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UMA ÓTIMA INICIATIVA – MOSTRA PROMOVE PASSEIO PELA HISTÓRIA DO RN EM CAICÓ

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FONTE – http://papocultura.com.br/491-2/#.WKOVukZaJDw.facebook

O município de Caicó abriga a partir desta quinta-feira (16) até dezembro uma grande mostra que retrata a história e cultura do Rio Grande do Norte inspirada na obra do escritor Luís Câmara Cascudo.

A exposição “Descobrindo o Rio Grande do Norte com Luís da Câmara Cascudo” estará aberta ao público seridoense, sempre de segunda à sexta, das 8h às 16h30, no Centro de Educação José Augusto (Ceja), localizado à Rua Zeco Diniz, S/N, Penedo, Caicó. Visitas de escolas e entidades poderão ser marcadas pelo telefone 3417 1715.

A exposição, promovida pelo Governo do Estado, através da Fundação José Augusto, exibe peças que revelam os detalhes da linha do tempo do Estado e seu contexto no Brasil e no mundo, destacando também aspectos fundamentais da cultura seridoense.

Haverá uma recepção onde estão instalados textos sobre a história da região com ênfase na obra musical com apresentação de canções alusivas a região e na exibição de figuras rupestres.

Para ilustrar a mostra foi produzido um catálogo especial com 46 páginas que detalha o conteúdo apresentado com ilustrações, informações históricas e culturais sobre a história e a cultura do Rio Grande do Norte, destacando a vida social, o folclore, a formação étnica, entre outros temas.

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História do RN

Recortes da obra literária do etnógrafo conduzem o passeio pela história, desde a chegada dos portugueses, a tradição dos índios locais, a invasão holandesa, a fundação da cidade e seu desenvolvimento, o papel de Natal na 2ª Guerra Mundial, até o panorama atual. A mostra toma como base o livro História da Cidade do Natal, do autor potiguar.

A iniciativa consiste em um passeio entre os corredores históricos e galerias do Memorial, guiado pelo próprio Câmara Cascudo, através de recortes da sua obra literária. O visitante deverá viajar ao longo de mais de 500 anos de história, desde a chegada dos portugueses às nossas terras, os índios potiguares, o domínio holandês, a fundação de Natal, seus períodos áureos e conflituosos, o papel da cidade na 2ª Guerra Mundial, até chegar aos dias de hoje.

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A mostra é composta por grandes painéis, bonecos em tamanho real de personagens ilustres e heróis potiguares, artefatos, livros, miniaturas, além de uma diversidade de objetos museológicos. Em cada trecho da exposição, painéis estampam textos de Câmara Cascudo, mapas, cartas náuticas, pinturas, fotografias, tudo em busca de se aproximar do visitante e despertar nele o interesse e valorização pela história potiguar e pela obra de Cascudo.

Uma outra parte da mostra aborda as principais ações desenvolvidas pelo Governo do Estado que apontam para o futuro, como as obras realizadas nas áreas de saneamento, estradas, saúde, educação e recursos hídricos e outros setores essenciais.

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ALGODÃO – A SUPREMACIA DO ALGODÃO MOCÓ NAS LAVOURAS SERIDOENSES

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Ouro Branco – Imagens deste tesxto são meramente ilustrativa 

Texto – Alzira Soares

Fonte – http://papjerimum.blogspot.com.br/2013/05/algodao-supremacia-do-algodao-moco-das.html

“Ouro branco que faz nosso povo feliz / Que tanto enriquece o país / um produto do nosso sertão”

A minha curiosidade de saber um pouco mais sobre algodão foi aguçada na minha infância, de tanto ouvir meu pai cantar a música Algodão – era uma das suas preferidas do nosso Rei do Baião. A música é uma crônica sobre o dia-a-dia do sertanejo na lida com o algodão. Meu pai fazia questão de frisar: Algodão Mocó – é o melhor algodão produzido no Brasil e é plantado aqui nas lavouras do Seridó. Tem outros tipos de algodão, dizia com orgulho de bom sertanejo que era: “Mocozinho”, “Quebradinho”, “Rim de Boi”, mas bom mesmo é o Mocó – esse sim é o Ouro Branco que o Luiz Gonzaga fala na música!.”

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Usina de beneficiamento de algodão.

Planta   da família das Malváceas, espécies nativas  das áreas tropicais da África, Ásia e Américas. O algodão é a matéria fibrosa que envolve as sementes  algodoeiro, e embora macia, suas fibras apresentam boa resistência a esforços de tração, o que permitiu sua utilização na confecção de tecidos.

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A palavra algodão deriva de  al-qu Tum, na língua árabe, porque foram oa árabes que, na qualidade de mercadores, difundiram a cultura do algodão pela Europa. Ela gerou os vocábulos cotton, em inglês, coton em francês e cotone, em italiano.

O algodoeiro é uma planta dotada de raiz principal cônica, profunda, e com pequeno número de raízes secundárias grossas e superficiais. O caule herbáceo ou lenhoso, tem altura variável e é dotado de ramos vegetativos  e ramos frutíferos

As folhas são pecioladas, inteiras ou recortadas (3 a 9 lóbulos). As flores são hermafroditas,. Elas se abrem a cada 3-6 dias entre 9-10 horas da manhã. Os frutos (chamados “maçãs” quando verdes e “capulhos” pós abertura) são capsulas de abertura longitudinal, com 3 a 5 lojas cada uma, encerrando 6 a 10 sementes.

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As sementes são revestidas de pêlos mais ou menos longos, de cor variável, (creme, branco, avermelhado, azul ou verde) que são fibras (os de maior comprimento) e linter (os de menor comprimento e não são retirados pela máquina beneficiadora. As fibras provém das células da epiderme da semente e tem, como características comerciais, comprimento, finuramaturidade, resistência, entre outras.

