100 ANOS DO VOO DOS PORTUGUESES GAGO COUTINHO E SACADURA CABRAL

FOI A PRIMEIRA TRAVESSIA AÉREA DO ATLÂNTICO SUL E A EXPECTATIVA EM NATAL PELA PASSAGEM DA AERONAVE 

Rostand Medeiros – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Amigos leitores deste simples blog que busca divulgar um pouco de história, vamos puxar um pouco pela imaginação para contar uma incrível façanha.

Sacadura Cabral e Gago Coutinho em seu hidroavião – Fonte – http://gagocoutinho.wordpress.com/

Imagine se você fosse convidado a ir para Portugal para participar de uma aventura aérea.

Aparentemente parece um interessante convite. Mas imagine que quem lhe chamou para esta empreitada lhe informe que a viagem aérea será em direção ao Brasil, atravessando o Oceano Atlântico em um hidroavião monomotor, onde além de você seguiria apenas mais uma pessoa.

A aeronave em questão seria construída principalmente de madeira e coberta com lona. Vocês iriam viajar sem GPS, sem radiocomunicação e sistemas de navegação modernos.

Hidroavião monomotor FAIREY F III-D MKII – Coleção do autor

Para não se perderem na imensidão do mar, o principal instrumento seriam réguas de navegação, que são utilizadas pelos homens do mar desde não sei quando. Afora isso, o instrumento mais sofisticado seria um sextante de navegação adaptado para ser usado em uma aeronave.

Para ajudar haveria apenas a certeza que no meio de um dos maiores e mais poderosos oceanos da Terra, haveria três navios ao longo do caminho para dar uma força.

Detalhe, a máquina alada desenvolveria uma velocidade de cruzeiro de “estonteantes” 115 quilômetros por hora (Meu carro 1.0 faz mais do que isso brincando, sem forçar o motor).

E aí, você toparia essa parada?

Sacadura Cabral – Coleção do autor

Eu acho que não!

Mas em 1922, dois portugueses de fibra e coragem toparam encarar o desafio e conseguiram vencer esta dura empreitada.

Gago Coutinho – Fonte – http://gagocoutinho.wordpress.com/

Em 30 de Março de 1922, o hidroavião monomotor FAIREY F III-D MKII, de 350cv, com Artur de Sacadura Freire Cabral (1869 – 1959) como piloto e Carlos Viegas Gago Coutinho (1881 – 1924) nas funções de navegador, decolou do Rio Tejo, em Lisboa, com destino ao Rio de Janeiro.

Foi uma empreitada duramente planejada. Gago Coutinho inclusive havia criado, e empregaria durante a viagem, um instrumento chamado horizonte artificial, que era utilizado em conjunto com um sextante de navegação, para determinar o ângulo ou a inclinação de um corpo em relação ao horizonte. Com isto era estabelecido com uma linha, ou plano paralelo, a altura dos astros. Era uma invenção que revolucionou a navegação aérea à época. Realmente Gago Coutinho e Sacadura Cabral formaram uma dupla muito especial e altamente criativa.

Manchete do “Diário de Pernambuco, edição de 31 de março de 1922, informando sobre a decolagem do avião de Cabral e Coutinho – Fonte – Coleção do autor

Cinco dias antes (a 25 de março) zarparam da capital portuguesa os navios de guerra “República”, “Cinco de Outubro” e “Bengo”, que iriam prestar assistência ao voo. Finalmente, na manhã do dia 30 de março de 1922, depois de uma corrida de 15 segundos sobre as águas do Rio Tejo, em frente à histórica Torre de Belém, em Lisboa, a dupla de valorosos aeronautas decola com o hidroavião “Lusitânia”.

Tinha início a Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul e tanto em Portugal, como no Brasil, o início daquela pioneira travessia foi impactante e gerou um clima de grande expectativa. Vale ressaltar que no final de março de 1922, poucas viagens dessa magnitude, sobre o mar, haviam sido realizadas e das quais os lusos pudessem conseguir informações sobre procedimentos e questões de navegação. Era tudo muito pioneiro!

A travessia realizou-se em várias fases, no intervalo das quais os hidroaviões eram assistidos. Contudo, consideram-se quatro etapas na viagem, devido a problemas mecânicos, condições naturais adversas e foram utilizados três hidroaviões.

A primeira etapa da viagem decorreu sem maiores percalços, durante 8 horas e 17 minutos de Lisboa até Las Palmas de Gran-Canaria, embora tenha sido notado pelos tripulantes um excessivo consumo de combustível. Das Canárias os dois aeronautas portugueses voaram para Guando, a fim de conseguirem melhores condições de descolagem. Todavia o traçado do percurso teve ainda de ser revisto porque a quantidade de combustível não seria suficiente para um voo sem escala de Cabo Verde a Fernando Noronha.

A segunda etapa teve início na madrugada de 5 de abril, da ilha de Guando, alcançando São Vicente de Cabo Verde após 10 horas e 43 minutos, amerissando em mar calmo e sem dificuldades. Apesar do sucesso destas duas primeiras fases de voo do avião batizado como “Lusitânia”, perceberam os tripulantes ser praticamente impossível um voo direto entre São Vicente e o Arquipélago de Fernando de Noronha, devido aos elevados consumos de combustível. Perante a vontade de continuar a viagem e provar a precisão do voo aéreo, bem como a cientificidade dos instrumentos utilizados, Gago Coutinho e Sacadura Cabral decidiram fazer escala no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, onde o “República”, cruzador da marinha portuguesa, lhes prestaria assistência.

Acidente no Arquipélago de São Pedro e São Paulo – Fonte – http://gagocoutinho.wordpress.com/

Na terceira etapa da viagem, cuja partida ocorreu em 18 de abril, persistem as dificuldades a nível do combustível e o vento não ajudava numa decolagem mais rápida do avião. Apesar disto, o voo ocorreu sem maiores problemas e a precisão dos cálculos de Gago Coutinho permitiu que o avião iniciasse a sua descida até São Pedro e São Paulo quando apenas restavam dois a três litros no tanque.

Foi realizado um pouso forçado sobre um mar com muitas ondas e um dos flutuadores foi arrancado no choque. Na sequência o hidroavião se inclinou para bombordo e começou a afundar. Os tripulantes do cruzador “República” socorreram os aviadores, salvando também livros, o sextante, o cronómetro e outros instrumentos. Em seguida Gago Coutinho e Sacadura Cabral foram levados para Fernando Noronha.

Como foi retratado por uma revista o que ocorreu em São Pedro e São Paulo – Fonte – http://gagocoutinho.wordpress.com/

Para perpetuar o ocorrido, os aviadores deixaram o Arquipélago de São Pedro e São Paulo uma placa de chapa de ferro, onde está gravado a letra de latão: “Hidroavião Lusitânia – Cruzador República”.

A Nação portuguesa entrou em delírio e o clima emocional levou o Governo a enviar outro avião, oferecido pelo Ministério da Marinha.

Durante estes contratempos, os dois heróis ficaram ancorados em Fernando de Noronha, a bordo do “República”, onde decidiram que a nova etapa não devia iniciar naquela ilha, sendo preciso voltar atrás e sobrevoar São Pedro e São Paulo e depois seguir o rumo ao Brasil.

