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O NAUFRÁGIO MAIS RICO DE TODOS OS TEMPOS FOI ACHADO EM ÁGUAS TERRITORIAIS DA COLÔMBIA E VALE US$ 17 BILHÕES – MAS SE OS COLOMBIANOS NÃO TOMAREM CUIDADO, PODEM PERDER TUDO PARA EUROPEUS

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Canhões do San José – Fonte – WHOI

Confirmado oficialmente só agora, naufrágio ocorreu há 310 anos com uma carga de ouro, prata e esmeraldas. Robô que ajudou a achar destroços do Air France 447 tirou fotos de galeão espanhol San José. Localização exata do achado é tratada como segredo de Estado pela Colômbia.

Fontes – https://g1.globo.com/mundo/noticia/robo-que-ajudou-a-achar-destrocos-do-air-france-447-tira-fotos-de-galeao-afundado-que-pode-conter-tesouro-de-us-17-bilhoes.ghtml – Via Associated Press

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/Naufragio-San-Jose.phtml?utm_source=facebook.com&utm_medium=facebook&utm_campaign=facebook

Novos detalhes foram revelados sobre o achado do galeão espanhol San José, que afundou há três séculos perto da costa caribenha da Colômbia.

O Instituto Oceanográfico Woods Hole – WHOI, dos Estados Unidos, após ser autorizado pelo governo colombiano, revelou que usou o robô REMUS 6000 para fazer imagens de sonar e fotografias do San José deitado a 600 metros de profundidade. Este aparelho de pesquisa subaquática é o mesmo que ajudou a localizar os destroços do voo da Air France que caiu  em 2009 no Oceano Atlântico, perto do arquipélago de São Pedro e São Paulo, após partir do Rio de Janeiro rumo a Paris.

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O REMUS 600 – Fonte – https://www.zdnet.com/pictures/unmanned-auvs-find-air-france-wreckage/6/

O galeão espanhol foi encontrado no final de 2015 na Península de Baru, Colômbia. Mas só agora saiu a confirmação oficial. ( Ver – https://tokdehistoria.com.br/2015/12/11/colombia-encontrado-o-grandioso-tesouro-do-galeao-san-jose/ )

Muitas vezes chamado de “Santo Graal dos naufrágios”, foi por muito tempo considerado um dos mais duradouros mistérios marítimos da história. O Woods Hole foi convidado a participar da busca por sua reconhecida especialização em exploração em águas profundas.

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Despojos do San José – Fonte – WHOI

O galeão San José foi ao fundo após ser abatido por uma esquadra britânica na Ação de Wager, em 8 de junho de 1708. Era a Guerra de Sucessão Espanhola, na qual uma disputa após a morte do rei Carlos II, sem filhos, levou a uma guerra internacional entre as facções Bourbon e Habsburgo, apoiadas por duas coalizões. A Inglaterra, com o Sacro Império Romano-Germânico, a República Holandesa e Portugal, estava a favor dos Habsburgo. A França era o principal aliado dos Bourbon, a quem pertencia o navio. 

Dos mais de 600 tripulantes do San José,  apenas 11 sobreviveram. O resto foi a fundo com uma gigantesca carga de ouro, esmeraldas e prata tiradas das colônias espanholas. 

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O San José sendo afundado no quadro “Ação em Cartagena”, 28 de maio de 1708, de autoria do pintor Samuel Scott – Fonte – ps://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2e/Wager%27s_Action_off_Cartagena%2C_28_May_1708.jpg

Pelos padrões modernos o galeão de 62 canhões e três mastros afundou com um tesouro que pode valer até US$ 17 bilhões de dólares, segundo a Associated Press. Esse montante é equivalente ao PIB, o total produzido pela economia, de um país como Moçambique. O valor estimado é 34 vezes maior que o segundo mais rico naufrágio já tirado do mar, o Nuestra Senõra de Las Mercedes, encontrado em 2007, que rendeu US$ 500 milhões em artefatos recuperados.

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Xícaras de chá no local do naufrágio, imagem REMUS, Instituição Oceanográfica Woods Hole – Fonte – http://www.whoi.edu/news-release/new-details-on-discovery-of-the-san-jose-shipwreck

O veículo de pesquisa do Woods Hole desceu até 9 metros acima dos destroços do San José para tirar várias fotografias, flagrando, entre outras coisas, as gravuras de golfinhos nos canhões da nave, peça-chave de evidência visual para confirmar que se tratava do galeão.

“Os destroços estavam parcialmente cobertos de sedimentos, mas com as imagens das câmeras das missões de menor altitude, pudemos ver novos detalhes nos destroços e a resolução foi boa o suficiente para distinguir a escultura decorativa dos canhões”, disse o líder da expedição, Mike Purcell.

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Vista geral do naufrágio no fundo do mar, onde é possível ver o contorno do casco do San José – Fonte – https://thecitypaperbogota.com/big-picture/big-picture-the-san-jose-galleon-from-a-rembus-6000/19727

Ainda resta saber quem é o dono da bolada do San José!

O tesouro do galeão tem sido objeto de batalhas judiciais entre várias nações e também empresas privadas. Há algumas semanas, a UNESCO, agência cultural das Nações Unidas, pediu à Colômbia que não explorasse comercialmente o naufrágio. Já a Espanha está também interessada, já que a nave sinistrada era sua propriedade então. Segundo reportagem da Bloomberg, o mesmo pode ser pedido pela França, na batalha com a Espanha, ou o outro lado, Holanda e Inglaterra, que receberiam o butim do vencedor.

A localização exata e profundidades exatas do San José, por razões óbvias, se tornaram um segredo de Estado na Colômbia. Segundo o vice-presidente da WHOI, o norte-americano Rob Munier, afirmou que “Mantivemos o segredo em respeito ao governo colombiano”.

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Corveta ARC Caldas (FM-52), da Marinha da Colômbia, ou A.R.C. (Armada República de Colombia), é uma força moderna, bem equipada e que pode tranquilamente proteger a área desse naufrágio – Fonte – https://es.wikipedia.org/wiki/Crisis_de_la_Corbeta_Caldas#/media/File:Arc_fragata_caldas.jpg

Consta que a descoberta de San José traz considerável significado cultural e histórico para o governo e povo colombiano, devido ao tesouro de artefatos culturais e históricos do navio e às pistas que podem fornecer sobre o clima econômico, social e político da Europa no início do século XVIII. O governo colombiano planeja construir um museu e um laboratório de conservação de classe mundial para preservar e exibir publicamente o conteúdo do naufrágio, incluindo canhões, cerâmicas e outros artefatos.

Esperamos e torcemos para que o governo colombiano tenha capacidade e competência para manter sob sua posse esse achado, fruto do saque fabuloso praticado pelos conquistadores europeus durante a colonização do Novo Mundo!  

Vamos aguardar os próximos capítulos dessa novela subaquática.

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TESOUROS SUBMERSOS – AS PROFUNDEZAS DOS OCEANOS GUARDAM SEGREDOS INCRÍVEIS

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Fonte – http://wjhl.com/2015/07/28/more-than-1-million-in-gold-found-off-treasure-coast/

AUTOR – Franklin Albagli

A história dos barcos e navios, assim como das navegações estão intimamente ligadas às aventuras da humanidade, sejam elas expedições de guerra, busca incessante pelo desconhecido ou mesmo, operações comerciais.

Seria impossível, totalmente infrutífero e sobretudo enfadonho, que aqui tivéssemos a pretensão de discorrer sobre a evolução das embarcações e das incursões cada vez mais audazes do bicho homem, arrostando a imensidão e fúria dos oceanos.

Todos nós já vimos nos livros de história, as façanhas das frotas mercantes e guerreiras da Grécia antiga, Roma e Cartago, remando e mais tarde velejando, cada centímetro do Mar Mediterrâneo, apropriadamente denominado pelos romanos de Mare nostrum, tal a familiaridade que tinham com o mesmo.

