Arquivo da tag: Campinas

120 ANOS DA MORTE DE CARLOS GOMES: SUCESSO E FRACASSO NA ÓPERA DA VIDA

carlos-gomes-ainda-jovem
Carlos Gomes durante sua juventude – Fonte – http://www.rotamogiana.com/2012/08/o-embranquecimento-das-nossas-elites.html

Compositor de Campinas ganhou o mundo por meio da música. Santos Dumont colocou pedra fundamental no túmulo do maestro.

Autora – Roberta Steganha – G1 Campinas e Região

Fonte – http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/09/120-anos-da-morte-de-carlos-gomes-sucesso-e-fracasso-na-opera-da-vida.html

Há 120 anos, no dia 16 de setembro, morria aos 60 anos o maestro e compositor campineiro Carlos Gomes em Belém, no Pará, vítima de um câncer na língua. A vida do Tonico de Campinas (SP), como gostava de ser chamado, mais parecia uma de suas óperas, já que foi marcada por alegrias, tristezas, sucessos e fracassos, numa dramaticidade típica desse gênero artístico que combina música e teatro.

operajoana
2ª ópera de Carlos Gomes no Brasil: Joana de Flandres (Foto: Reprodução/ EPTV) – Fonte – http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/09/120-anos-da-morte-de-carlos-gomes-sucesso-e-fracasso-na-opera-da-vida.html

Para lembrar a data, o G1 preparou um especial em três atos com toda a trajetória de vida do compositor até seu gran finale. Acompanhe os altos e baixos do menino humilde de Campinas que ganhou o mundo por meio da música.

1-ato

A vida de Carlos Gomes desde a sua infância esteve ligada ao universo musical. Tonico nasceu em Campinas em 11 de julho de 1836. Seu pai, conhecido como Maneco Músico, era responsável pela música nas cerimônias religiosas da região, além de ser compositor e regente de banda.

Segundo a curadora do museu Carlos Gomes e professora do curso de música da Unicamp, Lenita Mendes Nogueira, a vivência nesse universo foi fundamental para a carreira do maestro.

“Desde pequeno, ele começa a trabalhar na música, essa que foi a grande escola dele. O início da carreira dele foi com o pai, que também foi seu professor”, destaca.

Carlos Gomes teve oito irmãos, mas apenas um da mesma mãe, o também músico Sant’Anna Gomes, que esteve ao seu lado ao longo da vida e sempre o ajudou financeiramente.

Mas, a infância de Tonico aos 8 anos foi abalada pela primeiro grande drama da sua ópera pessoal: a morte da mãe. Fabiana Maria, conhecida como Nhá Biana, foi assassinada no quintal de casa a punhaladas e tiros. Como ela só se casou com Maneco Músico depois que Carlos Gomes já tinha nascido, o nome do pai na certidão dele está rasurado.

casa_carlosgomes
Casa onde Carlos Gomes morou no Centro de Campinas (Foto: Reprodução/ EPTV) – Fonte – http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/09/120-anos-da-morte-de-carlos-gomes-sucesso-e-fracasso-na-opera-da-vida.html

Segundo a professora, o crime nunca foi esclarecido. “Mas, o pai do Carlos Gomes, Maneco Músico, dizem que ele tava jogando carta no dia que mataram. […] Ele tinha esse álibi. Ela era muito mais nova que ele”, destaca.

Depois de uma infância musical, aos 24 anos, Carlos Gomes se mudou para o Rio de Janeiro para estudar. Ele queria escrever ópera. Na capital carioca, foi apresentado a D. Pedro II, que se tornaria seu admirador e mecenas.

No Rio teve febre amarela, se recuperou e um ano depois fez sua primeira ópera “A noite do castelo”.

Após sua segunda obra, “Joana de Flandres”, ele ganhou uma bolsa por ser o melhor aluno do conservatório e foi estudar em Milão, na Itália, em 1864. “Ele só foi para lá porque já tinha um certo nível. A base familiar foi importante. Vários irmãos dele foram músicos […] O Sant’Anna Gomes ficou aqui trabalhando e é importante na música. Mas, o Carlos Gomes tinha um talento que era a audácia, o cara que quebra a cara, que vai. Então, ele foi”, destaca Lenita.

