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UM MISTÉRIO COM QUASE 175 ANOS ESTÁ SENDO DESVENDADO – ARQUEÓLOGOS FILMARAM UM DOS NAVIOS PERDIDOS DA EXPEDIÇÃO DE SIR JOHN FRANKLIN

Agora as imagens desse naufrágio estão rodando o mundo e mais um dos mistérios que encantavam a humanidade se encerra com a pesquisa científica.

Rostand Medeiros – IHGRN, através de https://www.stuff.co.nz/world/americas/115370613/underwater-video-of-hms-terror-1845-shipwreck-could-reveal-clues

John-Franklin-Expedition-1845-Nordwestpassage-Erebus-and-Terror. Erebus and Terror – 1845

Por mais de 170 anos o HMS Terror descansou sob as águas geladas do Oceano Ártico canadense, guardando os segredos de uma expedição cientifica desaparecida e totalmente fatal para seus participantes – até um dia ensolarado no início desse mês, quando um pequeno robô mergulhou no mar para tentar encontrar seus restos.

Fonte – https://www.stuff.co.nz/world/americas/115370613/underwater-video-of-hms-terror-1845-shipwreck-could-reveal-clues

Através de um cabo elétrico com controle remoto, pesquisadores canadenses conduziram esse aparelho subaquático até o naufrágio e entraram no convés, ansiosos para ver o que o veículo poderia encontrar. Essa é a primeira grande exploração nesse antigo navio inglês condenado, desde que dezenas de homens o abandonaram depois que ele ficou preso no gelo em 1845. Era uma exploração comandada pelo inglês Sir John Franklin e objetivava mapear a chamada Passagem Noroeste. Uma ligação entre os Oceanos Atlântico e Pacifico através do Circulo Polar Ártico.

Não houve sobreviventes. O Terror e seu navio irmão, o HMS Erebus, desapareceram sob a superfície gelada, onde permaneceriam até 2014 e 2016, quando as antigas naves foram descobertos pelos canadenses.

Por décadas o único registro encontrado dessa malograda expedição foi uma única e sucinta nota, escrita em abril de 1848, rabiscada com a mão trêmula em um pedaço de papel. 

Fonte – Victory Point Note. © National Maritime Museum, London. Mensagem original escrita pelo capitão Francis Crozier .

Essa mensagem foi encontrada quinze anos depois da partida dessas naves da Inglaterra, tendo sido rascunhada pelo capitão Francis Crozier, que a deixou para trás na Ilha King William, em um recipiente protegido por um monte de pedras, antes que todos os membros da tripulação perecessem e seus corpos congelados desaparecessem. Crozier informou que 105 almas abandonaram o Terror e o Erebus e que 24 já estavam mortos, incluindo o líder da expedição, Sir John Franklin.  Essa mensagem foi descoberta por uma expedição inglesa que tentou encontrar seus compatriotas.

Em 1984 o cadáver bastante conservado do marinheiro inglês John Shaw Torrington (1825 – 1846) foi um explorador e  encontrado na Ilha Beechey. Como resultado das temperaturas árticas abaixo de zero, Torrington foi extraordinariamente bem preservado, com características identificáveis, incluindo olhos azuis claros e brilhantes e pele que ainda estava intacta, apesar de machucados e amarelados. Um membro da tripulação que morreu na mesma época e foi enterrado ao lado de Torrington também mostrou sinais mínimos de decomposição. Fonte – https://miepvonsydow.wordpress.com/2016/04/01/the-preserved-body-of-royal-navy-stoker-john-torrington-in-1984-who-had-died-138-years-earlier-of-pneumonia-in-1846-during-sir-john-franklins-lost-expedition-in-the-canadian-arctic-ca-1984/

A explicação para Crozier e um grupo de homens haver sobrevivido ainda por algum tempo, está no fato desses navios transportarem uma grande quantidade de alimentos. Mas sem capacidade de reporem seus gêneros e, certamente, diante dos rigores do inverno todos pereceram.

“-Uma história triste, contada em poucas linhas”, escreveu o explorador britânico que descobriu a nota em 1859.

Sino de bronze do HMS Terror – Fonte – ParksCanada

Os inuits, povo nativo local, possuem em sua tradição oral um rastro de histórias perturbadoras sobre homens brancos doentes, que desembarcaram no Ártico desesperados para salvar suas vidas, andando feito fantasmas sobre a neve, sucumbindo à exposição ao frio, à fome e até, possivelmente, ao canibalismo. Numerosas expedições foram realizadas nesses quase 175 anos, onde recuperaram os restos de alguns tripulantes, mas nunca os navios.