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Fonte – http://www.sfora.pl/polska/Polak-odkryl-warty-miliony-skarb-na-dnie-Baltyku-Zobacz-jak-tego-dokonal-g45763-48148

A história tem registros que por volta de 340 A.C, o navegador grego Píteas de Massália, aventurou-se pelo desconhecido, saindo do mar egeu, penetrando no mediterrâneo, passando pelas “Colunas de Hércules”, adentrou no Atlântico, chegando até a Europa ocidental e à Inglaterra.

Quem não foi tomado por grande admiração ao saber das longas viagens empreendidas pelos vikings através do tempestuoso atlântico norte, comprovando-se hoje a descoberta da Groenlândia por Erik o Vermelho e pouco mais tarde, a descoberta da América, mais precisamente da Ilha de Baffin pelo descobridor acidental Berjani Herjölfsson que buscava desesperadamente os seus pais que faziam parte da expedição de Erik, o Vermelho.

Na península do Labrador, Ilha de Newfoundland, foi erigida na primeira colônia da América, pasmem, cinco séculos antes de Cristóvão Colombo pisar em terras americanas, supostamente nas areias da Ilha de Guanahani, nas Bahamas!

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Fonte – http://www.dailymail.co.uk/news/article-2090125/HMS-Victory-recovered-sea-bed-300-years-sank-carrying-treasure-worth-500m.html

A título de ilustração, cabe registrar que os historiadores, até hoje não conseguiram decifrar qual a razão que levou os vikings a abandonarem aquela colônia rica em madeiras e caça, apenas decorridos cinquenta anos da sua implantação.

Depois vieram os suecos, holandeses, ingleses, espanhóis e portugueses, todos eles hábeis navegadores, ávidos pelo comércio e sobretudo pelas pilhagens em novas terras assim como nos saques dos navios inimigos, não raro, carregados de riquezas.

É impossível avaliar os tesouros perdidos no fundo dos oceanos, resultado de naufrágios das embarcações que os transportavam, seja em razão da fúria da natureza, seja por atos de guerra de inimigos.

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Fonte – https://www.haaretz.com/archaeology/1.777473

Impossível porque quase sempre não existem registros a respeito. Aqui e ali, pesquisadores de documentos antigos encontram pistas, seguem-nas com persistência e são recompensados com valiosíssimos achados.

Riquezas incalculáveis foram pilhadas pelos espanhóis quando subjugaram os povos das civilizações pré-colombianas. Claro, tudo isso era reunido, embarcado em galeões e enviado para a corte espanhola numa longa e perigosa viagem, sujeita a todo tipo de perigos.

Alguns restos de naufrágios de navios espanhóis daquela época, já foram descobertos na região da Flórida, enriquecendo empresas, pessoas e também provocando intermináveis batalhas judiciais.

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Dobrões de ouro espanhóis – Fonte – http://picclick.ca/Gold-Doublon-Coin-Pirates-Treasure-Spanish-Armada-Coin-291468851789.html

Um dos mais famosos naufrágios que se tem notícia é o do navio Nuestra Señora de Atocha, que transportava para a Europa, tesouros resultantes das pilhagens espanholas. Naufragou no dia 6 de setembro de 1622, quando cruzou com um furacão na altura do arquipélago Flórida Keys. Em 1985, o americano Mel Fischer conseguiu encontrar parte do carregamento, permanecendo ainda embaixo d’água, encobertos pelos sedimentos, dezessete toneladas de prata, vinte e sete quilos de esmeraldas, 128 mil moedas de ouro e trinta e cinco caixas contendo lingotes de ouro.

Recentemente, o governo colombiano anunciou a descoberta dos destroços do galeão espanhol San José que naufragou em 1708, no litoral de Cartagena, sendo integrante da frota do rei Felipe V que lutou contra a Inglaterra na Guerra da Sucessão Espanhola enquanto tentava escapar de uma batalha naval travada com navios britânicos, certamente interessados na pilhagem de tesouros existentes.

Os registros descobertos, indicam que o San José transportava seiscentos tripulantes, certamente soldados, dos quais só onze sobreviveram e seiscentas toneladas de ouro, prata e esmeraldas que estavam sendo levada da Nicarágua para a Espanha, fortuna essa avaliada em US$ 17 bilhões.

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Ricas porcelanas recuperadas em naufrágio – Fonte – http://www2.uol.com.br

Comprovadamente, os destroços são mesmo do San José, confirmação esta efetuada pela gravação existente nos canhões. Antes, porém das providencias para resgate do tesouro, há a necessidade de definir a quem pertence toda a riqueza.

A Colômbia alega que o achado está em suas águas, exatamente no Parque natural de Corales de San Bernardo, sítio incluído pela UNESCO na Seaflower MarineA Espanha por seu turno, reivindica o tesouro, alegando que a nau era do estado espanhol e, por conseguinte, a sua carga.

Em sentido contrário, a empresa Sea Search Armada (SSA), cujos acionistas são poderosos empresários e políticos americanos”, segundo a revista colombiana Semana, reivindica parte do tesouro com o argumento de ter localizado o navio antes e ter fornecido as coordenadas ao Serviço Arqueológico da Colômbia.

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Fonte – http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3251868/Return-Antikythera-Shipwreck-divers-unearth-50-new-treasures-board-game-pieces-THRONE.html

Claro está que muita briga ainda rolará e inúmeros tribunais estarão envolvidos.

Dentro dessa mesma linha, não há como omitir a disputa existente entre a Odissey Marine Explorer dos Estados Unidos com o governo espanhol, sobre os achados no galeão Nuestra Señora de La Mercedes.

O naufrágio foi localizado na costa de Algarves em Portugal e resgatados em 2007 cerca de € 500 milhões em ouro e prata, fortuna essa que a Odissey Marine Explorer, levou de Gibraltar para os Estados Unidos através de avião fretado.

Felizmente para os proprietários, nem sempre os tesouros transportados por via marítima se perdem.

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Fonte – http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3251868/Return-Antikythera-Shipwreck-divers-unearth-50-new-treasures-board-game-pieces-THRONE.html

Em junho de 1940, no auge da blitzkrieg alemã, quando a derrocada da França ameaçava a Grã-Bretanha com iminente invasão, Winston Churchill, recentemente empossado como premier, reuniu o seu gabinete em sessão secreta e decidiu numa cartada desesperada, transportar mais de £1.800.000.000 em ouro e títulos para o Canadá.

Os embarques deveriam atravessar o atlântico norte infestado de submarinos alemães e uma vez a salvo no Canadá, seriam utilizados para pagar mercadorias de guerra e víveres tão necessários na Inglaterra e que eram pagos numa base à vista pois nessa época ainda não vigorava a Lend lease.

Todo esse tesouro atravessou o oceano em viagens sucessivas, entre junho e setembro de 1940, sujeito aos azares da guerra, não se perdendo uma moeda de ouro sequer, sendo importante salientar, que somente no mês de junho de 1940, quando os transportes tiveram início, foram postos a pique no atlântico norte 57 navios totalizando 350.000 toneladas!

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Fonte – http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3251868/Return-Antikythera-Shipwreck-divers-unearth-50-new-treasures-board-game-pieces-THRONE.html

Essa fortuna representava todo o ativo líquido da Grã-Bretanha, equivalendo em valores brutos a todo o ouro e prata saqueados por Cortez e Pizarro no México e no Peru e mais todo o ouro extraído nas corridas da Califórnia e Klondike no Alasca.

Outros transportes, porém, não foram tão afortunados. A partir do outono de 1941, a Rússia se batia contra os exércitos alemães e recebia ajuda dos aliados anglo-americanos, através de comboios que partiam de portos ingleses até o porto de Murmansk.

No percurso de ida, os comboios tinham a denominação PQ seguida de numeração. Levavam tanques, aviões, caminhões motores, canhões munições, tudo o que exigia o esforço de guerra, tão necessários aos exércitos de Josef Stalin, regressando com a nomenclatura QP, geralmente, apenas com lastro e, eventualmente, transportando valores correspondendo aos pagamentos das mercadorias entregues, normalmente mediante lingotes de ouro bolchevique.