HISTÓRIA DO ALGODÃO NO MUNDO

As primeiras referências históricas do algodão estão no Código de Manu, do século VII a.C., considerado a legislação mais antiga da Índia.Há cinco mil anos antes de Cristo  escavações arqueológicas feitas no Paquistão, encontraram-se vestígios de tecidos de algodão. No Peru, na mesma época foram encontrados vestígios da cultura e utilização do algodão para suprir as necessidades humanas.

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Os escritos antigos, de antes da era Cristã, apontavam que as Índias eram a principal região de cultura e que o Egito, o Sudão e toda a Ásia menor já utilizavam o algodão como produto de primeira necessidade.

Na Europa, o algodão se tornou conhecido através dos árabes. Foram eles os primeiros a fabricar tecidos e papeis com essa fibra. Em 1736 iniciou-se na Inglaterra a manufatura de fios de algodão com linho. No século XVIII, com o desenvolvimento de novas maquinas de fiação, a tecelagem passou a dominar o mercado mundial de fios e tecidos.

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Durante as colheitas havia uma grande participação das sertanejas.

Nos Estados Unidos, quando Eli Whitney inventou os descaroçadores de serra deflagrou-se uma verdadeira revolução na industria de beneficiamento de algodão, tornando então os Estados Unidos o maior produtor mundial de algodão. Tempos depois, outros países, aproveitando as novas técnicas de plantio e beneficio, passaram também a ser grandes produtores em escala comercial, como Rússia, China, Índia, Paquistão, Egito e Brasil.

HISTÓRIA DO ALGODÃO NO BRASIL

No Brasil, na época do descobrimento, os indígenas já cultivavam o algodão e usavam os fios na confecção de redes e cobertores. Usavam também o caroço esmagado e cozido para fazer mingau e com o sumo das folhas curavam feridas. Os primeiros colonos chegados ao Brasil, logo passaram a cultivar e utilizar o algodão nativo. Os jesuítas do padre Anchieta introduziram e desenvolveram a cultura do algodão (confecção de suas roupas e vestir os índios).

Nessa época o algodão tinha pequena expressão no comércio mundial. A lã e o linho dominavam como tecidos. A cultura era feita em pequenas “roças” em volta das habitações, e o artesanato têxtil era trabalho de mulheres (índias e escravas). Foi só pelos meados do século XVIII com a revolução industrial, que o algodão foi transformado na principal fibra têxtil e no mais importante produto das Américas.

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A cultura de algodão no Brasil começou no Norte e no Nordeste. O primeiro grande produtor foi o Maranhão que em 1760 exportou para a Europa suas primeiras sacas do produto. Ao Maranhão seguiu-se todo o Nordeste tornando-se a primeira grande região produtora do pais com as produções do Rio Grande do Norte, Piauí, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia que se dedicavam ao plantio do algodão arbóreo perene, de fibras mais longas.

Mais tarde, São Paulo se firma como grande centro produtor. Imigrantes norte-americanos que se localizaram na região de Campinas e Santa Bárbara D`Oeste, trouxeram com eles sementes de algodão herbáceo, de fibra mais curta que os do Nordeste, porém, muito mais produtivos e que são plantados anualmente.

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De São Paulo o algodão expandiu para o Paraná, Mato Grosso e Goiás formando a zona meridional, responsável pela grande produção algodoeira do Brasil.

Hoje o centro algodoeiro brasileiro é composto, principalmente, por Mato Grosso, Goiás e algumas partes da Bahia. Essa nova fronteira algodoeira possibilitou o ressurgimento do algodão no nosso país, quase que por verdadeiro milagre, pois, de grande exportador o Brasil passou a ser importador de grandes quantidades oriundas dos Estados Unidos, Rússia e África. Atualmente voltamos a exportar, e a nossa Industria Têxtil vem tendo a opção de se abastecer tanto no mercado interno quanto no mercado externo.

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HISTÓRIA DO ALGODÃO NO RIO GRANDE DO NORTE

A partir de 1905 o cultivo do algodão ocupa lugar de destaque na economia do Rio Grande do Norte. Embora prioritariamente voltado para o mercado interno, em favor das indústrias têxteis nacionais, o algodão norte-rio-grandense também encontrava colocação no mercado estrangeiro, principalmente o algodão “mocó”, de fibra longa, posto que se destinasse à confecção de tecidos finos.

Duas variedades de algodão eram plantadas no Rio Grande do Norte: o arbóreo (“mocó” ou “Seridó”) e o herbáceo. O algodão “mocó” foi a variedade que melhor se adaptou aos sertões: por suas raízes profundas, era mais resistente às secas; por seu vigor, era uma variedade mais infensa às pragas e ,por outro lado, produzia até por 8 anos. Em suma, era muito mais vantajoso que o herbáceo, que tinha um ciclo vegetativo muito curto – geralmente um ano e, além disso, mais suscetível a pragas. O cultivo do algodão arbóreo “mocó” alimentava um grande número de usinas de beneficiamento. Além da fibra de excelente qualidade, tinha como subprodutos óleo vegetal e ração animal ( torta de algodão). Por ser na época fonte segura de renda para o produtor foi chamado de “ouro branco”.

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A produção do algodão era muito importante no aspecto econômico no Rio Grande do Norte e igualmente movimentava as principais cidades das áreas de produção. Na foto temos um registro da escolha da “Rainha do Algodão”, na cidade de Currais Novos, em 1954, durante um congresso. Da esquerda para direita vemos Maria Lourdes Medeiros (Representando a cidade de Jardim do Seridó), Deise Trindade (De Caicó e vencedora do concurso) e Nazareth Cortez (Currais Novos).

