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A PUBLICIDADE NOS JORNAIS DE NATAL A 100 ANOS

COMO ERA A PROPAGANDA NOS NOSSOS ANTIGOS JORNAIS 

Autor – Rostand Medeiros

Recentemente fiz uma pesquisa sobre os 100 anos da Liga de Ensino do Rio Grande do Norte para o Dr. Carlos de Miranda Gomes. Este grande advogado, é amigo do meu pai e da nossa família, a quem tenho muito apreço.

Para realizar este prazeroso trabalho me debrucei sobre jornais natalenses do mês de junho de 1911, exatamente há 100 anos passados. Enquanto buscava os dados da criação da Liga de Ensino, fui me deliciando com as velhas propagandas de uma cidade que tinha cerca de 25.000 mil habitantes, de poucos bairros, cheia de problemas ligados a saúde, mas de vida tranquila, onde o povo ainda andava no lombo de animais e haviam vários jornais para dar conta de tudo.

Uma olhadinha nestas propagandas ajuda a entender o que era um pouco desta Natal perdida no tempo.

Quando comento que a população da Natal de 1911 tinha inúmeros problemas com a saúde, é porque grande parte das propagandas dos jornais “A Republica” e “Diário do Natal” é sobre medicamentos e farmácias. Dos estabelecimentos que atendiam as mazelas da saúde da nossa gente escolhi duas boticas. Uma que mostra a do competente farmacêutico Joaquim Torres (acima) e outra da Farmácia Popular (abaixo).

Já as propagandas dos remédios têm para escolher a vontade. Estes anúncios apontam as virtudes dos produtos que curavam as verminoses, as coceiras e principalmente a tuberculose, a AIDS de 1911.  Muitos destes medicamentos vinham de fora, principalmente do Rio de Janeiro e Recife. Mas havia a “prata da casa”, como o “Antiasthmatico Torres”, produzido na botica do Sr. Joaquim Torres (abaixo).

Tinha espaço dedicado a remédios que chegaram as prateleiras das atuais farmácias (melhor, das “Drugstore”), como o Bromil.

Realmente a saúde na pequena Natal não era brincadeira. Não podemos esquecer os remédios que melhoravam e davam jeito em quase tudo; de resfriado a espinhela caída, todo tipo de verme, passando pela sífilis, gonorréia e muito mais. Vejam aqui alguns destes.

Mas está bom de remédios, boticas, boticários e doenças. Vamos a quem passava as receitas.

Percebi poucos, muito poucos anúncios de médicos enaltecendo suas especialidades. Ou eles eram realmente poucos, ou a saúde pública funcionava (Duvido), ou a concorrência das rezadeiras e raizeiros ainda era grande.

É bem verdade que havia poucos médicos e além do mais estes atendiam a quem pagava (afora quando algum deles era uma alma caridosa). Para os mais pobres o jeito era ir para as rezadeiras e o pessoal que trabalhava com plantas medicinais, que ainda resistem cem anos depois no populoso bairro do Alecrim.

Deixando as questões sociais da época de lado, vamos ao único anúncio de um “Dotô” que encontrei em junho de 1911 e o interessante é que este era um oftalmologista. Certamente seus serviços eram importantes porque se lia muito mais livros e jornais em 1911 do que agora. Sei que tô chutando, mas pode até ser.

Encontrei um anúncio com dois odontólogos e com uma propaganda bem interessante sobre um anestésico (abaixo).

Uma ocasião, conversando com uma idosa e muito lúcida senhora, da mais fina elite política da nossa terrinha, no alto dos seus bem vividos 95 anos, me comentou que uma amiga sua, lá pelos idos da década de 1930, comemorou muito quando arrancou o último dente e podia então usar a sua “chapa” sem problemas.

Os odontólogos da época, com seus poucos recursos, normalmente só tinham a horrível tenaz de arrancar molares e caninos, para passar a dor de dente dos natalenses.

Detalhe; creio que não era todo mundo que tinha gaita suficiente para pagar o tal anestésico vindo da Europa. Para a maioria das pessoas da Natal de 1911, arrancar dente era no cru, na força bruta, com o sangue espirrando para todo lado. Valha-me minha nossa Senhora!