Cruzador português “República” – Fonte – Coleção do autor

O novo Fairey, levantou voo da ilha de Fernando Noronha, na manhã de 11 de maio.

O voo prosseguiu sem maiores problemas, mas, após sobrevoar o Arquipélago de São Pedro e São Paulo e já em direção ao Brasil, o motor parou. Eles então realizaram uma amerissagem de emergência.

Voo dos portugueses sobre os Penedos de São Pedro e São Paulo – Fonte – http://gagocoutinho.wordpress.com/

Embora esta tenha sido perfeita e em mar calmo, a longa espera por auxílio teve como consequência uma situação mais complicada, na qual entrou bastante água em um dos flutuadores, fazendo o aparelho afundar lentamente O comandante do “República” solicita que o cargueiro britânico “Paris-City”, da empresa Reardon Smith Line e comandado pelo capitão Albert Edward Tamlyn, em rota de Cardiff, Escócia, para o Rio de Janeiro, que socorra os aviadores.

Cargueiro inglês Paris-City – Fonte – http://www.photoship.co.uk

Mais uma vez os pilotos foram resgatados e, consequentemente, louvados na sua pátria. Diante da situação, o Governo Português foi novamente procurado para enviar outro avião e não teve como negar, pois os dois aviadores haviam se tornado heróis nacionais.

A quarta e última etapa teve início com o envio do Fairey batizado na sua esquadrilha com o número 17, o único de que dispunha a Aviação Naval Portuguesa. Era uma aeronave com uma autonomia mais reduzida do que os outros, mas considerado suficiente para que a viagem prosseguisse até ao Rio de Janeiro.

Homenagem prestada ao capitão Albert Edward Tamlyn, do “Paris-City – Fonte – http://gagocoutinho.wordpress.com/

No dia 5 de junho, Sacadura Cabral e Gago Coutinho levantaram voo de Fernando de Noronha e iniciaram o final desta histórica e gloriosa viagem, já sem quaisquer problemas ou incidentes mecânicos. Logo os aviadores chegariam a Recife.

Enquanto os heróis lusitanos seguiam em sua viagem épica, a pequenina Natal, capital potiguar que à época não tinha sequer 35.000 habitantes, acalentava o sonho de ser pela primeira vez sobrevoada por uma máquina “mais pesada do que o ar”, como eram descritos os aviões no começo do século XX.

Mas Natal não teve este privilégio. Entretanto, a sua população não deixou de comemorar.

Edição de sexta feira, 9 de junho de 1922, do jornal recifense “Diário de Pernambuco”, sobre as comemorações em Natal – Fonte – Coleção do autor

Segundo a edição de sexta-feira, 9 de junho de 1922, do jornal recifense “Diário de Pernambuco”, segundo informações transmitidas pelo seu “Correspondente Especial”, comentou que após a cidade saber que os portugueses haviam chegado ao Recife por volta do meio dia de 5 de junho, os escoteiros do bairro do Alecrim, sob o comando do professor Luís Soares, saíram às ruas da cidade para convidar a população para uma “Passeata Cívica” a ser realizada naquela noite.

Na hora acertada os escoteiros, acompanhados dos alunos da Escola de Aprendizes de Marinheiros e estudantes de outras escolas locais saíram às ruas em direção ao bairro da Ribeira, mais precisamente até a estátua do aeronauta potiguar Augusto Severo, onde houve grande concentração popular. No local ocorreram vários discursos e representando a colônia portuguesa falou o advogado, futuro deputado federal e senador Kerginaldo Cavalcanti.

Quartel do Exército Brasileiro em Natal nas primeiras décadas do século XX – Fonte – http://mediocridade-plural.blogspot.com/

Após a parte oficial, os escoteiros, os aprendizes de marinheiro, estudantes e o povo em geral saíram pelas ruas da cidade acompanhados das bandas da Polícia Militar e do 29º Batalhão de Caçadores, a unidade do Exército Brasileiro que existia em Natal naquela época.  Um carro foi conseguido, sendo totalmente enfeitado. Duas jovens natalenses desfilaram no automóvel representando Portugal e o Brasil.

Mesmo sendo o dia 5 de junho, uma segunda-feira, que tinha tudo para ser normalmente modorrenta, a chegada dos aviadores lusos a Recife fez a capital potiguar se agitar como não seria normal para aquele dia. O cortejo seguiu até a casa do representante diplomático de Portugal em Natal, o Sr. Antônio Martins e depois foram se concentrar na Praça 7 de Setembro, defronte ao Palácio do Governo. Consta que a festa se prolongou até tarde da noite.

Poema de Palmyra Wanderley aos aviadores lusos – Fonte – Coleção do autor

No dia 18 de junho, o jornal natalense “A República” estampava na sua primeira página, um belo poema intitulado “Aviador”, produzido por uma das mais importantes poetisas que o Rio Grande do Norte já conheceu, Palmyra Wanderley.

Depois do descanso na capital pernambucana, Sacadura Cabral e Gago Coutinho seguiram para Salvador, Porto Seguro, Vitória, e, finalmente, Rio de Janeiro, onde o Fairey, batizado de “Santa Cruz”, desce no começo da tarde de 17 de junho na Baía da Guanabara, levando os portugueses e brasileiros a bater palmas alvoroçadamente e em uníssono.

Trajeto do épico voo de 1922 – Fonte – http://gagocoutinho.wordpress.com/

O sextante original utilizado por Gago Coutinho nos voos históricos com Sacadura Cabral em 1921, de Lisboa ao Funchal, e, em 1922, na Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, é hoje uma das mais valiosas relíquias do Museu de Marinha em Portugal, estando em exposição juntamente com o “Corretor de Rumos”, próximo do hidroavião Santa Cruz, que finalizou a histórica Travessia Aérea.


CARACTERISTICAS DO HIDROAVIÃO FAIREY F III-D MKII

  • Material: madeira, revestida em tela
  • Comprimento: 10,92 metros
  • Envergadura: 14,05 metros
  • Altura: 3,70 metros
  • Peso vazio: 1800 quilogramas
  • Peso equipado: 2500 quilogramas
  • Velocidade de cruzeiro: 115 quilômetros/hora
Homenagem do presidente de Potugal a Gago Coutinho e Sacadura Cabral – Fonte – http://gagocoutinho.wordpress.com/

NUMEROS FINAIS DO “RAID”

LocaisDataPartidaChegadaDuraçãoDistânciaVel. média
Lisboa-Las Palmas30 de Março7h00m15h37m8h37m703 milhas náuticas62m/ph
Las Palmas- Gando2 de Abril11h13m11h34m0h21m15 milhas náuticas
Gando – S. Vicente5 de Abril8h35m19h18m10h43m849 milhas náuticas79m/ph
São Vicente-São Tiago17 de Abril17h35m19h50m2h15m170 milhas náuticas77m/ph
São Tiago-S. Pedro e S. Paulo18 de Abril7h55m19h16m11h21m908 milhas náuticas80m/ph
Fernando de Noronha- Mar11 de Maio11h01m17h35m6h34m480 milhas náuticas72m/ph
Fernando de Noronha-Recife5 de junho10h48m15h20m4h32m300 milhas náuticas67m/ph
Recife-Salvador8 de Junho11h05m16h35m5h30m380 milhas náuticas69m/ph
Salvador-Porto Seguro13 de Junho10h30m14h33m4h03m212 milhas náuticas52m/ph
Porto Seguro-Vitória15 de junho10h55m14h35m3h40m260 milhas náuticas71m/ph
Vitória-Rio de Janeiro17 de Junho12h42m17h32m4h50m250 milhas náuticas52m/ph
O hidroavião FAIREY F III-D MKII, preservado em Portugal. É o único exemplar dessa aeronave no mundo.

