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O COMANDANTE DE UM SUBMARINO ALEMÃO DA SEGUNDA GUERRA QUE VIVEU NO BRASIL

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Autores – Rostand Medeiros & German Zaunseder[1]

A frota de submarinos de Hitler foi uma arma naval utilizada operacionalmente de maneira brilhante durante a Segunda Guerra Mundial, obtendo uma justificada reputação de eficiência e de criar um verdadeiro terror nos sete mares durante aqueles dias difíceis.

Apesar de existirem inúmeras estatísticas, sabe-se que mais de 3.000 navios aliados foram afundados pelos submarinos alemães em várias partes do mundo e isso gerou algo em torno de 30.000 pessoas mortas nestes afundamentos. Esses ataques totalizaram cerca de 13 milhões e meio de toneladas de navios e de mercadorias perdidos para o fundo do mar e desse total quase 12 milhões foram afundadas apenas no Atlântico Norte. 

Foram estes submarinos, chamados de U-boot (do alemão: Unterseeboot), a arma que mais perto colocou o Terceiro Reich como vencedor do conflito. Até o próprio Winston Churchill admitiu que os submarinos alemães foram seu maior temor para uma possível derrota da Grã Bretanha na Segunda Guerra. [2]

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Apesar de suas retumbantes vitórias, os membros da arma submarina do Terceiro Reich sofreram perdas enormes. Segundo Anthony A. Evans e David Gibbons, autores de “A compacta história da Segunda Guerra” (Universo dos livros, 2016), durante o conflito foram produzidos 1.170 U-boots, dos quais 1.000 entraram em operação e 781 foram perdidos (uma taxa próxima a 80%), com 25.870 tripulantes (63% dos 40.900 envolvidos) tendo apenas o mar como tumba. Já outros 5.338 tripulantes se tornaram prisioneiros de guerra.

Apesar de suas elevadíssimas perdas, é indiscutível que essas naves de guerra, comandadas por um seleto grupo de 1.058 homens, marcaram de maneira indelével a História do maior conflito já ocorrido.

E um desses comandantes de U-boot veio viver no Brasil!

Aristocracia e a Guerra no U-18

Heinz von Hennig nasceu em Berlim, era filho de vice-almirante Heinrich Georg Julius von Hennig e de Ilse Leder von Hennig. Seu pai era membro de uma aristocrática família prussiana dedicada a política, mas ele preferiu seguir a carreira naval e entrou em 1902 na Marinha Imperial (Kaiserliche Marine). Com a deflagração da Primeira Guerra Mundial o tenente de navio () Heinrich von Hennig assumiu o comando do submarino U-18.

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Submarino U-18 em Kiel, 1914 – Fonte – http://www.bundesarchiv.de

A participação do pai de Heinz von Hennig neste conflito foi breve, mas marcante sob alguns aspectos. Em 23 de novembro de 1914 o U-18 conseguiu passar furtivamente pela Hoxa Sound, a entrada principal ao sul da baía de Scapa Flow, nas ilhas Orkney, norte da Escócia, onde nas duas guerras mundiais se localizou a principal base naval da Marinha Real Britânica (Royal Navy).

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Heinrich Georg Julius von Hennig – Fonte – http://alifrafikkhan.blogspot.com.br/2010/11/daftar-konteradmiral-kriegsmarine.html

O comandante Heinrich superou as barreiras de contenção e as minas explosivas, auxiliado pela forte maré. Ele também seguiu bem próximo a um cargueiro que entrou na área. Quando estava perto do ancoradouro Heinrich levantou periscópio e, para sua decepção, percebeu que a baía se encontrava praticamente vazia. Infelizmente nesse dia os principais navios de guerra inimigos se encontravam espalhados por várias localidades da Grã-Bretanha.

Chateado e sem ter alvos que valessem os disparos de seus torpedos ele ordenou o retorno para mar aberto. Mas o U-18 foi localizado pela tripulação da traineira Dorothy Gray, um barco de pesca desarmado, que provisoriamente servia a Marinha Real como dragador de minas. Valentemente os ingleses arremeteram sua pequena nave contra o submarino e o Dorothy Gray bateu contra o periscópio e o casco do U-boot. Logo dois destróieres se uniram a caçada e, sem ter como fugir, o comandante Heinrich decidiu pela rendição, salvando a sua vida e a de seus comandados. As autoridades britânicas mantiveram todos os detalhes da captura em segredo, pois esperavam que os alemães acreditassem que o U-18 tinha sido afundado pelas formidáveis defesas da base naval.[3]

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Notícia do afundamento do U-18 no jornal carioca “A Noite”, mas sem muito detalhamento.

O comandante Heinrich bem que tentou contar aos seus comandantes o que havia acontecido com seu submarino. Em agosto de 1915, juntamente com mais dois companheiros, escapou da prisão militar onde era mantido. Mas perderam o encontro que havia sido previamente organizado com um submarino na costa inglesa, que deveria trazê-los de volta para Alemanha. O futuro almirante Heinrich só saiu do cativeiro após o fim da guerra. 

