PARA NUNCA SER ESQUECIDO – AUSCHWITZ: IMAGENS DE ONTEM E DE HOJE

Entrada de Auschwtitz – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

Rostand Medeiros – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Dedico esse texto ao meu amigo Gilad Salomon, cujos antepassados fugiram da Europa antes da Shoah e buscaram em uma pequena capital do Nordeste do Brasil, cujo nome evoca uma das principais festas da cristandade, algo imprescindível para seguir adiante na aventura da vida – Paz.

Tenho orgulho de fazer parte dessa comunidade que tão bem os acolheu.

Entrada ferroviária de Auschwitz – Fonte – en.auschwitz.org

Um dos pilares fundamentais do nazismo na Alemanha foram seus campos de concentração e a aniquilação física dos seus inimigos políticos ou raciais. Eram espaços onde as pessoas ficaram detidas ou confinadas, geralmente em condições de vida adversas e sem respeito algum pelos seus direitos ou pelas normas legais básicas de detenção ou encarceramento, onde eram mortos sem nenhuma defesa legal.

Os primeiros campos de concentração na Alemanha (Konzentrationslager; KL ou KZ) foram criados após a chegada de Adolf Hitler ao poder em 1933. Nesses primeiros centros foram mantidos presos aqueles considerados inimigos políticos do regime, principalmente membros do Partido Socialista e do Partido Comunista Alemão.

Desfile em carro aberto de Adolf Hitler – Fonte – BBC

Sua organização era dirigida pela SA (grupo paramilitar do partido nazista) e pela polícia. Aos poucos, os nazistas dissolveram a maioria dos primeiros campos e os substituiram por grandes campos de concentração centralizados e campos de trabalho sob a jurisdição exclusiva da SS comandados por Heinrich Himmler, um dos principais líderes da Alemanha de Hitler. A SS, ou Schutzstaffel  (Esquadrões de defesa), foi a guarda de elite do estado nazista. Uma organização militar do Terceiro Reich com funções políticas, policiais e de segurança, que também desempenharam o trabalho prisional por meio da administração e vigilância dos campos de concentração.

Em 1939 existiam seis campos principais: Dachau, o único existente desde 1933 e um modelo para os demais, Sachsenhausen (1936), Buchenwald (1937), Flossenbürg (1938), Mauthansen (1938) e Ravensbrück (1939).

Himmler inspeciona um campo de prisioneiros de guerra na Rússia, por volta de 1941 – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Heinrich_Himmler

Com o início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939, as conquistas territoriais nazistas fizeram surgir novos problemas, como a necessidade de encarcerar grupos de inimigos infinitamente mais numerosos. O sistema de campos de concentração rapidamente se espalhou pelo Leste Europeu e adquiriu dimensões dantescas com o surgimento dos campos de extermínio.

Em julho de 1941, Heinrich Himmler confiou a Reinhard Heydrich, um dos principais chefes da SS, a elaboração de um plano para a “Solução final da questão judaica”, que consistia basicamente na criação de métodos para a aniquilação biológica dos judeus.

Reinhard Heydrich – Fonte – https://br.pinterest.com/pin/780319072907723525/

Em 20 de janeiro de 1942 celebra-se em um subúrbio de Berlin a Conferência Wannsee.  Os participantes incluíram representantes de vários ministérios do governo, além de outros representantes da SS. No decorrer da reunião, Heydrich descreveu de forma clara e sistemática como os judeus europeus seriam presos e enviados para os campos de extermínio para serem mortos. A partir desse momento nomes como Auschwitz, Chelmno, Belzec, Sobibor, Treblinka, Majdanek e outros se tornariam conhecidos naquilo que hoje denominamos de Holocausto.

Local onde se realizou a conferência de Wannsee – Fonte – https://www.coisasjudaicas.com/2013/08/a-conferencia-de-wannsee.html

Nesses locais o objetivo não era apenas maltratar ou aniquilar inimigos lentamente com trabalhos forçados, mas simplesmente exterminar o maior número de pessoas e no menor tempo possível.

