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COMO FAZÍAMOS SEM… ESPELHO?

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Quadro de 1632, quando o espelho era raridade | Crédito: Paulus Moreelse

No século 16, o objeto custava mais caro que obras de pintores renascentistas

Vinicius Rodrigues

http://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/como-faziamos-sem-espelho.phtml#.WJUbdYWcHIX

Provavelmente você dá uma olhada no espelho antes de sair de casa. Dentro de um elevador de paredes espelhadas, é certo que aproveita para ajeitar a roupa ou o cabelo. As superfícies que refletem a luz são tão fáceis de ser encontradas no ambiente urbano que é difícil imaginar o quanto elas foram disputadas no passado.

Tudo indica que a primeira vez que o ser humano viu seu reflexo foi na água. Isso deve ter mudado em cerca de 3000 a.C., quando povos da atual região do Irã passaram a usar areia para polir metais e pedras. Esses espelhos refletiam apenas contornos e formas. Mas imagens não eram nítidas e o metal oxidava com facilidade, perdendo a função. 

Dessa forma, por quase toda a história, todo mundo tinha apenas uma vaga noção de como se parecia. Assim foi até o fim do século 13, quando, em Veneza, alguém teve a ideia de unir vidro e chapas de metal. “Os espelhos dessa época têm uma pequena camada metálica na parte posterior do vidro. Assim, a imagem ficava nítida, e o metal não oxidava por ser protegido pelo vidro”, diz Claudio Furukawa, pesquisador do Instituto de Física da USP. Esse já era o espelho como o conhecemos até hoje: o metal reflete e o vidro protege.

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Quadro do italiano Ticiano, mulher com um espelho, de 1514, Óleo sobre tela, 93 x 76 cm, Musée du Louvre, Paris.

Mas o espelho veneziano era um produto raro e caro. Chegavam a ser mais valiosos que navios de guerra ou pinturas de gênios como o renascentista italiano Rafael (1483-1520). A democratização do artigo começou em 1660, quando o rei da França Luís XIV (1638-1715) ordenou que um de seus ministros subornasse artesãos venezianos para obter o segredo deles. O resultado pode ser conferido na sala dos espelhos do palácio de Versalhes.

Com o advento da Revolução Industrial, o processo de fabricação ficou bem mais barato e o preço caiu. “Mesmo assim”, afirma o antropólogo da PUC-RJ José Carlos Rodrigues, “o espelho só se popularizou e entrou nas casas de todos a partir do século 20.” Só então nos tornamos familiares com nossa própria cara. 

 

CASA DE LEILÕES VENDE 14 AQUARELAS PINTADAS POR HITLER POR 400 MIL EUROS

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Há um brasileiro entre compradores, segundo casa de leilões Weidler.
Alemanha permite venda de obras de Hitler desde que não tenham suástica.

Uma casa de leilões alemã conseguiu entre sábado (20) e domingo (21) cerca de 400 mil euros por 14 aquarelas e desenhos feitos pelo ditador alemão Adolf Hitler há aproximadamente 100 anos.

Um comprador chinês pagou 100 mil euros pela obra mais cara, anunciou a casa de leilões Weidler, segundo a imprensa local. Entre os compradores, há um brasileiro.

Trata-se de uma aquarela que representa o castelo de Neuschwanstein, uma edificação construída pelo rei Luis II da Baviera, cuja forma inspirou a logomarca dos estúdios Disney.

Todas as obras, realizadas entre 1904 e 1922, encontraram comprador, segundo os organizadores.

Fonte -  AFP PHOTO SNEP
Fonte – AFP PHOTO SNEP

A casa de leilões não revelou a identidade de sus clientes, que pediram anonimato, mas informou que, além de Brasil e China, há compradores dos Emirados Árabes Unidos, França e Alemanha.

Em sua juventude, Hitler tentou entrar na Academia de Artes de Viena, mas sua candidatura foi rejeitada por falta de talento. Ele continuou a pintar copiando cenas de cartões postais, que vendia para os turistas.