Um Novo e Futuro Submarinista 

Apesar de ter ficado em combate apenas por quatro meses e perder seu submarino, a ação do pai de Heinz von Hennig  foi considerada exitosa e sua tentativa de fuga posterior lhe valeu elogios[4].

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Berlim na década de 1920 – Fonte – http://www.bilderbuch-berlin.net

Ele permaneceu na Marinha alemã, sendo designado inicialmente para o comando de uma fortaleza localizada em uma ilha perto da fronteira com a Holanda e depois seguiu uma carreira mais burocrática naquela força. Foi adido naval em países europeus, chegou ao posto de contra-almirante (Konteradmiral) e teve passagens por Berlim. Em uma destas ocasiões, em 17 de março de 1922, nasceu seu filho Heinz.

Na capital alemã os Hennigs viveram no aprazível distrito de Friedenau, um lugar com ruas residenciais tranquilas, onde uma classe média educada se estabeleceu e fez a região se tornar um local especial[5]. Mas nada sabemos sobre a infância e a adolescência de Heinz von Hennig e nem o grau de envolvimento de sua família com o Nacional Socialismo.

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O orgulhoso Heinz von Hennig – Fonte – http://www.uboat.net/men/commanders/460.html

Sabemos, entretanto, que o jovem Heinz entrou na Marinha do Reich (Kriegsmarine) em setembro de 1940 e em 1 de janeiro de 1943 seguiu para a cidade de Danzig (atual Gdańsk, na Polônia), para se incorporar a tripulação do submarino U-421 e realizar seu treinamento de combate no frio mar Báltico.[6]

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Reprodução artística de um submarino alemão Tipo VIIC, o mesmo modelo do U-421 – Fonte – https://laststandonzombieisland.files.wordpress.com/2015/10/type-vii.jpg

Este submarino era do modelo VIIC, o verdadeiro cavalo de batalha da força de U-boots alemã na Segunda Guerra Mundial, dos quais foram construídos um total de 568 submersíveis a partir de 1941. Embora seu raio de ação não fosse tão grande como o do tipo IX, o VIIC foi uma máquina de combate eficaz, segura e que atuou em quase todas as áreas onde a força de U-boots operou. O U-421 era comandado pelo alferes de navio (Oberleutnant zu See) Hans Kolbus, que nos seus 22 anos incompletos estreava na função. Aquele submarino transportava de 50 tripulantes, levava quatorze torpedos, tinha um canhão de 88 m.m. no convés.[7]

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Comando do U-421. Ao centro o comandante Hans Kolbus, a sua direita Heinz von Hennig e a sua esquerda vemos provavelmente Hans-Heinrich Barschkis, que chegaria a comandar um U-boot Tipo XXIII e afundaria um cargueiro britânico no fim da guerra – Fonte – http://www.uboat.net/boats/patrols/patrol_677.html

Durante dez meses a tripulação do U-421 treinou duro no mar Báltico para realizar plenamente suas missões e logo a nave seguiu para o porto alemão de Kiel para os últimos preparativos, onde Heinz von Hennig foi promovido a alferes de navio (Oberleutnant zur See ). Finalmente, em 1 novembro de 1943, aquele submarino partiu para sua primeira missão de combate como integrante da 9ª Flotilha (9. U-Flottille, ou 9. Unterseebootsflottille), com base em Brest, na França, para onde o submarino deveria seguir, caso sobrevivesse ao final desta patrulha.

Patrulha Fracassada

O moral da tripulação estava alto, mas já havia preocupação no ar. Aquela era uma época difícil, a maré das perdas estava virando a favor dos Aliados e já não existiam os chamados “Tempos felizes”, quando os submarinos alemães afundavam navios mercantes aliados em quantidades incríveis. Em novembro do ano anterior os U-boots afundaram 142 navios (entre estes os brasileiros Porto Alegre e Apalóide) e perderam apenas treze submarinos. Mas um ano depois seriam dezesseis navios aliados destruídos, para dezenove submersíveis afundados. Os novos equipamentos de busca e destruição de submarinos que os Aliados estavam utilizando ajudavam nessa mudança.

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Um submarino em um porto alemão – Fonte – http://www.bundesarchiv.de

Durante um período de 64 dias este submarino patrulhou uma vasta região do Atlântico Norte, tomando parte da chamada Batalha do Atlântico, a mais longa campanha militar da Segunda Guerra Mundial. Mas a primeira missão da nave onde se encontrava Heinz von Hennig não foi nada exitosa durante aqueles mais de dois meses.

O U-421 navegou de Kiel para o Mar do Norte, seguindo próximo ao sul da Noruega, contornando as Ilhas Britânicas a uma distância prudente, passando entre as Ilhas Faroé e o sudeste da Islândia e chegando finalmente na sua região de atuação.