Para estragar os dentes tinha de ter comida. Nesta época pré-supermercados, Shopping Centers e McDonald’s, a grande maioria dos natalenses comparavam mesmo era nas feiras livres. A do Alecrim já existia e, se não me engano, havia uma no Passo da Pátria.

Evidentemente que feira livre não precisava de anúncio em jornal. Mas encontrei o de uma “Mercearia”, na rua Frei Miguelinho, número 42, na Ribeira. Interessante era que o proprietário misturava comida com tinta e ferragens (abaixo). Numa época pré disseminação de geladeiras e congeladores, essa mistura não era, por assim dizer, a ideal. Apesar que até hoje eu acho que ainda existem locais por aí que misturam de tudo no mesmo ambiente.

Mas havia casas comerciais de exportação para o mercado estrangeiro, de produtos típicos de nossa região, conforme podemos ver no anúncio da empresa do pernambucano de descendência holandesa Julius von Sohsten, que tinha fortes ligações com o Rio Grande do Norte.

Julius von Sohsten era igualmente representante de empresas de transporte marítimo. Inclussive em nosso blog eu já fiz um artigo sobre uma empresa holandesa que ele representava (ver https://tokdehistoria.wordpress.com/2011/03/17/khl-ir-de-natal-para-a-europa-em-alto-estilo/).

Mas voltando para 1911, quando se tinha a informação que um navio atracaria em nosso complicado porto cheio de pedras na entrada, com destino ao exterior, o representante da mítica empresa “Lloyd Brasileiro” sapecava com antecedência um anúncio nos jornais , para que os exportadores se preparassem para mandar de tudo para os gringos. Veja abaixo um destes anúncios que, pelo menos nesta época, não eram muito comuns.

Já que comentamos sobre transporte marítimo, a mais importante forma de locomoção para longe da terra potiguar naquelas priscas eras, era através dos vapores de cargas e passageiros. Estes eram os anúncios mais visados e importantes nos nossos jornais. Pois era a hora de saber quando partir e de quem estava chegando.

Vejam abaixo um anúncio da então poderosa Lloyd Brasileiro, para chegadas e saídas de vapores do porto de Natal.

O navio era para ir para bem longe. Para quem ia para o interior, para o nosso sertão, o jeito ou era o trem, ou em lombo de animais.

Do transporte ferroviário trago duas informações sobre as principais empresas que atendiam o Rio Grande do Norte, a Estrada de Ferro Central e a The Great Western Railway Company Limited. Naquele junho de 1911, as empresas estavam tratando de situações relativas a desapropriação de terras e o cancelamento de horários de trens pela baixa quantidade de material a ser transportado. Detalhe; o destino ferroviário denominado “Independência” é a atual cidade paraibana de Guarabira.

 Como comentei anteriormente, um dos principais meios de transporte na época eram as alimárias.  Todos sabem que cavalo, burro e jumento não são iguais as motos CG-125 (Que substituiu a todos no sertão), onde é só colocar gasolina no tanque, dar no pedal e rodar. Tinham de botar comida, marcar e colocar remédios quando o animal ficava doente. Vejam o anúncio abaixo de uma loja de produtos veterinários de Recife, sendo divulgada na Natal de 1911.

Para andar em um cavalo alazão de porte, o condutor tinha de estar a altura, então a vestimenta era fundamental. E nesta época de poucas roupas no armário, que passavam do irmão mais velho para o mais novo, onde muitas eram feitas para as “quatro festas do ano”, as casas de vender tecidos tinham importância fundamental em nossa sociedade. Vejam esta que era instalada no bairro da Ribeira.

Se as lojas de tecidos tinham importância, os alfaiates então eram dos profissionais mais requisitados e respeitados na cidade. Como os da “Alfaiataria Fenix”, no centro da cidade.

Ninguém poderia sair de roupa nova pela antiga Natal, em cima de um cavalo ou burro e depois ficar com cheiro de curral. Isso valia tanto para homens como para mulheres (Sim, elas andavam no lombo de animais). Para isso a “Casa Londres” tinha como resolver este problema.

Esta loja vendia na Ribeira, toda uma gama de perfumes para homens e mulheres. Elas podiam dispor de produtos da afamada empresa “Coty” (Vejam no final do anúncio da casa comercial de Julius von Sohsten) e de outros tipos de perfumes, conforme vemos abaixo.