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HMS Edinburgh – Fonte – http://www.naval-history.net/xGM-Chrono-06CL-Edinburgh.htm

No dia 30 de abril de 1942, o cruzador ligeiro H.M.S. Edinburgh, fazia parte da escolta do comboio QP- 11, levando nos seus compartimentos £ 45 milhões em ouro, um dos pagamentos efetuados pelos russos.

Recebeu dois torpedos do submarino alemão U-452, ficando danificado, sendo mais tarde atacado por destróieres alemães, foi a pique com a perda de sessenta homens da tripulação e todo o ouro.

Em 1981, um antigo mergulhador nas plataformas petrolíferas do Mar do Norte, Keith Jessop, constituiu pequena empresa de salvamento denominada Gessop Recovery Marine Ltd., formou um consórcio com três outras empresas de resgate, a Wharton Williams Ltd, que lidou com as operações de mergulho; a Offshore Supply Association, que forneceu o navio de salvamento e tripulação; e a Racal Decca Survey Ltd, que forneceu o equipamento hidrográfico.

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Local do afundamento do HMS Edinburgh

Naturalmente, a operação foi dificílima, consistindo no resgate mais profundo já realizado, numa região de muitos complicadores pois o Mar de Barents é uma das porções de oceano mais pavorosas que existem, geralmente tempestuoso e sujeito a baixíssimas temperaturas.

A operação foi financiada por uma série de investidores privados que colocaram cerca de £ 2 milhões na operação.  A Jessop Marine não forneceu os nomes dos investidores pois os mesmos colocaram o dinheiro na condição estrita do anonimato, seja porque eles não queriam se associar a “a imagem da caça ao tesouro”, ou eles estavam preocupados em estarem envolvidos na “profanação de túmulos de guerra”.

O resgate foi um sucesso retumbante, encorajando a Jessop Marine a outras incursões.

As possibilidades de resgates milionários são enormes não só nas antigas rotas dos galeões espanhóis, mas também nos mares no entorno da Grã-Bretanha. No entanto, as opções podem ser reduzidas pois o forte de Jessop é o trabalho em profundidades anteriormente consideradas inatingíveis.

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O Almirante Nakhimov em 1893 – Fonte – https://laststandonzombieisland.com/tag/admiral-nakhimov/

Mais ao gosto da Jessop Marine, são os soberanos de ouro e os lingotes de platina existentes no cruzador tzarista Almirante Nahkhimov afundado pelos japoneses nas frias águas do estreito de Tsushima durante a guerra russo-japonesa em 1905. As estimativas são de que este tesouro esteja na faixa de £16 milhões. Mas qualquer tentativa de salvamento nessa vertente, entretanto,  envolveria Jessop em um cabo de guerra entre o Japão e a Rússia, ambos reivindicando o tesouro.

Existem também várias toneladas de ouro no naufrágio de um navio de carga alemão torpedeado pelos britânicos durante a Primeira Guerra Mundial em 1917, e cerca de £ 20 milhões a bordo da fragata Lutine que afundou, também na costa holandesa, em 1799.

Contudo, a operação mais provável da empresa de Jessop talvez seja a exploração dos destroços do famoso transatlântico Lusitânia, afundado por um submarino alemão em 1915 em Old Head of Kinsale, na Irlanda. Os rumores dão conta de que nos seus porões pode existir tesouro no valor de £12 milhões. A localização do naufrágio é conhecida com exatidão e a profundidade onde eles repousam, atualmente não representa problemas para a tecnologia disponível.

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Foto do navio SS Porta, navio irmão do SS Minden – Fonte – http://icelandmonitor.mbl.is/news/news/2017/04/11/german_shipwreck_minden_s_cargo_partly_owned_by_bri/

O Minden, navio alemão afundado em setembro de 1939, teria sido identificado no primeiro semestre do ano em curso, quase 80 anos após seu afundamento, a cerca de 190 km de distância do litoral islandês, graças às atividades da empresa britânica especializada em recuperação de navios afundados Advanced Marine Services.

Ele estaria carregado com cerca de quatro toneladas de ouro, equivalendo a cerca de £ 110 milhões de euros (cerca de R$ 407 milhões). Pouco antes de eclodir a Segunda Guerra Mundial, o ouro tinha sido retirado do Banco Germânico, uma filial brasileira do banco alemão Dresden.

Quando estava se aproximando da Europa, o Minden foi identificado e abordado por cruzadores da marinha britânica HMS Calypso e HMS Dunedin. Adolf Hitler em pessoa ordenou ao capitão que afundasse o navio para não permitir que os britânicos obtivessem a carga. A tripulação do Minden foi resgatada pelo HMS Dunedin e levada para a base naval de Scapa Flow, nas Ilhas Órcades, um arquipélago no norte da Escócia.

Nem todos os historiadores concordam se o ouro ainda está a bordo do navio, mas as elevadas despesas já realizadas pela Advanced Marine Services para recuperar os restos do Minden seriam indícios da presença de algo muito valioso a bordo.

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O navio SS Gairsoppa – Fonte – http://www.dailymail.co.uk/news/article-2176025/SS-Gairsoppa-US-company-recovers-48-tons-silver-British-wartime-shipwreck.html

Um naufrágio milionário, sobre o qual não podemos deixar de falar refere-se ao do navio SS Gairsoppa.

Gairsoppa, fazia parte do comboio SL-64 na rota  Calcutta – Freetown  – Galway – Londres. Transportava  2600 toneladas de ferro gusa, 1765 toneladas de chá, 2369 toneladas de carga geral e 240 toneladas de lingotes e moedas de prata , valendo aproximadamente £ 150 milhões. Por volta da meia noite do dia 17 de fevereiro de 1941, o navio estava escoteiro , isto é, sozinho,desgarrado do comboio por conta da sua baixa velocidade e do tempo tempestuoso, quando foi torpedeado e afundado pelo submarino U-101. Dos 86 homens da tripulação, apenas um sobreviveu. O navio foi localizado a cerca de 480 km da costa irlandesa, a uma profundidade de 4900 metros, o que vale dizer, região abissal mais profunda que aquela  onde repousa o RMS Titanic.

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Local do naufrágio do SS Gairsoppa.

Após a confirmação da descoberta, o Reino Unido , através de certame específico, selecionou empresa para ficar incumbida do resgate, esse especial, levando-se em conta a profundidade e somente exequível com utilização de submersíveis não tripulados. Sagrou-se vencedora do certame a americana Odyssey Marine Exploration, aquela mesma que resgatou o tesouro do galeão Nuestra Señora de las Mercedes, na costa de Algarves em Portugal e trava intensa batalha jurídica com o Governo espanhol. Nesse salvamento, entretanto, todas as cláusulas foram acertadas com o Governo britânico, ficando a Odissey Marine com substancial parcela de 80% do tesouro e os restante 20% para o erário público inglês.

Não poderíamos deixar de fazer referência também ao navio tipo Liberty Ship e batizado como John Barry torpedeado pelo submarino U-858 no litoral da Arábia Saudita em 28 de agosto de 1944. Fazia a rota Philadelphia – Áden e transportava, além de 8200 toneladas de carga geral, 2000 toneladas de prata em lingotes e moedas, equivalendo a US$ 26 milhões. Da tripulação de 68 homens, dois pereceram e 66 foram salvos e levados para Koramshar no Irã.

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O navio SS John Barry – Fonte – https://uboat.net/allies/merchants/ships/3340.html

Um grupo comprou os direitos de salvatagem e a partir de uma complicada tecnologia, conseguiu recuperar boa parte das moedas de prata que foram cunhadas na Filadélfia e enviadas à Arábia Saudita desde 1943, como meio circulante para aquele jovem país

Naquele tempo, estava ativa a ARMCO – Arabian American Oil Company, um poço promissor fora descoberto em Dahrein, o SS John Barry, levava, além da carga de moedas e presumíveis lingotes, muitos veículos, equipamentos Caterpillar, tubulações etc. destinados que seriam à construção de uma nova refinaria.

Pois bem, conforme dissemos mais atrás, a operação de resgate foi bem sucedida no tocante ao resgate das moedas de prata, mas nenhum lingote foi encontrado, permanecendo o mistério pois informações oficiais, evidentemente secretas, davam conta do transporte de lingotes de prata.