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Tripulação de submarino alemão fazendo uso do canhão – Fonte – http://www.bundesarchiv.de

No primeiro mês o submarino não atacou ninguém e nem foi atacado. Circulou e circulou por uma grande área e nada aconteceu. Durante o segundo mês de patrulha a nave se incorporou a seis distintos grupos de busca e destruição de barcos mercantes dos aliados. Estes grupos eram as famosas “Matilhas de lobos”, ou “Wolfpacks”, que utilizavam as táticas de ataque em massa de submarinos alemães contra comboios de navios.

Os britânicos tinham organizado a navegação mercante na forma de comboios, onde desenvolveram um perímetro de defesa com escoltas armadas ao redor destes navios e assim tentavam chegar inteiros aos seus destinos com preciosos materiais para a guerra. 

Para contrabalançar essa situação o comando dos submarinos (denominado BdU – Befehlshaber der Unterseeboot) desenvolveu uma tática de ataque surpresa, formando grupos de U-boots organizados via rádio, que buscavam sobrepujar as escoltas. O primeiro submarino a fazer contato com um comboio informava ao BdU e acompanhava discretamente o grupo de navios, relatando a posição dos inimigos sempre que necessário. Então, por ordem do BdU, vários submarinos convergiam ao encontro do comboio e receberia ordem para atacar. A partir deste momento cada comandante era livre para usar qualquer tática por ele escolhida.[8]

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Visão a partir de um periscópio de um submarino – Fonte – http://www.spiegel.de/

Os seis grupos de ataque que o neófito U-421 participou naquele mês de dezembro de 1943 buscaram formar uma verdadeira barreira de submersíveis entre a Terra Nova, no Canadá, e as Ilhas Britânicas, circulando por uma área com grande movimentação de comboios. Estas Wolfpacks variaram muito no número de participantes, aonde uma chegou a ter 21 naves e outra patrulhou com apenas quatro submarinos. Mas apesar dos esforços deu tudo errado para os submarinos participantes e eles não conseguiram afundar um único navio aliado.

Se a situação para o U-421 naquela primeira patrulha era ruim, ela quase se tornou trágica na sua finalização!

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Quadro representando um B-24 do Comando Costeiro da RAF atacando um submarino

Após a passagem do ano novo o U-421 recebeu ordens de seguir para Brest e assim procedeu. Mas no dia 3 de janeiro de 1944 foi atacado por um avião bombardeiro quadrimotor B-24 Liberator britânico, pertencente ao Esquadrão 224 do Comando Costeiro da Royal Air Force (RAF). O oficial Ethan Allen atacou com oito cargas de profundidade, mas os danos não foram expressivos e a tripulação do U-421 realizou um excepcional trabalho com as armas de defesa antiaéreas. O submarino escapou mergulhando e chegou a Brest no dia 8 sem maiores alterações e sem nada para comemorar.

Novo Porto e o Fim do U-421 

Talvez por sua boa conduta em combate Heinz von Hennig foi elevado a condição de segundo oficial mais importante a bordo do U-421, que levaria mais de um mês para o sair novamente ao mar.

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Oficial observando em um periscópio – Fonte – http://www.spiegel.de/

Na verdade aquela sua segunda patrulha, que se iniciou em 19 de fevereiro, nada mais foi do que a realização do percurso entre Brest e a cidade francesa de Toulon, no Mar Mediterrâneo, local da nova base deste submarino. O problema é que no meio do caminha havia o Esteiro de Gibraltar.[9]

Para evitar ter seu submarino localizado e destruído nesta área extremamente complicada, o comandante Hans Kolbus percorreu grande parte do caminho até o Estreito navegando muito lentamente e próximo aos litorais da Espanha e de Portugal. Esta tática de avanço estava funcionando positivamente, mas isso não impediu que eles fossem novamente atacados por um avião do Comando Costeiro da RAF.

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Um bombardeiro britânico Vickers Wellington – Fonte – http://www.wardrawings.be

Eram três e dez da madrugada de 2 de março e o submarino se encontrava navegando na altura do Cabo de São Vicente, quando um bombardeiro britânico Vickers Wellington Mk XIV, pertencente ao Esquadrão 179, sob o comando do oficial Ronald George Knott surgiu inesperadamente[10].

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O U-421 seguia pela superfície quando foi localizado no radar do avião bimotor que partiu para o ataque. Apesar de terem sido iluminados por um holofote de alta potência, o pessoal das armas antiaéreas do submarino reagiu e acertou vários impactos na aeronave. Foram danificados o motor de estibordo e o radar, fazendo assim com que o comandante Knott não acertasse suas quatro cargas da profundidade e deixasse a área de combate. A tripulação do avião inglês foi até mesmo obrigada a descartar todo o equipamento supérfluo para continuar voando com um só motor, incluindo o radar danificado. Conseguiram alcançar sua base após três horas de voo bem atribuladas.

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Apesar das expectativas a passagem do submarino pelo Estreito de Gibraltar seguiu depois sem maiores problemas e o U-421 chegou ao porto de Toulon no dia 1 de abril, após 43 dias de navegação. A nave se incorporou a 29ª Flotilha de submarinos, mas o problema foi que nessa época o estratégico porto vinha sendo severamente bombardeado pelas aeronaves aliadas.  