Os alemães começaram aplicando técnicas de extermínio antes utilizadas em menor escala, tais como a asfixia em caminhões especiais com os gases causados ​​pela combustão do motor. Mas para exterminar seres humanos em escala industrial, esse método era ineficiente e os nazistas acabaram desenvolvendo um sistema organizado que utilizava o gás Zyklon B como meio de alcançar seus objetivos. Essa era a marca registrada de um pesticida a base de ácido cianídrico, cloro e nitrogênio. Seu nome derivava dos substantivos alemães dos ingredientes principais e a letra B existia para apontar uma de suas diferentes concentrações. Este composto foi escolhido por proporcionar, com eficiência, uma morte rápida em câmaras de gás que comportavam centenas de pessoas, cujos restos depois foram destruídos nos chamados fornos crematórios.

Rótulos de Zyklon usados ​​como evidência nos julgamentos de Nuremberg ; o primeiro e o terceiro painéis contêm informações do fabricante e o nome da marca, o painel central diz “Gás venenoso! Preparação de cianeto para ser aberto e usado apenas por pessoal treinado” – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Zyklon_B

Nos campos de extermínio mais de seis milhões de pessoas foram mortas, a maioria deles judeus vindos da Europa Oriental. Mas centenas de milhares de prisioneiros russos, ciganos, prisioneiros políticos, homossexuais, Testemunhas de Jeová e outros considerados indesejáveis pelo Partido Nazista pereceram nesses locais.

O COMPLEXO AUSCHWITZ

De todos os campos de extermínio destaca-se Auschwitz, onde mais de um milhão e meio de pessoas foram assassinadas entre 1941 e 1944. Foi o maior complexo de campos de concentração criado pela Alemanha Nazista. Ficava localizado no sul da Polônia, em uma localidade a cerca de a 50 quilômetros da cidade de Cracóvia, perto da comunidade de Oswiecim, não muito distante da fronteira com a Alemanha, no território polonês anexado pelo Terceiro Reich.

Mapa do Holocausto na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, 1939–1945, com destaque em vermelho para Auschwitz – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp#/media/File:AerialAuschwitz1944.jpg

Auschwitz era realmente um complexo composto de três campos principais.

Auschwitz I foi o campo de concentração original e serviu como centro administrativo de todo o complexo. Nesse campo morreram prisioneiros políticos poloneses, prisioneiros de guerra soviéticos e sua construção começou em maio de 1940. No hospital de Auschwitz I, médicos da SS realizaram experimentos em crianças, gêmeos, anões, esterilizações forçadas, castrações e experiências de hipotermia em adultos. O mais conhecido médico a participar desses experimentos foi o capitão Josef Mengele.

Auschwitz II (Birkenau) foi um campo de extermínio que nasceu em outubro de 1941 e onde a maioria das pessoas que ali colocaram os pés naquela época foi assassinada. A primeira câmara de gás temporária tornou-se operacional em janeiro de 1942 e no final do ano seguinte já havia quatro estruturas de aniquilação, incluindo uma sala de decapagem, uma câmara de gás e um crematório.

Auschwitz I, 4 de abril de 1944 – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp#/media/File:AerialAuschwitz1944.jpg

Os recém-chegados a Auschwtitz-Birkenau tiveram que passar por um processo de triagem para determinar se estavam aptos aos trabalhos forçados ou se eram imediatamente enviados as câmaras de gás, que foram disfarçadas de chuveiros para enganar as vítimas. A maioria dos prisioneiros era imediatamente morta. Os objetos pessoais das vítimas foram confiscados e classificados na seção conhecida como Kanada para serem enviados à Alemanha. Para os prisioneiros, o Kanada representava riqueza. Ali os casos de corrupção na SS eram frequentes e muitos desses objetos pessoais foram roubados pelos guardas.

Heinrich Himmler (segunda à esquerda) visita a fábrica da IG Farben em Auschwitz III, em julho de 1942 – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

Auschwitz III (Monowitz) foi um campo de trabalhos forçados da empresa IG Farben, uma empresa química alemã. Periodicamente a SS verificava o estado de saúde dos trabalhadores escravos e os mais fracos eram encaminhados para as câmaras de gás.

O complexo de Auschwitz foi primeiramente liderado pelo tenente-coronel da SS Rudolf Höss até novembro de 1943, quando foi substituído pelo capitão Josef Kramer. A partir do final de 1943 o complexo de extermínio ficou sob o comando do tenente-coronel Arthur Liebehenschel. Todos três comandantes de Auschwitz morreram na forca entre 1945 e 1948.

