COMO ERA NATAL EM 1872

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Por esses dias encontrei um interessante texto bem interessante, que mostra vários aspectos da minha velha cidade Natal em 1872.

Foi um trabalho publicado no jornal “A República”, edição de 14 de maio de 1972, intitulado “Natal há 100 anos atrás” e de autoria do escrito pelo advogado, juiz, professor e jornalista Veríssimo de Melo. O autor resgatou um texto escrito originalmente por João Lindolpho Câmara e publicado em 1938, como um dos capítulos do seu livro Memórias e devaneios.

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Mas quem foi João Lindolpho Câmara?

Não encontrei nenhuma foto que mostre seu semblante, mas sabemos que nasceu em Natal no dia 14 de maio de 1863. Estudou no Ateneu e ingressou no Tesouro Provincial em 1881. Em Natal atuou politicamente em prol da campanha abolicionista e foi um dos que assinaram a Ata da Proclamação da República no Rio Grande do Norte. Formado em Direito no Recife passou a viver no Paraná, Bahia e depois no Rio de Janeiro. Neste último local atuou como inspetor e conferente da Alfandega e foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte entre 1908 e 1911, onde se destacou por apresentar o primeiro projeto de repatriação dos restos mortais de Dom Pedro II para o Brasil e o de anistia da família Imperial.

Era extremamente destacado na função e duro com os que erravam. Lindolpho da Câmara chamou a atenção da imprensa nacional quando descobriu um desfalque na Caixa Econômica 400 contos de réis no Paraná e um outro desfalque de 178 contos no quartel do 39° Batalhão de Infantaria.

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Anos depois, com a vitória da Revolução de 1930, teve o nome cogitado para ser o primeiro interventor do novo regime no Rio Grande do Norte, mas abriu mão por problemas de saúde e o cargo foi ocupado por Irineu Joffily. Aposentou-se do serviço público em 1931.

Lindolpho da Câmara escreveu alguns livros, a maioria com foco técnico na área da atividade alfandegaria. Foram eles Contas assinadas (1923); Projeto de reforma das tarifas (1928); Projeto de Código Aduaneiro (1929); Tarifa dos impostos de consumo (1930). Escreveu um livro de cunho histórico intitulado Na República Velha: aspectos administrativos, econômicos, financeiros, políticos e sociais (1931) e seu último trabalho de prosa e versos denominado Memórias e devaneios (1938). É nesta derradeira obra onde se encontra um capítulo denominado “Natal do meu tempo”, onde o autor trás as suas memórias sobre a sua cidade de nascimento nos primeiros anos da década de 1870.

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Foi casado com Constança Valença Câmara, gerando uma família com dez filhos, mas ela faleceu em 1938. Lindolfo Câmara por sua vez morreu no Rio de Janeiro, em 2 de julho de 1944, aos 81 anos, tendo o corpo sido enterrado no Cemitério São João Batista. O seu detalhado necrológico foi publicado no diário carioca Jornal do Commercio, edição de segunda e terça-feira, 3 e 4 de julho de 1944, na página cinco.

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Veríssimo de Melo – Fonte – http://www.tribunadonorte.com.br/

Aparentemente como resultado da publicação feita por Veríssimo de Melo no jornal “A República” de maio de 1972, esse material foi também publicado na Revista do Instituto de Ciências Humanas da UFRN em 2006 foi reeditado pela Editora Sebo Vermelho.

O leitor deve ficar atento que algumas passagens escritas por Veríssimo de Melo estão bem ligados a situações típicas do início da década de 1970, quando o texto foi escrito.

Gostaria de informar que devido a exiguidade de fotos da década de 1870 sobre Natal, utilizei o material do início do Século XX, quando muita coisa na cidade ainda tal e qual como visto e relatado por Lindolfo Câmara.

O TEXTO DE VERÍSSIMO DE MELO SOBRE AS MEMÓRIAS DE LINDOLPHO DA CÂMARA

“Natal há 100 anos passados”

Como seria Natal há cem anos passados? Quais as dimensões da cidade, topônimos, festas, superstições, costumes, condições gerais de vida da Província do Rio Grande do Norte aí pelos idos de 1872?

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Mapa de Natal nas últimas décadas do Século XIX. basicamente só existiam a região do centro da cidade e a Ribeira, cujo manguezal desta última área ainda não tinha sido aterrado.

Temos agora em mãos um depoimento de valor histórico, que nos permite visão e comentário em torno dos aspectos mais interessantes da nossa cidade, naqueles velhos tempos. Documento que não vimos citado pelos nossos historiadores, mas que tem valor não somente histórico, mas igualmente sociológico e antropológico. Trata-se do capítulo “Natal do Meu Tempo”, do livro “MEMÓRIAS E DEVANEIOS”, de autoria de Lindolpho Câmara, editado em 1938 no Rio de Janeiro. (Devemos ao Dr. Marciano Freire a lembrança de nos permitir compulsar o documento).

Esse Lindolpho Câmara, estamos sabendo agora, era homem probo, ligado à tradicional família Câmara, do Estado, tendo exercido postos os mais elevados no funcionalismo provincial e federal.

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Comparando-se os dados históricos de Lindolpho Câmara com os do historiador Manoel Ferreira Nobre, (“BREVE NOTÍCIA SOBRE A PROVÍNCIA DO RIO GRANDE DO NORTE”-1877), vemos que eles se completam e ampliam as informações sobre a época. Ferreira Nobre foi o nosso primeiro historiador. Seu livro já obedece a uma sistemática, atendo-se, preferentemente, aos aspectos político, educacional, administrativo e socioeconômico da Província. Lindolpho Câmara, embora consigne alguns dados estatísticos da cidade, estende-se mais a respeito de costumes e tradições. Seu depoimento, menos extenso, é mais pitoresco, mais vivo do que o de Ferreira Nobre. Em muitas passagens, escreve com objetividade e graça.

A primeira impressão de Lindolpho Câmara sobre Natal é a respeito da extrema pobreza da população. Em 1870, a cidade contava 12 mil almas. A população total da Província, segundo o censo de 1872, por ele citado, elevava-se a 233.960 habitantes, número quase idêntico ao que nos dá Ferreira Nobre.

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Os que aqui nasciam, diz o autor, em face da precariedade do meio, só tinham condições de ser pescadores, roceiros ou soldados de Polícia. O comércio era pobre. Não havia água encanada, nem esgoto, nem luz. Os poucos lampiões existentes, que queimavam azeite de mamona, antes do querosene, não se acendiam nas noites de lua… O 33º Presidente da Província, Henrique Pereira de Lucena, em 1872, pronunciava-se tristemente sobre Natal: “Vila insignificante e atrasadíssima do interior”. Daí o trocadilho da época, sobre Natal: Cidade? Não-há-tal.

A respeito da mendicância, Lindolpho Câmara afirma, simplesmente, que não havia em Natal, porque ninguém tinha o que dar… Nesse sentido, evoluímos muito.

Natal constituía-se da Cidade Alta e da Cidade Baixa ou Ribeira. As tradicionais lutas entre Xarias e Canguleiros são mencionadas pelo autor como fato de um século atrás, embora nada tenha visto a respeito. Além dos prédios públicos principais, a casa dos governadores, a Câmara e Cadeia e o Erário, só existiam quase as mesmas igrejas de hoje: a da Matriz, de Santo Antônio, do Rosário e do Bom Jesus.

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Os nomes de logradouros e ruas foram quase todos mudados, o que é lamentável, pois eram muito mais bonitos do que os atuais. O Canto do Mangue, por exemplo, era chamado o Canto das Jangadas. E as ruas principais eram a da Tatajubeira, das Virgens, das Laranjeiras, do Fogo, Rua Grande, Praça da Alegria, Rua da Palha, Rua Nova, Rua dos Tocos, Uruguaiana, Beco Novo. Os logradouros mais famosos eram o Baldo, a grande piscina pública, e o cais do Passo da Pátria, onde ancoravam as embarcações vindas do interior. A única devoção popular conhecida era a da Santa Cruz da Bica, hoje decadente. Há referência a uma lagoa de José ou João Felipe, e que deve ser a atual lagoa de Manoel Felipe.

Os dois mercados existentes eram precários: o da Ribeira funcionava debaixo de uma velha Tatajubeira. O da Cidade Alta, à Rua Nova, sob “frondosas gameleiras”. As medidas e pesos usados na época eram a cuia, a vara e a libra. As moedas eram o xenxém de 10 réis; dobrões de cobre de 20 e 40 réis; notas de 1$000 e 2$000; sendo que unidade era pataca, equivalente a dezesseis vinténs. Lindolpho Câmara faz uma afirmação importante do ponto de vista financeiro: “Naquele tempo, tudo era barato, menos o dinheiro”. É que a desgraçada da inflação ainda não tinha sido inventada pelos economistas…

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COMER E BEBER

Parece oportuno verificar o que comia e bebia o natalense há cem há anos passados: as frutas, os peixes, os doces, as bebidas, os pratos típicos.

Nos dois mercados, além da feira no Passo da Pátria, encontravam-se várias frutas apanhadas nos sítios e matas em redor da cidade. Umas abundantes ainda hoje. Outras, já raras. Por exemplo: eram e continuam abundantes, a mangaba, os cajus, cajaranas. Mas já não é fácil, nos mercados, frutas como a maçaranduba, guabiraba, camboins, oitis, ingás de corda, como ele chamava. E outras que até desconhecemos, como as ubais e os guajerus. Todavia, para colher essas frutas, havia que enfrentar os inimigos traiçoeiros dos matos: as formigas de fogo, cobras nas moitas e vespas na galhada. As caças mais abundantes na época eram os jacus, inhambus, cotias e tatus.

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Diz Lindolpho Câmara que não havia terra com maior abundância de peixes e crustáceos do que Natal daquela época. Trazidos pelas jangadas dos pescadores, enumeravam-se a cavala, o dentão, a cioba, o pargo, a pescada, a bicuda, o dourado, a corvina, o beijupirá e o cação. Nas praias, através dos currais ou da pesca de arrastão, com tresmalhos ou tarrafas, estavam as tainhas, sardinhas, espadas, palombetas, galos, carapebas, carapicus, bagre, baiacu, agulhas e agulhões. Pescados nos mangues e recifes da Fortaleza, lembra os camarões, lagostas, lagostins,  caranguejos, siris e aratus. Outras variedades eram os ouriços, ostras, mariscos, unhas de velho e polvos. De Ponta Negra, apesar da “longitude da travessia”, vinham os xaréus. Quanto à carne verde, o autor informa que eram abatidas duas rezes nos dias comuns e três, do sábado para o domingo e dias festivos, para toda população.

