ENTREVISTA SOBRE O FIM DO AEROPORTO AUGUSTO SEVERO

NOSSA ENTREVISTA NO NOVO JORNAL SOBRE O ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES CIVIS NO AEROPORTO AUGUSTO SEVERO E SUA HISTÓRIA, EDIÇÃO DE SÁBADO 31/05/2014. TRABALHO MARAVILHOSO DO JORNALISTA JALMIR OLIVEIRA…

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A CERVEJA PRETA MOSSORÓ – UMA HOMENAGEM GALOPANTE

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Apresento a vocês a cerveja preta Mossoró, um produto da Fábrica de Cerveja e Gelo Colúmbia, de Campinas, São Paulo, que começou a ser comercializada na década de 1930. Consta que era uma bebida saborosa e muito apreciada.

Fábrica Columbia, em Campinas, São Paulo - Fonte - http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com.br/2011/02/memoria-fotografica-fabrica-columbia.html
Fábrica Columbia, em Campinas, São Paulo – Fonte – http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com.br/2011/02/memoria-fotografica-fabrica-columbia.html

Esta fábrica do interior paulista iniciou sua produção em 1906, através do seu fundador Ângelo Franceschini, um italiano que chegou ao Brasil em 1875. Ficava em um grande prédio na Avenida Andrade Neves, 103 e todos seus produtos receberam medalhas de ouro e diplomas de honra nas exposições italianas de Torino em 1911, e em Roma em 1913. Fabricava entre outras, as cervejas: Franciscana, Duqueza, Colúmbia, Negrita e ainda o Guaraná Cristal. A produção anual de cerveja, refrescos, gasosas, água mineral e xaropes eram de 15 mil hectolitros.

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Mas o fato desta indústria campineira colocar Mossoró como nome de um dos seus produtos nada tem haver com alguma alusão, ou homenagem, a nossa “Capital do Oeste”. Realmente era uma homenagem, mas a um cavalo.

Ao menos não era um pangaré qualquer. Mossoró, a alimária, foi o primeiro campeão do Grande Prêmio Brasil de turfe, disputado em 1933. Essa é a competição máxima do turfe brasileiro, que ocorre até hoje no tradicional e chic Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro. Consta que esta é uma corrida de galope plano, em pista de grama e destinada a cavalos da raça puro sangue inglês a partir de três anos de idade. Sua vitória nos 3.000 metros do Grande Prêmio Brasil na Gávea foi obtida em 3 minutos e 9 segundos de galope potente e o jóquei foi Justiniano Mesquita.

O campeão Mossoró - Fonte - http://ritaturfe.blogspot.com.br/2010_12_19_archive.html
O campeão Mossoró – Fonte – http://ritaturfe.blogspot.com.br/2010_12_19_archive.html

Outro detalhe é que Mossoró, o animal, era pernambucano, filho de “Kitchner” e “Galathéa”, por “Pericles”, mas como eu não entendo nada de relações equinas, não sei explicar como foi este rolo. Nasceu em 1929 no Haras Maranguape, que pertencia ao coronel Frederico João Lundgren ( sobre este empresário ver – https://tokdehistoria.com.br/2014/05/12/oxente-hitler-arquivos-e-documentos-mostram-que-os-nazistas-estiveram-na-paraiba/ / http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0726/noticias/a-sobrevivente-m0053283.

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Mossoró, o quadrupede, foi longe. Neste mesmo 1933 ele venceu os Grandes Prêmios Cruzeiro do Sul e Dezesseis de Julho. Na temporada seguinte, foi levado para a Inglaterra onde correu em diversos hipódromos. Consta ter sido este cavalo o primeiro animal brasileiro a obter uma vitória em prados estrangeiros. Eu consegui uma manchete de 1935, que mostra o cavalo de Lundgren como tendo obtido o 2º lugar em uma tradicional corrida em Warwick, centro da Inglaterra.

Certamente que diante da popularidade e êxito de Mossoró, o cavalo de corridas, a Fábrica de Cerveja e Gelo Colúmbia, de Campinas, decidiu assim batizar a sua cerveja preta.

Só não descobri o que as pessoas de Mossoró, a orgulhosa cidade potiguar, achou da popularidade daquele cavalo de corrida.

Em 1957 a Fábrica de Cerveja e Gelo Colúmbia foi adquirida pela Companhia Antárctica e a cerveja Mossoró deixou de ser produzida.

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PERSEGUIÇÃO IMPLACÁVEL – O COMBATE AÉREO NOS ARCOS DA TORRE EIFFEL

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Rostand Medeiros

Existem histórias que de tão estranhas, pitorescas, interessantes, soam fantasiosas, de difícil crédito e geram muitos debates. A que vou contar está neste grupo e ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial.

Nascido em 1921, na cidade de Clifton Forge, Virginia, William Bruce Overstreet Junior se alistou na USAAF – United States Army Air Force, na função de piloto de caça, logo após os Estados Unidos sofrerem o ataque de Pearl Harbor. Durante sua carreira como piloto ele escapou de dois graves acidentes: o primeiro em 1943, devido à queda de seu avião, um Bell P-39 Airacobra; o segundo devido a uma pane no sistema de alimentação de oxigênio de seu caça, quando ele estava a 25.000 pés de altitude sobre a França.

William Bruce Overstreet Junior
William Bruce Overstreet Junior

Pouco antes do Desembarque da Normandia, o famoso Dia D, Overstreet era piloto de um caça Mustang P-51C, batizado como “Berlin Express”. Ele estava lotado no 357º Grupo de Caças, quando foi enviado em uma missão de escolta e proteção de aviões bombardeios sobre a França.

Atacada por caças alemães, a formação de caças P-51 foi desfeita e prontamente entrou em combate, já Overstreet passou a perseguir um caça alemão Messerschmitt Bf 109. O combate era veloz e encarniçado, onde o “Berlin Express” logo se posicionou a metros da cauda do avião alemão. Para tentar escapar do americano e com seu avião já atingido diversas vezes, o piloto nazista sobrevoou Paris na esperança que o sistema de defesa antiaéreo germânico o ajudasse contra seu inimigo.

Entretanto as coisas não ocorreram como esperava o piloto da Luftwaffe… Imperturbável Ovestreet não deixou o Messerschmitt escapar. Como bom caçador, o piloto do P-51C acompanhou tenazmente sua caça. No desespero o piloto alemão mergulhou sobre a “Cidade luz”, voando a baixíssima altitude e sob o olhar estupefato dos parisienses. Na tentativa de escapar do “Berlin Express” o alemão passou velozmente abaixo dos arcos de sustentação da Torre Eiffel – mas o americano não largou sua presa e voou diretamente abaixo do símbolo maior de Paris e continuou a disparando. O avião alemão foi atingido de forma inconteste e caiu. Já Overstreet foi capaz de escapar da artilharia antiaérea da cidade.

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Consta que o surpreendente show de habilidade e bravura do americano contra o desesperado alemão levantou os espíritos dos parisienses que testemunharam o feito extraordinário.  Ver um caça americano derrubar um alemão sobre os céus de Paris, com uma passagem estonteante sob os arcos da Torre Eiffel, era muita alegria para quem estava debaixo do tacão alemão desde 14 de junho de 1940.

Mas para muitos estudiosos da Segunda Guerra Mundial nada disso aconteceu…

O Berlin Express e seu piloto (de cachimbo).
O Berlin Express e seu piloto (de cachimbo).

Críticos apontam que os alemães, metódicos e perfeccionistas como sempre foram, que anotavam quase tudo que aconteceu na época da Guerra (ao ponto de listarem cada um dos judeus enviados as câmaras de gás dos seus campos de concentração), não registraram nenhum Messerschmitt Bf 109 abatido sobre Paris na ocasião. Outros informam que em Paris havia uma grande concentração de artilharia antiaérea e que seria difícil, mas não impossível, uma situação como a comentada. Outros dizem que nos registro do grupo de combate do piloto americano, no seu relatório de voo, ele não informou ter derrubado algum avião inimigo.

Outra hipótese levantada aponta que o combate aéreo sob a famosa torre nada mais foi que um boato da resistência francesa, criado para aumentar o espirito de luta dos parisienses. Aparentemente o “Berlin Express” de Overstreet esteve sobre Paris, caçando um Bf 109, mas não o derrubou. Logo a passagem daquele avião americano foi visto como um sinal claro que a libertação estava próxima e em pouco tempo o fato teria sido muito comentado entre os parisienses. A notícia então foi se espalhando e junto com ela cresceu o espírito ufanista dos moradores da capital francesa. Na mesma proporção os fatos da notícia aumentaram. Overstreet  não apenas havia perseguido o Bf 109, mas havia derrubado o oponente e passado em baixo da torre atrás de sua caça.

Críticos contestam esta perseguição sobre os arcos da grande torre de Paris. mas espaço existe, como podemos ver na foto de uma exposição  após a libertação pelos Aliados da capital francesa
Críticos contestam esta perseguição sobre os arcos da grande torre de Paris. Mas espaço existe, como podemos ver na foto de uma exposição com aeronaves aliadas após a libertação da capital francesa pelos Aliados.

Hipóteses a parte, o certo é que Overstreet continuou voando outras missões, incluindo uma missão de secreta. Seu tempo de serviço de combate na Europa terminou em Outubro de 1944 e ele voltou para os Estados Unidos. Após o fim do conflito o piloto continuou trabalhando no setor da aviação, depois seguiu a carreira de contador até a sua aposentadoria.