A CHEGADA

O portão de Auschwitz II , também conhecido como Auschwitz II-Birkenau, um campo de extermínio alemão nazista na Polônia ocupada durante o Holocausto – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

“Mil e quinhentas pessoas viajaram de trem por vários dias e suas noites correspondentes. Cada vagão estava lotado com 80 pessoas deitadas em cima de suas bagagens (…) Todos acreditávamos e esperávamos que nosso destino fosse uma fábrica de munições onde, simplesmente, eles nos obrigavam aos trabalhos forçados (…) De repente, um grito angustiado escapou da garganta dos passageiros: Há uma placa que diz Auschwitz!” (Livro – A busca do homem por sentido, de Viktor Frankl).

Ao longo dos anos, centenas de trens chegaram a Auschwitz carregados de judeus e indesejados de toda a Europa, especialmente poloneses e húngaros, mas também franceses, holandeses, gregos, tcheco-eslovacos e de outros países.

Recém-chegados, Auschwitz II-Birkenau, maio / junho de 1944 – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

Os deportados não sabiam do seu destino e que a morte os esperava, acreditavam que iam para um local onde iriam realizar trabalhos de vários tipos. A transferência massiva foi realizada em trens que puxavam vagões de gado, onde centenas de seres humanos se aglomeraram quase sem aberturas para o exterior e sem acesso a água ou comida durante todo o trajeto. Muitos morreram, especialmente se a viagem fosse longa, pois seguiram os trechos de pé e sem local para se aliviar de suas necessidades fisiológicas. Os trens chegavam lotados e sempre voltavam vazios, o que logo chamou a atenção de quase todos, principalmente dos moradores das cidades vizinhas.

Ao chegar a Auschwitz os prisioneiros saíam dos vagões e eram forçados pelos guardas SS a formarem enormes filas, em meio a intimidações, pancadas e latidos de cães enfurecidos. Em seguida tiveram que abandonar suas bagagens, que foram recolhidas e levadas ao bloco Kanada, onde seriam saqueados de todos os tipos de valores.

maio / junho de 1944, com o portão em segundo plano. “Seleção” de judeus húngaros para o trabalho ou a câmara de gás – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

Posteriormente as colunas de homens e mulheres (separadamente) eram submetidas a uma seleção, onde os nazistas determinavam aqueles que não estavam aptos para o trabalho (fracos, doentes, crianças pequenas, mulheres com filhos, idosos e deficientes), que seriam eliminados rapidamente nas câmaras de gás. Os adultos considerados aptos para os trabalhos forçados tinham um número tatuado no antebraço e ficavam assim registrados. Em seguida eles eram desinfetados, barbeados e submetidos a chuveiros frios. Depois recebiam um uniforme de prisioneiro com as clássicas listras azuis, embora os prisioneiros russos pudessem usar seus uniformes, como forma de economizar dinheiro.

Uniforme de Auschwitz – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

Os prisioneiros então passavam para um bloco especial de quarentena, onde esperavam semanas por seu destino final, ou algum trabalho no campo. O tratamento era brutal e alguns eram torturados ou espancados por prazer. Aqueles que não tinham uma função não demoravam muito em Auschwitz.

“Mandavam-nos deixar os nossos pertences e formar fileiras, uns de homens e outras de mulheres (…)  A fileira dos homens era comandada por um oficial imaculadamente uniformizado e que apontava com um dedo para que direção certos presos deviam tomar. Um amigo me disse para ficar de pé e parecer saudável, porque a fila da direita era fatal (…) o policial com o dedo brincalhão me apontava para o corredor da esquerda, enquanto para o meu amigo foi apontado o da direita ( …) Depois de um tempo perguntei a um conhecido do dormitório o que havia acontecido com meu amigo, ele me perguntou se o tinham feito descer o corredor da direita, ao que afirmei, meu companheiro olhou por uma janela estreita e apontou para uma chaminé distante de onde saía uma fumaça enegrecida, seu amigo já está no céu (…) demorei a perceber que meu amigo era um dos milhares de infelizes que morreram assim que desceram do trem (…)” (Livro – A busca do homem por sentido, de Viktor Frankl).

Viktor Emil Frankl (1905 – 1997) é reconhecido como um dos maiores psiquiatras da história, criador de um método terapêutico baseado na busca pelo sentido da vida – Fonte – https://www.ebiografia.com/biografia_viktor_frankl_criador_logoterapia/

VIDA NO CAMPO: REPRESSÃO E MORTE

A seleção dos prisioneiros após a chegada a Auschwitz não decide realmente entre a vida e a morte, mas apenas quando o prisioneiro vai morrer.