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Local do afundamento do John Barry

De inúmeras partidas de moedas da Filadélfia até a Arábia Saudita, somente o carregamento do SS John Barry, perdeu-se, sendo recuperado meio século depois.

Fontes da pesquisa:

https://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Edinburgh

http://www.shipwreck.net/ssgairsoppahistoricaloverview.php

http://www.naval-history.net/xGM-Chrono-06CL-Edinburgh.htm

https://uboat.net/allies/merchants/ships/3340.html

http://archive.aramcoworld.com/issue/199702/the.silver.ship.htm

Super interessante

Imagens – Internet

 

 

A ÍNCRIVEL HISTÓRIA DOS ESCRAVOS QUE FORAM ABANDONADOS POR QUINZE ANOS EM UMA ILHA

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A incrível saga dos escravos abandonados por quinze anos em uma ilha perdida do Oceano Índico

Como um Grupo de Pessoas Sobreviveu Por Tanto Tempo, em um Lugar Inóspito, Após Serem Abandonados Por Serem Considerados Seres Humanos Inferiores.

Autor – Rostand Medeiros

Em 1776, 57 anos depois de Daniel Defoe escrever o clássico da literatura Robinson Crusoe, oito pessoas foram resgatadas de uma pequena ilha chamada Tromelin, um lugar perdido no meio do Oceano Índico. Sete destes eram mulheres que tinham sobrevivido na ilha por 15 anos e o oitavo um menino que nasceu naquele fim de mundo.

Aqueles náufragos faziam parte de um grupo de 88 seres humanos que em 1761 foram abandonados e esquecidos naquele pedaço inóspito de coral e areia, em um ponto a 280 milhas náuticas (450 quilômetros) da costa mais próxima.

E tudo por uma razão simples – eles eram escravos negros.

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Ilha de Tromelin – Fonte – static.panoramio.com-1

Recentemente uma equipe de cientistas, liderados por Max Guérout, arqueólogo e ex-oficial naval francês, vem realizando sistemáticas pesquisas em busca dos destroços do navio que levou estes escravos e escavando na ilha para descobrir alguns segredos de como estas pessoas se agarraram desesperadamente a vida, desenvolveram uma comunidade elaborada em um fragmento de terra estéril, frequentemente varrida por violentos tufões.

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Escavações arqueológicas em Tromelin.

A investigação arqueológica, patrocinada pela UNESCO, era parte de comemorações pela luta contra a escravidão e tinha a intenção de ampliar uma história quase esquecida da desumanidade do homem contra o próprio o homem. Mas a pesquisa descobriu um extraordinário conto de tenacidade humana, de determinação para sobreviver e da capacidade de organização em face das adversidades.

A História do Acidente

O que se sabe sobre a Ilha de Tromelin é que este pequeno local foi descoberto no dia 11 de agosto de 1722, pelo capitão Jean Marie Briand De La Feuillée, que comandava o barco Diana, pertencente à Companhia Francesa das Índias Orientais (Compagnie Française des Indes Orientales). Este chegou ao inóspito lugar após se afastar das rotas tradicionalmente utilizadas pelos barcos da empresa por conta de uma tempestade.

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Localização da ilha.

Como era praxe na época o capitão La Feuillée fez uma breve descrição da ilha e um cálculo de posição, que foram anotados no diário de bordo do Diana. La Feuillée batizou o local simplesmente como L’Ile du Sable, ou Sand Island, ou Ilha da Areia.

A partir daí ninguém relatou ter visto a ilha por quase 32 anos. 

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No dia 17 de novembro de 1760, o Utile, um antigo navio de guerra francês, pertencente à mesma Companhia Francesa das Índias Orientais, zarpou de Bayonne, no sudoeste da França, com destino à Ile de France, local atualmente conhecido como República de Maurício.

Na época a França estava em luta contra a Grã-Bretanha, na chamada Guerra dos Sete Anos e o governador de Ile de France estava esperando um ataque vindo da Índia. Por esta razão ele havia proibido a importação de escravos, temendo que estes se tornassem mais bocas para alimentar durante um possível cerco naval.

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Representação do embarque dos escravos no Utile, em Madagascar.

Mesmo com esta ordem o capitão do Utile, Jean De La Fargue, ancorou em Madagascar e comprou clandestinamente cerca de 160 escravos malgaxes. Neste momento o tráfico de escravos era algo muito rentável e os lucros daquela empreitada deveriam trazer para o bolso do capitão La Fargue o equivalente a doze anos de trabalho.

Em 23 de julho o Utile  retomou a sua viagem para o leste, mas foi pego por uma violenta tempestade e no dia 31 de julho de 1761, por volta de 22:30, o barco bateu duas vezes nos recifes de coral submerso da Ilha da Areia, que anos depois ficaria conhecida como Ilha de Tromelin.

Hilarion Dubuisson De Keraudic, oficial do navio Utile, escreveu um dramático e conciso relato do naufrágio. Mais de 240 anos depois este documento foi descoberto por Max Guérout nos arquivos marítimos da cidade de Lorient, na França.

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Dos 143 homens que formavam a tripulação, 21 deles morreram afogados. Mas dos 160 escravos, apenas 88 “peças” que compunham a carga sobreviveram milagrosamente. Quando se diz milagrosamente é porque os outros escravos ficaram presos no convés inferior, com as escotilhas fechadas e morreram todos afogados.

Diante do episódio o capitão La Fargue foi incapaz de tomar iniciativas confiáveis e caiu em desgraça perante seus homens. O oficial Keraudic o descreveu como “indisposto” e a liderança foi assumida pelo primeiro tenente Barthelemy Castellan De Vernet.

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Praia da ilha.

São estabelecidos dois campos (um para a tripulação e outro para os escravos negros) e armadas barracas. Os muitos materiais jogados pelas ondas na praia (barris, comida, utensílios) são armazenados sob vigilância armada e longe dos cativos.

Entre os apontamentos feitos por Keraudic, fica bem clara a razão de quase um terço dos 88 escravos originalmente resgatados, morrerem pouco tempo depois – “Fizemos uma grande tenda com a vela principal e algumas bandeiras. Nós vivíamos lá com todas as fontes de suprimento. A tripulação foi colocada em pequenas tendas. Nós começamos a sentir muito fortemente a escassez de água. Um número de negros morreu, não sendo entregue a eles qualquer assistência”.

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Uma ideia de como ficou o barco após bater nos recifes de coral

Foram Vistos Como Animais Que Não Valia a Pena Serem Salvos

Encontrar água potável então se tornou rapidamente uma prioridade e o artilheiro mestre Louis Taillefer ficou responsável por cavar um poço. Depois de um primeiro teste negativo, uma segunda tentativa realizada em 4 de agosto conseguiu água salobra. Além da comida recuperada, os sobreviventes comiam ovos das aves (principalmente andorinhas) e carne de tartaruga.

Consciente de que ninguém iria procurá-los naquela ilhota, pois eles estavam longe da rota usual dos barcos, o primeiro tenente Castellan De Vernet começou a desenhar planos para a construção de um barco de salvamento. 

Versátil e engenhoso, o primeiro tenente improvisa uma forja especial com um tronco e assim consegue moldar peças de metal necessárias para a construção de uma barcaça com 33.5 pés de comprimento, 12 pés de largura e 5 pés de altura. 

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Os canhões do Utile em uma praia de Tromelin.

Em 27 de setembro de 1761, às 17:00, quase dois meses após o naufrágio, o barco de resgate batizado como Providência, é colocado na água e os 122 marinheiros brancos sobem a bordo. Por falta de espaço 60 escravos negros sobreviventes são deixados na ilha com três meses de alimentos. Os marinheiros prometem voltar rapidamente e resgatá-los.

Partiram em direção a Madagascar, aonde chegaram quatro dias depois na localidade Foulepointe e apenas um homem foi perdido durante a travessia. Os marinheiros dão testemunho do naufrágio e desenham um mapa detalhado da ilha (provavelmente feito pelo piloto do Utile). 