O que de fato aconteceu com este piloto americano sobre Paris realmente eu não sei. Mas em 2009 ele recebeu do governo francês a medalha da Ordem Nacional da Legião de Honra (Ordre National de la Légion d’Honneur), no grau de cavaleiro. Pessoalmente não creio que os franceses dão este tipo de condecoração a qualquer um!

William Bruce Overstreet Junior morreu no final do ano de 2013, aos 92 anos.

Originalmente uma parte deste texto me foi passada pelo amigo Normando Lima, de Pernambuco, mas atualmente residindo no Canadá. Eu já conhecia o episódio, mas fiz uma pesquisa mais aprofundada e trouxe outros detalhes. Deixo aqui meu muito obrigado a Normando.

QUANDO LAMPIÃO VEIO PARA A FESTA

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A FIGURA DO TEMIDO CANGACEIRO EM UMA PEÇA DO TEATRO

DE REVISTA DO RIO DE JANEIRO

 Autor – Rostand Medeiros

Era uma época onde o rádio se popularizava, mas os cariocas ainda sabiam dos acontecimentos do seu país e do mundo pelas várias edições diárias dos inúmeros periódicos que circulavam pela então Capital Federal. Já a distração era ocupada em grande parte pelo crescente futebol pré-Maracanã, pelos cinemas e os inúmeros teatros, onde os espetáculos do chamado teatro de revista eram muito populares[1].

No início do século XX este tipo de apresentação teatral apresentava entre outras coisas aquilo que era considerado picante ou obsceno. Tinha a intenção de agradar o público de maneira abrangente, a que preço fosse. Nessa época o teatro popular era a maior diversão e o teatro de revista era o principal polo da cultura popular.

Típica cena de teatro de revista no Rio de Janeiro - Fonte - http://cifrantiga3.blogspot.com.br/
Típica cena de teatro de revista no Rio de Janeiro – Fonte – http://cifrantiga3.blogspot.com.br/

Com a Primeira Guerra Mundial o Brasil ficou separado do resto do mundo, sem receber influências do estrangeiro, e cada vez mais o teatro de revista nacionalizava-se, entrelaçando a música popular de forma estreita e indissolúvel. Afastando-se do modelo luso-francês surgiu uma nova fórmula onde a melodia passou a ser parte integrante do conjunto. O teatro popular havia adquirido um perfil tipicamente nacional iniciando uma nova fase na História Social da cultura brasileira. Havia neste contexto espaço para as criações regionais, colocando no palco personagens sertanejos.

No Rio de Janeiro a dupla Jararaca e Ratinho passa a fazer teatro de revista em 1929. Estes artistas faziam números mistos de músicas e piadas, explorando canções sertanejas, o humor, melodias, o trocadilho, as adivinhações, as críticas e sátiras políticas[2].

Renascendo das Cinzas

O imigrante italiano Pascoal Segreto, um descobridor de talentos, portador de uma visão empresarial extraordinária, mantinha várias companhias. Ele investiu no teatro de revista, sendo chamado pelo ator Procópio Ferreira de “papa do teatro brasileiro“. O seu principal empreendimento teatral foi a Companhia de Operetas, Mágicas e Revistas do Teatro São José, este também de sua propriedade[3].

Fonte - http://oriodeantigamente.blogspot.com.br/
Fonte – http://oriodeantigamente.blogspot.com.br/

Em 12 de setembro de 1931, com o São José funcionando como cine-teatro, após a apresentação de “Amores e Modas”, de Mauro de Almeida, quando tinha início o filme “A minha noite de núpcias”, de Leopoldo Fróes, o prédio pegou fogo, só ficando de pé a fachada e as escadas laterais da sala de espera.

Intentando criar a casa da canção nacional, o dançarino e produtor Duque, em parceria com Segretto, aproveitou a parte não incendiada do teatro e instalou a Casa de Caboclo, reproduzindo a morada do nosso tabaréu: o madeiramento rústico, de paus toscos, coberturas de sapé, formando frisas e camarotes; palco e uma varanda de casa da roça, ao fundo[4].

Pascoal Segretto - Fonte - Wikipidea.org
Pascoal Segretto – Fonte – Wikipidea.org

No periódico carioca “Correio da manhã”, de 10 de setembro de 1932, as impressões da nova companhia de revista do Rio de Janeiro foi de certo espanto com o fato que tudo ali apresentado era “brasileiro”. Comentaram que “tudo é nosso: toadas, a suavidade das modinhas, desafios”. A apresentação de espetáculos tipicamente brasileiros não era novidade no Rio, mas a Casa do Caboclo chamou a atenção de maneira positiva da imprensa e do público.

Atores e Músicos de Primeira Qualidade

Dentro da estrutura clássica, entre quadros cômicos, sambas e marchinhas carnavalescas, a tônica dominante incidia no humor caipira, como por exemplo, as famosas imitações que Jararaca e Ratinho faziam de Getúlio Vargas e Washington Luís.

Em 1922 os Turunas Pernambucanos desembarcavam no Rio de Janeiro. Entre eles, Jararaca (o terceiro senatado à direita) e Ratinho (de pé, à esquerda, com o clarinete). pela foto podemos ver que o carioca conheceu a roupa e o imaginário dos cangaceiros ainda no início da década de 1920  - Fonte - http://mpbantiga.blogspot.com.br/
Em 1922 os Turunas Pernambucanos desembarcavam no Rio de Janeiro. Entre eles, Jararaca (o terceiro sentado à direita) e Ratinho (de pé, à esquerda, com o clarinete). Pela foto podemos ver que o carioca conheceu a roupa e o imaginário dos cangaceiros ainda no início da década de 1920 – Fonte – http://mpbantiga.blogspot.com.br/

Certamente que uma das razões deste êxito estava nos atores, atrizes e músicos que ali se apresentavam. Muitos destes fazem parte de qualquer trabalho referencial sobre as artes no Brasil. Além de Alvarenga e Ranchinho estava na companhia uma jovem atriz de 25 anos, chamada Dolores Gonçalves Costa, mas que ficou conhecida como Dercy Gonçalves. No grupo de músicos um negro forte, que era flautista, saxofonista, compositor, arranjador e se chamava Alfredo da Rocha Vianna Filho, mas já era conhecido como Pixinguinha. Dois anos depois da companhia inaugurada foi contratada uma jovem de apenas 16 anos, chamada Vicentina de Paula Oliveira, mas que já se apresentava artisticamente como Dalva de Oliveira. Neste mesmo ano Francisco José Freire Júnior, mais conhecido como Freire Júnior, estreou na Casa de Caboclo com a revista “Carnaval do sertão”, de autoria de Duque.

O Nordestino Mais Comentado no Rio

Em uma entrevista ao jornal “Diário da Noite” (Ed. de 5/7/1933, pág. 3), Duque comentou que seu sucesso em terras estrangeiras se devia muito ao nosso folclore, as características das raízes do Brasil, mas que para ele era muito pouco conhecido pelo público brasileiro em geral. Por isso a razão de criar aquela companhia teatral. Para Duque, tudo que fosse regional e chamasse atenção deveria ser apresentado na Casa do Caboclo. E se havia algo que vinha do Nordeste e repercutia com força nos jornais cariocas, eram as ações do cangaceiro Lampião e seu bando.

Antônio Lopes de Amorim Diniz Miranda, o Duque.
Antônio Lopes de Amorim Diniz Miranda, o Duque.

Mesmo atuando em uma região onde a infraestrutura era quase nada, as comunicações precárias, o apoio do Governo Federal mínimo, as peripécias e façanhas de Lampião eram publicadas quase diariamente em alguns periódicos cariocas.

O nome de Lampião tomou outra dimensão no Rio quando, no primeiro semestre de 1931, o capitão do Exército Carlos Chevalier, piloto da Aviação Militar, decidiu criar uma expedição militar ao interior nordestino. Pensava em utilizar aviões e aparato bélico moderno para caçar e matar o “Rei dos Cangaceiros”. Esta pretensa ação militar causou muito estardalhaço na imprensa e no meio do povo. Logo voluntários esbravejando muita valentia apareciam nas páginas dos jornais querendo pegar em armas. O negócio teve tal alcance que o plano foi apresentado a Osvaldo Euclides de Sousa Aranha, então ministro da justiça. Homem inteligente e capaz, mas certamente por ser gaúcho de Alegrete e desconhecer o sertão nordestino, Aranha caiu como um verdadeiro pato nesta maluquice desenvolvida pela mente necessitada de holofotes de Carlos Chevalier[5].

O inusitado plano encheu as páginas dos jornais cariocas, mas jamais saiu do papel para a ação prática. O capitão se tornou motivo de piada e Lampião se tornava cada vez mais conhecido na Capital Federal. Com um nome tão popular entre os cariocas, logo Lampião e o cangaço seriam atrações na Casa do Caboclo.

Lampião Vem Para a Festa

A peça foi promovida e dirigida por Duque. No final de agosto de 1933 ele divulga na imprensa que em breve estrearia “Lampião chegou ao arraiá”.