Dias difíceis de trabalho e de deploráveis ​​condições de vida aguardam os escolhidos, que os levariam mais cedo ou mais tarde à exaustão física. Isso é o que as SS chamavam de “extermínio por trabalho”. Eles trabalharam em indústrias próximas como mão de obra escrava, alugados ou vendidos a empresas em troca de dinheiro (IG Farben, Metall Union, Siemens), ou na construção e reparo de infraestrutura (edifícios, estradas, etc.).

Os prisioneiros foram amontoados em barracões de madeira com pouca ventilação e luz. Seu número por cada um desses ambientes dependia do número total de prisioneiros no campo.

Mulheres em Auschwitz II, maio de 1944 – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

Em Auschwitz I os presos ficavam em blocos de tijolos, em Auschwitz II havia casernas de tijolo e madeira, com um quarto para os Kapos (prisioneiros judeus que trabalhavam como guardas em troca de benefícios). Quando havia muitos presos, em cada área de beliches se espremiam para dormir 45 pessoas em vez de 15. Algumas vezes as camas eram cobertas com palha, outras com sacos cheios de palha ou aparas. Havia alguns cobertores sujos e puídos. Não havia instalações sanitárias. Eles se aliviavam em latrinas primitivas e desprotegidas, saturadas e fedorentas e, em meio à sujeira e aos cheiros terríveis os ratos vagavam livremente. A umidade e o frio prejudicavam a saúde. Raramente podiam tomar banho: quando podiam, eram empurrados nus para os banhos frios.

Às 4 da manhã os Kapos os acordavam com o som de seus apitos. Os prisioneiros então tomariam um café ou chá. Depois de alinhados uma contagem era feita e na sequência seguiam para o trabalho que durava exaustivas 11 horas. Em um breve intervalo os detidos comiam um pouco de batata, ou sopa de casca de batata. A comida era muito escassa e, para obtê-la, era preciso enfrentar longas e extenuantes filas. Devido à sua escassez, os últimos frequentemente ficavam sem comida. Quando voltavam o número de prisioneiros era revisado. Se por qualquer razão houvesse alguma falta, as filas eram prolongadas por várias horas como punição. À noite comiam pão com linguiça, ou manteiga, e às 9 horas era proibido sair dos seus barracões sob pena de morte.

Mulheres e crianças judias da Hungria caminhando em direção à câmara de gás, Auschwitz II, maio / junho de 1944 – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

As catastróficas condições higiênicas, nutricionais e o excesso de trabalho permitiram a propagação de doenças que causaram enorme mortalidade, tornando-se mais uma forma de extermínio. As doenças mais comuns foram tifo, disenteria, malária, tuberculose, debilidade geral por exaustão, anemia e infecções causadas pelo trabalho e não tratadas. Os médicos selecionavam periodicamente enfermeiras para a câmara de gás, para dar lugar a uma nova prisioneira mais apta.

Em uma hierarquia entre os detidos, aqueles que ocupavam os postos mais baixos eram os judeus.

Assassinatos públicos eram realizados para manter os prisioneiros controlados. Eram utilizados fuzilamentos, enforcamentos, ou chicotadas até a morte com os detentos amarrados com as mãos por trás e pendurados em vigas, postes e árvores.

Uma das fotografias do Sonderkommando : Mulheres a caminho da câmara de gás, Auschwitz II, agosto de 1944 – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

Matar por diversão, ou por capricho, também fazia parte do terror infligido aos prisioneiros. Os SS tinham total liberdade sobre a vida dos detidos. Se algum dos prisioneiros se cansasse ao executarem uma tarefa, poderiam ser mortos sem compaixão. Às vezes os guardas misturavam ordens contraditórias e, portanto, tinha um pretexto para o assassinato, o que provocava terror nos sobreviventes.

Depois de três a seis meses, o prisioneiro geralmente estava no fim de suas forças. Se ele não morresse, ou se suicidasse atirando-se contra o arame farpado eletrificado, ou procurasse de todo jeito levar um tiro dos guardas, era classificado como impróprio para o trabalho em uma seleção posterior. Então era morto na câmara de gás.

