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O AVIÃO DA FOTO – MEMÓRIAS FOTOGRÁFICAS DA SEGUNDA GUERRA NO NORDESTE DO BRASIL

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O Curtiss P-40E-1 da Força Aérea Brasileira (FAB) acidentado no Campo do Pici, Fortaleza, durante a Segunda Guerra Mundial.

Rostand Medeiros – Escritor e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte IHGRN

Já faz algum tempo que eu consegui e mantenho algumas ótimas amizades com cidadãos estadunidenses que tiveram antepassados baseados no Nordeste do Brasil durante seus períodos de serviço ativo na Segunda Guerra Mundial.

Entre eles está Bill Bray, cujo sogro serviu na Marinha dos Estados Unidos (US Navy), ficando baseado entre Salvador, Recife, Natal e Fortaleza. Ele tinha uma função na área de fotografia aérea da aviação naval e nas suas horas vagas gostava de fotografar as facetas da guerra, as paisagens e as pessoas do grande e exótico país tropical da América do Sul onde viveu por alguns anos.

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O mesmo avião em foto da coleção do Sr. Paulo J. Pinto. Através de Bill Bray.

Recentemente Bill me enviou a foto da aeronave que abre este artigo e me perguntou se conhecia algo sobre o que a imagem mostrava[1].

As indicações da foto apontavam para um acidente ocorrido em Fortaleza, no Campo do Pici, ou o Pici Field para os americanos. Mas sem maiores dados.

Além da foto realizada pelo seu sogro, ele fez a gentileza de me enviar duas fotos da coleção do Sr. Paulo J. Pinto, a quem não conheço. Bill me informou ser um oficial da Força Aérea Brasileira (FAB), atualmente aposentado, e estas últimas fotos teriam sido obtidas em um arquivo de fotos da Força Aérea dos Estados Unidos. 

Então fui procurar informações para ajudar este amigo!

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Coleção do Sr. Paulo J. Pinto. Através de Bill Bray.

Um Grande Avião

Sem maiores problemas sabemos que a aeronave clicada é um caça Curtiss P-40, considerada uma das aeronaves mais facilmente reconhecíveis entre tantas que participaram da Segunda Guerra Mundial. E tudo graças aos dentes brancos perolados pintados dentro de uma imensa boca de tubarão vermelha no nariz da aeronave.

Podemos ver que a aeronave em questão realizou um pouso de “barriga” em uma área sem asfalto, provavelmente devido a algum defeito em seu trem de pouso. E pela foto podemos deduzir que o piloto era bom!

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O mesmo avião envolvido neste acidente, em um interessante desenho artístico – Fonte – http://www.britmodeller

 

Das três pás da hélice do P-40 apenas duas estão retorcidas, apontando que o avião tocou o solo e se arrastou a baixa velocidade, empenou duas das pás da hélice e a terceira travou intacta. Pelo rastro no solo, na dianteira do P-40, dá para ver que o avião rodopiou e se deslocou para trás por alguns metros.

Em relação ao avião da foto ele é um dos seis P-40E-1 entregues pelos Estados Unidos no primeiro semestre de 1942, através dos acordos Lead Lease. Um detalhe – O Brasil foi o país latino americano que mais aproveitou destes acordos. Entre março de 1942 e o fim do ano fiscal de 1947 chegaram US$ 357.006.600,90 em equipamentos bélicos e dinheiro para construção de bases de apoio logístico.

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O avião “01” em outro interessante desenho – Fonte – tropasearmas3.xpg.uol.com.br

Os especialistas em aviação histórica brasileira afirmam que estes seis aviões recebidos pela FAB eram da versão P-40E-1-CU. As informações apontam que estas aeronaves eram novas, “0 km”, e seriam destinadas a uma encomenda da Royal Air Force (RAF) para proteger os céus do ainda imponente Império Britânico. Tanto assim que estes P-40E-1 chegaram a Natal ostentando suas matriculas originais (iniciadas pelas letras “ET”) e a típica pintura que esta força aérea utilizava em seus caças durante a Segunda Guerra. Eles também vieram da fábrica dos Estados Unidos com as famosas bocas de tubarão.

Consta que estes seis P-40 foram desviadas para o Brasil para cumprir compromissos dos Estados Unidos em relação ao reequipamento das Forças Armadas brasileiros e o processo em questão tinha urgência.

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Desenho do “01” enviado por Bill Bray.

Andei pesquisando sobre a origem destes P-40E-1, consultando sites que possuem extensas listagens da fabricação destes aviões pela empresa Curtiss-Wright Corporation Airplane Division em Buffalo, Nova York. Descobri que as aeronaves P-40E-1 e suas variantes que não foram utilizados pelos Estados Unidos, foram oficialmente enviados aos ingleses, russos, australianos e até aos neozelandeses. Produziram-se 1.512 P-40E-1 e, ao menos oficialmente nas listagens da fábrica Curtiss, nenhum deles veio para o Brasil.

Então como estes seis chegaram a Natal?

Apenas mais uma “magica” da burocracia militar. Alguém com mais estrelas e galões achou que o Brasil deveria receber seis P-40E-1 naquele momento e assim foi feito.

Em Ação No Litoral

Em 7 de agosto de 1942 aconteceu o primeiro voo de um P-40E-1 na Base Aérea de Natal. Estes aviões então passaram a fazer parte do inventário do “Agrupamento de Aviões P-40”, uma das primeiras esquadrilhas de caças operacionais da FAB. A partir de 24 de dezembro de 1942 esta esquadrilha seria denominada “Grupo Monoposto-Monomotor”.

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P-40, uma grande aeronave.

Primeiramente estas aeronaves receberam uma numeração na FAB que ia de 01 á 06 e posteriormente receberam as numerações de quatro dígitos da jovem Força Aérea Brasileira. No caso destes aviões foi de 4020 á 4025.

Empregados entre 1942 e 1954, os P-40 da Força Aérea Brasileira foram as primeiras aeronaves capazes de realizar missões de caça e defesa aérea no Brasil durante a Segunda Grande Guerra. Nesse primeiro semestres de 1942 estes P-40E-1 iniciaram as chamadas “Coberturas aéreas”, ou seja, o acompanhamento de navios que viajavam fora de comboios e próximos a costa dos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, além do patrulhamento marítimo e ações armadas no caso de aparição de alguma nave inimiga.