2-ato

Na Itália, o “selvagem” ou “cabeça de leão”, apelidos que ganhou por lá, começou uma nova fase. Ele estudou no conservatório de Milão, onde recebeu o diploma de maestro-compositor. Foi nesta época que conheceu a pianista italiana Adelina Conte Peri, com quem se casou e teve 5 filhos ao longo do relacionamento que durou oito anos.

Foram cinco meses em terras estrangeiras até Carlos Gomes se destacar no Teatro Alla Scala de Milão, um dos mais prestigiados da época, com a ópera “II Guarany”, baseada no romance de José de Alencar, que conta o romance de Ceci e Peri.

“II Guarany é uma obra diferente do que se fazia lá. E tava bem na moda o exótico”, conta Lenita.

No entanto, para colocar sua música no teatro, o compositor precisou pegar dinheiro de D. Pedro II e do irmão Sant’Anna Gomes. Apesar de muito apresentada no período, a ópera nunca deu para o compositor retorno financeiro, já que ele vendeu os direitos da obra.

scala-milao
Teatro Alla Scala em Milão onde o maestro se apresentou (Foto: Reprodução/ EPTV) – Fonte – http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/09/120-anos-da-morte-de-carlos-gomes-sucesso-e-fracasso-na-opera-da-vida.html

Após o sucesso, o compositor passou a gastar muito em festas e luxos e por isso, vivia endividado e pedindo favores a amigos e conhecidos. Algum tempo depois, Carlos Gomes lançou a ópera, “Fosca”, que fugia do exótico.

“Ele não queria ser reconhecido como o cara que escreve sobre índio. Tanto que Fosca não vai para esse lado”, explica a curadora.

Mas, ao mesmo tempo que sua carreira decolava, ele vivia outra tragédia em sua ópera pessoal: a morte de uma filha ainda bebê.

Algum tempo depois, ele lançou sua terceira ópera em solo italiano “Salvador Rosa”, que conta a luta dos napolitanos contra os espanhóis e que fez muito sucesso. Com ela, o maestro ganhou prestígio, dinheiro e viveu um longo período de glória.

3-ato

Mas, essa fase terminou com o lançamento de “Maria Tudor”. A ópera não emplacou e a crítica sobre a peça foi péssima. Era o início do fim dos anos de glória vividos pelo Tonico de Campinas na Itália.

Nesse período também terminou, de forma traumática, o casamento do compositor após ele suspeitar que a mulher o traía. Pouco tempo depois, uma nova tragédia cruzou seu caminho.

Durante uma viagem com os filhos para Gênova, Mário, de 5 anos, que era o mais próximo do maestro, morreu no caminho. O menino tinha saúde frágil e não aguentou o longo trajeto.

O compositor se sentia culpado pela morte do filho. Com isso, entrou em depressão, passou por grandes dificuldades financeiras, teve crises nervosas, passou a beber mais do que de costume e adquiriu vícios como o ópio.

Um ano depois, tentou recuperar a rotina e retornou ao Brasil. Fez uma temporada de apresentações e passou a dividir seu tempo entre o país e a Itália.

leco
Casa de Carlos Gomes em Leco, na Itália (Foto: Reprodução/ EPTV) – Fonte – http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/09/120-anos-da-morte-de-carlos-gomes-sucesso-e-fracasso-na-opera-da-vida.html

Na região de Leco, gastou dinheiro construindo a mansão Villa Brasilia. A casa foi feita em um terreno de 10 mil metros quadrados e luxuosamente decorada com itens que lembravam o Brasil. Mas, sete anos depois dela ficar pronta, teve que vender por problemas financeiros. Atualmente, o espaço abriga uma escola de música.

“Ele ganhou dinheiro com Salvador Rosa, não foi com Guarani. E aí ele resolve comprar uma vila perto dos Alpes. Ele levou várias coisas do Brasil e tinha piso de mosaico escrito Pró Brasilia. Ele também comprou um barco. Ele se divertia com esse negócio de barco. Só que isso levou ele a falência “, ressalta Lenita.

carlosg-1098861
Carlos Gomes – Fonte – http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/05/entretenimento/172617-comissao-da-semana-carlos-gomes-ainda-nao-foi-instituida.html

Depois de ficar quase 10 anos sem fazer uma nova obra, ele lança “Lo Schiavo”, em 1889. “Ele retoma o exótico, que é ligado a abolição, depois mudaram para índio por razões provavelmente comerciais”, explica.

