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A POÉTICA GEOGRAFIA DO CANGAÇO

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Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou. Capa. Reprodução

Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou [Vento Leste, 2016, 104 p.] é um encontro único: as elegâncias das fotografias de Márcio Vasconcelos e do texto de Frederico Pernambucano de Mello, a exuberância das paisagens, a grandeza dos personagens e o imenso legado cultural deixado pelo bando liderado por Virgulino Ferreira da Silva.

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Casa de dona Jocosa. Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou. Márcio Vasconcelos. Reprodução

O maranhense Márcio Vasconcelos embrenha-se na geografia sui generis do Nordeste para refazer os caminhos percorridos por Lampião e seus cangaceiros, da invenção do bando à execução de seu líder, em 1938, na Grota do Angico, em Poço Redondo/SE, ao lado de Maria Bonita e outros nove homens.

Apenas duas fotos não são de sua autoria, espécie de tributo ao fotógrafo Benjamim Abraão, que retratou o bando de Lampião em vida, saga contada por Paulo Caldas e Lírio Ferreira em Baile perfumado [1996], com imagens do acervo do fotógrafo sírio-libanês e trilha sonora puxada pela turma do manguebit.

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Um dos habitantes atuais dos lugares por onde Lampião passou há quase um século. Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou. Márcio Vasconcelos. Reprodução

A trilha por que o fotógrafo nos conduz ao longo das páginas do livro, finalista do prêmio Conrado Wessel de Fotografia 2011 e vencedor do XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, passa por cinco estados e entre os personagens que ele encontra estão Dona Minó (1923-) – filha de Zé Saturnino, tido como o inimigo número um de Lampião –, Elias Matos Alencar (1914-2013) – membro da volante do Tenente João Bezerra, responsável pela execução de Lampião e seu bando –, e Manuel Dantas Loiola, vulgo Candeeiro (1916-2013), cangaceiro do bando de Lampião, além de atuais habitantes dos lugares.

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A devoção a Padre Cícero. Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou. Márcio Vasconcelos. Reprodução

As paisagens remontam à rima involuntária beleza/pobreza, com vantagem para a primeira, eterna sina de grande parte do Nordeste e sua população. É particularmente comovente uma sequência de fotos em que uma mulher comum chora a morte de um jumento, abraçando-o como a um ente querido. A devoção (sobretudo a Padre Cícero, mas não só) também é elemento importante ao olhar de Márcio Vasconcelos.

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A grota do Angico, onde Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros foram executados em 1938. Na trilha do cangaço – o sertão que Lampião pisou. Márcio Vasconcelos. Reprodução

O trunfo do encontro entre palavras e imagens está justamente em umas não quererem explicar as outras: enquanto o fotógrafo percorre hoje caminhos pisados por Lampião há quase um século, Frederico Pernambucano de Mello, historiador, membro da Academia Pernambucana de Letras, reivindica ao ícone do cangaço o status de artista: “pelo orgulho, pela sobranceria, pela vaidade, pelo desassombro da imagem ostensiva, pela força de formação de uma subcultura à base de derivações nada desprezíveis na música, na poesia, na dança, na culinária, no artesanato, na medicina, nos costumes, na moral, na religiosidade, na arte militar intuitiva e mesmo na arte de expressão plástica, a partir da herança pastoril, o cangaço sumaria, aos olhos do brasileiro de hoje, a franja de todas as insurgências, sua saga confundindo-se com a própria ideia de resistência contra poderosos”, anota.

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Os textos deste maravilhoso trabalho foram do amigo Frederico Pernambucano de Mello.

Outra grandeza que merece destaque é não quererem tirar conclusões. Muito já foi dito sobre o cangaço e particularmente Lampião é fartamente biografado. “Os cangaceiros não foram heróis nem bandidos. Foram homens que disseram não à situação”, anota Vasconcelos na legenda da foto da Grota do Angico.

FONTE – https://zemaribeiro.wordpress.com/2016/04/27/a-poetica-geografia-do-cangaco/

MARC FERREZ – FOTÓGRAFO DO BRASIL

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Através da amiga e competente jornalista Zarife Assi, recebi pelo Facebook estas lindas fotos realizadas por Marc Ferrez (1843-1923). Este foi grande fotógrafo do século XIX em nosso país. Suas imagens formam o patrimônio visual de uma época de transformações no Brasil. Seus retratos de índios, escravos e indivíduos urbanos, são fortes e inesquecíveis e sua obra é considerada um dos mais ricos documentos visuais do período.

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Marc Ferrez em 1876 – Fonte – pt.wikipedia.org

Filho de franceses, Marc Ferrez ficou órfão aos 8 anos, em 1851, quando os pais morreram de maneira desconhecida, por envenenamento ou de febre amarela. Depois de uma temporada na França, com um casal amigo, voltou ao Brasil com 21 anos, já interessado em fotografia.

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Aqui, especializou-se com profissionais experientes, até fundar, em 1867, um ateliê e sua própria marca, a Marc Ferrez & Cia. No ano seguinte, registrou as comemorações do fim da Guerra do Paraguai e começou a trabalhar para o governo.

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A partir de 1872, passou a se apresentar como “fotógrafo da Marinha Imperial e das construções navais do Rio de Janeiro, tendo como especialidade vistas do Rio de Janeiro e arredores, em todas as dimensões a preços acessíveis”.

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Ferrez percorreu todas as regiões do Brasil, em expedições governamentais e científicas. Ele documentou tudo o que podia: fazendas de café, árvores, plantas arquitetônicas, praias, praças, navios e pessoas que encontrava em suas andanças.