Judeus na rampa de seleção em Auschwitz II , em maio de 1944. Mulheres e crianças estão enfileiradas de um lado, homens do outro, esperando que a SS determine quem está apto para o trabalho. Cerca de 20% em Auschwitz foram selecionados para o trabalho e o restante seguiram para as câmaras de gás – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/The_Holocaust

Se a cota de assassinatos diários não fosse atingida, uma cabana era escolhida a esmo e todos os seus inquilinos eram eliminados. Só tinha chance de sobreviver quem conseguiu um cargo na administração do campo, na enfermaria, na cozinha, ou trabalhava como um kapo.

Nos primeiros meses de 1944 quatro grandes câmaras de gás estavam operando plenamente. Este maquinário do terror superou todas as previsões, atingindo 8.000 vítimas por dia, que foram depois cremadas. Naquela época, o pico de chegada de trens carregados de judeus em Auschwitz foi atingido.

Os crematórios II e III e suas chaminés são visíveis ao fundo, à esquerda e à direita – Fonte –

Nas operações das câmaras de gás e fornos crematórios estavam unidades de trabalho compostas por prisioneiros e chamadas Soderkommandos. A situação deles era terrível, pois tinham que levar os prisioneiros – às vezes parentes ou amigos – para a câmara de gás. Depois tinham de retirar os corpos, revistá-los em busca de objetos de valor e finalmente incinerá-los nos fornos crematórios. Se revelassem a função das câmeras aos presos, eram executados, às vezes cremados vivos. Se eles não aceitassem a tarefa eram mortos. A cada três ou quatro meses eram eliminados e substituídos por outro novo grupo.

Outros prisioneiros tiveram uma morte mais cruel nas mãos dos médicos da SS. Estes profissionais da medicina, além de cuidar da seleção dos prisioneiros adequados para o trabalho escravo e supervisionar as execuções, realizaram testes ditos “científicos” com seres humanos vivos no bloco 10 de Auschwitz.

Bloco 10 , Auschwitz I, onde experimentos médicos foram realizados em mulheres – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

Alguns prisioneiros tornaram-se cobaias em pesquisas sobre tratamentos com certos tipos de drogas, ou em experimentos voltados para a procriação da raça ariana e sua pureza. Nessa área ficou célebre a brutalidade de Joseph Mengele, que trabalhou em estudos genéticos e escolheu gestantes, crianças, gêmeos, deficientes físicos e anões para investigar. Ele até abriu a carcaça de prisioneiros vivos e também injetou mercúrio em fetos.

“Logo você estava se entendendo e se imergindo na situação e adotando palavras usadas no campo. Uma delas que merece destaque foi a expressão: atirar-se contra o arame farpado. Ela significava suicídio já que os portões estavam eletrificados e atirar-se contra eles era autodestruição. Como prisioneiro fui tentado a cometer este último ato, porém, como mais cedo ou mais tarde todos tínhamos a certeza do nosso fim, decidi que era o destino que tomaria essa decisão (…) A verdade é que não agradeço suicidar-me, porque fui um dos poucos sobreviventes desta enorme tragédia chamada Holocausto. ” (Livro – A busca do homem por sentido, de Viktor Frankl).

Da esquerda para a direita Richard Baer (comandante de Auschwitz em maio de 1944), Josef Mengele (médico do campo) e Rudolf Höss (primeiro comandante) em Solahütte , um resort SS perto de Auschwitz, verão de 1944 – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

O complexo de Auswichtz estava sob o controle da SS. Em Auschwitz serviram 6.500 membros das SS, realizando todo tipo de tarefas destinadas à operação e vigilância dos campos. A existência de um campo feminino em Auschwitz II também implicava a existência de mais de 200 mulheres SS (Aufseherin).

Sempre junto aos SS estavam os Kapos. O tratamento desumano infligido Por esses dois grupos aos prisioneiros espancamentos, privação de alimentos, chicotadas, celas de punição tão estreitas que ninguém conseguia ficar em pé. Isso tudo criou uma atmosfera de terror permanente que destruiu os prisioneiros. Em troca os Kapos recebiam roupas melhores, cigarros e uma alimentação mais farta e, portanto, maior esperança de sobrevivência.

