UMA MENSAGEM EM UMA GARRAFA CHEGA A NATAL – UMA FAKE NEWS DO SÉCULO XIX?



É Verdadeira ou não a história de uma garrafa com uma mensagem encontrada em uma praia perto de Natal, que teria vindo de um navio desaparecido misteriosamente?

Rostand Medeiros – Escritor e pesquisador.

Em 15 de setembro de 1893, cruzou a barra do rio Potengi o navio de passageiros e cargas Beberibe, da Companhia Pernambucana de Navegação. Sua tripulação conduzia a nave com cuidado para evitar encalhar ou, pior, bater na famigerada pedra da Baixinha, que tanta dor de cabeça causava aos navegantes. O Beberibe vinha de Recife e trazia alguns passageiros para desembarcarem na pequena Natal, então com cerca de 15.000 habitantes. Entre os que ali ficariam estava Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão, um rico comerciante, senhor de engenho, agricultor e líder político no estado do Rio Grande do Norte. Ele vinha acompanhado de parte de sua família, dois criados e trazia um convidado para conhecer Natal e seus negócios. Este era um norte-americano alto, branco, de olhos claros, chamado Edwin Stevens e que até pouco tempo havia sido o cônsul dos Estados Unidos em Recife.

O navio Beberibe era muito importante no transporte marítimo entre as capitais nordestinas no final do século XIX.

Aparentemente Stevens era um homem discreto e provavelmente de pouca conversa, pois desde que assumiu o Consulado no dia 19 de julho de 1890, poucas foram as notícias na imprensa pernambucana sobre essa figura e o seu trabalho diplomático. Não sabemos especificamente porque Amaro Barreto trouxe esse estrangeiro para Natal. Uma possibilidade era para ele conhecer o que a terra potiguar produzia, compreender suas potencialidades e, quem sabe, desenvolverem juntos algum negócio que pudesse atender o mercado norte-americano.

Amaro Barreto estava então com 69 anos e faleceria em Recife três anos depois, quando então tinha catorze filhos e oitenta e oito netos. Entre seus filhos estavam o então governador Pedro Velho, o deputado federal Augusto Severo, o maestro Amaro Barreto Filho e o futuro governador Alberto Maranhão. Edwin Stevens certamente conheceu vários deles e usufruiu da hospitalidade da família Albuquerque Maranhão.

Não consegui saber nada sobre as andanças de Stevens na urbe natalense, mas sabemos que poucos dias após a sua chegada alguém encontrou uma garrafa contendo uma mensagem escrita em inglês em uma praia perto de Natal, que chamou bastante a atenção do gringo. A mensagem informava que o navio Naronic havia afundado rapidamente no Atlântico Norte, após colidir com uma “montanha de gelo boiando” (Nessa época os jornais brasileiros não usavam palavras estrangeiras como iceberg).

O norte-americano compreendeu que a missiva narrava os últimos momentos de um dos maiores navios do seu tempo, que sumiu sete meses antes e ninguém sabia porquê. Vale comentar que nenhum dos muitos jornais existentes em Natal publicou uma única linha sobre o desaparecimento do navio e o achado da garrafa.

Stevens vai então até a estação telegráfica de Natal e envia com urgência uma mensagem para o Recife, destinada ao inglês Arthur B. Dallas, um rico exportador de açúcar que morava a muitos anos na capital pernambucana e que por um tempo atuou como representante diplomático da sua nação na Paraíba. Arthur prontamente informou a redação do Jornal de Recife, que publicou na sua edição de 19 de setembro de 1893 a nota que segue.

Jornal de Recife, edição de 19 de setembro de 1893, pág. 3.

Um Navio Que Nunca Mais Foi Visto

O navio de transporte Naronic partiu da cidade inglesa de Liverpool com destino a Nova York no dia 11 de fevereiro de 1893. Era um navio muito novo e aquela era apenas a sua sétima viagem. Foi construído pelo estaleiro Harland and Wolff, de Belfast, Irlanda do Norte e foi entregue em 26 de maio de 1892 a empresa de navegação White Star Line. Tanto o estaleiro quanto a empresa de navegação iriam anos depois construir e operar um navio de passageiros chamado Titanic.

Já o Naronic média 144 metros de comprimento e tinha dois motores movidos a carvão, capazes de impulsioná-lo através das ondas a uma velocidade constante de 13 nós (24 km/h). Foi um navio destinado principalmente ao transporte de gado, onde podia acomodar mais de mil animais e haviam acomodações adicionais para alguns passageiros.