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Ficou conhecido internacionalmente não apenas por suas panorâmicas, mas também pelas pesquisas na área da fotografia. Por exemplo, com equipamentos adaptados para operar dentro de embarcações. Ele era um apaixonado pelo Rio, que descrevia como “uma cidade de beleza luxuriante e risonha”, pelo Brasil e pelas câmeras e lentes.

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A maioria dos fotógrafos da época vivia do trabalho com retratos. Ferrez chegou a fazê-los (Machado de Assis, Santos-Dumont, conde d’Eu, etc.), mas não era o que mais o atraía. Gostava mesmo de experimentar, registrar acontecimentos, transformações.

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Outro obstáculo ao trabalho de Ferrez vinha da técnica: uma de suas especialidades, a foto panorâmica, exigia esforço imenso. Na segunda metade do século 19, a panorâmica era muito apreciada, mas poucos estavam dispostos a enfrentar as dificuldades operacionais e os elevados custos da produção desse tipo de fotografia.

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O processo fotográfico completo, mesmo de imagens em formato convencional, levava cerca de uma hora, para cada foto e o fotógrafo pensava muito, antes de tomar a decisão de uma foto.

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Após a morte do fotógrafo, em 1923, o neto e historiador Gilberto Ferrez se dedicou ao estudo do acervo, o que contribuiu para sua divulgação no Brasil e no mundo. O conjunto da obra de Marc Ferrez mostra a vontade quase ufanista de documentar um país em formação, em vez de buscar o “pitoresco”, como faziam muitos na época. Suas imagens formam em nosso imaginário um retrato mais fiel do passado do Brasil.

FONTE – http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/marc-ferrez-fotografo-andarilho-480178.shtml

AS 3 PRIMEIRAS FOTOGRAFIAS DO BRASIL – LOUIS COMPTE, JANEIRO DE 1840

Paço Imperial, Janeiro de 1840.
Paço Imperial, Janeiro de 1840.
Chafariz do Mestre Valentim, Janeiro de 1840.
Chafariz do Mestre Valentim, Janeiro de 1840.
Cais do Rio de Janeiro. Em  janeiro de 1840
Cais do Rio de Janeiro. Em janeiro de 1840

FONTE – https://www.facebook.com/DPedroIIdoBrasil?pnref=story

O GRANDE ATOR CRISTOPHER LEE E A SUA PARTICIPAÇÃO NA II GUERRA

Christopher Lee 1922 - 2015 - Fonte - www.independent.co.uk
Christopher Lee 1922 – 2015 – Fonte – http://www.independent.co.uk

Christopher Frank Carandini Lee, ou simplesmente Christopher Lee, nasceu em Belgravia, na área de Westminster, Londres, em 27 de maio de 1922. Era filho da bela Condessa Estelle Carandini di Mari Sarzano, de origem italiana, e do Tenente-Coronel Geoffrey Trollope Lee, um condecorado oficial inglês que serviu na Primeira Guerra Mundial.

Os pais de Lee se separaram quando ele era ainda muito jovem, então ele permaneceu sob os cuidados de sua mãe e foram viver na Suíça. Depois sua família mudou-se para Londres e sua mãe uniu-se ao banqueiro Harcourt “Ingle” Rose, tio do escritor Ian Fleming, criador de James Bond.

Anos depois Lee estudou no Eton College, onde ganhou uma bolsa de estudos para se especializar em Estudos Clássicos. Grande fã dos esportes, participou de equipes de cricket, futebol, hóquei, squash e natação. Ao terminar seus estudos começou a excursionar por vários países europeus. De acordo com sua própria autobiografia, testemunhou em junho de 1939 a morte de Eugen Weidmann, último homem executado publicamente pela guilhotina na França.

Lee durante a Segunda Guerra Mundial - Fonte - www.reddit.com
Lee durante a Segunda Guerra Mundial – Fonte – http://www.reddit.com

Como muitos de sua geração Christopher Lee lutou na Segunda Guerra Mundial. No entanto, a sua história é muito mais fascinante do que a maioria dos soldados que lutaram e está envolta até hoje em mistério.

Primeiramente ele se apresentou no corpo de voluntários que apoiaram a Finlândia na Guerra de Inverno que este país lutou contra a União Soviética, embora a sua unidade não chegasse a entrar em combate. Lee então se alistou na RAF – Royal Air Force, onde recebeu treinamento como piloto, mas eventualmente alguns problemas de visão o deixaram longe de um caça. Lee foi então designado para o 260 Squadron RAF, na África do Norte. Em uma ocasião nesta região Lee quase foi morto quando o aeródromo do seu esquadrão foi bombardeado pelos alemães.

Um detalhe interessante – este 260 Squadron RAF era a mesma unidade militar onde serviu o Flight Sergeant Dennis Copping, que em 1942 despereceu no deserto da África do Norte com seu caça P-40. Este avião foi encontrado no início de 2012 por uma equipe de prospecção de petróleo polonesa e foi destaque na mídia mundial. Para saber mais veja sobre a história deste piloto e seu P-40, clique aqui https://tokdehistoria.com.br/2012/06/09/aviao-p-40-da-segunda-guerra-mundial-encontrado-no-deserto-do-saara-70-apos-seu-desaparecimento/

Caças P-40 do 260 Squadron da RAF - Fonte - www.acesofww2.com
Caças P-40 do 260 Squadron da RAF – Fonte – http://www.acesofww2.com

Lee mencionou que em 1941 foi designado para operações especiais e de inteligência no Special Operations Executive (SOE), onde teve um papel ativo, a tal ponto que muitas das suas missões ainda continuam classificados como secretas. Atuou junto ao Long Range Desert Group (LRDG-Grupo de Longo Alcance do Deserto), uma unidade de combate especial que atacava a retaguarda inimiga com jipes e caminhões, utilizando o deserto para deslocamento e proteção.

