Arquivo da tag: Colômbia

TESOUROS SUBMERSOS – AS PROFUNDEZAS DOS OCEANOS GUARDAM SEGREDOS INCRÍVEIS

treasure
Fonte – http://wjhl.com/2015/07/28/more-than-1-million-in-gold-found-off-treasure-coast/

AUTOR – Franklin Albagli

A história dos barcos e navios, assim como das navegações estão intimamente ligadas às aventuras da humanidade, sejam elas expedições de guerra, busca incessante pelo desconhecido ou mesmo, operações comerciais.

Seria impossível, totalmente infrutífero e sobretudo enfadonho, que aqui tivéssemos a pretensão de discorrer sobre a evolução das embarcações e das incursões cada vez mais audazes do bicho homem, arrostando a imensidão e fúria dos oceanos.

Todos nós já vimos nos livros de história, as façanhas das frotas mercantes e guerreiras da Grécia antiga, Roma e Cartago, remando e mais tarde velejando, cada centímetro do Mar Mediterrâneo, apropriadamente denominado pelos romanos de Mare nostrum, tal a familiaridade que tinham com o mesmo.

01c8a6dae789fb33f40d56f5f7a6e7af
Fonte – http://www.sfora.pl/polska/Polak-odkryl-warty-miliony-skarb-na-dnie-Baltyku-Zobacz-jak-tego-dokonal-g45763-48148

A história tem registros que por volta de 340 A.C, o navegador grego Píteas de Massália, aventurou-se pelo desconhecido, saindo do mar egeu, penetrando no mediterrâneo, passando pelas “Colunas de Hércules”, adentrou no Atlântico, chegando até a Europa ocidental e à Inglaterra.

Quem não foi tomado por grande admiração ao saber das longas viagens empreendidas pelos vikings através do tempestuoso atlântico norte, comprovando-se hoje a descoberta da Groenlândia por Erik o Vermelho e pouco mais tarde, a descoberta da América, mais precisamente da Ilha de Baffin pelo descobridor acidental Berjani Herjölfsson que buscava desesperadamente os seus pais que faziam parte da expedição de Erik, o Vermelho.

Na península do Labrador, Ilha de Newfoundland, foi erigida na primeira colônia da América, pasmem, cinco séculos antes de Cristóvão Colombo pisar em terras americanas, supostamente nas areias da Ilha de Guanahani, nas Bahamas!

article-2090125-1167159D000005DC-560_634x386
Fonte – http://www.dailymail.co.uk/news/article-2090125/HMS-Victory-recovered-sea-bed-300-years-sank-carrying-treasure-worth-500m.html

A título de ilustração, cabe registrar que os historiadores, até hoje não conseguiram decifrar qual a razão que levou os vikings a abandonarem aquela colônia rica em madeiras e caça, apenas decorridos cinquenta anos da sua implantação.

Depois vieram os suecos, holandeses, ingleses, espanhóis e portugueses, todos eles hábeis navegadores, ávidos pelo comércio e sobretudo pelas pilhagens em novas terras assim como nos saques dos navios inimigos, não raro, carregados de riquezas.

É impossível avaliar os tesouros perdidos no fundo dos oceanos, resultado de naufrágios das embarcações que os transportavam, seja em razão da fúria da natureza, seja por atos de guerra de inimigos.

107123373
Fonte – https://www.haaretz.com/archaeology/1.777473

Impossível porque quase sempre não existem registros a respeito. Aqui e ali, pesquisadores de documentos antigos encontram pistas, seguem-nas com persistência e são recompensados com valiosíssimos achados.

Riquezas incalculáveis foram pilhadas pelos espanhóis quando subjugaram os povos das civilizações pré-colombianas. Claro, tudo isso era reunido, embarcado em galeões e enviado para a corte espanhola numa longa e perigosa viagem, sujeita a todo tipo de perigos.

Alguns restos de naufrágios de navios espanhóis daquela época, já foram descobertos na região da Flórida, enriquecendo empresas, pessoas e também provocando intermináveis batalhas judiciais.

gold-doublon-coin-pirates-treasure-spanish-armada-coin
Dobrões de ouro espanhóis – Fonte – http://picclick.ca/Gold-Doublon-Coin-Pirates-Treasure-Spanish-Armada-Coin-291468851789.html

Um dos mais famosos naufrágios que se tem notícia é o do navio Nuestra Señora de Atocha, que transportava para a Europa, tesouros resultantes das pilhagens espanholas. Naufragou no dia 6 de setembro de 1622, quando cruzou com um furacão na altura do arquipélago Flórida Keys. Em 1985, o americano Mel Fischer conseguiu encontrar parte do carregamento, permanecendo ainda embaixo d’água, encobertos pelos sedimentos, dezessete toneladas de prata, vinte e sete quilos de esmeraldas, 128 mil moedas de ouro e trinta e cinco caixas contendo lingotes de ouro.

Recentemente, o governo colombiano anunciou a descoberta dos destroços do galeão espanhol San José que naufragou em 1708, no litoral de Cartagena, sendo integrante da frota do rei Felipe V que lutou contra a Inglaterra na Guerra da Sucessão Espanhola enquanto tentava escapar de uma batalha naval travada com navios britânicos, certamente interessados na pilhagem de tesouros existentes.

Os registros descobertos, indicam que o San José transportava seiscentos tripulantes, certamente soldados, dos quais só onze sobreviveram e seiscentas toneladas de ouro, prata e esmeraldas que estavam sendo levada da Nicarágua para a Espanha, fortuna essa avaliada em US$ 17 bilhões.

tesouros4
Ricas porcelanas recuperadas em naufrágio – Fonte – http://www2.uol.com.br

Comprovadamente, os destroços são mesmo do San José, confirmação esta efetuada pela gravação existente nos canhões. Antes, porém das providencias para resgate do tesouro, há a necessidade de definir a quem pertence toda a riqueza.

A Colômbia alega que o achado está em suas águas, exatamente no Parque natural de Corales de San Bernardo, sítio incluído pela UNESCO na Seaflower MarineA Espanha por seu turno, reivindica o tesouro, alegando que a nau era do estado espanhol e, por conseguinte, a sua carga.

Em sentido contrário, a empresa Sea Search Armada (SSA), cujos acionistas são poderosos empresários e políticos americanos”, segundo a revista colombiana Semana, reivindica parte do tesouro com o argumento de ter localizado o navio antes e ter fornecido as coordenadas ao Serviço Arqueológico da Colômbia.

2CDAC26F00000578-3251868-During_the_latest_dive_experts_spent_a_total_of_40_hours_on_the_-a-5_1443434278694
Fonte – http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3251868/Return-Antikythera-Shipwreck-divers-unearth-50-new-treasures-board-game-pieces-THRONE.html

Claro está que muita briga ainda rolará e inúmeros tribunais estarão envolvidos.

Dentro dessa mesma linha, não há como omitir a disputa existente entre a Odissey Marine Explorer dos Estados Unidos com o governo espanhol, sobre os achados no galeão Nuestra Señora de La Mercedes.

O naufrágio foi localizado na costa de Algarves em Portugal e resgatados em 2007 cerca de € 500 milhões em ouro e prata, fortuna essa que a Odissey Marine Explorer, levou de Gibraltar para os Estados Unidos através de avião fretado.

Felizmente para os proprietários, nem sempre os tesouros transportados por via marítima se perdem.

1412889713165_wps_22_Greek_technical_diver_Ale
Fonte – http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3251868/Return-Antikythera-Shipwreck-divers-unearth-50-new-treasures-board-game-pieces-THRONE.html

Em junho de 1940, no auge da blitzkrieg alemã, quando a derrocada da França ameaçava a Grã-Bretanha com iminente invasão, Winston Churchill, recentemente empossado como premier, reuniu o seu gabinete em sessão secreta e decidiu numa cartada desesperada, transportar mais de £1.800.000.000 em ouro e títulos para o Canadá.

Os embarques deveriam atravessar o atlântico norte infestado de submarinos alemães e uma vez a salvo no Canadá, seriam utilizados para pagar mercadorias de guerra e víveres tão necessários na Inglaterra e que eram pagos numa base à vista pois nessa época ainda não vigorava a Lend lease.