Anos mais tarde, tornou-se o líder do partido nazista, e foi eleito chanceler da Alemanha em 1933.

Especialistas consideram a produção artística de Hitler medíocre e as grandes casas de leilões muitas vezes se recusam a propor obras do ditador. A Alemanha permite a venda de suas obras desde que não contenham qualquer símbolo proibido.

Fonte – http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/06/casa-de-leiloes-vende-14-aquarelas-pintadas-por-hitler-por-400-mil-euros.html

“PIN-UP GIRLS” DE CARNE E OSSO

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren – CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

Rostand Medeiros 

Todas as curvas, dos lábios até os tornozelos, das belas mulheres desenhadas nos principais calendários vendido nos Estados Unidos na década de 1950, passou diante do pintor Gil Elvgren. Atrizes de Hollywood, além de sua própria esposa, Janet, foram modelos de seus sensuais desenhos.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

As chamadas mulheres Pin-up, com vivos lábios vermelhos e cintura fina foram sua especialidade. Suas longas e torneadas pernas à mostra, que terminavam muitas vezes em um par de saltos altos, eram muitas vezes retratados por Elvgren.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Elas são perfeitas em suas belas curvas maravilhosas, seios fartos, coxa roliças e esbanjando beleza até o tornozelo. Isso numa época quando ninguém se atrevia a falar sobre sexo, elas tiraram a roupa (não totalmente) e posaram. Gil Elvgren foi um dos artistas que pintou essas mulheres de carne e osso.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Eram as Pin-up (de “pinned-up” significa pendurado na parede), embora também chamadas de “cheesecake”, imaginem o porquê[1].

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Gil Elvgren tinha muito respeito no meio artístico e belas modelos nunca lhe faltaram. Algumas eram atrizes tão famosas como Myrna Loy, Donna Reed e até mesmo Kim Novak. De fato, na década de 1950, não era raro que atrizes iniciantes em Hollywood fossem ao estúdio de Elvgren pedindo para serem pintadas e aparecem em calendários, era uma ótima oportunidade de ascensão ao estrelato. A esposa de Elvgren, Janet Cummings, também posou muitas vezes para ele.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Alguns cartunistas, colegas Elvgren e membros da Society of Illustrators de Nova York, o invejavam. Eles disseram que, embora seu trabalho não fosse muito bem aceito pela crítica, Elvgren tinha sorte. O suficiente para pintar belas garotas quase todos os dias, enquanto eles cumpriam entediantes ordens e, por vezes, eram mal pagos.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Na década de 1950, Elvgren, que começava a adquirir muita fama por seus trabalhos publicitários, se mudou com sua família para uma casa maior e decidiu montar um estúdio no sótão, com grandes janelas para a entrada de luz. Embora inicialmente trabalhasse sozinho, logo contratou um assistente para ajudá-lo a fotografar as modelos e preparar os cenários – normalmente simples e modesto – que o pintor transformava em algo exuberante.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Quando perguntado o que havia nas modelos que mais lhe interessava, Elvgren respondeu: “A verdadeira joia é uma garota capaz de transmitir emoções muito diferentes”. Ele preferia mulheres muito jovens, entre 15 e 20 anos, que preferencialmente não haviam despontado em carreiras artísticas, pois mantinham muito de espontaneidade que, ao longo do tempo e após serem descobertas, escondiam.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Sobre seu trabalho o artista explicou que acrescentava o seu “toque pessoal”, que poderia ser aumentar mais os seios, o alongamento mais pronunciado das pernas, o estreitamento da cintura, tudo para tornar mais atraente (e um pouco menos real) aquela mulher.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Ele também tornava os lábios mais carnudos, sempre vermelhos, e deixava os olhos maiores. Elvgren escolhia cuidadosamente o cenário, figurinos e principalmente a modelo, além de levar horas para decidir o seu corte de cabelo. Cada detalhe tinha peso no resultado final. Em seguida, tirava uma foto com sua Rolleiflex e, finalmente, começava a pintar.

