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FORTES CHUVAS EM NATAL – UM VELHO PROBLEMA!

Fonte - http://terradaxelita.blogspot.com.br/
Fonte – http://terradaxelita.blogspot.com.br/

Rostand Medeiros

Entre a última quinta feira (12/06/2014) até o dia de hoje Natal sofreu fortes pancadas de chuvas, com graves prejuízos por toda cidade e desabrigados em algumas áreas. Temos um grande número de crateras abertas, quedas de barreiras, bueiros estourados, casas alagadas e ruas interditadas pelo carreamento de terra. Segundo o jornal Tribuna do Norte equipes de professores da UFRN, da Defesa Civil de Natal e demais secretarias municipais visitaram as áreas de risco, pontos de alagamentos, além de equipamentos como escolas, creches e ginásios que poderão ser usados como abrigos e pontos de apoio. O desastre é notícia até nos órgãos de imprensa dos grandes centros do país.

Um verdadeiro caos! Mas também um fato antigo e extremamente previsível!

Há 102 anos, no dia 17 de abril de 1912, sem nenhuma mentira, o jornal carioca “Correio da Manhã” trazia a notícia “As chuvas em Natal”, que abaixo reproduzo.

Chuvas (2)

E foi um grande toró!

Em meio a notícias do afundamento do transatlântico Titanic, troca de acusações entre os partidários do governador Alberto Maranhão e a sua oposição, os jornais locais noticiavam os estragos em uma cidade que tinha pouco mais de 20.000 habitantes. A atual Avenida Câmara Cascudo, antiga Junqueira Aires (E anteriormente Rua da Cruz), se transformou “Em um rio de lama”.

Antiga Avenida Junqueira Aires em meio a chuva no início do século XX
Antiga Avenida Junqueira Aires em meio a chuva no início do século XX

Casebres desabaram, ruas ficaram esburacadas e a circulação ficou comprometida. Não foi divulgado o nível de prejuízos econômicos, mas as notícias de chuvas em 1912 se repetem desde março a maio daquele ano. Foi até notícia em jornais do Rio.

Naquele tempo as dificuldades de transporte e comunicação eram muitas e o apoio aos que sofriam com enchentes eram limitados. Mas em contrapartida a população era pequena e se vivia mais na zona rural. Se atualmente a repercussão nos nossos jornais é focada nos grandes estragos provocados em Natal, há 102 anos, certamente pelo ainda diminuto tamanho da cidade, não havia tanto detalhamento sobre os estragos na capital. Podemos ver que em meio às notas sobre transtornos em Natal havia muita satisfação com as chuvas que ocorriam no interior, mesmo que estas ocasionassem destruições, como ocorreu no vale do Rio Ceará-Mirim em 1912.

Chuvas (4)

Hoje as comunicações e transportes são francos, com recursos muito melhores para apoiar aqueles que sofrem com enchentes. Isso em meio a um grande aumento populacional nas zonas urbanas. Apesar da imprevisibilidade da quantidade de chuvas que podem cair na nossa região, sabemos a época que elas chegam e as áreas onde ocorrem mais estragos. Mas a repetição de notícias sobre estragos, desabrigados, ocorrência de problemas nas vias públicas incomoda bastante. Principalmente para os que sofrem na pele este tipo de problema.

Diante do caos é sempre um bom momento para pensarmos mais sobre a nossa desprezada cidade. É nestas horas que podemos fazer uma melhor reflexão sobre o lugar que vivemos e ser cobrado dos governantes ações mais efetivas em favor de uma melhor infraestrutura para Natal, um maior cuidado com o nosso meio ambiente e que eles possam melhor planejar o futuro da capital potiguar.

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EU TORÇO PELO BRASIL

Fonte - http://homem.net/
Fonte – http://homem.net/

Em tempos de Copa do Mundo, acho que sou visto como um ET. Não visto verde-amarelo. Não coloco bandeirinha no carro. O televisor fica desligado nos horários dos jogos. Só não ignoro os resultados da seleção brasileira porque o foguetório da vizinhança me informa todas as vezes em que há um gol. Também o noticiário da televisão é dominado pela temática, mesmo que ela não lhe interesse.

Não tenho força imaginativa para conceber que teríamos um novo país no momento em que carregássemos o título de “Hexacampeão”.

Mas eu torço pelo Brasil.

Torço pelo Brasil, para que os seus governantes pautem suas decisões e ações por uma ética de justiça, verdade e probidade. Que seus legisladores trabalhem para que as leis no país não legalizem situações de exploração e opressão. E que seus tribunais e juízes ultrapassem as teias da burocracia judiciária e ministrem a Justiça, corrigindo distorções e coibindo a propagação do mal em todas as esferas da sociedade.