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O U-421 destruido no porto de Toulon – Fonte – http://www.brendtandbrendt.com

Entre novembro de 1943 e agosto do ano seguinte aconteceram doze grandes ataques ao local, com a destruição de vários vasos de guerra franceses e nove submarinos alemães, entre estes o barco de Heinz von Hennig. O fato aconteceu às onze e meia de 29 de abril de 1944, menos de um mês após o U-421 chegar a Toulon. A nave estava sendo preparada para uma nova missão de patrulha e se encontrava no Cais Missiessy, quando aviões quadrimotores da 15ª Força Aérea dos Estados Unidos bombardearam fortemente a área e o destruíram.  

Comandante de U-boot 

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Submarinos em Neustadt – Fonte – http://www.spiegel.de/

Enquanto seu país seguia desmoronando cada vez mais, Heinz von Hennig foi enviado por ordem superior para a 3ª Divisão de Treinamento de Submarinos (3. ULD – 3. Unterseeboots-Lehrdivision), na cidade portuária alemã de Neustadt, em Holstein, no mar Báltico. Depois seguiu para a 23ª Flotilha visando a realização do treinamento KSL (Kommandantenschiesslehrgang) para ser comandante de um submarino. Em fevereiro de 1945, dez meses depois da destruição do U-421, Heinz assume o comando do submarino U-2361, um dos novos modelos tipo XXIII, seguramente um dos mais avançados submersíveis da Segunda Guerra Mundial.

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Submarino Tipo XXIII – Fonte – http://www.bundesarchiv.de

Estas naves tinham um formato exterior bastante aerodinâmico, muito avançado, além de uma ponte de comando relativamente pequena e foram os primeiros submarinos do mundo a usar um projeto de casco único. O tipo XXIII provou ser um barco excelente e mortal se fosse manuseado por bons profissionais, sendo altamente manobrável na superfície e abaixo dela. Dos 280 submarinos ordenados apenas 61 entraram em serviço, dos quais apenas seis realizaram efetivamente alguma patrulha de guerra, o que resultou em cinco navios aliados afundados e sem perdas para os submersíveis atacantes. Em 7 de maio de 1945 coube a um tipo XXIII, o U-2336, afundar o último navio mercante inimigo durante a Batalha do Atlântico. [11]

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A República Federal da Alemanha recuperou um submarino do Tipo XXIII (o antigo U-2367) e o rebatizou de S-171 – Fonte – http://www.bundesarchiv.de

O comandante Heinz von Hennig foi um dos comandantes de submarinos desta época que não realizou nenhuma patrulha de combate com o seu novo U-2361, tendo largado para o mar apenas para treinamentos, quando chegou a notícia que a guerra acabou. Em 9 maio 1945 ele entregou sua nave aos Aliados em Kristiansand Süd, na Noruega, juntamente com outros dezesseis submarinos alemães de vários tipos. O U-2361 foi levado ainda em maio para Loch Ryan, na Escócia, e em novembro daquele ano foi afundado no Atlântico Norte por tiros de canhões disparados pelos destróieres HMS Onslow (inglês) e ORP Blyskawica (polonês).

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O destróier polonês ORP Blyskawica, que afundou o U-2361, conservado até os dias atuais e transformado em museu na Polônia – Fonte – http://www.muzeummw.pl (polonês)

Juntamente com muitos outros comandantes de submarinos, Heinz foi enviado para o Campo de Prisioneiro 18, em Featherstone, no condado de Northumberland, norte da Inglaterra e ali recebeu a designação de prisioneiro B.105727. As atividades deste campo foram encerradas em 1948, quando acreditamos que Heinz retornou para Alemanha.

 No Novo Mundo 

No seu retorno soube do falecimento do seu pai em 1947 e, aparentemente, seguiu atividades na área comercial. Sabemos também que ele casou, mas não sabemos com quem e quando. Entretanto sabemos que em 21 de maio de 1957, o recifense Jorge Kirchhofer Cabral, Cônsul do Brasil em Frankfurt am Main, assinou para Heinz von Hennig, cidadão da República Federal da Alemanha, a sua ficha consular de admissão de entrada no Brasil em caráter permanente.  Heinz declarou que nesta época vivia na cidade de Fellbach, a nordeste de Stuttgart, no estado de Baden-Wuerttemberg, sul da Alemanha. Informou que era comerciante, não registrou nome de algum filho menor de dezoito anos e tinha na ocasião 35 anos de idade.[12]

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Heinz von Hennig atravessou o Atlântico a bordo do navio de passageiros S.S. Conte Biancamano, da companhia Italia di Navegazione S.p.A., tendo partido provavelmente de Gênova, ou Nápoles, e desembarcou no porto de Santos em 18 de julho de 1957. Na sua ficha encontramos a informação que ele ficou no Hotel Santos, na Praça Barão do Rio Branco, onde atualmente fica o prédio da Justiça Federal de Primeiro Grau daquela cidade, vizinho a secular Igreja do Convento do Carmo. Este hotel era pertinho do porto de Santos e muito procurado por imigrantes que chegavam de todo o mundo a bordo dos navios. 

