “Admiral Graf Spee”, e seu comandante, o Kapitän zur See Hans Langsdorff.

    Existem símbolos de ideologias muito mais perigosas e que mataram muito mais seres humanos circulando livremente por aí…

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