Cartaz produzido na época do desaparecimento, com uma recompensa de 100.000 dólares, uma verdadeira fortuna.

O conhecimento Inuit – ou Inuit Qaujimajatuqangit, antigo povo tradicional do Ártico, é a coleção mais completa de relatos em primeira mão sobre esses ingleses a sobreviver ao longo das décadas. Algumas dessas histórias foram registradas ainda nas décadas de 1850 e 1860. Não foi por outra razão que após o governo canadense decidir realizar mais essa expedição em busca dos naufrágios, os pesquisadores inuítes lideraram o grupo ao longo do caminho.

Uma das pinturas mais conhecidas da condenada expedição de Franklin. Título completo: “Eles criaram o último elo com suas vidas: HMS ‘Erebus’ e ‘Terror’, 1849-1850”. (W. Thomas Smith / Museu Marítimo Nacional) – Leia mais: https://www.smithsonianmag.com/science-nature/dentist-weights-in-what-really-doomed-the-franklin-expedition-180964594/#jyoVdjicEUzWaMV4.99

A National Geographic informou que o Erebus foi encontrado em 2014, quase no local exato que o testemunho dos Inuit o colocou. Dois anos depois um caçador inuit de um assentamento na ilha King William levou os arqueólogos até o Terror. Essa nave foi apropriadamente descoberta em Terror Bay, uma área que havia sido nomeada em memória do navio perdido.

Sammy Kohvik

O caçador Sammy Kohvik contou uma história notável para levar os cientistas até o local, como o jornal americano Washington Post relatou. 

Alguns anos antes Kohvik disse que ele e um amigo estavam seguindo em duas motos de neve, os famosos snowmobile, até uma área de pesca. Foi quando viram um grande poste de madeira projetando-se fora do gelo em Terror Bay ( Baía do Terror ) – era o mastro do navio. 

Kogvik tirou uma foto, mas perdeu a câmera a caminho de casa. Ele não foi procurar o local novamente, até embarcar em 2016 em uma expedição da Arctic Research Foundation, ajudando na busca. Quando a equipe de cientistas ouviu sua história, eles foram direto para a Baía do Terror.

“-O mastro alto poderia estar a metros fora da água nos últimos 150 anos, mas ninguém o viu”, disse o CEO da Arctic Research Foundation, Adrian Schimnowski, à National Geographic em 2016.

Agora ocorreu a primeira visualização do interior do HMS Terror e seus resultados são impressionantes.

Fonte – https://www.stuff.co.nz/world/americas/115370613/underwater-video-of-hms-terror-1845-shipwreck-could-reveal-clues

O governo canadense anunciou nesta quarta-feira (28/08/2019), que os pesquisadores estão mais perto de desvendar o mistério duradouro desses desastres. Dentro do HMS Terror o explorador subaquático robótico encontrou um navio tão bem preservado que seus artefatos pareciam estar essencialmente congelados no tempo.

Mergulhadores no HMS Erebus – Fonte – https://edition.cnn.com/travel/article/canada-shipwreck-franklin-scli-intl/index.html

“-A impressão que testemunhamos ao explorar o HMS Terror é de um navio recentemente abandonado por sua tripulação, aparentemente esquecido pela passagem do tempo”, disse Ryan Harris, arqueólogo do Parks Canada, que pilotou o veículo subaquático com controle remoto.

Dentro do navio os artefatos de vidro ainda estavam empilhadas ordenadamente nas prateleiras. Garrafas de vinho e jarros envoltos em lodo ainda estavam de pé em nichos de madeira e rifles ainda se encontram pendurados nas paredes, envoltos em ferrugem. Nas 20 salas separadas do navio, as gavetas das cômodas e mesas ainda estavam fechadas – a descoberta mais tentadora aos olhos dos arqueólogos. É aí que eles acreditam que encontrarão diários, registros e mapas sobreviventes, possivelmente iluminando toda a expedição.

Harris disse que eles esperam que os documentos cobiçados possam está preservados sob montes de sedimentos protetores, fixados no lugar graças às temperaturas extremamente frias.

O estado de conservação do HMS Erebus é verdadeiramente incrível.

“-Esses cobertores de sedimentos, junto com a água fria e a escuridão, criam um ambiente anaeróbico quase perfeito, ideal para preservar materiais orgânicos delicados, como têxteis ou papeis”, disse Harris à National Geographic. “-Existe uma probabilidade muito alta de encontrar roupas ou documentos, alguns deles possivelmente ainda legíveis. Gráficos enrolados ou dobrados no armário de mapas do capitão, por exemplo, podem muito bem ter sobrevivido”.