Para passear de cavalo era bom dar uma olhadinha na previsão do tempo, que diariamente saia no jornais. Havia na cidade uma estação meteorológica bem equipada. Vejam dois exemplos, que mostram em dias alternados, o tempo em junho de 1911…

Se dava para sair na rua, não é de hoje que as pessoas que podem gostam de ostentar relógios e joias.

O anúncio abaixo é de um “caixeiro viajante”, que aqui esteve em junho de 1911, vendendo todo tipo de joias, ouro e outras coisas cintilantes. É bem verdade que naquele tempo dava para circular pela cidade com pingentes, correntes e braceletes sem medo de ser roubado.

Como este comerciante ambulante chegou a nossa cidade eu não sei, mas certamente ele deve ter procurado algum dos locais de hospedagem existentes na Natal de junho de 1911. Vejam abaixo o que o afamado Hotel Internacional oferecia em termos de alimentação, bebidas e outros mimos vindos do exterior.

Mas vai que o cidadão, apesar de vender ouro, não quisesse gastar muito dinheiro, então o jeito era ir para a Pensão de seu João Santos.

E se ele estivesse pensando em vender seus brilhantes e reluzentes produtos em Macau, o negócio era ir para o estabelecimento de Dona Innocencia Cacho, que anunciava seus serviços no principal jornal de Natal.

Para acalmar a mente, a ideia comum na época era fumar. Para isso havia a fábrica de cigarros “Vigilante”, que provavelmente devido ao seu alto teor de nicotina, deixava o fumante “ligado”.

Não vi muitos anúncios sobre temas políticos, ao menos no mês de junho. Mas encontrei um anúncio da Liga Operária, mostrando que os trabalhadores potiguares a muito se organizavam.

Em uma época onde a saúde era precária, onde poucas mulheres trabalhavam, onde o tempo médio de vida das pessoas era de maneira geral era mais baixo, onde as incertezas eram muitas e a previdência pública ainda era um sonho (E ainda é!), havia o medo do desamparo financeiro com a morte de um chefe de família. Isso se reflete em muitos anúncios de empresas que negociavam “pensões vitalícias”, ou seja, aposentadoria. Todas as que vi eram de outros estados, principalmente do Rio de Janeiro e de São Paulo.

E, logicamente, como a coisa mais certa que temos depois de nascermos, as pessoas em junho de 1911 morriam. Vejam um anúncio da época.

Este artigo, mais visual que escrito, é uma maneira simples e direta de se conhecer através das propagandas dos jornais, um pouco da realidade da cidade do Natal a 100 anos atrás. Ele não mostra todos os aspectos da realidade da nossa cidade naquela época e nem era esta a minha intenção. Mas mostra o quanto de diferenças existem em relação ao nosso tempo.

Destas diferenças, a mais significativa em minha opinião, foi ter encontrado poucos anúncios de serviços advocatícios.

Será que éramos mais evoluídos e não sabíamos?

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A HARLEY DAVIDSON E NATAL-UMA ANTIGA HISTÓRIA

Nos últimos anos não é tão incomum o natalense visualizar pelas suas esburacadas e mal pavimentadas ruas, belos exemplares das míticas motocicletas da marca Harley-Davidson Motor Company.

Incrivelmente belas, potentes, com um ronco característico e com uma história bem antiga em relação a Natal. Nas páginas dos velhos jornais da nossa cidade, no ano de 1925, encontrei um anúncio de venda destas motocicletas. Mas o interessante é que a loja ficava na então Capital Federal, o Rio de Janeiro. Não encontrei nenhuma indicação que havia uma loja ou um agente revendedor em Natal.

Provavelmente os empresários cariocas que espalharam estes anúncios de venda das Harley-Davidson no Brasil, utilizando os principais jornais das capitais dos estados, focavam como público alvo as elites destes locais. E não é difícil de compreender a razão.

Nos velhos jornais natalenses podemos ler que naquela época, os embarques efetuados pelos natalenses no velho cais da Avenida Tavares de Lira, nos vários navios que transportavam carga e passageiros, se destinavam principalmente para Recife, Manaus e Rio de Janeiro.

Para o Rio de Janeiro seguiam os mais abonados e aqueles ligados a elite política da época. O público certo para os revendedores destas motos.

Não é difícil imaginar o desembarque de alguma Harley-Davidson no nosso porto e depois sair circulando pelas ruas da Ribeira com seu ronco inconfundível.