COMO ERA A VIDA NA ARMADA DE PEDRO ÁLVARES CABRAL?

caravela1

Nada de glamour: marinheiros viviam na imundície, tinham pouca comida e dormiam ao relento.

Por Diogo Antonio Rodriguez

Fonte – https://mundoestranho.abril.com.br/historia/como-era-a-vida-na-armada-de-pedro-alvares-cabral/

FROTA DE RESPEITO

Em 9 de março de 1500, 13 navios da expedição de Pedro Álvares Cabral deixaram Lisboa, levando 1,5 mil homens. Eram três caravelas (naves menores e ágeis, com até 50 toneladas) e dez naus (com até 250 toneladas e capacidade para 200 pessoas). Além do tamanho, a principal diferença era o formato das velas. A caravela foi o trunfo que fez de Portugal uma potência marítima até o século 18. Ela era leve, mudava de direção com agilidade, navegava rápido contra o vento e chegava mais perto da costa do que navios maiores. Outro fator importante para o domínio naval português foi a utilização de caravelas armadas com canhões.

1) JOGO DA VIDA

Entediados pela viagem (cerca de um mês e meio até o Brasil), os marinheiros criavam passatempos. Os preferidos eram apostas, como jogos de cartas e dados. Os padres, responsáveis por manter a moral a bordo, monitoravam a jogatina, celebravam missas e cuidavam dos doentes, já que não havia médicos. Os barbeiros, que aparavam o cabelo e a barba dos marujos, auxiliavam os padres no atendimento aos enfermos.

2) CAMA PRA QUÊ?

Apenas os mais graduados tinham o luxo de um quarto e uma cama. Os marinheiros dormiam sob o castelo da popa, a estrutura mais alta do navio. Como não cabia muita gente ali, o jeito era dormir no convés, ao relento, em frágeis colchões de palha. Os porões eram reservados para guardar água, mantimentos e munição.

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Imagem Alexandre Jubran, via Mundo Estranho

3) DIETA FORÇADA

O cardápio era de matar. O principal item era biscoito água e sal duro (600 g diários). A ração ainda incluía 1,5 litro de água e 1,5 litro de vinho por dia e 15 kg de carne por mês. Calcula-se que seriam necessárias 5 mil calorias por dia nessas condições, mas a alimentação nos navios só fornecia 3,5 mil.

4) APOCALIPSE NAU

A sujeira reinava. Como não havia banheiros, as necessidades eram feitas no mar ou nos porões. Ratos infestavam os navios e transmitiam doenças. A falta de banho também contribuía para tornar a higiene a bordo calamitosa. Não à toa, das 1,5 mil pessoas que embarcaram, apenas 500 voltaram vivas a Portugal.

5) SAÚDE É O QUE INTERESSA

As condições de alimentação e higiene eram precárias e nocivas. A falta de vitamina C causava o escorbuto, doença que provoca perda de dentes, dificuldades de cicatrização, anemia e hemorragias. O contato com bichos a bordo causava diarreia e piolhos. Os males mais frequentes eram enjoos e vômitos. O castigo para quem não cumpria as regras nos navios era ficar no porão, tirando a água que entrava pelo fundo da embarcação.

6) LONGE DE TUDO

A viagem de Cabral foi a primeira a usar sistematicamente o astrolábio. Parecido com uma pequena roda, o aparelho mede a altura do Sol ao meio-dia, a das estrelas à noite e fornece a latitude (posição no eixo norte-sul da Terra). Por outro lado, a medição da longitude (posição no eixo leste-oeste) nunca foi precisa.

Alexandre Jubran Mundo Estranho
Imagem Alexandre Jubran via Mundo Estranho

7) SOY CAPITÁN

Cabral era o capitão-mor da armada, mas cada navio tinha um comandante, que não precisava ser expert em navegação. Os capitães eram pessoas próximas da corte portuguesa e do rei, dom Manuel. A função era cerimonial e diplomática. Quem conduzia os navios eram os pilotos, que dominavam mapas, instrumentos de navegação e ventos. Além de marinheiros e nobres, havia escrivães, registrando tudo. O mais famoso, Pero Vaz de Caminha, relatou ao rei dom Manuel a descoberta do Brasil.

ORDEM NO CONVÉS

A hierarquia nos navios de Cabral

CAPITÃO – Autoridade máxima da embarcação.
PILOTO – Responsável de fato pela navegação. Sabia ler a bússola, as estrelas, os mapas náuticos e o astrolábio.
MESTRE – Dava ordens para marinheiros e grumetes e comandava o funcionamento geral da embarcação.
SOLDADO – Cuidava de armas e munição.
MARINHEIRO – Operário do mar. Fazia tudo no navio, de limpar a subir velas.
GRUMETE – Cumpria funções que os marinheiros não curtiam, como lavar o convés, limpar dejetos e costurar as velas.

FONTES: Sites Projeto Memória, Instituto Camões e VEJA na História, Centro de História Além-Mar (Universidade Nova de Lisboa) e livro Brasil: Terra à Vista, de Eduardo Bueno.

 

A GRANDE AVENTURA DOS JESUÍTAS NO BRASIL

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Os europeus levantando uma cruz na costa americana (1706) – Fonte – http://brazilcomesalive.yolasite.com/alyssa-images.php

A Companhia de Jesus foi fundamental na fundação de Salvador, Rio e São Paulo. Criou nossa versão do idioma português. Catequizou índios, participou de batalhas, liderou explorações em busca de ouro. Ajudou a formar o país

Desde os anos 1960, muitas crianças sonham em ser astronauta. Viajar para outros planetas, com suas paisagens bizarras, seus ambientes absurdos e – quem sabe? – seus moradores de costumes quase inacreditáveis de tão diferentes. Por volta de 1550, era possível viver esse mesmo sonho: jovens ousados, educados nas melhores escolas católicas, podiam ser convidados para viver entre os algonquins do Canadá, os astecas mexicanos, os indianos de Goa, os moradores do arquipélago japonês, os tupis-guaranis do Brasil. Cada um deles, em todos os sentidos para o ponto de vista de um europeu, vivia, comia e rezava como um verdadeiro alienígena. Os jovens do Velho Continente podiam experimentar esses novos planetas, desde que reunissem uma combinação de fé, disciplina, espírito didático e capacidade de gerenciamento. Havia muitas opções para um missionário cristão abraçar a causa da catequização das terras distantes. Mas a Companhia de Jesus era a mais nova e mais promissora. Surgira poucos anos antes, pelas mãos de um jovem basco, amante das armas e das mulheres, convertido para a fé por uma bala de canhão.