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A primeira apresentação ocorreu no sábado, 26 de agosto. Segundo os jornais cariocas o autor e diretor buscou explorar “a popularidade trágica do célebre cangaceiro nordestino”, mas sem esquecer o lado cômico, reservando aos espectadores “uma surpresa engraçadíssima” durante as cenas. Infelizmente os jornais não detalharam como seria o enquadramento deste contraste entre “a popularidade trágica” envolvendo a figura de Lampião, com “uma surpresa engraçadíssima”. Mas pelo próprio nome da peça “Lampião chegou ao arraiá”, deveria ser uma cena que evocaria uma chegada inesperada do cangaceiro em meio a festejos juninos. Mas isso é pura especulação!

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Para promover a peça a “troupe” da Casa do Caboclo decidiu realizar uma “passeata” pela Praça Tiradentes, onde se encontrava o Teatro São José, inclusive com os atores montados em alimárias. Pela foto (acima) existente deste evento, podemos ver que o nível de reprodução cenográfica das roupas e equipagens do grupo de cangaceiro de Lampião ficou muito a desejar.

Nesta época Lampião e outros cangaceiros já haviam sido fotografados e, aparentemente pelo sucesso da companhia teatral, o problema desta cenografia tão limitada não foi dinheiro. Provavelmente tinha mais haver com a ideia de “Lampião chegou ao arraiá” ser uma peça cômica, onde o detalhamento não merecia a devida atenção.

Conclusão

“Lampião chegou ao arraiá” foi, como a maioria do trabalho desenvolvido por Duque na Casa do Caboclo, um sucesso. Ela não sofre nenhum processo de censura e nem os jornais tratam das apresentações de forma negativa. Mas igualmente não trazem maiores detalhes.

Atores e atrizes da Casa do Caboclo.
Atores e atrizes da Casa do Caboclo.

Certamente este e outros espetáculos que tinham como figura central o “Rei do Cangaço” foram produzidos no Rio de Janeiro. Seguramente estas apresentações ajudaram a popularizar entre os cariocas (talvez de forma destorcida) a imagem de Lampião[6].

Esta popularização só tendeu a crescer nos anos vindouros da década de 1930, principalmente com o trabalho de libanês Benjamin Abrahão Botto. As fotos e o filme por ele realizado, e censurado pelo Estado Novo, de um lado ajudaram a manter na mente de todos os brasileiros a imagem de Lampião, Maria Bonita e seus “cabras”. Mas esta exposição também contribuiu para que as autoridades do regime de força de Getúlio Vargas acentuasse junto às autoridades estaduais nordestinas a necessidade do fim deste cangaceiro. Como de fato ocorreu no dia 28 de julho de 1938.

Referências – Para compreender melhor como era A Casa de Caboclo, ver uma representação do especial da TV Globo “Dercy de verdade” – http://globotv.globo.com/rede-globo/dercy-de-verdade/v/dercy-se-apresenta-na-casa-de-caboclo-e-e-superaplaudida/1762999/

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-77042009000100005&script=sci_arttext#tx27

http://www.dicionariompb.com.br/freire-junior/dados-artisticos

www.mackenzie.br/…/O_teatro_popular_Rio_de_Janeiro__a_cidade_ polifonica__1930-1945_.pdf – Cadernos de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura, “O teatro popular: Rio de Janeiro, a cidade polifônica (1930-1945)”, artigo produzido sob a coordenação e organização de Arnaldo Daraya Contier (Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie.), com a participação de Andréa Cristina Primerano,  Andréa Rodrigues, Keila Haddad de Oliveira, Nívea Lopes (Alunas do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie).

http://www.allaboutarts.com.br/default.aspx?PageCode=12&PageGrid=Bio&item=0801M2


[1] O que se chama teatro de revista é um género de teatro, de gosto marcadamente popular, que teve alguma importância na história das artes cênicas, tanto no Brasil como em Portugal, que tinha como caracteres principais a apresentação de números musicais, apelo à sensualidade e a comédia leve com críticas sociais e políticas, e que teve seu auge em meados do século XX.

[2] José Luís Rodrigues Calazans, o Jararaca, era natural de Maceió, Alagoas, e Severino Rangel de Carvalho, o Ratinho. era paraibano da cidade de Itabaiana. Formaram uma dupla caipira, ou sertaneja, e fizeram as respectivas carreiras praticamente enfocando o gênero regional. Além de cantores foram compositores, atores e humoristas. Atuaram no teatro, rádio, cinema e televisão.

[3] O Almanak Laemmert aponta que o Teatro São José possuía em 1926 a lotação de 2 frisas, 28 camarotes, 840 poltronas, 57 balcões e 30 gerais.

[4] Duque, cujo nome verdadeiro era Antônio Lopes de Amorim Diniz Miranda, era protético dental de formação, mas dedicou-se à dança, criou coreografias, compôs canções que ficaram famosas. Excelente dançarino encontrou dificuldades e, em 1906, foi para Paris. Sua habilidade no maxixe foi fundamental para o sucesso na França. Maria Lino foi sua primeira parceira na Europa, mas a parceria mais longeva foi com a francesa Gaby. Logo, Duque abriu uma escola de dança em Paris e se apresentou com sucesso na América do Norte. De volta ao Brasil, escreveu e dirigiu revistas, ensinou no Conservatório Teatral e fundou a Casa de Caboclo. 

[5] Sabemos que Carlos Saldanha da Gama Chevalier é autor do livro “Os 18 do Forte”, uma coletânea sobre a vida do militar e revolucionário Siqueira Campos. Em 1 de outubro de 1927, o então 1º tenente Chevalier, realizou no Campo dos Afonsos (RJ) o primeiro salto de paraquedas no Brasil. Foi utilizado um avião Breguet 14 pilotado pelo 1º tenente Aroldo Borges Leitão e tendo como observador o capitão Átila Silveira de Oliveira.

[6] Provavelmente o teatro de revista deve ter produzido outros trabalhos com foco em Lampião e no cangaço. Sabemos que em outubro de 1938, após sua morte, foi encenada no Rio a peça “Lampeão, o caboclo máu”.

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PRINCESA ISABEL: A PRIMEIRA MULHER NO PODER

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As duas são filhas de Pedros. Uma nasceu em 1846; a outra, em 1947. Uma tinha pai brasileiro e mãe estrangeira; a outra, mãe brasileira e pai estrangeiro. Uma veio ao mundo em berço nobre e virou plebeia pela força das armas; a outra nasceu plebeia e empunhou armas antes de virar “nobre”. A primeira terminou sua carreira pública nos anos 1880; a segunda começou a sua nos anos 1980. Uma foi tirada do cargo pela República; a outra ganhou o seu por causa dela. Ambas herdaram o poder: uma do pai imperador, a outra do padrinho presidente. No entanto, embora entre semelhanças e coincidências inversas suas biografias se encontrem nos desvãos da História, coube a nascida em 1846 a primazia de ser a primeira representante do sexo nem-tão-frágil-assim a governar de fato o Brasil independente. Isabel de Orleans e Bragança foi oficialmente Regente do Império em três ocasiões entre 1871 e 1888, durante viagens de Pedro II ao exterior. Tornou-se chefe de Estado em exercício – esquentando o trono para o retorno do pai ausente.

A rigor a rigor, o bastão de pioneira seria da avó da Princesa Isabel, Leopoldina, nomeada chefe do Conselho de Estado e regente interina pelo ainda príncipe D. Pedro quando este viajou a São Paulo em agosto de 1822, véspera da Independência. No fatídico 7 de setembro, data de nascimento do novo país, era Leopoldina quem respondia oficialmente pela direção do governo no Rio de Janeiro, enquanto D. Pedro ainda estava em terras paulistas. Mas, com o marido a poucos dias a cavalo da capital, pode-se dizer que a futura imperatriz apenas fazia o meio de campo enquanto o futuro imperador não retornava para dar as ordens. Já Isabel, com o pai ausente a um ou dois continentes de distância, ficou no cargo por 3 anos e 4 meses – quase um mandato presidencial.

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Não que o tempo a mais e a distância do pai imperador tivessem feito grandes diferenças. Segundo historiadores, a princesa – embora contasse com poderes garantidos pela Constituição de 1824 – não tinha gosto pelo exercício do governo, e ateve-se a um papel mais tradicional para uma mulher do século XIX.

– Ela sempre se encarregou da regência a contragosto, mantendo-se fiel e dócil ao sistema e estilo de governo do seu pai – disse ao GLOBO, de Vancouver, no Canadá, o brasilianista Roderick Barman, historiador do Departamento de História da Universidade da Colúmbia Britânica e autor da biografia “Isabel, Princesa do Brasil”. – Seu marido, o conde d’Eu, é quem escrevia as cartas aos ministros e tomava para si o estudo dos documentos apresentados pelo Gabinete.

Despertada pelo abolicionismo

Mas diferentemente da Presidente Dilmaeleita, que já deu mostras de sobra de sua vontade de tomar nas mãos as rédeas das decisões e teve papel de virtual primeira-ministra no governo Lula, a princesa Isabel teria sempre mostrado apatia em relação ao poder nas duas primeiras regências, em 1871 e 1876. Apenas na terceira, em 1888, com o país inflamado pelo abolicionismo, da qual era uma fervorosa defensora, Isabel teria resolvido exercer de fato suas prerrogativas de regente. E aí fez História com H maiúsculo.

A Princesa Isabel do Brasil, seu marido Gastão de Orléans, Conde d'Eu e o neto Pedro Henrique.
A Princesa Isabel do Brasil, seu marido Gastão de Orléans, Conde d’Eu e o neto Pedro Henrique.