Nessa viagem de fevereiro de 1893 o Naronic transportava nos porões 3.572 toneladas de carga geral e como combustível havia 1.017 toneladas de carvão, suficiente para fazer uma viagem de ida e volta. Estava sob o comando do capitão William Roberts, que tinha a companhia de sessenta marinheiros britânicos e quatorze passageiros norte-americanos.

Tripulação original do Naronic, desaparecida junto com o navio.

Após a partida de Liverpool, o Naronic fez uma pequena parada em um lugar chamado Point Lynas, no País de Gales, e depois seguiu para Nova York. A partir daí nunca mais esse navio, seus tripulantes e passageiros foram vistos novamente.

Em 2 de março, o jornal New York Times relatou que o Naronic estava no Atlântico Norte há dezenove dias, quando normalmente completava seu percurso desde Liverpool em apenas onze. Informou também que o navio Bovic, também operado pela White Star Line, havia partido de Liverpool seis dias depois do navio desaparecido e havia completado a sua viagem.  O Bovic era praticamente idêntico ao Naronic, mas muito mais lento.

O navio Bovic era da mesma companhia e praticamente idêntico ao Naronic.

No dia seguinte foi relatado que, exceto por um ou dois, todos os navios que partiram de portos do Reino Unido para a costa leste dos Estados Unidos e eram considerados atrasados, haviam chegado com segurança e nenhum deles informou ter visto o Naronic. Também foi relatado no New York Times que esses navios estavam chegando nos portos após enfrentarem mares agitados, incluindo fortes ventos e neve. Vale informar que o Naronic não tinha telégrafo para enviar um pedido de socorro e no caso de um afundamento naqueles mares gelados, a tripulação só podia contar com o milagre de serem vistos pelos tripulantes de uma outra nave.

Depois que a preocupação começou a surgir nos Estados Unidos, a White Star Line buscou inicialmente tranquilizar a opinião pública, recordando a alta qualidade da sua nave e afirmando que o NaronicEra um navio novo, construído com compartimentos estanques, bem equipado, manejado e comandado pelos melhores oficiais do Atlântico”. Somente lá para o dia 13 de março foi que a empresa declarou: “Há agora uma grande preocupação com o navio”.

O Naronic na época do seu lançamento.

A Polêmica das Garrafas

Em 4 e 5 de março o Coventry, um navio a vapor britânico, avistou dois botes salva-vidas com o nome Naronic pintado em suas laterais. Um deles foi encontrado virado e o outro estava em boas condições, mas vazio de gente e com sua vela e mastro flutuando presos ao barco, como se estivessem sendo usados como uma espécie de âncora flutuante. Quando essa notícia chegou a Nova York, considerou-se que o Naronic estava perdido. Os botes foram achados a cerca de 500 milhas náuticas a leste da cidade canadense de Halifax e a 90 da posição onde em 1912 o malfadado Titanic colidiria com um iceberg.

Não demorou e quatro garrafas com mensagens afirmando serem do Naronic foram encontradas.

A primeira foi em 3 de março de 1893, na área de Bay Ridge, ao sul de Nova York e dizia “Naronic afundando. Todos orando de mãos dadas. Deus tenha piedade de nós”. Era assinado por “L. Winsel” e datada de 19 de fevereiro de 1893.

A segunda garrafa foi encontrada em 30 de março, na região costeira de Ocean View, cidade de Norfolk, no estado da Virgínia, com a seguinte inscrição “3h10 da manhã de 19 de fevereiro. O Naronic no mar. Para quem descobrir isso: informe aos nossos agentes. Se não tiver ouvido falar disso antes, o nosso navio afundou rapidamente sob as ondas. É uma tempestade tão grande que nunca poderemos viver nos pequenos botes. Um deles já partiu com sua carga humana para o fundo do mar. Deus permitiu que todos nós passássemos por isso. Fomos atingidos por um iceberg durante uma tempestade de neve ofuscante e flutuamos por duas horas. Agora são 3h20 da manhã no meu relógio e o grande navio desceu para o fundo do mar. Reporte aos agentes. Adeus para todos.” Era assinada por um certo “John Olsen”.

Um dos botes salva vidas do Naronic encontrado pela tripulação do navio inglês Coventry.