Todo esse tesouro atravessou o oceano em viagens sucessivas, entre junho e setembro de 1940, sujeito aos azares da guerra, não se perdendo uma moeda de ouro sequer, sendo importante salientar, que somente no mês de junho de 1940, quando os transportes tiveram início, foram postos a pique no atlântico norte 57 navios totalizando 350.000 toneladas!

2CDAED9400000578-3251868-The_ten_man_dive_team_also_recovered_items_including_an_intact_a-a-14_1443434447174
Fonte – http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-3251868/Return-Antikythera-Shipwreck-divers-unearth-50-new-treasures-board-game-pieces-THRONE.html

Essa fortuna representava todo o ativo líquido da Grã-Bretanha, equivalendo em valores brutos a todo o ouro e prata saqueados por Cortez e Pizarro no México e no Peru e mais todo o ouro extraído nas corridas da Califórnia e Klondike no Alasca.

Outros transportes, porém, não foram tão afortunados. A partir do outono de 1941, a Rússia se batia contra os exércitos alemães e recebia ajuda dos aliados anglo-americanos, através de comboios que partiam de portos ingleses até o porto de Murmansk.

No percurso de ida, os comboios tinham a denominação PQ seguida de numeração. Levavam tanques, aviões, caminhões motores, canhões munições, tudo o que exigia o esforço de guerra, tão necessários aos exércitos de Josef Stalin, regressando com a nomenclatura QP, geralmente, apenas com lastro e, eventualmente, transportando valores correspondendo aos pagamentos das mercadorias entregues, normalmente mediante lingotes de ouro bolchevique.

Photo06clEdinburgh1NP
HMS Edinburgh – Fonte – http://www.naval-history.net/xGM-Chrono-06CL-Edinburgh.htm

No dia 30 de abril de 1942, o cruzador ligeiro H.M.S. Edinburgh, fazia parte da escolta do comboio QP- 11, levando nos seus compartimentos £ 45 milhões em ouro, um dos pagamentos efetuados pelos russos.

Recebeu dois torpedos do submarino alemão U-452, ficando danificado, sendo mais tarde atacado por destróieres alemães, foi a pique com a perda de sessenta homens da tripulação e todo o ouro.

Em 1981, um antigo mergulhador nas plataformas petrolíferas do Mar do Norte, Keith Jessop, constituiu pequena empresa de salvamento denominada Gessop Recovery Marine Ltd., formou um consórcio com três outras empresas de resgate, a Wharton Williams Ltd, que lidou com as operações de mergulho; a Offshore Supply Association, que forneceu o navio de salvamento e tripulação; e a Racal Decca Survey Ltd, que forneceu o equipamento hidrográfico.

d
Local do afundamento do HMS Edinburgh

Naturalmente, a operação foi dificílima, consistindo no resgate mais profundo já realizado, numa região de muitos complicadores pois o Mar de Barents é uma das porções de oceano mais pavorosas que existem, geralmente tempestuoso e sujeito a baixíssimas temperaturas.

A operação foi financiada por uma série de investidores privados que colocaram cerca de £ 2 milhões na operação.  A Jessop Marine não forneceu os nomes dos investidores pois os mesmos colocaram o dinheiro na condição estrita do anonimato, seja porque eles não queriam se associar a “a imagem da caça ao tesouro”, ou eles estavam preocupados em estarem envolvidos na “profanação de túmulos de guerra”.

O resgate foi um sucesso retumbante, encorajando a Jessop Marine a outras incursões.

As possibilidades de resgates milionários são enormes não só nas antigas rotas dos galeões espanhóis, mas também nos mares no entorno da Grã-Bretanha. No entanto, as opções podem ser reduzidas pois o forte de Jessop é o trabalho em profundidades anteriormente consideradas inatingíveis.

sm-admiral-nakhimov-russian-navy_lc-d4-21138
O Almirante Nakhimov em 1893 – Fonte – https://laststandonzombieisland.com/tag/admiral-nakhimov/

Mais ao gosto da Jessop Marine, são os soberanos de ouro e os lingotes de platina existentes no cruzador tzarista Almirante Nahkhimov afundado pelos japoneses nas frias águas do estreito de Tsushima durante a guerra russo-japonesa em 1905. As estimativas são de que este tesouro esteja na faixa de £16 milhões. Mas qualquer tentativa de salvamento nessa vertente, entretanto,  envolveria Jessop em um cabo de guerra entre o Japão e a Rússia, ambos reivindicando o tesouro.

Existem também várias toneladas de ouro no naufrágio de um navio de carga alemão torpedeado pelos britânicos durante a Primeira Guerra Mundial em 1917, e cerca de £ 20 milhões a bordo da fragata Lutine que afundou, também na costa holandesa, em 1799.

Contudo, a operação mais provável da empresa de Jessop talvez seja a exploração dos destroços do famoso transatlântico Lusitânia, afundado por um submarino alemão em 1915 em Old Head of Kinsale, na Irlanda. Os rumores dão conta de que nos seus porões pode existir tesouro no valor de £12 milhões. A localização do naufrágio é conhecida com exatidão e a profundidade onde eles repousam, atualmente não representa problemas para a tecnologia disponível.

957178
Foto do navio SS Porta, navio irmão do SS Minden – Fonte – http://icelandmonitor.mbl.is/news/news/2017/04/11/german_shipwreck_minden_s_cargo_partly_owned_by_bri/

O Minden, navio alemão afundado em setembro de 1939, teria sido identificado no primeiro semestre do ano em curso, quase 80 anos após seu afundamento, a cerca de 190 km de distância do litoral islandês, graças às atividades da empresa britânica especializada em recuperação de navios afundados Advanced Marine Services.

Ele estaria carregado com cerca de quatro toneladas de ouro, equivalendo a cerca de £ 110 milhões de euros (cerca de R$ 407 milhões). Pouco antes de eclodir a Segunda Guerra Mundial, o ouro tinha sido retirado do Banco Germânico, uma filial brasileira do banco alemão Dresden.

Quando estava se aproximando da Europa, o Minden foi identificado e abordado por cruzadores da marinha britânica HMS Calypso e HMS Dunedin. Adolf Hitler em pessoa ordenou ao capitão que afundasse o navio para não permitir que os britânicos obtivessem a carga. A tripulação do Minden foi resgatada pelo HMS Dunedin e levada para a base naval de Scapa Flow, nas Ilhas Órcades, um arquipélago no norte da Escócia.

Nem todos os historiadores concordam se o ouro ainda está a bordo do navio, mas as elevadas despesas já realizadas pela Advanced Marine Services para recuperar os restos do Minden seriam indícios da presença de algo muito valioso a bordo.

article-0-1420C6EA000005DC-132_634x363
O navio SS Gairsoppa – Fonte – http://www.dailymail.co.uk/news/article-2176025/SS-Gairsoppa-US-company-recovers-48-tons-silver-British-wartime-shipwreck.html

Um naufrágio milionário, sobre o qual não podemos deixar de falar refere-se ao do navio SS Gairsoppa.

Gairsoppa, fazia parte do comboio SL-64 na rota  Calcutta – Freetown  – Galway – Londres. Transportava  2600 toneladas de ferro gusa, 1765 toneladas de chá, 2369 toneladas de carga geral e 240 toneladas de lingotes e moedas de prata , valendo aproximadamente £ 150 milhões. Por volta da meia noite do dia 17 de fevereiro de 1941, o navio estava escoteiro , isto é, sozinho,desgarrado do comboio por conta da sua baixa velocidade e do tempo tempestuoso, quando foi torpedeado e afundado pelo submarino U-101. Dos 86 homens da tripulação, apenas um sobreviveu. O navio foi localizado a cerca de 480 km da costa irlandesa, a uma profundidade de 4900 metros, o que vale dizer, região abissal mais profunda que aquela  onde repousa o RMS Titanic.

f
Local do naufrágio do SS Gairsoppa.