Muito embora os detalhes sobre as informações das operações em que Lee participou permanecem até hoje classificadas como secretas e sem o público ter acesso aos arquivos, alguns registros mostram os feitos de Lee atrás das linhas inimigas, principalmente destruindo aeródromos da temida Luftwaffe. Lee nunca gostou muito de comentar sua participação na Guerra.

Muitas décadas mais tarde, durante as filmagens da série cinematográfica O Senhor dos Anéis, em uma cena dirigida por Peter Jackson, o veterano de guerra comentou que “esse não é o som emitido por um ser humano ao morrer com uma facada nas costas”. Jackson tomou isso como uma piada, mas Lee comentou que tinha servido nos serviços de inteligência e ações de combate especiais durante a guerra e teve de matar pessoas. Em meio à estupefação geral no estúdio, Peter Jackson decidiu pesquisar e investigar e descobriu que Lee falou a verdade.

Lee atuando como Saruman - Fonte - www.theguardian.com
Lee atuando como Saruman – Fonte – http://www.theguardian.com

Após a Campanha no Norte da África, a unidade militar de Lee seguiu para a Sicília e depois o sul da Itália. Por esta época Lee já havia sido acometido seis vezes com malária e testemunhou a Batalha de Monte Casino. Nessa época quase morreu em um acidente, quando o avião em que estava caiu durante a decolagem.

Em relação aos últimos meses de seu serviço, Lee, que falava fluentemente francês e alemão, além de outras cinco línguas, foi destacado para uma unidade que rastreava e caçava criminosos de guerra nazistas. 

Nos últimos anos Lee marcou muitos jovens em todo planeta com a sua interpretação do mago Saruman em “O Senhor dos Anéis”, mas poucos percebem o quanto ele estava bem preparado para o papel.

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http://www.atomica.com

Lee tem uma longa história com os livros de John Ronald Reuel Tolkien, conhecido internacionalmente por J. R. R. Tolkien. Depois de deixar a RAF em 1945, quando “A Sociedade do Anel“, foi publicado, Christopher Lee leu este trabalho com muita atenção e também teve a experiência de conhecer o próprio Tolkien, sendo o único membro de todo o elenco de “O Senhor dos Anéis” a ter tido este privilégio.

Lee narrou que conheceu o escritor em um pub e comentou que Tolkien era um homem de aspecto benigno, que fumava um cachimbo, aparentando ser um típico inglês do seu tempo e um gênio de grande conhecimento intelectual.

Christopher Klee era, em todos os sentidos, um homem do mundo. Bem versado nas artes, política, literatura, história e ciência. Ele era um estudioso, um cantor, um contador de histórias extraordinárias e, é claro, um ator maravilhoso. Sua carreira como ator começou em 1948 com o filme “Corridor of Mirrors” e seu último trabalho foi no filme“The 11th” em produção e que está previsto a ser lançado ainda em 2016.

Conhecido por sua versatilidade e longevidade cinematográfica, isso trouxe a Lee um impressionante recorde – o de ator mais prolífico. Sua participação no cinema soma o record de 207 filmes no cinema, em filmes de sucesso como Star Wars, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e vários filmes de Conde Drácula. Estas interpretações deste personagem de terror o tornaram mundialmente famoso. Ele repetiu o personagem em onze filmes, o primeiro feito em 1958.

Dono de uma voz forte e impressionante, Lee também atuou como cantor de opera e inusitadamente de Heavy Metal. Tendo feito dueto com Fabio Lione, vocalista do Rhapsody of Fire.

Lee recebendo do principe Charles o título de Cavaleiro Real - Fonte - www.reddit.com
Lee recebendo do príncipe Charles o título de Cavaleiro Real – Fonte – http://www.reddit.com

Em 2009, recebeu o título de Cavaleiro Real, a mesma ordem que o professor Tolkien fez parte em 1972.  Em 2011 Sir Christopher Lee recebeu o prêmio BAFTA em reconhecimento a sua grande carreira e foi aplaudido com louvor.

Finalmente, no dia 7 de junho de 2015, aos 93 anos, descansou.

Fontes – http://tolkienbrasil.com/noticias/sobre-filmes/sir-christopher-lee-falece-aos-93-anos/

https://www.fayerwayer.com/2015/06/muere-el-legendario-actor-y-agente-secreto-de-la-segunda-guerra-mundial-cristopher-lee/

A HISTÓRIA DA FOTO DE FAROL MAIS FAMOSA DO MUNDO

Foto -  Jean Guichard -Fonte - https://iconicphotos.wordpress.com/2013/12/17/a-storm-at-la-jument/
Foto – Jean Guichard -Fonte – https://iconicphotos.wordpress.com/2013/12/17/a-storm-at-la-jument/ CLIQUE PARA AMPLIAR AS FOTOS

Como foi feita essa foto?

Morreu o faroleiro atingido pela onda?

Eu me fiz esta pergunta na primeira vez que vi em um cartaz esta imagem impressionante. Então eu vi a foto centenas de vezes, em centenas de lugares diferentes, como é seguro que você também já viu: esta foto é uma das mais vendidas em lojas de pôsteres de decoração e de lembranças na Europa.

O farol é chamado La Jument e é um dos mais espetaculares faróis da costa francesa. Fica a dois quilômetros ao largo da ilha de Ouessant e foi construído entre 1904 e 1911 para sinalizar um baixio rochoso muito perigoso, local de vários naufrágios.

A história da foto ocorreu em 21 de dezembro de 1989. O fotógrafo francês Jean Guichard, especializado em imagens de faróis, voou de helicóptero até La Jument em um dia de forte tempestade procurando a imagem perfeita dessas gigantescas ondas do Atlântico batendo contra a estrutura do farol.