Mas se algumas destas maravilhosas máquinas viessem encaixotadas do Rio, provavelmente seria montada na oficina de Seu Nezinho Cavalcante, o melhor mecânico de Natal.

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O CARNAVAL ESTÁ CHEGANDO

Rostand Medeiros – Escritor e sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Relembrando o Lança Perfume

Consta que foi no início do século XX que a empresa Rhodia da Argentina começou a fabricar um desodorante aromatizado, composto quimicamente por éter, clorofórmio, cloreto de etila e uma essência perfumada. Essa mistura era colocada em tubos de latão sob forte pressão e quando entrava em contato com o ar, evaporava rapidamente.

No Brasil a ideia de quem importou este produto para o carnaval, era repetir nos salões da elite o que acontecia nas ruas, quando os foliões mais humildes jogavam águas perfumadas uns nos outros. Rapidamente aceito nas festas de carnaval de todo o país, servia para aromatizar as batalhas de confete, os corsos e os bailes carnavalescos. Nos nobres salões de momo, o lança perfume serviu para aproximar as pessoas, onde alguém lançava a substância em outra pessoa, dando a sensação fria e perfumada. Isso se tornou um símbolo do carnaval, principalmente o carioca e ninguém pensava em inalar o produto.

Nos carnavais que se seguiram o lança perfume virou uma praga de norte a sul do Brasil. Nos salões eram travadas verdadeiras batalhas de esguichos, sem distinção de sexo e sem maiores consequências graves. O produto era vendido em lojas de brinquedos, ou em bazares de produtos carnavalescos, onde era encontrado junto com mascaras e serpentinas.

Mas com o tempo o pessoal começou a inalar e a situação começou a virar um problema.

Como os jornais viam um típico usuário de lança perfume.

Após algumas mortes por inalação excessiva, associada à embriaguez, ou casos de pessoas que morreram em quedas devido ao estado de alteração produzido pelo lança perfume, o polêmico jornalista carioca Flavio Cavalcanti inicia uma campanha pela proibição do produto. Flavio se tornou conhecido pela sua maneira de falar agressivamente na extinta TV Tupi e de tirar e colocar os óculos constantemente. Sua campanha moralizadora é bem aceita pelo não menos polêmico Jânio Quadros, que em 1961 era o presidente do Brasil. Logo um decreto acabou proibindo a importação do produto para o Brasil.

O lança perfume é considerado uma droga, onde o seu uso ou porte pode levar à prisão por posse ou tráfico. Apesar de não causar dependência física, não significa que deixe causar problemas. Depois de absorvidos pela mucosa pulmonar, suas substâncias são levadas para o sistema nervoso central, fígado, rins, medula óssea e cérebro, causando neste último o bloqueio da transmissão nervosa. Quando inalado acelera a frequência cardíaca, podendo o coração chegar até 180 batimentos por minuto. Tem capacidade de destruição de células do cérebro, pode levar o usuário a ter desmaios ou em caso extremos até à morte através de parada cardíaca.

Fonte-Livro “100 anos de propaganda”, pág. 35, Abril Cultural.

MAIO DE 1921 – A SUÁSTICA NAS PÁGINAS DO JORNAL POTIGUAR “A REPUBLICA”

Rostand Medeiros – Escritor e sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Suástica em propaganda de gasolina

A interessante fotografia que ilustra este artigo mostra um anúncio de meia página, que se encontra no jornal natalense “A Republica”, edição de 20 de maio de 1921, onde a empresa “The Anglo Mexican Petroleum Company Limited”, que negociava produtos derivados de petróleo, anunciava através do seu representante no Rio Grande do Norte, a poderosa empresa potiguar “Wharton, Pedrosa e Comp.”, a venda do “Kerosene” da marca “Aurora” e sua gasolina da marca “Energina”, respectivamente com as cruzes vermelha e azul, para identificá-los e diferenciá-los para o publico consumidor.

A questão era que esta cruz, com suas cores distintas para distinguir os dois produtos, era uma suástica.

Seria então esta empresa uma organização empresarial ligada aos nazistas?

Entretanto a história desta empresa, sua chegada ao Brasil, não apontam nenhuma relação com a ideologia nacional-socialista.