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A venda dos peixes, nos mercados, era feita tradicionalmente anunciada pelo eco de um grande búzio, “soprado por sujeito de fôlego e que estrondava pela cidade silenciosa até os seus confins”.

Os pratos típicos mais famosos parecem que eram as “dobradinhas”, “cobiça dos gastrônomos”, diz o autor, feitas com “livros” ou “folhoso”. A propósito desses “livros”, conta uma anedota de certo tipo popular, o negro Moisés, servente ou oficial de justiça, que andava sempre de sobrecasaca e cartola. Ao cruzar com o juiz de direito, sobraçando um “livro” (estômago de boi), indagou a autoridade:

– O que levas aí, é a Bíblia?

Resposta rápida do negro:

– Não senhor, é o Código Penal.

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O autor faz referências a outros pratos cuja fama chegou até nós: os mocotós, para as mãos-de-vaca ou panelada; os miolos, para as fritadas; as tripas e linguiças.

Das bebidas, só há registro da cachaça de Papari, que ele chama “a deusa dos ébrios”, e a “laranjinha”. Para as pessoas de categoria, havia a “genebra de Holanda”, importada em botijas de barro vidrado.

Já há cem anos certas bebidas se confundiam com remédios poderosos: a genebra era receitada também para cólicas intestinais, defluxeiras, espinhela caída, maus-olhados, sarampo e bexiga recolhida… Hoje, a cachaça corta resfriado e o uísque é bom para o coração…

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Em matéria de fumo, o melhor cigarro era o de fumo picado em papel de milho.

Só o nome depreciativo chegou até nós: Era o mata-rato…

SERENATAS E TERTÚLIAS

Há cem anos passados, Natal apresentava alguns costumes e tradições que chegaram até nós. Outros, porém, já se diluíram no tempo. Praticamente desapareceram da cidade em crescimento. Claro que ainda hoje, por exemplo, temos serenatas e tertúlias (estas com outros nomes). Mas os “Cantões”, – de que nos fala Lindolpho Câmara, – já desapareceram.

As festas de São João e Natal ainda persistem, embora perdendo sempre o brilho e entusiasmo de antigamente. Sobraram alguns vestígios, mas, estes mesmos, parece que estão fadados a se transformar rapidamente. Examinemos.

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As serenatas, há cem anos atrás, nas noites de lua, eram feitas ao som de violões, flautas, clarinetes e pistões. (Ora, quem sair, nos dias de hoje, com pistom e clarinete, pela madrugada, estará muito arriscado a ser levado pela Radiopatrulha. A lei do silêncio será logo lembrada, pelo telefone).

Lindolpho Câmara nos fala com tal entusiasmo das serenatas, do seu tempo, que chega a afirmar: “… até as pedras das calçadas se levantavam para ouvir” os seresteiros. Cantavam coisas assim: “Linda deidade chega à janela, vem ver a lua como está bela”. (A lua, coitada, depois que os astronautas estão lá dentro, já está meio desacreditada pelas moças). Mas frisa o autor que não era só a janela, que se abria, para os seresteiros. Era a porta, para deixar entrar “o bando canoro”. E o trago de vinho do Porto era servido a todos, “em um copo único”. A tradição do copo único, que já não existe, lembra a do mate gaúcho, servido de igual maneira. Com a divulgação dos princípios de higiene, ninguém mais se arrisca a beber no copo usado até mesmo por uma donzela… As festinhas familiares de hoje, aniversários, comemorações de qualquer espécie, entre amigos, eram chamadas antigamente de “tertúlias”.

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Lindolpho Câmara refere que a falta de clubes recreativos na cidade determinava as comemorações caseiras. Parece que esse não era o motivo principal. Hoje, a cidade está cheia de clubes e as festinhas familiares continuam. São as mais gostosas.

Naquele tempo, já se recitava ao som de Dalila, um dedilhado ao violão, que chegou até nós. Alguns conservadores ainda fazem questão de Dalila, para recitar besteira. Numa dessas tertúlias, há cem anos passados, o autor lembrou distinta dama da sociedade, que a todos encantou interpretando uma melodia e acompanhando-se ao violão. Atualmente, de tanto “encher” a cidade as Maysas Matarazzos e outras vedetes do gênero, é mais aplaudida a dama que não canta e nem toca violão.

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Os “Cantões” eram reuniões permanentes de pessoas amigas, nas calçadas de certas residências, para bater papo e falar da vida alheia. O mau hábito de falar da vida alheia é universal e eterno. Mas em Natal, já agora, não se fala apenas em locais determinados. Fala-se por toda parte. Lembra Lindolpho Câmara o “Cantão” famoso do capitão José Antônio de Souza Caldas, na calçada da sacristia da Matriz. O capitão, que morava defronte, fornecia as cadeiras e a turma se reunia, toda tarde. Era uma roda de Conservadores, diz o autor, o que excluía os Liberais da época. Sabemos hoje, de raros casos de pessoas distintas de Natal, que ainda se reúnem em cadeiras nas calçadas, para papear. Mas, Deus nos livre de citá-los nominalmente e nem lembrar de quem ali se fala e toda a cidade sabe no dia seguinte… O perigo maior de sentar na calçada, nos dias atuais, para falar da vida alheia, não é tanto devido à possível repercussão dos assuntos tratados. O perigo mesmo está na passagem dos chamados “playboys”, com suas máquinas voadoras, podendo levar todos nós de roldão, para o beleléu…

SÃO JOÃO E NATAL

Duas grandes festas do povo, na cidade, há cem anos passados, eram também o São João e o Natal, afirma o memorialista Lindolpho Câmara.

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No São João, acendiam-se as fogueiras diante dos lares pobres ou remediados, para assar o milho verde e as batatas doces. Dentro das casas, armavam-se altares de banqueta, com a efígie de São João no alto. Entoavam-se cantos alusivos à data e na mesa de jantar estavam os pratos de canjica e bolos os mais variados. Moças e rapazes tiravam sortes, – como ainda hoje, – para saber com quem casavam. À meia-noite, diante do altar, cumpria-se velha superstição: todos deveriam olhar um espelho, para verificar se viam a própria cabeça. (É claro que todos a viam). Mas afirmava-se que, aquele que não a visse, deveria logo mandar encomendar o caixão mortuário…

Variante da mesma abusão, que já registramos no passado, mandava que se olhasse para o fundo de uma jarra com o mesmo fim. Sobre a festa do Natal, o autor refere que saíam às ruas o Bumba-meu-boi, o samba, o maracatu e o batuque. A referência ao maracatu é curiosa. Sabíamos da existência do tradicional maracatu do Recife, e, mais recentemente, em Fortaleza. Mas nunca tivemos notícia de maracatu em Natal. Pena que o autor não tivesse descrito o folguedo popular.

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Nas casas de famílias armavam-se os “vistosos presépios”, a nossa verdadeira tradição latina, hoje praticamente substituída pelas chamadas “árvores de natal”, pagãs e sem qualquer vinculação com a tradição brasileira e portuguesa. À meia-noite, informa Lindolpho Câmara, serviam-se comidas típicas, algumas “hoje” quase desconhecidas: os pastéis de carne de porco, o chouriço, os doces secos, os sequilhos, as castanhas de caju confeitadas.

Os cordões de pastorinhas invadiam as casas, entoando os cânticos tradicionais: “Entrai, entrai Pastorinhas, entrai, entrai em Belém vinde ver nascido Jesus, nosso Bem”. É preciso considerar o comportamento das moças nessa época, segundo refere o autor. O recato era rigoroso: “Não podiam pôr o pé fora do sapato,não podiam cruzar as pernas, nem falar alto, nem comer qualquer iguaria à porta ou à janela, nem olhar para rapazes”.

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O namoro era considerado indecoroso. As moças só casavam com quem os pais determinavam. Conta, a propósito, o que se verificou na casa do Dr. Loló, senhor de engenho no Ceará-Mirim. Certo dia apareceu um sujeitinho para pedir a mão de uma das suas filhas em casamento. Dr. Loló reuniu as meninas, avisou-as antecipadamente de que não deveriam aceitar a proposta e mandou-as para a sala. Falou na presença de todos: – O Sr. Manuel veio pedir uma de vocês em casamento. Qual a que quer? – Eu não quero, disse uma. – Eu também não, disse outra. Então o Dr. Loló exclamou diante do fracassado pretendente: – Está vendo Manuelzinho, elas não querem. Não posso satisfazer o seu pedido, embora fosse muito do meu agrado…

Mas, apesar disso, é fora de dúvida que as moças namoravam e casavam, vencendo ou driblando os obstáculos paternos. E havia muitas que fugiam, exatamente como hoje.

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MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Quanto menor a cidade e mais pobre, mais precários são os seus meios de comunicação. Por aí já se tem uma ideia de como seriam os veículos de comunicação na velha cidade do Natal, há cem anos passados.

Das memórias de Lindolpho Câmara, que estamos comentando, destacam-se, nesse sentido, os sinais semafóricos, através do telégrafo ótico da Catedral e o movimento dos carretos à cabeça, em animais e carros de bois. Esse telégrafo, por meio de bandeiras e cores, montado no alto da torre da Matriz, foi também um dos nossos alumbramentos na meninice. Muitas vezes, foi também um dos nossos alumbramentos na mesmice. Muitas vezes, ficávamos horas esquecidas sentados no telhado de casa, só prá ver os escoteiros mudar as bandeiras coloridas. Mesmo sem entender o significado dos sinais, estamos convencidos, hoje, de que aquele serviço foi, na verdade, a nossa primeira TV a cores.

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Temos agora em mãos o folheto intitulado “CÓDIGO DO TELÉGRAFO ÓPTICO”, trazendo o Decreto Estadual n.º 156, de 18 de novembro de 1921, do Governador Antônio José de Mello e Souza, que restabeleceu o serviço semafórico, sob a direção da Associação dos Escoteiros do Alecrim. Segundo as “explicações”, o telégrafo começaria a funcionar a “um quarto antes do nascimento do sol, terminando um quarto de hora depois do ocaso”.

São centenas as convenções, de acordo com o Código Marítimo Internacional, mas o nosso, da Catedral, só empregava três bandeiras – azuis e vermelhas, quadradas e em forma de quadriláteros, – e três galhardetes. Entre outras informações, os sinais indicavam a saída e entrada dos navios; se eram de guerra ou transporte; nacionalidade; se estavam passando noutra direção ou vinham ancorar em Natal; se havia enfermo a bordo; se pediam o prático; nome da embarcação e da companhia de navegação, etc. Havia até um sinal que indicava se o navio batera na “baixinha”, a pedra famosa onde encalharam várias embarcações. O telégrafo óptico prestou serviço real à população natalense desde o século passado até, talvez, a década de trinta.