Sabemos através da leitura do livro História da Base Aérea de Natal (Ed. Unigversitária, Natal, 1980), de autoria do coronel aviador Fernando Hippólyto da Costa, que no dia 1 de outubro de 1942 o navio Almirante Jaceguay, da Marinha do Brasil, saiu do porto de Natal para uma missão de apoio a guarnição da Marinha na cidade de Macau, na costa do Rio Grande do Norte. Quem acompanhou este velho navio realizando a sua proteção aérea durante duas horas e trinta minutos de voo foi o major aviador Ernani Pedrosa Hardman. Ele utilizou o avião monomotor de caça P-40E-1, com o número 01 pintado na cauda. O mesmo da foto que abre este texto.

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O Ministro da Aeronáutica Salgado Filho (de terno branco) e oficiais da recém criada FAB no Campo dos Afonsos-RJ em 1942. Foi nesta época que a aeronave da foto chegou a Natal.

O mesmo major Hardman já havia realizado outros voos de patrulha, inclusive o primeiro utilizando os P-40E-1 de Natal, fato que ocorreu no dia 18 de agosto de 1942 e a aeronave foi o mesmo de numeração 01[2].

Se analisarmos com atenção não se pode deixar de comentar que essas missões mostram claramente como era precária a situação das forçar armadas brasileiras em termos de meios operacionais naquela época.

Almirante Jaceguay era um navio hidrográfico construído em 1917, com 815 toneladas, cujo funcionamento de seu motor era a carvão e tinha 87 metros de comprimento. Mas com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial o velho Jaceguay foi armado com dois canhões de 47 mm, 16 cargas de profundidade e foi reclassificado como uma “corveta”. Se o navio não tinha tanta capacidade de combate, a ideia de se colocar um P-40E-1 armado apenas com metralhadoras e bombas leves para atuar contra um submarino nazifascista era muito mais simbólica do que prática. Para uma missão como aquela conseguir algo mais efetivo o major Hardman deveria está em um avião como o Grumman TBF Avenger, equipado com cargas de profundidade modelo Mark-17, com 300 kg de explosivos TNT.

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Carga de profundidade modelo Mark-17 – Fonte – NARA.

Mas se a realização da missão era limitada em termos bélicos, isso nada desmerece a coragem e a vontade de lutar daqueles brasileiros. Principalmente quando observamos que, segundo relatos de pesquisadores alemães e suecos, no dia 1 de outubro de 1942, a cerca de 300 milhas náuticas da costa do Maranhão, o submarino alemão U-514 espreitava as aguas do Atlântico Sul atrás de novas vitimas. Esta nave era comandada pelo Kapitänleutnant Hans-Jügen Auffermann, estava no seu 48º dia de patrulha de combate, após haver saído da cidade alemã de Kristiansand no dia 15 de Agosto de 1942.

Até o dia do voo do major aviador Hardman para proteger o Almirante Jaceguay o submarino U-514 já tinha afundado quatro navios de carga (dois brasileiros e dois ingleses) e danificado um (canadense) entre a região de Trinidad e a foz do rio Amazonas. No dia 12 de outubro o U-514 afundaria um navio de carga americano, depois estenderia sua patrulha até a costa do Ceará e então retornaria para Alemanha[3].

Flying Tigers

Observando o livro do coronel Fernando Hippólyto da Costa encontrei uma listagem de missões dos aviões da FAB em Natal no ano de 1942 e descobri que o P-40E-1 da foto era quase sempre utilizado pelo major aviador Hardman, comandante da esquadrilha, e pelo capitão aviador Roberto Faria Lima. Talvez um deles tenha realizado com sucesso a aterrissagem forçada em Fortaleza e cuja aeronave foi fotografada pelo sogro de Bill Bray.

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Infelizmente não pude atender ao pedido do meu amigo norte-americano. Especificamente sobre o acidente da foto nada tenho. Mas aparentemente as avarias foram leves, pois no livro História da Base Aérea de Natal encontrei a indicação que o 01 continuou na ativa.

Em 24 de setembro de 1945, com o fim da guerra e da importância de Natal como ponto estratégico, cinco dos P-40E-1 foram enviados para a Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e depois para Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul. Entre eles estava o P-40E-1, número da FAB 4020, o velho 01 da foto.

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Segundo autores aeronáuticos um dos aviões que chegaram a Natal em 1942 foi destruído em Recife, em uma instrução de voo.

Foi entre dezembro de 1941 e julho de 1942 que a esquadrilha Flying Tigers, comandados pelo general Claire Lee Chennault, tornou famoso o caça P-40 e sua icônica pintura de boca de tubarão. Esta era uma unidade de pilotos voluntários americanos oficialmente denominados American Volunteer Group (AVG), que foram contratados pela Força Aérea Nacionalista da China de Chiang Kai-Shek para lutaram contra os japoneses que ocupavam seu país e os Flying Tigers abateram 299 aeronaves inimigas confirmadas.

Sem duvida o P-40 foi o caça monomotor americano mais importante nos dois primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Era a única aeronave disponível em grandes quantidades (e, portanto, a um custo relativamente baixo de US $ 45.000 cada) e com prazos de entrega aceitáveis.

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Grandes quantidades dessas aeronaves foram posteriormente construídas no decorrer de uma longa carreira pela empresa Curtiss. Um total de 13.740 aviões deste modelo saiu das linhas de montagem entre 1939 e 1944 e, tal como aconteceu com muitos aviões de combate envolvidos neste conflito, foram fabricados uma dúzia de versões à medida que a aeronave ia sendo modificada durante a guerra. Apenas dois outros caças americanos foram produzidos em maior número, o North American Aviation P-51 Mustang e o Republic P-47 Thunderbolt. 

Os P-40 tinham fabricação semi modular, o que facilitava a sua manutenção e fez a aeronave tolerar as piores condições ambientais, lutando em qualquer lugar. Dos desertos do Norte da África às matas da Nova Guiné, das tórridas Índias Orientais Holandesas, ao clima polar da União Soviética e do Alasca, o ronco do seu motor foi ouvido.

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Apesar disso esta aeronave nunca foi considerada um caça de primeira linha, como os famosos P-51, ou o Supermarine Spitfire inglês. Era medíocre em alta altitude, sendo mais lento e menos manobrável do que seus inimigos. E o motivo estava no seu motor Allison de 12 cilindros. 

Embora o desempenho geral não tenha sido excelente, o P-40 podia suportar quantidades incríveis de danos de batalha e na mão de pilotos habilidosos possuía alguma capacidade de combate.

Atualmente cerca de quinze a vinte P-40 ainda são aeronavegáveis  em todo o mundo. 

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Alguns dos poucos P-40 remanescentes e em condições de voo em uma apresentação aérea.