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Ignácio de Loyola, nascido Inigo Lopez de Recalde (1491-1556), fundador da Companhia de Jesus – Fonte – http://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/terra-brasilis/a-grande-aventura-dos-jesuitas-no-brasil.phtml#.V6H_DI-cHIV

Aventureiro e enamorado

Iñigo vinha de família bem relacionada de Azpeitia, no noroeste da Espanha. Na juventude, fez estágio como pajem do nobre Juan Velázquez de Cuellar e se acostumou a andar bem-vestido, com cabelos loiros e compridos. Dizia-se encantado por uma moça da elite, que nunca chegou a nomear, mas que, confessava, não parava de ocupar seus pensamentos. “Ficava logo embebido a pensar nela duas, três ou quatro horas sem se dar conta, imaginando o que havia de fazer em serviço de uma senhora”, ele escreveria em sua autobiografia. O gosto pelas guerras era bem mais público.

Como seguidor do vice-rei de Navarra, António Manrique de Lara, Iñigo participou da batalha de guerra que colocava os reis da França e da Espanha na disputa pelo controle do Sacro Império Romano-Germânico. Lutando a favor dos espanhóis, em 20 de maio de 1531, durante um cerco francês a Pamplona, uma bala de canhão passou entre suas pernas. Milagrosamente, o jovem basco sobreviveu. Foi levado para casa, com a perna destroçada. No castelo da família, onde passou por uma recuperação lenta e dolorosa, com direito a uma cirurgia nos joelhos – sem anestesia – que tinha por objetivo consertar uma cirurgia anterior – também sem anestesia –, um jovem sofredor e entediado encontrou consolação em livros católicos da biblioteca da família. O guerreiro mulherengo se recuperou com uma perna mais curta e uma decisão firme: seguir os caminhos de Cristo.

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O símbolo dos jesuítas – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Society_of_Jesus

Começou tentando ir à Cidade Santa. Conseguiu em 1523, mas ficou por um período muito curto, durante o qual ele se mostrou um risco para os católicos que negociavam cuidadosamente sua permanência na Jerusalém dominada por muçulmanos. Andando sem seguranças, forçando a entrada em lugares vedados a cristãos, ele foi convidado a voltar para a Europa o mais rápido possível. Retornou a contragosto, sonhando em voltar, sem conseguir. 

Iñigo dirigiria suas atenções a outro objetivo: fundar uma ordem religiosa guerreira, de forte caráter missionário. Para isso, voltaria a estudar, a fim de preencher uma grave lacuna, a falta de formação teológica. Em Paris, encontrou seis religiosos mais novos que se tornaram o núcleo central da Companhia de Jesus: Francisco Xavier, Pedro Fabro, Simão Rodrigues, Nicolás Bobadilla, Diogo Laínez e Alfonso Salmerón. Em 15 de agosto de 1534, durante um encontro na Igreja de Saint Denis, no bairro parisiense de Montmartre, eles fundaram a Companhia de Jesus. Em 1537, o fundador adotou um novo nome, mais amigável para os ouvidos dos espanhóis não bascos: Inácio. Em 1540, o papa Paulo III aprovou a existência do novo grupo. Era um começo rápido e promissor.

Soldados de Cristo

Inácio nunca usou o termo “jesuítas”, pelo qual o grupo ficaria conhecido. A expressão se estabeleceria décadas depois, quando o esforço missionário ajudou a estabelecer o apelido, que fazia referência a “pessoas que citam o nome de Jesus com muita frequência”. Mas o nome oficial, Societas Jesu, ou Sociedade de Jesus, caracterizava com precisão os objetivos do grupo, criado como uma milícia com hierarquia clara, conduta impecável e o mesmo espírito de conquista que acompanhou o fundador até o fim da vida, em 1556.

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Padre celebra a eucaristia (1707) – Fonte – http://library.brown.edu/create/fivecenturiesofchange/chapters/chapter-2/the-jesuits/

Inácio ainda sonhou com um retorno a Jerusalém. Depois, se instalou em Veneza, à espera de orientações papais. Até que aquele grupo de jovens instruídos e disponíveis para a evangelização chamou a atenção das lideranças do Vaticano, que resolveram usar os jesuítas no esforço de reação à reforma protestante. Todos os fundadores se envolveriam na catequização e na publicação de trabalhos que lutavam pela restauração da fé católica. O sucessor de Inácio, Diogo Laínez, chegaria a se estabelecer como uma importante liderança no Concílio de Trento. Era forte candidato a papa, mas não chegou ao posto. Os jesuítas só formariam um pontífice em 2013, com a eleição do argentino Jorge Bergoglio. Sua vocação, no século 16, era outra: a evangelização em terras estrangeiras.

Começou com São Francisco Xavier, possivelmente o jesuíta mais famoso da história. O único fundador da ordem a deixar a Europa estava em Portugal, onde o rei João III se mostrava interessado no esforço missionário daqueles jovens promissores. Em uma década morando na Ásia, ele converteria algo entre 30 mil e 100 mil pessoas, um número espantoso – e obviamente inflado, no sentido de que muitos dos pagãos que aceitavam o batismo não entendiam o que havia acontecido e não mudavam nenhum de seus costumes, mesmo que incluíssem o canibalismo, a poligamia e a crença em vários deuses.

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Diogo de Mendonça Furtado e o padre jesuíta Domingo Coinia, diante de um grupo de clérigos e soldados em São Salvador da Bahia de Todos os Santos, atual Salvador, Bahia, Brasil – Fonte – http://library.brown.edu/create/fivecenturiesofchange/chapters/chapter-2/the-jesuits/

O exemplo de Xavier seria seguido no Brasil, onde, em 1549, chegaram, junto com o primeiro governador-geral Tomé de Souza, seis jesuítas, liderados por um religioso muito dedicado, com vocação para professor, mas rejeitado por causa de sua gagueira quase insuportável. Manoel da Nóbrega chegava a uma região desacreditada, de menor importância para Portugal. Ninguém esperava muito de Nóbrega, mas ele surpreenderia a todos.

Um padre, três metrópoles

O pai de Nóbrega era desembargador. Ele se formou em direito canônico e filosofia na Universidade de Coimbra. Em 1544, com 27 anos, finalmente desistiu de tentar ser aprovado como professor, entrou para a Companhia de Jesus e começou a fazer viagens de peregrinação e pregação pela Península Ibérica. Nos hospitais onde tentava realizar exorcismos, era conhecido como “o Gago”. Convidado para vir ao Brasil depois que o cofundador Simão Rodrigues preferiu ficar em Portugal, chegou em 29 de março de 1549, depois de 56 dias de viagem, como parte de uma comitiva com seis navios e mil pessoas. Nunca mais retornaria à Europa.

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Padre Manuel da Nóbrega, em um selo Português comemorativo aos 400 anos de fundação de São Paulo – Fonte – https://en.wikipedia.org/wiki/Society_of_Jesus

Nóbrega era o chefe da primeira turma de jesuítas. Recebeu excelentes condições de trabalho: diferentemente do que acontecia na Ásia ou na América do Norte, a ordem detinha a exclusividade sobre a evangelização da colônia. Apesar de descoberta em 1500, e de uma primeira tentativa mais sistemática de ocupação em 1532, seria apenas com a chegada do governador-geral Tomé de Souza a Salvador que Portugal começava, de fato, a colonizar a vasta Terra de Santa Cruz, dominada por diferentes grupos de indígenas e tomada por uma vegetação espessa que praticamente impedia qualquer investigação para além do litoral.