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Sobre os outros meios de comunicação, convém registrar a observação de Lindolpho Câmara quanto ao nosso primeiro carro de passeio. Afirma que, há cem anos passados, Natal não dispunha de um só veículo para tráfego na cidade. Tudo era feito a pé ou em animais. E ninguém cogitava de adquirir nem mesmo “uma caleça ou um tilbury”.

Daí, relata coisas incríveis como estas: o Presidente da Província, com o seu séquito, partia a pé, do Palácio (na Rua do Comércio, na Ribeira), subia a ladeira e vinha abrir a sessão da Assembleia Legislativa na Cidade Alta. Diz ele: “… chegavam esbaforidos, suarentos, que quase nem podiam subir as escadas do edifício…” Finda a cerimônia , tornava pela mesma rota ao Palácio.

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Os enterros eram penosos, acrescenta. Todos “chegavam deitando a alma pela boca, menos o defunto“.

Os casamentos “eram ridículos”: todo mundo a pé, inclusive os noivos, na frente, subindo e descendo ladeira, dando topadas nas pedras pontudas…

Só nas proximidades da proclamação da República, o Dr. Celso Caldas, médico, adquiriu um carro usado, no Recife, nele atrelando dois cavalos magros. Fazia as visitas aos doentes nesse carro e também passeava, emprestando-o, muitas vezes, para cerimônias oficiais.

CONCLUSÃO

Foi esta a imagem que pudemos inferir de Natal há cem anos passados, segundo o depoimento do Dr. Lindolpho Câmara.

Era, positivamente, uma cidade pobre, desprovida dos meios mais elementares ao desenvolvimento urbano. De certa forma, refletia a influência do plano nacional. Todavia, nestes cem anos de existência, Natal cresceu e desenvolveu-se muito mais do que poderia imaginar os já nascidos nas primeiras décadas deste século XX. Daqui a cem anos, isto é, no ano de 2072, o que dirão de nós os nossos pósteros? Possivelmente, ainda nos considerarão subdesenvolvidos como nós achamos hoje os nossos antepassados do ano de 1872. E assim é a vida…

PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

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A guerra nas trincheiras, verdadeiro moedor de carne humana, foi uma das situações marcantes da Primeira Guerra Mundial. – Fonte – http://www.sahistory.org.za/article/world-war-ihttp://www.sahistory.org.za/sites/default/files/article_image/worldwar1somme-tl.jpg

Envolvimento do país no conflito é pouco conhecido, mas digno de um bom enredo, que começa com o afundamento de navios brasileiros por submarinos alemães e termina com a participação na criação da Liga das Nações.

Por Luciana Fagundes e Sagran Carvalho.

Fonte – https://cafenofront.wordpress.com/2017/10/26/participacao-brasileira-na-primeira-guerra-mundial/

A Grande Guerra ou Primeira Guerra Mundial começou em agosto de 1914 e terminou em novembro de 1918. Tal evento dramático aglutinou, inicialmente, as forças aliadas da chamada Tríplice Entente, composta pelo reino da Grã-Bretanha, os impérios da Rússia e do Japão e a República da França, contra as forças da Tríplice Aliança, composta pelos impérios centrais da Alemanha e da Áustria Hungria, o império Turco-Otomano e o reino da Itália. No desenrolar do conflito, ambos os lados sofreram alterações em sua composição: a própria Itália entrou efetivamente na guerra ao lado da Tríplice Entente e não da Tríplice Aliança, e o Império Russo retirou-se da guerra em 1917 devido a graves problemas internos, ocupando seu lugar na Entente os Estados Unidos. A princípio neutro diante do conflito, o Brasil revogou a neutralidade em favor da França, Rússia, Grã- Bretanha, Japão, Portugal e Itália em junho de 1917, reconheceu o estado de guerra em novembro seguinte e enviou uma Divisão Naval em Operações de Guerra em maio de 1918.

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Tropas alemãs com proteção contra gases – Fonte – http://www.emersonkent.com/wars_and_battles_in_history/world_war_I.htm

DA NEUTRALIDADE À PARTICIPAÇÃO

As preocupações com uma guerra generalizada na Europa mostraram-se frequentes já no final do século XIX. Um sinal da iminência da guerra foi a corrida armamentista que se acelerou no início do século XX, conduzida em grande medida pela situação internacional que lançou as nações em uma acirrada competição. A Europa dividiu-se gradualmente em dois blocos, derivados do surgimento no cenário europeu de um Império Alemão unificado, através de alianças e contra alianças. Tais blocos, fortalecidos por planos de estratégia e mobilização, tornaram-se mais rígidos, arrastando todo o continente europeu para a guerra através de uma série de crises internacionais.

A crise final veio em 1914, com o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando da Áustria quando se encontrava em visita a Sarajevo.

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O atentado ao arquiduque, o estopim da guerra de 1914 – Fonte – https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ea/DC-1914-27-d-Sarajevo-cropped.jpg

Quando eclodiu a guerra na Europa, o Brasil matinha relações bastante cordiais com os principais países beligerantes, como a Alemanha, que era seu principal parceiro comercial, seguida pela Inglaterra e depois França. Outro setor onde se fazia notar a influência alemã era o militar. Desde a ascensão do marechal Hermes da Fonseca ao Ministério da Guerra em 1906, o Exército brasileiro seria profundamente influenciado pela organização militar alemã, com o envio inclusive de jovens oficiais para servirem no Exercito alemão, considerado o mais bem organizado da época.

Deflagrado o conflito, o governo brasileiro adotou a completa neutralidade, fixando regras para sua observação. Ao optar pela neutralidade, o Brasil sofreu com uma série de restrições comerciais impostas pelos países beligerantes aos países neutros. Um exemplo de tal ação foi a imposição pelos países aliados da statutory list, ou lista negra, uma relação de empresas em países neutros com as quais estava proibido o comércio por manterem relação com a Alemanha. A aplicação da lista negra provocou violentos protestos contra a Inglaterra, pois as consequências foram desastrosas para a economia brasileira. Tais protestos, dirigidos ao Itamaraty ou diretamente ao presidente da República, vinham principalmente de associações comercias que contavam com capitais alemães, como por exemplo, firmas exportadoras de café, que foram incluídas na lista negra e exigiam a interferência constante do Itamaraty junto aos cônsules ingleses. A dificuldade de comércio com a Europa abriu amplas oportunidades para a entrada de produtos norte-americanos, possibilitando o crescimento dos Estados Unidos como principal parceiro econômico das nações latino-americanas, especialmente do Brasil. Outra implicação da guerra que afetou negativamente a economia brasileira do período foi a crise dos transportes marítimos, devido à falta crescente de navios de comércio e aos riscos da navegação para o exterior, o que dificultou ainda mais a exportação do café, limitando seus mercados consumidores.

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O teórico militar prussiano Carl von Clausewitz escreveu uma vez que “a guerra é uma continuação da política por outros meios”, e sendo isso verdade, então, para entender a Grande Guerra é preciso começar com a política da Europa. No final do conflito quatro impérios já não mais existiam e a contagem final de baixas militares e civis é estimada em mais de 37 milhões de seres humanos. Nesta imagem, um oficial francês é atingido por disparos de uma metralhadora durante um contra-ataque em Verdun, 1916 – Fonte – https://io9.gizmodo.com/11-intriguing-ways-world-war-i-could-have-turned-out-di-1652195903

“ALIADÓFILOS”, “NEUTRAIS” E “GERMANÓFILOS”

O posicionamento do Brasil no conflito mundial, além de problemas comerciais, suscitou um intenso debate que dividiu a opinião de intelectuais e políticos entre “aliadófilos”, “neutrais” e “germanófilos”. Eram evidentes, todavia, as simpatias pelos Aliados. A própria invasão da Bélgica pelos alemães em agosto de 1914, logo no início da guerra, provocou uma moção apresentada à Câmara dos Deputados pelo parlamentar Irineu Machado na qual o Brasil se colocava contrário à ação alemã, por tratar-se de clara violação de tratados e desconsideração das leis internacionais. A fundação, no ano seguinte, da Liga Brasileira pelos Aliados marcou claramente a preferência pela causa das nações da Entente. Para presidente da entidade foi escolhido Rui Barbosa, e para vice, o ensaísta e crítico literário José Veríssimo. Também integravam a Liga Graça Aranha, Barbosa Lima, Olavo Bilac e Manuel Bonfim.

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Fonte – https://blogdoenem.com.br/primeira-guerra-mundial-historia-enem-2/

Entre os simpatizantes dos impérios centrais, a voz mais ativa era do deputado Dunshee de Abranches, que, quando do início do conflito, ocupava o posto de presidente da Comissão de Diplomacia da Câmara. Na visão de Abranches, a origem do conflito era puramente comercial e econômica, e tinha como objetivo a destruição da prosperidade nacional da Alemanha. Abranches criticou a ingenuidade dos aliadófilos que acreditavam no discurso inglês de defesa da civilização contra a barbárie, considerando fruto da propaganda britânica as denúncias de violências praticadas nas invasões alemãs à Bélgica e França. Tal postura acabou levando à sua renúncia à posição de presidente da Comissão de Diplomacia.

Quanto aos que defendiam uma posição neutra, seu principal argumento residia no fato de que a posição “aliadófila” significava um alinhamento automático aos Estados Unidos, o que colocava o Brasil em uma posição de dependência em relação àquele país. A manutenção da neutralidade também foi defendida pela imprensa carioca no início do conflito, justificada pela tradição pacifista nacionalista, e contava com figuras de destaque na opinião pública, como Assis Chateaubriand, Vicente de Carvalho, Jackson de Figueiredo, Azevedo Amaral, Carlos Laet e Alberto Torres.

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A aviação obteve um grande desenvolvimento com a Primeira Guerra – Fonte – Mrs. Warner’s 4th Grade Classroom

INTEGRIDADE DAS AMÉRICAS

À medida que o conflito se expandia pela Europa, propostas de alianças diplomáticas surgiram entre as nações americanas, como a ideia de um Tratado Pan-Americano, sugerida pelo presidente norte americano Woodrow Wilson com o objetivo de garantir a independência política e a integridade territorial de todos os países das Américas. Outra iniciativa foi a realização da Conferência Pan-Americana em Washington, com o objetivo de discutir uma reação hemisférica em caso de ameaça de ataques de submarinos alemães.

As negociações diplomáticas não prosseguiram, e a realização da conferência em Washington tornou-se inviável com o decorrer da guerra; já o Tratado Pan-Americano enfrentou dificuldades, como o posicionamento do ministro brasileiro Lauro Müller, que defendia a continuidade da neutralidade brasileira, embora a opinião pública nacional se inclinasse à adesão às forças da Entente.