Após a confirmação da descoberta, o Reino Unido , através de certame específico, selecionou empresa para ficar incumbida do resgate, esse especial, levando-se em conta a profundidade e somente exequível com utilização de submersíveis não tripulados. Sagrou-se vencedora do certame a americana Odyssey Marine Exploration, aquela mesma que resgatou o tesouro do galeão Nuestra Señora de las Mercedes, na costa de Algarves em Portugal e trava intensa batalha jurídica com o Governo espanhol. Nesse salvamento, entretanto, todas as cláusulas foram acertadas com o Governo britânico, ficando a Odissey Marine com substancial parcela de 80% do tesouro e os restante 20% para o erário público inglês.

Não poderíamos deixar de fazer referência também ao navio tipo Liberty Ship e batizado como John Barry torpedeado pelo submarino U-858 no litoral da Arábia Saudita em 28 de agosto de 1944. Fazia a rota Philadelphia – Áden e transportava, além de 8200 toneladas de carga geral, 2000 toneladas de prata em lingotes e moedas, equivalendo a US$ 26 milhões. Da tripulação de 68 homens, dois pereceram e 66 foram salvos e levados para Koramshar no Irã.

john_barry
O navio SS John Barry – Fonte – https://uboat.net/allies/merchants/ships/3340.html

Um grupo comprou os direitos de salvatagem e a partir de uma complicada tecnologia, conseguiu recuperar boa parte das moedas de prata que foram cunhadas na Filadélfia e enviadas à Arábia Saudita desde 1943, como meio circulante para aquele jovem país

Naquele tempo, estava ativa a ARMCO – Arabian American Oil Company, um poço promissor fora descoberto em Dahrein, o SS John Barry, levava, além da carga de moedas e presumíveis lingotes, muitos veículos, equipamentos Caterpillar, tubulações etc. destinados que seriam à construção de uma nova refinaria.

Pois bem, conforme dissemos mais atrás, a operação de resgate foi bem sucedida no tocante ao resgate das moedas de prata, mas nenhum lingote foi encontrado, permanecendo o mistério pois informações oficiais, evidentemente secretas, davam conta do transporte de lingotes de prata.

s
Local do afundamento do John Barry

De inúmeras partidas de moedas da Filadélfia até a Arábia Saudita, somente o carregamento do SS John Barry, perdeu-se, sendo recuperado meio século depois.

Fontes da pesquisa:

https://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Edinburgh

http://www.shipwreck.net/ssgairsoppahistoricaloverview.php

http://www.naval-history.net/xGM-Chrono-06CL-Edinburgh.htm

https://uboat.net/allies/merchants/ships/3340.html

http://archive.aramcoworld.com/issue/199702/the.silver.ship.htm

Super interessante

Imagens – Internet

 

 

Anúncios

HENRY MORGAN: O VERDADEIRO PIRATA DO CARIBE

captain-henry-morgan-portrait-color
Henry Morgan – Fonte – http://www.caribbeanvacations.net/henry-morgan-caribbean-pirate/

Desde a sua conquista pelos britânicos a Jamaica tornou-se um ninho de piratas prontos para atacar navios e cidades espanholas. O mais famoso destes “Bandoleiros do mar” foi o galês Henry Morgan. Conheça aqui um pouco de sua incrível História.

Autor – Rostand Medeiros – Escritor e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN

Na primavera de 1655 uma armada inglesa cruzou o Oceano Atlântico e o Mar do Caribe, tendo como objetivo a ilha de La Española, ou Hispaniola (hoje ilha de Santo Domingo, onde se situa o Haiti e a República Dominicana). Este lugar era o coração do império americano da monarquia espanhola, com a qual a Inglaterra tinha entrado guerra.

2ef2b69f2523b0a4303e5825f37b84cc
Arte – 1artstyle.eu – Fonte – https://br.pinterest.com/pin/532198880939107161/

Mas o ataque falhou e os britânicos tiveram de se contentar com a captura de uma ilha seis vezes menor, chamada pelos nativos Xaymaca, “terra de madeira e água”.

Em pouco tempo, neste local nem um pouco convidativo, que ficou conhecido como Jamaica, metade dos conquistadores ingleses morreram de disenteria e outras doenças tropicais. Mesmo assim a Coroa Britânica considerava que a Jamaica era um valioso espólio. Além de madeira, água e doenças, a ilha estava no meio do caminho da passagem do ouro que era espoliado pelos espanhóis no Novo Mundo.

portroyal
Port Royal, covil de piratas – Fonte – http://www.cycroft.net/2015/05/jamaican-history-and-culture-english.html

A Jamaica, com a sua pequena comunidade de Port Royal, se tornou o foco do incêndio destinado a queimar as possessões espanholas na América. E o portador da tocha seria um galês chamado Henry Morgan.

Vida de Aventuras

Nascido em 1635, em Llanrhymny, Condado de South Glamorgan, no sul do País de Gales, Morgan veio do ramo mais pobre de uma ilustre família galesa. Aos 21 anos ele embarcou voluntariamente em uma expedição naval contra os espanhóis. Buscava fortuna e fama e nesta ocasião conseguiu seu batismo de sangue. Outra versão aponta que Morgan foi raptado ainda criança na cidade de Bristol e vendido como um servo na ilha de Barbados, no Caribe. Consta que sua chance veio em 1654, aos 19 anos de idade, quando escapou de seu dono e conseguiu ser recrutado em um barco de corsários. No outro ano participou do frustrado ataque contra Hispaniola e da ocupação da Jamaica.

SONY DSC
Barco típico da Marinha da Inglaterra, a Royal Navy, no século XVII. Neste caso vemos um quadro australiano de 1933, representando o HMS Roebuck – Fonte – http://www.aasd.com.au/index.cfm/list-all-works/?concat=allcotjohn&order=1&start=151&show=50

O certo que nos anos seguintes ele esteve presente em vários e numerosos ataques britânicos contra as fortalezas espanholas no Caribe. Estes ataques foram conduzidos por capitães de navios corsários que obtiveram da coroa britânica cartas de corso, que lhes autorizavam a agressão e a pilhagem contra navios ou enclaves hispânicos. Naturalmente que para os espanhóis estes corsários eram apenas piratas, bandidos, assaltantes e etc. Todos deveriam ser enforcados e suas cartas de corso poderiam ter outras serventias nas horas de aperto estomacal.

Apesar disso, em 1666, onze anos depois de entrar nesta vida complicada, Morgan já era capitão do seu próprio navio e o governador da Jamaica ordenou-lhe não parar de assediar os espanhóis. Ordem que foi executada com todo entusiasmo contra várias comunidades e assentamentos em Cuba, Panamá e Venezuela. Como um membro da frota de Christopher Myngs, o capitão Morgan realizou diversas ações contra o porto de Santiago, em Cuba, e a Península de Iucatã, no México.

Os Piratas Da Ilha Tortuga

Sabe-se que Morgan se associou ao famoso corsário holandês Eduard Mansvelt, então o líder dos corsários, bucaneiros e piratas da ilha Tortuga. Esta ilha, a noroeste de Santo Domingo (atualmente em território haitiano), era à base de um famoso grupo de bandidos de várias nacionalidades, que se dedicavam a atacar navios espanhóis e suas cidades portuárias. Mansvelt morreu executado pelos espanhóis logo depois que Morgan entrou no bando e o galês lhe sucedeu como chefe dos piratas de sua “Hermandad de la Costa”.

tortuga
Foto atual da costa da Ilha Tortuga – Fonte – http://www.caribvacationsguide.com/trips-and-ideas/finding-the-real-pirates-of-the-caribbean/attachment/tortuga/

No ano de 1668 Morgan realizou a primeiro de várias ações ousadas que moldaram a sua lenda e marcariam o seu nome.

Com a desculpa de frustrar um plano de ataque espanhol contra a Jamaica, Henry Morgan navegou contra uma das mais poderosas fortalezas do império espanhol no Novo Mundo: Portobello.