No interior, o faroleiro Theophile Malgorn, que na época tinha cerca de 30 anos, ouviu o helicóptero passando repetidas vezes e pensou que algo de errado estava acontecendo; Talvez o piloto estivesse tentando entrar em contato visual com ele devido algum naufrágio, ou outro tipo de acidente. E em um movimento Malgorn abriu a porta para ver o que estava ocorrendo.

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fONTE – http://www.liveinternet.ru

Toda a ação durou apenas alguns segundos. Guichard viu o homem na porta e o instinto de fotógrafo disse-lhe que havia uma composição perfeita: um homem e uma incrível força da natureza. Ele começou a fotografar no momento que uma nova e gigantesca onda de maré começou a abraçar com toneladas de fúria a estrutura do farol. Naquele momento, o faroleiro Malgorn, junto às dobradiças da porta, ouviu um trovão seco, algo com uma força brutal (o impacto da onda de frente do farol) e sabia que tinha cometido um erro terrível. Tão rápido quanto ele abriu, ele fechou a porta, apenas um milésimo de segundo antes da onda varrer tudo. Ele ficou vivo por um verdadeiro milagre.

Guichard conseguiu sete fotos sequenciadas através do motor da câmera que o tornaria e, em 1990, obteve o prêmio World Press Photo.

O faroleiro Theophile Malgorn ainda vive na ilha de Ouessant e não gosta de falar sobre a foto que o tornou famoso. Ele comentou com amigos que ficou muito na época porque ele havia sido colocado em uma situação de risco mortal irresponsavelmente e além de tudo visando uma questão comercial; Por profissionalismo ele saiu para ver o que estava acontecendo com aquele helicóptero que circulava o farol e aquilo quase lhe custou a vida. Mas, logo depois o fotógrafo Guichard foi visitá-lo em sua casa e lhe presenteou com uma foto autografada do “momento decisivo”, como dizia Cartier Bresson – e se tornaram bons amigos.

O último faroleiro deixou La Jument em 26 de Julho de 1991. Desde então o farol opera de forma automática. Theophile Malgorn atualmente possue a função de telecontrolador do farol de Creac’h Lighthouse, também em Ouessant.

Vizinhos muitas vezes o veem passeando com seus cães ao longo da trilha que existe na costa da ilha, olhando para o mar selvagem batendo nas falésias, observando a forma escura dos faróis, onde ele passou em sua juventude inúmeros momentos de solidão em uma úmida, sala escura, enquanto lá fora o mar tentava derrubar a estrutura que o protegia.

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fONTE – http://www.jean-guichard.com

Os faroleiros franceses como Theophile Malgorn são (ou eram) pessoas muito especiais. Solitários, tinham todo o tempo do mundo para escrever, pintar ou esculpir. Filósofos de uma vida que poucos seriam capazes de suportar em dias de informações instantâneas.

É por isso que atualmente estes homens acham difícil se adaptar a uma vida sedentária, controlando um farol na frente de um computador, em uma sala limpa, aquecida, depois de terem sido os últimos em um mar romântico; filósofos solitários, a cada noite com as luzes acesas, salvando vidas de marinheiros anônimos que nunca iriam conhecê-los ou lhes agradecer pelo seu trabalho. 

Autor – Paco Nadal

Fonte – http://blogs.elpais.com/paco-nadal/2015/04/-historia-foto-farero-faro-la-jument.html

FOTOS HISTÓRICAS COLORIZADAS DIGITALMENTE – UMA ÓTIMA FERRAMENTA PARA O ENSINO E A PESQUISA HISTÓRICA

- Caça F6F-5 “Hellcat” queimando no porta aviões USS Lexington (CV-16). Esta aeronave era pilotada pelo oficial Ardon R. Ives, que espertamente conseguiu se salvar correndo sobre a asa, que lhe protegeu. O fato se deu em fevereiro de 1945, mas Ives morreu em um duelo aéreo em maio daquele ano.
– Caça F6F-5 “Hellcat” queimando no porta aviões USS Lexington (CV-16). Esta aeronave era pilotada pelo oficial Ardon R. Ives, que espertamente conseguiu se salvar correndo sobre a asa, que lhe protegeu. O fato se deu em fevereiro de 1945, mas Ives morreu em um duelo aéreo em maio daquele ano.

Pessoas em todo mundo vem colorindo digitalmente fotos históricas, muitas delas da época da Segunda Guerra Mundial. Esta ação vem literalmente colorindo o maior conflito da história da humanidade, trazendo uma nova visão, instigando o interesse (Principalmente entre os mais jovens) e ampliando o conhecimento geral. Clique nas fotos para ampliar.

- O tenente Paul Unger, da polícia do exército americano, lotado na segunda divisão blindada, revista o prisioneiro Kurt Peters, um membro da SS, com a patente de Untersturmführer (equivalente a segundo-tenente), que pertencia ao III. Battalion, do SS-Panzergrenadier Regiment 37, parte integrante da 17. SS-Panzergrenadier, a conhecida Division Götz von Berlichingen. Foto realizada na área de Notre-Dame-de-Cenilly, 18 quilômetros a sudoeste da cidade de Saint Lô, França, no dia 27 de julho de 1944.
– O tenente Paul Unger, da polícia do exército americano, lotado na segunda divisão blindada, revista o prisioneiro Kurt Peters, um membro da SS, com a patente de Untersturmführer (equivalente a segundo-tenente), que pertencia ao III. Battalion, do SS-Panzergrenadier Regiment 37, parte integrante da 17. SS-Panzergrenadier, a conhecida Division Götz von Berlichingen. Foto realizada na área de Notre-Dame-de-Cenilly, 18 quilômetros a sudoeste da cidade de Saint Lô, França, no dia 27 de julho de 1944.