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Soldados franceses em Verdun – Fonte Getty Images

Em janeiro de 1917, o quadro ficou mais complicado, quando o governo alemão resolveu declarar guerra submarina irrestrita com a finalidade de bloquear o comércio aliado. O governo brasileiro protestou, declarando não aceitar o bloqueio; já o governo norte americano rompeu relações diplomáticas com a Alemanha. A ruptura de relações diplomáticas dos Estados Unidos foi seguida de um convite do presidente norte-americano Woodrow Wilson às nações neutras para que estas acompanhassem tal atitude e também rompessem relações com a Alemanha. O Brasil não aceitou o convite, e por isso enfrentou severas críticas da imprensa brasileira, que exigia a mudança de posição do país no conflito.

Alguns meses depois, os Estados Unidos declararam guerra à Alemanha, no mesmo momento em que o Brasil, após o torpedeamento do vapor brasileiro Paraná por submarinos alemães, decidiu romper relações diplomáticas e comerciais com a Alemanha, em 11 de abril de 1917. A ação brasileira incluiu também declarar sem efeito os exequatur de todos os funcionários consulares alemães.

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Notícia do afundamento do navio brasileiro Acary.

Após o afundamento do Paraná, o ministro Lauro Müller ficou em uma situação difícil. O rompimento de relações com a Alemanha não era suficiente, e crescia a pressão para a entrada do Brasil na guerra. A ascendência germânica do ministro e a oposição da opinião pública à sua atuação no ministério levaram à sua saída da pasta em 3 de maio de 1917.

Dois dias após assumiu o ministério Nilo Peçanha, admirador do aliadófilo Rui Barbosa. A entrada do novo ministro foi decisiva para a mudança da posição brasileira, para a qual contribuiu também o torpedeamento dos vapores brasileiros Tijuca Lapa por submarinos alemães.

BRASIL EM GUERRA

Após as agressões alemãs, o governo brasileiro pediu e obteve do Congresso autorização para declarar sem efeito o decreto que estabelecia a neutralidade brasileira na guerra dos Estados Unidos contra o Império Alemão e para utilizar os 46 navios mercantes alemães ancorados em portos nacionais.

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O presidente da República Venceslau Brás declara guerra contra o Império Alemão e seus aliados. Ao seu lado, o ex-presidente da República e ministro interino das Relações Exteriores, Nilo Peçanha, e o presidente de Minas Gerais e futuro presidente da República, Delfim Moreira – Fonte – https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil_na_Primeira_Guerra_Mundial

O posicionamento ao lado dos Estados Unidos ficou claro, ressaltado na mensagem de Nilo Peçanha enviada em 2 de junho aos governos estrangeiros, justificando a revogação da neutralidade pelas práticas de solidariedade continental características da política externa brasileira. Também foram utilizadas como justificativa a Doutrina Monroe e a amizade tradicional com os Estados Unidos. A revogação da neutralidade em favor da França, Rússia, Grã-Bretanha, Japão, Portugal e Itália foi decretada ainda em junho de 1917 e apontou como justificava a reincidência de ataques de submarinos alemães a vapores brasileiros.

O reconhecimento do estado de guerra com o Império Alemão se deu após o torpedeamento do vapor brasileiro Macau e do aprisionamento de seu comandante. A lei de guerra foi sancionada em 16 de novembro de 1917, e proibiu aos alemães no Brasil todo comércio com o exterior, bem como o transporte de carga inimiga em navios nacionais e a remessa de fundos para o exterior. Foram cassadas também as licenças para o funcionamento de companhias de seguro e bancos alemães.

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A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial como nação beligerante colocou-o em um seleto grupo junto com os Estados Unidos e as repúblicas centro-americanas, uma vez que Uruguai, Peru, Equador e Bolívia apenas romperam relações diplomáticas com a Alemanha, e Argentina, Chile, México, Venezuela e Paraguai mantiveram-se neutros.

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Participação militar brasileira na Primeira Guerra Mundial foi discreta, mas conflito deu início a mudanças substanciais na realidade do país – Fonte – http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141110_brasil_guerra_fd

Já como nação beligerante, o Brasil participou da Conferência Interaliada em Paris, realizada de 30 de novembro a 3 de dezembro de 1917, tendo como representante Olinto de Magalhães, ministro plenipotenciário junto ao governo francês. Nesse momento, o governo brasileiro resolveu participar efetivamente do conflito, através do envio de forças de guerra.

DNOG

A participação brasileira na Primeira Guerra ao lado das forças aliadas consistiu no envio de uma divisão naval composta dos scouts Rio Grande do Sul Bahia, dos destroyers ParaíbaRio Grande do NortePiauí Santa Catarina, e do transporte de guerra Belmonte.

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Um dos navios enviados pelo Brasil para o conflito, o cruzador “Bahia” teria matado um bando de golfinhos por engano ao confundi-los com um submarino – Fonte – http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141110_brasil_guerra_fd

Sob o nome de Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), e sob o comando geral do contra-almirante Pedro Max de Frontin, a divisão partiu com destino à Europa em 16 de maio de 1918. Outras providências tomadas pelo governo brasileiro foram o envio de nove oficiais aviadores da Marinha e do Exército para auxiliar nos combates aéreos, e de uma missão chefiada pelo deputado e médico Nabuco de Gouveia à França, composta de médicos-cirurgiões que, auxiliados por um corpo de estudantes e de soldados do Exército, constituíram o Hospital do Brasil para o tratamento de feridos de guerra. A instituição continuou prestando assistência aos feridos mesmo depois de encerrado o conflito.

Após muitas dificuldades técnicas, a Divisão Naval brasileira chegou a Dacar, onde a guarnição brasileira foi vítima de uma epidemia de gripe espanhola. Apenas parte da esquadra conseguiu seguir viagem e chegar a seu destino, o porto de Gibraltar, um dia antes do armistício (11 de novembro de 1918) que encerrou a Primeira Guerra Mundial.

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Além das operações navais, participação brasileira ocorreu com envio de uma missão médica para frente europeia

Apesar de uma atuação inexpressiva militarmente, o Brasil foi o único país da América do Sul a participar do conflito, o que garantiu sua presença na Conferência de Paz, que seria realizada em 1919 em Versalhes, e na organização da Liga das Nações.

Implicações importantes da Primeira Guerra Mundial no Brasil foram a consolidação da política externa brasileira voltada para os Estados Unidos e a desilusão com civilização Belle Époque que marcou o pós-guerra, anunciando o declínio da cultura europeia e a aurora do novo mundo representado pela América.

FONTES: BARRETO, F. Sucessores; BUENO, C. Política; GARAMBONE, S.

Primeira; VINHOSA, F. Brasil.

O ÚLTIMO CINEMA DE CURRAIS NOVOS

 

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“Cine Teatro Des. Tomaz Salustino”, um dos setes cinemas de Currais Novos.

Currais Novos teve 7 (sete!) cinemas. Em 1920, “Nas garras do leão” foi a primeira película a ser exibida no “Cinema de Zuzu”, para espanto e encantamento dos espectadores. Funcionava num prédio na esquina por trás do Tungstênio Hotel, onde hoje encontramos a farmácia Frei Damião. A abertura do primeiro cinema em nossa cidade foi iniciativa de Bevenuto Pereira Filho, Seu Zuzu.

Mais tarde, em 1928, na Praça Cristo Rei (onde até pouco tempo funcionou o CREDSERIDÓ) foi fundado o CINE UNIÃO, tendo, ao longo dos anos, mudado de nome para CINE LUX, CINE SÃO JOSÉ e ROYAL CINEMA. Na época, eram usadas máquinas de projeção de 35mm e 16mm.

Em 1955, voltando ao espaço onde foram projetadas as primeiras películas no “Cinema de Zuzu”, o Desembargador Tomaz Salustino abriu o CINE TEATRO TOMAZ SALUSTINO, o qual realizou sessões semanais durante 18 anos, encerrando suas atividades em 1973.

O CINESPACIAL, último cinema de Currais Novos – e único que alcancei (nasci em 1981), foi inaugurado em 07 de setembro de 1978. Uma das primeiras exibições na imensa tela foi feita em 15 de dezembro de 1978 com o lançamento mundial de “Super-homem”, tendo o galã Christopher Reeve no papel principal. Apesar de ter começado a frequentar esse cinema em 1984/1985, ainda me lembro do cartaz de lançamento do Super-homem fixado no hall de entrada. Esse filme eu só conheci vendo as ‘Sessões da Tarde’ da vida.

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Praça Cristo Rei , Currais Novos, década de 1940.

Em 1986 eu tinha apenas seis anos quando fui com meu irmão mais velho, Wagner, assistir King Kong Lives (King Kong 2), lançado mundialmente em 19 de dezembro de 1986. Foi engraçado (ou trágico?) porque o filme era legendado e eu ainda não sabia ler. Então fiquei apenas curtindo as cenas sem entender bem o que estava acontecendo.

A alegria da criançada da década de 80 em Currais era ir ao CINESPACIAL, comprar pipoca, sentar numa das 800 confortáveis cadeiras alcochoadas (seiscentas na parte de baixo e duzentas no “primeiro andar” – balcão nobre) e assistir às matinês com os filmes d’Os Trabalhões… Os Trapalhões no Reino da Fantasia, Os Trapalhões no Rabo do Cometa, Os Fantasmas Trapalhões, Os Trapalhões na Terra dos Monstros…

Terminava a sessão e a gente saía na calçada ainda se acostumando com a luz da tardezinha, ainda voltando à realidade, depois de experiências tão ricas no mundo da imaginação…

Infelizmente, o último cinema de Currais Novos fechou as portas no dia 01 de janeiro de 1990.

AUTOR – Wescley J. Gama

FONTE – https://www.facebook.com/casarao.poesia/photos/a.273641746106137.1073741825.273638886106423/733786743424966/?type=3&theater

CERIMÔNIA DE ENTREGA DA MEDALHA DO MÉRITO ACADÊMICO AGNELO ALVES, CONCEDIDA PELA ACADEMIA NORTE RIO GRANDENSE DE LETRAS AO BLOG TOK DE HISTÓRIA

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Rostand Medeiros – Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN

Na última terça-feira, dia 14 de novembro de 2017, tive a grata satisfação como responsável pelo blog TOK DE HISTÓRIA de está presente na sede da Academia Norte Rio Grandense de Letras para receber a Medalha do Mérito Acadêmico Jornalista Agnelo Alves.

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O nosso veículo digital de propagação de informações históricas recebeu este importante reconhecimento formal na categoria blog, fato que me deixou muito honrado e com uma maravilhosa sensação de dever cumprido.

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Junto aos meus amigos o jornalista José Pinto Junior, igualmente agraciado com a Medalha Agnelo Alves, e Lívio Oliveira, membro da Academia Norte Rio Grandense de Letras.