Localizada no atual Panamá, a cidade de Portobello era protegida pela linha de fogo proveniente de três fortalezas estrategicamente construídas, mas com reduzidas guarnições. Junto com 400 homens, Morgan lançou um ataque surpresa durante a noite e ao amanhecer tinha tomado o primeiro dos fortes. Mesmo com defensores corajosos, o segundo baluarte caiu logo em suas mãos.

exq_morgan_portobelo_800
Piratas de Morgan atacando a cidade de Portobello. Ilustração do livro de Alexander Olivier Exquemelin’s, “The Buccaneers of America”, de 1681 – Fonte – http://www.bruceruiz.net/PanamaHistory/henry_morgan_1768.htm

Tenham em mente que esses atacantes marítimos possuíam maior poder de fogo e melhor treinamento: os mosquetes dos homens de Morgan eram mais precisos do que os arcabuzes das forças espanholas.

Além disso, os piratas de Morgan não tinham regras como os militares profissionais e nem maiores escrúpulos. Isso ficou evidenciado em um dos atos mais controversos de sua carreira – Morgan e seus homens utilizaram mulheres, idosos, freiras, frades e monges como escudos humanos em uma das fortalezas conquistadas. Quando um tiro de canhão espanhol foi disparado e dois frades ficaram feridos, pouco depois veio a resposta – Da torre de uma das duas fortalezas conquistadas pelos piratas, os espanhóis visualizaram uma bandeira vermelha acenando freneticamente.

440fc2046fcabb0f21768ddaf0b6b826
Fonte – https://global.britannica.com/biography/Henry-Morgan-Welsh-buccaneer

No começo não entenderam a razão para os piratas fazerem aquilo, mas na sequência os ibéricos ficaram estarrecidos diante da morte de cinquenta espanhóis. Evidente que aquele sinal indicava que os homens de Morgan não teriam piedade com a guarnição do último ponto de resistência espanhol da cidade, caso continuassem se defendendo. Logo estes soldados se renderam e pelos dias seguintes Morgan e seus homens saquearam completamente a cidade. Foi uma verdadeira orgia de terror e sangue. As pessoas que se recusaram a entregar suas riquezas foram torturadas sem piedade.

f059ca2096
Ataque pirata – Fonte – https://global.britannica.com/biography/Henry-Morgan-Welsh-buccaneer

Quando o governador do Panamá, Don Agustín, apareceu com uma frota espanhola diante de Portobello e ameaçou os piratas de Morgan com a captura e execução, este respondeu arrogantemente através de um emissário: “Não tarde a chegar, lhe aguardamos com grande prazer. Nós temos pólvora e balas para cumprimentá-lo. E se você não vier em breve, nós, com a ajuda de Deus e de nossas armas, vamos lhe fazer uma visita no Panamá”.

Depois de uma tentativa fracassada das tropas de Don Agustín para recapturar a cidade pela força – seu exército de 800 soldados foi repelido pelos piratas – ele negociou um resgate de 100.000 pesos.

gold-doublon-coin-pirates-treasure-spanish-armada-coin
Dobrões de ouro espanhóis – Sonho dos piratas – Fonte – http://picclick.ca/Gold-Doublon-Coin-Pirates-Treasure-Spanish-Armada-Coin-291468851789.html

Após o pagamento, mais o que arrecadou na pilhagem da cidade, Morgan voltou a Port Royal com algo entre 70.000 e 100.000 mil libras em dinheiro e objetos de valor (algo entre 10,1 milhões e 14,5 milhões de libras em 2016). Cada membro do grupo recebeu 120 libras (17.400 libras em 2016) – o equivalente a cinco ou seis vezes o salário médio de um marinheiro na época. Não era a toa que seus homens lhe devotavam obediência cega! 

Morgan recebeu uma quota de cinco por cento pela sua obra e o governador da Jamaica ganhou uma quota de dez por cento sem nem tirar a espada da bainha. Com essas ações Morgan passou a ser visto como um herói nacional na Inglaterra e nem ele nem o governador da Jamaica foram repreendidos por suas ações.

efcd9fc0f8b0231a8f98c102c4f217e4
Arte – theconceptartblog.com – Fonte – https://br.pinterest.com/pin/263249540694857998/

Reza a lenda que ao voltarem para Port Royal, a maioria dos homens de Morgan gastou em farras, prostitutas e bebedeiras a quase totalidade do que receberam pelo saque de Portobello. Diziam que eles beberam tal quantidade de rum, que seria capaz de matar o próprio diabo.

Batalha Naval em Maracaibo

Mas Morgan não descansou muito tempo. Em abril de 1669, apesar da ameaça de um exército enviado contra ele pela coroa espanhola, o capitão galês organizou uma nova expedição.

655d326b60d3dbd0448d4012c203e7ea
Navio pirata no porto – Fonte – https://br.pinterest.com/pin/860469072524027786/

O evento reuniu dez barcos e 900 homens sob as suas ordens e sua intenção era atacar a rica cidade de Cartagena de Índias (atual Cartagena, na Colômbia), o centro do universo espanhol no Novo Mundo e um dos mais importantes portos comerciais durante o período colonial espanhol nas Américas.

Mas desta vez a sorte estava do lado dos espanhóis. Houve um incêndio no paiol de munições do navio de Morgan, o Oxford, e tudo explodiu. Morreram cerca de 200 pessoas, mas o capitão sobreviveu. O que não sobreviveu foi o plano para tomar Cartagena. Em vez disso ele voltou seu olhar para a cidade de Maracaibo, outra presa muito apetitosa e localizada na atual Venezuela.

Ninguém resistiu quando a frota Morgan entrou no Lago Maracaibo. Seus homens saquearam a cidade, devastada apenas dois anos antes pelo ataque do terrível pirata francês Jean-David Nau, mais conhecido como El Olonés.

e97d887cc4e26e52bc8a8321dc9f95e8
Ataque do pirata francês Jean-David Nau, mais conhecido como El Olonés, a Maracaibo em 1667 – Fonte – https://global.britannica.com/biography/Henry-Morgan-Welsh-buccaneer

Mas enquanto os piratas ficavam entretidos em saquear, roubar, pilhar, estuprar e matar quem se opunha a eles, o almirante espanhol Dom Alonso Del Campo Y Espinosa o esperava na estreita passagem que ligava o Lago de Maracaibo ao Mar do Caribe.

Espinosa ordenou o fechamento do canal posicionando alguns navios de sua propalada “Armada de Barlovento” e igualmento próximos ao ponto onde se situa a Fortaleza de San Carlos de La Barra.

castillo_san_carlos_zulia
Vista atual da Fortaleza de San Carlos de La Barra – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Henry_Morgan

Estas naves estavam equipados com um total de 126 canhões, prontos para detonarem os piratas.

Aquela era uma grande oportunidade para os espanhóis abalar, ou até mesmo acabar, com a pirataria no Caribe. Isso se daria através da morte, ou da prisão, do mais bem sucedido pirata conhecido.

picture-of-henry-morgan-at-porto-bello
Henry Morgan na posição de conquistador, diante de um prisioneiro – Imagem reproduzida do livro “Buccaneers and Marooners of the Spanish Main”, de , Howard Pyle, de 1887 – Fonte – http://www.thewayofthepirates.com/picture/picture-of-henry-morgan-at-porto-bello/

Só que naquelas eras não era anormal ocorrerem muitas negociações antes dos combates, fossem estes em terra e até mesmo no mar. E assim ocorreu entre Morgan e Espinosa. As negociações continuaram por uma semana, mas não houve acordo que permitisse que Morgan e seus homens pudessem passar pela frota sem combate. Aos piratas só havia duas alternativas: rendição ou lutar até a morte.

Parecia que os saqueadores saídos da Jamaica não teriam escapatória. Mas Morgan foi capaz de manter a calma e, acima de tudo, a inteligência.

morgan_trapped_maracaibo
Ataque de Morgan contra os navios de Don Alonso Del Campo Y Espinosa, com destaque para a explosão do Magdalen a direita – Fonte – http://www.cindyvallar.com/HenryMorgan-Ellery.html

Ele conseguiu converter um navio mercante capturado em um aparente navio de guerra. Troncos de madeira com chapéus serviram para fazer os espanhóis acreditarem que o navio estava totalmente tripulado e, para torná-lo aparentemente mais fortemente armado, vigias adicionais foram cortadas no casco e foram colocados troncos pintados de negro para se assemelharem a canhões. Mas principalmente este barco foi extensamente carregado com barris de pólvora, tornando-o uma verdadeira bomba flutuante.