Muitos que tem acima de quarenta anos de idade, certamente possuem em seus antigos álbuns fotográficos várias fotos em preto e branco. Até o início da década de 1970 a fotografia colorida era mais rara e mais cara, por isso quando pensamos sobre a história antes dessa época, quase sempre encaramos isso em preto e branco. 

- Os membros da tripulação do submarino U-50 exibem suas Cruzes de Ferro em Wilhelmshaven, na costa alemã do Mar do Norte, em 2 de Março de 1940. Este submarino era do Tipo VII B e era comandado pelo Kapitänleutnant Max-Hermann Bauer. Um mês e dois dias todos os 44 tripulantes morreram quando o U-50 bateu em uma mina no Mar do Norte.
– Os membros da tripulação do submarino U-50 exibem suas Cruzes de Ferro em Wilhelmshaven, na costa alemã do Mar do Norte, em 2 de Março de 1940. Este submarino era do Tipo VII B e era comandado pelo Kapitänleutnant Max-Hermann Bauer. Um mês e dois dias todos os 44 tripulantes morreram quando o U-50 bateu em uma mina no Mar do Norte.

A tecnologia avançou tanto, que atualmente conseguimos “colorir” fotos históricas, criando uma chance aproximada de ver o mundo como ele era na época em que o evento foi clicado. E isso é realmente espetacular.

- Interior de um avião de transporte Curtiss C-46 Commando, modificado como ambulância de evacuação aérea, atuando nas Filipinas, início de 1945. A foto apresenta uma clara operação de evacuação aérea, onde as vítimas provavelmente estavam sendo retiradas de alguma pequena ilha para um hospital maior, talvez em Manila. Além da enfermeira e dos feridos, o sargento que aparece na foto era provavelmente o que chamavam de “Mestre de Carga”, que em determinado momento poderia carregar para aeronave vítimas e em outras munições. Este tipo de aeronave bimotor, realizando este tipo de operação, esteve presente em Parnamirim Field durante a II Guerra. Os feridos trazidos a Natal seguiam para o hospital da guarnição norte-americana, atual Maternidade Escola Januário Cicco, na Avenida Nilo Peçanha. Quando faleciam eram enterrados no Cemitério do Alecrim. Ver - https://tokdehistoria.com.br/tag/cemiterio-do-alecrim/
– Interior de um avião de transporte Curtiss C-46 Commando, modificado como ambulância de evacuação aérea, atuando nas Filipinas, início de 1945. A foto apresenta uma clara operação de evacuação aérea, onde as vítimas provavelmente estavam sendo retiradas de alguma pequena ilha para um hospital maior, talvez em Manila. Além da enfermeira e dos feridos, o sargento que aparece na foto era provavelmente o que chamavam de “Mestre de Carga”, que em determinado momento poderia carregar para aeronave vítimas e em outras munições. Este tipo de aeronave bimotor, realizando este tipo de operação, esteve presente em Parnamirim Field durante a II Guerra. Os feridos trazidos a Natal seguiam para o hospital da guarnição norte-americana, atual Maternidade Escola Januário Cicco, na Avenida Nilo Peçanha. Quando faleciam eram enterrados no Cemitério do Alecrim. Ver – https://tokdehistoria.com.br/tag/cemiterio-do-alecrim/

Intrigantes fotos antigas em preto-e-branco surgem com um colorido que parecem que foram produzidas ontem. Ao longo dos últimos três a quatro anos, começou fortemente uma tendência cada vez mais popular de compartilhar pela internet fotos históricas colorizadas digitalmente.

- Clássica foto da "Operation Tidal Wave", o bombardeio massivo das refinarias de petróleo de Ploesti, na Romenia. A foto foi realizada no dia 1 de agosto de 1943, a aeronave fotografada é a "The Sandman" do 345th Bomb Squadron, 98th Bomb Group, conhecidos como "The Pyramiders", da 9th Air Force. Era um B-24D-55-CO S 'Liberator', número 42-40402, perdido quatro meses depois, em 19 de dezembro de 1943, no ataque a Augsburg, Alemanha. O 2Lt. USAAF Emil Anthony Petr, a quem tive a honra de biografar no meu livro “Eu não sou herói” esteve algumas vezes em missão de combate sobre Ploesti e me fez uma bela discrição sobre estes ataques, os quais eu não incluí no livro, mas são muito interessantes. Colorizado por Royston Leonard, do Reino Unido. - https://www.facebook.com/pages/Colourized-pictures-of-the-world-wars-and-other-periods-in-time/182158581977012
– Clássica foto da “Operation Tidal Wave”, o bombardeio massivo das refinarias de petróleo de Ploesti, na Romenia. A foto foi realizada no dia 1 de agosto de 1943, a aeronave fotografada é a “The Sandman” do 345th Bomb Squadron, 98th Bomb Group, conhecidos como “The Pyramiders”, da 9th Air Force. Era um B-24D-55-CO S ‘Liberator’, número 42-40402, perdido quatro meses depois, em 19 de dezembro de 1943, no ataque a Augsburg, Alemanha. O 2Lt. USAAF Emil Anthony Petr, a quem tive a honra de biografar no meu livro “Eu não sou herói” esteve algumas vezes em missão de combate sobre Ploesti e me fez uma bela discrição sobre estes ataques, os quais eu não incluí no livro, mas são muito interessantes. Colorizado por Royston Leonard, do Reino Unido. – https://www.facebook.com/pages/Colourized-pictures-of-the-world-wars-and-other-periods-in-time/182158581977012

Não sei como os acadêmicos e doutores em história percebem as antigas fotos coloridas digitalmente. Talvez por existir nesta tarefa certa dose de imaginação para compor o cenário mais próximo do original, seja vista com reservas pelos especialistas.