A indicação entre os acadêmicos para honrar o TOK DE HISTÓRIA com esta medalha partiu do Professor Carlos de Miranda Gomes, a quem só tenho agradecimentos. Fui informado que a ideia de outorgar esta medalha ao nosso blog contou com a unanimidade dos integrantes desta respeitada instituição cultural potiguar, entre estes os amigos Iaperi Araújo e Lívio Oliveira, a amiga Leide Câmara, além do Presidente Diógenes da Cunha Lima, a quem tive o privilégio de receber dele uma acolhida muito carinhosa.

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Junto ao Professor e advogado Carlos de Miranda Gomes. Só agradecimentos pela indicação do nosso blog TOK DE HISTÓRIA para receber essa honraria.

O fato dos membros da tradicional Academia Norte Rio Grandense de Letras outorgarem ao blog TOK DE HISTÓRIA esta honraria demonstra como seus integrantes observam com atenção o mundo digital e as infinitas possibilidades de divulgação e acesso as informações que as ferramentas digitais proporcionam. Para mim isso ficou bem claro no discurso de boas vindas proferido a todos os agraciados pelo Presidente Diógenes da Cunha Lima quando elencou os atuais feitos, as conquistas e a atuação desta casa em prol da nossa memória e cultura.

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Junto ao Presidente da Academia Norte Rio Grandense de Letras Diógenes da Cunha Lima.

E vale ressaltar essa instituição não tem uma História curta. No mesmo dia em que eu recebi essa medalha, a Academia Norte Rio Grandense de Letras comemorava 81 anos de criação.

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Jornal natalense “A República”, de 15 de novembro de 1936.

Nos meus arquivos guardo uma cópia fotografada do jornal natalense “A República”, de 15 de novembro de 1936, um domingo, noticiando que no dia anterior, na sede do Instituto de Música do Rio Grande do Norte havia ocorrido a primeira reunião oficial da Academia Norte Rio Grandense de Letras.

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Recebendo essa honraria dos Acadêmicos Carlos Gomes e do amigo Iaperi Araújo.

Neste encontro histórico foi lido e aprovado, com algumas pequenas alterações, os estatuto da nova Academia de Letras, elaborados pelo acadêmico Mathias Maciel, além da votação para a escolha da sua primeira diretoria.

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Agraciados e membros da da Academia Norte Rio Grandense de Letras.

Entre os escolhidos para dirigir a nova instituição pela primeira vez figuraram Henrique Castriciano de Souza – Presidente, Luiz da Câmara Cascudo – Secretário Geral, Edgar Ferreira Barbosa – 1° Secretário, Aderbal de França – 2° Secretário e Clementino Hermógenes da Silva Câmara – Tesoureiro.

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Junto ao amigo Ormuz Barbalho Simonetti, digno e esforçado Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, instituição a qual sou sócio efetivo com muito orgulho.

Na sequência foram oficialmente criadas três comissões acadêmicas, sendo estas as do regimento interno, a de contas e a que deveria criar a revista da instituição, até hoje editada. Para finalizar ficou decidido que a próxima reunião da Academia seria dedicada a escolha dos patronos da instituição, escolhidos entre norte rio grandenses ilustres já falecidos.

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Com a amiga de todas as horas Isa Cristina.

No seu estatuto, no seu Artigo 1°, está descrito de forma simples e direta a que fins se destinava aquela nova instituição cultural – “A cultura da língua e da literatura nacional, especialmente a do Rio Grande do Norte”.

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Com meu querido tio Joaquim Paulino de Medeiros Neto. Dois descendentes do Coronel Quincó, lá do pé da Serra da Rajada, do Sertão do Seridó.

O fato desta primeira reunião da Academia de Letras haver sido realizada no Instituto de Música do Rio Grande do Norte, além da inexistência da sede da Academia na Rua Mipibu, 443, acredito que teve ligação com o fato da instituição dirigida na época pelo Maestro Waldemar de Almeida e ter uma intensa movimentação musical e cultura que agitava a cidade e congregava os que se dedicavam a cultura potiguar.

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Nosso grande amigo Ricardo Sávio Trigueiro de Morais presente na cerimônia.

Ao tomar conhecimento desta rica História não posso deixar de comentar o quanto me senti feliz e realizado ao receber esta Medalha do Mérito Acadêmico Jornalista Agnelo Alves.

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É antes de tudo um grande estímulo para continuar propagando através do TOK DE HISTÓRIA interessantes episódios do passado, tendo sempre como foco a ideia de democratizar para o maior número possível de pessoas essas informações.

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CONHEÇA A HISTÓRIA DO EXPRESSO DO ORIENTE QUE INSPIROU AGATHA CHRISTIE

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CENA DE ‘EXPRESSO DO ORIENTE’ (FOTO: 20TH CENTURY FOX/DIVULGAÇÃO)

PARTE DO TREM CHEGOU A SER DESTRUÍDA APÓS ORDEM DE ADOLF HITLER DURANTE O FINAL DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

 

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Fonte – https://www.gentlemansgazette.com/aboard-the-venice-simplon-orient-express-luxury-train/

FONTE – http://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2017/11/conheca-historia-do-expresso-do-oriente-que-inspirou-agatha-christie.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post

 

Em 1865, um belga chamado Georges Nagelmackers, filho de um banqueiro, imaginou pela primeira vez “um trem que abrangeria um continente, que funcionaria como uma fita contínua de metal por mais de 1.500 milhas”, como E. H. Cookridge escreve em seu livro Expresso do Oriente: A Vida e a Época do Trem Mais Famoso do Mundo.

Em 1883, após problemas financeiros e dificuldades em negociar com várias companhias ferroviárias nacionais, a Compagnie Internationale des Wagons-Lits de Nagelmackers estabeleceu uma rota de Paris para Istambul, chamando o trem de Constantinopla. Mas os jornais o apelidaram de Expresso do Oriente — e Nagelmackers adotou o nome.

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Fonte – theloophk.com

Em 4 de outubro daquele ano, o trem partiu para sua primeira viagem formal, com muitos jornalistas a bordo para admirar o luxo e a beleza dos vagões.Os passageiros, encantados, sentiram como se estivessem em um dos melhores hotéis da Europa. Detalhados painéis de madeira, cadeiras de couro de luxo, lençóis de seda e cobertores de lã enchiam os olhos. A viagem de Paris para Istambul durou pouco mais de 80 horas.

O rei dos trens

Alguns reis que viajaram a bordo do trem apresentaram um comportamento muito estranho. Ferdinando, da Bulgária, temendo assassinos, se trancou no banheiro. O rei da Bélgica, Leopoldo II, subiu ao trem para Istambul depois de fazer arranjos para se infiltrar no harém de um homem turco. Já o czar russo Nicolau II exigiu que carros especiais fossem construídos para sua visita à França.

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O Orient Express chega à Gare d’Austerlitz, em Paris, em dezembro de 1978. Após 126 anos, o famoso trem Orient Express terminará o serviço na segunda-feira – Fonte – https://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=121365224

O trem até ganhou o apelido de “Expresso dos Espiões”: os agentes secretos utilizavam a linha ferroviária, que “tornava seus trabalhos mais fáceis e suas viagens muito mais confortáveis”.

O mais notável desses espiões foi o inglês Robert Baden-Powell, que se disfaçava de especialista em insetos. Seus esboços intrincados das formas e cores das asas de borboleta eram, na verdade, representações codificadas das fortificações que ele observou na Costa da Dalmácia, o que foi de grande ajuda para as marinhas britânica e italiana durante a Primeira Guerra Mundial.

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Fonte – http://www.dailymail.co.uk/travel/travel_news/article-3140716/From-Orient-Express-South-Africa-s-Rovos-Rail-luxurious-trains-offering-unparalleled-elegance-bygone-age.html

Em 11 de novembro de 1918, oficiais alemães assinaram um documento de rendição em um carro Wagons-Lits do Expresso do Oriente. O veículo foi exposto em Paris até junho de 1940, quando Hitler ordenou que o vagão fosse levado precisamente para o local onde os alemães foram obrigados a render-se 22 anos antes, na Primeira Guerra Mundial. Ali, o ditador ditou os termos da rendição francesa. Quatro anos depois, quando o fim da Segunda Guerra Mundial parecia iminente, Hitler ordenou que o carro fosse explodido, para que não “se tornasse um troféu dos Aliados mais uma vez”.

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A linha original de Nagelmackers gerou trens semelhantes, mas que seguem rotas ligeiramente diferentes; até mesmo o termo “Expresso do Oriente” (Orient Express, em inglês) começou a ser usado com fins comerciais. O Direct Orient Express, o Simplon Orient Express(do livro de Agatha Christie), o Nostalgic Orient Express e muitos outros surgiram ao longo dos anos.

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Fonte – http://www.dailymail.co.uk/travel/travel_news/article-3140716/From-Orient-Express-South-Africa-s-Rovos-Rail-luxurious-trains-offering-unparalleled-elegance-bygone-age.html

As tentativas de manter o antigo glamour do Expresso do Orientenão deram muito certo: certa vez, os clientes tiveram de se vestir com roupas da década de 1920; e outra, um jogo de assassinato foi encenado durante a viagem. Hoje o público pode visitar os carros originais restaurados da Compagnie Internationale des Wagons-Lits por alguns euros.

(Com informações de Smithsonian.com.)

ESPANHÓIS INVESTIGAM MISTERIOSA PINTURA DE IGREJA DO SÉCULO 13

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LOCAL FOI DESCOBERTO HÁ 35 ANOS, MAS PERMANECE UM MISTÉRIO PARA OS HISTORIADORES

FONTE – http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/11/espanhois-investigam-misteriosa-pintura-de-igreja-do-seculo-13.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post

Agora em novembro um grupo de especialistas em arte medieval tentará desvendar alguns dos mistérios que circundam a Igreja de Alaitza, situada no País Basco (ao norte da Espanha). O local data do século 13 e foi descoberto há 35 anos, mas o significado de suas pinturas permanece desconhecido.

“As pinturas da igreja de Alaitza, na planície de Alava, são como uma história em quadrinhos”, afirma o especialista José Javier López de Ocariz ao jornal espanhol EL País. A obra de arte mostra vários cavaleiros invadindo um castelo, um homenzinho tocando um sino, uma criatura que mistura os mitológicos centauro e sagitário, uma mulher dando à luz, entre outras coisas que não parecem se relacionar.

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Segundo a filósofa Isabel Mellén, todos os pesquisadores que passaram por lá ou que viram as imagens “concordam que são estranhas, irreverentes e sem um sentido claro”. Perto da estrada romana que ligava Bordéus à Astorga, as pinturas foram feitas com uma técnica muito simples, de vermelho, em um fundo claro e com notável engenhosidade.

