FOTOS DA CONSTRUÇÃO DO AÇUDE GARGALHEIRAS, SÍMBOLO DO SERIDÓ POTIGUAR

Vista a distância o canteiro de obras de gargalheira em 1922.
Vista a distância o canteiro de obras de gargalheira em 1922 – CLIQUE NAS FOTOS PARA AMPLIAR

Autor – Rostand Medeiros

O Açude Gargalheiras é considerado um dos mais belos reservatórios de água do interior do Rio Grande do Norte. Localizado na cidade de Acari é também um dos principais pontos turísticos para quem percorre os roteiros do Seridó Potiguar. 

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Foi entre 1920 e 1921, quando o Presidente do Brasil era o paraibano Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa, que se iniciou a construção desta barragem, juntamente com outras similares nos estados da Paraíba e do Ceará. 

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Gargaleiras surgiu em meio à ideia que grandes obras de represamento de água seriam a solução para o problema cíclico das secas no Nordeste. O desenvolvimento destas obras estavam a cargo de empresas inglesas e norte-americanas. 

Nesta foto, ao fundo e a esquerda, vemos a casa que servia de residência dos engenheiros e administradores ingleses da firma C. H. Walker & Co. Ltd em Gargalheiras.
Nesta foto, ao fundo e a esquerda, vemos a casa que servia de residência dos engenheiros e administradores ingleses da firma C. H. Walker & Co. Ltd em Gargalheiras.

Foi a inglesa C. H. Walker & Co. Ltd que iniciou a construção da barragem entre as serras do Abreu, da Carnaubinha, Olho d’água e Gargalheiras. Neste link é possível ler integralmente o Decreto Presidencial Nº 14.590, de 31 de dezembro de 1920, que autorizava a contratação desta empresa inglesa para construir o gargalheiras – http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=38128

Guindaste destinado ao transporte de blocos de granito, para o represamento do rio Acauã.
Guindaste destinado ao transporte de blocos de granito, para o represamento do rio Acauã.

Cabia ao IFOCS – Inspetaria Federal de Obras Contra as Secas (que depois se transformaria no DNOCS) fiscalizar o andamento destas obras. A época que se iniciou a construção do Gargalheiras este órgão do governo federal estava sob a direção do engenheiro Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa. No Rio Grande do Norte, mais precisamente em Natal, ficava a sede da 2ª Distrito do IFOCS, sob o comando do engenheiro Rodrigues Ferreira.

Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa
Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa
Presidente Epitácio Pessoa
Presidente Epitácio Pessoa

Apesar do empenho do povo seridoense em ajudar a criar esta grande obra de engenharia, mudanças de governos e uma série de denúncias de desvio de verbas, criação de despesas que não existiam, entre outras roubalheiras, fizeram com que as obras fossem paralisadas ainda na década de 1920. 

Manchete de 1925 sobre os problemas administrativos das grandes barragens no Nordeste
Manchete de 1925 sobre os problemas administrativos das grandes barragens no Nordeste

A barragem no meio da caatinga somente foi inaugurada em 1959, quase quarenta anos após o início de sua construção. Foi denominado oficialmente de Açude Marechal Eurico Gaspar Dutra, mas poucos lembram deste detalhe burocrático, já que é conhecido popularmente apenas como Gargalheiras. 

Outro guindaste de Gargalheiras
Outro guindaste de Gargalheiras

A parede da barragem possui 25 metros de altura, represando o rio Acauã, que faz parte da bacia do rio Piranhas/Assu. A bacia hidráulica do Gargalheiras ocupa uma área de 780 hectares e a capacidade máxima de armazenamento chega aos 40 milhões de metros cúbicos. Localizada a três quilômetros de Acari, suas águas se estendem por mais de sete quilômetros, chegando bem próximo a cidade de Currais Novos, uma das cidades polos do Seridó.