Então, no dia 1 de maio de 1669, Morgan e sua flotilha atacaram a esquadra espanhola. Enquanto a fuzilaria ocorria entre os oponentes, o barco carregado com barris de pólvora foi conduzido por 12 valentes piratas no meio da refrega. Basicamente estes homens navegaram até ficarem ao lado da nau capitânia de Espinosa, o Magdalen. Estando posicionados, com muito sangue frio acenderam os estopins da pólvora e pularam na água.

henry_morgan_destroys_the_spanish_fleet_at_lake_maracaibo
Morgan destrói a “Armada de Barlovento” em 1669, com destaque para a explosão do Magdalen a direita – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Henry_Morgan#/media/File:Henry_Morgan_Destroys_the_Spanish_Fleet_at_Lake_Maracaibo.jpg

O plano do “navio bomba” funcionou perfeitamente e o Magdalen ficou logo em chamas. Espinosa abandonou seu navio e seguiu para a Fortaleza de San Carlos de La Barra, onde continuou a dirigir os eventos contra Morgan e seus homens. Mas nada deu certo para os espanhóis naquele combate. Uma segunda embarcação espanhola naufragou ao tentar escapar e uma terceira foi capturada pelos piratas.

Logo Morgan e seus homens desfrutavam da vitória na Jamaica.

Atingindo o Coração do império

Morgan ficou na sua bela ilha pelos próximos dois anos, levando uma vida de cavalheiro e latifundiário.

pirate_ship_a
Fonte – https://br.pinterest.com/pin/263249540694857998/

As autoridades britânicas tinham sido instruídas para evitar ações de pirataria contra os espanhóis e o galês teve de suspender suas pilhagens. Mas no final de 1670, em retaliação a um ataque de um corsário espanhol, Morgan preparou uma nova expedição. Seu objetivo desta vez foi a Cidade do Panamá, a “casa das máquinas” do Império Espanhol no Novo Mundo.

Quando a notícia se espalhou em todo o Caribe, respeitado como Henry Morgan era, centenas de piratas partiram para o local de encontro no sul da ilha Tortuga. Concentraram-se na região mais de cinquenta navios e 1.500 piratas: a armada pirata mais colossal na história das Índias Ocidentais.

panama_morgans_raid
Mapa do Istmo do Panamá – Fonte – http://pirates.wikia.com/wiki/Henry_Morgan

Os navios da frota de Morgan lançaram âncora na foz do rio Chagres, no Istmo do Panamá, onde conquistaram uma fortaleza espanhola. Em seguida os piratas seguiram a pé através do Istmo para alcançar à costa do Pacífico e o seu objetivo. Durante dez dias eles cruzaram montanhas, rios e pântanos. O grupo sofreu com a fome, doenças, dor, ataques de animais e emboscadas dos inimigos.

Finalmente lhes foi oferecido a visão da Cidade do Panamá no horizonte, uma das mais ricas e mais prósperas comunidades da América Espanhola. Mas a cidade era defendida por 1.200 homens de infantaria e 400 cavaleiros, todos sob o comando de Dom Juan Pérez de Guzmán.

pirates-sack-panama-1671-raid-by-captain-henry-morgan-on-the-spanish-ar919x
Ataque de Morgan a Cidade do Panamá – Fonte – http://www.alamy.com/stock-photo-pirates-sack-panama-1671-raid-by-captain-henry-morgan-on-the-spanish-15978373.html

Morgan sabia que seus homens, cansados da viagem, pouco poderiam fazer em caso de um ataque frontal e decidiu atacar pelo lado menos esperado. Forças espanholas partiram em perseguição dos piratas, mas sofreram uma salva de chumbo e fogo devastadora.

Em meio a um grande tumulto, os piratas conseguiram entrar na cidade e depois de várias horas de luta nas ruas tomaram o controle.

incendio-de-panama-por-pirata-morgan
Incêndio na Cidade do Panamá – Fonte – https://hispanoamericaunida.com/2014/04/

Mas, enquanto isso acontecia, começou um incêndio de grandes proporções. Até hoje não se sabe se isso ocorreu por ordem de Morgan, por ordem do governador espanhol, ou por acidente. O certo é que a velha Cidade do Panamá foi queimada até o chão. O estrago foi tão grande que os ibéricos tiveram de reconstruir a cidade em um novo local.

saqueo_panama
Morgan saqueando o Panamá – Fonte – http://revistadehistoria.es/wp-content/uploads/2016/04/saqueo_panama.gif

A batalha foi uma derrota total para os espanhóis. Estes perderam entre 400 e 500 homens, contra poucos corsários mortos.

Morgan e seus homens ainda permaneceram três semanas no Panamá, dedicados, como de costume, a acumular saques, torturar em busca de tesouros, estuprar por diversão e matar quem lhes fizesse alguma oposição.

No entanto, o governador espanhol tinha recebido informações da chegada dos nada discretos piratas de Morgan e havia conseguido carregar todos os barcos disponíveis com o ouro e a prata existente para a Espanha.

zpage152
Morgan impondo suas ordens – Fonte – http://www.heritage-history.com/books/stockton/buccaneers/zpage152.gif

Embora o saque dos piratas não fosse desprezível, muitos dos atacantes se queixaram de que tinham ganhado, afirmando era um valor menor do que conseguiram no ataque Portobello. Consta que Morgan saiu do Panamá com seus mais fiéis seguidores e deixou alguns dos piratas que reclamaram na foz do rio Chagres para se haverem com os inimigos.

Herói na Terra de Sua Majestade

Mas as coisas tinham ido longe demais.

Ao voltar para a Jamaica o capitão Morgan foi preso e enviado para a Inglaterra para ser julgado como um pirata.

captain_henry_morgan_before_panama_1671
Henry Morgan era visto na Inglaterra mais como um heroico conquistador, do que como um pirata – Fonte –

Mas ele não tinha nada a temer. Na sua fria terra ele foi recebido como um herói popular. Morgan permaneceu provavelmente em liberdade durante todo seu tempo em Londres, e o humor político mudou em seu favor. Morgan nunca foi acusado de um único crime em toda sua vida.

O rei Charles II o mandou de volta para a Jamaica como Vice-governador da ilha e foi sagrado cavaleiro, recebendo o título de “Sir”. Mas com a condição do capitão Morgan renegar sua vida anterior e passasse a atuar em uma batalha sem quartel contra a pirataria. E Morgan, que não era imbecil, aproveitou a oportunidade e fez valer sua autoridade.

king_charles_ii_by_john_michael_wright_or_studio-590x324
O monarca inglês Charles II (1660-1685), que sagrou Henry Morgan cavalheiro – Fonte – http://www.anglotopia.net/british-history/monarchs-charles-ii-1660-1685/

Mas na prática ele continuou suas relações amigáveis com muitos capitães piratas, e investiu algum dinheiro em seus navios.

Com a dispersão dos piratas aventureiros da Jamaica e de Tortuga, o agora Sir Henry Morgan, que tinha passado grande parte de sua vida ouvindo o som do agudo do choque das armas de aço, prosperou na tranquilidade. Mas não seu espirito!

Passou a beber muito e morreu na cama em 25 de agosto de 1688.

9b975e5e12c5fba249368fd5a7e43bab
Henry Morgan – Fonte – https://br.pinterest.com/pin/265642077994936597/

Ele foi enterrado no cemitério de Port Royal, seguido por uma salva de 22 tiros de canhões dos navios ancorados no porto. 

Sir Henry Morgan foi um homem de coragem, determinação, bravura e carisma. Ele era um planejador, um estrategista militar brilhante e intensamente leal ao seu rei, ao seu país e a Jamaica. Mas ao contrário de muitos dos seus irmãos piratas ele era flexível e adaptável, capaz de ver que o futuro para a Jamaica não estava no saque ou pilhagem, mas no comércio pacífico. Foi também era um político hábil.

b57b61460bb20c19dcfcc0bd4de8ccf7
Fonte – https://br.pinterest.com/pin/546765210990827165/

Quando Morgan morreu era um homem rico. Era dono de três fazendas, 129 escravos e sua riqueza pessoal foi avaliada em 5.263 libras na época (853,521 libras em 2016). 