O P-40E-1 era alimentado por um motor Allison V-1710-39, de 1150 hp, com 12 cilindros em V e refrigeração a líquido. A velocidade máxima era de 560 kph, com uma taxa de escalada inicial de 2.100 pés por minuto. Uma altitude de 20.000 pés poderia ser alcançada em 11,5 minutos. O teto do serviço era de 29 mil pés. O alcance máximo foi de 1.040 quilômetros de distância (limpo) e 2.250 quilômetros com um tanque de combustível extra de 141.5 Imp gal. Tinham um peso vazio de 3.039 kg, uma envergadura de 11,36 m, um comprimento de 10,14 m e uma altura de 3,75 m.

NOTAS


[1] Na mesma foto é possível ver ao fundo um dirigível Blimp, dos esquadrões “ZP” da US Navy, utilizados no patrulhamento antissubmarino e amarrado em um mastro feito a partir de árvores locais.

[2] Vale ressaltar que desde meados de 1941 que a aeronáutica militar brasileira havia começado os patrulhamentos aéreos em todo litoral brasileiro, em muitos casos utilizando até inofensivos aviões de instrução. Apesar de obviamente os aviões de instrução não poderem atacar submarinos, os líderes militares acreditavam que a simples presença destas aeronaves vigiando as rotas marítimas restringia a liberdade de ação dos submarinos. Caso um submarino fosse avistado era possível alertar a navegação mercante e enviar aviões de guerra para a área de ataque. Existem relatos de aviadores naquelas aeronaves primitivas, muitas sem comunicação alguma, a 25 milhas marítimas (pouco menos de 50 quilômetros), ou mais, a partir da costa.

[3] O U-514 era um submarino germânico do tipo IX-C, tendo sido comissionado em 24 de janeiro de 1942 e aquela era sua primeira patrulha de combate. Afundou em sua carreira quatro navios e danificou dois e foi destruído em 8 de julho de 1943, a nordeste do Cabo Finisterre, Espanha, Na posição 43º37’ N 08º59’ W, por foguetes disparados de uma aeronave Liberator inglesa. Todos os 54 membros de sua tripulação morreram nesta ação.

A POÉTICA GEOGRAFIA DO CANGAÇO

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Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou. Capa. Reprodução

Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou [Vento Leste, 2016, 104 p.] é um encontro único: as elegâncias das fotografias de Márcio Vasconcelos e do texto de Frederico Pernambucano de Mello, a exuberância das paisagens, a grandeza dos personagens e o imenso legado cultural deixado pelo bando liderado por Virgulino Ferreira da Silva.

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Casa de dona Jocosa. Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou. Márcio Vasconcelos. Reprodução

O maranhense Márcio Vasconcelos embrenha-se na geografia sui generis do Nordeste para refazer os caminhos percorridos por Lampião e seus cangaceiros, da invenção do bando à execução de seu líder, em 1938, na Grota do Angico, em Poço Redondo/SE, ao lado de Maria Bonita e outros nove homens.

Apenas duas fotos não são de sua autoria, espécie de tributo ao fotógrafo Benjamim Abraão, que retratou o bando de Lampião em vida, saga contada por Paulo Caldas e Lírio Ferreira em Baile perfumado [1996], com imagens do acervo do fotógrafo sírio-libanês e trilha sonora puxada pela turma do manguebit.

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Um dos habitantes atuais dos lugares por onde Lampião passou há quase um século. Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou. Márcio Vasconcelos. Reprodução

A trilha por que o fotógrafo nos conduz ao longo das páginas do livro, finalista do prêmio Conrado Wessel de Fotografia 2011 e vencedor do XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, passa por cinco estados e entre os personagens que ele encontra estão Dona Minó (1923-) – filha de Zé Saturnino, tido como o inimigo número um de Lampião –, Elias Matos Alencar (1914-2013) – membro da volante do Tenente João Bezerra, responsável pela execução de Lampião e seu bando –, e Manuel Dantas Loiola, vulgo Candeeiro (1916-2013), cangaceiro do bando de Lampião, além de atuais habitantes dos lugares.

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A devoção a Padre Cícero. Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou. Márcio Vasconcelos. Reprodução

As paisagens remontam à rima involuntária beleza/pobreza, com vantagem para a primeira, eterna sina de grande parte do Nordeste e sua população. É particularmente comovente uma sequência de fotos em que uma mulher comum chora a morte de um jumento, abraçando-o como a um ente querido. A devoção (sobretudo a Padre Cícero, mas não só) também é elemento importante ao olhar de Márcio Vasconcelos.

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A grota do Angico, onde Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros foram executados em 1938. Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou. Márcio Vasconcelos. Reprodução

O trunfo do encontro entre palavras e imagens está justamente em umas não quererem explicar as outras: enquanto o fotógrafo percorre hoje caminhos pisados por Lampião há quase um século, Frederico Pernambucano de Mello, historiador, membro da Academia Pernambucana de Letras, reivindica ao ícone do cangaço o status de artista: “pelo orgulho, pela sobranceria, pela vaidade, pelo desassombro da imagem ostensiva, pela força de formação de uma subcultura à base de derivações nada desprezíveis na música, na poesia, na dança, na culinária, no artesanato, na medicina, nos costumes, na moral, na religiosidade, na arte militar intuitiva e mesmo na arte de expressão plástica, a partir da herança pastoril, o cangaço sumaria, aos olhos do brasileiro de hoje, a franja de todas as insurgências, sua saga confundindo-se com a própria ideia de resistência contra poderosos”, anota.

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Os textos deste maravilhoso trabalho foram do amigo Frederico Pernambucano de Mello.

Outra grandeza que merece destaque é não quererem tirar conclusões. Muito já foi dito sobre o cangaço e particularmente Lampião é fartamente biografado. “Os cangaceiros não foram heróis nem bandidos. Foram homens que disseram não à situação”, anota Vasconcelos na legenda da foto da Grota do Angico.

FONTE – https://zemaribeiro.wordpress.com/2016/04/27/a-poetica-geografia-do-cangaco/

MARC FERREZ – FOTÓGRAFO DO BRASIL

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Através da amiga e competente jornalista Zarife Assi, recebi pelo Facebook estas lindas fotos realizadas por Marc Ferrez (1843-1923). Este foi grande fotógrafo do século XIX em nosso país. Suas imagens formam o patrimônio visual de uma época de transformações no Brasil. Seus retratos de índios, escravos e indivíduos urbanos, são fortes e inesquecíveis e sua obra é considerada um dos mais ricos documentos visuais do período.

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Marc Ferrez em 1876 – Fonte – pt.wikipedia.org

Filho de franceses, Marc Ferrez ficou órfão aos 8 anos, em 1851, quando os pais morreram de maneira desconhecida, por envenenamento ou de febre amarela. Depois de uma temporada na França, com um casal amigo, voltou ao Brasil com 21 anos, já interessado em fotografia.