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Foto do Hotel Santos e da Praça Rio Branco, Santos, São Paulo. Esse local foi demolido -Foto: Arquivo Novo Milênio – http://www.novomilenio.inf.br/santos/fotos057.htm

A partir do desembarque em Santos, por maiores que fossem nossos esforços em buscar informações que mostrasse os passos de Heinz von Hennig no Brasil, somente conseguimos algo dezoito anos depois de sua chegada, através da publicação oficial de uma ata de reunião societária de uma empresa privada.  No Diário Oficial do Estado de São Paulo de 7 de agosto de 1975, na sua página quatorze temos a reprodução da reunião da Assembleia Geral ordinária, para prestação anual de contas da empresa Indústria e Comércio Nova Técnica S.A., localizada no número 4651, da via denominada na época como “Estrada Circuito Itapecerica para Santo Amaro”, no município de Itapecerica da Serra, São Paulo. Consta que a reunião foi presidida por Heinz von Hennig, com a presença de mais outros treze participantes, sendo nove destes pessoas nascidas na Alemanha, ou, devido a natureza teutônica de seus nomes e sobrenomes, claramente descendentes de pessoas que nasceram neste país. 

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Sabemos que a antiga Estrada Circuito Itapecerica para Santo Amaro, ou Estrada de Itapecerica, é um local histórico. Em 1908 ali se realizou a primeira corrida oficial de automóveis da América Latina, em um circuito de 75 quilômetros, que reuniu mais de 10.000 espectadores ao longo das vias e teve largada no Parque Antártica em São Paulo. Hoje a via onde se localizava a empresa Indústria e Comércio Nova Técnica S.A. se chama Rodovia Armando Salles e no número 4651, próximo a ponte sobre o rio M’boi Mirim, existe uma fábrica de embalagens plásticas denominada “Plasfan”, que não sabemos se possui alguma relação com o antigo comandante de U-boot. 

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Heinz von Hennig em 1957.

Não é surpresa que a reunião presidida por Heinz von Hennig tivessem tantos alemães, ou seus descendentes, e que ele estivesse presidindo uma reunião de uma empresa com endereço nesta região do estado de São Paulo. Para quem conhece um pouco de colonização alemã no Brasil, sabe que ainda nas últimas décadas do século XIX existiram colônias de imigrantes alemães na região de Santo Amaro e Itapecerica da Serra. Certamente era uma interessante área para um alemão se estabelecer no Brasil em 1957. 

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Os autores deste artigo Rostand Medeiros (E) e German Zaunseder (D), pesquisando sobre a II Guerra em uma praia potiguar.

Os autores deste artigo, que moram em Natal, Rio Grande do Norte, nada mais encontraram sobre Heinz von Hennig em buscas através de arquivos digitais espalhados pela internet. Esperamos que este nosso texto publicado no blog TOK DE HISTÓRIA possa servir como ferramenta para novas buscas sobre este comandante.

Se vivo for o Sr. Hennig terá 95 anos e será, talvez, o único comandante de submarinos alemães a viver nas Américas.


NOTAS

[1] Rostand Medeiros é brasileiro de Natal, Rio Grande do Norte, autor de quatro livros, sendo um delas a biografia de Emil Anthony Petr, veterano da USAAF na Segunda Guerra Mundial que viveu em Natal e intitulado “Eu não sou herói – A História de Emil Petr” (Jovens Escribas-2012). É membro do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

German Zaunseder é argentino de Buenos Aires, descendente de alemães e seu bisavô serviu a Wehrmacht durante a Segunda Guerra Mundial, é um grande entusiasta do estudo sobre este conflito e domina quatro idiomas .

[2] Algumas fontes estatísticas aqui utilizadas estão em: https://www.navyhistory.org.au/british-and-german-submarine-statistics-of-world-war-ii/ e ver também http://www.uboat.net

[3] O ardil deu tão certo que somente em 1918 foi que outro submarino alemão tentou um novo ataque contra Scapa Flow.

[4] Apesar do resultado pouco proveitoso do comandante Heinrich na Primeira Guerra, sabe-se que anos depois um filho de um juiz que havia se tornado comandante de submarino estudou a ação do antigo comandante do U-18 na grande baía de Scapa Flow em 1914. Seu nome era Ghünter Prien, sua nave era o U-47 e ele fez história quando em 14 de outubro de 1939 afundou naquele local o encouraçado inglês Royal Oak. Sua ousada ação provocou a morte de 833 ingleses, criou um considerável efeito no moral nos alemães e mostrou, pouco mais de um mês após o início da Segunda Guerra Mundial, o poder e alcance da arma submarina alemã.

