OS PRIMEIROS ANOS DO BAIRRO DO ALECRIM E UMA OUTRA VERSÃO SOBRE A ORIGEM DO SEU NOME

Uma Carta Produzida por um dos Primeiros Moradores do que Se Tornaria o Bairro do Alecrim Informa Uma Outra Versão Sobre a Sua Toponímia e Quem Teria “Batizado” um dos Mais Tradicionais Bairros de Natal

Rostand Medeiros – IHGRN

Segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo, antes da existência do que hoje conhecemos como Cemitério Público do Alecrim, as pessoas em Natal eram enterradas na parte interna, ou nas proximidades das igrejas católicas[1]. E isso eram um baita de um problema.

Cemitério Público do Alecrim na década de 1920.

Podemos perceber essa necessidade através do registro de uma sessão da Assembleia Legislativa Provincial, ocorrida em 29 de julho de 1851, quando João Ignácio de Loyola Barros debateu com José Moreira Brandão Castelo Branco se uma verba de 500$000 (quinhentos mil réis) seria destinada para a iluminação pública ou para a construção de um cemitério. Ganhou a iluminação[2].

Quanto ao cemitério público, segundo Câmara Cascudo, somente em 8 de fevereiro de 1856, o Presidente da Província Antônio Bernardo dos Passos fechou um contrato com o mestre Manuel da Costa Reis para a construção de um cemitério pelo valor de 3.400$000 (três contos e quatrocentos mil réis), “na esplanada que fica no caminho das Quintas” [3]. Como podemos perceber o valor aumentou bastante em relação do que se previu gastar com a mesma obra em 1851. E a razão para o aumento dos gastos é bem clara e transparente, pois 1856 foi o ano da cólera[4].

Região do Baldo no início do século XX.

Câmara Cascudo aponta que nesse tempo Natal tinha cerca de 5.000 habitantes, que a capital perdeu 215 vidas e o Rio Grande do Norte pagou o alto preço de 2.563 mortos. O Presidente Passos então proibiu enterros fora do cemitério e João Estevão Barbosa tomou posse como primeiro administrador do Cemitério Público em 11 de abril de 1856 e ganhava 40$000 (quarenta mil réis) por mês. Segundo Câmara Cascudo, diante do poder aquisitivo da moeda vigente no Império do Brasil, aquele valor era uma verdadeira fortuna. Quem sabe se não seria complementado por uma espécie de “adicional de insalubridade”?

Outra ação do Presidente Passos nessa época foi construir um Lazareto para abrigar os doentes pobres. Sobre a importância histórica desse local, um texto acadêmico aponta que “Os primórdios da psiquiatria potiguar se inserem na construção, em 1857, de um hospital Lazareto”[5]. Tudo indica que em 7 de setembro de 1882, o então Presidente da Província Francisco de Gouveia Cunha Barreto ou começou a ampliação desse local, ou derrubou o prédio velho e construiu uma nova edificação, que foi concluída em 1885 e passou a ser denominado de Lazareto da Piedade[6].

Certamente pelo medo de propagação do cólera e de outras doenças a partir dos corpos em decomposição, foi que o Presidente Passos escolheu o local do Cemitério Público em um ponto bem distante da área central de Natal, o que provocou novos problemas. Cascudo comentou que para atenuar essa situação, o Presidente da Província mandou comprar em Recife um carro fúnebre no valor de 750$000 (setecentos e cinquenta mil réis). Entretanto, quase quarenta anos depois do ataque do cólera em Natal, uma nota de jornal transparece como a distância para o Cemitério Público continuou sendo grande para a população local. Em 24 de agosto de 1891 o jovem Manoel Adélio Emerenciano faleceu de causas desconhecidas e foi enterrado no Cemitério do Alecrim. Seu pai, José Idelfonso Emerenciano, mesmo em meio a tragédia da perda do seu filho, fez questão de publicar uma nota agradecendo aqueles que se dignaram a acompanhar o velório até o cemitério[7].