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Aqui, especializou-se com profissionais experientes, até fundar, em 1867, um ateliê e sua própria marca, a Marc Ferrez & Cia. No ano seguinte, registrou as comemorações do fim da Guerra do Paraguai e começou a trabalhar para o governo.

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A partir de 1872, passou a se apresentar como “fotógrafo da Marinha Imperial e das construções navais do Rio de Janeiro, tendo como especialidade vistas do Rio de Janeiro e arredores, em todas as dimensões a preços acessíveis”.

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Ferrez percorreu todas as regiões do Brasil, em expedições governamentais e científicas. Ele documentou tudo o que podia: fazendas de café, árvores, plantas arquitetônicas, praias, praças, navios e pessoas que encontrava em suas andanças.

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Ficou conhecido internacionalmente não apenas por suas panorâmicas, mas também pelas pesquisas na área da fotografia. Por exemplo, com equipamentos adaptados para operar dentro de embarcações. Ele era um apaixonado pelo Rio, que descrevia como “uma cidade de beleza luxuriante e risonha”, pelo Brasil e pelas câmeras e lentes.

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A maioria dos fotógrafos da época vivia do trabalho com retratos. Ferrez chegou a fazê-los (Machado de Assis, Santos-Dumont, conde d’Eu, etc.), mas não era o que mais o atraía. Gostava mesmo de experimentar, registrar acontecimentos, transformações.

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Outro obstáculo ao trabalho de Ferrez vinha da técnica: uma de suas especialidades, a foto panorâmica, exigia esforço imenso. Na segunda metade do século 19, a panorâmica era muito apreciada, mas poucos estavam dispostos a enfrentar as dificuldades operacionais e os elevados custos da produção desse tipo de fotografia.

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O processo fotográfico completo, mesmo de imagens em formato convencional, levava cerca de uma hora, para cada foto e o fotógrafo pensava muito, antes de tomar a decisão de uma foto.

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Após a morte do fotógrafo, em 1923, o neto e historiador Gilberto Ferrez se dedicou ao estudo do acervo, o que contribuiu para sua divulgação no Brasil e no mundo. O conjunto da obra de Marc Ferrez mostra a vontade quase ufanista de documentar um país em formação, em vez de buscar o “pitoresco”, como faziam muitos na época. Suas imagens formam em nosso imaginário um retrato mais fiel do passado do Brasil.

FONTE – http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/marc-ferrez-fotografo-andarilho-480178.shtml

AS 3 PRIMEIRAS FOTOGRAFIAS DO BRASIL – LOUIS COMPTE, JANEIRO DE 1840

Paço Imperial, Janeiro de 1840.
Paço Imperial, Janeiro de 1840.
Chafariz do Mestre Valentim, Janeiro de 1840.
Chafariz do Mestre Valentim, Janeiro de 1840.
Cais do Rio de Janeiro. Em  janeiro de 1840
Cais do Rio de Janeiro. Em janeiro de 1840

FONTE – https://www.facebook.com/DPedroIIdoBrasil?pnref=story

O GRANDE ATOR CRISTOPHER LEE E A SUA PARTICIPAÇÃO NA II GUERRA

Christopher Lee 1922 - 2015 - Fonte - www.independent.co.uk
Christopher Lee 1922 – 2015 – Fonte – http://www.independent.co.uk

Christopher Frank Carandini Lee, ou simplesmente Christopher Lee, nasceu em Belgravia, na área de Westminster, Londres, em 27 de maio de 1922. Era filho da bela Condessa Estelle Carandini di Mari Sarzano, de origem italiana, e do Tenente-Coronel Geoffrey Trollope Lee, um condecorado oficial inglês que serviu na Primeira Guerra Mundial.

Os pais de Lee se separaram quando ele era ainda muito jovem, então ele permaneceu sob os cuidados de sua mãe e foram viver na Suíça. Depois sua família mudou-se para Londres e sua mãe uniu-se ao banqueiro Harcourt “Ingle” Rose, tio do escritor Ian Fleming, criador de James Bond.

Anos depois Lee estudou no Eton College, onde ganhou uma bolsa de estudos para se especializar em Estudos Clássicos. Grande fã dos esportes, participou de equipes de cricket, futebol, hóquei, squash e natação. Ao terminar seus estudos começou a excursionar por vários países europeus. De acordo com sua própria autobiografia, testemunhou em junho de 1939 a morte de Eugen Weidmann, último homem executado publicamente pela guilhotina na França.

Lee durante a Segunda Guerra Mundial - Fonte - www.reddit.com
Lee durante a Segunda Guerra Mundial – Fonte – http://www.reddit.com

Como muitos de sua geração Christopher Lee lutou na Segunda Guerra Mundial. No entanto, a sua história é muito mais fascinante do que a maioria dos soldados que lutaram e está envolta até hoje em mistério.

Primeiramente ele se apresentou no corpo de voluntários que apoiaram a Finlândia na Guerra de Inverno que este país lutou contra a União Soviética, embora a sua unidade não chegasse a entrar em combate. Lee então se alistou na RAF – Royal Air Force, onde recebeu treinamento como piloto, mas eventualmente alguns problemas de visão o deixaram longe de um caça. Lee foi então designado para o 260 Squadron RAF, na África do Norte. Em uma ocasião nesta região Lee quase foi morto quando o aeródromo do seu esquadrão foi bombardeado pelos alemães.

Um detalhe interessante – este 260 Squadron RAF era a mesma unidade militar onde serviu o Flight Sergeant Dennis Copping, que em 1942 despereceu no deserto da África do Norte com seu caça P-40. Este avião foi encontrado no início de 2012 por uma equipe de prospecção de petróleo polonesa e foi destaque na mídia mundial. Para saber mais veja sobre a história deste piloto e seu P-40, clique aqui https://tokdehistoria.com.br/2012/06/09/aviao-p-40-da-segunda-guerra-mundial-encontrado-no-deserto-do-saara-70-apos-seu-desaparecimento/

Caças P-40 do 260 Squadron da RAF - Fonte - www.acesofww2.com
Caças P-40 do 260 Squadron da RAF – Fonte – http://www.acesofww2.com

Lee mencionou que em 1941 foi designado para operações especiais e de inteligência no Special Operations Executive (SOE), onde teve um papel ativo, a tal ponto que muitas das suas missões ainda continuam classificados como secretas. Atuou junto ao Long Range Desert Group (LRDG-Grupo de Longo Alcance do Deserto), uma unidade de combate especial que atacava a retaguarda inimiga com jipes e caminhões, utilizando o deserto para deslocamento e proteção.