O FINAL

Soldados do Exército Vermelho soviético conversando com crianças recém-libertadas do campo de concentração de Auschwitz- Fonte – https://www.struggle-la-lucha.org/2020/02/07/on-the-75th-anniversary-of-the-liberation-of-auschwitz-fascism-and-the-triumph-of-revolution/

Em meados de janeiro de 1945, as forças soviéticas se aproximaram de Auschwitz e as SS começaram a evacuar o campo e os subcampos próximos. Milhares de prisioneiros foram mortos e 60.000 foram forçados a marchar em várias direções, especialmente para o oeste. Foi uma das mais importantes “marchas da morte” lançadas dos campos de concentração no final da guerra. Marchas cansativas, onde qualquer um que ficasse para trás ou que não pudesse continuar era baleado. Durante essas marchas, os presos sofreram fome e frio em meio ao mau tempo. Mais de 15.000 prisioneiros morreram nessas marchas.

Ao chegarem ao destino, embarcaram em trens que os levaram a outros campos na região central da Alemanha (Buchenwald, Sachsenhausen, Dachau, etc.). Por dias e sem comida ou água, muitos morreram na jornada.

Quando os soviéticos entraram no complexo de Auschwitz em janeiro de 1945, eles encontraram um quadro absolutamente desolador com 7.000 prisioneiros, a maioria deles doentes e moribundos.

Forca em Auschwitz I, onde Rudolf Höss foi executado em 16 de abril de 1947 – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

Depois da guerra, os soviéticos prenderam a maior parte do pessoal do complexo, que foram julgados pelas autoridades russas ou entregues aos tribunais poloneses. Rudolf Hoss foi capturado pelos britânicos e enviado à Polônia, onde foi julgado e enforcado em dezembro de 1947, nas mesmas instalações de Auschwitz. No total, 750 membros das SS foram julgados e alguns executados como resultado.

AUSCHWITZ ATUALMENTE

Hoje, Auschwitz é um dos grandes centros turísticos da Polônia e foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Alunos do Holocaust Educational Trust (HET) em Auschwitz. Crédito da foto: Yakir Zur

Mais de um milhão e meio de pessoas o visitam todos os anos, especialmente no verão, e centenas de voos charters chegam à vizinha Cracóvia de todo o mundo (Europa, Estados Unidos, Israel especialmente). Para muitos, essa superlotação supõe a banalização da morte, transformada em um grande espetáculo, onde milhares de pessoas impulsivamente tiram fotos de lembrança.

Muitos sociólogos encontram uma explicação para a atração desses lugares para o turismo de massa: isso lembra o quão privilegiado você é, quando se lembra de tanto horror. As pessoas ficam aliviadas, felizes por não ter chegado a sua vez, e também sabem que, quando quiserem, podem sair e voltar para a segurança de suas próprias vidas. Esse turismo de massa também não ajuda a conservação das instalações que começam a correr sério risco de deterioração. Os barracões onde ficaram os prisioneiros, construídos com tijolos vermelhos e vigas de madeira, foram erguidos rapidamente e sem intenção de durar, pois seus habitantes seriam exterminados. Agora eles se desfazem com o passar do tempo.

Por outro lado, devemos compreender a importância de Auschwitz na preservação da memória, pois é um poderoso testemunho visual dos crimes ali cometidos e, especialmente, seu papel na sensibilização dos homens em face dos horrores do nazismo e da guerra.

Nesse sentido, Auschwitz é um antídoto para a barbárie: quem a visita fica marcado e chocado para sempre, porque se habitua à ideia do horror aí vivido. Visto desta forma, a chegada massiva de turistas é positiva e salvar Auschwitz torna-se uma necessidade. Não em vão esse lugar é o grande testemunho do Holocausto.

Um momento de partir o coração , captado a partir de de uma foto da SS de judeus húngaros em #Auschwitz II-Birkenau. Uma criança encontrou uma flor na grama e a está dando, ou mostrando, a um menino mais velho. Todas as pessoas nesta foto foram mortas com gás momentos depois.

Não há restos dos campos de extermínio de Treblinca, Kulmhof, Sobibor ou Belzec, que foram destruídos pelos nazistas com a intenção de esconder seus crimes. No entanto Auschwitz, o maior deles, mantém suas estruturas originais. Os alemães explodiram as câmaras de gás e queimaram alguns armazéns enquanto o Exército Vermelho se aproximava, mas sua retirada foi precipitada e caótica, e eles falharam em destruir tudo.