Em 23 de outubro a maioria dos sobreviventes embarcou no veleiro Silhouette e vai para a cidade de Port Louis, na Ile de France, a atual capital da República de Maurício. Esta será a última viagem do capitão Jean De la Fargue, que morre em 12 de novembro e tem seu corpo jogado ao mar. 

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Após a partida dos marinheiros brancos, os escravos ficaram esperando o cumprimento da promessa de que alguém viria salvá-los.

Na chegada (25 de novembro), o Governador Antoine-Marie Desforges-Boucher é informado do naufrágio. Após saber os detalhes ele fica furioso e recusa a enviar um barco para resgatar os escravos deixados na ilha. Documentos da época apontam que o Governador referiu-se aos escravos como “animais” e que “não valia o gasto para ir salvá-los”.

O Governador era um funcionário da mesma Companhia Francesa das Índias Orientais e alegou que não queria arriscar a perda de outro navio para resgatar um grupo de escravos indesejados e ilícitos. Vários dignitários locais tentaram persuadir o Governador a mudar de ideia, mas este recusou.

Talvez desejando proteger a reputação da empresa, Desforges-Boucher buscou nitidamente abafar o caso e não tornar público o negócio escuso do falecido capitão La Fargue.

Após um período de indignação com a decisão do governador, os escravos abandonados acabam caindo no esquecimento e a promessa de Castellan não foi cumprida. 

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Max Guérout, arqueólogo e ex-oficial naval francês.

Achados Arqueológicos

Como aqueles náufragos sobreviveram tanto tempo, em um lugar tão inóspito?

A princípio eles tinham a água salobra do poço cavado pelos marinheiros. Tinham também alguns implementos básicos de cozinha e a ilha é, até hoje, um terreno fértil para tartarugas, peixes e aves marinhas.

Essa explicação simplista bastaria como uma resposta para os muitos que desejassem uma explicação sobre a sobrevivência deste grupo de pessoas naquele local e por tantos anos. Mas o arqueólogo Max Guérout, criador do GRAN – Group de Recherches en Archéologie Navale (Grupo de Investigação e Arqueologia Naval), foi para aquela parte perdida do Oceano Índico determinado a descobrir mais.

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Mergulhadores próximo a uma das pontas da âncora do Utile – Fonte – Max Guérout, Groupe de Recherche en Archéologie Navale

Seus colegas arqueólogos avisaram que seria pouco provável que algum vestígio se mantivesse em um solo fino, arenoso, em meio a uma ilha plana. Um lugar com altitude máxima de meros sete metros, batido por ondas fortes e que localizado no caminho dos ciclones anuais que varrem o Oceano Índico.

Guérout insistiu que muito deveria ter permanecido na ilha e que os registros arqueológicos encontrados poderiam contar uma interessante história. A crença do cientista francês se baseava em intrigantes referências anotadas por oficiais e marinheiros ingleses, quando estes realizaram visitas à ilha durante o século 19 em navios da Royal Navy (Marinha Real). Os marinheiros britânicos registraram que observaram restos de “casas de pedra” e túmulos dispostos ordenadamente.

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Mergulhador do Groupe de Recherche en Archéologie Navale realizando pesquisas subaquáticas em Tromelin.

Com o início das pesquisas os arqueólogos e mergulhadores estiveram no naufrágio do Utile e resgataram muitos objetos interessantes, mas nada que avançasse muito no conhecimento desta história. Mas as escavações na areia rasa da ilha produziram descobertas significativas.

Ficou evidenciado que, pelos vestígios (cinzas) encontrados em camadas de sedimentos desenterrados, os náufragos conseguiram manter com a madeira do barco o mesmo fogo aceso por anos. Eles construíram um forno coletivo e sobreviveram com uma dieta de tartarugas, aves marinhas e crustáceos.

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Uma das milhares de aves de Tromelin.

Seus utensílios de cozinha confeccionados em cobre, salvos dos restos do navio, foram reparados várias vezes de forma engenhosa e prática. Um destes tinha sido reparado pelos escravos pelo menos oito vezes. “-Eles remendavam a peça danificada com outras peças de cobre, usando rebites feitos à mão e forjados no fogo do forno. Conseguimos até mesmo encontrar alguns dos rebites”, disse Guérout.

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Tacho de cobre descoberto pelos arqueólogos, com inúmeros remendos feito pelos escravos nos quinze anos que ficaram isolados na ilha.

Os cientistas franceses descobriram que os náufragos desenvolveram abrigos com paredes elaboradas, formadas por blocos de coral e areia compactada. Foram erguidos com sabedoria, resultando em paredes sólidas e capazes de enfrentar fortes ventos. Uma habitação coletiva foi organizada no ponto mais alto da ilha e esta teria sido construída com restos do navio e cobertos com cascos de tartaruga.

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Abrigos descobertos na ilha.

Escavações também ajudaram a encontrar uma grande quantidade de utensílios (eixos, raspadeiras, colheres, recipientes), algumas confeccionadas pelos náufragos.

Mas o que aconteceu com os sobreviventes da Ilha de Tromelin? 

A tripulação de um navio que ancorou em Port Louis na segunda metade de 1775, anunciou haver passado perto da ilha e visto os náufragos.

O novo Governador em Ile de France é então Charles-Henri-Louis d’Arsac de Ternay, oChevalier de Ternay” (Cavaleiro de Ternay). Este foi nomeado pelo Rei da França e não pela Companhia Francesa das Índias Orientais. Então o veleiro Sauterelle é enviado para realizar o resgate.

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Mapa antigo da Ilha de Tromelin, provavelmente feito pelo piloto do veleiro Utile.

Na ilha a tripulação tenta desembarcar com uma baleeira, mas esta é destruída nos recifes de coral. Um marinheiro nada para o Sauterelle, enquanto o outro, o marujo Grasshopper, se juntou os náufragos na ilha.

Na sequência dois outros veleiros foram enviados já em 1776, mas permanecem incapazes de se aproximar da ilha. Frustrado com essas falhas e cansados ​​de esperar, o marujo Grasshopper tenta deixar a ilha em uma precária jangada, na companhia de três homens e três mulheres. Mas eles desapareceram no mar. 

Após estas falhas o governador Louis d’Arsac de Ternay envia a corveta Dauphine, capitaneado pelo nobre Jacques Marie Boudin, conhecido como “Chevalier de Tromelin” (Cavaleiro de Tromelin).

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Selo francês, comemorativo ao capitão Jacques Marie Boudin

Tendo aprendido as lições de fracassos anteriores, um dos oficiais do Dauphine assumiu as operações e um barco e uma canoa foi utilizada ​​para desembarcar na costa oeste da ilha. Em três horas os últimos náufragos são recuperados, incluindo um grupo de uma mesma família que tinha uma avó, a filha e a neta.

Por ocasião deste salvamento a bandeira francesa foi hasteada na ilha e oficialmente a França toma posse em nome do rei Luís XVI. Era 29 de novembro de 1776 e o local passa a ser definitivamente conhecido como Ilha de Tromelin.

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Foto de Richard Bouhet, da Getty Images, que mostra claramente o grau de dificuldade para se aportar nesta ilha.

As mulheres resgatadas comentaram que um grupo de 18 dos náufragos malgaxes construiu um pequeno barco à vela e partiram da ilha alguns anos antes. Mas sumiram!

Na Ile de France os oito sobreviventes foram declarados livres.

Jacques Maillard De Mesle, um alto funcionário francês na região, dá asilo à criança, sua mãe (Eva) e sua avó (Dauphine). Ele insistiu que os náufragos não eram escravos, mas pessoas livres, uma vez que eles tinham sido comprados ilegalmente. Em 15 de dezembro de 1776 a criança salva é batizada em Port Louis e recebe o nome de Jacques Moise. “Moise” é a forma francesa de Moisés – um bebê resgatado da água.

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Outro aspecto dos abrigos encontrados na ilha.

O que aconteceu com Jacques Moise e os outros depois disso?

Max Guérout tem pesquisado os registros na França e na República de Maurício, mas sem sucesso. Ele acredita que os sobreviventes devem ter sido incorporados pela comunidade de escravos libertos em Maurício e provavelmente seus descendentes estão vivendo lá até hoje.