Torço para que aqueles que são encarregados da segurança pública sejam cada vez menos necessários, em razão da diminuição das agressões e outros crimes. E também para que eles não façam alianças com o crime organizado, tirando proveito próprio e traindo o papel que lhes foi atribuído.

Torço por um país em que o povo e o seu adjetivo correlato não sejam apenas um título nos conluios e alianças espúrias em épocas de eleição, que só têm em vista a perpetuação daqueles que já estão no poder e que o exercem sem, efetivamente, se preocuparem com as necessidades desse povo.

Torço pelo dia em que a riqueza produzida pelo suor de muitos não se concentre nas mãos de uns poucos, mas seja mais equanimemente distribuída, para que não haja “fome em grandes plantações”.

Torço pelo Brasil, para que tantas mulheres nesse país não sejam vítimas da violência por parte de seus parceiros, mas sejam respeitadas e valorizadas. Também torço pelos menores, para que não sejam alvo de abusos sexuais por parte daqueles sob cujo cuidado estão.

Fonte - veja.abril.com.br
Fonte – veja.abril.com.br

Estou na torcida pelos adolescentes e jovens, para que lhes sejam proporcionadas oportunidade de educação e trabalho, de modo que possam sonhar com melhores perspectivas de vida que não aquelas oferecidas pelo crime e pela marginalidade.

Torço para que os ricos desse país não apenas permitam que os pobres recolham as migalhas que caem das suas mesas, mas partilhem os seus banquetes com os que nada têm, de mãos abertas e corações generosos.

Torço pelo Brasil, no desejo que nele as pessoas não sejam valorizadas e prestigiadas pelo montante da conta bancária ou pela grife da roupa que ostentam. Mas seja um país que reconheça o valor de todos os que o compõem, em razão da dignidade inerente ao ser humano.

Também estou na torcida para que aqueles que controlam os meios de produção tomem decisões com visões de longo alcance. Que não façam escolhas somente tendo em vista o lucro e a produtividade de hoje, mas considerem a manutenção dos bens materiais e a sustentabilidade da riqueza e beleza da natureza.

Eu torço pelo Brasil, para que os estudantes dessa nação não apenas obtenham conhecimento, mas que eles busquem e encontrem a sabedoria. Que eles adquiram as competências técnicas de suas profissões, mas também assimilem valores que lhes indiquem o que fazer com as suas vidas. E que todo o país dê ouvidos aos seus sábios e aos seus mestres, que têm contestado o materialismo e o consumismo desumanizantes, pleiteando uma ordem diferente de prioridades.

Fonte - pt-br.facebook.com
Fonte – pt-br.facebook.com

Estou na torcida por um país que seja sensível às evidências mundiais – terrorismo, genocídios, desintegração, poluição, exaustão. Que possa acolher a Verdade que, de todos os lados, está acercando-se mais do homem. Um país que não se esquive da Verdade, acreditando que as forças destruidoras em processo podem ser “colocadas sob controle” simplesmente mobilizando-se mais recursos para combater a poluição, preservar a natureza, descobrir novas fontes de energia e chegar a acordos mais efetivos quanto à coexistência pacífica.

Finalmente, torço por um país que compreenda que “não erramos porque a verdade seja difícil de distinguir – ela pode ser vista num relance. Erramos porque simplesmente é mais cômodo.” (Alexander Soljenítsin).

Eu torço pelo Brasil.

Wicliffe Costa

(6ª feira, 2 de julho de 2010)

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Nota do Responsável por este Blog Wicliffe de Andrade Costa é Mestre em história e professor da UFRN. Produziu este texto na época da Copa da África do Sul, que continua bastante atual e serve para refletirmos
sobre a realização desta competição em nosso país. Ao lhe pedir permissão para publicá-lo, fiquei muito feliz em saber que ele considerou um privilégio ter seu texto aqui divulgado.

Muito obrigado professor.

VOO VARIG 967 – UMA ETERNA INCÓGNITA DA AVIAÇÃO BRASILEIRA

O Boeing 707-323 cargueiro (PP-VLU), desaparecido misteriosamente em 1979
O Boeing 707-323 cargueiro (PP-VLU), desaparecido misteriosamente em 1979

Semelhante ao atual desaparecimento do Boeing da Malaysia Airlines, sumiço do avião brasileiro é o maior mistério da aviação nacional e era pilotado por um paraibano com mais de 23.000 horas de voo

Por Filipe Rosenbrock

Um Boeing 777-200 desaparece sem dar sinal na Ásia. O avião era propriedade da Malaysia Airlines, uma das maiores companhias aéreas da Ásia. A bordo estavam 239 pessoas, sendo 227 passageiros, duas crianças e 12 membros da tripulação. A aeronave decolou por volta das 20h30 (horário de Brasília) do aeroporto de Kuala Lumpur – capital da Malásia – rumo a Pequim, na China. O sumiço foi registrado quando o vôo passava pelo golfo do Vietnã, duas horas depois de deixar o país de origem, já na madrugada de sábado.