Mas, o maestro, que vivia indo e voltando ao Brasil, começou a sentir os efeitos da República na sua obra. Ele era símbolo do período que o país queria esquecer. “Ele tinha uma amizade com o imperador, mas ele não tinha noção nenhuma de política. Quando o império caiu, ele ficou marcado”, pontua a curadora.

Na Itália, escreveu ainda “Condor”, que foi a única obra que ele fez por encomenda e depois “Colombo”, que foi a última. “A essa altura ele também já não era mais querido na Itália, porque era estrangeiro”, afirma.

grand-finale

A partir disso, a vida de Carlos Gomes começa a entrar no último grande ato. Após não ser mais bem-vindo na Itália, ele decide retornar para o Brasil em 1895. Já bastante doente e em dificuldades financeiras, foi para o Pará para ocupar a diretoria do Conservatório de Música de Belém, cargo criado pelo governador Lauro Sodré para ajudá-lo.

Ele ficou no cargo até morrer no dia 16 de setembro de 1896, aos 60 anos, de câncer na língua. “Dizem que ele fumava uma piteira, que chamava Virgínia. Aquilo foi fazendo um calo. Têm relatos que dizem que ele nem podia falar mais”, explica Lenita.

ml_721
Carlos Gomes no leito de morte em Belém (Foto: Fotógrafo não identificado – Acervo MIS Campinas) – Fonte – http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/09/120-anos-da-morte-de-carlos-gomes-sucesso-e-fracasso-na-opera-da-vida.html

Após a morte, o corpo foi embalsamado e homenageado no Rio e em São Paulo. Depois, o maestro foi transferido para Campinas.

“Quando o corpo veio para cá, ele ficou primeiro na Capela do Cemitério da Saudade que é da família Ferreira Penteado”, relembra a curadora.

Depois, surgiu a ideia de fazer um monumento-túmulo no marco zero da cidade, que ficou pronto em 1905.

A pedra fundamental foi colocada em 1903 pelo aviador Santos Dumont, que retornou ao município, anos depois de ter estudado no colégio Culto à Ciência.

bmc_110a
Funeral de Carlos Gomes (Foto: Fotógrafo não identificado – Acervo MIS Campinas) – Fonte – http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/09/120-anos-da-morte-de-carlos-gomes-sucesso-e-fracasso-na-opera-da-vida.html

“O Santos Dumont foi convidado para colocar a pedra fundamental no túmulo. O museu tem a pá que foi usada para por a pedra fundamental. Esse convite foi feito pelo Cesar Bierrenbach, que é a pessoa que capitaneou todas essas coisas depois que o Carlos Gomes morreu e a ideia de fazer um monumento”, explica.

E enfim, depois de 37 anos fora, o gran finale de Carlos Gomes se deu quando ele retornou para sua cidade natal, onde repousa até hoje, como o Tonico de Campinas, lugar do qual sempre teve muitas saudades.

“No fim da vida, ele escreve cartas e nela sempre falava que tinha saudades da infância. Ele tinha uma relação de carinho com a cidade”, finaliza a curadora.

pa
Pá usada por Santos Dumont para colocar a pedra fundamental (Foto: Roberta Steganha/ G1) – Fonte – http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/09/120-anos-da-morte-de-carlos-gomes-sucesso-e-fracasso-na-opera-da-vida.html
Anúncios

O PASSEIO DO VEADO DA RUA SÃO BENTO

Rua São Bento em 1862, vista da esquina da Rua do Ouvidor, atual José Bonifácio, em direção ao mosteiro
Rua São Bento em 1862, vista da esquina da Rua do Ouvidor, atual José Bonifácio, em direção ao mosteiro

Texto – Edson Loureiro

Fonte – https://saopaulopassado.wordpress.com/author/eddyloureiro/

Se alguém estranhou o título, pode ficar despreocupado porque eu não perdi a compostura nem vou comentar sobre nenhum rapaz alegre saracoteando no centro de São Paulo. O veado em questão era uma escultura de madeira pintada de dourado que servia de frontispício em uma farmácia, a Botica Ao Veado D’Ouro, talvez esta escultura exista até hoje.. vai se saber…

Chegou a ser a farmácia mais antiga de São Paulo, pois foi fundada em 1858 por Gustavo Schaumann.  A origem da botica vem de mais longe. A história foi assim: Philip Gustav Schaumann nasceu em Hamburgo no dia 21 de janeiro de 1825. Pertencia a uma família burguesa culta e politizada. Estudou química na cidade de Heidelberg, graduou-se farmacêutico e fez parte do exército prussiano chegando a participar da campanha contra a Dinamarca em 1852.