Decidida a apressar a libertação dos escravos, mas encontrando resistência obstinada por parte do chefe do Gabinete, o barão de Cotegipe, a regente finalmente meteu o pé na porta. A gota d’água foi a violenta repressão policial a uma passeata abolicionista no Rio de Janeiro em março de 1888. “Há tempos minhas ideias divergiam das do Ministério”, explicou em carta ao pai, na Europa, relatando como forçou a demissão do Gabinete. “Não me arrependo do que fiz (…) e em consciência não devia continuar com um Ministério, quando eu por mim mesma sentia e estava convencida de que ele não preenchia as aspirações do país nas circunstâncias atuais”. A regente, então, escolheu pessoalmente o novo chefe do Gabinete, João Alfredo, dando-lhe carta branca para agir, e deixando claro que não aceitaria mais protelações.

Uma defensora do voto feminino

No dia 13 de maio de 1888, colocou o trono na linha de tiro ao assinar a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no país, mas tirou da monarquia seu último sustentáculo: a aristocracia cafeeira do Vale do Paraíba. Instada pelo marido a não assinar a lei aprovada pelo Parlamento, por seu potencial de perigo à Coroa, Isabel não titubeou: “É agora ou nunca!”. E ao barão de Cotegipe, que ao cumprimentá-la pelo ato, disse que a regente “libertou uma raça, mas perdeu o trono”, a princesa também foi categórica: “Mil tronos tivesse, mil tronos daria para libertar os escravos do Brasil”.

– O movimento abolicionista despertou nela um gosto pelos assuntos públicos – ressalta Barman. – A abolição teria acontecido mais dia menos dia, mas a ação da regente foi indispensável para o desfecho rápido e pacífico da crise.

A Princesa Isabel e seu marido, em foto autografada de 1919, dois anos antes de sua morte.
A Princesa Isabel e seu marido, em foto autografada de 1919, dois anos antes de sua morte.

A abolição renovou o prestígio da monarquia, e a nova Isabel, moldada na luta abolicionista, gostou do resultado que suas ações poderiam trazer ao país. Numa carta ao visconde de Santa Victoria em agosto de 1889, três meses antes do golpe de Estado da Proclamação da República, deixou claras suas intenções para o momento – que nunca chegaria – em que se tornaria imperatriz. Já removida da regência pelo retorno de D. Pedro II em agosto de 1888, a princesa deu seu apoio à indenização dos ex-escravos para que pudessem se estabelecer como agricultores, e também à revolucionária ideia do sufrágio feminino – que nenhum país da época instituíra. “Quero agora dedicar-me a libertar as mulheres do cativeiro doméstico. Se a mulher pode reinar, também pode votar”.

– Ainda há um desconhecimento muito grande sobre quem foi a Princesa Isabel – aponta Bruno de Cerqueira, do Instituto D. Isabel I a Redentora. – É um grande erro falar somente de sua atuação pela Lei Áurea, quando ela foi uma personagem muito mais rica.

Autor – Flávio Henrique Lino

Link – http://jovensnahistoria.blogspot.com.br/2010/11/princesa-isabel-primeira-mulher-no.html

Jornal: O GLOBO Autor:

Editoria: Rio Tamanho: 603 palavras

Edição: 1 Página: 26

Coluna:  Seção:

Caderno: Primeiro Caderno

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A DESTRUIÇÃO DE MONUMENTOS HISTÓRICOS NA GUERRA CIVIL DA SÍRIA

A MEMBER OF FREE SYRIAN ARMY OPEN FIRE FROM HIS MACHINE GUN DURING CLASHES WITH SYRIAN ARMY FORCES IN ALEPPO

Como vem ocorrendo de forma quase que corriqueira, que nem sequer damos muita atenção aqui no Brasil, a trágica guerra civil na Síria continua sem resolução à vista e o número de mortos do conflito continua a subir. Sem dúvida que a perda de vidas humanas, a maior parte de civis, é algo verdadeiramente terrível neste conflito, que dia após dia está esfacelando um dos mais antigos povos do planeta.

Mas esta não é a única consequência desastrosa deste conflito – o patrimônio histórico e arquitetônico da Síria está sendo feito gradativamente em pedaços.

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A UNESCO verdadeiramente implorou para que ambos os lados da contenda respeitassem e protegessem os artefatos históricos sírios, verdadeiros tesouros da humanidade. Porém, dada a disposição do ditador Bashar al-Assad para matar impiedosamente dezenas de milhares de seus próprios cidadãos, é improvável que ele vá mostrar algum respeito por monumentos históricos de seu país.

Sem jamais esquecer e menosprezar a cataclísmica perda de vidas humanas, trago aos leitores do nosso Tok de História as terríveis fotos de cinco dos mais importantes monumentos históricos e arquitetônicos sírios, que foram danificados ou destruídos nesta sangrenta guerra civil:

1-Mesquita Umayyad

Localizado na antiga cidade de Aleppo, a Mesquita Umayyad é um monumento sírio qualificado pela UNESCO como Patrimônio Mundial.

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É também uma das mesquitas mais antigas e importantes do mundo. Tanto as forças do Regime  de Assad, quanto a sua oposição têm lutado pelo controle do prédio, absolutamente destruindo-o neste processo. O minarete que tinha quase 1.000 anos, foi finalmente derrubado no início deste ano.

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Em uma entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Helga Seeden, professora de arqueologia na Universidade Americana de Beirute, colocou essa perda no seguinte contexto: “Isto é como explodir o Taj Mahal, ou destruir a Acrópole em Atenas. Esta mesquita é um santuário de vida… Isso é um desastre. Em termos de patrimônio, este é o pior caso de destruição que já vi na Síria. Estou horrorizada”.

2-Mercado Al-Madina

Localizado  no coração da cidade de Allepo, com as suas ruas estreitas e longas, o mercado Al-Madina é o maior mercado histórico coberto do mundo, com uma extensão aproximada de 13 quilômetros.

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Até pouco tempo era um importante centro de comércio de bens de luxo importados, como a seda crua do Irã, especiarias e corantes da India e muitos outros produtos. Al-Madina também é o lar de produtos locais, tais como produtos agrícolas, sabão e a maioria de suas lojas remontam ao século 14.

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Listado como Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1986, foi amplamente queimado e grande parte destruído durante luta que começou em setembro de 2012.

3-Mesquita Al-Omari 

Esta mesquita, fundada no início do século VIII, tal como Umayyad, uma das mais antigas mesquitas do mundo.

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Durante os primeiros dias da guerra, ele serviu como um hospital de campanha e santuário para os oposicionistas.

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Em 2013, seu minarete foi destruído. Ambos os lados acusam o outro de ser responsável pela sua destruição.

4-Krak des Chevaliers

Uma dos seis locais listados como Patrimônio Mundial da UNESCO na Síria, o Krak des Chevaliers era um dos castelos medievais mais bem preservados do mundo. Combatentes da oposição lutam para manter o domínio sobre esta estratégica e importante fortaleza há mais de dois anos.

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Designado pelos muçulmanos como “qalajat al-Husn“, localiza-se na a 65 km a oeste da cidade de Homs, perto da fronteira com o Líbano. A expressão “Krak”, ou “Karak”, designa um tipo de fortificação erguida no Séc. XII e XIII pelos Cruzados, nas regiões das atuais Síria e Palestina. Tinham o objetivo de assegurar a defesa dos chamados “Reinos Latinos do Oriente”. Os principais Kraks eram este na Síria, que defendia o limite Nordeste do Condado de Trípoli, o Krak de Montreal, em al-Chawbak, defendendo o limite Sudeste do Reino de Jerusalém, e o Krak de Moab, em al-Karak, também no Reino de Jerusalém.

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O Krak des Chevaliers, ou Krak dos Cavaleiros, foi erguido sobre um esporão rochoso do deserto sírio. Mas isso não impediu o devastador bombardeio aéreo e de artilharia das forças do regime, com ápice no dia 21 de outubro de 2013. E essa devastação não tem fim à vista.

5-Palmyra

Esta é uma antiga cidade na Síria central, localizada num oásis a cerca de 210 km a nordeste de Damasco, capital deste antigo país.

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A localização estratégica da cidade, aproximadamente a meio caminho de distância que entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Eufrates, tornou-a num ponto de passagem obrigatório para muitas das caravanas que seguiam aí a sua rota comercial.

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Como as forças de oposição lutam contra o exército sírio em torno deste antigo oásis no deserto, as ruínas deslumbrantes tem sido abaladas por disparos de canhões, morteiros e foguetes.

De nossa parte rezamos pelo fim deste conflito.

E tem gente que ainda acha que uma das soluções para melhorar o Brasil seria uma guerra civil devastadora. Meu Deus, perdoai estas pessoas pois não sabem o que falam!

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Fontes – http://www.policymic.com/articles/71193/5-historical-monuments-have-been-destroyed-forever-during-syria-s-civil-war

http://pt.wikipedia.org/

ÔXENTE HITLER: ARQUIVOS E DOCUMENTOS MOSTRAM QUE OS NAZISTAS ESTIVERAM NA PARAÍBA

Estátua de João Ftrederico Lundgren, fundador da Companhia de Tecidos Rio Tinto, no cetro da cidade paraibana de Rio Tinto. Ao fundo a Igreja Matriz de Santa Rita de Cassia.
Estátua de Frederico João Lundgren, fundador da Companhia de Tecidos Rio Tinto, no cetro da cidade paraibana de Rio Tinto. Ao fundo a Igreja Matriz de Santa Rita de Cassia.