A terceira garrafa foi achada em junho de 1893 no Canal da Irlanda, do outro lado do Atlântico e dizia basicamente que o Naronic havia batido em um iceberg e estava afundando rapidamente. Era assinada apenas “Young”.

Uma quarta garrafa foi encontrada em 18 de setembro de 1893, desta vez na foz do rio Mersey, Reino Unido, e dizia: “Todos perdidos; Naronic, não há tempo para dizer mais nada”. Foi assinado com um singelo “T”.

Ainda em junho de 1893, quando as esperanças de recuperar o navio haviam desaparecido e nem todas as garrafas haviam sido encontradas, uma comissão de inquérito foi convocada em Liverpool pelo Conselho do Comércio Britânico, uma entidade criada em 1660 e que queria ao menos tentar desvendar esse desaparecimento.

De saída a comissão classificou as mensagens nas garrafas como “farsas”, em parte porque os nomes assinados nos papeis não correspondiam a listagem das pessoas a bordo e considerou que era impossível que essas garrafas tivessem chegado no litoral devido as condições das correntes marítimas, vento e clima. A posição da comissão foi aceita pela White Star Line.

Outras Possibilidades

A lista de carga, publicada em março de 1893 pelo jornal New York Herald, incluía vários produtos químicos como ácidos, clorato de potássio, sulfeto de sódio, hipoclorito de cálcio e outros. Sob certas condições, se a tempestade tivesse deslocado as garrafas onde esses produtos estavam acondicionados e eles fossem liberados dentro do Naronic, poderia ter causado uma explosão catastrófica que resultaria no naufrágio. Mas essa hipótese não foi considerada pelo inquérito oficial.

Ainda em outubro de 1893 surgiu a notícia que a tripulação do navio norueguês Emblem declarou ter avistado em julho um bote salva-vidas do Naronic, flutuando de cabeça para baixo e coberto de cracas. Tudo parecia indicar que o bote foi preparado às pressas, confirmando a hipótese de um afundamento rápido e repentino.

Foi observado que duas das cartas encontradas em garrafas informavam sobre uma colisão com um iceberg e em fevereiro alguns navios avistaram grandes blocos de gelo flutuando no Atlântico Norte. Isso levou a comissão britânica a examinar essa hipótese. Mas o curso estimado do navio, segundo dados da White Star Line, chegou à conclusão que o Naronic estava a pelo menos 100 milhas náuticas do gelo mais próximo. Esta conclusão foi, no entanto, questionável, com a imprensa de Nova York relatando na época que vários navios informaram terem visto icebergs nessa região. A mesma onde o Titanic afundou dezenove anos depois.

Afundamento do Titanic, da White Star Line, após bater em um iceberg. Foi entre a noite de 14 para 15 de abril de 1912. Dezenove anos depois o Naronic, da mesma empresa, aparentemente encontraria o mesmo fim.

Após avaliar a segurança do navio, a comissão reconheceu a sua impotência e declarou: “A menos que sejam fornecidos novos elementos, a causa provável da perda do navio continua a ser uma questão de especulação e acrescenta mistérios ao mar“.

Até hoje o desaparecimento do Naronic é um mistério, sendo o caso ainda bem comentado nos Estados Unidos e Reino Unido, com livros publicados, documentários, várias páginas na internet e vídeos disponíveis no Youtube. Igualmente nos dias atuais as pessoas parecem estar divididas em suas opiniões sobre as garrafas com as mensagens. Alguns duvidam muito que essas garrafas possam ter chegado as praias norte-americanas e irlandesa no tempo realizado, considerado rápido demais. Quem defende alega que era um momento de fortes tempestades e por isso que elas chegaram nesse período de tempo. Outro argumento dos defensores é que as mensagens eram parecidas em seus conteúdos e as garrafas foram encontrados em locais distantes. Para outras é apenas farsa, uma Fake News de tempos antigos e bem elaborada.

E a Garrafa Encontrada Perto de Natal?

Mensagens chegando em garrafas nas praias potiguares nas últimas décadas do século XIX não eram nenhuma novidade.

Caes da Tavares de Lira, no bairro da Ribeira, em Natal. Uma provinciana capital do Nordeste do Brasil.