Muito embora os detalhes sobre as informações das operações em que Lee participou permanecem até hoje classificadas como secretas e sem o público ter acesso aos arquivos, alguns registros mostram os feitos de Lee atrás das linhas inimigas, principalmente destruindo aeródromos da temida Luftwaffe. Lee nunca gostou muito de comentar sua participação na Guerra.

Muitas décadas mais tarde, durante as filmagens da série cinematográfica O Senhor dos Anéis, em uma cena dirigida por Peter Jackson, o veterano de guerra comentou que “esse não é o som emitido por um ser humano ao morrer com uma facada nas costas”. Jackson tomou isso como uma piada, mas Lee comentou que tinha servido nos serviços de inteligência e ações de combate especiais durante a guerra e teve de matar pessoas. Em meio à estupefação geral no estúdio, Peter Jackson decidiu pesquisar e investigar e descobriu que Lee falou a verdade.

Lee atuando como Saruman - Fonte - www.theguardian.com
Lee atuando como Saruman – Fonte – http://www.theguardian.com

Após a Campanha no Norte da África, a unidade militar de Lee seguiu para a Sicília e depois o sul da Itália. Por esta época Lee já havia sido acometido seis vezes com malária e testemunhou a Batalha de Monte Casino. Nessa época quase morreu em um acidente, quando o avião em que estava caiu durante a decolagem.

Em relação aos últimos meses de seu serviço, Lee, que falava fluentemente francês e alemão, além de outras cinco línguas, foi destacado para uma unidade que rastreava e caçava criminosos de guerra nazistas. 

Nos últimos anos Lee marcou muitos jovens em todo planeta com a sua interpretação do mago Saruman em “O Senhor dos Anéis”, mas poucos percebem o quanto ele estava bem preparado para o papel.

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http://www.atomica.com

Lee tem uma longa história com os livros de John Ronald Reuel Tolkien, conhecido internacionalmente por J. R. R. Tolkien. Depois de deixar a RAF em 1945, quando “A Sociedade do Anel“, foi publicado, Christopher Lee leu este trabalho com muita atenção e também teve a experiência de conhecer o próprio Tolkien, sendo o único membro de todo o elenco de “O Senhor dos Anéis” a ter tido este privilégio.

Lee narrou que conheceu o escritor em um pub e comentou que Tolkien era um homem de aspecto benigno, que fumava um cachimbo, aparentando ser um típico inglês do seu tempo e um gênio de grande conhecimento intelectual.

Christopher Klee era, em todos os sentidos, um homem do mundo. Bem versado nas artes, política, literatura, história e ciência. Ele era um estudioso, um cantor, um contador de histórias extraordinárias e, é claro, um ator maravilhoso. Sua carreira como ator começou em 1948 com o filme “Corridor of Mirrors” e seu último trabalho foi no filme“The 11th” em produção e que está previsto a ser lançado ainda em 2016.

Conhecido por sua versatilidade e longevidade cinematográfica, isso trouxe a Lee um impressionante recorde – o de ator mais prolífico. Sua participação no cinema soma o record de 207 filmes no cinema, em filmes de sucesso como Star Wars, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e vários filmes de Conde Drácula. Estas interpretações deste personagem de terror o tornaram mundialmente famoso. Ele repetiu o personagem em onze filmes, o primeiro feito em 1958.

Dono de uma voz forte e impressionante, Lee também atuou como cantor de opera e inusitadamente de Heavy Metal. Tendo feito dueto com Fabio Lione, vocalista do Rhapsody of Fire.

Lee recebendo do principe Charles o título de Cavaleiro Real - Fonte - www.reddit.com
Lee recebendo do príncipe Charles o título de Cavaleiro Real – Fonte – http://www.reddit.com

Em 2009, recebeu o título de Cavaleiro Real, a mesma ordem que o professor Tolkien fez parte em 1972.  Em 2011 Sir Christopher Lee recebeu o prêmio BAFTA em reconhecimento a sua grande carreira e foi aplaudido com louvor.

Finalmente, no dia 7 de junho de 2015, aos 93 anos, descansou.

Fontes – http://tolkienbrasil.com/noticias/sobre-filmes/sir-christopher-lee-falece-aos-93-anos/

https://www.fayerwayer.com/2015/06/muere-el-legendario-actor-y-agente-secreto-de-la-segunda-guerra-mundial-cristopher-lee/

A HISTÓRIA DA FOTO DE FAROL MAIS FAMOSA DO MUNDO

Foto -  Jean Guichard -Fonte - https://iconicphotos.wordpress.com/2013/12/17/a-storm-at-la-jument/
Foto – Jean Guichard -Fonte – https://iconicphotos.wordpress.com/2013/12/17/a-storm-at-la-jument/ CLIQUE PARA AMPLIAR AS FOTOS

Como foi feita essa foto?

Morreu o faroleiro atingido pela onda?

Eu me fiz esta pergunta na primeira vez que vi em um cartaz esta imagem impressionante. Então eu vi a foto centenas de vezes, em centenas de lugares diferentes, como é seguro que você também já viu: esta foto é uma das mais vendidas em lojas de pôsteres de decoração e de lembranças na Europa.

O farol é chamado La Jument e é um dos mais espetaculares faróis da costa francesa. Fica a dois quilômetros ao largo da ilha de Ouessant e foi construído entre 1904 e 1911 para sinalizar um baixio rochoso muito perigoso, local de vários naufrágios.

A história da foto ocorreu em 21 de dezembro de 1989. O fotógrafo francês Jean Guichard, especializado em imagens de faróis, voou de helicóptero até La Jument em um dia de forte tempestade procurando a imagem perfeita dessas gigantescas ondas do Atlântico batendo contra a estrutura do farol.

No interior, o faroleiro Theophile Malgorn, que na época tinha cerca de 30 anos, ouviu o helicóptero passando repetidas vezes e pensou que algo de errado estava acontecendo; Talvez o piloto estivesse tentando entrar em contato visual com ele devido algum naufrágio, ou outro tipo de acidente. E em um movimento Malgorn abriu a porta para ver o que estava ocorrendo.

fONTE - www.liveinternet.ru
fONTE – http://www.liveinternet.ru

Toda a ação durou apenas alguns segundos. Guichard viu o homem na porta e o instinto de fotógrafo disse-lhe que havia uma composição perfeita: um homem e uma incrível força da natureza. Ele começou a fotografar no momento que uma nova e gigantesca onda de maré começou a abraçar com toneladas de fúria a estrutura do farol. Naquele momento, o faroleiro Malgorn, junto às dobradiças da porta, ouviu um trovão seco, algo com uma força brutal (o impacto da onda de frente do farol) e sabia que tinha cometido um erro terrível. Tão rápido quanto ele abriu, ele fechou a porta, apenas um milésimo de segundo antes da onda varrer tudo. Ele ficou vivo por um verdadeiro milagre.