[5] Ainda sobre o contra-almirante Heinrich Georg Julius von Hennig é interessante comentar que ele foi um grande jogador e afamado campeão de xadrez, jogo que aprendeu durante as horas de folga nos navios da Marinha Imperial. Heinrich criou uma jogada que leva seu nome e de outro enxadrista, incentivou o esporte por onde passou e seus embates mais importantes são criteriosamente analisados até hoje por aficionados do xadrex.

[6] Heinz von Hennig era o terceiro em comando nesta nave e nesta época tinha a patente de alferes de fragata (Leutnant zu See).

[7] O U-421 foi um dos 42 modelos VIIIC lançados ao mar pelo estaleiro Danziger Werft AG, da própria cidade de Danzig.

[8] Normalmente estes ataques aconteciam após o crepúsculo, onde a pequena silhueta dos U-boots tornava a detecção difícil. Logo as Wolfpacks provaram ser uma ameaça séria ao transporte aliado.

[9] Separação natural entre a África e a Europa e passagem obrigatória entre o Atlântico e o Mediterrâneo, o Estreito de Gibraltar era uma local muito patrulhado contra os submarinos do Eixo nos dias da Segunda Guerra. Por possuir uma largura mínima de apenas quatorze quilômetros, boa cobertura aérea e naval, não era a toa que várias carcaças destruídas de U-boots jaziam no leito marinho daquela região.

[10] Este piloto chegaria ao posto de vice-marechal do ar na RAF e OTAN na década de 1970.

[11] Apesar da construção destas naves enfrentarem grandes pesadelos logísticos, com muitas interrupções causadas pelos avanços terrestres aliados, bombardeios aéreos constantes, escassez de material e de mão-de-obra, o primeiro Tipo XXIII saiu da linha de montagem em 17 de abril de 1944 e foi batizado como U-2321. Era daquele tipo de arma excepcional, mas que chegou tarde demais para o Terceiro Reich de Hitler.

[12] Não sabemos as razões da vinda do ex-comandante de U-boot para o Brasil, mas conseguimos a informação que seu pai, entre janeiro de 1943 e maio de 1945, foi adido naval alemão em Lisboa, Portugal. Teria de alguma forma essa permanência de seu pai em terras lusas contribuído para sua vinda ao Brasil?

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NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA – UMA MULHER À FRENTE DE SEU TEMPO

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Nísia Floresta Brasileira Augusta

Autor – Elfi Kürten Fenske

Fonte – http://www.elfikurten.com.br/2015/07/nisia-floresta-brasileira-augusta.html?m=1

Dionísia Gonçalves Pinto (Nísia Floresta).. [Papary {hoje Nísia Floresta} RN, 12.10.1810 – Rouen, França, 24.4.1885]. Com o pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta, foi educadora, “viajante ilustrada”, “nacionalista”, “pré-feminista”, escritora, abolicionista, ativista dos direitos humanos, indianista e republicana. Mostrou uma preocupação filosófica com o cotidiano brasileiro da época em que viveu e se dedicou a propor uma reforma na educação das meninas no Brasil. Preocupou-se, principalmente, com a educação e o papel das mulheres em nossa sociedade, acreditando que o progresso de uma sociedade dependia da educação que era oferecida às meninas. Para Nísia Floresta, as meninas deveriam estudar porque a mulher exerce uma influência real sobre o destino de seu marido e sobre os destinos das nações e as meninas deveriam ser educadas para terem o reconhecimento da sociedade.

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Nísia Floresta escreveu sobre os direitos das mulheres e viabilizou o acesso à educação de algumas meninas, lutando para que elas valorizassem os estudos. Foi uma educadora que encarou a educação das meninas como uma missão, além de ter discutido a questão indígena de forma singular, valorizando o papel das mulheres, e de ter provocado as autoridades da época ao questionar sobre o poder e a supremacia dos homens brancos. Suas críticas atingiam também mulheres que deixavam os seus filhos e filhas nos braços das amas de leite.  Ensinava os valores necessários a uma educadora e afirmava que as mulheres poderiam ocupar os cargos públicos. Defendia a ideia de uma nação civilizada que só chegaria a esse patamar se as mulheres fossem educadas e participassem do contexto social.

Nísia Floresta desafiou uma cultura onde as mulheres não eram valorizadas. Superou diversos opositores, fundou colégios para meninas – como o Colégio Augusto – cobrando, assim, o acesso das mulheres ao campo do saber.

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Nísia Floresta Brasileira Augusta Selo Correios (1954)

Foi cuidadosa e metódica, conseguindo levar a sua mensagem à sociedade da época em jornais lidos pela elite e pelas autoridades. Seu colégio teve existência curta e gerou polêmicas que a impediram de tornar possível muito daquilo que escrevia.  O que encontramos em suas obras é um material riquíssimo para os estudos de gênero, pois denunciam o preconceito dos homens em relação às mulheres tal como ocorria no século XIX.