Essa forma de fazer arte remonta ao século 12, além de se diferenciar de obras situadas em locais próximos, o que confunde ainda mais os especialistas. “Eles escapam a uma classificação nos períodos usuais”, relata Méllen.

As figuras parecem tentar se ligar a algum evento histórico, como a passagem pelas planícies de Alava das tropas de Eduardo de Woodstock, chamado o Príncipe Negro (primogênito do rei Eduardo III, da Inglaterra) em 1367, acompanhando o rei Pedro I, na véspera do confronto em Nájera com Enrique de Trastámara. Mas os historiadores ainda não conseguiram afirmar com certeza: não parece lógico que, em meio a um confronto, os soldados parariam para decorar uma igreja.

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Mas as contradições não terminam por aí. Logo abaixo das pinturas, há uma inscrição incompleta em latim. “A inscrição tem duas partes, a primeira que coincide com um texto litúrgico, parte de um hino de Corpus Christi, e o fim adverte que ‘Em todos os lugares, o inferno'” conta López de Ocariz. O problema? A legenda não corresponde nem ao período nem à temática da pintura.

O BLOG TOK DE HISTÓRIA FOI AGRACIADO COM MEDALHA DA ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS

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Aos amigos e amigas, o nosso blog TOK DE HISTÓRIA foi agraciado com a MEDALHA DO MÉRITO ACADÊMICO AGNELO ALVES pela ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS, na categoria blog.

É um reconhecimento maravilhoso desse projeto, pautado na ideia da democratização da informação histórica.

Muito feliz.

Um forte abraço a todos.

Rostand Medeiros

EVOCAÇÃO A PADRE MONTE

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Padre Luiz Gonzaga do Monte – Fonte – http://www.dhnet.org.br/nivaldomonte1/familia.htm

Um texto do jornalista Aluízio Alves sobre sua amizade e a ocasião do falecimento daquele que é considerado um dos mais importantes intelectuais e cientistas potiguares

Autor – Aluízio Alves

Publicado em uma edição do jornal Tribuna do Norte em fevereiro de 1994.

Nas homenagens que o Rio Grande do Norte presta ao Cônego Luiz Monte, no 50° aniversário de sua morte, não tratarei de sua presença importante nos trabalhos da Igreja Católica, no ensino fundamental e na vida intelectual do Estado. Outros o farão com as condições de tempo para pesquisas necessárias na imprensa e nos depoimentos de quantos, na época, conviveram com a sua extraordinária figura.

Lembrarei, apenas, o amigo, que conheci, menino ainda em Angicos, e em curiosa circunstância.

O único automóvel de passeio que existia em Angicos era propriedade de meu Pai. E não havia automóveis de aluguel.

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Aluízio Alves

Numa tarde, véspera de natal, chegou à nossa casa o Padre Monte. Viera de trem contando com um transporte que passaria pela cidade e o levaria aquela noite à Vila de Afonso Bezerra para celebração da Missa da Grande Noite. E fora surpreendido com a notícia de que o carro, por defeito inesperadamente apresentado, não estava em condições de viagem. Soubera que meu pai possuía um automóvel e queria saber se poderia utilizar.

Posto a sua disposição veio a nova surpresa: o motorista Otacílio amanhecera com catapora.

Com a notícia o Padre Monte olhou para mim:

– Você não sabe guiar? Perguntou, rindo. Eu não podia saber, nos meus 14 anos.

– Eu ensino a você. E com certo constrangimento de meu Pai, fui com ele à garagem, assumi a direção, e ele, ao meu lado, indicando as providências manuais, me fez tirar o carro, e sob o olhar de alguns curiosos que nos cercavam, saímos para a grande viagem. Sim, porque enquanto o percurso era feito em normalmente uma hora e meia, em estrada de barro, daquela vez demorou quatro horas.

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Texto produzido por Aluízio Alves e aqui reproduzido.

Voltamos na madrugada, e fomos tomar café em nossa casa.

Com a timidez própria pela companhia dos mais velhos, meus pais, e o hóspede, tentei tirar com o garfo uma bolacha, que pulou para o chão, sob severo olhar de minha mãe.

Antes da inevitável repreensão, padre Monte saiu em minha defesa.

– Tira-se mesmo com o garfo. Apenas, molha-se o garfo no café, antes. E o fez com êxito.

Vim morar em Natal, fui seu aluno no Ateneu, e aí fizemos uma boa amizade. Convidava-me para almoçar com ele no Seminário, dava-me livros e acompanhava o início de minha atividade como repórter, sempre achando graça no meu entusiasmo pela atividade política.

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Padre Luiz Monte e seus familiares. A sua esquerda está seu pai Pedro Alexandre do Monte e a direita a sua mãe Belarmina Sobral Ferreira do Monte e em pé, de batina, o então seminarista Nivaldo Monte, seu irmão. Moravam em uma casa situada na esquina da Avenida Rio Branco, com a Rua Apodi, em Natal – Fonte da foto – http://www.dhnet.org.br/nivaldomonte1/familia.htm

Quando fui dirigir o Serviço Estadual de Reeducação e Assistência Social e a LBA, enfrentei o problema dos mendigos e menores abandonados. Depois de construir em terreno cedido pelo Prefeito José Varela, o Instituto Juvino Barreto, para velhos; alugar uma casa na rua Seridó para menores do sexo masculino (onde fora fundado com a minha presença, aos 11 anos, o Partido Popular), o Instituto Mello Mattos, cuja administração entreguei a Orígenes Monte, hoje, padre, e irmão de padre Monte; com pioneira Clínica de Conduta, chefiada pelo médico João Machado, e construir, em Lagoa Seca, o Instituto João Maria, fechado anos depois, pondo-se em suas instalações, a CIDA, da Secretaria da Agricultura, resolvi tirar das ruas mendigos e menores abandonados. Mediante seleção, iniciamos o trabalho.

O “Diário de Natal” colocou-se contra a solução, acusando-a, inclusive, de nazista: dar um lar a mendigos, e dar oportunidade de educação e formação a crianças pobres…

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O tradicional Seminário de São Pedro de Natal – Fonte – http://dasdores2011.blogspot.com.br/2014/01/

Em plena campanha, cheguei ao meu gabinete e encontrei um bilhete, deixado pessoalmente pelo Padre Monte; “Alguma vez, você já viu alguém atirando pedras em fícus-benjamim? Certamente, não. Não dá frutos. Mas, todos os dias vê alguém jogando pedras em mangueiras que nos dão as nossas gostosas mangas. Seu trabalho está dando frutos. Continue com as bênçãos de deus. Padre Monte”. Continuei. E os mendigos e os menores abandonados só voltaram as ruas depois que, eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte, vim exercer outras tarefas. Fechou-se o Mello Mattos, com suas oficinas, fechou-se o Padre João Maria com seu coro orfeônico que tinha os aplausos da Cidade. Sobrou, apenas, o Juvino Barreto, que fui visitar, a pouco tempo, nos seus 30 anos de resistência.  

Mas, um dia de fevereiro de 1944, recebi um aviso: padre Monte saíra do Seminário, onde morava, na tarde anterior, com pequena maleta e o livro “Damião, o leproso”, e, sem qualquer aviso de viagem, não voltara para dormir nem para os compromissos de aulas no dia seguinte.

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Após a morte do Padre Luiz Monte muitos textos foram produzidos tanto na imprensa potiguar e nacional.

Com toda a discrição, em face ao título do livro, fui ao Leprosário São Francisco[1]. Depois ao Hospital então Juvino Barreto, hoje Onofre Lopes. Nada, final, fui encontrá-lo, já à noite, no Sanatório Getúlio Vargas onde recebera assistência medica de Milton Ribeiro Dantas. Pediu-me total segredo de sua doença e de sua presença ali. A razão desses cuidados eu não entendia. Conversei, depois, com Saul, velho enfermeiro e amigo, e dessa conversa tomei algumas providências: confidenciei a Margarida Filgueira, que trabalhava comigo, e muito amiga do padre Monte, e adquiri roupa de cama na loja “Nova Aurora”, na Ribeira, e alimentos no Armazém Chaves, e Margarida ficou incumbida da provisão necessária.

Todos os dias eu passava ali, pela manhã, e no fim da tarde, e me preocupava, não só seu estado de fraqueza, sem reação aparente, mas, sobretudo, a sua tristeza. Uma tarde, tirou do bolso superior do pijama, o seu relógio, de ouro, e me entregou. Supus que queria saber a hora. Não. Devolveu-me. “É seu”. Um presente com ar de despedida. Ainda hoje, deploro que, no tumulto da madrugada da deposição de Getúlio, tenha perdido aquela lembrança importante.

No dia 28, fui chamado por Saul, às pressas. Cheguei o mais rápido possível. Encontrei-o em processo de asfixia, e vi aproximar-se a morte. Acendi a vela, pus nas suas mãos, ante os olhos conscientes e tristes, que, pouco depois, se apagaram na minha presença, de Milton Ribeiro Dantas e Saul.

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Seminaristas e a direção do Seminário São Pedro de Natal na década de 1930. Dom Marcolino é o 3° da esquerda para direita e o Padre Monte é o religioso que aparece com um papel na mão esquerda.

Saí dali para comunicar a família e ao Bispo Dom Marcolino. Fui encontrá-lo no Colégio das Neves, pregando Retiro Espiritual. Dei-lhe a notícia. Não segurou o pranto convulso. E verifiquei que nem sabia da doença, nem do internamento do Padre Monte.

Sobre esses fatos, passaram 50 anos. E esse meio século de amizade e testemunho não me deixam esquecer a lembrança e a saudade do grande sacerdote, do grande cientista, da grande figura humana que sempre marcarão o Rio Grande do Norte.


NOTA – 

[1] Nascido Jozef de Veuster -Wouters, depois conhecido como Damião de Molokai, ou Padre Damião, foi um missionário católico nascido na Bélgica em 1840 e que pertenceu a Congregação dos Sagrados Corações. Quando completou vinte e um anos de idade um bispo do Havaí, arquipélago do Pacífico e então um reino independente, estava em Paris para ministrar algumas palestras e conseguir missionários para a região. Ele expunha os problemas ali existentes especialmente dos doentes de lepra, à época doença incurável, que eram por determinação do governo exilados e abandonados numa ilha chamada Molokai. Damião se interessou e se colocou à disposição para ir como missionário à ilha. Passou mais de dez anos no lugar e contraiu a lepra. Morreu em 15 de abril de 1889 e seu corpo foi transladado para a Bélgica, onde recebeu os solenes funerais de Estado. Em 1995, por seu trabalho e dedicação, padre Damião de Molokai foi beatificado pelo papa João Paulo II e em 11 de outubro de 2009 foi canonizado pelo Papa Bento XVI em presença do rei e da rainha da Bélgica. Para a Igreja Católica passou a ser chamado São Damião de Molokai. Já “Damião, o leproso”, a que Aluízio Alves se referiu em seu texto, é um livro que conta a história de Damião de Veuster na remota ilha de Molokai e foi escrito pelo antigo marinheiro australiano John Farrow (que mais tarde foi trabalhar como diretor de cinema em Hollywood e chegou a ganhar um Oscar). Nota TOK DE HISTÓRIA.