Origem do Nome

Em sua interessante obra História da Cidade do Natal, Câmara Cascudo informou que uma senhora que habitava nas proximidades do cemitério público costumava enfeitar com pequenos ramos de alecrim os ataúdes das crianças que eram ali sepultadas. Não sabemos se essa mulher, conhecida como Velha do Alecrim, realizava essa caridosa tarefa por piedade, ou para pagar alguma promessa. Nem sabemos se sua ação ocorreu na época da epidemia do cólera, ou começou depois. Assim como nada ficou registrado sobre seu nome e sua história pessoal. Mesmo sem maiores referências, essa é a versão mais conhecida para a criação da toponímia do bairro do Alecrim[8].

Já na edição de 4 de agosto de 1948 (pág. 2) do jornal católico natalense A Ordem, encontramos um interessante relato feito por um oficial do Exército Brasileiro ao Monsenhor Paulo Herôncio de Melo (1901 – 1963), sobre os primeiros anos do que hoje é o bairro do Alecrim e um certo elemento, nem um pouco piedoso e caridoso, que supostamente teria batizado o bairro.

Reinaldo F. Lourival nasceu em Natal, sendo um dos dezenove filhos legítimos de Lourival Eduvirges de Mello Açucena (1827 – 1907), o renomado poeta Lourival Açucena[9]. Esse verdadeiro ícone da poesia potiguar teve três mulheres e ainda foi responsável pela vinda ao mundo de outros treze rebentos bastardos, perfazendo trinta e dois filhos no total. Apesar dessa situação, nada incomum em muitas famílias brasileiras na virada dos séculos XIX e XX, Reinaldo cresceu tendo acesso a uma boa qualidade de vida, o que lhe proporcionou entrar no Exército e seguir a carreira militar. Ele fez o curso de oficial na extinta Escola Militar da Província do Rio Grande do Sul[10].

Igreja de São Pedro Apóstolo, na área da Praça Pedro II. Nessa área é onde acreditamor ter sido construída a casa de Reinaldo Lourival.

Em 1948 Reinaldo Lourival escreveu para o Monsenhor Paulo Herôncio comentando que retornou do Rio Grande do Sul em abril de 1892, passando a residir na Rua Padre Pinto, antiga Rua do Fogo. Depois comprou um terreno que ficava além da região do Baldo, próximo da atual Praça Pedro II, onde construiu uma casa. Depois, na mesma área, edificou uma vivenda para sua mãe Dona Flora Clarindo de Vasconcelos Lourival, a segunda esposa de Lourival Açucena. Ele informou que naqueles primeiros momentos do Alecrim, afora algumas poucas casas ao redor do seu terreno, do cemitério e do lazareto, ou de algum rancho mais afastado, o resto era basicamente mato.

Câmara Cascudo faz eco ao texto de Reinaldo Lourival, apontando que antes de 1892 a região era ainda mais desabitada, onde comentou que “Raríssimas pessoas habitavam o descampado. Era terra de roçados de mandioca e de milho, zona de caçada para os morros. Umas quatro casinhas de taipa, cobertas de palha, sem reboco, denominadas capuabas, estavam dispersas num âmbito de légua quadrada”. Já em relação aos moradores da região onde atualmente se localiza a Praça Pedro II, Cascudo comentou que essa praça “teve as honras das iniciais filas de casas”. Ele apontou que entre os primeiros moradores que ali viviam estava Flora Lourival, mãe do militar Reinaldo Lourival[11].

Voltando ao texto produzido pelo militar em 1948, Reinaldo informou que batizou a área onde morava como “Alto da Santa Cruz”. Segundo ele a aprovação desse nome contou com o apoio de ninguém menos que o Padre João Maria Cavalcanti de Brito. E o bondoso e caridoso padre teria lhe dito que “Coloque lá uma cruz, que é o símbolo do Cristianismo”. Se o militar chantou essa cruz, eu não descobri.

Tempos depois, por volta de fevereiro ou março de 1895, um cidadão chamado Manuel dos Prazeres vendeu sua residência, que ficava após o cemitério e o lazareto. O comprador foi um negro conhecido Manuel Peregrino, que foi escravo de um rico comerciante chamado Joaquim Inácio Pereira. Após a sua libertação Peregrino, tido como “pândego”, montou uma “pensão” em uma antiga artéria de Natal chamada Rua do Morcego (anteriormente conhecida como Rua do Sebo) [12]. Um ambiente que, segundo Reinaldo, promovia bailes e batuques e a “gente do meretrício e do álcool” circulava tranquilamente. Sempre tarde da noite era servido pelo proprietário uma suculenta Panelada e uma ótima Mão de vaca, para levantar a moral e o espírito dos frequentadores, tidos pelo autor como uma “baixa e temível freguesia”.