A Comercialização de Produtos Derivados do Petróleo

Em janeiro de 1912, a primeira multinacional do petróleo a se instalar no Brasil foi a “Standart Oil Company of Brazil”, nome original da atual “Esso Brasileira do Petróleo”. Sua instalação ocorreu a partir de um ato assinado pelo então presidente da república, marechal Hermes da Fonseca. No ano seguinte a “Shell”, sob o nome “The Anglo Mexican Petroleum Products Company Limited”, foi autorizada pelo Decreto 10.168, assinado pelo mesmo presidente Hermes, a comercializar produtos derivados de petróleo.

No dia 5 de maio de 1914, a “The Anglo Mexican Petroleum Products Company Limited” inaugura o primeiro depósito de óleo combustível do Brasil, no bairro da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. A empresa começou a distribuir seus produtos através dos lombos de burros, estes poderiam ser desde óleos combustíveis industriais, o “Kerosene Aurora”, lubrificantes, óleo diesel e a Gasolina “Energina”.

Nesta época a comercialização destes produtos era feitas em latas e tambores. Podiam ser vendidos em qualquer local, desde armazéns, onde se misturavam a cereais e outras mercadorias do gênero. Nesse período, a população brasileira era em torno de 22 milhões de habitantes, a frota nacional de veículos não superava os 2.400 veículos, todos importados. O país crescia e com ele o consumo de derivados de petróleo, obrigando o surgimento dos primeiros grandes depósitos deste tipo de produto, para serem vendidos a granel.

Somente em 1922 foram inauguradas as primeiras bombas de gasolina em ruas e garagens de capitais e cidades do interior, e também ao longo de rodovias.

Buscando maiores informações sobre este anúncio encontrei um artigo do jornalista pernambucano Ronildo Maia Leite, intitulado “Até a cachorrinha da praia sabia da revolução” e publicado no site da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Neste artigo o autor trata sobre a ascensão e queda do governador Estácio Coimbra a deflagração da Revolução de 1930 neste estado e a tensa situação mundial existente nesta época. Em um determinado ponto do texto, o jornalista Romildo aponta como um dos exemplos do avanço da ideologia nazista em Pernambuco, que a partir de julho de 1930, os jornais deste estado começaram a estampar anúncios da multinacional “The Anglo-Mexican Petroleum Company Limited”, onde esta empresa vendia “o óleo lubrificante Swastica e a gasolina Energina, ambos com a Suástica, a logomarca de Hitler”.

Aparentemente a propaganda dos produtos da empresa “The Anglo-Mexican Petroleum Company Limited”, utilizando uma suástica como símbolo, continuou muito tempo depois de 1921.

A Suástica

Mas afinal, de onde vem a suástica? Sua origem poderia explicar a sua utilização por esta empresa em uma propaganda, em um jornal potiguar, em 1921?

Segundo o pesquisador Elísio Gomes Filho, em um interessante artigo sobre este símbolo, aponta que a suástica ou cruz gamada, como também é conhecida, é um dos símbolos mais difundidos e antigos existentes no mundo. Qualquer que seja sua complexidade simbólica, a suástica, por seu próprio grafismo, indica manifestamente um movimento de rotação em torno do centro, imóvel, que pode ser o ego ou o pólo. É, portanto, símbolo de ação, de manifestação, de ciclo e de perpétua regeneração.

A suástica já foram encontradas em povos e culturas extremamente distintas na sua formação e localização; índios Hopi da América do Norte, Astecas da América Central, Celtas, Budistas, Gregos, Hindus, Malteses, Islâmicos etc. Os símbolos a que chamamos suástica são muitas vezes bastante distintos. Vários desenhos de suásticas usam figuras com três linhas. Outras chamadas suásticas consistem de cruzes com linhas curvas. Os símbolos islâmicos e malteses parecem mais hélices do que suásticas. A chamada suástica celta dificilmente se assemelha a uma, mas seria uma forma secundária, como tais são outras.

Na China, a suástica é o sinal do número dez mil, quer é a totalidade dos seres e da manifestação. É também a forma primitiva do caráter “fang”, que indica as quatro direções do espaço. Também poderia ter uma relação com a disposição dos números do “Lochu”, que, em qualquer caso, evoca o movimento do giro cíclico. Na Índia, considerando-se sua acepção espiritual, a suástica às vezes simplesmente substitui a roda na iconografia hindu, por exemplo, como emblema dos “nagas”. Mas é também o emblema de “Ganeça”, divindade do conhecimento e, às vezes, manifestação do princípio supremo.