O VERDADEIRO AMON GOETH – O CRUEL E SÁDICO COMANDANTE NAZISTA DO TERCEIRO REICH

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Amon Leopold Goeth em uniforme com insígnias de SS-Untersturmführer, equivalente a de segundo tenente – Fonte – https://rarehistoricalphotos.com/amon-goeth/

Fontes – https://rarehistoricalphotos.com/amon-goeth/

https://www.scrapbookpages.com/Poland/Plaszow/Plaszow03A.html

Nascido em Viena, Amon Leopold Goeth (ou Göth) foi um oficial austríaco nazista e comandante do campo de concentração de Płaszów, na região da Cracóvia, na Polônia ocupada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial e retratado pelo ator Ralph Fiennes no filme “A Lista de Schindler”.

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Goeth juntou-se a um grupo de jovens nazistas aos dezessete anos, mudou-se para um grupo paramilitar nacionalista aos dezenove anos e, em 1930, quando ele tinha vinte e dois anos, se juntou ao então partido nazista austríaco que fora proscrito. Ele foi designado n° 510 964, e no mesmo ano ingressou na SS

Amon Goeth fugiu para a Alemanha quando foi perseguido por autoridades austríacas por crimes envolvendo explosivos. Seus oficiais superiores admiram sua devoção, deram-lhe avaliações pessoais brilhantes e transferiram-no para a SS. Um filho nasceu em 1939 e morreu de causas inexplicadas menos de um ano depois. Amon Goeth era um oficial modelo e sua recompensa foi uma publicação, em agosto de 1942, com Aktion Reinhard, a operação da SS para liquidar mais de dois milhões de judeus poloneses.

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Comandante Amon Goeth segurando um rifle militar – Fonte – https://rarehistoricalphotos.com/amon-goeth/

Em fevereiro de 1943, Goeth recebeu uma promoção e tornou-se o terceiro oficial da SS a ocupar o cargo de comandante do campo de trabalho de Plaszow. Enquanto ele era o comandante de Plaszow, Goeth foi designado para supervisionar a liquidação do gueto Podgorze em 13 de março de 1943, e mais tarde o campo de trabalho em Szebnie. A liquidação do gueto de Podgorze em Cracóvia é exibida no filme, a “A Lista de Schindler”. As cenas do gueto no filme foram filmadas em Kazimierz, outro gueto em Cracóvia.

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Amon cavalgando no Campo de Plaszow – Fonte –  https://www.scrapbookpages.com/Poland/Plaszow/Plaszow03A.html

Em 3 de setembro de 1943, Goeth supervisionou a liquidação do gueto Tarnow, uma cidade polonesa próximo a Cracóvia. Durante a liquidação desses guetos, Goeth aproveitou a situação roubando algumas das propriedades que foram confiscadas dos judeus, incluindo peles e móveis. Ele guardou alguma dessas propriedades em um apartamento em Viena, onde sua esposa morava com seus dois filhos.

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Amon Leopold Goeth foi o comandante de campo do campo de concentração de Plaszow desde fevereiro de 1943 até setembro de 1944. Na fotografia, ele pode ser visto de pé em sua varanda, preparando-se para atirar prisioneiros – Fonte – https://rarehistoricalphotos.com/amon-goeth/

Em Plaszow, Amon Goeth passava suas manhãs usando seu rifle de alta potência e escopo para atirar em crianças que jogavam no campo. Rena Finder, um dos judeus de Schindler com 14 anos de idade, mais tarde se lembrou de Goeth como “… o homem mais vicioso e sádico …”. Outro Schindler-judeu, Poldek Pfefferberg, lembrou: “Quando você viu Goeth, você viu a morte”.

Um sobrevivente, Arthur Kuhnreich, disse mais tarde sobre Amon Goeth em suas Memórias do Holocausto: “Eu vi Goeth colocar seu cão em um prisioneiro judeu. O cão rasgou a vítima. Quando ele não se moveu mais, Goeth disparou contra ele”.

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Amon foi designado para o SS-Totenkopfverbände (unidade “Deaths-head”, serviço de campo de concentração) – Fonte – https://rarehistoricalphotos.com/amon-goeth/

Seus dois cães, Rolf e Ralf, foram treinados para destruir os presos até a morte. Ele disparou contra as pessoas da janela do escritório se eles pareciam estar se movendo muito devagar ou descansando no quintal. Ele matou com um tiro na cabeça um cozinheiro judeu porque a sopa estava muito quente.

Para a menor infração das regras, ele dava um golpe sobre o rosto do infeliz impotente, e observaria com satisfação como a bochecha de sua vítima se inchava e ficava roxa, como os dentes caíam e os olhos se enchiam de lágrimas.

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A casa original de Goeth no campo de Plaszow nos dias atuais. Da sacada ele abria fogo contra seus prisioneiros. Puro sadismo – Fonte – https://rarehistoricalphotos.com/amon-goeth/

Qualquer um que estava sendo chicoteado por ele era forçado a contar em voz alta, cada golpe do chicote e, se cometesse um erro, era forçado a começar a contar novamente. Durante os interrogatórios, que foram conduzidos em seu escritório, ele soltava seu cachorro no acusado, que estava amarrado pelas pernas em um gancho colocado no teto.

No caso de uma fuga do campo e posterior recaptura, ele ordenava que todo o grupo de companheiros do barracão que servia de alojamento para o fugitivo formarem uma fila e ordenava que o fujão contasse até dez, então atirava na cabeça dessa décima pessoa e depois urinava sobre ela. Uma vez ele pegou um menino doente de diarreia e não conseguiu se conter. Forçou-o a comer todos os excrementos e depois atirou nele “.

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Fotos do prontuário de Amon, tomadas em 8 de agosto de 1945. Ele tinha perdido peso porque sofria de diabetes – Fonte – https://www.scrapbookpages.com/Poland/Plaszow/Plaszow03A.html

Algumas fontes apontam que um total de 35 mil prisioneiros passaram pelo campo de Plaszow durante os dois anos e meio de sua operação. Mas a Comissão Principal para a Investigação de Crimes Nazistas na Polônia estimou que 150 mil prisioneiros estiveram em Plaszow e 80 mil deles morreram como resultado de execuções em massa ou epidemias. 

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Amon Goeth (o mais alto) seguindo para o tribunal onde seria condenado à morte – Fonte – https://www.scrapbookpages.com/Poland/Plaszow/Plaszow03A.html

Após a Segunda Guerra Mundial, o exército norte-americano entregou Amon Goeth para o governo polonês para ser processado como criminoso de guerra. Ele foi levado perante o Supremo Tribunal Nacional da Polônia em Cracóvia. Seu julgamento ocorreu entre 27 de agosto de 1946 e 5 de setembro de 1946. Goeth foi encarregado de ser membro do partido nazista e membro do Waffen-SS, o exército de elite de Hitler, ambos designados como organizações criminosas pelo Aliados após a guerra. Seus crimes incluíram as acusações de que ele havia participado das atividades dessas duas organizações criminosas. 

Durante seu julgamento, Goeth mostrou indiferença provocativa. Ele aceitou a responsabilidade pelo que aconteceu em Plaszow. Ele havia recebido autoridade e permissão para fazer tudo o que tinha feito, disse ele, e estava apenas realizando ordens e instruções recebidas de seus superiores. Ele também afirmou que as penalidades que ele estava infligindo aos presos, incluindo matá-los, estavam dentro de sua jurisdição disciplinar como comandante do campo e estavam de acordo com a regulamentação alemã vigente.

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Amon Goeth durante seu julgamento, 1946 – Fonte – https://rarehistoricalphotos.com/amon-goeth/

Goeth foi considerado culpado e condenado pelos assassinatos de dezenas de milhares de pessoas. Ele pediu piedade ao presidente do Conselho Nacional do Estado. Depois que o presidente decidiu não se aproveitar de sua prerrogativa de perdão, a sentença foi realizada.

Amon Goeth foi enforcado por seus crimes em 13 de setembro de 1946, não muito longe de seu campo. E mesmo que ele esteja sendo enforcado, Amon Goeth ainda saúda seu Fuhrer em um último ato.

Seu nome ficará sempre associado ao desprezo total pela vida humana.

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Ruth Irene Kalder, a “Majola”, a namorada de Goeth, segurando seu cachorro, Rolf – Fonte – https://rarehistoricalphotos.com/amon-goeth/

Um detalhe final!

Ruth Irene Kalder, a amante de Goeth, permaneceu leal a ele e manteve uma fotografia de Amon na sua mesa de cabeceira até o dia de sua morte. Em uma entrevista a um jornalista britânico em 1983, ela descreveu Goeth como um homem encantador com modos impecáveis ​​de mesa. Ela disse que nunca se arrependeu, por um segundo, de seu relacionamento com Amon, que começou quando tinha 25 anos. 

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Amor entre nazistas – Goeth e sua amante, Majola. Ela conheceu Goeth em 1942, ou no início de 1943, quando trabalhou como secretária na fábrica de esmaltes de Oskar Schindler, em Cracóvia. Ela logo mudou-se para viver com Goeth e os dois tiveram um caso e uma filha chamada Monika. Ela incorporou o sobrenome Goeth logo após de seu companheiro e sempre defendeu a sua terrível memória – Fonte – https://rarehistoricalphotos.com/amon-goeth/

Kalder cometeu suicídio no dia seguinte à sua entrevista em 1983. Alegadamente, ela ficou perturbada quando soube que o documentário de 82 minutos, que a jornalista estava fazendo, não era apenas sobre Oskar Schindler, mas incluiria um retrato negativo de seu ex-amante Amon Goeth, que também era o pai de sua criança amorosa, Monika, nascida em novembro de 1945.

Ruth Irene Kalder era uma mulher jovem e linda com uma figura esbelta, uma ex-atriz e uma secretária experiente; Por que ela escolheu viver com um monstro como Amon Goeth continua a ser um mistério até hoje.

A BOTIJA DE CEARÁ-MIRIM

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Fonte – http://cgretalhos.blogspot.com.br/2014/08/um-cacador-de-botija-em-campina-grande.html#.WgbpL2hSzIV

Texto original de Maria da Conceição Cruz Spineli, intitulado MITOLOGIA DO VALE DE CEARÁ-MIRIM: A ESTÓRIA DA BOTIJA NO ENGENHO SÃO PEDRO TIMBÓ e publicado por Pedro Simões Neto.