Em 07 de junho de 1692 um potente terremoto atingiu Port Royal. Cerca de dois terços da cidade, uns 13 hectares de área, afundaram no porto de Kingston imediatamente após o choque principal. O cemitério, incluindo o túmulo de Morgan, foi uma das partes da cidade a cair no mar e o seu corpo nunca foi posteriormente localizado.

FONTES – https://global.britannica.com/biography/Henry-Morgan-Welsh-buccaneer

http://www.thewayofthepirates.com/famous-buccaneers/henry-morgan/

http://www.historynet.com/henry-morgan-the-pirate-who-invaded-panama-in-1671.htm

http://latinamericanhistory.about.com/od/historyofthecaribbean/p/Captain-Morgan-Greatest-Of-The-Privateers.htm

http://www.famous-pirates.com/famous-pirates/henry-morgan/

http://www.cavazzi.com/morgan/

COLÔMBIA – ENCONTRADO O GRANDIOSO TESOURO DO GALEÃO SAN JOSE

san jose (1)
Canhões de bronze do galeão San Jose.

ESTE PODE SER A MAIS VALIOSA DESCOBERTA SUBAQUÁTICA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE 

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos anunciou no sábado (05/12/2015) que, 307 anos depois de seu afundamento, foi encontrado em águas colombianas o galeão espanhol San Jose.

Em entrevista coletiva na cidade de Cartagena, o presidente Santos comentou ser esta descoberta “Uma das maiores descobertas do patrimônio subaquático, se não a maior da história da humanidade”. Ela aconteceu na madrugada de sexta-feira, 27 de novembro último, a partir de um trabalho conjunto do Instituto Colombiano de Antropologia e História (ICANH), da Marinha da Colômbia e uma equipe de cientistas internacionais.

san jose (2)

O galeão San Jose afundou após um ataque de barcos britânicos em maio de 1708, com toda a riqueza a bordo e se tornou uma lenda de enormes proporções entre os caçadores de tesouro.

Preciosa mercadoria

Na conferência de imprensa em Cartagena sobre o tema, o presidente Santos não deu muitos detalhes sobre a descoberta. Ele insistiu que a informação relativa à conclusão desta operação de resgate está sujeita a reserva legal e comentou “-É uma questão do Estado colombiano”.

hundimiento_el_galeon_san_jose_presidente_santos_4
O presidente colombiano Juan Manuel Santos anunciando a descoberta. Fonte – http://www.elheraldo.co

Para o presidente esta descoberta é de todos os colombianos e deve haver uma união nacional pela sua proteção. Assim justificando a falta de detalhes sobre a sua localização, por medo que alguém venha antes e retire este magnífico tesouro.

Entretanto circulou a informação que os restos do San Jose se encontram ao largo da península Baru, próximos as Ilhas Rosário e pretensamente estariam à cerca de 200 ou 300 metros profundidade.Sobre este tesouro as pesquisas apontam que ele consistia em ouro, prata, platina e esmeraldas. Alguns relatos dizem que o San Jose possuía em seus porões 116 caixas de esmeraldas, duas toneladas de platina e a riqueza pessoal do vice-rei do Peru, tornando este o navio naufragado mais rico do hemisfério ocidental. Juan Manuel Prieto, que por 20 anos defendeu a autoridade colombiana sobre os restos do galeão, disse à BBC News que calculou o valor da carga em valores atuais como algo em torno de um bilhão e quinhentos mil dólares.

Samuel Scott
Quadro de Samuel Scott reproduzindo a destruição do San Jose

Quando esta nave afundou viviam-se tempos de confronto entre Espanha e Inglaterra, as maiores potências marítimas da época. O San Jose havia navegado do Panamá para o porto da então conhecida Cartagena de Índias, onde planejava chegar em Havana, Cuba, e, em seguida, viajar para Cádiz, na Espanha. No entanto, pouco depois de sua partida foi atacado por uma frota inglesa que tentava saqueá-lo. Em uma ação naval extremamente audaz, o navio britânico HMS Expedition foi quem, após 90 minutos de combate, atacou e afundou o galeão.

Como resultado da refrega naval, mais de 600 espanhóis morreram após os canhões ingleses atingirem o paiol de pólvora do San Jose. Na conferência de imprensa em Cartagena, o presidente Juan Manuel Santos prestou homenagem aos marinheiros mortos e deixados no fundo do mar.

Reivindicações

Apesar da idéia de ineditismo na descoberta do galeão San Jose e propagada pelo presidente Juan Manuel Santos, sua localização já era conhecida desde 1981. Mas os esforços para explorar o navio e salvar o seu tesouro não seguiram adiante por uma disputa entre o governo colombiano e a empresa norte-americana de resgate marítimo Sea Search Armada.

san jose (4)
Recipientes de barro e outros objetos no local do afundamento do galeão

Neste caso um tribunal dos Estados Unidos deu ganho de causa ao Governo da Colômbia. Mas tudo indica que os colombianos ainda vão ter muita dor de cabeça nos tribunais e na área diplomática para usufruir plenamente deste tesouro. Pois outro reclamante é o governo da Espanha, que baseia seu direito a estes salvados no fato desta nave fazer parte de uma frota militar daquele país em 1708 e está transportando valores que pertenciam à coroa espanhola. Não deixa de ser interessante à cara de pau dos espanhóis na reivindicação sobre este caso. Pois olvidam descaradamente que este tesouro era fruto do maior e mais sanguinolento saque já realizado por membros de um governo europeu contra povos indígenas americanos.

Identificação

Questões de posse à parte, nas pesquisas iniciais dos restos do galeão espanhol San Jose foram visualizados pelos equipamentos subaquáticos diversos itens da carga e armas da embarcação. Inclusive foram as fotos de algumas destas armas que mostraram a Ernesto Montenegro, diretor de ICANH, sobre o que realmente eles haviam encontrado. Eles são os antigos canhões de bronze, que possuem gravações que representam golfinhos, uma prova inconteste da indicação de que estes restos pertencem ao San Jose e não deixam qualquer dúvida sobre a identidade do sítio arqueológico.

san jose (5)

Igualmente foram vistos frascos de vidro e armas pessoais; em uma foto apresentada na conferência de imprensa se vê o punho de uma espada. Além disso, se descobriram mais de cem panelas de cerâmica e algumas porcelanas.

Montenegro disse que importantes cientistas da oceanografia, engenharia naval e história foram chamados para contribuir neste trabalho e muitos dos pesquisadores envolvidos eram estrangeiros. Mas foi em um navio da Marinha da Colômbia, o ARC Malpelo, que serviu de base para a operação e onde estes cientistas trabalharam na identificação do galeão.

san jose (3)
O ARC Malpelo, base das pesquisas para a descoberta do antigo barco.

O presidente Santos afirmou que vai solicitar ajuda de universidades colombianas no processamento do material encontrado, mas também de instituições estrangeiras, como o Smithsonian American. Ele insistiu sobre a importância da descoberta a nível mundial e prometeu construir um grande museu em Cartagena com os salvados do San Jose.

san jose (6).jpg

Ainda há muito a ser investigado. Apesar de toda a empolgação com a notícia, os cientistas comentaram que o local exato do naufrágio é apenas o começo de um grande trabalho.

Fonte – http://www.bbc.com/mundo/noticias/2011/10/110930_tesoros_hundidos_jrg.shtml

http://www.bbc.com/mundo/noticias/2015/12/151205_economia_galeon_san_jose_colombia_egn

 

MARCO ARCHER – DE JOVEM CAMPEÃO DE ASA DELTA A TRAFICANTE DE DROGAS FUZILADO NA INDONÉSIA

Marco Archer, o Curumim, em foto de 1979 - Foto de José Vital
Marco Archer, o Curumim, em foto de 1979 – Foto de José Vital

Ao realizar uma pequena pesquisa na internet em relação à morte por fuzilamento do carioca Marco Archer Cardoso Moreira eu comecei a me interessar pela trajetória esportiva deste homem. Mas percebi que pouco se falou dessa fase de sua vida. Sem dúvida a mais positiva e que lhe daria certamente um destino muito mais interessante do que a morte na Ilha de Nusakambangan, na Indonésia.

