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O DC-3 QUE SE TRANSFORMOU EM UMA OBRA DE ARTE DE ROMERO BRITTO

 

O DC-3 pintado pelo artista plástico Romero Brito, no pátio da AESO, em Olinda, Pernambuco.
O DC-3 pintado pelo artista plástico Romero Brito, no pátio da AESO, em Olinda, Pernambuco.

Quando eu tinha uns dez anos, em uma ocasião que participava de uma excursão escolar a Recife e Olinda, na hora que o nosso ônibus estava seguindo por uma estrada perto do mar, tive a surpresa (na verdade um susto) de ver um grande avião bimotor no pátio externo de uma casa. Fiquei realmente impressionado com aquilo. Um dos professores explicou que ali era um bar e tinha como atração aquele antigo avião. Mas o Mestre não sabia de que tipo era.

Apesar da pouca idade eu já sabia que ali estava um DC-3. Aquele era o clássico avião de transporte fabricado pela empresa norte-americana Douglas Aircraft, que praticamente revolucionou em todo o planeta o transporte aéreo comercial nas décadas de 1930 e muitos anos após. A versão militar deste clássico dos céus era o C-47, verdadeiro burro de carga das tropas Aliadas em toda a Segunda Guerra Mundial e do qual a FAB utilizou as dezenas.

Bem, o tempo passou e depois eu soube que o bar fechou. Já sobre o dito avião, eu acreditava que o mesmo havia sido desmantelado em algum ferro velho.

Assinatura de Romero Britto na deriva do DC-3.
Assinatura de Romero Britto na deriva do DC-3.

Recentemente soube que o destino da aeronave foi bem mais nobre!

A história deste DC-3 é típica das aeronaves que realizavam voos comerciais no seu tempo. Seus primeiros voos foram nos céus dos Estados Unidos, onde teve como primeiro operador a empresa American Airlines e a matrícula NC15592. Uma interessante característica desta aeronave é que ela foi concebida como um DC-3 DST (Douglas Sleeper Transport) tendo a porta de acesso principal disposta no lado direito. Como foi também utilizado para transporte executivo, possuía outras modificações: as carenagens do trem de pouso e o nariz alongado para alojar um radar.

Consta que em 1954 este avião veio para o Brasil e foi utilizado pela extinta VASP, até 1959. Depois ostentou as cores da também extinta empresa Real Linhas Aérea. Na sequência serviu de avião executivo para a diretoria da montadora Willys Overland e depois para a subsidiária da Ford no Brasil, com a matrícula PT-BFU. Existem informações, não comprovadas, que esta majestosa aeronave pertenceu a Coca-Cola de Fortaleza, no Ceará.

Depois o DC-3 foi para o município de Paulista, Pernambuco, mais precisamente na área da praia de Maria Farinha, para uma função onde não necessitaria mais voar, a não ser na imaginação das pessoas. O velho avião passou a ser parte principal da decoração de um bar e restaurante.

Praia de Maria Farinha PE - Cervejaria Campo de Pouso 1995 - Foto aérea de João Tercio Solano Lopes.
Praia de Maria Farinha PE – Cervejaria Campo de Pouso 1995 – Foto aérea de João Tercio Solano Lopes.

A aeronave ficou por vários anos na parte frontal na Cervejaria Campo de Pouso, que marcou época na região. Dizem que além do DC-3 o bar chamava atenção por um maravilhoso petisco conhecido como “Tubalhau”.

A ideia de utilizar uma aeronave como tema para esta cervejaria era uma vontade antiga de seu idealizador, Silvio Amorim, que também era piloto privado e entusiasta da aviação. A casa refletia um clima de um aeroporto, ou de um “campo de pouso”, mas sem a pista de aterrissagem. Tinha biruta, sinalização, fonia de torre de controle e as mesas ficavam embaixo das asas. Na parte construída da cervejaria havia vários pôsteres de propagandas antigas das principais companhias aéreas do mundo e uma seleção de fotos do clássico DC-3.

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Um dia o bar fechou e o destino do avião foi bem interessante e inusitado.