Até sua morte, em 1570, Nóbrega se mostrou incansável. Ajudou a definir o traçado de Salvador, a primeira cidade planejada do país. Na sequência, andou por todo o território que formava a colônia, de São Paulo a Pernambuco. Mapeou vilas, identificou tribos, foi decisivo em guerras e rebeliões e ajudou a colocar em pé três futuras metrópoles fundamentais: Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.

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Vista de Salvador em 1735 – Fonte – http://brazilcomesalive.yolasite.com/alyssa-images.php

O jesuíta deu atenção especial a Porto Seguro, onde Pedro Álvares Cabral havia desembarcado e os indígenas eram especialmente hostis. Ali ficou João de Azpilcueta Navarro, responsável por organizar uma primeira tentativa de explorar os sertões que hoje pertencem à Bahia e ao interior de Minas Gerais. Na busca por uma famosa Serra das Esmeraldas, Navarro e outros 13 desbravadores conheceram o Rio São Francisco, acamparam em condições precárias e tiveram de se esconder de índios que surgiam e desapareciam misteriosamente. 

Ao voltar para o litoral, depois de um ano e meio e 2 mil quilômetros de viagem, estava tão doente que acabou morrendo, dois anos depois, em Salvador. Deixou como legado uma carta em que descrevia a fauna e a flora que encontrou. “Há muita caça, assim de animais como de aves”, escreveu. “Há uns animais que se chamam antas. Há muitas castas de macacos, entre os quais uns pardos com barba como homens. Há veados, gatos, onças, tigres e muitas cobras, entre as quais há umas que têm no rabo uma coisa à maneira de cascavel.” João também deixou estudos com os primeiros fundamentos para traduzir tupi para o português e vice-versa. O documento seria usado pelo padre José de Anchieta na construção de sua própria gramática. João, aliás, foi quem iniciou Anchieta no trabalho de entender aquela língua tão difícil para os europeus.

Enquanto tudo isso acontecia, Nóbrega já tinha descido até São Vicente, onde fez uma tentativa diferente de incursão para além das praias: o estabelecimento de um ponto de apoio no planalto. Foi ele quem escolheu uma área instalada entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí e controlada pelo cacique Tibiriçá, amigo dos ocidentais desde que havia começado a conviver, muitos anos antes, com um degredado chamado João Ramalho. Tibiriçá e os 25 mil índios tupiniquins que ele liderava ajudaram a construir um colégio onde se ensinava a ler e escrever em tupi e onde se aprendiam noções de latim, além de carpintaria e marcenaria.

Anchieta
Padre José de Anchieta – Fonte – https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d8/Anchieta.jpg

Foi naquele vale bem protegido por tupiniquins que 13 dos 26 jesuítas que viviam no Brasil na época morariam em um barracão de cerca de 90 m2, feito de paredes de taipa de pilão e com telhado de folhas de palmeira. Nóbrega chegou a realizar uma missa no local, em 29 de agosto de 1553. Mas foi uma segunda celebração, conduzida pelo padre Manuel de Paiva com José de Anchieta no apoio, que marcou o batismo da cidade: São Paulo, em homenagem ao santo celebrado naquele 25 de janeiro de 1554. A política de estabelecer colégios como a base de centros urbanos, tipicamente jesuíta, seria rapidamente aplicada também no Rio de Janeiro, além de Olinda, São Luís, Ilhéus e Recife.

Anchieta havia encontrado Nóbrega em São Paulo, e reencontraria o chefe outras vezes. Em especial quando os dois se fizeram reféns voluntários da tribo dos tamoios, aliados dos franceses, na região onde hoje fica Ubatuba.

O fim provisório

O conflito com os tamoios seria decisivo para a fundação do Rio de Janeiro, uma terra que parecia destinada a ficar em mãos francesas. Para ajudar na negociação com os portugueses, Nóbrega e Anchieta permaneceram entre os indígenas. Foram bem-recebidos – tão bem que precisavam rezar muito e fazer autoflagelação frequente para lidar com o assédio das índias que os maridos e pais ofereciam. Um único episódio destoante quase levou os dois ao martírio: um jovem líder, muito amigo dos franceses, perseguiu os dois padres, que tiveram que correr muito e se esconder até que os chefes o acalmassem. 

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Padre jesuíta no Brasil Colonial – Fonte – http://library.brown.edu/create/fivecenturiesofchange/chapters/chapter-2/the-jesuits/

A negociação não foi muito longe, mas o terceiro governador-geral, Mem de Sá, acabaria destruindo o forte francês Coligny e instalando os portugueses na vila de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde Nóbrega construiu um colégio e viveu até a morte. Anchieta ainda tinha mais duas décadas de trabalho pela frente. Deixaria como legado um conhecimento do idioma do grupo tupi-guarani, o início de uma literatura produzida no Brasil e uma lista de conhecimentos das plantas locais.

A partir do século 17, os jesuítas estavam instalados como uma potência. Desde 1580 não detinham o monopólio sobre a pregação, mas seus colégios formavam as elites locais, suas fazendas (que contavam com o uso de mão de obra escrava) forneciam alimentos para todas as cidades. E, mais importante, suas aldeias, centros autônomos onde os índios viviam protegidos dos colonizadores civis, protegiam os locais da exploração exagerada. Delimitado por Nóbrega, o conceito de aldeias provocaria atritos intensos com os jesuítas que vieram depois. Eles seriam cercados e expulsos, em diferentes ocasiões, em todas as principais cidades do país. Os conflitos foram especialmente graves no Maranhão, graças a um religioso português com vocação para a confusão: Antonio Vieira.

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Padre Antônio Vieira retratado na obra “Celeberrus P. Antonius Vieyra Soc. Jesu Lusit. Vijssipon” (1742) – Fonte – http://library.brown.edu/create/fivecenturiesofchange/chapters/chapter-2/the-jesuits/

Nascido em Portugal, educado em Salvador, Vieira dividiria sua atenção entre os assuntos dos europeus e dos brasileiros. Na corte em Lisboa, defendeu que os lusitanos deixassem Pernambuco com os holandeses – na década de 1630, parecia impossível aos portugueses recuperar aquelas terras. Diante da pressão da coroa espanhola, bolou um plano que incluía a instalação do rei João IV no Rio de Janeiro, mas nunca seria colocado em prática. 

No Brasil, Vieira se envolveu principalmente com a colonização da Amazônia e com os conflitos com as lideranças civis do Maranhão, que insistiam em tomar os índios para si e se irritavam com a interferência jesuítica nos assuntos seculares. Em um de seus muitos sermões, de 1654, ele se dirigiu aos maranhenses com desprezo: “A este Evangelho do Domingo Quinto da Quaresma chamais comumente o domingo das verdades. Por me não sair, contudo, do que hoje todos esperam, estive considerando comigo que verdades vos diria, e, segundo as notícias que vou tendo desta nossa terra, resolvi-me a vos dizer uma só verdade. Mas que verdade será esta? Não gastemos tempo. A verdade que vos digo é que no Maranhão não há verdade.” Perseguido pela Inquisição, isolado das cortes em Portugal, Vieira morreria nos arredores de Salvador, cansado e desiludido.