Cabo aéreo para o transporte de material.
Cabo aéreo para o transporte de material.
Leito seco do rio Acauã
Leito seco do rio Acauã
Casa do ferreiro.
Casa do ferreiro.
Casa típica do sertão de Acari, localizada próximo ao canteiro de obras de gargalheiras na década de 1920.
Casa típica do sertão de Acari, localizada próximo ao canteiro de obras de gargalheiras na década de 1920.
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3 opiniões sobre “FOTOS DA CONSTRUÇÃO DO AÇUDE GARGALHEIRAS, SÍMBOLO DO SERIDÓ POTIGUAR”

  1. Prezado Rostand Medeiros, cumprimento-o sempre pelas suas pesquisas, artigos e ensaios no TOK DE HISTÓRIA. Desta vez, também transmito, para o seu conhecimento, a matéria abaixo. Abraço atencioso do Lamartine Lima.

    ESTE ARTIGO TEVE PUBLICAÇÃO RECUSADA POR ALGUNS JORNAIS PORQUE DISCORDA DA DIRETRIZ DE NÃO HAVER LIMITES PARA A EXPRESSÃO DO PENSAMENTO. OS PERIÓDICOS QUE ASSIM FIZERAM IMPUSERAM LIMITES À EXPRESSÃO DESTE AUTOR.

