UM POUCO DA HISTÓRIA DO BRASIL NAS COPAS DO MUNDO

Ruas enfeitadas, festas por todos os lados, emoção à flor da pele, demonstrações de “patriotismo”: no Brasil e em muitos países, a cada quatro anos, vemos repetir-se a força de mobilização de uma Copa do Mundo de Futebol, cujas finais, que atualmente contam com 32 seleções nacionais, envolvem mais público, movimentam mais recursos e angariam mais prestígio do que os Jogos Olímpicos, outro grande evento esportivo que reúne mais de 20 modalidades.

As primeiras ideias de organizar uma competição mundial de futebol surgiram em 1905, em um cenário em que havia muitas iniciativas de criação de movimentos internacionais (escotismo, esperanto, Cruz Vermelha, jogos olímpicos, entre outros). As iniciativas, todavia, não chegaram a se concretizar por questões operacionais ou políticas, como a Primeira Guerra Mundial.

O 4º gol da seleção Uruguai x Argentina marcado por Héctor Castro – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/1930_fifa_world_cup_final#/media/file:uruguay_goal_v_argentina_1930.jpg

Somente a partir da década de 1920, quando a FIFA (Federação Internacional de Futebol Association, órgão máximo da modalidade, criada em 1904) era dirigida por Jules Rimet, houve esforços mais sistemáticos no sentido de operacionalizar a proposta, que culminaram com a organização da primeira Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai, graças em grande parte ao desempenho da diplomacia do país-sede.

Ao contrário dos Jogos Olímpicos, organizados por cidades, as Copas do Mundo sempre foram promovidas por países. Do primeiro torneio, apenas 14 equipes nacionais participaram, sendo nove do continente americano e cinco do europeu.

Naquela ocasião, provavelmente não se imaginava que a competição iria crescer de tal forma que envolveria praticamente todos os países do mundo. Vale citar que a FIFA possui mais associados do que a Organização das Nações Unidas (ONU). Também no Brasil, essa primeira edição não teve grande impacto, inclusive pelo fato de a equipe representativa ser fruto de uma cisão entre paulistas e cariocas.

A seleção brasileira obteve um modesto sexto lugar. O Uruguai foi o campeão, o que não surpreendeu por sua condição de bicampeão olímpico (1924 e 1928) e país-sede. 

Jogadores da Alemanha Nazista realizando a sua saudação tradicional na Copa do Mundo de 1938 – Fonte – https://www.history.com/news/world-cup-nazi-germany-forced-austrian-players-lost

A segunda edição do evento foi realizada em 1934, na Itália. A competição começava a tornar-se mais popular, tendo sido inscritas 32 seleções para 16 vagas, tornando necessária a organização de eliminatórias. Tal Copa coincide com o avanço do fascismo na Itália, bem como de regimes autoritários na Alemanha, na Espanha e Portugal.  Foi concebida por Mussolini como uma forma de provar ossupostos avanços possibilitados pelo novo regime. Até mesmo facilitou-se a naturalização de estrangeiros, a fim de fortalecer a seleção italiana. Curiosamente, um brasileiro, Anfilogino Guarisi, foi campeão jogando pela equipe da casa.

Os torcedores brasileiros somente se empolgaram com a Copa do Mundo a partir de 1938, realizada na França. Com os problemas de organização no futebol nacional bastante amenizados, em função da intervenção governamental (já em pleno Estado Novo), enviou-se uma equipe forte, que contou com grande apoio popular. O Brasil conquistou o terceiro lugar, tendo uma participação bastante destacada: perdeu a semifinal para a Itália, um jogo bastante controverso por problemas de arbitragem. Leônidas da Silva foi o artilheiro da competição.

Selo comemorativo da Copa do Mundo de 1950 no BHr5asil – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/1950_FIFA_World_Cup

Deve-se ter em conta que, no cenário brasileiro, o futebol começava a ser mais comumente mobilizado como elemento discursivo na construção de uma identidade nacional, inclusive por uma reabilitação dos fenômenos culturais considerados mestiços, momento que tem como uma importante marca a difusão das ideias de Gilberto Freyre.