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Pintura que mostra o Marquês de Pombal – Fonte – http://jesuitsslaverybrazil.blogspot.com.br/

Portugal oscilava entre o apoio aos colonos e a defesa dos religiosos. Isso até a ascensão de reis que tinham a pretensão de modernizar o Estado e reduzir a influência dos jesuítas, que, em Portugal, na Espanha e na França, eram professores, confessores e orientadores de várias gerações de reis e rainhas. Em Portugal em específico, sob a influência do marquês de Pombal, a ordem seria expulsa do país e de suas colônias em 1759. 

Cidade após cidade, os cerca de 600 religiosos que viviam no Brasil foram colocados em navios em direção a Portugal. Alguns foram detidos, outros seguiram para a Itália. Uma pequena parte reagiu e ficou entre os índios, dentro das missões que a ordem vinha fundando e mantendo, em especial ao sul do Brasil, no Paraguai e na Argentina. Religiosos e locais pegaram em armas e acabaram massacrados nas Guerras Guaraníticas. A experiência das missões havia deixado um legado impressionante: os índios viviam com relativa autonomia. Alguns se mostraram artesãos talentosos, cuja produção de instrumentos musicais povoaria os salões e as igrejas europeias com violinos feitos nas Américas.

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O Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, popularmente conhecido como Ruínas de São Miguel das Missões, é o conjunto de remanescentes da antiga redução jesuítica de São Miguel Arcanjo, integrante dos chamados Sete Povos das Missões. Localiza-se no município de São Miguel das Missões, Rio Grande do Sul – Fonte – https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADtio_Arqueol%C3%B3gico_de_S%C3%A3o_Miguel_Arcanjo

Catorze anos depois, em 1773, a ordem toda foi extinta por decisão do papa Clemente XIV. Nesse momento, os inacianos ligados a Portugal já tinham o destino selado. A inquisição encerraria a vida de Gabriel Malagrida: o padre de 72 anos foi queimado na Praça do Rossio, em Lisboa, na tarde de 21 de setembro de 1761. Foi a última vez que um condenado pela Inquisição era morto em praça pública em território português. Ele havia batido de frente com o marquês de Pombal por muitos anos, desde que afirmara que o terremoto que aterrou Lisboa em 1755 era um castigo divino.

E assim, por força do fogo e de uma bula papal, a ordem deixou de influenciar os rumos do Brasil. Foi autorizada a voltar em 1814, mas a marca sobre o país nunca mais seria a mesma. Permanece nos centros educacionais. Em termos internacionais, os jesuítas agora alcançaram, depois de cinco séculos, o cargo mais alto da Igreja Católica: o papa Francisco pertence ao grupo fundado por Inácio de Loyola e construído com o sangue e o suor de jovens cultos e corajosos.

Linha do tempo

A trajetória da ordem

  • 1491• Nascimento de Inácio de Loyola
  • 1500• Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil
  • 1534•Inácio funda a Companhia de Jesus
  • 1540•O papa Paulo III formaliza a criação da Companhia de Jesus
  • 1542• Primeira ação missionária dos jesuítas, no Congo
  • 1549• Chegada de Tomé de Souza e Manoel da Nóbrega a Salvador
  • 1551• Chegada a Salvador do primeiro bispo do Brasil, Pero Fernandes Sardinha
  • 1553• Chegada de José de Anchieta ao Brasil
  • 1554• Missa de fundação da cidade de São Paulo
  • 1565• Fundação da cidade do Rio de Janeiro
  • 1580• Portugal é anexado ao reino da Espanha e os jesuítas perdem a exclusividade no Brasil
  • 1607• Início das missões jesuíticas
  • 1640• Portugal volta a ser um reino independente, sob o comando do rei dom João IV
  • 1665• O Tribunal da Inquisição manda prender Antonio Vieira
  • 1759• Expulsão dos jesuítas de Portugal e suas colônias
  • 1773• Extinção da Companhia de Jesus por ordem do papa Clemente XIV
  • 1814• O papa Pio VII reabre a Companhia de Jesus
  • 2013• Jorge Bergoglio é eleito papa e adota o nome Francisco.

Jesuítas no Brasil

  • Manoel da Nóbrega • 

1517-1570 

Decisivo na fundação de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.

  • José de Anchieta •

1534-1597 

Grande pregador, criou uma gramática tupi-português e converteu centenas de índios.

  • João de Azpicuelta Navarro •

1521/3-1557 

Esteve na primeira expedição em busca de ouro em Minas Gerais.

  • Antonio Vieira •

1608-1697

Polêmico, participou ativamente da História de Portugal, de Salvador e de São Luís, no Maranhão.

  • João Felipe Bettendorf • 

1625-1698

Decisivo na colonização da Amazônia e na fundação de Santarém.

  • Gabriel Malagrida •

1689-1761

Realizou uma expedição de 14 mil quilômetros no sertão nordestino. Morto pela Inquisição.

SAIBA MAIS

LIVROS

A Grande Aventura dos Jesuítas no Brasil, Tiago Cordeiro, Ed. Planeta, 2016

Autobiografia, Inácio de Loyola, Editorial A.O., 2005

História da Companhia de Jesus no Brasil, Serafim Leite, Itatiaia, 2000

A Heresia dos Índios – Catolicismo e Rebeldia no Brasil Colonial, Ronaldo Vainfas, Companhia das Letras, 1995


Autor e fonte – TIAGO CORDEIRO http://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/terra-brasilis/a-grande-aventura-dos-jesuitas-no-brasil.phtml#.V6H_DI-cHIV

 

AFUNDAMENTO DO “AFONSO PENA” NO ATLÂNTICO SUL

A ACADÊMICA E MÉDICA PARAIBANA EUDÉSIA VIEIRA E A SUA EXPERIÊNCIA NO AFUNDAMENTO DO “AFONSO PENA” EM 1943

Autor – Rostand Medeiros

Aos 49 anos de idade, a médica paraibana Eudésia de Carvalho Vieira, mãe de cinco filhos, realizava, em pleno período de vigência da Segunda Guerra Mundial, uma viagem de navio entre Recife e o Rio de Janeiro. Era o dia 2 de março de 1943 e este tipo de viagem estava se tornando muito perigosa devido à ação de submarinos alemães e italianos que até aquela data já haviam afundado vinte e sete navios brasileiros e levado a morte várias pessoas.

Mas a Doutora Eudésia precisava seguir para o sul do país, até porque este era o único meio de ligação eficaz entre a então Capital Federal e a Região Nordeste.

Navio de Cabotagem “Aspirante Nascimento”. O transporte marítimo era o principal meio de contato entre as capitais brasileiras. Fonte-http://www.portogente.com.br 

Segundo artigo publicado na Revista do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante – SINDMAR – ANO VI – Nº 21 – Agosto/2005, na primeira metade do século passado, a principal via para movimentação de cargas e passageiros no Brasil era a marítima. Como hoje, onde 95% das mercadorias importadas e exportadas são transportadas pelo mar, apesar da Marinha Mercante brasileira ser responsável apenas por 4% desse total, o tráfego marítimo na década de 30 do século passado era muito utilizado.