    Trágicas charges

    Lamartine Lima

    O desenho surgiu com a primeira civilização do homem, e os grafismos da cova de Altamira, Espanha, de 18.000 anos, hoje ainda nos encantam. Em Pompéia, Itália, há 1.917 anos, as caricaturas então colocadas nas paredes continuam a nos fazer rir. Cerca de 17.400 anos depois de Altamira e 1.341 anos depois de Pompéia, há quase seiscentos anos de nosso tempo atual, no século XV, em Mogúncia, Alemanha, João Gutemberg inventou os tipos móveis, capazes de imprimir letras e desenhos. Na época em que os holandeses ocupavam o Nordeste do Brasil, na metade do século XVII, eles criaram na Europa as publicações com notícias que traziam ilustrações. Pouco depois da retirada dos batavos do território brasileiro, em 1654, a França invadiu as Províncias Unidas neerlandesas, em 1672, e Guilherme III de Nassau e Orange, o “statuder” dos Paises Baixos, entre outros recursos bélicos, pela primeira vez usou o humor gráfico na forma de caricatura desenhada acoplada a um texto, traço de seu compatriota Romeyn de Hooge, impresso e divulgado como o que seria hoje chamado uma arma psicológica, uma carga moral contra o rei Luís XIV e os franceses, sobre quem foi vitorioso. A palavra portuguesa “carga” tem a tradução inglesa “charge”, que é hoje aplicada universalmente nas gráficas aos desenhos caricatos com frases humorísticas. O século XVIII foi a época áurea das caricaturas irreverentes e ridículas publicadas em todo o mundo. No século XIX, multiplicaram-se os jornais e revistas com a grande utilização da charge, principalmente na Inglaterra, na França, na Alemanha, na Itália e em Portugal. Situações por que passavam pessoas célebres de todo o planeta foram motivo para charges. No Brasil fomos vítimas, na época da Guerra do Paraguai, de publicações ilustradas guaranis que ridicularizavam as tropas da Tríplice Aliança; durante os movimentos para a Abolição da Escravatura e instauração da República, nem o Imperador Dom Pedro II foi poupado, através de gracejos não agressivos, nos periódicos nacionais; também os adeptos republicanos, tanto quanto os monarquistas, foram alcançados pelas verrinas das charges na terrível Guerra Civil de Canudos. No início do século XX, o grande sanitarista Oswaldo Cruz sofreu ataques pelos chargistas depois de deflagrar a Campanha da Vacinação Obrigatória, e muitas das revistas de humor que apareceram tornaram-se famosas por trazerem charges extremamente ferinas, com diversas intenções, especialmente as políticas, disfarçadas sob o humor. Então, não houve quase reações violentas contra os chargistas, exceto a de uma fina dama da alta sociedade carioca que, dentro da redação, assassinou a tiros de um caro revólver-jóia parisiense “Mignon-Novo-Galand”, calibre 6,35 mm, um desenhista de jornal da capital federal, que era, aliás, filho do dono do periódico, por haver sido apontada naquela gazeta como infiel ao marido. Em tempo de paz, parece que não houve indagações sobre o que é a simples quebra bem humorada da reverência e o que vem a ser o pseudo-humor agressivo, ofensivo e desmoralizante, já que, conforme o teatrólogo Ibsen, a moral é questão variável com a geografia e o calendário. Talvez não fossem aprofundados os conceitos de irreverência e de desrespeito. Procedeu-se tão mal no âmbito das charges, que se desrespeitaram profundamente as religiões, desde o Cristianismo até o Islamismo. Deve-se partir do princípio moral de que todos merecem respeito para os seus valores. O desrespeito deve ser evitado e a ofensa deve ser abominada. Tudo pelo motivo de poder haver desdobramentos desmedidos sobre a sociedade civil para o que seria humor desejável para uns e ofensa inaceitável para outros. A liberdade de expressão é não somente importante, mas necessária; seu limite, todavia, é o direito ao respeito que se deve a pessoas, memórias e instituições. É muito difícil se fazer charge para estimular os bons sentimentos da humanidade, como, por exemplo, a paz e a integração dos povos, e é bem fácil fazer humor atendendo a grupos com primitivos sentimentos sádicos de agressão a quem não for do seu círculo. Não devo aqui fazer juízo de valor moral sobre os chargistas, nem culpá-los diretamente pelas consequências sociais dos seus textos e caricaturas, todavia reconheço que eles podem ser muito incautos. Faz três décadas e meia, sem nenhuma causa, um extremista, em plena Praça de São Pedro, em Roma, deflagrou tiros de uma automática “Browning”, com cartuchos “parabellum” de 9 mm, que atingiram o então Sumo Pontífice da Igreja Católica, hoje São João Paulo II, e o mundo ficou estarrecido! Há três lustros, outros fanáticos, usando aviões comerciais de passageiros, colidiram e explodiram dois imensos edifícios no centro da maior cidade dos Estados Unidos da América do Norte, matando milhares de pessoas, e o mundo ficou estupefato! Tudo isto por intolerância e em lugares que não estavam sob declaração de guerra. Porém não houve passeatas dos espantados… Muitos outros atentados procedidos por fanáticos têm acontecido pelo mundo afora. Se, contemporaneamente, tais feras humanas são capazes de executar tantas atrocidades sem provocação, o que não fazem quando provocados ? Há uma semana, na capital da França, extremistas armados com fuzis de guerra russos – “Avtomatick Kalashnikov” – mas sem qualquer logística militar – portando seus cartões de identidade real, começaram errando por duas vezes o endereço do alvo, sem carro auxiliar de apoio nem grupo de retaguarda ou rota de fuga e