Durante muito tempo o algodão do Seridó deteve a reputação de algodão de primeira qualidade. O Dicionário Geográfico do Brasil em 1922 registrava: O produto é de ótima qualidade. Na exposição Nacional de 1908,o da zona do Seridó obteve o grande prêmio e o de toda região sertaneja alcança sempre cotações superiores nos mercados internos e externo”.

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No entanto, o algodão nordestino foi perdendo paulatinamente,  sua posição hegemônica como principal matéria-prima consumida pela indústria têxtil brasileira. As crises de oferta da fibra nordestina estariam ligadas, por um lado, às devastadoras secas que atingiam impiedosamente as lavouras sertanejas. Por outro lado, com a chegada do bicudo (nos anos 80), praga de difícil controle e depois com a abertura do mercado nacional às importações subsidiadas de países da Ásia nos anos 90, a cultura, que  nos anos 80 chegou a ser plantada em mais de 2 milhões de hectares no Nordeste, entrou em declínio e hoje a área cultivada está em torno de 1.300 hectares.

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Resultado da colheita de algodão guardada em um armazém.

 

FONTES:

  • Antonio Fagundes – Leituras Potyguares – Editora Sebo Vermelho-Natal/2009 ( Edição original/1933)
  • Algodão – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) – Brasília / 1981
  • Breve História do Algodão no Nordeste do Brasil – EMBRAPA Algodão – Brasília / 2003
  • Algodão – Semira Adler Vainsencher –  Fundação Joaquim Nabuco- Recife/PE
  • Pesquisas Google  – Sites:
  1. http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/algodão/apresentacao.html
  2. http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias.php?id=28594
  3. http://www.cnpa.embrapa.br./publicacoes/2003/DOC117.PDF
  4. http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar
  5. http:??noticiasdeontem.net/materias/anoIV/XXVII/0_algodao_moco_do_serido.html

PROFESSOR LANÇA LIVRO QUE DETALHA FORMAÇÃO DO SERIDÓ

Professor Muirakitan de Macêdo pesquisou a fundo a cultura seridoense e vem publicando rico material sobre o tema - See more at: http://www.novojornal.jor.br/noticias/cultura/professor-lanca-livro-que-detalha-formacao-do-serido#sthash.iMlXvSud.dpuf - Fonte - Eduardo Maia / NJ
Professor Muirakitan de Macêdo pesquisou a fundo a cultura seridoense e vem publicando rico material sobre o tema – See more at: http://www.novojornal.jor.br/noticias/cultura/professor-lanca-livro-que-detalha-formacao-do-serido#sthash.iMlXvSud.dpuf – Fonte – Eduardo Maia / NJ

 Autor – Igor Jácome

Contar a formação de um Seridó onde as casas dos ricos também eram feitas de taipa e até uma enxada inutilizada era listada em inventário. Terra de escravos quase livres e de uma religiosidade que ainda hoje permanece pungente. Essa é a intenção do historiador e professor Muirakytan Kennedy de Macêdo ao lançar, hoje, em Natal, o livro “Rústicos Cabedais: Patrimônio e cotidiano familiar nos sertões da pecuária (Seridó – Séc. XVIII)”, editado pela Flor do Sal e impresso pela Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

A obra é resultado de uma releitura da tese de doutorado do autor caicoense, apresentada em 2007. “O Seridó é uma das regiões coloniais mais antigas do país. Com a proibição da pecuária nas áreas mais próximas ao litoral, por causa da cana de açúcar, ela se interiorizou. No livro, a gente começa a contar a formação do Seridó a partir da sedentarização da pecuária, no século 18, após a Guerra dos Bárbaros ”, explica. 

Fazenda Caiçara, Acari, do Coronel Antônio Galdino de Medeiros
Fazenda Caiçara, Acari, do Coronel Antônio Galdino de Medeiros

O livro parte da formação das sesmarias – pedaços de terras cedidos aos colonos para que a cultivassem ou utilizassem na pecuária – até chegar ao cotidiano dos primeiros seridoenses. “Eu fiz um enquadramento na sesmaria e depois a gente vai fazendo como um ‘zoom’, em quadros cada vez menores. Partimos da sesmaria; dentro dela, vamos para a fazenda de gados, falamos o que é que se criava, os ovinos, bovinos, os cavalares. Depois vamos para dentro da casa daquelas pessoas, os cômodos e suas relações até de hierarquia, até chegarmos, enfim, às gentes – como eles falavam e seu cotidiano”, detalha Muirakytan.

Professor do curso de graduação em História, no campus da UFRN em Caicó e do mestrado da instituição em Natal, o autor trabalhou na pesquisa durante quatro anos e afirma que se surpreendeu com a quantidade de documentação preservada da época.

Além de arquivos da Torre do Tombo (arquivo geral do Reino), localizada em Portugal, o professor utilizou documentos cartoriais e da Igreja Católica Romana, como os livros de nascimento, casamentos e óbitos. “Todo o império era fundamentado na união entre Igreja e Estado. Até a República, quando isso mudou, o Estado não precisava de funcionários para fazer esse trabalho. A igreja registrava, nascimento, casamento, morte, todos os sacramentos, que eram muito importantes para o convívio social. Havia uma vigilância muito grande, representavam, de certa forma, a salvação das pessoas. Tinham que ter todos”, revela.