Segundo o jornal natalense O Atalaia, edição de 2 de dezembro de 1876, foi encontrada na praia de Muriú uma garrafa com uma mensagem que descrevia sérios problemas ocorridos no clipper inglês Coolingrove. Este barco aparentemente se encontrava na costa sudoeste da África e quem escreveu a missiva narrou que um “Máo tempo” tinha destruído a vela bujarrona e outras velas do barco. Mais grave ainda era a informação que quatro pessoas a bordo tinham perecido “pela febre”. O autor pedia a quem encontrasse a garrafa, que a mensagem fosse destinada a “esposa de Mr. John Bryce”, uma senhora que vivia em Fountain House, na pequena cidade de Loanhead, próximo a Edimburgo, a capital da Escócia. Aparentemente quem escreveu a mensagem foi alguém sem nenhuma experiência em viagens marítimas, que presenciou uma tempestade que danificou o Collingrove, mas não o afundou.

Sobre o Caso da Garrafa com Uma Mensagem que Chegou a Praia de Muriú, clique no linl abaixo…

https://tokdehistoria.com.br/2016/06/25/1876-quando-uma-desesperada-mensagem-chegou-dentro-de-uma-garrafa-na-praia-de-muriu/

Já no caso da garrafa que aqui chegou, pretensamente enviada pela desesperada tripulação do Naronic, algumas coisas devem ser levadas em consideração.

Realmente a distância onde o fato teria ocorrido, em pleno Atlântico Norte, é muito longe de Natal e as correntes marítimas existentes apontam que seria praticamente impossível uma garrafa dessas chegar por aqui em somente sete meses. Contudo, quem pesquisar nos antigos jornais brasileiros disponíveis na internet, vai ver que o episódio do desaparecimento do Naronic foi muito pouco comentado. Encontrei apenas duas notas em um jornal do Pará. Veja abaixo uma delas.

E a razão foi que nesse período o sul do país sofria com a Revolução Federalista, iniciada em 2 de fevereiro de 1893. Havia também a Revolta da Armada no Rio de Janeiro, que começou em setembro do mesmo ano. Em meio a tanta notícia envolvendo conflitos no Brasil, ficou difícil encontrar espaço nas páginas dos jornais para informar o sumiço de um navio inglês.

Então, como é que a mensagem entregue ao norte-americano Edwin Stevens e redigida em inglês continha, mesmo em um texto pequeno, informações e características iguais as mensagens encontradas nos Estados Unidos, Irlanda e Reino Unido?

Anos depois desse caso da garrafa, Arthur B. Dallas se tornou cônsul na Paraíba.

Talvez o Mr. Stevens que, conforme comentamos anteriormente, foi cônsul dos Estados Unidos em Recife e poderia ter tido acesso a informações detalhadas sobre o ocorrido, teve então a brilhante ideia de criar em Natal uma Fake News com o desaparecimento do Naronic, contando com a colaboração do inglês Arthur B. Dallas em Recife?

Talvez pregar uma peça em Amaro Barreto e sua família? Acho meio difícil, pois os jornais de Natal nem divulgaram o desaparecimento do navio e nem o achado da garrafa!

Nas minhas pesquisas descobri que esses dois estrangeiros residiam a anos em Recife, eram casados com brasileiras, tinham filhos, negócios, viviam bem e eram respeitados pela sociedade pernambucana. Aí fica difícil acreditar que essas duas criaturas iriam criar uma presepada dessas para arriscar serem desmascarados e se tornarem motivo de chacota em Natal e Recife!

Se assim foi, essa doidice era destinada a quem? E serviu para o que?

Stevens viria a falecer em Recife no ano de 1902 na sua casa da Rua Visconde de Goiana e possui descendentes em Pernambuco. Já o Arthur continuou suas atividades comerciais sem maiores alterações e veio a falecer em 1910, em uma antiga granja na área do atual bairro do Cajueiro, também em Recife.

Nota do jornal Daily Pacific Commercial Advertise, da cidade havaiana de Honolulu, publicado em 18 de outubro de 1893.

Nota final – Ao pesquisar sobre esse caso nos milhares de jornais existente no site da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, eu só consegui dois resultados positivos. E são duas notas idênticas, publicadas em 18 de outubro de 1893, em dois jornais da cidade de Honolulu, lá no distante Havaí. Como é que essa notícia gerada Natal foi parar tão longe é um outro mistério!

TITANIC – 100 ANOS

 

AUTOR – ROSTAND MEDEIROS

Qual é o naufrágio mais famoso de todos os tempos?

Evidentemente que é a tragédia do RMS Titanic (RMS-Royal Mail Ship ou Navio de Correio Real).