abrigo seguros – invadiram a redação de um jornal de charges e assassinaram jornalistas que estavam em reunião de trabalho, funcionários e, em decorrência, policiais e transeuntes comuns, e assaltaram um mercado judeu, sendo mortas violentamente, ao todo, duas dezenas de cidadãos, entre os quais os próprios criminosos. No mesmo dia, na África, em uma cidade, centenas de pessoas foram massacradas a balas e facões, e dezenas de mulheres escravizadas, por fanatizados, enquanto em outra cidade, duas crianças de dez anos de idade detonaram os explosivos que traziam atados aos seus corpos, dentro de um mercado público, causando dezenas de mortes e ferimentos graves no povo que ali estava. Ainda mais, na sequencia dos vídeos em que são apresentados os instantes do degolamento de homens executados por extremistas, é exibida a cena de agora, em que um menino também com cerca de dez anos de idade, levado por um adulto militante, dispara uma pistola automática militar na cabeça de duas pessoas. Assim, acaba de acontecer, ao mesmo tempo, não só a brutalíssima e muito lamentável tragédia sobre os jornalistas do jornal parisiense de charges, mas também o crudelíssimo, sanguinolento e deplorável drama nos grupos de pobres africanos, ainda a desgraçada execução a ferro frio de seres humanos, e além, crianças induzidas a praticarem crimes hediondos e suicídio, o que deve atingir não só toda a imprensa mundial, porém todos os homens de boa vontade na Terra. Quatro milhões de pessoas, entre elas seis por cento da população francesa, tendo a frente, pelo menos, vinte líderes políticos mundiais, usando aquela gente como pano de fundo para suas manobras internacionais, desfilaram em passeata pelo centro de Paris, ao clamor de “Je suis Charlie”, referindo-se a Charlie Hebdo, título do jornal semanal de charges invadido, tirado da figurinha de Charlie Brown, desenhada por um norte-americano, e lema criado por um jornalista francês, logo comercializado pelos sabidórios para aplicação em produtos vendidos, como faixas e camisetas, e, não tardou, a empresa editora daquele jornal de charges providenciou os meios para publicar edição de alguns milhões de exemplares em vários idiomas que serão vendidos em toda parte, numa das maiores e mais lucrativas tiragens da História. Nem os famosos jornalistas franceses autores de trágicas charges, nem os miseráveis negros africanos autores de nada, nem os tristes brancos esgorjados, nem as pobres crianças utilizadas para crimes, mereciam ser chacinados. Entretanto, ninguém naquela passeata parisiense lembrou os outros martirizados no mesmo dia em terras da Nigéria. Já foi constatado que idiotas não entendem nada além da sua estreita e distorcida visão das coisas, enquanto seguem a manada tocada pelos manipuladores, o que teria feito Lenine dizer que a massa popular é uma besta que se tange a pau. Sou católico, apostólico, romano, referendado pelo Vaticano como Cavaleiro da Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém e, sem medo de “patrulhamento”, devo perguntar : por que, no século XXI, neste mundo cada vez mais violento em que vivemos, de tantas transformações sociais e enfrentamentos de valores de civilização e de cultura, alguém lúcido, mesmo sabendo da séria ameaça de agressão e bárbara retaliação física que paira sobre a sociedade pacífica, ordeira e trabalhadora que evita a violência, ainda comete a provocação através de charges de humor grosseiro, cáustico e agressivo dirigido contra os valores de outros grupos sociais, inclusive aqueles que podem deflagrar uma resposta absurda, imensamente desproporcional e terrível ? Repito que não inculpo os chargistas. Acho-os absurdamente insensatos, não apenas corajosos e temerários, utilizando o argumento da liberdade de expressão para desconhecer o perigo iminente de suas vidas, que terminou tragicamente e levou a acontecer o mesmo com tantas outras pessoas sem ligação com eles. Sou absolutamente contrário a qualquer tipo de terrorismo. Nada justifica o terrorismo. Considero o ato terrorista não apenas uma ação irresponsável, mas, sobretudo, irracional, que atinge toda a sociedade humana, e que deve ser severa e duramente repelido. Contudo, na enorme onda cibernética em que uma grande parte da população dos países está imersa e opera grandiosa e velocíssima rede de internet e comunicações imediatas, também utilizadas pelos extremistas e seus “hackers”, o terrorismo aumenta e, juntamente com a expansão do tráfico e do uso de drogas estupefacientes ilícitas, são os maiores problemas que desafiam resolução pelas sociedades organizadas de todas as nações.
    ________________________________________________________________________
    Lamartine de Andrade Lima é médico, professor universitário, oficial superior da Marinha do Brasil, membro titular da Academia Nacional de Medicina Legal, ex-presidente da Academia de Letras e Artes do Salvador – BA, membro correspondente da Academia Rio-pretense de Letras, Artes e Cultura – SP e da Academia de Letras e Artes de Gravatá – PE e ex-secretário-geral do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.

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  2. Parabéns pelo texto, muito bom!! Estou realizando uma pesquisa sobre alguns fatos ocorridos no Nordeste e gostaria de saber acerca das fotografias qual a sua fonte? (Especialmente a que se refere “Manchete de 1925 sobre os problemas administrativos das grandes barragens no Nordeste”. Grata.

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