Guichard conseguiu sete fotos sequenciadas através do motor da câmera que o tornaria e, em 1990, obteve o prêmio World Press Photo.

O faroleiro Theophile Malgorn ainda vive na ilha de Ouessant e não gosta de falar sobre a foto que o tornou famoso. Ele comentou com amigos que ficou muito na época porque ele havia sido colocado em uma situação de risco mortal irresponsavelmente e além de tudo visando uma questão comercial; Por profissionalismo ele saiu para ver o que estava acontecendo com aquele helicóptero que circulava o farol e aquilo quase lhe custou a vida. Mas, logo depois o fotógrafo Guichard foi visitá-lo em sua casa e lhe presenteou com uma foto autografada do “momento decisivo”, como dizia Cartier Bresson – e se tornaram bons amigos.

O último faroleiro deixou La Jument em 26 de Julho de 1991. Desde então o farol opera de forma automática. Theophile Malgorn atualmente possue a função de telecontrolador do farol de Creac’h Lighthouse, também em Ouessant.

Vizinhos muitas vezes o veem passeando com seus cães ao longo da trilha que existe na costa da ilha, olhando para o mar selvagem batendo nas falésias, observando a forma escura dos faróis, onde ele passou em sua juventude inúmeros momentos de solidão em uma úmida, sala escura, enquanto lá fora o mar tentava derrubar a estrutura que o protegia.

fONTE - www.jean-guichard.com
fONTE – http://www.jean-guichard.com

Os faroleiros franceses como Theophile Malgorn são (ou eram) pessoas muito especiais. Solitários, tinham todo o tempo do mundo para escrever, pintar ou esculpir. Filósofos de uma vida que poucos seriam capazes de suportar em dias de informações instantâneas.

É por isso que atualmente estes homens acham difícil se adaptar a uma vida sedentária, controlando um farol na frente de um computador, em uma sala limpa, aquecida, depois de terem sido os últimos em um mar romântico; filósofos solitários, a cada noite com as luzes acesas, salvando vidas de marinheiros anônimos que nunca iriam conhecê-los ou lhes agradecer pelo seu trabalho. 

Autor – Paco Nadal

Fonte – http://blogs.elpais.com/paco-nadal/2015/04/-historia-foto-farero-faro-la-jument.html

FOTOS HISTÓRICAS COLORIZADAS DIGITALMENTE – UMA ÓTIMA FERRAMENTA PARA O ENSINO E A PESQUISA HISTÓRICA

- Caça F6F-5 “Hellcat” queimando no porta aviões USS Lexington (CV-16). Esta aeronave era pilotada pelo oficial Ardon R. Ives, que espertamente conseguiu se salvar correndo sobre a asa, que lhe protegeu. O fato se deu em fevereiro de 1945, mas Ives morreu em um duelo aéreo em maio daquele ano.
– Caça F6F-5 “Hellcat” queimando no porta aviões USS Lexington (CV-16). Esta aeronave era pilotada pelo oficial Ardon R. Ives, que espertamente conseguiu se salvar correndo sobre a asa, que lhe protegeu. O fato se deu em fevereiro de 1945, mas Ives morreu em um duelo aéreo em maio daquele ano.

Pessoas em todo mundo vem colorindo digitalmente fotos históricas, muitas delas da época da Segunda Guerra Mundial. Esta ação vem literalmente colorindo o maior conflito da história da humanidade, trazendo uma nova visão, instigando o interesse (Principalmente entre os mais jovens) e ampliando o conhecimento geral. Clique nas fotos para ampliar.

- O tenente Paul Unger, da polícia do exército americano, lotado na segunda divisão blindada, revista o prisioneiro Kurt Peters, um membro da SS, com a patente de Untersturmführer (equivalente a segundo-tenente), que pertencia ao III. Battalion, do SS-Panzergrenadier Regiment 37, parte integrante da 17. SS-Panzergrenadier, a conhecida Division Götz von Berlichingen. Foto realizada na área de Notre-Dame-de-Cenilly, 18 quilômetros a sudoeste da cidade de Saint Lô, França, no dia 27 de julho de 1944.
– O tenente Paul Unger, da polícia do exército americano, lotado na segunda divisão blindada, revista o prisioneiro Kurt Peters, um membro da SS, com a patente de Untersturmführer (equivalente a segundo-tenente), que pertencia ao III. Battalion, do SS-Panzergrenadier Regiment 37, parte integrante da 17. SS-Panzergrenadier, a conhecida Division Götz von Berlichingen. Foto realizada na área de Notre-Dame-de-Cenilly, 18 quilômetros a sudoeste da cidade de Saint Lô, França, no dia 27 de julho de 1944.

Muitos que tem acima de quarenta anos de idade, certamente possuem em seus antigos álbuns fotográficos várias fotos em preto e branco. Até o início da década de 1970 a fotografia colorida era mais rara e mais cara, por isso quando pensamos sobre a história antes dessa época, quase sempre encaramos isso em preto e branco. 

- Os membros da tripulação do submarino U-50 exibem suas Cruzes de Ferro em Wilhelmshaven, na costa alemã do Mar do Norte, em 2 de Março de 1940. Este submarino era do Tipo VII B e era comandado pelo Kapitänleutnant Max-Hermann Bauer. Um mês e dois dias todos os 44 tripulantes morreram quando o U-50 bateu em uma mina no Mar do Norte.
– Os membros da tripulação do submarino U-50 exibem suas Cruzes de Ferro em Wilhelmshaven, na costa alemã do Mar do Norte, em 2 de Março de 1940. Este submarino era do Tipo VII B e era comandado pelo Kapitänleutnant Max-Hermann Bauer. Um mês e dois dias todos os 44 tripulantes morreram quando o U-50 bateu em uma mina no Mar do Norte.

A tecnologia avançou tanto, que atualmente conseguimos “colorir” fotos históricas, criando uma chance aproximada de ver o mundo como ele era na época em que o evento foi clicado. E isso é realmente espetacular.