Serra da Rajada, expressiva paisagem do Sertão do Seridó Potiguar
Serra da Rajada, expressiva paisagem do Sertão do Seridó Potiguar

A abordagem utilizada por Macêdo é basicamente historiográfica e antropológica. Apesar de não utilizar personagens na trama histórica, nem focar em famílias importantes da região, o autor busca fazer um relato do cotidiano do primeiro Seridó. A realidade daqueles tempos, aponta, tem total relação com o Seridó de hoje. “É todo o princípio de identidade. A pecuária é a origem, por exemplo, de produtos que hoje são marcas da região”, avalia, citando o queijo e a carne de sol. O autor também utiliza gráficos, mapas e fotos para auxiliar no detalhamento das informações.

Serviço

O lançamento do livro “Rústicos Cabedais: patrimônio e cotidiano familiar nos sertões da pecuária (Seridó – Séc. XVIII)” ocorre hoje (16) na galeria do Núcleo de Arte e Cultura, localizado no Centro de Convivência da UFRN, onde também ocorre a sessão de autógrafos, a partir das 19h. A obra custa R$ 50.

Fonte -http://www.novojornal.jor.br/noticias/cultura/professor-lanca-livro-que-detalha-formacao-do-serido#sthash.iMlXvSud.dpuf

ENTREVISTA AO AMIGO AUGUSTO MARANHÃO NO LANÇAMENTO DO MEU LIVRO “EU NÃO SOU HERÓI-A HISTÓRIA DE EMIL PETR”

Autor – Rostand Medeiros

rostandmedeiros2@gmail.com

Hoje o Mundo celebra os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Sem dúvida esta é uma data significativa e importante para todos. Já para mim essas comemorações trazem as lembranças do meu amigo Emil Anthony Petr.

O grande amigo Augusto Maranhão discursando no lançamento do nosso livro
O grande amigo Augusto Maranhão discursando no lançamento do nosso livro “Eu não sou herói-A História de Emil Petr”.

Emil nasceu em 1919, na pequena comunidade de Deweese, no estado americano de Nebraska, era católico, descendente de tchecos e durante a Segunda Guerra Mundial serviu na USAAF.

No grande conflito mundial foi primeiramente designado para o 57th Fighter Group (57º Grupo de Caça), na área de Boston. Quando estava para seguir com a sua unidade para o deserto do norte da África, ele conseguiu a aprovação para cursar a escola de formação de navegadores, em San Marco, no Texas. Em 1943, após conseguir a patente de segundo tenente, foi designado para atuar em bombardeiros B-24. Mas não era o fim de sua preparação. O tenente Petr seguiu para a base aérea de Langley, Virginia, onde se especializou na tarefa de bombardeio por radar.

Emil Anthony Petr, segundo tenente da USAAF, honra por ter escrito sua biografia.
Emil Anthony Petr, segundo tenente da USAAF, honra por ter escrito sua biografia.

Em abril de 1944 chegou a sua transferência para a 15ª Air Force (15ª Força Aérea), no sul da Itália, para atuar no esquadrão 139, do 454th Bomb Group (454 Grupo de Bombardeiros), que ficava baseado no campo de San Giovanni, próximo a cidade de Cerignola, no sul da Itália.

Durante o trajeto para a Europa o tenente Emil esteve no Brasil, mas não em Natal. Passou pelas cidades de Belém e Fortaleza, onde guardou boas lembranças. “-Não era para ter conhecido Natal na época da guerra, mas foi para cá que optei por viver e me casar”.

Material de jornais antigos foram utilizados na feitura deste livro
Material de jornais antigos foram utilizados na feitura deste livro

No 454th Bomb Group havia uma seção específica de pessoas que trabalham com sistemas de radar. Quando Emil foi escolhido para uma missão de bombardeio, ele me disse que era extremamente focado em seu trabalho. Porque ele sabia que qualquer erro poderia comprometer todo o grupo de aeronaves e suas tripulações.

De abril a setembro de 1944, Emil participou de 38 missões sobre a Europa ocupada e alcançou o posto de segundo tenente. Em uma delas, ao atacarem a fábrica da Messerschmitt, em Bad Voslau, na Áustria. O bombardeamento desta estratégica unidade fabril rendeu ao 454th Bomb Group uma citação do presidente dos Estados Unidos e o tenente Emil estava lá.

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Mas no dia 13 de setembro de 1944, quando na sua 39º missão, a de número 117 do 454th Bomb Group, cujo objetivo era uma refinaria na cidade alemã de Odertal, seu B-24 foi atingido pela artilharia antiaérea alemã. Ninguém da sua tripulação morreu, mas a maioria foi capturada, entre estes o tenente Emil.

Feito prisioneiro, Emil foi levado para o campo de prisioneiros Stag Luft III, em Sagan (atual Zagan, na Polônia) e o sofrimento foi grande.

Meses depois as tropas russas estavam avançando a partir do leste e começaram a se aproximar do campo. Segundo os livros relativos à Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler mandou evacuar Stalag Luft III, pois além de não querer que estes aviadores aliados fossem libertados pelos russos, havia a intenção de utilizá-los como reféns.

Em 31 de Janeiro os homens seguiram para o Stalag Luft VIIA, em Moosburg. Durante dois dias de viagem, os aviadores foram levados em vagões de transportar gado. As necessidades fisiológicas eram feitas ali mesmo, em pé e para dormir só escorados uns nos outros e a viagem durou dois dias. Moosburg era uma verdadeira pocilga, onde os alemães amontoaram mais de 140.000 prisioneiros aliados, entre estes alguns brasileiros. Finalmente os prisioneiros foram libertados pelos soldados da 14ª Divisão Blindada, do 3º Exército da U.S. Army, comandados pelo general George Patton.

Discursando junto com o meu amigo Augusto Maranhão, no lançamento do meu livro
Discursando junto com o meu amigo Augusto Maranhão, no lançamento do meu livro “Eu não sou herói-A história de Emil Petr”

Depois de retornar aos Estados Unidos, Emil tentou a universidade de Lincoln, sem sucesso e foi trabalhar em uma empresa de construção da família. Mas este americano de origem eslava, de profunda devoção católica, decidiu trabalhar como um voluntário em obras assistenciais na América Latina, através de um programa criado pelo Papa João XVIII.