O bimotor deixou a área da antiga Cervejaria Campo de Pouso em 2001, tendo sido doado por Sílvio Amorim para as Faculdades Integradas Barro Melo – AESO, no bairro de Peixinhos, em Olinda, onde foi transformado em uma obra de arte através das mãos do pernambucano Romero de Britto ( http://www.britto.com/ ).

Para alguns o fato de Romero ter utilizado este avião como uma tela, na verdade sua maior obra de arte, foi um erro. Muitos têm a ideia que este avião “merecia ser respeitado na sua originalidade”. Discussões a parte é inegável que Britto, artista plástico internacionalmente conhecido, realizou um belo trabalho eternizando o DC-3. A velha ãguia hoje é o símbolo da instituição de ensino que a preserva.

Existe um interessante documentário chamado “AESO DC-3: A história de um avião”, cuja direção é de João Barbalho e a obra foi realizada pelos alunos do curso de Radio, Tv e Internet da AESO. Creio que o mais interessante neste doc é ver como a mudança deste avião, desde o bar para esta universidade, mexeu com tanta gente e criou tantas histórias e estórias. (Ver – http://kidswithgun.wordpress.com/2012/06/06/aeso-dc3-a-historia-de-um-aviao/ )

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Silvio Amorim é advogado, foi vereador do Recife, secretário de Educação, delegado do MEC em Pernambuco e diretor da Rede Federal de Educação e Tecnologia do Ministério da Educação. Hoje é membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco (IAHGP). Al~em disso possui livros publicados, como “Deixe-me dizer…”, que reúne uma coletânea de artigos, crônicas e outras obras, tendo sido lançado em 2007.


P.S. – Pode parecer pretensão da minha parte comentar que, mesmo sendo ainda uma criança, já sabia que aquela aeronave era um DC-3. Mas não é mentira. Eu realmente sabia! Pois desde que me entendo de gente nunca deixei de olhar para uma aeronave que passa nos céus, de querer saber de que tipo era e buscar mais informações sobre a máquina alada. Neste aspecto agradeço muito aos meus pais, Calabar e Creusa, que nunca me deixaram ficar sem a possibilidade de aprender cada vez mais sobre o mundo e a vida.

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VENDIA-SE DE TUDO

Nesta propaganda publicada na revista cultural “A Cigarra”, de 1928, vemos como um comerciante diversificava de forma radical os produtos que vendia em seu comércio.

Durante décadas a empresa M. Martins & Cia. Foi sinônimo de venda de veículos da marca Ford com uma loja na Avenida Tavares de Lira, perto do Grande Hotel.

Mas a propaganda apresentada mostra que a agência de veículos, o que hoje chamamos concessionária, vendia d tudo um pouco, basta ler o anúncio. Aponta como uma característica e a necessidade de um lojista diversificar naquela época.

Mesmo assim, misturar aspirador com pneus é bem estranho.

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O “CARRINHO” DE CAICÓ

Dizem que os potiguares dão um valor enorme a veículos, de todos os tipos e modelos. Afirma-se que com a saída dos militares norte americanos de “Parnamirim Field”, eles deixaram muitos carros de primeira qualidade e isto criou o gosto do pessoal local por automóveis de ponta.

Se for verdade, ou não, só pesquisando.

Mas podemos ver nas páginas do jornal “O Seridoense”, de 1924, que no interior do Rio Grande do Norte a comercialização de veículos é bastante antiga.

Vemos o anúncio do agente, não da concessionária, da marca FORD em Caicó. O dito agente era o Sr. Renato Celso Dantas, comerciante e fazendeiro, que se não me engano, era filho do proprietário do sítio Penedo, o coronel Celso Dantas, casado com a Sra. Ana Philomena de Brito Guerra.

Reparem que as indicações, as vantagens do veículo modelo “Voiturette” (carrinho em francês) apontam para coisas que hoje já nem são mais utilizadasem veículos de menor porte. Um exemplo é o “pneu balão”, ou seja, com câmara de ar, que davam uma melhora na suspenção, sendo esta uma situação extremamente positiva naquelas estradas poeirentas e cheias de pedras do Seridó.

Eram outros tempos.

Duvido que a FORD hoje vá anunciar o seu veículo de menor porte, o FORD KA, como um mero “carrinho”.

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