Autor – Hilton Gouvêa – Especial para o ClickPB

Fonte – http://www.clickpb.com.br/noticias/paraiba/oxente-hitler-arquivos-e-documentos-mostram-que-os-nazistas-estiveram/

A presença de espiões nazistas na Paraíba foi tão corriqueira durante a Segunda Guerra Mundial, que um certo Ernest Hans ensinava às crianças de Rio Tinto (45 Km ao Norte de João Pessoa), a marchar com a cadência do passo-de-ganso do Exército Prussiano. A fim de melhor popularizar a saudação marcial ao Führer, nesta parte nordestina do Brasil, ele mandava meninos e meninas colocar a mão direita em riste, juntar os calcanhares e gritar Ôxente Hitler! Este alemão, que sumiu misteriosamente quando sentiu a polícia nos calcanhares, criou a versão paraibana da Juventude Hitlerista. E teria deixado aqui um legado tristemente célebre, se o Exército não tomasse providências, colocando sob vigilância os operários teutônicos da Fábrica de Tecidos da família Lundgreen, hoje desativada.

Tudo isto acontecia no crepúsculo da Segunda Grande Guerra. Em João Pessoa, a Delegacia Especial de Segurança e Política Social da Paraíba –DESPS – destacou-se como zeloso órgão da contraespionagem, através do investigador policial Antônio Pereira Filho que, segundo os depoimentos da época, “sabia enxergar um súdito do Eixo a milhas de distância”. Se o suspeito possuísse sotaque estrangeiro, olhos azuis ou apertados, Pereira o encarava como um espião em potencial e o conduzia para o DESPS, para as chamadas averiguações.

Frederico João Lundgren
Frederico João Lundgren

Entre oito suspeitos conduzidos, três se aproximaram da verdade. O primeiro foi o alemão Gunter Heinzel, 28 anos. O policial pernambucano que o deteve na tarde de 24 de novembro de 1943, pedia aos peritos do Instituto de Medicina Legal da Paraíba que o identificasse. Gunther havia chegado clandestinamente a João Pessoa, no auge da guerra. Era acusado de ser um dos emissários de Hitler. E como tal, deveria ser confinado no Mosteiro de São Bento, em João Pessoa, ou em Camaratuba, no Litoral Norte. Em síntese, o policial trazia de Recife uma mensagem de rádio decodificada, que dizia ser Gunther “um súdito do Eixo Alemanha – Itália – Japão, contra as Forças Aliadas”.

A Paraíba era considerada pelos aliados o calcanhar de Aquiles da América. Motivo: muito próxima da Costa da África, poderia sofrer uma invasão de tropas conduzidas por submarinos ou navios. Ou seria porto apropriado para desembarque de espiões em suas praias ermas. Por causa desses fatores, era grande a pressão de ingleses e americanos – estes últimos já instalados na base aérea de Parnamirim Field, em Natal -, no sentido de obrigar as autoridades a exercer severa vigilância sobre as famílias alemãs, japonesas e italianas que residiam em João Pessoa e cidades próximas.

CABEDELO, RIO TINTO, JOÃO PESSOA E PITIMBU

A população nativa de Cabedelo, Rio Tinto, João Pessoa e Pitimbu, segundo os Aliados, seriam as mais potencialmente visadas pelos inimigos. As residências locais e casas de comércio eram submetidas a ocasionais exercícios de black-out. Os militares justificavam que este seria o melhor meio de reagir a um eventual bombardeio sobre as povoações costeiras (que nunca veio). Em Rio Tinto, onde havia famílias alemãs, surgia o boato de que os nazistas teriam instalado “um ninho de metralhadoras antiaéreas” no Palácio dos Lundgreens de Vila Regina”.

Palácio dos Lundgreens, Rio Tinto
Palácio dos Lundgreens, Rio Tinto

Outras falácias insistiam na existência de rádios-transmissores nas casas dos operários alemães que trabalhavam para os Lündgreen, em Rio Tinto e Pitimbu. Nesta última cidade, uma barcaça da família Lündgreen foi vistoriada por patrulhas do Exército, sob a suspeita de que conduzia armas e equipamentos alemães. Fantasia? O que deixava a população com a mosca na orelha era a simpatia aberta que os operários alemães da Fábrica de Tecidos nutriam pelos patrícios nazistas.

Numa manifestação maior de apoio ao regime Hitlerista, os pedreiros alemães desenharam uma águia e o símbolo dos continentes na cinta do meio da Igreja de Rio Tinto. Dizia-se, então, que era a águia do Terceiro Reich e o cetro dos continentes que Hitler pretendia conquistar. Outro fato que aconteceu em 1943, trouxe maior clima de suspeitas sobre a presença de espiões nazistas na Paraíba.

A polícia de João Pessoa prendeu Horst Baron Von Strick, operário de nível da Fábrica de Tecidos Rio Tinto. Rastreado desde quando apanhou um navio no Rio de Janeiro, ele foi preso em Cabedelo, durante o desembarque. Passaram a suspeitar de Strick por causa das estranhas perguntas que ele fazia aos passageiros do navio, interessando-se em apurar o número de soldados colocados de plantão na costa da Paraíba e qual o tipo de armamento que era utilizado. Até hoje permanece a dúvida sobre a nacionalidade de Strick: a polícia não conseguiu descobrir se ele era alemão ou lituano.

A vigilância sobre Rio Tinto e os Lundgren era tanta na época da Segunda Guerra, que em uma ocasião sobrou até para o cientista e escritor pernambucano Gilberto Freyre dar um depoimento as autoridades
A vigilância sobre Rio Tinto e os Lundgren era tanta na época da Segunda Guerra, que em uma ocasião sobrou até para o cientista e escritor pernambucano Gilberto Freyre dar um depoimento as autoridades

Apurou-se que Strick fazia frequentes viagens a Europa. E que quase não conduzia bagagem. Para obter um álibi de legalidade nesta prisão, a polícia anunciava que “prendia os cidadãos alemães para protegê-los contra os exaltados”. Depois da prisão de Strick, gerentes, capatazes e encarregados da indústria de tecidos de Rio Tinto foram vigiados com mais rigor.

A operária alemã Helena Glacher foi presa e fichada com o prontuário de número 1304. Alegou que estava sem emprego e que aquele era o motivo de andar perambulando por cidades brasileiras. Afinal, procurava ocupação. A polícia estranhou. Não acreditou que uma simples operária pudesse dar-se ao luxo de viajar assim. Mas acabou pondo Glaucher em liberdade.

Diante das desconfianças, os Lundgrens publicaram um anúncio na imprensa carioca em 1942, para mostrar a condição de brasileiros e contra as forças do Eixo
Diante das desconfianças, os Lundgrens publicaram um anúncio na imprensa carioca em 1942, para mostrar a condição de brasileiros e contra as forças do Eixo

Hans Ernst, o misterioso alemão de Rio Tinto, não sentia o menor constrangimento em ensinar o passo de ganso às crianças. Também fazia abertamente a continência ao estilo “Heil Hitler”, quando cruzava com superiores ou conhecidos. Ameaçado de prisão e linchamento, acabou fugindo para Campina Grande. De lá, sumiu misteriosamente. Estas e outras coisas motivaram a intervenção do Exército em Rio Tinto.

SAQUES E SENTIMENTOS ANTI-NAZISTAS

O Comando do então 15º Regimento de Infantaria (atual 15º Batalhão de Infantaria Motorizada, no bairro de Cruz das Armas, João Pessoa) enviou duas companhias para Rio Tinto, comandadas pelos capitães Demétrius e Meirelles. Os contingentes militares permaneceram na área até 8 de maio de 1945, para controlar o sentimento antinazista propagado nessas regiões.

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No dia 18 do mesmo mês ainda permanecia um pequeno contingente do Exército na área, o que impediu que famílias alemãs fossem mortas e seus bens saqueados. Tudo por causa da exaltação de José Mousinho e Frederico Baltar, que bebiam com outros, digamos, nacionalistas. O estopim da bomba foi aceso justamente quando a sirene da fábrica de tecidos anunciava a saída vespertina de 600 operários.

De dentro de um bar próximo, alguém gritou: “Vencemos a guerra. Agora, vamos expulsar os alemães”. As casas mais próximas não escaparam à fúria da multidão. Uma turma tentou incendiar a fábrica de tecidos, mas foi repelida pela guarnição do Exército. A multidão rumou para Vila Regina e vingou-se no acervo do Palácio dos Lündgreen, de onde roubou tapeçarias, quadros, móveis e baixelas de prata.

Nota sobre o ataque em Rio Tinto no ano de 1945
Nota sobre o ataque em Rio Tinto no ano de 1945

Poucos dias antes, uma aeronave americana decolou de Parnamirim Field, em Natal, para fazer uma patrulha sobre o Litoral Norte da Paraíba. Sofreu uma pane e amerissou em Baía da Traição, a 74 Km ao norte de João Pessoa, diante da Praia do Tambá. O boato espalhado em Rio Tinto dizia que a nave fora vítima das “baterias antiaéreas instaladas no Palácio dos Lündgreen”. Não foi. Até o ano de 1984 os restos da aeronave ainda eram vistos no mar, a nove metros de profundidade. Caçadores de tesouros subaquáticos deram fim às relíquias históricas.