O destino o trouxe a Natal em 1963, onde conheceu Dom Eugênio de Araújo Sales (na época Bispo da capital potiguar) e se incorporou no programa SAR – Serviço de Assistência Rural. Através deste trabalho manteve contatos e participou de ações em Recife junto com Dom Helder Câmara e teve oportunidade de estar ao lado da irmã Dulce, de Salvador.

Emil teve oportunidade de conhecer o sertão potiguar, os aspectos ligados aos trabalhadores rurais nordestinos e veio a ser casar com a assistente social Célia Vale Xavier, assistente social com curso de especialização na Costa Rica e Colômbia, nascida em Caicó, que havia sido indicada pelo Monsenhor Walfredo Gurgel, seu antigo mestre, para trabalhar no SAR junto com Dom Eugênio, na elaboração do pioneiro projeto de educação radiofônica através da Emissora de Educação Rural, mais conhecida como Rádio Rural de Natal.

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Eu tive a honra de escrever sua história e concluir o livro “Eu não sou herói – A história de Emil Petr”, lançado em 2012 pela editora potiguar Jovens Escribas.

Na época do lançamento deste trabalho, o meu grande amigo Augusto Maranhão, que produzia o interessante programa televisivo “Conversando com Augusto Maranhão” e gentilmente realizou uma entrevista comigo e com Emil Petr. É esta entrevista que trago agora a todos, para marcar os 70 anos do fim da guerra na Europa e lembrar meu amigo Emil.

No dia 31 de outubro de 2012, em meio a muitos convidados (inclusive com a presença de parentes de Emil que vieram dos Estados unidos), estivemos no Iate Clube de Natal para o lançamento deste nosso trabalho. Ali, em meio a muitas emoções, o nosso grande amigo Augusto Maranhão proferiu um belo discurso sobre o nosso trabalho.

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Infelizmente Emil Petr faleceu em 2013.

Por isso valorizo tanto os momentos que estive ao seu lado. Foram momentos muito agradáveis e que não deixam minha memória, pois Emil era uma pessoa maravilhosa, grande figura humana, que deixou uma marca difícil de ser apagada na memória de muita gente no Rio Grande do Norte.

Meus agradecimentos mais do que especiais a grande figura humana de Augusto Maranhão e ao amigo Leonardo Dantas pela cessão deste material.

ARQUITETURA DO SERTÃO

Casa da fazenda Sabugi, no Rio Grande do Norte - Foto - Nathália Diniz
Casa da fazenda Sabugi, no Rio Grande do Norte – Foto – Nathália Diniz

Estudo revela a arquitetura rural do século XIX no interior do Nordeste

Juliana Sayuri | Edição 216 – Fevereiro de 2014

Fonte- http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/02/12/outros-sertoes/

O sertão é do tamanho do mundo, dizia Guimarães Rosa. Dizia como ainda dizem os que se enveredam pelos tortuosos caminhos dos rincões nordestinos em busca de histórias, respostas, saberes. Não raro, porém, muitos retornam dessas terras ainda mais intrigados com novas questões. A pesquisadora Nathália Maria Montenegro Diniz mergulhou diversas vezes nesse território. Ali nasceram a dissertação de mestrado Velhas fazendas da Ribeira do Seridó (defendida em 2008) e a tese de doutorado Um sertão entre tantos outros: fazendas de gado nas Ribeiras do Norte (em 2013), ambas realizadas sob orientação de Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Nessas empreitadas, ela encontrou não apenas respostas a seus estudos sobre a arquitetura rural do século XIX sertão adentro, mas também questionamentos novos que deram fôlego para um novo projeto de pesquisa, vencedor da 10ª edição do Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares, divulgado em dezembro. O projeto O conhecimento científico do mundo português do século XVIII, de Magnus Roberto de Mello Pereira e Ana Lúcia Rocha Barbalho da Cruz, também foi premiado. Os vencedores foram escolhidos entre 213 trabalhos inscritos pela originalidade dos temas. O prêmio inclui a produção e publicação de um livro, sem valor predeterminado.

É difícil desvencilhar a história pessoal de Nathália Diniz de seu itinerário intelectual. De uma família de 11 filhos originária de Caicó, na região do Seridó, interior do Rio Grande do Norte, ela foi a primeira a nascer na capital potiguar. Em 1975, a família mudou-se para Natal – professores de matemática por ofício, os pais pretendiam oferecer melhores condições educacionais para os filhos. Nas férias e feriados todos retornavam à pequena cidade, onde ficavam em uma das casas das fazendas que pertenceu ao tataravô da pesquisadora. “Logo cedo pude notar as visões diferentes construídas sobre o sertão nordestino. As casas que eu via não eram as mesmas retratadas nas novelas de época, da aristocracia rural. Era outro sertão”, lembra.

Graduada em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Nathália quis explorar os outros sertões esquecidos no século XIX, mais especialmente no Seridó, uma microrregião do semiárido que ocupa 25% do território do estado. Lá o povoamento se iniciou no século XVII com as fazendas de gado e o cultivo de algodão. Ainda estudante, deu o primeiro passo nessa direção quando participou de um projeto de extensão que investigou os núcleos de ocupação original do Seridó a partir de registros fotográficos e fichas catalográficas feitas por estudantes e pesquisadores. Descobriram, assim, que essas casas, posteriores ao período colonial, mantinham características herdadas da arquitetura colonial ao lado de elementos ecléticos modernos.