A Ilha de Tromelin é atualmente uma possessão ultramarina francesa, reivindicada pelos governos de Madagascar e da República de Maurício e tem sido o local de uma estação meteorológica francesa desde 1953. Em 60 anos de funcionamento esta estação meteorológica sofreu muitos danos causados ​​pelos violentos tufões e ciclones que danificaram, ou destruíram, as suas instalações. 

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Foto que mostra a estação meteorológica francesa sendo abastecida por um helicóptero, devido as dificuldades de desembarque na Ilha de Tromelin.

O lugar é apelidado de “Encruzilhada dos Ciclones” ou “Ilha Ciclone”, pois foi alvo de uma dúzia destes fenômenos meteorológicos desde 1975.

Exemplo de Sobrevivência

“-É uma história muito humana, uma história do engenho e instinto de sobrevivência de pessoas que foram abandonadas porque eram considerados seres humanos inferiores”, comentou Max Guérout.

O arqueólogo analisou que os náufragos da ilha “-Não eram pessoas que se deixaram oprimir pelo seu destino. Foram pessoas que trabalharam juntas, de forma ordenada, na intenção de sobreviver de alguma forma”.

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Outros abrigos.

Os arqueólogos franceses falharam na busca dos túmulos mencionadas nos registros da Royal Navy. “-Eles certamente ainda estão lá”, disse Guérout, que vai retornar a Ilha de Tromelin com melhores equipamentos de escavação.

Para o arqueólogo francês os estudos realizados na ilha são de extrema importância, pois oferecem uma oportunidade única para estudar como um pequeno grupo humano sobreviveu em meio a condições tão hostis, em um lugar diminuto e por tanto tempo. A Ilha de Tromelin possui 3.700 metros de largura, por cerca de 1.700 metros de comprimento, é cercada de recifes de coral e sem pontos fáceis de atracação.

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Ilha de Tromelin

Para Guérout, as análises arqueológicas deste caso talvez possam se transformar em ferramentas que ajudem os cientistas a compreender como pequenos grupos humanos conseguiram realizar a migração entre os continentes e sobreviver em locais inóspitos e isolados durante seus trajetos.

Ainda há muito a ser encontrado e Max Guérout espera liderar novas expedição para a Ilha de Tromelin.

Para mais informações, consulte:

– http://www.independent.co.uk/news/world/africa/shipwrecked-and-abandoned-the-story-of-the-slave-crusoes-435092.html

http://archeonavale.org/gran2012/index.php/2012-02-13-18-51-03/mission-2013

https://fr.wikipedia.org/wiki/Bernard_Boudin_de_Tromelin

http://historiasdelahistoria.com/2016/01/07/los-esclavos-que-sobrevivieron-15-anos-abandonados-en-un-islote-casi-desertico

https://fr.wikipedia.org/wiki/Île_Tromelin

AS INCRÍVEIS HISTÓRIAS DE UMA BRASILEIRA E DE UMA INDONÉSIA QUE SOBREVIVERAM AO TSUNAMI DE 2004

FONTE - AFP/Getty Images
FONTE – AFP/Getty Images

Tsunami é uma palavra de origem japonesa, ligando os termos “Porta” e “onda”. É, por definição, um maremoto provocado por um terremoto ou por uma erupção vulcânica no mar.

Em 2004 aconteceu um terremoto de magnitude 9,1 na escala Richter. Seu epicentro foi no Oceano Índico, ao largo da costa oeste de Sumatra e logo ondas varreram regiões que atingiram até a Africa do Sul.

Parte da Indonésia sofreu as piores consequências, seguido de Sri Lanka e Tailândia. No total, o fenômeno atingiu 14 países e deixou quase dois milhões de desabrigados. Milhares de corpos nunca foram encontrados. Mas muitos sobreviveram por puro acaso, como a brasileira Karina Dubeux e a indonésia Fauziah Basyariah.

* * *

Há 10 anos, na manhã de domingo, 26 de dezembro de 2004, a médica brasileira Karina Dubeux, estava de férias com o marido em Phi Phi, um pequeno arquipélago no sul da Tailândia. Um lugar verdadeiramente idílico, cuja areia branca e água azul-turquesa ficaram conhecidos no filme “A Praia”, com Leonardo Di Caprio.

Beleza das Ilhas Phi Phi, na Tailândia - Fonte - http://designtendencia.pn5.com.br/
Beleza das Ilhas Phi Phi, na Tailândia – Fonte – http://designtendencia.pn5.com.br/

Estar naquele local era um antigo sonho de seu marido, Isac Szwarc, médico como ela e há anos praticante de mergulho autônomo. Mas o barco que deveria levar o casal para o mergulho atrasou 30 minutos e a brasileira ficou chateada com aquilo.

O que ela não sabia foi que este atraso salvou sua vida!

A médica brasileira Karina Dubeux - Fonte - BBC
A médica brasileira Karina Dubeux – Fonte – BBC

No barco estavam outros dois turistas, três guias e um fotógrafo finlandês. Depois de todos acomodados este finalmente navegou em direção a Koh Bida Nok, uma pequena ilha desabitada, formada por pedra calcária e que surge magicamente do mar. Mergulhar ali é um espetáculo de coloridos recifes de coral, peixes e cavalos marinhos raros.

Dubeux, então com 41 anos, mergulhou pouco mais de meia hora, a uma profundidade de 23,5 metros. Após certo tempo começou a emergir, realizando uma parada a cinco metros da superfície, um procedimento de rotina para evitar a descompressão. Neste momento ela teve um primeiro sinal de que algo incomum estava acontecendo.

“-Quando fotografava com meu marido o guia de mergulho, algo bateu contra nós como se fosse um turbilhão”, disse Dubeux à BBC. “-O guia bateu contra as pedras”.

Fonte - www.english-online.at
Fonte – http://www.english-online.at

Tinha acabado de acontecer um dos piores desastres naturais da história moderna.

Ao chegar à superfície a brasileira sentiu uma forte corrente de água. Ela nadou com alguma dificuldade para o barco. Como este estava protegido atrás de uma pedra, em uma baía, o capitão nem sequer viu a onda.

Quando todo mundo estava de volta a bordo, outro barco passou por eles com sua tripulação gritando em tailandês a distância. Uma pessoa a bordo comentou que outro barco tinha acabado de ser destruído por uma grande onda e sete turistas que estavam a bordo haviam caído no mar. Eles desapareceram não muito distantes do lugar onde Dubeux realizava seu mergulho.

Ela comentou para a BBC que “-Se não fosse o atraso de meia hora, estaríamos no mesmo local onde os turistas morreram”.

Pouco tempo depois receberam um aviso pelo rádio, informando que uma grande onda tinha destruído uma doca e um hotel.

Karina Dubeux - Fonte - BBC
Karina Dubeux – Fonte – BBC

Dubeux, que sentia interesse por tsunamis, comentou que a razão daquele acontecimento transmitido pelo rádio poderia ter sido provocada por um destes fenômenos naturais de extrema destruição. Naquele momento o resto da tripulação riu.

“-Karina, faz 120 anos que tivemos um tsunami nesta área”, lembra que alguém respondeu.

* * *

Logo o motivo dos sorrisos desapareceu dos rostos dos tripulantes.

Devido à destruição, o barco não poderia atracar no cais do hotel onde Dubeux estava hospedada, ela e o resto dos mergulhadores tiveram de nadar 150 metros para atingir a costa. O mar estava agitado, enlameado, com pedaços de coco flutuante. Após chegarem a praia eles caminharam até o hotel.

Hotéis tailandeses destruídos após os tsunamis de 2004 - Fonte - article.wn.com
Hotéis tailandeses destruídos após os tsunamis de 2004 – Fonte – article.wn.com

O lugar tinha certa proteção geográfica que impediu danos maiores. Mas a recepção tinha sido invadida por um barco arrastado pela onda. Dubeux e seu marido foram para o seu bangalô para tomar um banho e trocar de roupa. De repente passou um funcionário do hotel em um carrinho de golfe gritando em Inglês: “-Outra grande onda!”.