Conservam-se inúmeros testemunhos de sobreviventes dos campos, muitos deles coletados na página do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, em Washington.

Em tempo, a palavra Shoah é como os judeus denominam o Holocausto.

Modernos caças F-15 Eagles da Força Aérea Israelense sobrevoam Auschwitz II-Birkenau, em 2003 – Fonte – https://wordpress.com/block-editor/post/tokdehistoria.com.br/24537
Fonte – Material produzido a partir dos textos de Jose Antonio Doncel Domínguez, de Villanueva de la Serena, Badajoz, Estremadura, Espanha. Disponíveis nos endereços eletrônicos
http://jadonceld.blogspot.com/2012/05/auschwitz-imagenes-de-ayer-y-de-hoy.html
http://jcdonceld.blogspot.com/2012/01/campos-de-concentracion-y-exterminio-de.html

BRAZILIAN PARTICIPATION IN WORLD WAR TWO – NATAL – MOST IMPORTANT AIR FORCE BASE IN THE BRAZIL

1944 - A Brazilian soldier artillery in Italy
1944 – A Brazilian soldier artillery in Italy

Brazil’s participation in World War II was the culmination of a foreign policy emphasis that began in 1902. That year, Foreign Minister Rio Branco set Brazil on a course of close relations with the United States. He believed that ties with the United States, a growing world power, would promote Brazil’s aims at leadership in the Latin American region and provide international prestige.

Geopolitical Situation

After the 1930 revolution and 1937 coup that brought Getúlio Dornelles Vargas to power, Brazil’s political priorities were industrialization and the build up of military power. The country balanced its relationship with the United States through closer ties with the Axis powers of Nazi Germany, Italy and Japan.

Getúlio Vargas - www.euamoipatinga.com.br
Getúlio Vargas – http://www.euamoipatinga.com.br

Germany became the biggest buyer of Brazil’s cotton and its main supplier of weapons. Brazil’s leading politicians were divided between “Pro-USA” and “Pro-Axis” factions. Concern that the Latin American region could shift away from the United States politically prompted the administration of President Franklin D. Roosevelt to launch its “Good Neighbor” policy of cultural and economic assistance in place of an earlier policy of direct intervention in Latin American affairs.

Military Bases

Brazil and the United States adopted neutral positions in September 1939 on the outbreak of war in Europe. However, the United States became concerned about a potential German attack on the Western Hemisphere should Britain fall, figuring the most likely route for this to be from North Africa to northeastern Brazil. In 1941, Brazil agreed to the construction and enlargement of American air bases in northern and northeastern Brazil.

Parnamirim Field in Natal, Northeastern Brazil, the most important air base in the southern hemisphere
Parnamirim Field in Natal, Northeastern Brazil, the most important air base in the southern hemisphere

When the United States entered the war in 1941, the U.S. Navy was allowed to use Brazilian ports in its anti-submarine campaign. The air bases became an essential part of the Allied air transport system, a stopover for planes heading to Africa, the Mediterranean and points beyond.

Natal, the largest and most important air base in Brazil

The World War II gave an impulse to the growth of Natal and surroundings.

Seaplane at Potengi River. For the US government to Natal region is particularly important for its strategic position in the South Atlantic
Seaplane at Potengi River. For the US government to Natal region is particularly important for its strategic position in the South Atlantic

It is estimated that, before the War, Natal had 40,000 inhabitants; after the war, not only the population doubled to nearly 80,000 inhabitants, but the city also had improvements in the infrastructure and one airport (the airport of Parnamirim).

The Americans only entered the War on December 7th 1941, when the Japanese attacked Pearl Harbour; however, since the eclosion of the conflict, in 1939, the Americans were watching with preoccupation the expansion of the Axis powers.

American strategists were concerned with an eventual movement from the Axis towards the American continent; since 1940, Italians and Germans were occupying positions in North Africa; the next step could be the invasion of South America.

Ceremony in Parnamirim Field - https://catracalivre.com.br
Ceremony in Parnamirim Field – https://catracalivre.com.br

In 1939, the Major Delos C. Emmons, commander of the US Air Force, overflew the coast of Brazilian Northeast, and concluded that Natal was the most strategic point, both for a German invasion and for the Allies to use as a supporting site to the operations in Africa.