Algo que contribuiu e foi mesmo fundamental para o crescimento da popularidade do futebol e das Copas foi a atuação dos meios de comunicação. No Brasil, se em 1930 os torcedores tinham de esperar pelas notícias nas redações dos jornais, em 1938 já era possível acompanhar os jogos pelo rádio e também se podia assistir posteriormente às partidas nos cinemas.

Waldir Pereira, o Didi, bicampeão mundial de futebol em 1958 e 1962, apertando a mão do Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira – Fonte – Arquivo Nacional.

Em 1958, os jogos já podiam ser acompanhados pela televisão, sempre alguns dias depois de sua realização. Ao vivo, isso somente se tornou possível a partir da Copa de 1970. Nessa ocasião, fora introduzido o recurso do replay e, no decorrer do tempo, cada vez mais inovações tecnológicas marcariam as coberturas esportivas. A transmissão dos jogos tornou-se um verdadeiro espetáculo, transmitido por muitas emissoras de todo o mundo, que pagam direitos caríssimos e buscam a todo custo conquistar o público.

A Copa do Mundo é o evento líder mundial de audiência televisiva. Na última edição do evento, realizada no Brasil, em 2014, estima-se que houve cerca de 4,5 milhões de espectadores por partida, média superior à obtida na África do Sul.

Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, conversando com Manoel Francisco dos Santos, o Garrincha – Fonte – Arquivo Nacional.

Vários recordes mundiais foram também quebrados nos outros meios de comunicação, inclusive na internet.

Aproximadamente 1 bilhão de torcedores acompanharam on-line os jogos pelo site da FIFA No Brasil, se em 1938 o interesse foi grande, a Copa do Mundo tornou-se mesmo uma febre quando o país organizou a edição de 1950, construindo para tal o que na época seria o maior estádio do mundo e que ainda hoje, já bastante modificado por reformas recentes é uma das grandes referências do futebol mundial: o Maracanã.

O Preseidente da República João Melchior Marques Goulart abraçando o goleiro bicampeão mundial Gilmar dos Santos Neves – Fonte – Arquivo Nacional.

Depois de duas goleadas na fase final, ninguém esperava que o Uruguai fosse sair vitorioso na partida decisiva contra a seleção brasileira. A derrota por 2 × 1 foi uma das maiores tristezas do esporte brasileiro, para alguns foi mesmo encarada como uma marca das debilidades da nação.

Na ocasião, a competição era retomada depois do fim da Segunda Grande Guerra, e o Brasil, com a organização do evento, vislumbrava demonstrar seu protagonismo no novo tabuleiro internacional. Essa postura tornou-se comum no decorrer do século, inclusive em função da Guerra Fria: os blocos socialista e capitalista transferiram parte de seus conflitos e enfrentamentos para as instalações e competições esportivas.

O general Castelo Branco apertando a mão de Garrincha. Ao lado do militar vemos o então presidente da Confederação Brasilira de Desportos, CBD, Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange – Fonte – Arquivo Nacional.

Depois do fracasso na Copa de 1950, repetido na edição de 1954, realizada na Suíça, o país finalmente sagrou-se campeão em 1958, na Suécia, em um torneio que ficou marcado pela aparição internacional de uma das maiores estrelas da história do futebol e do esporte do século: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, na época com 17 anos.

A seleção brasileira voltaria a se sagrar campeã em 1962, na Copa do Chile, onde o grande destaque foi Garrincha, não se saindo bem em 1966, na Inglaterra, uma edição marcada pela violência e pela benevolência dos árbitros com a equipe da casa, que se sagrou vitoriosa em uma final extremamente polêmica com o time nacional da Alemanha.

Pelé – Fonte – Arquivo Nacional.

Em 1970, no México, a equipe nacional tornou-se a primeira tricampeã da competição, após uma fase da preparação marcada por conflitos internos, com o técnico João Saldanha sendo substituído por Zagalo, mas também por grandes investimentos no treinamento. Nunca antes uma seleção brasileira fora tão bem preparada, com tanta antecedência.