Uma vez bacharel, Nathália viajou a São Paulo para participar de um encontro de arquitetos e deparou com o processo seletivo para mestrado na FAU. Decidiu, então, despedir-se do Nordeste para estudar na capital paulista. “Foi preciso partir para poder redescobrir os sertões”, diz ela. Para seu projeto de dissertação, a jovem arquiteta tinha um trunfo: a originalidade da pesquisa sobre as casas de Seridó. “Quase ninguém conhece aquele patrimônio. Quis apresentar essa realidade nas minhas pesquisas.”

Acervo arquitetônico

Nathália investigou o acervo arquitetônico rural do Seridó, de formas simples e austeras, sem o apelo estético de outros exemplares do litoral nordestino. Essas construções, entre casas de famílias, casas de farinha e engenhos, representam um tipo de economia do século XIX alicerçado no pastoreio e no cultivo de algodão. Embora fundamental para a identidade da região, segundo o estudo, esse acervo composto por 52 edificações conta com poucas iniciativas concretas para tornar viável sua preservação.

Casa da fazenda Almas de Cima, também no Rio Grande do Norte: preservação ainda precária - Fonte - Nathália Diniz
Casa da fazenda Almas de Cima, também no Rio Grande do Norte: preservação ainda precária – Fonte – Nathália Diniz

No início do século XVII, com o povoamento do interior do Rio Grande do Norte, sesmeiros pernambucanos fincaram raízes no Seridó. Foi no século XVIII que surgiram as casas na região feitas de taipa, com madeiramento amarrado com couro cru, chão de barro batido e térreas, com telhado de beira e bica. Lentamente, as casas de taipa passaram a alvenaria, com tijolos apenas na fachada. Por fim, no século XIX, o Seridó ficou marcado pela construção de grandes casas de fazenda, habitadas pelo proprietário, familiares, agregados e escravos.

No doutorado, a arquiteta expandiu horizontes, territoriais e teóricos. Por um lado, debruçou-se sobre a arquitetura rural vinculada às fazendas de gado nos sertões do Norte (atuais estados da Bahia, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte). Ela mapeou um acervo de 116 casas-sede a partir de levantamentos arquitetônicos do Piauí, Ceará e Bahia. A fim de melhor compreender o patrimônio material e imaterial nas habitações rurais dessa região, entrou nos campos da história social e da história econômica.

Do inventário de 116 casas-sede alicerçadas em pedra bruta, erigidas em diferentes ribeiras (Ribeira do Seridó, do Piauí, da Paraíba, dos Inhamuns e do São Francisco e Alto Sertão Baiano), a pesquisadora notou a heterogeneidade das construções arquitetônicas nas rotas do gado no Nordeste, que mantinham um mercado interno agitado, embora desconhecido, no calcanhar da economia do litoral exportador. Eram ainda construções pensadas para a realidade sertaneja, com sótãos e outras estruturas propícias para arejar os ambientes castigados pela alta temperatura e pelo tempo seco.

A casa da fazenda Santa Casa - Foto - Nathália Diniz
A casa da fazenda Santa Casa – Foto – Nathália Diniz

Contornando ribeiras e atravessando sertões, Nathália Diniz construiu suas investigações a partir de vestígios de tijolo, pedra e barro. Muitas casas de taipa, mencionadas nos arquivos, não resistiram ao tempo e desapareceram. Restaram fazendas formadas por casas-sede e currais. Entre as características da maioria das construções estavam à disposição dos ambientes: os serviços nos fundos do terreno, com tachos de cobre, pilões, gamelas; e a intimidade da vida doméstica no miolo das edificações, com mobiliário trivial, como mesas rústicas e redes, assentos de couro e de sola, baús e arcas de madeira. Em muitas fazendas, em paralelo a criação de gado, cultivaram-se cana-de-açúcar e mandioca, de onde viriam a rapadura e a farinha, que, ao lado da carne de sol, tornaram-se a base da alimentação sertaneja. “A arquitetura rural não segue modelos”, diz Nathália. “Os primeiros proprietários dessas casas eram filhos dos antigos senhores de engenho do litoral. Se a arquitetura rural tivesse um modelo, eles teriam construído casas similares às de seus pais no litoral, o que não ocorreu. A arquitetura dos sertões mostra a formação de uma sociedade a partir da interiorização dos sertões do Norte, de uma economia marcada pelo gado.”

Depois do doutoramento em São Paulo, a pesquisadora retornou a Natal, onde é professora de história da arte e de arquitetura no Centro Universitário Facex. Seu projeto atual é aprofundar a análise arquitetônica das casas-sede, explorando uma lacuna na historiografia brasileira sobre as relações sociais e suas consequências materiais nos sertões, ainda hoje um universo inóspito e incógnito, marcado por longas distâncias e imensos vazios. Esses territórios ficaram esquecidos, apesar de presentes na literatura e nos relatos memorialistas. Daí brotaram generalizações sobre o Nordeste e sua arquitetura rural, ainda compreendida a partir dos padrões dominantes da Zona da Mata pernambucana e do Recôncavo Baiano – o que, nas palavras da pesquisadora, não condiz com a realidade.