Na fatídica noite de 14 de abril de 1912, o Titanic colidiu com um iceberg que a mandou para uma cova profunda e fria. Seu naufrágio encontra-se no Atlântico Norte, em um trecho solitário, a várias centenas de quilômetros a leste da costa da região da Nova Scotia, Canada. Em 1985, seus restos foram descobertos por uma expedição franco-americana liderada pelo mundialmente renomado oceanógrafo Bob Ballard.

O INÍCIO

O Titanic foi construído em Belfast, Irlanda, sob a direção de J. Bruce Ismay, co-proprietário da White Star Line, empresa de navegação proprietária do navio. Em 31 de julho de 1908, os contratos finais foram assinados para a construção do Titanic e seus navios irmãos, o Olympic e o Britannic. O Titanic como seu nome indica foi enorme, suas especificações originais eram;

Titanic-25

Tipo de navio Navio a vapor de passageiros
Classe Olympic
Deslocamento 46.328 t
Comprimento 256 m
Boca 28 m
Pontal 54 m
Calado 9,7
Propulsão 2 máquinas de tripla expansão com 15 000 HP
1 turbina de baixa pressão com
16 000 HP (hélice central)
29 caldeiras de vapor
2 hélices laterais de três pás
1 hélice central de quatro pás
Velocidade 23 nós, e presumivelmente cerca de 25 se as válvulas de segurança das caldeiras fossem fechadas a fim de aumentar a pressão do vapor
Tripulação 860
Passageiros 3.547

A construção continuou em várias fases até que o Titanic estava pronto para sua viagem inaugural em 10 de abril de 1912.

Vamos dar uma olhada nas atividades deste dia fatídico.

A cerca de 7h30, o capitão Edward J. Smith embarca no Titanic juntamente com sua equipe. O Titanic está no porto de  Southampton, Inglaterra. Às 8:00 da manhã, a tripulação é convocada. Entre 9:30 e 11:00, os passageiros estão autorizados a embarcar no navio. Como descrito no filme “Titanic”, o embarque para os passageiros de primeira classe é um processo bastante diferente do que aqueles destinados a terceira classe. As pessoas ricas apreciavam acomodações luxuosas, gastronomia, lazer e vistas deslumbrantes do Oceano. Os passageiros de segunda classe e terceira classe eram colocados abaixo do convés principal, muitas vezes em quartos apertados. Muitos eram imigrantes que esperam começar uma nova vida na América.

Às 11:30 da manhã, os passageiros da primeira classe são escoltados aos seus camarotes. Ao meio-dia em 10 de abril de 1912, o Titanic zarpa.O monstro de aço é puxado por vários rebocadores para o oceano aberto.


Às 17:30, o Titanic chega ao porto de Cherbourg,  na França, para pegar mais passageiros. Por volta das oito da noite, embarcam mais 274 passageiros adicionais e segue viagem durante a noite para Queensland, na Irlanda. Às 11:30 do dia seguinte, mais 120 passageiros são embarcados.

A uma e meia da tarde de 11 de abril de 1912, a âncora do Titanic ‘é levantada para a sua viagem final. Mais uma vez vários rebocadores escoltam o navio para o oceano aberto, onde ele segue em sua primeira viagem transatlântica até Nova York.

Uma estimativa de 2.227 pessoas é a quantidade de pessoas a bordo do Titanic antes de seu desastre. Os número exato de passageiros não são conhecidos devido a discrepâncias envolvendo vários membros da tripulação e listas de passageiros.

A história dos últimos dias de Titanic ‘no mar é lendária e, claro, seu naufrágio é um dos mais cativantes e histórias trágicas dos tempos modernos.

Entre 11 de abril e 12, o Titanic navegou 386 quilômetros de oceano aberto, o clima é calmo e claro.

Entre Abril de 12 e 13, o capitão decide aumentar sua velocidade, o que lhe permite cobrir 519 milhas náuticas. A tripulação começou a receber avisos de gelo, mas que era esperado e não foi considerado incomum para abril.

No domingo, 14 de abril, o Titanic começou a pegar avisos de iceberg mais frequentes, sendo observados a partir de navios nas proximidades. Um aviso de iceberg do navio Báltic é recebida, que informa existir grandes quantidades de gelo a cerca de 250 milhas à frente do Titanic. A mensagem é dada ao capitão Smith, que mais tarde dá para Bruce Ismay que estava a bordo para sua viagem inaugural. Ele coloca a mensagem no bolso.