- Interior de um avião de transporte Curtiss C-46 Commando, modificado como ambulância de evacuação aérea, atuando nas Filipinas, início de 1945. A foto apresenta uma clara operação de evacuação aérea, onde as vítimas provavelmente estavam sendo retiradas de alguma pequena ilha para um hospital maior, talvez em Manila. Além da enfermeira e dos feridos, o sargento que aparece na foto era provavelmente o que chamavam de “Mestre de Carga”, que em determinado momento poderia carregar para aeronave vítimas e em outras munições. Este tipo de aeronave bimotor, realizando este tipo de operação, esteve presente em Parnamirim Field durante a II Guerra. Os feridos trazidos a Natal seguiam para o hospital da guarnição norte-americana, atual Maternidade Escola Januário Cicco, na Avenida Nilo Peçanha. Quando faleciam eram enterrados no Cemitério do Alecrim. Ver - https://tokdehistoria.com.br/tag/cemiterio-do-alecrim/
– Interior de um avião de transporte Curtiss C-46 Commando, modificado como ambulância de evacuação aérea, atuando nas Filipinas, início de 1945. A foto apresenta uma clara operação de evacuação aérea, onde as vítimas provavelmente estavam sendo retiradas de alguma pequena ilha para um hospital maior, talvez em Manila. Além da enfermeira e dos feridos, o sargento que aparece na foto era provavelmente o que chamavam de “Mestre de Carga”, que em determinado momento poderia carregar para aeronave vítimas e em outras munições. Este tipo de aeronave bimotor, realizando este tipo de operação, esteve presente em Parnamirim Field durante a II Guerra. Os feridos trazidos a Natal seguiam para o hospital da guarnição norte-americana, atual Maternidade Escola Januário Cicco, na Avenida Nilo Peçanha. Quando faleciam eram enterrados no Cemitério do Alecrim. Ver – https://tokdehistoria.com.br/tag/cemiterio-do-alecrim/

Intrigantes fotos antigas em preto-e-branco surgem com um colorido que parecem que foram produzidas ontem. Ao longo dos últimos três a quatro anos, começou fortemente uma tendência cada vez mais popular de compartilhar pela internet fotos históricas colorizadas digitalmente.

- Clássica foto da "Operation Tidal Wave", o bombardeio massivo das refinarias de petróleo de Ploesti, na Romenia. A foto foi realizada no dia 1 de agosto de 1943, a aeronave fotografada é a "The Sandman" do 345th Bomb Squadron, 98th Bomb Group, conhecidos como "The Pyramiders", da 9th Air Force. Era um B-24D-55-CO S 'Liberator', número 42-40402, perdido quatro meses depois, em 19 de dezembro de 1943, no ataque a Augsburg, Alemanha. O 2Lt. USAAF Emil Anthony Petr, a quem tive a honra de biografar no meu livro “Eu não sou herói” esteve algumas vezes em missão de combate sobre Ploesti e me fez uma bela discrição sobre estes ataques, os quais eu não incluí no livro, mas são muito interessantes. Colorizado por Royston Leonard, do Reino Unido. - https://www.facebook.com/pages/Colourized-pictures-of-the-world-wars-and-other-periods-in-time/182158581977012
– Clássica foto da “Operation Tidal Wave”, o bombardeio massivo das refinarias de petróleo de Ploesti, na Romenia. A foto foi realizada no dia 1 de agosto de 1943, a aeronave fotografada é a “The Sandman” do 345th Bomb Squadron, 98th Bomb Group, conhecidos como “The Pyramiders”, da 9th Air Force. Era um B-24D-55-CO S ‘Liberator’, número 42-40402, perdido quatro meses depois, em 19 de dezembro de 1943, no ataque a Augsburg, Alemanha. O 2Lt. USAAF Emil Anthony Petr, a quem tive a honra de biografar no meu livro “Eu não sou herói” esteve algumas vezes em missão de combate sobre Ploesti e me fez uma bela discrição sobre estes ataques, os quais eu não incluí no livro, mas são muito interessantes. Colorizado por Royston Leonard, do Reino Unido. – https://www.facebook.com/pages/Colourized-pictures-of-the-world-wars-and-other-periods-in-time/182158581977012

Não sei como os acadêmicos e doutores em história percebem as antigas fotos coloridas digitalmente. Talvez por existir nesta tarefa certa dose de imaginação para compor o cenário mais próximo do original, seja vista com reservas pelos especialistas.

- Grupo de míticos caças Supermarine Spitfire Mark VC, do 2º Esquadrão da Força Aérea Sul-Africana (SAAF), com base em Palata, Itália, voando sobre o Mar Adriático durante uma missão na frente de batalha do Rio Sangro. Out-Dez 1943. (© IWM CNA 2102) - Colorizado por Tom Thounaojam, de Imphal, Índia.
– Grupo de míticos caças Supermarine Spitfire Mark VC, do 2º Esquadrão da Força Aérea Sul-Africana (SAAF), com base em Palata, Itália, voando sobre o Mar Adriático durante uma missão na frente de batalha do Rio Sangro. Out-Dez 1943. (© IWM CNA 2102) – Colorizado por Tom Thounaojam, de Imphal, Índia.

Pessoalmente vejo como uma ferramenta fantástica de criação do interesse geral pela história e uma ótima ferramenta de ensino. Isso em uma área onde um professor sem inspiração causa um estrago enorme!

- O submarino alemão U-455, os conhecidos “U-boat”, era um do tipo VII C, estava pronto para o combate em 21 de agosto de 1941, com uma tripulação de 51 homens. Esta nave realizou dez patrulhas de combate, passou 469 dias operando no mar, mas só afundou três navios inimigos. Acredita-se que esta nave afundou por bater em uma mina marítima no dia 6 de Abril de 1944 e foi descoberto por mergulhadores em 23 de outubro de 2005, perto da cidade italiana de Gênova. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia - https://www.facebook.com/kolorierte.unterseeboote.von.edwardtambunan
– O submarino alemão U-455, os conhecidos “U-boat”, era um do tipo VII C, estava pronto para o combate em 21 de agosto de 1941, com uma tripulação de 51 homens. Esta nave realizou dez patrulhas de combate, passou 469 dias operando no mar, mas só afundou três navios inimigos. Acredita-se que esta nave afundou por bater em uma mina marítima no dia 6 de Abril de 1944 e foi descoberto por mergulhadores em 23 de outubro de 2005, perto da cidade italiana de Gênova. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia – https://www.facebook.com/kolorierte.unterseeboote.von.edwardtambunan

Já as fotos históricas colorizadas digitalmente dos períodos de conflito, além do trabalho normal diante do computador, requer uma ampla pesquisa histórica sobre praticamente tudo que ali é mostrado.