 Pintura de Gil Elvgren

Pintura de Gil Elvgren

Muitas dos trabalhos de Elvgren eram contratos publicitários, como o famoso anúncio da marca Coppertone, em que um cão puxa para baixo o calção de uma menina (na imagem acima). Vários desses trabalhos foram encomendados pela editora americana Brown & Bigelow, a maior editora de calendários do mundo na década de 1950. Seus almanaques com anúncios chegavam a milhões de pessoas nos Estados Unidos.

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 A revista “Esquire” (dirigida principalmente ao público masculino) foi a primeira a publicar desenhos de Pin-up, especialmente de George Petty e de Alberto Vargas, um peruano radicado nos Estados Unidos. Esses desenhos eram o principal atrativo desta revista. Na imagem acima temos, à esquerda, a ilustração da “bailarina”, de George Petty, e a direita, retratada por Alberto Vargas, a atriz Olive Thomas. As meninas pintadas pelo peruano nascido em Arequipa eram conhecidas como as “Vargas Girls” e também estiveram presentes nas páginas da revista “Playboy”.

Foto - USAAF
Foto – USAAF

Os calendários das Pin-up eram muito populares entre os combatentes americanos da Segunda Guerra Mundial e eram bens tão preciosos quanto os fuzis M1 Garand, ou pistolas Colt 45. Sob o som das bombas, os soldados pareciam encantados por aquelas mulheres na parede, transbordando sensualidade e otimismo. Os belos desenhos se tornaram quase um amuleto patriótico. Na foto, vários militares ao lado do famoso bombardeiro B-17 conhecido como “Memphis Belle”, que realizou 25 missões de combate em 1943. No nariz do avião aparece um desenho de uma Pin-up girl feito pelo artista George Petty.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Na atualidade o negociante de arte Louis K. Meisel compilou a maior parte do trabalho de Gil Elvgren na galeria Elvgren Great American Pin-up, parte da galeria de propriedade de Meisel, no bairro do SoHo, em Nova York. Meisel é responsável pelo ressurgimento do interesse no subconjunto de ilustrações americanas de Pin-up e é o maior colecionador de arte do gênero no mundo.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Gil Elvgren, cujo nome verdadeiro era Gillete A. Elvgren nasceu em Saint Paul, Minnesota, em 15 de março de 1914, frequentou o Minneapolis Institute of Arts. Em seguida, ele se mudou para Chicago para estudar no American Academy of Arts. Ele se formou na Academia durante o período da Grande Depressão, com a idade de vinte e dois anos.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Elvgren se juntou ao estável grupo de artistas que trabalhavam na agência de publicidade Stevens and Gross, a mais prestigiada de Chicago. Ele se tornou um protegido do talentoso artista Haddon Sundblom. Era um clássico ilustrador americano e um mestre ao retratar a sensualidade feminina, diante dos rígidos padrões morais da época.

 Foto e pintura de Gil Elvgren

Foto e pintura de Gil Elvgren

Elvgren foi um sucesso comercial, viveu em vários locais e foi ativo de 1930 a 1970. Faleceu em 29 de fevereiro de 1980.

Texto realizado a partir do trabalho da jornalista espanhola MARIA CRESPO, no jornal El Mundo – Ver –  http://www.elmundo.es/album/cultura/2014/04/27/535ab677268e3e4f688b458d.html

Outras informações foram conseguidas em – http://en.wikipedia.org/wiki/Gil_Elvgren


[1] O cheesecake é um bolo muito popular nos Estados Unidos. É normalmente constituído por uma base de bolacha, um recheio à base de queijo, creme e ovos, e uma cobertura de fruta. Já era conhecido dos antigos gregos, mas, segundo os profissionais, existem “mais teorias sobre o bolo de queijo do que pessoas que saibam prepará-lo”.