Fonte – https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1791189677839427&set=a.1375732419385157.1073741828.100008452352746&type=3&theater

No nordeste (dizem…), os holandeses, jesuítas ou ricos fazendeiros, deixavam escondidas verdadeiras riquezas, que ficavam enterradas no chão, em paredes de taperas, em mourões de porteiras ou nas proximidades de grandes árvores, até que um dia, através de sonho, mostrava-se a um escolhido, o local exato onde estava aquele tesouro. No sonho era informado como se comportar para a retirada da “Botija. Sempre à noite e sem acompanhantes. Quem não cumprisse as determinações, não receberia o tesouro. E, com a fortuna nas mãos, a pessoa deveria se mudar para um lugar distante, caso contrário, não desfrutaria da riquezas.

O Ceará-Mirim também teve as suas “botijas”. Muito se ouviu falar das riquezas obtidas por esse meio, embora tudo estivesse no campo do “boato”. Hoje, finalmente, a Acadêmica Ceiça Cruz apresenta um desses casos, por ela vivenciado.

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Tipos de botijas – Fonte – http://www.wikiwand.com/es/Botija_(recipiente)

MITOLOGIA DO VALE DE CEARÁ-MIRIM:
A ESTÓRIA DA BOTIJA NO ENGENHO SÃO PEDRO TIMBÓ
Maria da Conceição Cruz Spineli, ocupante da Cadeira 19 da ACLA

Em Dicionário do Folclore Brasileiro, pág. 681, Câmara Cascudo afirma que tesouro significa “dinheiro enterrado, o mesmo que botija para o sertão do Nordeste, ouro em moedas, barras de ouro ou de prata, deixadas pelo holandês ou escondidos pelos ricos, no milenar e universal costume de evitar o furto ou o ladrão de casa, de quem ninguém evita”.

Ainda no mesmo verbete, Câmara Cascudo diz que “os tesouros dados pelas almas do outro mundo dependiam de condições, missas, orações, satisfação de dívidas e obediência a um certo número de regras indispensáveis, trabalhar de noite, ir sozinho, em silêncio, identificar o tesouro pelos sinais sucessivamente deparados […]. O tesouro é encontrado unicamente por quem o recebeu em sonhos […]. Se faltar alguma disposição, erro no processo extrativo, o tesouro transformar-se-á em carvão.”

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Fonte – http://www.idividi.com.mk/Shqip/Bote/496113/index.htm

Lá pelo Timbó também encontramos estórias de tesouros enterrados, de minas, botijas. O assunto era para adultos, mas as crianças curiosas escutavam. Falava-se em sussurros as coisas do além, do sobrenatural, de almas penadas querendo livrar-se do fardo da mina enterrada de que nada lhes servia no outro mundo. Geralmente o pedido da alma penada vinha sob a forma de sonho. No Engenho Timbó, um homem e uma mulher tiveram um sonho idêntico, na mesma noite, e logo cedo os dois confabulavam a experiência e se arvoraram na empreitada. A mulher me contou, anos depois, detalhes do sonho: que era um homem alvo e bonito, vestido com rica indumentária (inclusive me falava de abotoaduras douradas em sua roupa e nas botas), cortês e educado, e que lhe indicava a existência de um tesouro enterrado debaixo da tamarineira que ficava no meio do curral dos burros, no Timbó de Dentro. O homem do sonho era bem didático, riscando o chão com um graveto, para explicar-lhe com muita clareza o local exato onde enterrara o tesouro. 

Ela deveria sair de casa ainda escuro da madrugada, ele insistia que fosse cedo, antes do sol nascer. Que fossem só ela e o senhor que tivera o mesmo sonho, que fizessem orações no percurso e durante toda a operação, que levassem água benta e não portassem objetos cortantes, pontiagudos ou armas de fogo. No sonho, ele ficava de cócoras, mexia na terra com as mãos dizendo que a terra onde estava enterrado o tesouro era bem fofinha, que ela não teria dificuldades em encontrá-lo, que o sinal era uma bola de ouro que estaria amarrada a uma corrente, também de ouro, fechando a tranca de um caixão comprido.

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Fonte – https://sites.google.com/site/curiosidadesdefabio/leyendas/las-botijas

Durante o sonho, enquanto conversava com o senhor bem trajado, aparecia uma mulher, maltrapilha, os poucos cabelos ralos desalinhados pelo vento. Ela parecia estar suspensa do chão. A figura acanhada não falava, só olhava com olhar vago e mortiço o senhor que dava detalhes de como proceder para a retirada da mina. Dessa figura, a mulher que me contou o sonho tinha medo, muito medo.

Depois de muito conversarem, resolveram sair em busca do local onde estava a mina. De cara, contrariaram quase todas as regras impostas pela alma penada doadora do tesouro. Saíram com o sol alto, levaram um grupo grande de pessoas com pá, enxada, até gente com arma de fogo na cintura. Eu acho que eles tinham medo de saírem ainda escuro e só os dois.

Começaram a retirada do tesouro, o homem mandava os trabalhadores cavarem com a enxada e a pá, e a mulher pedia que só usassem as mãos como lhe ensinara o doador da mina, no sonho; assim o fizeram. Na busca, começaram a ver a bola de ouro, o sinal anunciado no sonho, quando surgiu um enorme cachorro com os olhos de fogo e um dos trabalhadores que cavava o chão gritou: “ô cachorro da mulesta!”; o cachorro saiu em disparada e o local em que já aparecera a bola de ouro virou um imenso formigueiro.
A frustração da mal sucedida empreitada ainda persiste após muitas décadas. Conta-se que poucos dias após o ocorrido, um trabalhador com serviço alugado em tempo da safra da cana, e que se hospedava na casa grande do Zumba, no Timbó de Dentro, havia tirado essa mina nas caladas da noite. Esse homem desapareceu do engenho misteriosamente. No local onde estava enterrada a botija, só um grande buraco.

O SITE QUE REÚNE MILHARES DE IMAGENS SOBRE A CULTURA E HISTÓRIA DO BRASIL

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Dama em liteira, carregada por escravos e suas acompanhantes – Foto Carlos Julião.

Lançada em parceria entre acervos públicos e privados, ‘Brasiliana Iconográfica’ traz obras, textos de análise e curadoria de especialistas 

Autora – Juliana Domingos de Lima

Fonte – https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/10/27/O-site-que-re%C3%BAne-milhares-de-imagens-sobre-a-cultura-e-hist%C3%B3ria-do-Brasil

“Iconografia” consiste em um conjunto de imagens que se consolidam ao longo do tempo, formando um imaginário a respeito de um determinado assunto. No caso das imagens presentes na Brasiliana Iconográfica (http://www.brasilianaiconografica.art.br/), esse conjunto corresponde a tudo o que diz respeito à cultura e história do Brasil, a partir do século 16, quando começaram a circular os primeiros mapas e livros sobre a América Portuguesa.

A definição de iconografia mencionada acima foi dada ao Nexo pela coordenadora de Iconografia do Instituto Moreira Salles, Julia Kovensky. “São imagens fundadoras do nosso imaginário de nação brasileira. Isso é gigante. Envolve registros etnográficos, registros científicos de flora e de fauna, pinturas históricas, de paisagens”, disse Kovensky em entrevista.

O site disponibiliza, inicialmente, cerca de 2.500 obras dos acervos da Biblioteca Nacional, Instituto Moreira Salles, Itaú Cultural e Pinacoteca de São Paulo, trazendo informações sobre a origem, temas, histórias e a ficha catalográfica de cada uma das obras. Há também uma seção de artigos. O período abarcado pela coleção de iconografia brasiliana do site vai do século 16 ao 20. Em volume, a maior parte do material data do século 19 em diante: segundo Julia Kovensky, há pouquíssimos registros anteriores nos acervos de todas as instituições participantes.

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Nau D. João VI, de 1817, de Franz Joseph Frühbeck.

Segundo ela, isso se dá pela natureza da história do Brasil e da formação de sua iconografia. Foi a partir do início do século 19, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil – evento de 1808 que marcou também o início da imprensa no país –, que os registros aumentaram.

A criação da plataforma, inédita nesse campo, potencializa o alcance das obras. “Normalmente, só se tem acesso a essas obras em uma exposição que uma dessas instituições decida organizar ou dentro das reservas técnicas de cada museu, a que pouquíssima gente tem acesso. Acho que disponibilizar isso em um portal pra todo mundo tem um potencial que a gente ainda nem consegue imaginar”, disse Kovensky. Crianças e adolescentes que explorem o acervo para um trabalho de escola, por exemplo, passam a acessar a mesma fonte de grandes especialistas, sem distinções.

COLCHA DE RETALHOS! – ASSIM SERIA A EUROPA SE TODOS OS INDEPENDENTISMOS GANHASSEM

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Se todas as causas independentistas da Europa vingassem, este seria o novo mapa europeu. Centenas de novos países apareceriam no continente, mas Portugal manteria as suas fronteiras históricas.

Autor – João Francisco Gomes

Fonte – http://observador.pt/2017/10/25/assim-seria-a-europa-se-todos-os-independentismos-ganhassem/

Se todas as causas independentistas da Europa vingassem, este seria o novo mapa europeu. A grande maioria dos países da Europa não existiram como os conhecemos hoje. Espanha seriam doze países. França, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Países Baixos e o norte da Itália seriam uma grande amálgama de pequenos países, incluindo alguns que cortam as fronteiras que hoje conhecemos.

Alheio a todos estes independentismos ficaria Portugal, que se manteria um único país. O único caso de dificuldades fronteiriças no nosso país corresponde à eterna questão de Olivença, que o mapa assinala como passando a fazer parte de Portugal.

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O mapa foi produzido em 2014 pelos arquitetos Theo Deutinger, Filip Cieloch e Lucia de Usera, que também se dedicam ao desenho de mapas sócio-culturais.

Na apresentação do projeto, recordam a história da evolução das fronteiras em todo o mundo. “Em 1648 [ano em que nasce o conceito de estado-nação], o mundo era composto por 80 estados soberanos, um número que desceu para 70 no final do século XIX, altura em que tornou a crescer. Hoje, compreende 206 estados soberanos”, lê-se.

O estudo recorda ainda que “ao longo da história, as fronteiras da Europa mudaram constantemente”, muitas vezes resultado de conflitos armados.

A modernidade, contudo, não trouxe estabilidade. “Com a ascensão do estado moderno, a precisão das fronteiras nacionais também aumentou, graças a novas técnicas de mapeamento (triangulação) e a consequente produção de mapas altamente detalhados”, escrevem os autores.

“As fronteiras precisamente detalhadas não conduzira, contudo, a maior estabilidade, mas ainda a maior sensibilidade entre as nações”, consideram.