- Clássica foto do ataque japonês a base americana de Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941. Marinheiros em uma lancha de resgate retiram um sobrevivente da água junto ao USS West Virginia (BB-48) durante, ou logo após. O ataque aéreo japonês. Fotografia da Marinha dos Estados Unidos, colorizado por Royston Leonard, Reino Unido.
– Clássica foto do ataque japonês a base americana de Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941. Marinheiros em uma lancha de resgate retiram um sobrevivente da água junto ao USS West Virginia (BB-48) durante, ou logo após. O ataque aéreo japonês. Fotografia da Marinha dos Estados Unidos, colorizado por Royston Leonard, Reino Unido.

As pessoas que se dispõem a realizar este trabalho tem que saber muito sobre a cor dos uniformes, das máquinas, das armas, ter uma ideia acurada da ecologia de uma determinada região, do clima e por aí vai. Muitas destas fotos trabalhadas digitalmente são da época da Segunda Guerra Mundial.

- Artilheiro de uma B-24 “Liberator” em 1944. Colorizado por Mike Gepp, Austrália.
– Artilheiro de uma B-24 “Liberator” em 1944. Colorizado por Mike Gepp, Austrália.

Pessoas em todo mundo vem realizando este trabalho e que assim continue para não esquecemos este período negro da história da humanidade. Que sabe assim não repetimos o que aconteceu!

- Nesta foto vemos alguns Boeings B-17 Flying Fortress, do 324th Bomb Squad, 91st Bomb Group, da 8th Air Force a caminho de bombardearem Tours, na França, em 5 de janeiro de 1944. A nave da esquerda é o B-17F, número 42-29837, batizado 'Lady luck', à direita está o B-17F, número 41-24490, 'Jack the Ripper' (Jack, o Estripador). Colorizado por John Winner, dos Estados Unidos.
– Nesta foto vemos alguns Boeings B-17 Flying Fortress, do 324th Bomb Squad, 91st Bomb Group, da 8th Air Force a caminho de bombardearem Tours, na França, em 5 de janeiro de 1944. A nave da esquerda é o B-17F, número 42-29837, batizado ‘Lady luck’, à direita está o B-17F, número 41-24490, ‘Jack the Ripper’ (Jack, o Estripador). Colorizado por John Winner, dos Estados Unidos.
- Julho de 1943, Greenville, South Carolina, homens do Air Service Command em um jogo de cartas. Colorizado por “Retropotamus”, Estados Unidos.
– Julho de 1943, Greenville, South Carolina, homens do Air Service Command em um jogo de cartas. Colorizado por “Retropotamus”, Estados Unidos.
- O Tenente Samuel 'Ted' Hutchins, de Port Charlotte, Flórida, corre sob a asa do seu hidroavião monomotor Chance-Vought OS2U Kingfisher, a partir do encouraçado USS South Dakota, na região de Okinawa, 22 de janeiro de 1945. Colorizado por Leo Determann - https://www.facebook.com/media/set/?set=a.372675339504890.1073741828.372672342838523&type=3
– O Tenente Samuel ‘Ted’ Hutchins, de Port Charlotte, Flórida, sob a asa do seu hidroavião monomotor Chance-Vought OS2U Kingfisher, a partir do encouraçado USS South Dakota, na região de Okinawa, 22 de janeiro de 1945. Colorizado por Leo Determann – https://www.facebook.com/media/set/?set=a.372675339504890.1073741828.372672342838523&type=3
- Submarinos alemães tipo VII-C durante a construção nos estaleiro da empresa Blohm und Voss, em Hamburgo, 1940. Os dois submarinos aqui retratados são do mesmo tipo, o da esquerda está mostrando o casco de pressão "interior". A construção de submarinos alemães nunca conseguiu suprir as necessidades para deter o fluxo de homens e armas Aliadas que atravessavam principalmente o Oceano Atlântico. Como resultado, a campanha para cortar as linhas de comunicação marítimas aliadas falhou. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia.
– Submarinos alemães tipo VII-C durante a construção nos estaleiro da empresa Blohm und Voss, em Hamburgo, 1940. Os dois submarinos aqui retratados são do mesmo tipo, o da esquerda está mostrando o casco de pressão “interior”. A construção de submarinos alemães nunca conseguiu suprir as necessidades para deter o fluxo de homens e armas Aliadas que atravessavam principalmente o Oceano Atlântico. Como resultado, a campanha para cortar as linhas de comunicação marítimas aliadas falhou. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia.
- O conhecido B-17 batizado como "MEMPHIS BELLE". Tema de filme hollywoodiano, pertenceu a Oitava Força Aérea, tinha base na Inglaterra e após completar 25 missões de combate voltou para os Estados Unidos.
– O conhecido B-17 batizado como “MEMPHIS BELLE”. Tema de filme hollywoodiano, pertenceu a Oitava Força Aérea, tinha base na Inglaterra e após completar 25 missões de combate voltou para os Estados Unidos.
- “Missão Albany” - Logo após a meia-noite de 6 de junho de 1944, 2.000 paraquedistas iriam liderar os desembarques do Dia D, saltando atrás das linhas inimigas cinco horas antes das primeiras tropas molharem suas botas nas praias da Normandia. A aeronave da foto é o clássico C-47 e muitos destes estiveram em Parnamirim Field. Colourizado por Paul Reynolds - https://www.facebook.com/blackdot.imaging?fref=ts
– “Missão Albany” – Logo após a meia-noite de 6 de junho de 1944, 2.000 paraquedistas iriam liderar os desembarques do Dia D, saltando atrás das linhas inimigas cinco horas antes das primeiras tropas molharem suas botas nas praias da Normandia. A aeronave da foto é o clássico C-47 e muitos destes estiveram em Parnamirim Field. Colourizado por Paul Reynolds – https://www.facebook.com/blackdot.imaging?fref=ts
- Soldados norte-americanos da 10th Armoured e da 45th Division, ambos do 7th Us Army, posam sobre um potente canhão ferroviário alemão em Rentwertshausen, Alemanha. Abril de 1945.
– Soldados norte-americanos da 10th Armoured e da 45th Division, ambos do 7th Us Army, posam sobre um potente canhão ferroviário alemão em Rentwertshausen, Alemanha. Abril de 1945.
- Fábrica da empresa Boeing, em Seattle, uma das que produziram bombardeiros pesados B-17F "Flying Fortress". Foto de Andreas Feininger, colorizado por Tom Thounaojam.
– Fábrica da empresa Boeing, em Seattle, uma das que produziram bombardeiros pesados B-17F “Flying Fortress”. Foto de Andreas Feininger, colorizado por Tom Thounaojam.

PARA VER OUTRAS FOTOS COLORIDAS NA INTERNET, VEJA A COMUNIDADE DO FACEBOOK WW2 Colourised Photos – https://www.facebook.com/pages/WW2-Colourised-Photos/393166910813107?ref=profile