Nísia Floresta, apesar das condições desfavoráveis à mulher, escreveu cerca de quinze títulos ao longo dos seus 74 anos, dentre poemas, romances, novelas e ensaios, sendo alguns reeditados mais de uma vez. Suas obras foram publicadas em diferentes idiomas e muitas dessas foram publicados pela imprensa.

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Nísia Floresta, jovem

Nos lugares por onde andou  (Recife, Olinda, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Lisboa, Coimbra, Londres, Roma, Florença, Nápoles, Paris, Cannes, Alemanha, Bélgica, Suíça, Sicília, Inglaterra, Grécia, Rouen, entre outros), Nísia Floresta escreveu sobre a condição e a vida das mulheres, sobre a educação para meninas e sobre o que via nesses países, denunciando uma sociedade que legitima as desigualdades, lutando por essa causa em uma época em que as mulheres não eram reconhecidas.

Nísia desejou que todas as mulheres fossem cidadãs. Para isso, elas deveriam estudar e a sociedade teria que ser trabalhada para respeitá-la e inseri-la em todos os setores sociais, sem deixar de lado o seu papel de filha, irmã e mãe.

Sofreu influência do positivismo: o pensamento de que educar a mulher é contribuir para a dignidade da família e do mundo traz impregnado o ideário positivista. Impregnada das contradições de seu tempo, educar a mulher significava contribuir para a dignificação da família, da nação e do mundo. A mulher, para Nísia, servia como “o modelo da família” e deveria conservar a dignidade, através da “educação religiosamente cristã” que ela defendeu. A educação “religiosamente moral” iria ajudar as meninas a não se “desviarem”. Fazia apelos aos pais, buscando uma melhor educação para as mulheres.

Escreveu também sobre o Colégio Augusto, sobre o entendimento que tinha a respeito do que deveria ser a mulher e sobre o que o governo estava fazendo em favor do ensino primário das meninas (capítulo XXXVI do Opúsculo Humanitário). Analisou, ainda, o quadro demonstrativo do Estado da Instrução Primária e Secundária das Províncias do Império e Município da Corte, no ano de 1852. Baseando-se nele, afirmou que o número de alunos que frequentavam as aulas era reduzido para a população da época e apontou o seu olhar para o número de meninas: “a estatística dos alunos que frequentaram todas as aulas públicas monta a 55.5000, número tão limitado para a nossa população, e que neste número apenas 8.443 alunas se compreendem” (Nísia Floresta, 1989, p. 81). 

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Túmulo de Nísia Floresta, na cidade que possui o seu nome. – Fonte – https://www.flickr.com/photos/egbertoaraujo/6076586568

Denunciou o atraso que se encontrava a instrução feminina e nem mesmo as falas presidenciais escaparam ao seu senso crítico. Para ela, as causas que atrapalhavam os progressos na educação eram a falta de interesse e a negligência, por parte do governo da época, o descaso das autoridades que não pensavam nos métodos, não elaboravam as leis e tampouco criavam mais escolas para meninas, ou seja, não se preocupavam com a educação delas.

Além disso, “os encarregados do ensino” eram inaptos e os pais, em muitos casos, não falavam sobre tais problemas. Nísia pesquisou sobre a educação da mulher brasileira. Desejava que a educação da mulher fosse preocupação das autoridades (governo) e do povo brasileiro. Denunciou as casas de instruções que eram dirigidas por pessoas que chegavam de outros países com interesses comerciais, transformando-as em negócio, com raras exceções.

Além disso, fez a crítica ao comércio de escolas, feita por estrangeiros. Criticou os impressos de propagandas da época, que mostravam novidades e ostentação nos colégios que “faziam pretensiosas promessas, contando com a credulidade do público, que era solícito em acolher sem verificar antes” (Floresta, 1989, p. 78).

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Museu Nísia Floresta – http://www.conhecendomuseus.com.br/museus/museu-nisia-floresta/

Muitos desses eram comerciantes e artesãos e, para ela, não deveriam ser preceptores da mocidade brasileira. Mesmo apreciando os talentos dos estrangeiros, no que diz respeito à educação, percebia que eram poucos aqueles que poderiam instruir o povo brasileiro e utilizar o próprio conhecimento, ou seja, oferecer instrução e trabalho.

Nísia Floresta escreveu quinze livros, publicados no Brasil e em países da Europa. As obras originais vem assinado com diferentes pseudônimos: Nísia Floresta, Uma brasileira, Telesilla, F. Augusta Brasileira, N. F. Augusta, ou simplesmente B.A eram alguns dos pseudônimos de Dionísia Gonçalves Pinto.

“Quanto mais ignorante é um povo tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele o seu poder. É partindo desses princípios, tão contrário à marcha progressista da civilização, que a maior parte dos homens se opõe a que se facilite à mulher os meios de cultivar o seu espírito.” 
– Nísia Floresta, em “Opúsculo humanitário”. (1853).. [introdução e notas de Peggy Sharpe-Valadares; posfácio de Constância Lima Duarte]. São Paulo: Cortez Editora, 1989. p. 60.