Em 1853 veio para o Brasil. Gustavo Schaumann não seguia o padrão dos imigrantes alemães que eram subvencionados pela Província para obras públicas ou trabalho agrícola, era culto e tinha recursos. O que levou aquele jovem de 23 anos, tão bem preparado a dar baixa no exército e partir para tão longe? Seriam motivos políticos? Seria um desertor? Queria evitar alguma punição? O motivo de sua emigração é até hoje ignorado.

A fachada do prédio onde funcionou a botica de 1858 a 1921
A fachada do prédio onde funcionou a botica de 1858 a 1921

Ficou por um tempo em Santos e depois seguiu para Campinas onde ficou amigo de Gustavo Gravenhorst. Lá abriram uma casa de secos e molhados e também alguns medicamentos manipulados.

Gravenhorst muda-se para São Paulo e abre uma casa de papéis, livros e outras miudezas. Schaumann o segue e em 12 de maio de 1858 torna-se sócio da loja, pensando em formar uma farmácia de alto padrão, havia somente quatro farmacêuticos em toda a cidade, que na época tinha menos que 30.000 habitantes. Neste mesmo ano Gravenhorst segue em viagem para a Alemanha para adquirir os equipamentos necessários à montagem da botica, ficando Schaumann cuidando do negócio.

Porém, Gravenhorst adoeceu morrendo em território alemão e Schaumann, conforme o contrato social acabou comprando a parte do extinto sócio.

Frente da loja em 1920, no n. 40, antes da mudança para o n. 33.
Frente da loja em 1920, no n. 40, antes da mudança para o n. 33.

Foi a partir de então que batizou seu estabelecimento de Botica Ao Veado D’Ouro, como uma homenagem ao brasão de seus antepassados e colocou a escultura no frontispício da loja.

E o veado dourado ficou lá até que num belo dia de maio de 1871, Gustavo Schaumann, que morava no sobrado, desceu para abrir a loja e viu que tinha sumido. Quem iria roubar uma escultura sem nenhum valor e tão conhecida? Schaumann não precisou de muito tempo para desconfiar que sem dúvida aquilo era obra dos estudantes da Academia de Direito do Largo de São Francisco, conhecidos por suas “estudantadas”.

Assim, mandou publicar anúncios nos jornais Diário de São Paulo e Correio Paulistano, com o seguinte teor:

“Veado – O abaixo assignado offerece ao ilm. sr. ladrão a quantia de 50$000 dinheiro à vista pelo veado que lhe roubou; e no caso de se realizar este negócio, promete, debaixo de sua palavra de honra, não denuncial-o às autoridades. Gustavo Schaumann”

Deve ter funcionado porque logo a estátua voltou ao seu lugar.

Diário de São Paulo de 04-08-1871
Diário de São Paulo de 04-08-1871

Mas este não foi o único passeio do veado. Durante a Primeira Grande Guerra (1914-1918) , quando o Brasil entrou no conflito ao lado dos aliados contra a Alemanha, apareceram agentes policiais e recolheram a escultura por um bom tempo. Era um símbolo de família alemã…Quando a Botica mudou-se do número 40 (antigo) para o 33 (antigo) da Rua São Bento, o veado passou a ocupar um lugar de destaque dentro da loja. Do lado de fora, apenas uma placa com o perfil da marca.Gustavo Schaumann retirou-se para a Alemanha em 1887 e morreu em Hamburgo em 1892.A Botica Ao Veado D’Ouro continuou sob a direção de seu filho Henrique Schaumann. Em 1905, assumiu a empresa Alfredo Thiele e daí em diante passou por vários outros proprietários.Em 1998 esteve envolvida em um escândalo de falsificação de medicamentos e em 2008 encerrou as atividades depois de 150 anos de existência.