Ocorre que o negócio de Peregrino estava perturbando a vizinhança da Rua do Morcego e o ex-escravo foi devidamente “convidado” a se retirar do setor pelas autoridades. Consta que ele pagou um bom dinheiro pela sua nova casa, mas o problema é que Manuel Peregrino levou para a região próxima do “Alto da Santa Cruz”, do cemitério e do lazareto o seu ganha pão, seu batuque, sua clientela, sua Panelada e a Mão de vaca.

Não demorou e começaram o que o militar classificou de “orgia e desordem”. Um dia o filho de Lourival Açucena testemunhou Peregrino atacar violentamente um ex-escravo do coronel Bonifácio Câmara a cacetadas. O fato ocorreu no meio da rua e na frente de todos, sem ter sido divulgada a razão do ataque[13].

Na revista carioca Fon Fon, edição de 11 de dezembro de 1916, na página 26, encontramos essa foto, onde o militar fardado é Reinaldo F. Lourival, atuando como juiz de uma luta de esgrima. O que mostra sua mudança para o Rio deJaneiro.

Reinaldo Lourival informou na carta publicada no jornal A Ordem que foi o próprio Manuel Peregrino que lhe confessou em uma ocasião que “batizou de Alecrim o novo bairro” e que isso ocorreu “de parceria com seus convivas, sentindo talvez o cheiro da planta aromática, que certamente em casa tinha”. O militar apontou que Peregrino fez isso “talvez ignorando o que eu tinha proposto”, que foi chamar a região de “Alto da Santa Cruz”, com a anuência do Padre João Maria.

Apesar do Relato Interessante, Seria Essa História Verdadeira?

Será que Manuel Peregrino, por talvez possuir ramos da popular planta aromática no seu negócio, decidiu junto com sua a sua gente bem destrambelhada chamar de “Alecrim” a área onde estava a sua dita “pensão”?

Realmente a única referência sobre essa versão de onde surgiu o nome Alecrim para o bairro, é a carta desse militar ao Monsenhor Paulo Herôncio e publicada na edição de 4 de agosto de 1948 (pág. 2) do jornal católico natalense A Ordem.

Parece não haver dúvidas que a planta alecrim (Salvia rosmarinus) era uma planta abundante e popular na capital potiguar. Encontramos inúmeras citações do seu uso entre os moradores de Natal nos jornais do final do século XIX. Certamente ela proliferava desde a região onde hoje se encontra a Praça Pedro II, até o Cemitério Público e o setor onde foi construído o antigo Lazareto da Piedade. Quem sabe se bem antes de existir o cemitério e a Velha do Alecrim com a sua caridosa ação, ou o “pensão” onde Manuel Peregrino vendia sua Panelada e a Mão de vaca, de alguma forma toda aquela região já era conhecida pelo nome da popular planta que ali proliferava?

Realmente eu não sei!

O que sei é que a história das cidades e de seus bairros é algo extremante dinâmico e interessante, cuja existência segue adiante independente de meras questões toponímicas.

Já nos primeiros anos do século XX existem várias referências sobre uma área, aparentemente um logradouro não oficial, denominado “Rua Alecrim”, cuja localização era “alguns passos além do campo santo”.

Essa referência encontramos na edição do jornal natalense A República, de 30 de julho 1902 (pág. 1), que afirmava ser a dita “Rua Alecrim” um dos locais perigosos de Natal. Um setor onde “a língua, as armas e a cachaça estão elevadas ao último grau”. Inclusive essa nota informava sobre o caso de um homem chamado Belarmino Bezerra Borges, que tinha sua horta composta de jerimuns, quiabos, macaxeiras, feijão de corda e outros legumes, sendo continuamente roubada e destruída por um certo Francisco de Oliveira, que acabou preso.