- Grupo de míticos caças Supermarine Spitfire Mark VC, do 2º Esquadrão da Força Aérea Sul-Africana (SAAF), com base em Palata, Itália, voando sobre o Mar Adriático durante uma missão na frente de batalha do Rio Sangro. Out-Dez 1943. (© IWM CNA 2102) - Colorizado por Tom Thounaojam, de Imphal, Índia.
– Grupo de míticos caças Supermarine Spitfire Mark VC, do 2º Esquadrão da Força Aérea Sul-Africana (SAAF), com base em Palata, Itália, voando sobre o Mar Adriático durante uma missão na frente de batalha do Rio Sangro. Out-Dez 1943. (© IWM CNA 2102) – Colorizado por Tom Thounaojam, de Imphal, Índia.

Pessoalmente vejo como uma ferramenta fantástica de criação do interesse geral pela história e uma ótima ferramenta de ensino. Isso em uma área onde um professor sem inspiração causa um estrago enorme!

- O submarino alemão U-455, os conhecidos “U-boat”, era um do tipo VII C, estava pronto para o combate em 21 de agosto de 1941, com uma tripulação de 51 homens. Esta nave realizou dez patrulhas de combate, passou 469 dias operando no mar, mas só afundou três navios inimigos. Acredita-se que esta nave afundou por bater em uma mina marítima no dia 6 de Abril de 1944 e foi descoberto por mergulhadores em 23 de outubro de 2005, perto da cidade italiana de Gênova. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia - https://www.facebook.com/kolorierte.unterseeboote.von.edwardtambunan
– O submarino alemão U-455, os conhecidos “U-boat”, era um do tipo VII C, estava pronto para o combate em 21 de agosto de 1941, com uma tripulação de 51 homens. Esta nave realizou dez patrulhas de combate, passou 469 dias operando no mar, mas só afundou três navios inimigos. Acredita-se que esta nave afundou por bater em uma mina marítima no dia 6 de Abril de 1944 e foi descoberto por mergulhadores em 23 de outubro de 2005, perto da cidade italiana de Gênova. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia – https://www.facebook.com/kolorierte.unterseeboote.von.edwardtambunan

Já as fotos históricas colorizadas digitalmente dos períodos de conflito, além do trabalho normal diante do computador, requer uma ampla pesquisa histórica sobre praticamente tudo que ali é mostrado.

- Clássica foto do ataque japonês a base americana de Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941. Marinheiros em uma lancha de resgate retiram um sobrevivente da água junto ao USS West Virginia (BB-48) durante, ou logo após. O ataque aéreo japonês. Fotografia da Marinha dos Estados Unidos, colorizado por Royston Leonard, Reino Unido.
– Clássica foto do ataque japonês a base americana de Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941. Marinheiros em uma lancha de resgate retiram um sobrevivente da água junto ao USS West Virginia (BB-48) durante, ou logo após. O ataque aéreo japonês. Fotografia da Marinha dos Estados Unidos, colorizado por Royston Leonard, Reino Unido.

As pessoas que se dispõem a realizar este trabalho tem que saber muito sobre a cor dos uniformes, das máquinas, das armas, ter uma ideia acurada da ecologia de uma determinada região, do clima e por aí vai. Muitas destas fotos trabalhadas digitalmente são da época da Segunda Guerra Mundial.

- Artilheiro de uma B-24 “Liberator” em 1944. Colorizado por Mike Gepp, Austrália.
– Artilheiro de uma B-24 “Liberator” em 1944. Colorizado por Mike Gepp, Austrália.

Pessoas em todo mundo vem realizando este trabalho e que assim continue para não esquecemos este período negro da história da humanidade. Que sabe assim não repetimos o que aconteceu!