Notícia como esta não é a única na história da aviação mundial. Apesar de não tão corriqueiras, sempre surpreendem a quem as acompanha pelos requintes de mistério que as cercam. Uma destas crônicas, motivada pela situação do vôo desaparecido, faz lembrar o que até hoje persiste como a maior incógnita da aviação brasileira e uma das maiores do mundo: O desaparecimento do Boeing 707-323 cargueiro da Varig (PP-VLU) no Oceano Pacífico, há 34 anos.

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Até hoje nada trouxe uma solução exata sobre o que aconteceu naquela noite de 30 de janeiro de 1979. Na ocasião, o vôo 967 decolara do aeroporto de Narita, em Tóquio, com destino ao Rio de Janeiro. A rota previa ainda uma escala em Los Angeles (EUA) para a troca da tripulação. Entre os tripulantes da aeronave um nome merecia destaque; o comandante Gilberto Araujo da Silva, experiente piloto da companhia com mais de 23 mil horas de voo.

Gilberto era conhecidíssimo entre os integrantes do quadro de funcionários da Varig. Além da sua experiência reconhecida, ele também era detentor da Ordem do Mérito Aeronáutico e fora condecorado na França pela sua perícia em evitar um acidente maior em outro vôo com um Boeing 707 da Varig em 1973. O comandante havia impedido que o avião em chamas caísse sobre várias casas nas imediações do aeroporto de Orly, próximo de Paris, pousando numa plantação de cebolas daquela região. Foram 112 mortos, número que podia ter sido maior se não fosse a sua habilidade nos ares.

Comandante Gilberto Araújo da Silva nasceu em Santa Luzia, Paraíba, em 12 de novembro de 1923
Comandante Gilberto Araújo da Silva nasceu em Santa Luzia, Paraíba, em 12 de novembro de 1923

Além de Gilberto, o avião era tripulado pelo co-piloto Erni Peixoto Millyus, pelos oficiais Evan Braga Saunders e Antônio Brasileiro da Silva Neto e pelos engenheiros de voo Nicola Espósito e José Severino de Gusmão Araujo. 

Passaram-se um pouco mais de meia-hora quando a torre de controle em Tóquio esperava o contato programado com o voo que rumava a Los Angeles, sem resposta. Assim se foram nas várias tentativas sem nenhum resultado obtido. O desaparecimento era evidente e logo, autoridades japonesas e americanas começaram as buscas atrás de vestígios da aeronave no mar do pacífico.

Entre as 20 toneladas de carga, como equipamentos eletrônicos, estavam 53 quadros do pintor nipo-brasileiro Manabu Mabe (1924-1997). Naquele ano, o artista completava seus 50 anos de vida e as obras, avaliadas perto dos US$ 1,2 milhão, voltaram de uma de suas exposições no Japão.

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Várias teorias foram lançadas para tentar explicar o sumiço do avião. Uma das mais plausíveis seria a de que o Boeing 707 sofrera uma despressurização da cabine, o que teria deixado a tripulação inconsciente. Sem os comandos, o avião teria voado por algumas horas em piloto automático até cair em um ponto isolado do Oceano Pacífico, muito além da área de busca estabelecida. No entanto, uma vertente aponta também para um abatimento da aeronave por caças MiG 25 soviéticos. Segundo esta hipótese, o voo teria invadido o perigoso espaço aéreo da URSS e fora então interceptado pela artilharia russa.

Até hoje, permanece o mistério nos ares brasileiros. Muito depois da falência da Varig nos anos 2000, as perguntas e dúvidas surgidas após o sumiço do voo 967 perduram até hoje, sempre mantidas com esperança pelos parentes e amigos de seus tripulantes. O desespero dos familiares do voo MH370 não é único, e o Boeing da Malaysia Airlines é mais uma das estatísticas de desaparecimentos misteriosos nos ares asiáticos.

Fonte – http://www.defesaaereanaval.com.br/?p=38717

BRASIL, O PAÍS DA COPA

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2014

Ano de eleições, de refletir sobre os últimos quatro anos e pensar se vale a pena mudar ou deixar as coisas como estão. Mas, para a imensa maioria da população, a pauta que realmente interessa é outra. 2014 é ano de Copa do Mundo, de celebrar a festa do futebol e o retorno do maior evento do planeta ao país que mais idolatra o esporte bretão.