SUÁSTICAS NAZASTAS NO PALÁCIO DA REDENÇÃO

Em João Pessoa, um órgão do Governo do Estado da Paraíba, guarda em seu depósito uma porção de ladrilhos ilustrados com a Suástica Nazista. Este piso foi retirado de uma sala do Palácio da Redenção, em João Pessoa, em 1995, por ordem do governador Antônio Mariz. Historiadores de renome afirmam que as pedras foram importadas da Europa, na década de 1930, em pleno curso da expansão do nazismo.

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O economista Ronald Queiroz tentou convencer Mariz a não retirar o piso de suásticas do Palácio da Redenção, alegando que faziam parte da história e que não representavam, hoje em dia, um culto ao nazismo. Mariz se manteve irredutível e ordenou ao seu principal assessor, Cláudio de Paiva Leite, a retirada imediata das pedras. O historiador José Octávio de Arruda Melo, garante que “os ladrilhos tinham sentido ideológico”.

Arruda adiantou: “Argemiro de Figueiredo governou a Paraíba entre 1935 e 1940. E ele era simpatizante do nazi-fascismo”. A empresa Shell, que adotou uma suástica como logomarca, acabou substituindo o símbolo pelo outro que ainda está em vigor, para não lembrar a marca nazista. “A retirada dos ladrilhos foi só um ato de reforma, porque a história não pode ser mudada”, repetiu Arruda. Corre outra versão de que o piso de suásticas foi implantado no Palácio da Redenção pelo artista plástico italiano Giovanni Gióia, durante a reforma do prédio, em 1916.

UTA FLIGHT 772 MEMORIAL: O MONUMENTO MAIS REMOTO DO PLANETA

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Fonte – http://www.updateordie.com/2013/12/17/uta-flight-772-memorial-o-monumento-mais-remoto-do-planeta/

No dia 19 de setembro de 1989, seis terroristas libaneses embarcaram em um DC-10 que ia de Brazzaville para Paris e detonaram uma bomba a bordo, quando o avião sobrevoavam o deserto do Sahara, matando todos os 155 passageiros e os 15 tripulantes do vôo UTA 772.

O avião partiu de N’Djamena às 13h13 no horário local. Às 13h59, depois de o DC-10 alcançar o nível de voo 350 (35 mil pés de altitude) em condições totalmente normais, todo o contato com o voo 772 foi perdido. Uma bomba havia explodido no porão de carga dianteiro do avião na localização 13R, fazendo com que a aeronave se desintegrasse em pleno voo. O artefato estaria escondido na bagagem e teria embarcado no avião em Brazzaville.

Local dos acontecimentos - Fonte - http://pt.wikipedia.org/wiki/Voo_UTA_772#mediaviewer/Ficheiro:Map_of_UTA_Flight_772.jpg
Local dos acontecimentos – Fonte – http://pt.wikipedia.org/wiki/Voo_UTA_772#mediaviewer/Ficheiro:Map_of_UTA_Flight_772.jpg

Uma agência de notícias em Londres recebeu um telefonema de um anônimo, segundo o qual a Jihad Islâmicaa seria responsável pela explosão. O anônimo exigiu a libertação do Xeique Abdel-Karim Obeid, que havia sido sequestrado no sul do Líbano em julho de 1989 por forças de Israel

A agência recebeu um novo telefonema de um anônimo, o qual dizia que um grupo de resistência do Chade havia sido responsável.

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Entretanto, vários anos mais tarde, o governo da Líbia, se tornaria o principal suspeito, visto que em 1999, Muammar Gaddafi admitiria sua participação direta no planejamento do atentado de Lockerbie (Ver – http://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_de_Lockerbie ).

Gaddafi aceitou pagar US$ 35 milhões como indenização às vítimas de Lockerbie, porém, com a condição explícita de que o governo da Líbia não teve participação no ataque contra o voo 772. Mas anos depois se descobriu a participação de líbios no atentado ao DC-10 da UTA.

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Dezoito anos depois do acidente, as famílias das vítimas retornaram ao local do acidente em enormes caminhões carregados de pedras para construir o memorial mais inacessível do planeta. Durante dois meses trabalharam juntos embaixo de um sol escaldante para desenhar, pedra por pedra, uma imagem do avião dentro de um círculo de 60 metros de diâmetro.

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Em volta do círculo foram colocados 170 espelhos quebrados, representando cada uma das pessoas que morreram no acidente, inclusive os terroristas.

Os pontos cardeias marcam o círculo e na posição norte a asa direita da cauda do avião (profundor) foi erguida como uma placa onde estão os nomes das vítimas.

O memorial visto de uma foto de satélite.
O memorial visto de uma foto de satélite.

O memorial foi financiado pelo governo libanês e pode ser visto no Google Maps nas coordenadas  16°51’53″N 11°57’13″E

Sources: Google SightseeingAtlas Obscura and DC10-UTA.org. Photos credit: Guillaume Denoix de Saint Marc.

Veja outras fotos –

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UM ALGOZ BRASILEIRO EM AUSCHWITZ

O carioca Perry (ou Peri) Broad e sua farda da SS
O carioca Pery (ou Perí) Broad e sua farda da SS

Nascido em 1921, era natural do Rio de Janeiro, filho de pai brasileiro e mãe alemã. Seguiu cedo para o país natal de sua genitora, onde foi voluntário da terrível SS nazista e participou da administração do infame campo de concentração de Auschwitz.

Autor – Rostand Medeiros

Estamos falando de Pery (ou Perí) Broad, nascido 25 de abril de 1921 no Rio de Janeiro, sua mãe era a alemã Joanna Mary Broad, naturalizada brasileira em março de 1922 e filha de um industrial alemão de Dusseldorf e seu pai era o comerciante brasileiro Napoleão Goulart Broad, representante no Brasil da empresa alemã A. Lohmann, de Hamburgo, e proprietário da firma importação e exportação Broad & Cia.

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Localizada na antiga Rua São Pedro, nº 39, Centro do Rio, esta firma era conduzida por Napoleão em sociedade com o jornalista Ivo Arruda. [1]

Logo, após completar cinco anos de idade, a criança Broad ficou residindo com a sua mãe na Alemanha. Ele passou sua juventude na pequena comunidade de Freiburg im Breisgau e mais tarde em Berlim. Entre os anos de 1931 e 36, foi membro da Juventude Hitlerista, aonde chegou a ser agraciado com uma insígnia de ouro desta organização. Continuou seus estudos na Escola Técnica de Berlim até dezembro 1941.

Detalhe da página 2, do suplemento do Diário Oficial da União, do dia 1 de junho de 1939, onde na coluna da esquerda, no 18º nome cotando do alto da coluna para baixo, vemos o nome de “Perí, filho de Napoleão Goulart Aroud (está com a grafia original errada) e Mary Broad”. Esta era a lista de convocados da classe de 1921, para o Serviço Militar nas Forças Armadas do Brasil. Mas nesta época Perí, ou Perry Broad, já estava a anos na Alemanha e participando da Juventude Hitlerista - Fonte - Coleção do autor.
Detalhe da página 2, do suplemento do Diário Oficial da União, do dia 1 de junho de 1939, onde na coluna da esquerda, no 18º nome cotando do alto da coluna para baixo, vemos o nome de “Perí, filho de Napoleão Goulart Aroud (está com a grafia original errada) e Mary Broad”. Esta era a lista de convocados da classe de 1921, para o Serviço Militar nas Forças Armadas do Brasil. Mas nesta época Perí, ou Pery Broad, já estava a anos na Alemanha e participando da Juventude Hitlerista – Coleção do autor.

Mesmo sendo tecnicamente um estrangeiro, Broad entrou em 1942 nas famigeradas tropas especiais Waffen SS, onde passou por um rápido período de treinamento. Naquele mesmo ano seu batalhão foi enviado para frente de combate, Mas devido a sua forte miopia, ele foi transferido para outras atividades.

Logo chega uma ordem para seguir a um local chamado Auschwitz.

Vivendo e Fazendo Parte do Inferno

Em junho de 1942 Broad está neste campo de extermínio, lembrado pela humanidade como um verdadeiro moedor de carne humana.

O Untersturmführer Maximilian Grabner foi preso pelos Aliados em 1945 e entregue aos poloneses em 1947. Foi considerado culpado das acusações de assassinato e crimes contra a humanidade. Foi condenado à morte e enforcado no dia 28 de janeiro de 1948 - Fonte - www.actionsoldier.it
O Untersturmführer Maximilian Grabner foi preso pelos Aliados em 1945 e entregue aos poloneses em 1947. Foi considerado culpado das acusações de assassinato e crimes contra a humanidade. Foi condenado à morte e enforcado no dia 28 de janeiro de 1948 – Fonte – http://www.actionsoldier.it

Inicialmente assumiu a função de guarda, mas logo passou a trabalhar no “Politische Abteilung”, ou Departamento Político do campo, cujo comandante da seção era o Untersturmführer Maximilian Grabner[2]. Este era um austríaco que logo ganhou a reputação de ser uma das pessoas mais temidas em Auschwitz.