Exemplos da arquitetura sertaneja na Paraíba: sede da fazenda Sobrado - Foto - Nathália Diniz
Exemplos da arquitetura sertaneja na Paraíba: sede da fazenda Sobrado – Foto – Nathália Diniz

Originalidade do tema

O novo trabalho será bancado com o prêmio ganho em dezembro e desenvolvido com o apoio de Beatriz Bueno, da FAU-USP. “O projeto de Nathália foi escolhido pela originalidade do tema e pela oportunidade que nos proporciona de compreender o processo de ocupação do sertão brasileiro e suas dimensões econômica, histórica e social”, diz o coordenador do Comitê Cultural da Odebrecht, Márcio Polidoro. Na economia, ela destacará o ferro que marcava o gado e que permitia identificar a fazenda à qual pertencia – até agora, a pesquisadora já coleciona 653 desenhos de ferro diferentes. “Num sertão disperso, sem fronteiras claramente visíveis, pontuado por tribos indígenas inimigas, o gado carregou a representação do território e da própria propriedade dos que vinham de outros lugares”, define. Na sociedade, ao cruzar os inventários post-mortem encontrados nos arquivos e nas casas, pretende compreender e revelar a vida cotidiana do sertanejo que se desenrolava a morosos passos no século XIX. Fará novas viagens para refazer fotografias e rever anotações. Mais uma vez, um retorno às suas raízes e às terras, tão diferentes das que via nas novelas na sua infância. “Ainda procuro o que buscava desde o início: quero mostrar o que eram esses outros sertões. Nós conhecemos a riqueza da arquitetura litorânea, a arquitetura do açúcar e do café. Falta a arquitetura sertaneja”, conclui.

ProjetoPaisagem cultural sertaneja: as fazendas de gado do sertão nordestino (nº 2009/09508); Modalidade Bolsa de Doutorado; Pesquisadora responsável Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno; Bolsista Nathália Maria Montenegro Diniz; Investimento R$ 130.587,92 (FAPESP).

COCAÍNA + CAICÓ = CAICOINA

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Calma gente!

Não estou aqui incentivando o consumo do pó, nem muito menos afirmando que em Caicó a poderosa droga conhecida como cocaína está deitando e rolando.

Apenas trago uma centenária propaganda, publicada em um extinto jornal seridoense, de um produto certamente a base de xarope de cocaína e produzido por uma farmácia da principal cidade do Seridó Potiguar.

Como se sabe a cocaína é extraído das folhas da planta de coca (Erythroxylon coca), historicamente produzida pelos indígenas dos altiplanos andinos da América do Sul a milênios. Na sua forma extraída e purificada, é um dos mais potentes estimulantes de origem natural.

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Por milhares de anos, os nativos da região andina têm mastigado folhas de coca para aliviar a fadiga. Assim como o chá e o café são fervidos, os nativos andinos criaram um chá a base de folhas de coca. Além disso, grupos andinos, historicamente, queimavam ou fumavam várias partes da planta da coca como parte de suas práticas religiosas e medicinais. No entanto, nenhuma destas outras utilizações teve o mesmo impacto na forma de cloridrato de cocaína purificada.

O químico alemão Albert Niemann, da Universidade de Gottingen,  reconheceu as propriedades estimulantes da planta cocaína e em 1859 extraiu quimicamente o cloridrato de cocaína.

No início dos anos 1884, as propriedades anestésicas da droga foram descobertas, e logo foram utilizados em cirurgias oculares, de nariz e garganta. Em pouco tempo os médicos tomaram conhecimento das propriedades psicoativas da cocaína e esta foi amplamente distribuída para controle da ansiedade e depressão.

Afirmações extravagantes de seus poderes curativos aumentaram da popularidade da cocaína no início dos anos 1900.

Antiga propaganda americana de cocaína,associada a infãncias
Antiga propaganda americana de cocaína,associada a infãncias

Era o principal ingrediente ativo em uma ampla gama de patentes de medicamentos, tônicos, elixires, e extratos de fluidos. Acredita-se que a fórmula original da Coca-Cola, desenvolvido em 1886 pelo farmacêutico John Pemberton, continha aproximadamente 4,5 mg de cocaína por 180 ml de fluido. Esta fórmula foi vendida como uma cura para a dor de cabeça e um estimulante.

Após 1900 foram se tornando frequentes os problemas médicos, psíquicos e sociais associados ao uso excessivo de cocaína e nos Estados Unidos e seu uso foi severamente restringido em 1914.

Desta época até o final da década de 1950, pelo menos nos Estados Unidos, o consumo de cocaína foi geralmente limitado a pequenos grupos sociais. À medida que as manifestações culturais incentivaram o uso de drogas para fins recreativos, a cocaína entrou novamente em evidência.

Proibições legais e o suprimento da droga foram severamente restringidos. Mas o cultivo das plantas de coca continuou nos países sul-americanos – Bolívia, Peru, Colômbia e Equador.

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O seu uso cresceu juntamente com o uso de muitas outras substâncias psicoativas. A maioria dos experimentadores eram consumidores ocasionais. Eles experimentaram a euforia da cocaína e, geralmente, voltavam para suas vidas “normais”. Devido a isso, ao uso casual, surgiu uma noção fictícia  de que a cocaína era inofensiva e estimulava os caminhos da mente. As drogas abriam as “Portas da Percepção”, como afirmou o escritor inglês Aldous Huxley (no caso de Huxley, principalmente com o uso de mescalina e LSD).

Apesar dos graves problemas clínicos ligados com o uso de alucinógenos, barbitúricos e as anfetaminas, em finais dos anos 1970, ainda existiam muitos especialistas e autoridades de saúde pública nos Estados Unidos acreditavam que a cocaína era uma substância relativamente benigna e principalmente uma droga “recreativa”.

Em resumo, a cocaína é um estimulante do sistema nervoso central, que provoca euforia, bem estar, sociabilidade. Nem sempre as pessoas conseguem ter tais sensações naturalmente, e de forma intensa, uma pessoa que se permite utilizar esta substância tende a querer usar novamente, e mais uma vez, e assim sucessivamente. Atualmente a via preferida de administração é a intranasal em dosagens relativamente pequenas, ou intravenosas em altas doses.