A despeito de uma sensação geral de torpor com a proximidade da Copa, há no ar um incômodo sentimento de que as coisas vão sair pior do que se imaginava. E não é só da ameaça de um novo levante das ruas que estou falando.

Que a maior parte do dinheiro gasto no evento da Fifa seria público, ninguém em sã consciência duvidava. Que a infraestrutura do país não estaria à altura do evento, tampouco alguém punha em questão. Que o legado do evento seria conversa mole pra boi dormir, era algo não só possível como até certo ponto esperado. O que ninguém imaginava é que o futebol brasileiro chegasse às vésperas da Copa do Mundo tão depauperado.

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Desde o fim do Campeonato Brasileiro do ano passado até agora, o que se tem assistido é uma caminhada firme e segura em direção ao precipício. Apenas para rememorar, aconteceram em sequência os seguintes fatos:

1 – Na última rodada do Brasileirão, um jogo decisivo passou mais de uma hora interrompido por conta de uma briga entre torcidas organizadas. Quatro torcedores foram levados à UTI (felizmente, todos escaparam) e quase três dezenas foram presos. O resultado do jogo, contudo, foi mantido;

2 – Depois de uma trapalhada até hoje não suficientemente explicada, a Portuguesa escalou um jogador suspenso pelo STJD. Com isso, abriu a brecha para que o Fluminense, o time da eterna virada de mesa, conseguisse lhe tirar 4 pontos e fazer com que a Lusa caísse para a Segundona no seu lugar;

3 – Como posteriormente se verificou, todos os procedimentos do STJD violavam de modo frontal o que dispõe o Estatuto do Torcedor, pois suas decisões não eram publicadas no Diário da Justiça Federal. Sabe-se lá por que, o STJD resolveu entender que o Código Brasileiro de Justiça Desportiva – uma norma administrativa de uma entidade privada – se sobrepunha ao Estatuto do Torcedor – uma lei federal;

4 – Desde então, uma guerra de liminares põe em xeque a realização do Campeonato Brasileiro. Ora a Justiça anula a decisão do STJD e manda rebaixar o Fluminense no lugar da Portuguesa, ora a Justiça decide manter o rebaixamento da Lusa e a virada de mesa. Enquanto isso, não se sabe se o Brasileirão de 2014: a) manterá o padrão dos últimos anos, com 20 times, em turno e returno; b) anulará o rebaixamento de todo mundo, fazendo com que se faça um campeonato com 24 times; c) vai efetivamente ocorrer, ocasionando uma versão 2014 da Copa João Havelange (2000);

Será que estas cenas vão se repetir??
Será que estas cenas vão se repetir durante a Copa 2014??

5 – Iniciado o Campeonato Paulista, a torcida organizada do Corinthians resolveu voltar às raízes e ressuscitar o lema “Se não joga por amor, joga por terror”. Diante do baixo rendimento do time em campo, invadiu o CT, sitiou os jogadores e agrediu funcionários do clube. Tudo isso sob a batuta de um presidente que indaga solenemente “Quem nunca deu um murro em ninguém?”;

Há quem possa pensar que esse é um problema restrito ao panorama nacional. Ou, por outro ângulo, a seleção estaria a salvo da desgraça generalizada. No limite, danem-se os Estaduais e o Brasileirão. Enquanto a seleção jogar bem e ganhar, estará tudo bem.

É um pensamento estreito. Além do óbvio impacto da débâcle futebolística na seleção brasileira, é de se pensar com que cara receberemos o maior evento esportivo da Fifa com os campeonatos estaduais e nacionais paralisados por conta de uma greve de jogadores. E não uma greve qualquer, mas uma motivada pela falta de estrutura e de segurança para o desenvolvimento de suas atividades.

Fora isso, não custa lembrar que, enquanto o futebol brasileiro passava por esse processo de implosão, a maior estrela do escrete canarinho foi personagem principal de uma história mal contada sobre sua venda para o Barcelona. Não se sabe se houve algum tipo de crime na transferência de Neymar, mas é certo que o atacante jogou a final do Mundial de Clubes já negociado ao adversário e que, por algum motivo, o escândalo foi forte o bastante para derrubar o presidente do Barça, Sandro Rossell.

Dá para acreditar nessa galera?
Dá para acreditar nessa galera?

A verdade é que, aproximando-nos da Copa do Mundo, o Brasil deixou de ser somente o “País do Futebol”. Arrisca-se a tornar-se também o “Túmulo da Bola”.

Grandes emoções nos aguardam nos próximos meses.

Fonte – http://blogdomaximus.com/2014/02/05/brasil-o-pais-do-futebol/