A razão era simples: as rodovias, quase inexistentes na época, e as ferrovias, completamente obsoletas, dependiam de investimentos do governo. O transporte aéreo também não era muito utilizado pelo alto custo financeiro. Por isso, as comunicações se faziam ao longo da costa por meio da navegação de cabotagem e de longo curso e a nossa Marinha Mercante exercia um papel fundamental para a economia nacional.

Uma Mulher Corajosa

Já que a paraibana Eudésia de Carvalho Vieira, uma mulher disposta, corajosa e batalhadora, tinha de seguir em um navio, em meio a submarinos espreitando como lobos ferozes, ela via aquele momento como mais um outro desafio, em meio a tantos que enfrentou no seu passado.

Nascida no dia 8 de abril de 1894, na povoação de Livramento, no município de Santa Rita, fez seus estudos primários em uma escola particular na então cidade da Parahyba, atual João Pessoa. Recebeu o diploma de professora pública e iniciou a carreira do magistério dando aulas particulares. Só em 1915, através de concurso público, ingressou no magistério oficial. Casou-se em 1917, nascendo desse casamento 14 filhos, dos quais apenas cinco sobreviveram. Foi professora pública em várias escolas primárias da Paraíba e já casada, decidiu ser médica, contrariando a vontade do marido e enfrentando todos os obstáculos e preconceitos da época.

Eudésia foi à única mulher numa turma de homens a receber o grau de doutora e a primeira paraibana a conquistar o título pela Faculdade de Medicina de Recife. Na provinciana capital paraibana instalou um consultório em sua residência, a Rua Duque de Caxias, onde passou a atender e dedicar-se à sua clientela, fazendo da medicina o seu apostolado. Foi Assistente Social da Penitenciária Modelo, sendo muito querida pelos presidiários. Além de Professora e médica, atuou como jornalista e poetisa. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano em 3 de junho de 1922.

Um Navio venerável

Apesar de ser um momento negativo para se encontrar no alto mar, o navio em que a paraibana Eudésia seguia era o confiável Afonso Pena.

O “Afonso Pena”

A tradicional nave fora construído em 1910 no estaleiro Workman, Clark & Co., de Belfast, na Irlanda do Norte. Foi entregue no mesmo ano a companhia de navegação Lloyd Brasileiro, sendo registrado no Rio de Janeiro e batizado como “Afonso Pena”, em homenagem ao ex-presidente brasileiro Afonso Augusto Moreira Penna.

Apesar de ter 33 anos singrando os mares, o navio era uma nave ainda respeitável. Tinha mais de 110 metros de comprimento, 15 metros de largura e quase 5 metros de calado. Fora todo construído em casco de aço, para o transporte de carga e de passageiros. Possuía um motor a vapor e podia transportar mais de 250 passageiros em três classes distintas, em várias cabines.

Havia partido dias antes de Manaus, tendo feito escalas em Belém, São Luís, Fortaleza, Recife e transportava 242 tripulantes e passageiros.

O “Afonso Pena” havia saído de Recife em um comboio escoltado por vasos de guerra. Mas desde o dia anterior a embarcação estava navegando de forma solitária e o clima de medo e apreensão no navio onde estava a Dra. Eudésia havia crescido.

Comboio

Aconteceu que o comboio se separou em duas rotas distintas, onde uma parte seguiria para Maceió e outra em direção a África do Sul. Mas o Capitão de Longo Curso da Marinha Mercante, Euclides de Almeida Basílio, alegou que iria por outra rota em direção ao Rio de Janeiro, por não conhecer aquela que o comboio seguiria. Ele era um homem experiente, veterano da Primeira Guerra Mundial e detentor da “Medalha da Vitória”, segundo consta no Diário Oficial da União, de 5 de maio de 1934, na página 6.

Falou-se que o fato de não estar mais no comboio não teria tanto problema por ser uma semana de lua nova, onde a escuridão poderia proporcionar, junto com a ordem de não acender luzes a bordo, uma maneira da nave de passageiros e carga não ser vista através do periscópio de um submersível.

Mas a atitude de seguir sozinho fez o “Afonso Pena” se tornar um alvo fácil.

O Atacante

Enquanto isso, na costa do estado da Bahia, o Regio Sommergibile “Barbarigo”, um submarino italiano da classe “Marcello”, estava espreitando o fundo do mar feito um tubarão de aço.

Torre do “Barbarigo”, mostrando desenhos com as silhuetas de navios atacados e afundados pelos italianos

Estes submersíveis eram construídos na cidade de Monfalcone, sendo considerados os melhores modelos que a marinha italiana possuía no seu inventário durante a Segunda Guerra Mundial. Foram completadas onze unidades, que podiam alcançar até 100 metros de profundidade operacional máxima, com velocidade que variava de 19 a 8.5 nós. Eram tidos como confiáveis, robustos, manobráveis e transportavam 59 toneladas de combustível, sendo por esta razão designados como submersíveis oceânicos.

Revista italiana com os feitos do “Barbarigo”

Inicialmente eram utilizadas no Mediterrâneo, depois algumas unidades foram transferidas para a base de Betasom, uma unidade de submarinos italianos em Bordeaux, França, dentro da área de ocupação alemã naquele país.

Estando atuando na Marinha da Itália (ou Regia Marina) desde 1938, a carreira do “Barbarigo” foi considerada pelos italianos positiva no desenrolar do conflito. Esta era a sua décima missão de guerra e a segunda patrulha de caça e destruição de navios aliados no Atlântico Sul, próximo a costa brasileira.

O submarino embandeirado em dia de festa

O “Barbarigo” havia saído do porto de La Pallice, na cidade francesa de La Rochelle, no dia 24 de janeiro de 1943, sob o comando do tenente Roberto Rigoli.

No dia 24 de fevereiro o submarino italiano atacou próximo ao Arquipélago de Fernando de Noronha o cargueiro espanhol “Monte Igueldo”, afundando-o. Ocorre que hidroaviões norte-americanos testemunharam o ataque do “Barbarigo” e o atacaram impiedosamente com três bombas. Estas aeronaves eram modelos Martim PBM-3 Mariner, pertencentes ao esquadrão VP-74 da Marinha dos Estados Unidos, com base em Natal, Rio Grande do Norte, mais precisamente na área da “Rampa”, no Rio Potengi.

Um Martim PBM-3 Mariner do esquadrão VP-74, da Marinha dos Estados Unidos

Por sorte o tenente Rigoli conseguiu fugir e seguiu em direção sul, onde pretendia atacar navios que estivessem na região próxima ao Arquipélago dos Abrolhos, onde seu caminho cruzaria com o do “Afonso Pena”.

Tem Início a Matança e o Heroísmo

No começo da noite do dia 2 de março de 1943, uma terça feira, a cerca de 250 quilômetros de Porto Seguro, o tenente Rigoli e sua tripulação haviam diminuído a marcha do “Barbarigo” e acompanhavam um lento navio que se deslocava a no máximo 10 nós de velocidade. O destino do “Afonso Pena” estava selado.