Muitos autores sugerem que esses investimentos estariam ligados à vontade dos militares, que comandavam o regime de exceção em vigor no país, de provarem o quanto eram adequadas suas propostas para o país. Além disso, estariam relacionados com uma estratégia de dispersão e distração da população brasileira. Tais hipóteses têm sido muito contestadas. Independentemente das polêmicas, não se pode negar a ampliação da atenção ao esporte a partir de então, bem como o forte clima de patriotismo que cercou a participação da seleção brasileira no México.

A Seleção Brasileira de Futebol que participou da Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental. Ao centro da foto, de paletó preto, está o general Ernesto Geisel, tendo ao seu lado esquerdo o potiguar Francisco das Chagas Marinho, o Marinhgo Chagas – Fonte – Arquivo Nacional.

As Copas de 1974 (Alemanha), 1978 (Argentina, uma edição muito polêmica em função de o país-sede viver um período ditatorial, liderado por militares, que cometiam constantes desrespeitos aos direitos humanos), e 1982 (ao contrário da anterior, marcada pelo processo de redemocratização da Espanha) foram marcadas por muitas mudanças, uma tentativa de a FIFA se sintonizar com o novo cenário internacional, algo que imediatamente repercutiu no aumento do número de participantes nas finais do evento e numa maior atenção para as equipes asiáticas e africanas.

Além disso, melhor se estruturavam as estratégias de negócios ao redor do futebol. Em 1982, pela primeira vez foi introduzido o conceito de “patrocinador oficial”. Se as primeiras propagandas apareceram de forma muito embrionária já na Copa de 1934, a partir da Espanha essa relação comercial tornou-se cada vez mais intensa. Basta lembrar que, no Brasil, o personagem “Pacheco”, parte da propaganda de uma empresa de lâmina de barbear, tornou-se um dos mais populares até hoje.

Arthur Antunes Coimbra, o Zico- Fonte – Arquivo Nacional.

Por trás dessas mudanças, deve-se citar o nome de João Havelange, que desde 1974 assumira a FIFA e veio a tornando uma das mais poderosas instituições do mundo. O dirigente tornou o futebol em um grande negócio global. As Copas do Mundo passaram a ser um dos principais palcos de lançamento de novidades, de estratégias comerciais e de badalação, a faceta mais conhecida de um dos esportes mais influentes e populares.

Se essas mudanças definitivamente projetaram o futebol, também trouxeram muitos problemas. Muitas têm sido as denúncias de que o aspecto esportivo está sendo abandonado em função dos lucros e do benefício dos investidores, para além de problemas de falcatruas financeiras diversas.

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o Dr. Sócrates – Arquivo Nacional.

A Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, foi o momento auge desses problemas, uma expressão das ambiguidades que cercam o evento. Se de um lado alcançou popularidade e impacto jamais visto, foi marcada também por manifestações e insatisfação da população com os gastos públicos excessivos e com a interferência da FIFA na governança nacional. Se de um lado, observou-se um dos melhores resultados técnicos, foram também descobertas ilegalidades nos negócios que cercam a competição.

Somente no futuro será possível melhor precisar o impacto dessas ocorrências, mas provavelmente durante muitos anos ainda persistirá a articulação entre governos instituídos e mercado na promoção das Copas do Mundo. As próximas edições já têm sido marcadas por polêmicas em função das características autoritárias do governo de Putin, cuja Copa de 2018 ocorreu na Rússia e da compra de votos na escolha da sede de 2022 (Qatar), denúncia ainda não confirmada, que está sendo apreciada pela FIFA, que
também tem sido compelida a adotar posturas mais transparentes em função de escândalos financeiros que cercam o mundo futebolístico.

Neymar da Silva Santos Júnior, considerado por muitos o maior craque da atual Seleção Brasileira de Futebol- Fonte – https://esportes.r7.com/prisma/copa-2018/cosme-rimoli/o-mal-que-neymar-faz-para-a-selecao-brasileira-10072018 – REUTERS/DAVID GRAY – 02.JUL.2018

Fonte

Livro – Enciclopédia de guerras e revolução, Volume 1, 1901 a 1919, páginas 338 a 342. Organizadores – FRANCISCO CARLOS TEIXEIRA DA SILVA, SABRINA EVANGELISTA MEDEIROS e ALEXANDER MARTINS VIANNA.