Como chefe da Gestapo no local, Grabner foi responsável pela luta contra o valente movimento de resistência que existia no interior do campo, atuou evitando fugas e trabalhou para evitar todo e qualquer contato dos prisioneiros com o mundo exterior. Estas tarefas foram realizadas mediante crueldades terríveis. Muitos dos prisioneiros, após sumários interrogatórios, foram enviados diretamente para o pátio interno entre os blocos 10 e 11 e fuzilados. Sua equipe, entre eles Wilhelm Boger, realizou os chamados “interrogatórios afiados”, durante os quais as vítimas foram sistematicamente torturadas. O Bloco 11 era o próprio império de Grabner naquele inferno. Já em relação ao teuto-brasileiro Pery Broad, sabe-se que, permaneceu em serviço ativo em Auschwitz.[3]

Nesta cena de uma aquarela de Wladyslaw Siwek, um homem está sendo interrogado no Bloco 11, usado para julgar os processos contra prisioneiros. O homem retratado sentado, com o braço na cadeira, é o Untersturmführer Maximilian Grabner, Diretor do Departamento Político. A quem o teuto-brasileiro Perry Broad estava subordinado. Quase todos os que passavam por este interrogatório foram logo levados para uma sala de espera e, em seguida, para o pátio do Bloco 11. Ali eles eram fuzilados contra a parede da morte, normalmente com um tiro na parte de trás da cabeça ou no pescoço. As pessoas às vezes eram executadas por infrações menores, como roubar pão, ou roupa - Fonte - tejiendoelmundo.wordpress.com
Nesta cena de uma aquarela de Wladyslaw Siwek, um homem está sendo interrogado no Bloco 11, usado para julgar os processos contra prisioneiros. O homem retratado sentado, com o braço na cadeira, é o Untersturmführer Maximilian Grabner, Diretor do Departamento Político. A quem o teuto-brasileiro Pery Broad estava subordinado. Quase todos os que passavam por este interrogatório foram logo levados para uma sala de espera e, em seguida, para o pátio do Bloco 11. Ali eles eram fuzilados contra a parede da morte, normalmente com um tiro na parte de trás da cabeça ou no pescoço. As pessoas às vezes eram executadas por infrações menores, como roubar pão, ou roupa – Fonte – tejiendoelmundo.wordpress.com

Foi descrito que o Broad participou regularmente de interrogatórios, de execuções da área do Bloco 11, no local que ficou conhecido como “parede negra”. Como um membro do serviço político ele participou de seleção de judeus que chegaram ao campo em vários comboios.

Consta que ele só deixou Auschwitz quando veio a ordem de evacuação em janeiro de 1945. Saiu da área junto com outros membros da SS e em um caminhão com muitas pastas do Departamento Político. Tinha então a patente de Rottenführer[4].

Entrada ferroviária de Auschwitz - Fonte - en.auschwitz.org
Entrada ferroviária de Auschwitz – Fonte – en.auschwitz.org

Em 6 de maio de 1945 ele foi capturado pelos ingleses perto de Ravensbruck.

Contando Tudo

Em 14 de dezembro de 1945, na cidade alemã de Minden, ele começou a escrever um relatório sobre suas experiências em Auschwitz, onde deu um amplo testemunho em relação à matança dos prisioneiros. O seu relato foi tão interessante que passou a ser conhecido como “Relatório Broad”.

Como um informante do exército britânico, Broad foi tido como um traidor pelos nazistas e teve de ser alojado separadamente dos outros prisioneiros alemães. Gostava do tratamento diferenciado.

Chegada de prisioneiros ao campo - Fonte - en.auschwitz.org
Chegada de prisioneiros ao campo – Fonte – en.auschwitz.org

Na verdade este nazista teuto-brasileiro relatou tudo em troca de sua vida. Além de ser um membro do destacamento da SS em Auschwitz, ele ainda era tecnicamente um cidadão brasileiro, que passou a guerra servindo como um voluntário da SS e poderia ter sido executado por traição ao nosso país, uma das nações que ombrearam junto aos exércitos Aliados. Além disso, ele era um excelente candidato a seguir para um campo de trabalho forçado soviético, por um número indeterminado de anos, já que a área de Auschwitz estava na região de dominação do Exército Vermelho.

Os ingleses devem ter utilizados de métodos extremante eficazes, pondo estes argumentos diante de Broad e assim fazê-lo abrir o jogo de maneira clara sobre o inferno que foi Auschwitz.

Perry Broad após a guerra - Fonte - collections.yadvashem.org
Pery Broad após a guerra – collections.yadvashem.org

Pelo material produzido foram concedidas a Broad reduções substanciais do seu tempo de cativeiro. Ele chegou a atuar como intérprete em interrogatórios e nos julgamentos ocorridos contra os líderes nazistas em Nuremberg. Foi libertado em 1947.

Negando o Passado

Casou-se no ano seguinte, mas divorciou-se em 1955 e voltou a se casar em 1958.

Já sua vida profissional na Alemanha Ocidental foi medíocre. Até 1953 foi balconista em uma serraria em Munster, contínuo em um fabricante de equipamentos elétricos localizados em Brunswick e um pequeno funcionário em um escritório na cidade de Dusseldorf.

Perry Broad fichado pela polícia da Alemanha Ocidental - Fonte - collections.yadvashem.org
Pery Broad fichado pela polícia da Alemanha Ocidental – Fonte – collections.yadvashem.org

Logo o seu passado em Auschwitz voltou a lhe perturbar.

Treze anos depois, em 30 de Abril de 1959, Broad foi interrogado por autoridades alemãs ocidentais por conta do seu passado nazista. Só foi libertado em dezembro de 1960, após o pagamento de 50.000 Deutsche Marks como garantia.

Foi novamente preso em novembro de 1964 e logo estava no banco dos réus. Desta vez o nazista empedernido e radical que vivia dentro de Pery Broad voltou a emergir com força. Ele não colaborou com a justiça alemã ocidental e deu uma guinada radical quando comparado ao relatório produzido para os ingleses. Ele se comportou como os demais antigos nazistas acusados de inúmeros crimes praticados em Auschwitz; negou todos os seus crimes. Dizia não ser capaz de se lembrar de nada e não emitiu uma palavra de arrependimento.

A grande obra de Perry Broad - Fonte - collections.yadvashem.org
A grande obra de Pery Broad – Fonte – collections.yadvashem.org

Mas quando foi confrontado com seus próprios registros feito aos seus captores, ocasionou um choque a sua defesa e foi condenado. Por tudo que Pery Broad fez e participou em Auschwitz passou meros quatro anos de trabalhos forçados. Em fevereiro de 1966 ele foi libertado e no mesmo ano foi publicado, na íntegra, o “Relatório Broad”.

O carioca Pery Broad nunca teve filhos e jamais retornou ao Brasil. Viveu os últimos anos de vida com uma pensão concedida pela nova, unida e democrática Alemanha, que certamente desprezava. Faleceu em Dusseldorf, no dia 28 de novembro de 1993.


[1] Sobre a vida de Pery Broad no Brasil, ver os jornais cariocas “A Rua”, 18 de abril de 1920, pág. 4, “O Imparcial”, de 10 de abril de 1921, pág. 5, “A Noite”, de 25 de março de 1922, pág. 1. Temos sobre os negócio do pai de Perry Broad no Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro de 1924, vol. 1, pág. 1849.

[2] Patente equivalente a segundo-tenente.

[3]Exceto entre os meses de junho e julho de 1944, quando Broad seguiu para um treinamento.

[4] Patente equivalente no exército alemão de Hitler, a Wehrmarch, a Obergefreiter, ou Primeiro Cabo.


Fontes – http://de.wikipedia.org/wiki/Pery_Broad

http://www.holocaustresearchproject.org/othercamps/perybroad.html

http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2011/10/how-reliable-and-authentic-is-broad.html

http://www.ihr.org/jhr/v02/v02p103_Faurisson.html

http://en.auschwitz.org/m/index.php?option=com_content&task=view&id=23&Itemid=8

http://memoria.bn.br/

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O ÚLTIMO VOO DE AUGUSTO SEVERO

Augusto Severo - Fonte - MUSÉE DE L’AIR ET DE L’ESPACE
Augusto Severo – Fonte – MUSÉE DE L’AIR ET DE L’ESPACE
O deputado brasileiro chegou a Paris em 1901 disposto a ganhar o prêmio Deutsch, mas foi superado por Santos Dumont. Seu dirigível, o Pax, voaria, mas por pouco tempo

Por Rodrigo Moura Visoni

Fonte – http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/o_ultimo_voo_de_augusto_severo.html

Augusto Severo de Albuquerque Maranhão, cujo nascimento, em 11 de janeiro de 1864, acaba de completar 150 anos, chegou a Paris no dia 5 de outubro de 1901, levando consigo os planos de uma aeronave revolucionária: o Pax, um formidável dirigível semirrígido que deveria resolver simultaneamente os problemas de manobrabilidade e estabilidade dos balões. Com esse veículo, ele pretendia concorrer a um prêmio de 100 mil francos (US$ 20 mil), o Grande Prêmio do Aeroclube da França, criado em 15 de abril de 1900 e destinado àquele que criasse a primeira máquina voadora eficiente.