- Nesta foto vemos alguns Boeings B-17 Flying Fortress, do 324th Bomb Squad, 91st Bomb Group, da 8th Air Force a caminho de bombardearem Tours, na França, em 5 de janeiro de 1944. A nave da esquerda é o B-17F, número 42-29837, batizado 'Lady luck', à direita está o B-17F, número 41-24490, 'Jack the Ripper' (Jack, o Estripador). Colorizado por John Winner, dos Estados Unidos.
– Nesta foto vemos alguns Boeings B-17 Flying Fortress, do 324th Bomb Squad, 91st Bomb Group, da 8th Air Force a caminho de bombardearem Tours, na França, em 5 de janeiro de 1944. A nave da esquerda é o B-17F, número 42-29837, batizado ‘Lady luck’, à direita está o B-17F, número 41-24490, ‘Jack the Ripper’ (Jack, o Estripador). Colorizado por John Winner, dos Estados Unidos.
- Julho de 1943, Greenville, South Carolina, homens do Air Service Command em um jogo de cartas. Colorizado por “Retropotamus”, Estados Unidos.
– Julho de 1943, Greenville, South Carolina, homens do Air Service Command em um jogo de cartas. Colorizado por “Retropotamus”, Estados Unidos.
- O Tenente Samuel 'Ted' Hutchins, de Port Charlotte, Flórida, corre sob a asa do seu hidroavião monomotor Chance-Vought OS2U Kingfisher, a partir do encouraçado USS South Dakota, na região de Okinawa, 22 de janeiro de 1945. Colorizado por Leo Determann - https://www.facebook.com/media/set/?set=a.372675339504890.1073741828.372672342838523&type=3
– O Tenente Samuel ‘Ted’ Hutchins, de Port Charlotte, Flórida, sob a asa do seu hidroavião monomotor Chance-Vought OS2U Kingfisher, a partir do encouraçado USS South Dakota, na região de Okinawa, 22 de janeiro de 1945. Colorizado por Leo Determann – https://www.facebook.com/media/set/?set=a.372675339504890.1073741828.372672342838523&type=3
- Submarinos alemães tipo VII-C durante a construção nos estaleiro da empresa Blohm und Voss, em Hamburgo, 1940. Os dois submarinos aqui retratados são do mesmo tipo, o da esquerda está mostrando o casco de pressão "interior". A construção de submarinos alemães nunca conseguiu suprir as necessidades para deter o fluxo de homens e armas Aliadas que atravessavam principalmente o Oceano Atlântico. Como resultado, a campanha para cortar as linhas de comunicação marítimas aliadas falhou. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia.
– Submarinos alemães tipo VII-C durante a construção nos estaleiro da empresa Blohm und Voss, em Hamburgo, 1940. Os dois submarinos aqui retratados são do mesmo tipo, o da esquerda está mostrando o casco de pressão “interior”. A construção de submarinos alemães nunca conseguiu suprir as necessidades para deter o fluxo de homens e armas Aliadas que atravessavam principalmente o Oceano Atlântico. Como resultado, a campanha para cortar as linhas de comunicação marítimas aliadas falhou. Colorizado por Edward Tambunan, da Indonésia.
- O conhecido B-17 batizado como "MEMPHIS BELLE". Tema de filme hollywoodiano, pertenceu a Oitava Força Aérea, tinha base na Inglaterra e após completar 25 missões de combate voltou para os Estados Unidos.
– O conhecido B-17 batizado como “MEMPHIS BELLE”. Tema de filme hollywoodiano, pertenceu a Oitava Força Aérea, tinha base na Inglaterra e após completar 25 missões de combate voltou para os Estados Unidos.
- “Missão Albany” - Logo após a meia-noite de 6 de junho de 1944, 2.000 paraquedistas iriam liderar os desembarques do Dia D, saltando atrás das linhas inimigas cinco horas antes das primeiras tropas molharem suas botas nas praias da Normandia. A aeronave da foto é o clássico C-47 e muitos destes estiveram em Parnamirim Field. Colourizado por Paul Reynolds - https://www.facebook.com/blackdot.imaging?fref=ts
– “Missão Albany” – Logo após a meia-noite de 6 de junho de 1944, 2.000 paraquedistas iriam liderar os desembarques do Dia D, saltando atrás das linhas inimigas cinco horas antes das primeiras tropas molharem suas botas nas praias da Normandia. A aeronave da foto é o clássico C-47 e muitos destes estiveram em Parnamirim Field. Colourizado por Paul Reynolds – https://www.facebook.com/blackdot.imaging?fref=ts
- Soldados norte-americanos da 10th Armoured e da 45th Division, ambos do 7th Us Army, posam sobre um potente canhão ferroviário alemão em Rentwertshausen, Alemanha. Abril de 1945.
– Soldados norte-americanos da 10th Armoured e da 45th Division, ambos do 7th Us Army, posam sobre um potente canhão ferroviário alemão em Rentwertshausen, Alemanha. Abril de 1945.
- Fábrica da empresa Boeing, em Seattle, uma das que produziram bombardeiros pesados B-17F "Flying Fortress". Foto de Andreas Feininger, colorizado por Tom Thounaojam.
– Fábrica da empresa Boeing, em Seattle, uma das que produziram bombardeiros pesados B-17F “Flying Fortress”. Foto de Andreas Feininger, colorizado por Tom Thounaojam.

PARA VER OUTRAS FOTOS COLORIDAS NA INTERNET, VEJA A COMUNIDADE DO FACEBOOK WW2 Colourised Photos – https://www.facebook.com/pages/WW2-Colourised-Photos/393166910813107?ref=profile

ENTRE O CLIQUE E A MORTE – ROBERT CAPA, O FOTÓGRAFO QUE ODIAVA A GUERRA

Robert Capa
Robert Capa
Testemunha dos principais conflitos bélicos do século XX, o fotojornalista Robert Capa ajudou a construir o imaginário visual de guerra contemporâneo.

Autora – Eliza Casadei

“A guerra era como uma atriz que envelhece”, definiu o fotojornalista Robert Capa (1913-1954), em um texto publicado na revista Life, em 1944. Para ele, que morreu aos 41 anos cobrindo um conflito bélico, a guerra era “cada vez menos fotogênica e cada vez mais perigosa”. Conhecido por suas fotografias brilhantes e pelo estilo de vida pouco usual, o fotógrafo foi responsável por grande parte do imaginário visual da guerra que temos atualmente.

Testemunha dos principais conflitos do século XX, Capa não era reconhecido pela beleza das composições em suas fotografias, mas sim, por colocar a sua própria vida em risco com o objetivo de estar o mais próximo possível dos acontecimentos.

Capa fotografou o desembarque nas praias francesas da Normandia, no dia 6 de junho de 1944
Capa fotografou o desembarque nas praias francesas da Normandia, no dia 6 de junho de 1944

Entre as suas coberturas fotográficas estão a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial (cujas imagens da batalha da praia de Omaha serviram de base para a reconstrução do filme O resgate do soldado Ryan), a Guerra Sino-Japonesa e a Guerra da Indochina, seu último e fatal conflito.

Sobre seu trabalho na praia de Omaha, Capa escreveu certa vez que “eu diria que o correspondente de guerra consegue mais drinques, mais garotas, um salário melhor e mais liberdade para escolher onde ficar e poder ser um covarde.