Agora as imagens desse naufrágio estão rodando o mundo e mais um dos mistérios que encantam a humanidade se encerra com a pesquisa científica.

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NAVIO DESAPARECIDO NO ÁRTICO HÁ 160 ANOS É ENCONTRADO

John-Franklin-Expedition-1845-Nordwestpassage-Erebus-and-Terror. Erebus and Terror – 1845
John-Franklin-Expedition-1845-Nordwestpassage-Erebus-and-Terror. Erebus and Terror – 1845

Embarcação fez parte da expedição de Sir John Franklin no Ártico, em 1845

O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, anunciou nesta terça-feira (9/9/2014) que uma das duas embarcações que integraram uma expedição no Ártico, em 1845, foi encontrada. O britânico Sir John Franklin liderou dois navios e 129 homens para mapear a Passagem do Noroeste, no Ártico Canadense. As embarcações desapareceram durante a operação. Mais de cinquenta missões de resgate foram organizadas entre os anos 1848 e 1859, sem sucesso.

O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, durante o anúncio da descoberta de um dos navios da expedição de Sir John Franklin, desaparecido há mais de 160 anos - Chris Wattie/Reuters
O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, durante o anúncio da descoberta de um dos navios da expedição de Sir John Franklin, desaparecido há mais de 160 anos – Chris Wattie/Reuters

Em 2008, o governo canadense começou a procurar pelos navios, como parte de uma estratégia para assegurar a soberania do país sobre a passagem, informou a rede britânica BBC. O descongelamento das calotas polares nos últimos anos tornou a região acessível para a navegação. Imagens de sonar feitas nas águas do Estreito de Victoria mostram os destroços do navio. O primeiro-ministro canadense afirmou que a descoberta abre caminho para que a segunda embarcação também seja encontrada, ajudando a esclarecer o que aconteceu com a expedição.

 

Gravura datada de 1847 retrata os tripulantes da expedição de Sir John Franklin no Ártico - Hulton Archive/Getty Images
Gravura datada de 1847 retrata os tripulantes da expedição de Sir John Franklin no Ártico – Hulton Archive/Getty Images

A descoberta é considerada um dos principais ganhos para a arqueologia marítima na história. Para o arqueólogo britânico William Battersby, especialista na expedição de Franklin, o achado é “uma das maiores descobertas do mundo desde a abertura da tumba do faraó egípcio Tutancâmon, há mais de 100 anos”. “Pelas imagens, está claro que muitas evidências da expedição foram preservadas, possivelmente incluindo os restos mortais da tripulação e, talvez, algumas fotografias”, acrescentou.

O explorador britânico Sir John Franklin é retratado em uma gravura de 1810 - Hulton Archive/Getty Images
O explorador britânico Sir John Franklin é retratado em uma gravura de 1810 – Hulton Archive/Getty Images

Contos sobre os navios, batizados de HMS Erebus e HMS Terror, vinham alimentando o imaginário de gerações. Especialistas acreditam que os navios ficaram presos no gelo, forçando os exploradores a buscar ajuda pelo Ártico. Relatos de povos que habitavam a região dão conta de que os homens, em um ato desesperado por comida, teriam recorrido ao canibalismo para tentar sobreviver.

Cartaz produzido na época do desaparecimento, com uma recompensa de 100.000 dólares, uma verdadeira fortuna.
Cartaz produzido na época do desaparecimento, com uma recompensa de 100.000 dólares, uma verdadeira fortuna.

A mulher de Franklin, confiante de que encontraria o marido vivo, financiou uma operação de busca com cinco barcos que chegaram a lançar alimentos enlatados no gelo. Mais de um século depois, nos anos 1980, três corpos que seriam de tripulantes foram encontrados na região com uma alta quantidade de chumbo, o que levou as pessoas a acreditarem que eles poderiam ter sido contaminados por um vazamento de chumbo das latas. Contudo, pesquisas mais recentes apontaram que os enlatados não eram ácidos o suficiente para matar os tripulantes, sugerindo que o chumbo pode ter saído dos encanamentos das embarcações.

O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, ouve um especialista explicando a descoberta de um dos navios da expedição de Sir John Franklin, desaparecido há mais de 160 anos - Chris Wattie/Reuters
O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, ouve um especialista explicando a descoberta de um dos navios da expedição de Sir John Franklin, desaparecido há mais de 160 anos – Chris Wattie/Reuters

Fonte – http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/canada-encontra-barco-desaparecido-ha-mais-de-160-anos