Segundo o regulamento do concurso – chamado pela imprensa de “prêmio Deutsch” numa referência ao nome do fundador, o empresário francês Henri Deutsch de la Meurthe –, o prêmio seria entregue ao piloto que, num voo sem escalas, supervisionado por uma comissão do Aeroclube da França, partisse e retornasse ao Parque de Aerostação de Paris no tempo máximo de meia hora, cumprindo um trajeto preestabelecido de 11 quilômetros, tendo a Torre Eiffel no meio desse percurso.

Com Augusto Severo, viajara a sua companheira, Natália Silveira Cassini, e dois filhos. Logo no dia seguinte ao desembarque na capital francesa, ele encomendou o Pax à Casa Lachambre, famosa fabricante de balões. Depois, ele realizou a façanha de fazer subir em menos de duas semanas, no bairro de Vaugirard, um galpão de 35 metros de comprimento por 17 de altura e 15 de largura.

Em 15 de outubro de 1901, passados apenas dez dias de sua chegada à França, Severo foi entrevistado no hotel em que estava hospedado com a família por um repórter do Petit Phare, de Nantes, que tivera a informação de que ele era um importante deputado brasileiro:

– Desde quando se ocupa o sr. deputado de balões?

– Oh! Sou um matreiro do ar. Desde 1894, época em que mandei construir um grande balão de 52 metros de comprimento. Foi Lachambre quem o fez. Logo que fi cou pronto mandei-o para o Brasil. (…) Durante uma ascensão, a minha barquinha de madeira, que era realmente muito volumosa, quebrou-se pelo meio e tive uma queda. A coisa não passou, porém, de um grande susto. Peço-lhe para observar que já nessa época eu mandara colocar as minhas hélices na proa do meu balão. Preciso esse ponto por ser de importância capital. (…) 

Encomendei (este ano) ao sr. Lachambre o meu segundo balão. Dei-lhe o nome de Pax. Se não receasse cair na ênfase, lhe diria que já estou vendo o meu aeróstato vencedor do vento, vencedor das tempestades, pairando sobre o mundo como um sinal de paz universal. Mas saibamos esperar. (…) Devo fazer antes algumas experiências para familiarizar os meus amigos Álvaro Reis e Pacheco com o ar; esses bons amigos nunca subiram em balão. Tentarei depois a grande experiência, que se realizará a 15 ou ao mais tardar a 20 de novembro (de 1901).

O Bartholomeu de Gusmão sendo experimentado em 7 de março de 1894, no Realendo (Rio de Janeiro, Brasil) - Fonte - http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c6/Bartholomeu_de_Gusmao.jpg
O Bartholomeu de Gusmão sendo experimentado em 7 de março de 1894, no Realendo (Rio de Janeiro, Brasil) – Fonte – http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c6/Bartholomeu_de_Gusmao.jpg

Severo, nessa entrevista, se referiu ao Bartholomeu de Gusmão, dirigível que o inventor projetara em 1892 e levantou voo dois anos depois, mas cujas estruturas, feitas em bambu, não suportaram o esforço. O acerto de suas concepções, no entanto, o animaram a um novo projeto, o Pax.

Enquanto o Pax era manufaturado, Severo, que devia ser ele mesmo o piloto da aeronave, fez três ascensões em balões esféricos como treino: a primeira, sob a direção de Emile Carton, no dia 28 de outubro de 1901, em companhia do fi lho Otávio e do amigo Álvaro Pereira Reis; a segunda, em 18 de novembro, com Natália e o construtor do Pax, Henri Lachambre; e a terceira, em 28 de novembro, na qualidade de piloto, com Reis e Antônio Pacheco da Silva.

Severo já havia então perdido o prêmio Deutsch: em 4 de novembro de 1901, após uma prova muito contestada realizada no dia 19 do mês anterior com o dirigível Nº 6, o Aeroclube da França resolvera conceder o prêmio a Alberto Santos Dumont, um experiente balonista brasileiro que desde 1898 vinha fazendo animadoras experiências de condução com balões alongados dotados de lemes, hélices e motores a gasolina.

Nos meses consecutivos, a construção do Pax prosseguiu a passos lentos. Se Severo havia encontrado excelentes operários como auxiliares, o mesmo não se podia dizer dos seus fornecedores, que o serviam mal. Rara era a peça do balão que não exigia substituição ou reparação, e muitas vezes, quando pensava poder fazer a primeira ascensão, tinha de adiar o evento em semanas. Tais inconvenientes acarretavam despesas consideráveis. Uma carta de Natália à sobrinha Alice Duarte, escrita em 13 de dezembro de 1901, revela um pouco do cotidiano da família e dos problemas enfrentados:

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“Nós vamos bem, mas eu tenho saído muito pouco porque Augusto está todo o dia no balão, que tem dado um trabalho… e tem custado mais do que ele pensava. O trabalho está adiantado, mas parece que só no fi m do mês estará concluído. Temos tido muito desgosto com a imprensa do Brasil, quando a da Europa, em mais de quatrocentos artigos, só tem elogiado os trabalhos e planos de Augusto, sendo que o seu retrato tem sido dado em muitos jornais. Por estes dias, entre outras, Augusto receberá a visita de E. Zola.”

Ao contrário das expectativas, só em abril de 1902 o Pax ficou pronto. Custou ao todo 150 mil francos, quando talvez não custasse mais de 100 mil, se não houvessem sido necessários tantos reparos e substituições de peças.

O enchimento com hidrogênio durou cinco dias e terminou em 1º de maio. Uma vez cheio o balão, iniciou-se uma verdadeira peregrinação ao hangar do inventor, onde a aeronave impressionava, com seu porte majestoso. O número de visitantes era tal que foi necessário estabelecer-se um serviço de ordem dirigido pela polícia.

O Pax tinha 2.334 metros de cubagem, 30 de comprimento, 20 de altura e 13 de diâmetro. Possuía dois motores a petróleo, da marca Buchet: um de 24 cv à traseira e o outro de 16 cv à dianteira, os quais lhe davam uma potência total de 40 cv. Era dotado de sete hélices: uma tratora, na proa, duas propulsoras (uma na popa e outra na barquinha) e quatro laterais, destinadas a proporcionarem os movimentos de esquerda e direita do aeróstato, à guisa de leme de direção.

Uma estrutura de bambu sustentava as hélices da popa e da proa exatamente as extremidades do eixo longitudinal do balão, em vez de na barquinha, como era usualmente feito, evitando assim que a atuação de duas forças em sentido contrário – a tração e o arrasto – em pontos não diametralmente opostos da aeronave, gerassem perturbações prejudiciais ao equilíbrio e à marcha. Tal problema era conhecido como “tangagem” e até então não havia tido uma solução prática.

Severo fez duas ascensões cativas (com o balão preso por cordas) em maio para se familiarizar com o manejo do dirigível: a primeira no dia 4 e a segunda no dia 7. Ambos os testes deram excelentes resultados. O balão obedecia com facilidade ao impulso das hélices e demonstrava equilíbrio perfeito. Severo parecia fazer jus à antonomásia que ganhara, o “vencedor dos ventos”; mas o Pax estava mantido pela corda, o que favorecia a estabilidade. Teria o dirigível a mesma estabilidade quando livre e entregue às correntes aéreas? Essa era a grande questão e só uma ascensão livre poderia elucidá-la.

Na proa, Augusto Severo comanda o balão Pax, tendo na popa o mecânico Sachet - Foto - Musée de L'Air Le Bourgethttp://, VIA www.novomilenio.inf.br/
Na proa, Augusto Severo comanda o balão Pax, tendo na popa o mecânico Sachet – Foto – Musée de L’Air Le Bourgethttp://, VIA http://www.novomilenio.inf.br/

O voo inaugural foi marcado para 12 de maio. Às 5h30min desse dia, o balão, ovacionado por uma pequena multidão, deixou o solo. A aeronave levava Severo e o mecânico francês Georges Sachet, que havia trabalhado com Buchet, o fabricante dos motores do Pax. A ele coube a regulagem dos engenhos.

A experiência, à primeira vista, anunciava sucesso. O balão parecia obedecer docilmente às mãos do condutor e evoluía com facilidade. A 100 metros de altura, contudo, a grande hélice traseira deixou de girar a contento. Severo, provavelmente a fim de atingir altitudes superiores em busca de correntes aéreas favoráveis, começou a jogar lastro fora.

Primeira notícia publicada no jornal A Republica de Natal, sobre a morte do aviador - Coleção Tok de História
Primeira notícia publicada no jornal A Republica de Natal, sobre a morte do aviador – Coleção Tok de História.

De repente, a cerca de 400 metros de altura, os espectadores viram um clarão surgir na altura da nacela. Quase no mesmo instante, uma explosão tremenda foi ouvida. O balão havia se incendiado e estourado!

Sem a sustentação proporcionada pelo hidrogênio, os restos sólidos do aparelho tombaram com uma rapidez vertiginosa no meio da avenue du Maine; por puro acaso, ninguém foi atingido. Outro fato impressionante: conquanto bastante prejudicada pelo choque extraordinário, a estrutura não chegou a se desmontar. Sob os escombros e o entrelaçamento do que havia sido a barquinha, encontraram-se os cadáveres dos dois aeronautas.

As causas do acidente nunca foram estabelecidas com certeza. Pioneiro mundial dos dirigíveis semirrígidos, Severo também foi o primeiro mártir da aeronáutica brasileira.

Rodrigo Moura Visoni é primeiro-tenente arquivista do Quadro Complementar da Aeronáutica