Vários tipos de suásticas

Já os maçons obedecem estritamente o simbolismo cosmográfico, considerando o centro da suástica como a estrela polar e as quatro gamas que a constituem como as quatro posições cardeais da Ursa Maior.

Há ainda formas secundárias da suástica, como a forma com os braços curvos, utilizada no País Basco, que evoca com especial nitidez a figura de espiral dupla. Como também a da suástica clavígera, cujas hastes constituem-se de uma chave.

A Utilização pelos Nazistas

No caso da utilização da suástica como símbolo da ideologia nazifascista, segundo o pesquisador Elísio, no livro escrito por Adolf Hitler, “Mein Kampf”, ele explica que por volta de 1920, a liderança do então pequeno Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães via crescer cada vez mais o número de militantes de suas fileiras, mas ainda não havia uma bandeira ou um símbolo para os seus partidários. Em uma edição espanhola de 1937 do livro “Mein Kampf”, no capítulo VII, páginas 260 e 261, Hitler comentou sobre a questão de “nossa bandeira”, sobre o seu aspecto e de como o assunto preocupava os nazistas. Escreve Hitler que de todos os lados se recebiam “sugestões bem intencionadas”, porém “carentes de valor prático”. De sua parte, Hitler, pronunciou a favor da conservação das antigas cores da bandeira imperial alemã, em parte por seu efeito estético e que, melhor que qualquer outra combinação, harmonizava com seu “próprio modo de sentir”. Ele mesmo, depois de inumeráveis ensaios logrou definir uma forma definitiva, ou seja: sobre um fundo vermelho, um disco branco e no centro, a cruz gamada em negro.

Suásticas nas Olimpíadas de 1936, em Berlim.

Os nazistas empunharam pela primeira vez sua bandeira, com a suástica inclusa, no verão de 1920, as margens do lago Tegernsee, um pitoresco local rodeado de montanhas, a 50 quilômetros ao sul de Munique, onde vários chefes do partido possuíam casas de descanso.

Tal símbolo passa a ser utilizado como emblema do partido nazista e em 1935, é utilizado oficialmente como símbolo oficial do próprio estado alemão.

Provavelmente a utilização da suástica, na propaganda da “The Anglo-Mexican Petroleum Company Limited”, no jornal “A Republica” , em maio de 1921, não seguia uma orientação de apoio às idéias nazistas, podendo ser uma utilização por tudo que este símbolo representava antes da Segunda Guerra Mundial.

Creio que dificilmente a empresa que vendia estes produtos, que com o passar dos anos, passou a ser conhecida como “Shell”, utilizaria novamente este símbolo em suas peças publicitárias.

Abastecedoras de gasolina na esquina das ruas Floriano Peixoto com São Paulo, em Fortaleza, no ano de 1935. Fonte-Livro “AH Fortaleza!-1880-195o” pág. 48, 1995. Na bomba do fundo, ampliando a foto é possível ver uma suástica.

O “CARRINHO” DE CAICÓ

Rostand Medeiros – Escritor e sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Dizem que os potiguares dão um valor enorme a veículos, de todos os tipos e modelos. Afirma-se que com a saída dos militares norte americanos de Parnamirim Field, eles deixaram muitos carros de primeira qualidade e isto criou o gosto do pessoal local por automóveis de ponta.

Se for verdade, ou não, só pesquisando.

Mas podemos ver nas páginas do jornal O Seridoense, de 1924, que no interior do Rio Grande do Norte a comercialização de veículos é bastante antiga.

Vemos o anúncio do agente, não da concessionária, da marca FORD em Caicó. O dito agente era o Sr. Renato Celso Dantas, comerciante e fazendeiro, que se não me engano, era filho do proprietário do sítio Penedo, o coronel Celso Dantas, casado com a Sra. Ana Philomena de Brito Guerra.

Reparem que as indicações, as vantagens do veículo modelo “Voiturette” (carrinho em francês) apontam para coisas que hoje já nem são mais utilizadas em veículos de menor porte. Um exemplo é o “pneu balão”, ou seja, com câmara de ar, que davam uma melhora na suspensão, sendo esta uma situação extremamente positiva naquelas estradas poeirentas e cheias de pedras do Seridó.

Eram outros tempos.

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