Outra imagem de Capa durante o "Dia D"
Outra imagem de Capa durante o “Dia D”

 

O correspondente de guerra tem as suas apostas – sua vida – nas próprias mãos e pode preferir esse ou aquele cavalo, ou então resolver ficar na sua no último minuto”. Mesmo assim, “eu sou um jogador. E decidi partir com a primeira leva”. Por essa postura, Capa acabou transformando-se na personificação do fotojornalismo, em imagens que misturam a crueza da violência com o fascínio que sentimos por ela.

Robert Capa, contudo, não nasceu como Robert Capa: o seu nome de batismo era Endre Friedmann. O nome artístico surge apenas depois de ele trocar a sua cidade natal, Budapeste, por Paris e, após vários meses de dificuldade financeira, decidir que um nome norte-americano o faria conseguir um pagamento melhor por suas fotografias.

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O início da carreira como fotógrafo freelancer não havia sido muito gentil com Capa e conta-se que, em 1934, aos 21 anos, era comum encontrá-lo em casas de penhores do Quartier Latin, onde ele negociava a sua preciosa Leica em troca de alguns trocados. De acordo com um de seus biógrafos, o jornalista Alex Kershaw, a câmera passava três semanas penhorada para cada semana que ficava nas mãos de Friedmann.

Foi justamente a dificuldade em conseguir trabalho que fez com que Capa mudasse de nome. Em uma de suas entrevistas, para a rede radiofônica WNBC, em 1947, o fotojornalista dizia que Capa nasceu como um fotógrafo inventado, imaginado como “um famoso fotógrafo americano que veio para a Europa e não queria se aborrecer os editores franceses por não pagarem o suficiente”. E assim, “simplesmente fui chegando com a minha pequena Leica, tirei algumas fotos e escrevi em cima Bob Capa, conseguindo vendê-las pelo dobro do preço”.

No instante da morte

Embora isso o tenha ajudado a conseguir um pouco de dinheiro, a fama chega para Capa junto com a Guerra Civil Espanhola e com uma das mais polêmicas fotos da história do jornalismo, O soldado caído.

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A versão oficial de Capa de que a foto retratava um homem no instante de sua morte iminente, no exato momento em que ele era alvejado por um tiro, é contestada por muitos outros que afirmam que a foto não retratava mais do que um homem simplesmente caindo. A fotografia suscitou as mais curiosas teorias da conspiração, desde que se tratava de um treinamento militar (e não de um combate) até a especulação de que a foto nem ao menos teria sido tirada por Capa (e sim por sua namorada Gerda Taro que, muitas vezes antes de tornar-se famosa, publicava suas fotografias com a assinatura de Robert Capa para conseguir um pagamento maior). O próprio Capa contribuiu para as polêmicas em torno da foto, tendo contado diferentes versões do fato em ocasiões diversas.

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Na citada entrevista para a WNBC, ao comentar sobre O soldado caído, Capa chegara a afirmar que “a foto rara nasce da imaginação dos editores e do público que a vê”. Tendo se tornado famoso aos 24 anos, Capa demonstra em seus trabalhos posteriores a excelência de seu estilo fotojornalístico, em que a força da cena representada se encontra na proximidade do momento retratado. A beleza plástica de composição, em Capa, não se apoia nas técnicas da arte, mas na própria crueza dos acontecimentos, mesmo que as fotos pudessem estar ligeiramente fora de foco, como é o título de seu mais famoso livro.

A intensidade do trabalho de Capa se espelhava em sua vida pessoal: apesar de sua fama ter lhe trazido bastante dinheiro, ele era conhecido por perder grandes quantias ao jogar cartas com soldados, artistas e milionários e por beber muito. Dizia-se que ele extremamente atraente e charmoso, tendo namorado atrizes e modelos famosas como Ingrid Bergman (na época, casada com Petter Lindstrom), Hedy Lamarr e Jemmy Hammond.

Capa registrou aqui um soldado de um grupo de reconhecimento, atuando perto de Troina, na Sicília, Itália, em 4 ee agosto de 1943
Capa registrou aqui um soldado de um grupo de reconhecimento, atuando perto de Troina, na Sicília, Itália, em 4 ee agosto de 1943

Ele também foi um dos fundadores da agência Magnum, que mudou a forma como os fotojornalistas se relacionavam com os seus empregadores. Para ele, um fotojornalista que não tivesse controle sobre os seus negativos, estava perdido e, por isso, ele se empenhou em construir um lugar onde as relações de trabalho fossem mais vantajosas para os fotógrafos.

Em um depoimento publicado pela Popular Photograpgy, o escritor americano John Steinbeck disse que “realmente me parece que Capa demonstrou sem sombra de dúvida que a câmera não precisa ser um instrumento mecânico frio. Como a pena, ela tem as qualidades daquele que a usa. Pode ser a extensão da mente e do coração”. Para também fotógrafo Cartier-Bresson, Capa “envergava o traje deslumbrante do toureiro, mas nunca investiu contra o bicho para matar de verdade; grande jogador, ele lutava por si mesmo e pelos outros num turbilhão. Mas o destino tinha decidido que ele fosse abatido no auge da glória”.

Robert Capa, durante a cobertura da Guerra Civil Espanhola, em 1937 – Foto - Gerda Taro / Wikimedia
Robert Capa, durante a cobertura da Guerra Civil Espanhola, em 1937 – Foto – Gerda Taro / Wikimedia

Um de seus biógrafos, Alex Kershaw, conta uma história que talvez resuma a importância de Capa para o fotojornalismo: ao ser perguntada por Eve Arnold sobre o que achava das fotografias de Capa, a editora da revista New Yorker, Janet Flanner, teria respondido que “bem, não acho que sejam muito bem concebidas”. Nisso, a outra respondeu de imediato: “minha cara, a história também não é bem concebida”. 

Eliza Casadei é professora de fotojornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Fonte – http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/entre-o-clique-e-a-morte