Referências

HELAL, Ronaldo, CABO, Álvaro do. Copas do Mundo: comunicação e identidade cultural no país do futebol. Rio de Janeiro: EdUerj, 2014.

HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque de; MELO, Victor Andrade de (orgs.). O esporte na imprensa e a imprensa esportiva no Brasil. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012.

MASCARENHAS, Gilmar, BIENENSTEIN, Glauco, SANCHEZ, Fernanda (orgs.). O jogo continua: megaeventos esportivos e cidades. Rio de Janeiro: EdUerj, 2011.

PRIORE, Mary Del; MELO, Victor Andrade de (orgs.). História do Esporte no Brasil: da colônia aos dias atuais. São Paulo: Editora Unesp, 2009.

A DESCOBERTA DA AUTOBIOGRAFIA DO PRIMEIRO GRANDE CRAQUE DO FUTEBOL BRASILEIRO

QUANDO PAPEL VELHO VALE MUITA COISA

Quem primeiro divulgou foi o jornalista Juca Kfouri, na sua coluna do jornal “Folha de São Paulo”. Depois a TV GLOBO divulgou no Esporte Espetacular do último domingo, da forma mais capenga que se pode imaginar.

Em todo caso é uma extremamente interessante para quem é interessado e apaixonado pela história de maneira geral.

Cesar Oliveira é um editor de livros sobre futebol e comanda um site interessante sobre o nobre esporte bretão (www.livrosdefutebol.com), consta que o mesmo herdou a biblioteca de Milton Pedrosa, o organizador da pioneira coletânea “Gol de Letra- Futebol na literatura brasileira” Lançado em 1968, este raro livro é uma primorosa seleção das melhores crônicas do futebol brasileiro, escritas por gênios como Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues, Sergio Porto, Fernando Sabino, Mario Filho, Carlos Heitor Cony, Armando Nogueira, Carlos Drummond de Andrade, Aparício Torelli (Barão de Itararé), Coelho Netto, Graciliano Ramos, Henrique Pongetti, José Carlos de Oliveira, José Lins do Rego, Mario de Andrade, Max Valentim, Oswald de Andrade, Paulo Rónai, Thomas Mazzoni, e outros.

Pareciam apenas papéis velhos, esquecidos, aparentemente sem valor. No meio do calhamaço, melhor, verdadeiro catatau de papéis velhos, o editor Oliveira encontrou uma pasta rosa, onde haviam 135 páginas datilografadas com o texto original e autobiográfico escrito por Arthur Friedenreich, o primeiro grande craque das massas alucinadas pelo futebol no Brasil.

Arthur Friedenreich

E não era só. No meio do material de Milton Pedrosa estavam cem fotos Arthur Friedenreich, todas inéditas, algumas com mais de cem anos, todas em perfeito estado de conservação. Tudo devidamente autorizado para publicação, com a assinatura da viúva do craque, Dona Joana Friedenreich.

Quem foi Arthur Friedenreich?

Ele foi tão somente a primeira grande lenda do futebol brasileiro.

Simples assim?

Certamente.

Arthur Friedenreich, ou El Tigre, ou Fried, como era conhecido, viveu entre 1852 e 1969, era filho de um imigrante alemão, alto, daqueles branquelos, com olho verde, com uma moreníssima brasileira, que trabalhava como empregada doméstica e era uma mulher conhecida por ser reservada.

Um dado interessante é que o craque manteve uma positiva relação com Charles Willian Miller, o inglês que trouxe o futebol ao Brasil foi um de seus mentores.

Charles Willian Miller

Segundo os textos escritos pelo próprio jogador “Fui aperfeiçoando meus recursos olhando Charles Miller, chutando a redonda sob seu olhar, que foi assim como o meu professor primário no futebol. Mas coube a Hermann Friese, que fora campeão no futebol alemão, me ensinar o secundário e o superior. Com ele, comecei a subir a ladeira e cheguei à efetivação no nível mais alto do futebol.