Outras referências deixam claro que a área no entorno da “Rua do Alecrim” era realmente “quente”. Poucos meses antes do roubo a Belarmino Bezerra Borges, encontramos a designação de José Pereira Neves como “Inspector de Quarteirão” da “Rua Alecrim” e da “Travessa Barro Vermelho, conforme está descrito na edição de 4 de fevereiro de 1902 (pág. 4) de A República,[14].

Região do Baldo. A avenida a direita na foto segue em direção a Praça Pedro II.

Apesar dos problemas envolvendo violências nessa área da capital potiguar, encontramos um indicativo de crescimento habitacional na região da “Rua Alecrim”. Ainda em 1902 foi publicado um convite feito por Godofredo Xavier da Silva Brito, Presidente da 1ª Seção de Alistamento Eleitoral, conclamando as pessoas que habitavam nas localidades “Pirangí”, “Ponta Negra”, “Quintas”, “Réfoles” e “Rua Alecrim”, para comparecerem na sede da Intendência Municipal e se registrarem como eleitores. Vale recordar que nessa época nem mulheres e analfabetos eram aceitos como eleitores e a fraude era uma constante nas votações. Já o que se chamava de Intendência Municipal, ou simplesmente Intendência, é algo que hoje denominamos como Prefeitura[15].

Logo a designação “Alecrim” começou a aparecer também em documentação oficial do Governo do Estado. Na página quatro do relatório da diretoria do Hospital de Caridade, entregue ao governador Alberto Frederico de Albuquerque Maranhão e anexado a sua mensagem ao Congresso Legislativo do Estado de 1904, o futuro bairro aparece como “Alto do Alecrim”.

E parece que a área foi crescendo, se ramificando e parindo outros logradouros com a denominação “Alecrim”. Em 1907 o Sr. Lucio Ferreira do Nascimento requereu na Intendência Municipal de Natal o aforamento de um terreno de sua propriedade na área da Praça Pedro Américo[16]. Nessa nota essa praça é também referenciada como “antiga do Alecrim”[17].

Bonde da linha o bairro do Alecrim.

Essa região, considerada periférica na época, continuou crescendo e em 23 de outubro de 1911, através da Resolução número 151, promulgada pela Intendência Municipal de Natal, é criado o bairro do Alecrim, o quarto bairro da cidade do Natal.

NOTAS


[1] Sobre a história do Cemitério do Alecrim ver Cascudo, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Natal-RN. IHGRN, 3ª Ed., págs. 263 a 266, 1999.

[2] O tribuno Loyola torcia que a verba se destinasse a iluminação e Brandão pelo cemitério. Apesar da Lei 225 ter sido promulgada em 9 de agosto de 1851, com a devida autorização para a compra de quinze lampiões que utilizavam azeite, ela não foi cumprida. Natal só veio a ter seu primeiro sistema de iluminação pública em 1859. Ver Cascudo, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Natal-RN. IHGRN, 3ª Ed., págs. 299 e 300, 1999.

[3] Sobre esses interessantes debates ocorridos na Assembleia Legislativa Provincial, ver o jornal Argos Natalense, Natal-RN, ed. 07/09/1851, pág. 2 e a edição de 20/09/1851, na pág. 4.

[4] Nesse mesmo ano de 1856 o Presidente Passos ergueu o Hospital da Caridade. Esse hospital ficava localizado na rua que ficou conhecida como Caridade e hoje se chama Presidente Passos, na Cidade Alta. Ver Cascudo, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Natal-RN. IHGRN, 3ª Ed., pág. 206, 1999.

[5] Reforma psiquiátrica em Natal-RN: evolução histórica e os desafios da assistência de enfermagem. Autores – Fernando de Souza Silva, Clélia Albino Simpson e Rita de Cássia Dantas. Publicado originalmente na SMAD, Revista Eletrônica de Saúde Mental, Álcoo e Drogas.(ED. Port.) vol.10no.2 Ribeirão Preto-SP ago. 2014.