Às cinco e meia da tarde, o capitão altera ligeiramente o curso do navio, talvez para tentar evitar o gelo.

Às sete e meia da manhã, três mensagens de outros navios, sobre grandes icebergs são captados. As mensagens são retransmitidas mais uma vez para o capitão do Titanic, que está participando de um jantar. O gelo está agora a apenas 50 quilômetros à frente do grande navio.

Às 21:20 da noite, o capitão vai para o seu camarote, pedindo apenas para ser despertado, se necessário.

Às 23:40, o Titanic está se movendo a 20 nós. A temperatura do ar está baixíssima, em meio a um céu sem nuvens. De repente, vigias do Titanic informam sobre um iceberg, elevando-se entre 50 a 60 metros acima da água, a apenas 500 metros de distância. Imediatamente, os sinos de alerta são tocadas e mensagens transmitidas para a ponte de comando.

O oficial Moody está na ponte no momento e reconhece o aviso. É a ordem de parar os motores. As alavancas para fechar as portas estanques abaixo da linha d’água são ativadas. O Titanic começa a virar, mas é tarde demais. O navio bate no iceberg no lado estibordo do navio. Apenas 37 segundos se passaram desde o momento do iceberg foi avistado.

O TITANIC ESTÁ CONDENADO! 

Em dez minutos, a água subiu 14 metros acima da quilha. Os primeiros cinco compartimentos estão fazendo água. O setor da caldeira número 6 é inundado rapidamente com oito metros de água.

À meia-noite o capitão pede e recebe uma avaliação da situação: O Titanic vai afundar em no máximo uma hora e meia.

O capitão pede que seja enviado um sinal de socorro. A posição do navio: 41 graus 46 minutos Norte e 50 graus 14 minutos Oeste.

A meia noite e cinco minutos de 15 de abril de 1912, a Quadra de squash, 32 metros acima da quilha, está inundada. Ordens são dadas para retirar as lonas que cobrem os botes salva-vidas. A triste realidade da situação está começando a tomar forma. Há apenas espaço suficiente para 1.178 passageiros nos botes, mas há 2.227 pessoas a bordo.

Entre 00:15 e 02:17 horas da manhã, vários navios relatam ter ouvido os sinais d e SOS do Titanic. Estes incluem o navio irmão do Titanic, o transatlântico Olympic, que está a 500 quilômetros de distância. Seis navios, entre eles o Carpathia tentam vir prestar assistência.

O cargueiro Carpathia

Por volta das 00:15, a banda do navio começa a tocar música no salão de primeira classe. É um momento famoso e, finalmente, surrealista!

O primeiro bote é baixado, mas ele sai com 28 pessoas, mas tem capacidade para armazenar 68.

O embarque dos passageiros em botes salva-vidas logo degenera em caos. A maior parte destes barcos saem do navio agonizante sem estar completamente carregado.  O pânico agora é total entre os passageiros e muitos começam a perceber a situação desesperadora em que estão metidos. Enquanto isso o cargueiro Carpathia se desloca a toda velocidade para tentar prestar assistência.

Às 02:10 horas da manhã, com água a apenas dez metros abaixo do convés, o capitão Smith manda que os homens no posto de comunicação deixem as suas funções e busquem se salvar. Mas um deles, um homem chamado Phillips desobedece a ordem e continua a enviar mensagens. Consta que a última mensagem foi enviada às 02:17 da manhã.

O capitão Smith

O capitão finalmente  se retira para a ponte, quando neste momento, parte do Titanic mergulha debaixo d’água e o navio inicia a sua descida, longo e solitário na escuridão. De 2.220 pessoas que reservaram a passagens, 1.500 morrem em consequência do afundamento, com 705 pessoas sobrevivendo.

Existem centenas de histórias individuais vinculados a este trágico acontecimento:

  • A banda que tocou bravamente, enquanto o navio estava afundando em torno deles.
  • Os bravos homens que ordenaram a clássica ordem “mulheres e crianças primeiro” para os botes salva-vidas, sabendo que eles próprios não seriam salvos.
  • O capitão que estava destinado a ir para baixo com seu navio.
  • A segunda terceira classe de passageiros, que foram bloqueados abaixo do convés, enquanto para os passageiros da primeira classe não faltaram cuidad
  • os e atenções.
  • Maridos e esposas, mães e pais e suas crianças, que seria para sempre separadas pela morte.