Herman Friese foi, junto com Miller, um dos pioneiros da criação do futebol brasileiro. Havia nascido em Hamburgo, Alemanha e falecido em São Paulo, teria sido o primeiro estrangeiro a jogar no Brasil foi juiz de futebol e técnico, sendo o primeiro treinador oficial de Friedenreich.

Herman Friese

Friedenreich foi também o primeiro grande nome da Seleção Brasileira. Em 1919, no Campeonato Sul-Americano, a atual Copa América, que foi disputada nas Laranjeiras, no estádio do Fluminense, para um público de 35.000 pessoas, quando o futebol era muito mais violento que hoje, e não havia o temido cartão vermelho.

Estádio das Laranjeiras, 29 de maio de 1919

O craque marcou o gol que valeu o primeiro título importante de nosso futebol, contra o Uruguai. Nascia ali a idolatria em torno do nome dele. Ele foi carregado pelas ruas do Rio de Janeiro e suas chuteiras ficaram expostas numa joalheria na Rua do Ouvidor, a principal do comercio carioca no início do século. Foi a primeira manifestação da massa em torno de um jogador de futebol.

Friedenreich Junto a Seleção Brasileira. Ele está agachado, ao centro

O editor César Oliveira comentou sobre este jogo que “Segundo os cronistas da época, o Uruguai batia muito no time do Brasil. Houve duas prorrogações, e as seleções jogaram 150 minutos. Friedenreich, mesmo sem dois dentes na boca, porque um uruguaio tinha acertado ele, conseguiu marcar o gol do título”.

Tesouro

Segundo César de Oliveira “Herdei da família do jornalista Milton Pedrosa, de cujos filhos sou amigo, o acervo da Editora Gol”, uma editora criada exclusivamente para lançar títulos exclusivamente sobre o futebol, mas que faliu e daí se explique o porque de  Milton Pedrosa não ter lançado este tesouro.

"El Tigre" em ação

Depois de 41 anos perdidas no acervo da família do autor de “Gol de Letra- Futebol na literatura brasileira”, esses documentos são parte da memória do futebol brasileiro. César de Oliveira  considera que estes documentos precisam e devem ser cuidadas por entidades dedicadas à preservação de iconografia histórica. Com profissionais gabaritados que cuidem delas, limpem, restaurem, preservem, arquivem, indexem e abram para consulta pública”, diz, se colocando-se aberto a negociações: “Quero ter certeza de que serão bem tratadas.”

O editor disse não acreditar que a biografia tenha sido escrita por Friedenreich, mas por um dos primeiros repórteres envolvidos com o futebol, que assinava com o pseudônimo de Paulo Várzea. “O livro tem característica de um jornalista com textos bom de ler sobre fatos do cotidiano”, afirma, confidenciando que Friedenreich é apresentado como uma criança que não gostava de ir à aula e preferia jogar bola.

Uma lenda que foi desmitificada pelo texto encontrado, dizia que Friedenreich teria feito mais de 1.300 gols em sua carreira, numa época que não havia uma divisão clara entre profissionais e amadores. Na verdade, ele marcara “apenas” 550 tentos de forma oficial. Mas, considerando os números de jogos, Arthur Friedenreich alcançou uma média de gols por partida melhor que a do próprio Pelé.

Este verdadeiro tesouro arqueológico deve se transformar em um interessante livro em pouco tempo. Mesmo sendo adorado pelo público da sua época, existem poucos registros de sua trajetória esportiva ou pessoal de Arthur Friedenreich. Por esta razão o achado do editor carioca César Oliveira se torna ainda mais raro e especial.  O editor está em busca de patrocinadores para lançar o livro em 2012, quando se comemoram os 120 anos de nascimento do jogador e pretende resguardar os originais.

Fontes

http://blogdojuca.uol.com.br/2011/07/preciosidade/

http://pt.wikipedia.org

http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2011/07/tesouro-do-futebol-editor-encontra-autobiograifa-de-arthur-friedenreich.html

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