[6] Segundo placa comemorativa ao centenário do prédio, onde hoje funciona o CEI Leste II, localizado no Alecrim, em 1921 o antigo Lazareto da Piedade se transformou no Hospital dos Alienados, depois foi construído no local o Centro de Saúde do Alecrim e hoje é o Centro de Saúde Reprodutiva Prof. Leide Morais, na Rua Fonseca e Silva.

[7] O carro fúnebre foi adquirido ainda em 1856. Sobre a nota publicada por José Idelfonso Emerenciano, ver o jornal O Santelmo, Natal-RN, ed. 06/09/1891, 1ª pág.

[8] Ver Cascudo, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Natal-RN. IHGRN, 3ª Ed., pág. 356, 1999.

[9] Foi Luís da Câmara Cascudo, com a ajuda de Joaquim Lourival, filho do poeta, que recolheu o que foi possível de seus poemas, publicando um volume em 1927. Este filho do bardo foi igualmente uma figura muito conhecido na capital potiguar, sendo proprietário de uma escola particular e chamado por todos de “Professor Panqueca”. Mais sobre a vida de Lourival Açucena ver https://tokdehistoria.com.br/2017/09/09/lourival-acucena-o-grande-artista-de-natal/

[10] Entre os filhos de Lourival Açucena ao menos três deles seguiram a carreira militar no Exército. Foi o caso do coronel Reinaldo F. Lourival, que anos depois do episódio aqui comentado passou a residir no Rio de Janeiro, e do major Pedro Lourival, que passou a residir em Pelotas, Rio Grande do Sul. Já o cadete Carlos Lourival, outro filho de Lourival Açucena, morreu com 21 anos em decorrência do “uso imoderado de morfina”. Este jovem nascido em Natal era fruto do segundo casamento do poeta, morava em São Paulo e estava lotado no 10° Regimento de Cavalaria, onde faleceu na madrugada de 4 para 5 de julho de 1889. Ver https://tokdehistoria.com.br/2017/09/09/lourival-acucena-o-grande-artista-de-natal/

[11] Ver Cascudo, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Natal-RN. IHGRN, 3ª Ed., pág. 355 e 356, 1999.

[12] Não consegui descobrir onde se localizava essa antiga artéria natalense.

[13] Alguém pode estranhar que Reinaldo F. Lourival, um oficial do Exército Brasileiro durante a Primeira República, uma época onde os militares detinham muito poder político em meio a sérias crises institucionais no Brasil, tenha aceitado a existência desse tipo de “ambiente” em uma área não muito distante da sua casa e a da residência de sua mãe. Entretanto, apesar de todo movimento, parece que nem o militar e nem sua família se sentiram atingidos pelo o que ocorria no lugar de trabalho de Manuel Peregrino, pois em seu longo relato não encontrei a menor referência desse militar utilizar a polícia contra esse lugar. Ainda segundo o texto publicado no jornal natalense A Ordem, na edição de 4 de agosto de 1948 (pág. 2), nessa época Reinaldo F. Lourival estava aposentado no posto de coronel e vivia no Rio de Janeiro. Por essa época morava em Natal um filho seu chamado Mauro, que havia estado na Itália, como 1º tenente-médico e integrante do contingente da Força Expedicionária Brasileira – FEB.

[14] Um “Inspector de Quarteirão” era uma pessoa designada, sem remuneração, como auxiliar do delegado municipal. Ficavam encarregados do policiamento em locais normalmente mais afastados dos centros urbanos, onde cabia-lhes lidar com situações diversas, sendo responsáveis pela solução de problemas localizados em seus setores, ou realizar o encaminhamento dos envolvidos para as Delegacias de Polícia. Segundo o historiador Anderson Szeuczuk, em um artigo publicado na Revista Saber Acadêmico (edição nº 28, dezembro de 2019) da Faculdade Presidente Prudente, informa que os quarteirões designados ao seus respectivos inspetores deveriam normalmente ter no mínimo 25 casas, o que poderia indicar um número relativo aos primeiros habitantes do bairro do Alecrim.

[15] Ver jornal A República, Natal-RN, ed. 23/04/1902, pág. 2.

[16] A antiga Praça Pedro Américo é chamada nos dias atuais de Praça Pedro II.

[17] Ver jornal A República, Natal-RN, 23/01/1907, 1ª pág.

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