O Jovem Homem Pássaro

Apesar de nascido no Rio de Janeiro, Marco Archer é descendente de uma tradicional e respeitada família amazonense. Entre seus antepassados constam os irmãos Agnaldo e Henrique Archer Pinto, que na década de 1930 criaram em Manaus o periódico “O Jornal”, durante décadas um dos principais veículos da mídia impressa do Amazonas. Inclusive existe na capital manauara a tradicional Corrida Pedestre Henrique Archer Pinto, que em 2015 estará na sua 60º edição.

Marco Archer preso na Indonésia
Marco Archer preso na Indonésia

Marco Archer era filho de Carolina Archer Pinto, moravam no bairro de Ipanema e na adolescência ele começou a se interessar por um esporte que fazia poucos anos despontava nos céus cariocas.

Em julho de 1974 um francês chamado Stephan Dunoyer de Segonzac decolou do Cristo Redentor pendurado numa asa e pousou na praia de Botafogo, fato que chamou muita atenção na época e é considerado o primeiro voo de asa delta realizado no Brasil.

Primeiro voo de asa delta no Brasil, em 1974.
Primeiro voo de asa delta no Brasil, em 1974.

Em 7 de setembro daquele mesmo ano, saltando da Pedra da Agulhinha, na praia de São Conrado, Rio de Janeiro, Luís Cláudio Mattos se tornou o primeiro brasileiro a voar neste tipo de equipamento. Para este pioneiro tudo começou como uma brincadeira e ele foi o responsável por tantos seguidores da asa delta, graças ao seu espírito brincalhão e comunicativo.

A novidade chamou atenção de outras pessoas e em 1975 foi realizado o 1º Campeonato Brasileiro de Voo Livre. Esta competição contou com provas de permanência em voo e precisão, sagrando-se campeão André Sansoldo e vice-campeão Irencyr Beltrão, que viriam a representar o Brasil no primeiro campeonato Mundial de voo livre, realizado na cidade de Kossen, Áustria, em 1976.

i59045571._szw1280h1280_

Com o crescente número de adeptos construiu-se uma rampa de saltos no Rio, a da Pedra Bonita. Para a manutenção e controle deste local, foi criada em dezembro de 1975 a ABVL – Associação Brasileira de Voo Livre.

Em meio ao crescimento deste esporte, um garoto de Ipanema com 16 anos, que tinha raízes amazônicas, começou a voar em 1977 e o seu progresso neste esporte foi bem rápido.

Segundo reportagem publicada no Jornal do Brasil, página 17, edição de quinta feira, 18 de outubro de 1979, Marco Archer já era apresentado como “Instrutor de voo”, considerado pelos colegas como “um dos mais experientes no esporte” (mesmo tendo apenas 18 anos) e era detentor do recorde brasileiro de permanência no ar, com 7 horas e 10 minutos de voo ininterruptos.

Talvez pela pouca idade quando começou a voar em 1977, recebeu dos outros pilotos o apelido de “Curumim”, termo utilizado em Tupi-Guarani para criança.

Campeão Pan-americano

Mas a trajetória vitoriosa de Archer na asa delta não era sem percalços.

A reportagem do Jornal do Brasil de 18 de outubro de 1979 não tratava de alguma vitória de Curumim, mas de um acidente que ele havia sofrido em um penhasco perto da Pedra da Agulhinha.

Fonte - http://blog.livegether.com/voo-livre/
Fonte – http://blog.livegether.com/voo-livre/

A queda ocorreu por volta das dez e meia da manhã e Archer ficou no local por três horas, até que um helicóptero da Secretaria de Segurança chegou para resgatá-lo local. Como ele estava sem ferimentos de maior gravidade (a não ser um pequeno corte na testa), a tripulação lhe passou um cabo de aço e ele foi levado pendurado até a Praia de São Conrado. Na época Mauricio Figueiredo, o piloto da aeronave, comentou que aquele havia sido seu resgate mais difícil, pois ventava muito e ele posicionou o helicóptero muito próximo as pedras.

Mesmo com o susto e o tempo de espera pelo resgate Curumim não se abalou e, segundo a reportagem, no mesmo dia voltou a saltar da Pedra Bonita. Essa vontade de voar naquele momento tinha uma razão especial – Archer estava fazendo parte da equipe brasileira que iria disputar o 1º Campeonato Pan Americano de Asa Delta, a ser realizado na Colômbia.

o

Além de Curumim a equipe brasileira contava com os pilotos Carlos Alberto Dourado, Bento Berenguer, José Carlos Brant e Euclides Herzog.

O campeonato foi realizado no Parque Nacional de Neusa, onde a equipe passou por vários problemas em meio a muita chuva, frio, alojamento precário e comida de péssima qualidade.

Mas tudo valeu a pena.

Segundo outra reportagem do Jornal do Brasil (1º Caderno, página 27, edição de quarta feira, 14 de novembro de 1979) os cinco brazucas se sagraram os primeiros campeões pan-americanos de voo livre. Fecharam o campeonato com 4.755 pontos, superando a forte equipe norte-americana que fechou a sua participação com 4.435 pontos.  

Evolução do piloto Bento Berenguer - Foto de Mucio Scorzelli - www,facebook.com
Manobra do piloto Bento Berenguer – Foto de Mucio Scorzelli – www,facebook.com

No retorno ao nosso país, segundo o Jornal do Brasil, não houve descanso para a equipe campeã. Os cinco seguiram para São José do Barreiro, cidade paulista próxima a Serra da Bocaina onde nesta bela localidade eles iriam participar do “Campeonato dos Mestres”.

E o lugar era fantástico. No final da década de 1970, o prefeito Josias de Marins Freire, conhecido como Sr. Dego, acreditando no potencial do município para o turismo e conhecendo os atributos da Serra da Bocaina, incentivou a prática do voo livre. Logo duas rampas foram abertas a quase 1.700 m de altitude e a Bocaina passou a ser conhecida como “O Ninho das Águias”.   

Marco Archer, o Curumim, era um dos melhores pilotos de asa delta do país, estava vivendo toda a efervescência e o crescimento do voo livre no Brasil. Crescimento que se consagraria com o título que veio no Mundial de 1981, no Japão, onde o carioca Pedro Paulo Guise Carneiro Lopes, o Pepê, foi o grande campeão.

asa-delta-6_2034_1024x768

Mas, segundo uma reportagem realizada em 2005, foi após voltar deste campeonato na Colômbia que o voo de Curumim começou a perder o rumo.

Melhor Ter Ficado “Nas Nuvens”

O jornalista Renan Antunes de Oliveira entrevistou Marco Archer como enviado especial do Jornal JÁ, quando o instrutor de voo se encontrava detido em uma prisão na Indonésia.

Em 2004 Archer foi preso ao tentar entrar naquele país com 13,5 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta. A droga foi descoberta pelo raio-x no Aeroporto Internacional de Jacarta e enquanto os guardas desmontavam a asa ele conseguiu fugir do aeroporto. Duas semanas depois acabou preso novamente. As leis da Indonésia contra crimes relacionados a drogas estão entre as mais rígidas do mundo e contam com o apoio da população.

Brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, condenado à morta na Indonésia, em prisão de Jacarta

Na entrevista a Oliveira o instrutor Archer afirmou que na Colômbia foi “mordido pela mosca azul do narcotráfico: sacou como ganhar dinheiro fácil. Alguém no hotel lhe deu uma caixa de fósforos com cocaína”.

Não sei em que período da década de 1980 Marco Archer foi gradativamente ampliando sua ação como traficante, mas segundo o jornalista Oliveira ele prosperou no ramo. Informou que com o dinheiro do tráfico viajou para vários países, conquistou muitas mulheres e manteve apartamentos em três países, de três continentes diferentes – Holanda, Estados Unidos e Indonésia, este último imóvel na Ilha de Bali.