Dezessete dias depois do afundamento do navio brasileiro, o jornal “Poughkeepsie New Yorker”, do estado de Nova York, edição do dia 19 de março, trás na sua primeira página uma reportagem exclusiva sobre o afundamento do “Afonso Pena”. Foi a paraibana Eudésia de Carvalho Vieira quem fez um sucinto relato para este jornal sobre o terror que aconteceu no Atlântico Sul.

Tripulação do “Barbarigo” em patrulha no Atlântico Sul

Na cama de um hospital de Salvador, Eudésia afirmou que estava no seu camarote quando sentiu a vibração da nave com o impacto do torpedo. Depois escutou um forte grito de uma mulher e logo outros passageiros estavam em pânico, pois o “Afonso Pena” começou a afundar. Para ela o caminho mais rápido para fora foi através de uma vigia, através da qual foi puxada. Mas em meio ao pandemônio formado, Eudésia bateu a cabeça e sofreu um severo corte. Daí ela e seus salvadores correram ao redor do convés tentando encontrar salva-vidas, ou entrar em alguma baleeira. Ela afirmou ao jornalista que pulou no mar ao lado de uma balsa (raft, em inglês). Alguns homens já estavam no pequeno barco salva-vidas e um deles lhe colocou um pano em volta da sua cabeça, que sangrava muito.

Em busca de alvos no horizonte

Mas o triste nesta história é que, mesmo de forma lenta, o “Afonso Penna” não parou. Continuou navegando, adernando e afundando.

Segundo o artigo publicado na Revista do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante – SINDMAR – ANO VI – Nº 21 – Agosto/2005, o Capitão de Longo Curso João Batista Rodrigues, anotou no Livro de Registro de Histórias da Marinha Mercante, arquivado na biblioteca do SINDMAR, que o “Afonso Pena” afundou de proa (parte dianteira do navio), a cerca de três milhas da balsa onde ele se encontrava, ou seja, a mais de cinco quilômetros e meio de distância.

Um artigo exclusivo do uniforme da tripulação do “Barbarigo”

Provavelmente as máquinas do navio não pararam após o impacto do torpedo. Havia uma ordem para no caso de uma emergência, o oficial encarregado, antes de subir, deveria parar o motor sob a sua responsabilidade, para que a hélice não colhesse náufragos ou baleeiras em caso de torpedeamento. Mas isso não foi feito e várias pessoas e balsas foram sugadas para próximo a grande hélice em movimento e estraçalhadas.

Durante o trajeto final do “Afonso Pena”, já ferido de morte, o tenente Rigoli trouxe o “Barbarigo” para a superfície e isto foi presenciado pela paraibana Eudésia.

Tenente Roberto Rigoli. Sob suas ordens o “Barbarigo” atacou o “Afonso Pena”

O radiotelegrafista do navio, Pedro Mota Cabral, de forma extremamente heroica, em nenhum momento da tragédia deixou de enviar mensagens para chamar reforços e socorro. Os italianos temendo a presença de aviões, abriram fogo com o canhão dianteiro e silenciaram a estação de rádio, matando seu operador.

Segundo o Capitão Batista, provavelmente devido ao cabo de apito ter ficado preso, o “Afonso Pena”  submergiu apitando, tal como um grito de desespero.

Salvamento em Meio a Tubarões

Nesse meio tempo o “Barbarigo” desceu para as profundezas e se foi. No meio da noite escura, ao redor do sinistro, ficaram tentando se salvar mais de uma centena de pessoas.

Documento da Marinha dos Estados Unidos, informando sobre os ataques do “Barbagiro”na costa brasileira. As datas dos afundamentos apresentadas no documento não estão corretas.

Eudésia e o Capitão Barbosa, mesmo feridos, assustados e molhados, estavam em relativa segurança nas balsas. Ao passo que muitas das 240 pessoas que estavam a bordo do “Afonso Pena” não tiveram a mesma sorte. Estes eram principalmente os passageiros da terceira classe e os foguistas do porão, que tinham alguns lances de escada para subirem e se salvarem. Entre estes se encontrava a família Duarte, de Belém do Pará. José Duarte Junior, sua esposa Maria Duarte Brandão, e seus filhos Ester, Sidônio e Guilherme, afundaram junto com o “Afonso Pena”.

A médica paraibana informou a imprensa norte-americana que viu aterrorizada a presença de tubarões próximos a concentração de balsas, que buscavam ficar juntas enquanto o mar as levava em direção a costa baiana. Eudésia também viu um casal com colete salva-vidas passar pela sua balsa, ambos mortos e abraçados.

Resgate no mar durante a Segunda Guerra Mundial

Durante dois dias eles vagaram, até que um navio-tanque da marinha norte-americana avistou alguns dos sobreviventes e passou a resgatá-los.

No momento de embarcar, ela caiu e um desconhecido oficial americano pulou na água para ajudá-la, enquanto membros da tripulação abriam fogo com rifles e metralhadoras contra tubarões que circulavam nas proximidades.

Morreram 33 tripulantes e 92 passageiros, num total de 125 pessoas. Muitas balsas que não foram resgatadas pelo navio americano conseguiram chegar as praias de Porto Seguro. Houve 117 sobreviventes.

Esquecimento

No outro dia o submarino “Barbarigo”, cujo lema era “Chi teme la morte, non è degno di vivere!” (Quem teme a morte, não é digno de viver!), conseguiu mais um tento com o afundamento do navio norte-americano S.S. Staghound, um cargueiro tipo “Liberty Ship”. Depois de três vitórias no Atlântico Sul, a nave italiana voltou para sua base.

“Barbarigo” retornando da costa brasileira

Mas sua carreira teria um fim até hoje desconhecido. Ainda em 1943, no dia 16 de julho, o submarino partiu em direção ao Japão e jamais foi visto novamente. Acreditasse que tenha sido afundado na área da Baía de Biscaia, próximo a Espanha, por ação de forças aliadas na caça de submarinos. Mas até hoje o fato não foi devidamente comprovado.

O lema do “Barbarigo”

Não consegui maiores informações sobre o Capitão João Batista Rodrigues, mas a paraibana Eudésia continuou o seu sacerdócio na medicina e desenvolvendo novos trabalhos literários, um deles narrando suas experiências no torpedeamento do “Afonso Pena” e em 1974 recebeu o título de cidadã Benemérita da Paraíba. Faleceu no dia 16 de julho de 1981, em João Pessoa .

No artigo publicado na Revista do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante temos a informação que 927 pessoas morreram em navios brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial, entre tripulantes e passageiros e 21% da frota brasileira foi a pique nesse período.

O estrago só não foi pior devido ao esforço da Força Naval do Nordeste, que participou junto com a Marinha dos Estados Unidos, na proteção de 575 comboios, escoltando mais de três mil navios.

A Marinha Mercante, seus tripulantes e passageiros, foram os brasileiros que mais sofreram e tiveram o maior número de vítimas durante a Segunda Guerra, mas pouco são lembrados nos dias atuais.

Fontes:

http://en.wikipedia.org

http://bloggerdocma.blogspot.com

http://www.sindmar.org.br/

http://www.sbhe.org.br/

Livro – O Brasil na Mira de Hitler, Roberto Sander, 2007, pág 138.

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