Os dois brasileiros foram às pressas para o restaurante do hotel, que estava no ponto mais alto da ilha. Foi lá onde encontraram vários feridos, alguns deitados no chão. Prontamente Szwarc foi pegar o kit de primeiros socorros e o casal de médicos começou a ajudar como podiam.

Vieram mais feridos do outro lado da ilha, onde as ondas tinham matado centenas de pessoas. Alguns tiveram escoriações, outras lesões múltiplas e outras contusões. Mas Dubeux observa que nenhum dos feridos parecia em estado grave, “-O que a maioria das pessoas teve foi em um estado de depressão de vido as suas perdas pessoais”, disse ela. “-Fui mais uma psiquiatra, onde conversei com muito com eles”.

Fonte - BBC
Fonte – BBC

Sistemas de prevenção de tsunami no Oceano Índico em 2004 eram insuficientes. A tecnologia havia sido concentrada no Oceano Pacífico, onde tais eventos são mais frequentes. Estima-se que as maiores ondas da tragédia chegaram a 20 metros de altura na província indonésia de Aceh. Foi lá onde aconteceu quase metade dos danos materiais.

Os esforços de socorro em todo o mundo atingiram recordes de arrecadação. Mas também houve denúncias de desvios, às vezes por corrupção e outros por pura incompetência.

A reconstrução foi efetuada a diferentes velocidades. As praias turísticas do sul da Tailândia, onde estava Karina Dubeux e seu marido, voltaram ao normal depois de um ou dois anos e vários instrumentos de alerta de tsunami foram instalados na região.

Fonte - www.meted.ucar.edu
Fonte – http://www.meted.ucar.edu

Dubeux e seu marido voltaram ao Brasil três dias depois da tragédia. Ela disse que nunca mais se encontrou novamente com aqueles que estavam no mergulho.

Ela voltou para o sul da Tailândia quatro anos depois e ficou surpresa com a reconstrução do local. Em seguida, ela completou o circuito de mergulho abruptamente interrompido naquele dia.

No Brasil publicou um livro sobre a experiência e intitulado “Salvos por um mergulho-A história de um casal de brasileiros que escapou do tsunami”.

Uma década mais tarde ela está separada e tem planos de viajar em breve para a Indonésia. Garante que o tsunami “-Foi um divisor de águas muito forte”.

“-Eu mudei muito, mesmo na minha profissão e me tornei mais disponível”, ela reflete. “-Mais do que nunca eu acredito que a vida é um presente.”

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O barco de madeira de 25 metros de comprimento se tornou uma atração popular no circuito turístico do tsunami - Fonte - BBC
O barco de madeira de 25 metros de comprimento se tornou uma atração popular no circuito turístico do tsunami – Fonte – BBC

Se para a brasileira foi o atraso em um mergulho que lhe salvou a vida, para a indonésia Fauziah Basyariah foi um barco em um telhado que a fez sobreviver junto com seus filhos.

* * *

Entre os telhados vermelhos da recém-construída aldeia de Lampulo, existe uma visão extraordinária: um enorme barco de pesca em cima de duas casas.

O barco de madeira de 25 metros de comprimento se tornou uma atração popular no circuito turístico do tsunami. Há sinais que avisam “Kapal rumah di atas”, que significa “O navio em cima da casa” e uma placa dá detalhes de como a arca improvisado salvou 59 pessoas.

"Se não fosse por esse barco, todos na minha família teriam se afogado, pois nenhum de nós sabia nadar", diz a empresa local Fauziah Basyariah.
“Se não fosse por esse barco, todos na minha família teriam se afogado, pois nenhum de nós sabia nadar”, diz a empresa local Fauziah Basyariah.

Uma delas é a empresária local Fauziah Basyariah. “-Se não fosse por esse barco, todos nós teríamos se afogado, porque nenhum de nós sabia nadar”, diz ela.

Basyariah chora quando ela se lembra daquele dia. “-Não muito tempo depois do terremoto, as pessoas começaram a gritar que a água do mar estava chegando. Nós ficamos confusos, mas depois vimos a água”.

* * *

Seu marido tinha ido fazer compras com uma moto, por isso demorou para que ela e seus cinco filhos saíssem de casa. O terremoto que provocou o tsunami havia destruído vários edifícios na sua rua, mas uma casa ainda estava de pé e os seis correram para dentro e foram para o segundo andar. Logo eles perceberam que o local não era alto o suficiente. “-Em menos de um minuto a água nos alcançou”, lembra Basyariah. “-A primeira onda era muito escura, com gosto horrível, não sei se era gasolina ou água.”

Antes de 2004, poucos sabiam o que era um tsunami, por isso, quando o mar recuou antes da onda atingir a praia, as pessoas correram para coletar peixes na areia em vez de escapar para lugares mais altos.
Antes de 2004, poucos sabiam o que era um tsunami, por isso, quando o mar recuou antes da onda atingir a praia, as pessoas correram para coletar peixes na areia em vez de escapar para lugares mais altos.

Depois veio uma segunda onda, ainda maior e a família estava presa. “-Nós estávamos flutuando com a testa tocando o teto e água até ao pescoço. Eu pensei que íamos morrer afogados.”

Através da janela viram algo estranho: um grande barco de pesca vindo em direção a eles. “-As pessoas estavam gritando, mas, em seguida, o barco ficou preso no topo da casa e parou”.

Seu filho de 14 anos conseguiu fazer um pequeno buraco no teto e ele levou toda família para o barco. Outras pessoas se juntaram a família de Basyariah na arca salvadora.

Há sinais que avisam "Kapal rumah di atas", que significa "o navio em cima da casa" e uma placa dá detalhes de como a arca improvisado salvou 59 pessoas.
Há sinais que avisam “Kapal rumah di atas”, que significa “o navio em cima da casa” e uma placa dá detalhes de como a arca improvisado salvou 59 pessoas.

“-Quando cheguei ao barco apenas rezávamos e rezávamos. Nós agradecemos a Deus que aquela nave tinha nos salvado, mas até mesmo o barco não era tão estável porque estava cheio de água”.

Eles assistiam impotentes edifícios que desabaram com as pessoas ainda dentro. “-Não havia nada que pudéssemos fazer”, disse ele, enxugando uma lágrima.

* * *

“-Apesar de 10 anos se passarem desde o tsunami, quando eu falo sobre isso eu me sinto como se tivesse acontecido ontem. Eu me sinto tão triste, nunca me esqueço.”

Quando as águas baixaram, Basyariah e seus filhos foram morar em Lampulo Beurawe, onde voltou a encontrar alguns entes queridos, mas não todos!

Fonte - news.nationalgeographic.com
Fonte – news.nationalgeographic.com

“-Eu não sei onde meu marido estava e ele nunca foi encontrado. Nem meus pais, mas eles eram velhos e eu sabia que ia ser difícil eles escaparem.”

Basyariah de repente se viu tendo que sustentar sozinha cinco filhos. Enquanto permaneceu em um abrigo temporário, as agências de ajuda internacionais lhe ensinaram novas habilidades: como criar peixes, costurar e fazer bolos. Então surgiu a ideia de vender lanches de atum seco.

Um ano depois do tsunami, Basyariah lançou um negócio de peixe com um empréstimo de 500 mil rúpias (meros quarenta dólares). Ela agora sustenta sua família e emprega algumas mulheres da sua aldeia.

Do lado de fora de sua casa, a alguns metros do barco, mulheres preparam peixe frito com alho e cebola. O produto é chamado de “Tuna Tsunami Seco” e tem uma imagem do barco no rótulo. “-O barco nós salvou, gostaríamos de lembrar isso”, explica ela.

Fonte - galleryaceh.blogspot.com
Fonte – galleryaceh.blogspot.com

Cerca de 15 barcos de pesca ficaram presos em telhados durante o tsunami. A maioria foi removida, mas Zulfikar, o proprietário do barco salvador, concordou em deixar a nave no alto da casa como um tributo.

O barco é reverenciado pela comunidade como uma espécie de arca de Noé, mas também é um lembrete do que aconteceu.