Nesse meio do caminho, em 1997, ao realizar um voo livre Archer caiu. Sofreu várias fraturas, ficou bem machucado e quebrou vários dentes. Teve que ser transferido para Cingapura, país vizinho a Indonésia, onde passou por um caro tratamento. Fez vários implantes dentários, ficou um tempo em cadeira de rodas e voltou para se recuperar em casa.

Mas este não seria o único infortúnio do período. Em 2000 seu irmão Sérgio morreu de overdose. Ele era viciado em drogas e costumava bater na mãe para conseguir dinheiro e manter seu vício.

Não tenho detalhes do tratamento feito por Archer, mas os jornais noticiaram que após ele se recuperar no Rio de Janeiro, saiu desta cidade com destino ao Peru para comprar cocaína em parceria com um financiador norte-americano. Do Peru seguiu para Manaus e de lá até a Indonésia. Afirmou que realizou esta ação ilegal (depois de sete anos do acidente em Bali) para pagar uma parte da dívida contraída no hospital de Cingapura. Como não conseguiu pagar o débito integralmente, era constantemente cobrado. Diante da situação partiu para a fracassada tentativa de tráfico de cocaína para a Indonésia.

93e96dc7-0c3e-437a-939e-c044ac50e9cc

Em 2011, provavelmente devido a todas as agruras passadas pelos filhos com as drogas, sua batalhadora mãe Carolina Archer Pinto faleceu de câncer.

Marco Archer passou mais de 10 anos tentando evitar sua execução no corredor da morte indonésio. Finalmente, na madrugada de domingo, 18 de janeiro de 2015, ele foi fuzilado em Nusakambangan.

É bobagem o que vou comentar, mas ao conhecermos um pouco da história de Marco Archer no voo livre, acredito que seria muito melhor para ele ter continuado “nas nuvens” com a sua asa delta.

Fontes – http://memoria.bn.br/hdb/periodo.aspx

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/01/brasileiro-marco-archer-e-executado-na-indonesia-diz-tv.html

http://acritica.uol.com.br/noticias/Neto-amazonense-brasileiro-condenado-Indonesia_0_1282071790.html

http://www.euvoeideasadeltanoriodejaneiro.com/#!voo_livre/cf2f

https://www.facebook.com/166690870160696/photos/a.167340596762390.1073741827.166690870160696/230389203790862/

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/brasileiro-condenado-a-pena-de-morte-por-trafico-de-drogas-sera-executado-em-julho/

http://www.blogdacidadania.com.br/2015/01/marcos-archer-e-o-expresso-da-meia-noite/

COCAÍNA + CAICÓ = CAICOINA

DSCF0061 - Cópia (2)

Calma gente!

Não estou aqui incentivando o consumo do pó, nem muito menos afirmando que em Caicó a poderosa droga conhecida como cocaína está deitando e rolando.

Apenas trago uma centenária propaganda, publicada em um extinto jornal seridoense, de um produto certamente a base de xarope de cocaína e produzido por uma farmácia da principal cidade do Seridó Potiguar.

Como se sabe a cocaína é extraído das folhas da planta de coca (Erythroxylon coca), historicamente produzida pelos indígenas dos altiplanos andinos da América do Sul a milênios. Na sua forma extraída e purificada, é um dos mais potentes estimulantes de origem natural.

DSCF0090

Por milhares de anos, os nativos da região andina têm mastigado folhas de coca para aliviar a fadiga. Assim como o chá e o café são fervidos, os nativos andinos criaram um chá a base de folhas de coca. Além disso, grupos andinos, historicamente, queimavam ou fumavam várias partes da planta da coca como parte de suas práticas religiosas e medicinais. No entanto, nenhuma destas outras utilizações teve o mesmo impacto na forma de cloridrato de cocaína purificada.

O químico alemão Albert Niemann, da Universidade de Gottingen,  reconheceu as propriedades estimulantes da planta cocaína e em 1859 extraiu quimicamente o cloridrato de cocaína.

No início dos anos 1884, as propriedades anestésicas da droga foram descobertas, e logo foram utilizados em cirurgias oculares, de nariz e garganta. Em pouco tempo os médicos tomaram conhecimento das propriedades psicoativas da cocaína e esta foi amplamente distribuída para controle da ansiedade e depressão.

Afirmações extravagantes de seus poderes curativos aumentaram da popularidade da cocaína no início dos anos 1900.

Antiga propaganda americana de cocaína,associada a infãncias
Antiga propaganda americana de cocaína,associada a infãncias

Era o principal ingrediente ativo em uma ampla gama de patentes de medicamentos, tônicos, elixires, e extratos de fluidos. Acredita-se que a fórmula original da Coca-Cola, desenvolvido em 1886 pelo farmacêutico John Pemberton, continha aproximadamente 4,5 mg de cocaína por 180 ml de fluido. Esta fórmula foi vendida como uma cura para a dor de cabeça e um estimulante.

Após 1900 foram se tornando frequentes os problemas médicos, psíquicos e sociais associados ao uso excessivo de cocaína e nos Estados Unidos e seu uso foi severamente restringido em 1914.

Desta época até o final da década de 1950, pelo menos nos Estados Unidos, o consumo de cocaína foi geralmente limitado a pequenos grupos sociais. À medida que as manifestações culturais incentivaram o uso de drogas para fins recreativos, a cocaína entrou novamente em evidência.

Proibições legais e o suprimento da droga foram severamente restringidos. Mas o cultivo das plantas de coca continuou nos países sul-americanos – Bolívia, Peru, Colômbia e Equador.

vinmariani3

O seu uso cresceu juntamente com o uso de muitas outras substâncias psicoativas. A maioria dos experimentadores eram consumidores ocasionais. Eles experimentaram a euforia da cocaína e, geralmente, voltavam para suas vidas “normais”. Devido a isso, ao uso casual, surgiu uma noção fictícia  de que a cocaína era inofensiva e estimulava os caminhos da mente. As drogas abriam as “Portas da Percepção”, como afirmou o escritor inglês Aldous Huxley (no caso de Huxley, principalmente com o uso de mescalina e LSD).

Apesar dos graves problemas clínicos ligados com o uso de alucinógenos, barbitúricos e as anfetaminas, em finais dos anos 1970, ainda existiam muitos especialistas e autoridades de saúde pública nos Estados Unidos acreditavam que a cocaína era uma substância relativamente benigna e principalmente uma droga “recreativa”.

Em resumo, a cocaína é um estimulante do sistema nervoso central, que provoca euforia, bem estar, sociabilidade. Nem sempre as pessoas conseguem ter tais sensações naturalmente, e de forma intensa, uma pessoa que se permite utilizar esta substância tende a querer usar novamente, e mais uma vez, e assim sucessivamente. Atualmente a via preferida de administração é a intranasal em dosagens relativamente pequenas, ou intravenosas em altas doses.

23_15_15_691_file

Como a cocaína tende a perder sua eficácia ao longo do tempo de uso, fato este denominado tolerância à droga, o usuário tende a utilizar progressivamente doses mais altas buscando obter, de forma incessante e cada vez mais inconsequente, os mesmos efeitos agradáveis que conseguia no início de seu uso. Dosagens muito frequentes e excessivas provocam alucinações táteis, visuais e auditivas; ansiedade, delírios, agressividade, paranoia.

Este ciclo torna-o também cada vez mais dependente, fazendo de tudo para conseguir a droga, resultando em problemas sérios não só no que tange à sua saúde, mas também em suas relações interpessoais. Afastamento da família e amigos, e até mesmo comportamentos condenáveis, como participação de furtos ou assaltos para obter a droga são comuns.

Ou seja! Saia de perto que é problema na certa.

Em relação a “Caicoina” do início do século XX, nenhuma outra informação consegui sobre o produto.

Veja também – https://tokdehistoria.wordpress.com/2013/08/25/cocaina-ha-100-anos-atras-uma-historia-atual/