Como resultado deste afundamento, várias alterações profundas foram feitas na indústria de transporte. Claro, o mais significativo foi o pronunciamento do inquérito Britânico, onde ordenou que a partir daí haveria botes salva-vidas suficientes para todos os passageiros a bordo de todos os navios da terra de sua Majestade. Além disso, em abril de 1913, uma Patrulha do Gelo Internacional foi estabelecido que, sob a direção da Guarda Costeira dos Estados Unidos para guardar as rotas marítimas do Atlântico Norte.

A trágica história do naufrágio do Titanic tornou-se lendária. Através de livros e filmes, as gerações têm vindo a conhecer e entender seus últimos dias no mar. No entanto, foi somente em 1985 quando o Dr. Robert Ballard, usando o estado da arte da tecnologia submarina, finalmente descobriu o local de descanso deste transatlântico de luxo.

A busca para encontrar o Titanic foi feito por uma equipe de expedição conjunta americano-francês. No papel, a estratégia parecia simples. Os franceses iriam rebocar um dispositivo de sonar de profundidade e em um padrão de grade, sobre a área geral do naufrágio até o navio ser encontrado.

Claro que, apesar do tamanho imenso do Titanic, ela seria apenas um pontinho no vasto Oceano Atlântico Norte. Então dias e semanas se passaram, e as dificuldades de um dispositivo de reboque pesado, muitos quilômetros abaixo da superfície tornou-se evidente.

Então, no início da manhã de 01 de setembro de 1985, os operadores cansados de repente começaram a ver alguma coisa.

DESTROÇOS! 

Na verdade, a primeira peça reconhecível foi uma das caldeiras do navio.

No entanto, os cientistas e engenheiros a bordo sabiam que estavam perto. Continuaram a sua pesquisa vigilante acima do fundo do oceano e logo pedaços maiores de destroços começaram a aparecer. Eles estavam sobre o “campo de destroços”, uma seção do fundo do oceano coberto com itens soltos do Titanic. 

O naufrágio principal ainda não tinha sido encontrado, mas ironicamente não foi a tecnologia submarina que realmente localizou os destroços do navio principal, mas um equipamento chamado ecobatímetro, já bem antiquado, que estava a bordo do navio de pesquisas que fez a descoberta no dia seguinte. Com a localização exata encontrada, um robô submarino foi baixado e imagens de vídeo do naufrágio foram vistos pela primeira vez após décadas do seu afundamento.

A expedição de 1985 terminou logo depois. Ballard retornou no ano seguinte para realizar um estudo mais exaustivo dos destroços. Em 1986, um submersível tripulado, chamado Alvin, seria usado para levar os homens para baixo e ver o navio pela primeira vez “ao vivo e a cores”. Um veículo operado remotamente penetrou mais profundamente no interior do navio.

Foto de um jornal da época, mostrando o comitê do senado norte americano, criado para debater as causas do desastre do Titanic

Descer 12.000 pés em um submersível não é nenhum passeio! O tempo de viagem da superfície para o fundo é de cerca de onze horas e meia. Ainda assim, usando a combinação de tecnologia e equipamento submersível, uma impressionante variedade de imagens de informações sobre o naufrágio já foram trazidos à tona para o mundo todo ver.

Outros, no entanto, voltaram para o Titanic.

Durante as expedições realizadas em 1987, 1993, 1994 e 1996, foram recuperados mais de 5.000 artefatos do local do naufrágio. Esses artefatos foram cuidadosamente preservados e foram colocados em exposição para o público em vários locais do mundo.

Há alguma controvérsia raging sobre a recuperação desses artefatos.

Alguns, Bob Ballard incluído, possuem a opinião que o Titanic é um cemitério e um memorial a todos aqueles que morreram na noite de 15 de abril de 1912. Perturbando o local com a remoção de artefatos, eles sentem que a santidade e a dignidade do Titanic está sendo comprometida. Outros pensam que o naufrágio é um artefato da história e as peças recuperadas apenas ajudam a educar as pessoas sobre a tragédia do Titanic. Eles também afirmam que se não retirassem do mar esses artefatos , ao longo do tempo eles vão desaparecer para sempre.

Independentemente da sua posição sobre este assunto, certamente a história do Titanic será lembrada por muito tempo.

Imagem de parte da estrutura do Titanic, feita por modernos equipamentos de rastreamento do solo marinho

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