Além de atrair turistas, memoriais existentes em Banda Aceh têm um papel educativo. Antes de 2004 poucos sabiam o que era um tsunami, por isso, quando o mar recuou antes de atingir as praias, as pessoas correram para coletar peixes na areia em vez de escaparem para lugares mais altos.

Agora escolares visitam os monumentos sobre o tsunami e são ensinados a identificar os sinais da chegada de uma grande onda.

Fonte - acehtourismagency.blogspot.com
Fonte – acehtourismagency.blogspot.com

Para Basyariah aquele barco foi uma grande sorte. Cerca de 45.000 mulheres morreram mais do que homens. O tsunami matou um número desproporcional de mulheres e crianças porque eles não sabiam nadar.

Nas áreas atingidas pelo tsunami de 2004 existem vários monumentos que lembram a tragedia. Aqui vemos o memorial da Police Boat T813, em Khao Lak, na província de  Phang-nga, Tailândia. Um barco de patrulha arrastado para terra e deixado no lugar onde as ondas o levaram.
Nas áreas atingidas pelo tsunami de 2004 existem vários monumentos que lembram a tragedia. Aqui vemos o memorial da Police Boat T813, em Khao Lak, na província de Phang-nga, Tailândia. Um barco de patrulha arrastado para terra e deixado no lugar onde as ondas o levaram.

Se na vila da atual empresaria Basyariah muitos morreram por desconhecerem os sinais da natureza, em outro local uma velha história salvou muitos da morte certa.

Em Simeulue, uma ilha ao largo da costa oeste de Aceh, apenas sete pessoas foram ali mortas pelo tsunami. Um número muito reduzido em comparação com os 167.000 óbitos em Aceh.

A geografia montanhosa da ilha ajudou, mas muitos habitantes da ilha de salvaram devido a uma antiga tradição narrativa local chamada “smong”.

De acordo com um relatório da UNESCO, essas histórias contadas para as crianças muitas vezes terminavam com um aviso: “Quando um forte terremoto ocorrer, e se o mar recuar, logo em seguida corra para as colinas porque as ondas em breve chegarão às praias”.

* * *

Material produzido a partir dos textos de Gerardo Lissardy e Candida Beveridge, BBC

Fontes –

http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2014/12/141225_tsunami_sobreviviente_testimonio_gl

http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2014/12/141224_tsunami_aniversario_indonesia_barco_jp?ocid=socialflow_facebook

A DESTRUIÇÃO DE MONUMENTOS HISTÓRICOS NA GUERRA CIVIL DA SÍRIA

A MEMBER OF FREE SYRIAN ARMY OPEN FIRE FROM HIS MACHINE GUN DURING CLASHES WITH SYRIAN ARMY FORCES IN ALEPPO

Como vem ocorrendo de forma quase que corriqueira, que nem sequer damos muita atenção aqui no Brasil, a trágica guerra civil na Síria continua sem resolução à vista e o número de mortos do conflito continua a subir. Sem dúvida que a perda de vidas humanas, a maior parte de civis, é algo verdadeiramente terrível neste conflito, que dia após dia está esfacelando um dos mais antigos povos do planeta.

Mas esta não é a única consequência desastrosa deste conflito – o patrimônio histórico e arquitetônico da Síria está sendo feito gradativamente em pedaços.

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A UNESCO verdadeiramente implorou para que ambos os lados da contenda respeitassem e protegessem os artefatos históricos sírios, verdadeiros tesouros da humanidade. Porém, dada a disposição do ditador Bashar al-Assad para matar impiedosamente dezenas de milhares de seus próprios cidadãos, é improvável que ele vá mostrar algum respeito por monumentos históricos de seu país.

Sem jamais esquecer e menosprezar a cataclísmica perda de vidas humanas, trago aos leitores do nosso Tok de História as terríveis fotos de cinco dos mais importantes monumentos históricos e arquitetônicos sírios, que foram danificados ou destruídos nesta sangrenta guerra civil:

1-Mesquita Umayyad

Localizado na antiga cidade de Aleppo, a Mesquita Umayyad é um monumento sírio qualificado pela UNESCO como Patrimônio Mundial.

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É também uma das mesquitas mais antigas e importantes do mundo. Tanto as forças do Regime  de Assad, quanto a sua oposição têm lutado pelo controle do prédio, absolutamente destruindo-o neste processo. O minarete que tinha quase 1.000 anos, foi finalmente derrubado no início deste ano.

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Em uma entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Helga Seeden, professora de arqueologia na Universidade Americana de Beirute, colocou essa perda no seguinte contexto: “Isto é como explodir o Taj Mahal, ou destruir a Acrópole em Atenas. Esta mesquita é um santuário de vida… Isso é um desastre. Em termos de patrimônio, este é o pior caso de destruição que já vi na Síria. Estou horrorizada”.

2-Mercado Al-Madina

Localizado  no coração da cidade de Allepo, com as suas ruas estreitas e longas, o mercado Al-Madina é o maior mercado histórico coberto do mundo, com uma extensão aproximada de 13 quilômetros.

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Até pouco tempo era um importante centro de comércio de bens de luxo importados, como a seda crua do Irã, especiarias e corantes da India e muitos outros produtos. Al-Madina também é o lar de produtos locais, tais como produtos agrícolas, sabão e a maioria de suas lojas remontam ao século 14.

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Listado como Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1986, foi amplamente queimado e grande parte destruído durante luta que começou em setembro de 2012.

3-Mesquita Al-Omari 

Esta mesquita, fundada no início do século VIII, tal como Umayyad, uma das mais antigas mesquitas do mundo.

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Durante os primeiros dias da guerra, ele serviu como um hospital de campanha e santuário para os oposicionistas.

Abandoned tank is seen on a street near the damaged minaret of the Omari mosque in Deraa

Em 2013, seu minarete foi destruído. Ambos os lados acusam o outro de ser responsável pela sua destruição.

4-Krak des Chevaliers

Uma dos seis locais listados como Patrimônio Mundial da UNESCO na Síria, o Krak des Chevaliers era um dos castelos medievais mais bem preservados do mundo. Combatentes da oposição lutam para manter o domínio sobre esta estratégica e importante fortaleza há mais de dois anos.

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Designado pelos muçulmanos como “qalajat al-Husn“, localiza-se na a 65 km a oeste da cidade de Homs, perto da fronteira com o Líbano. A expressão “Krak”, ou “Karak”, designa um tipo de fortificação erguida no Séc. XII e XIII pelos Cruzados, nas regiões das atuais Síria e Palestina. Tinham o objetivo de assegurar a defesa dos chamados “Reinos Latinos do Oriente”. Os principais Kraks eram este na Síria, que defendia o limite Nordeste do Condado de Trípoli, o Krak de Montreal, em al-Chawbak, defendendo o limite Sudeste do Reino de Jerusalém, e o Krak de Moab, em al-Karak, também no Reino de Jerusalém.

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O Krak des Chevaliers, ou Krak dos Cavaleiros, foi erguido sobre um esporão rochoso do deserto sírio. Mas isso não impediu o devastador bombardeio aéreo e de artilharia das forças do regime, com ápice no dia 21 de outubro de 2013. E essa devastação não tem fim à vista.

5-Palmyra

Esta é uma antiga cidade na Síria central, localizada num oásis a cerca de 210 km a nordeste de Damasco, capital deste antigo país.

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A localização estratégica da cidade, aproximadamente a meio caminho de distância que entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Eufrates, tornou-a num ponto de passagem obrigatório para muitas das caravanas que seguiam aí a sua rota comercial.

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Como as forças de oposição lutam contra o exército sírio em torno deste antigo oásis no deserto, as ruínas deslumbrantes tem sido abaladas por disparos de canhões, morteiros e foguetes.

De nossa parte rezamos pelo fim deste conflito.

E tem gente que ainda acha que uma das soluções para melhorar o Brasil seria uma guerra civil devastadora. Meu Deus, perdoai estas pessoas pois não sabem o que falam!

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Fontes – http://www.policymic.com/articles/71193/5-historical-monuments-have-been-destroyed-forever-during-syria-s-civil-war

http://pt.wikipedia.org/