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Como a cocaína tende a perder sua eficácia ao longo do tempo de uso, fato este denominado tolerância à droga, o usuário tende a utilizar progressivamente doses mais altas buscando obter, de forma incessante e cada vez mais inconsequente, os mesmos efeitos agradáveis que conseguia no início de seu uso. Dosagens muito frequentes e excessivas provocam alucinações táteis, visuais e auditivas; ansiedade, delírios, agressividade, paranoia.

Este ciclo torna-o também cada vez mais dependente, fazendo de tudo para conseguir a droga, resultando em problemas sérios não só no que tange à sua saúde, mas também em suas relações interpessoais. Afastamento da família e amigos, e até mesmo comportamentos condenáveis, como participação de furtos ou assaltos para obter a droga são comuns.

Ou seja! Saia de perto que é problema na certa.

Em relação a “Caicoina” do início do século XX, nenhuma outra informação consegui sobre o produto.

Veja também – https://tokdehistoria.wordpress.com/2013/08/25/cocaina-ha-100-anos-atras-uma-historia-atual/

AO GRANDE HÉLDER MACEDO

Prof. Hélder Macedo
Prof. Hélder Macedo

Hoje pela manhã, acho que era no máximo oito e dez, fui realizar uma rápida pesquisa no nosso Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Estava entrando apresado na casa de nossa memória, pois tinha apenas uma hora antes de seguir para o meu horário de trabalho, quando encontrei várias pessoas visitando aquela centenária instituição.

Para minha surpresa descubro que eram estudantes do curso de história da UFRN, do campus de Caicó e a visita estava sendo supervisionado pelo Professor Hélder Alexandre Medeiros de Macedo.

Para mim foi uma surpresa dupla. Primeiro por ver estudantes universitários em grupo, acompanhados de um professor, visitando aquela instituição. Em segundo lugar, e mais gratificante, em reencontrar meu querido primo e um dos grandes inspiradores que tenho no prazer pela história.

Helder Macedo é hoje professor titular da UFRN com todos os méritos, capacidade, dedicação, préstimo e valor. Mas antes de tudo Hélder merece está nesta instituição por ter vocação. Jamais em minha vida vi uma pessoa com tamanha vontade de ser historiador como ele.

O professor e sua turma visitando o IHGRN. De vermelho, ao lado de Hélder, a nossa amiga em comum Lúcia, funcionária da casa e grande apoio aos pesquisadores.
O professor e sua turma visitando o IHGRN. De vermelho, ao lado de Hélder, a nossa amiga em comum Lúcia, funcionária da casa e grande apoio aos pesquisadores.

Eu era garoto e algumas vezes fui visitar Carnaúba dos Dantas, a cidade de origem da minha família paterna e lá conheci o primo Hélder. Aquela figura magra, de fala tranquila, tímido que Deus me tenha, que praticamente só falava da história do lugar e da nossa família. Lembro-me de vê-lo andando com um exemplar de uma enciclopédia de vultos históricos, narrando vários fatos interessantes. Foi Hélder quem me apresentou a maravilhosa Biblioteca Donatilla Dantas.

Daí surgiu em mim uma admiração profunda e intensa por este ser humano.

Hélder é de família humilde e honrada. Mesmo morando em uma cidade pequena, do sertão potiguar, não teve nenhum problema em enviar uma carta (neste tempo e-mail era ficção científica) para o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, mais precisamente para o pesquisador potiguar Olavo de Medeiros Filho. Na carta lhe pedia algumas informações genealógicas, se não me engano.

A amiga Lúcia, funcionária da nossa casa da memória, lembra perfeitamente do fato e de como este grande pesquisador ficou impressionado com a missiva daquele garoto de Carnaúba dos Dantas.

Dali nasceu uma grande amizade e Hélder pôde absolver grandes ensinamentos de uma pessoa que jamais teve laivos de grandeza, mesmo sendo autor de 18 importantes trabalhos sobre a história potiguar e ser membros de 18 instituições de cultura e história espalhadas pelo Brasil. Homem simples e tranquilo, Olavo valorizava aqueles que gostavam da história.

Tempos depois Hélder entra na UFRN, logicamente no curso de história. Ali seguiu todos os tramites da vida acadêmica e recentemente alcança seu grande sonho de ser professor.

É autor de inúmeros trabalhos acadêmicos sobre nosso Seridó querido e de vários livros. Com sua juventude e garra ainda vai nós oferecer muita coisa sobre a região.

Aqui estamos juntos ao quadro que reverencia no IHGRN a figura de Olavo de Medeiros
Aqui estamos juntos ao quadro que reverencia no IHGRN a figura de Olavo de Medeiros

Praticamente tudo que ele publica coloca na internet. Mas não é para se mostrar como um “doutor”, como a “sapiência em história”, apenas democratiza o que produz. Venho seguindo, como um dileto admirador e virtual aluno, toda a sua luta e esforço. Espelho-me totalmente nesta grande figura humana e gostaria de ser apenas 10% do historiador que ele é.

Sem desmerecer nenhum dos seus colegas, mas certamente seus alunos tem uma grande sorte de ter Hélder como seu Mestre.

– Hélde Macedo é bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES), Campus de Caicó (2002). Especialista em Patrimônio Histórico-Cultural e Turismo pela UFRN-CERES-Campus de Caicó (2005). Mestre em História, com área de concentração em História e Espaços, pela UFRN (2007). Doutor em História, com área de concentração em História do Norte e Nordeste do Brasil, pela Universidade Federal de Pernambuco (2013). Atualmente é Professor do Departamento de História do CERES, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, lecionando no Campus de Caicó. Seus interesses de pesquisa estão ligados à história sociocultural da América portuguesa, índios, negros, mestiçagens, escravidão, acervos e patrimônio cultural.