Fontes

SIRIANI, Silvia Cristina Lamberg, Uma São Paulo Alemã, Arquivo do Estado de São Paulo, 2003

Revista A Cigarra, 2. Quinzena de julho de 1920

Revista A Cigarra, 1. Quinzena de julho de 1921

Jornal Folha da Manhã, 16-03-1958

Jornal A Província de S. Paulo, 01-12-1887

Jornal Correio Paulistano, 30-04-1858

A CERVEJA PRETA MOSSORÓ – UMA HOMENAGEM GALOPANTE

u (4)

Apresento a vocês a cerveja preta Mossoró, um produto da Fábrica de Cerveja e Gelo Colúmbia, de Campinas, São Paulo, que começou a ser comercializada na década de 1930. Consta que era uma bebida saborosa e muito apreciada.

Fábrica Columbia, em Campinas, São Paulo - Fonte - http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com.br/2011/02/memoria-fotografica-fabrica-columbia.html
Fábrica Columbia, em Campinas, São Paulo – Fonte – http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com.br/2011/02/memoria-fotografica-fabrica-columbia.html

Esta fábrica do interior paulista iniciou sua produção em 1906, através do seu fundador Ângelo Franceschini, um italiano que chegou ao Brasil em 1875. Ficava em um grande prédio na Avenida Andrade Neves, 103 e todos seus produtos receberam medalhas de ouro e diplomas de honra nas exposições italianas de Torino em 1911, e em Roma em 1913. Fabricava entre outras, as cervejas: Franciscana, Duqueza, Colúmbia, Negrita e ainda o Guaraná Cristal. A produção anual de cerveja, refrescos, gasosas, água mineral e xaropes eram de 15 mil hectolitros.

u (3)

Mas o fato desta indústria campineira colocar Mossoró como nome de um dos seus produtos nada tem haver com alguma alusão, ou homenagem, a nossa “Capital do Oeste”. Realmente era uma homenagem, mas a um cavalo.

Ao menos não era um pangaré qualquer. Mossoró, a alimária, foi o primeiro campeão do Grande Prêmio Brasil de turfe, disputado em 1933. Essa é a competição máxima do turfe brasileiro, que ocorre até hoje no tradicional e chic Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro. Consta que esta é uma corrida de galope plano, em pista de grama e destinada a cavalos da raça puro sangue inglês a partir de três anos de idade. Sua vitória nos 3.000 metros do Grande Prêmio Brasil na Gávea foi obtida em 3 minutos e 9 segundos de galope potente e o jóquei foi Justiniano Mesquita.

O campeão Mossoró - Fonte - http://ritaturfe.blogspot.com.br/2010_12_19_archive.html
O campeão Mossoró – Fonte – http://ritaturfe.blogspot.com.br/2010_12_19_archive.html

Outro detalhe é que Mossoró, o animal, era pernambucano, filho de “Kitchner” e “Galathéa”, por “Pericles”, mas como eu não entendo nada de relações equinas, não sei explicar como foi este rolo. Nasceu em 1929 no Haras Maranguape, que pertencia ao coronel Frederico João Lundgren ( sobre este empresário ver – https://tokdehistoria.com.br/2014/05/12/oxente-hitler-arquivos-e-documentos-mostram-que-os-nazistas-estiveram-na-paraiba/ / http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0726/noticias/a-sobrevivente-m0053283.

u8

Mossoró, o quadrupede, foi longe. Neste mesmo 1933 ele venceu os Grandes Prêmios Cruzeiro do Sul e Dezesseis de Julho. Na temporada seguinte, foi levado para a Inglaterra onde correu em diversos hipódromos. Consta ter sido este cavalo o primeiro animal brasileiro a obter uma vitória em prados estrangeiros. Eu consegui uma manchete de 1935, que mostra o cavalo de Lundgren como tendo obtido o 2º lugar em uma tradicional corrida em Warwick, centro da Inglaterra.

Certamente que diante da popularidade e êxito de Mossoró, o cavalo de corridas, a Fábrica de Cerveja e Gelo Colúmbia, de Campinas, decidiu assim batizar a sua cerveja preta.

Só não descobri o que as pessoas de Mossoró, a orgulhosa cidade potiguar, achou da popularidade daquele cavalo de corrida.

Em 1957 a Fábrica de Cerveja e Gelo Colúmbia foi adquirida pela Companhia Antárctica e a cerveja Mossoró deixou de ser produzida.

NOTA  – Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.