The US were not at war yet, and, to not create diplomatic tensions, decided to create a Program for Development of Airfields; to avoid the direct envolvement of the US government, the airline company PanAm was the co-signer of the agreement.

The first airplane to land in Parnamirim was the “Numgesser-et-Coli”, a monomotor Breguet-19, piloted by Dieu Coster et Le Brix, on October 14th 1927; before then, only aquaplanes arrived in Natal, on the waters of the Potengi River. According to Clyde Smith Junior, this was itself a Historic flight, because it was the first inter-Atlantic flight in the East-West direction. There was not an airport, however; instead, there was little more than the runway.

Hangar nose in Parnamirim Field
Hangar nose in Parnamirim Field

With fundings of the US government, the “Parnamirim Field” was constructed. It became the largest US basis outside American territory. Not only the airport, but also the infrastructure (roads, housing, etc) was built from ground.

Thousands of Brazilians migrated to Natal, looking for work. Also, Brazilian soldiers were sent to the Army and Navy bases. These movements explain the growth in population during the period.

After US entered the war, there was no more need for diplomatic actings. On December 11th 1941, a US Navy fleet composed by 9 aircrafts PB4 Catalina and one Clemson arrived in Natal; two weeks later, 50 marines arrived, to patrol the basis.

A maritime patrol aircraft PV-1 take off from Parnamirim Base
A maritime patrol aircraft PV-1 take off from Parnamirim Base

It is estimated that, during the War, between 3,000 and 5,000 Americans were located in Parnamirim. Also, tens of thousands of Americans and British passed by Natal, in transit. Parnamirim was the busiest airport in the world; flights were taking off and landing every three minutes.

Raw Materials and War Declaration

Brazil supplied iron ore, manganese, bauxite, tungsten, industrial diamonds and especially rubber to the United States during World War II. The Japanese occupation of Southeast Asia had halted 90 percent of world rubber supplies. Brazil received $100 million in arms and military equipment under the Lend-Lease Program, through which the United States supplied its allies.

Natal newspaper announcing the sinking of a Brazilian boat in March 1942
Natal newspaper announcing the sinking of a Brazilian boat in March 1942

Brazil’s close cooperation attracted attacks on its merchant shipping by Axis submarines. Italian and German submarines sank a total of 36 Brazilian merchant ships by August 1942 when Brazil declared war on the Axis powers.

Expeditionary Force

After an initial reluctance to commit troops to the war effort, Brazilian politicians decided that their country’s direct participation would achieve it a special status after the war. The Brazilian Expeditionary Force started as a political project to make Brazil a “special ally” of the United States.

Brazilian Expeditionary Force shipping in Rio de Janeiro. Destiny - The Italian front.
Brazilian Expeditionary Force shipping in Rio de Janeiro. Destiny – The Italian front.

Britain opposed the involvement of Brazilian troops partly because of perceived pro-Axis sympathies of some Brazilian politicians, and partly because of troops of too many nationalities in the Mediterranean Theater. Doubts that the BEF would be deployed in combat at all led to its nickname “the Smoking Cobras.” This referred to a Brazilian saying, equivalent to “pigs might fly,” stating that it would be more likely for a snake to smoke than for the BEF to be deployed. As a result, the BEF insignia was a coiled cobra with head upright and smoking a pipe.

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Deployment in Europe

The U.S. government considered deploying the BEF in southern Brazil on the Argentine frontier following coups in Argentina in 1943 and 1944, and a 1943 Argentina-inspired coup in Bolivia. However, the Americans conceded to BEF deployment in Italy because of Brazilian wartime cooperation. A total of 25,335 Brazilian troops came under the command of the U.S. Fifth Army. They fought in battles at Castelnuovo, Monte Castello and Montese in the Apennines south of Bologna. Brazilian military and political leaders rejected Allied offers to remain as an occupying force in postwar Europe. In late 1945, the FEB returned home and was disbanded. 

By Maria Kielmas, Demand Media and http://www.natal-brazil.com/

http://classroom.synonym.com/brazilian-involvement-wwii-12185.html

http://www.natal-brazil.com/basics/natal-world-war.html

See this blog – 

https://tokdehistoria.com.br/2011/07/04/1944-the-tragedy-of-the-b-24/

https://tokdehistoria.com.br/2011/05/25/memories-of-world-war-ii-in-natal-brazil/

https://tokdehistoria.com.br/2012/11/21/4369/