A FEB E O USS GENERAL MANN – NAVEGANDO PARA A GUERRA

Navio transporte de tropas USS General W. A. Mann. Em 1944 ele levou os primeiros combatentes da FEB para a Itália
Navio transporte de tropas USS General W. A. Mann. Em 1944 ele levou os primeiros combatentes da FEB para a Itália – CLIQUE PARA AMPLIAR AS FOTOS

Autor – Rostand Medeiros 

Ao longo da história do Brasil muitos foram os barcos e navios que marcaram a história deste país. Hoje a maioria das histórias destes barcos e seus homens estão esquecidos, mas os exemplos são muitos. Desde as caravelas da esquadra de Cabral[1], ou dos barcos holandeses lutando contra naves espanhol-portuguesas em 1640, na maior batalha naval em águas brasileiras[2]. Passando pela fragata Nichteroy, que comandada por John Taylor em 1823, perseguiu uma esquadra portuguesa até a foz do Rio Tejo[3]. Não podemos esquecer do almirante Barroso, a figura mais exponencial da Marinha do Brasil e seus combates na triste Guerra do Paraguai[4].

Rotas e cidade onde o General Mann esteve durante a II Guerra
Rotas e cidade onde o General Mann esteve durante a II Guerra

Entretanto existe um navio que, mesmo não sendo uma nave da nossa marinha e nem sequer ostentando a bandeira brasileira, marcou de maneira muito intensa um momento na história do país. Comento sobre o USS General W. A. Mann, um navio de transporte de tropas da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), que em julho 1944 levou o primeiro grupo de militares da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para lutar na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

Interessante Missão

Como parte da estratégia dos estadunidenses de vencer as forças do Eixo na Europa e no Pacífico, foram construídos ao longo do conflito 19 navios da classe P-2, destinados exclusivamente ao transporte de tropas. Estas naves ostentavam nomes de almirantes e generais, pesavam mais de 17.000 toneladas, tinham quase 200 metros de comprimento, sua velocidade máxima era de 19 nós (35 km/h) e podiam transportar 5.000 homens destinados ao combate[5]. Um destes navios era o USS General William Abram Mann, ou simplesmente General Mann como ficou mais conhecido entre nossos pracinhas.[6]

O USS General W. A. Mann deixando o estaleiro em New Jersey
O USS General W. A. Mann deixando o estaleiro em New Jersey

Este navio foi construído entre 1942 e 1943, no Federal Shipbuilding and Dry Dock Company, em Kearny, estado de New Jersey, leste dos Estados Unidos. Foi incorporado a US Navy em 13 de outubro de 1943 e recebeu o código AP-112. Seu primeiro comandante efetivo foi o capitão Paul Sylvester Maguire, que realizou sua primeira missão nesta nave em 7 de janeiro de 1944, partindo de Newport News, estado da Virgínia para a cidade marroquina de Casablanca.

Maguire comandou sua nave em outras três travessias entre Newport News e Casablanca e duas tendo como destino a cidade argelina de Orã, as margens do Mar Mediterrâneo.

Em 6 de maio daquele ano o General Mann levantou âncora de Orã, atravessou o Estreito de Gibraltar e, ao invés de seguir rumo noroeste para Newport News, arribou em direção sul, ao Brasil, ao Rio de Janeiro, com a interessante missão de transportar os primeiros soldados latino-americanos a irem combater na Europa. O General Mann atracou porto do Rio, no Píer 10, em 27 de junho de 1944, uma terça-feira.

Símbolo

Não consegui descobrir nenhum documento que aponte se o capitão Paul Maguire e sua tripulação tinham ideia do que aquela missão de transporte representava para o Brasil.

Capitão Paul Sylvester Maguire. comandante do General Mann
Capitão Paul Sylvester Maguire. comandante do General Mann

Acredito que para os homens do General Mann, quando o seu navio atracou no Rio, aquele era apenas mais um porto e aqueles que embarcavam era apenas mais uma grande quantidade de homens fardados que eles levariam para algum lugar para lutar contra os odiados nazistas[7].

Mas para alguns setores do governo brasileiro, grande parte do alto comando militar e, principalmente, para os pracinhas e seus familiares aquele monstro de aço cinzento representou muita coisa. Principalmente a realização de um anseio que surgiu nas ruas das principais cidades brasileiras, diante dos ataques dos submarinos alemães e italianos ocorridos principalmente em 1942.

Após atracar no Rio, o capitão Maguire, o general Gaspar Dutra e o brigadeiro general Hayes A. Kroner, trocam ideias sobre a rota do General Mann para Europa
Após atracar no Rio, o capitão Maguire, o general Eurico Gaspar Dutra e o brigadeiro general Hayes A. Kroner, trocam ideias sobre a rota do General Mann para Europa

Para os setores do governo de Getúlio Vargas e os militares que acreditaram no projeto da FEB, a presença do General Mann no cais do porto do Rio era a finalização anos de muita superação, de muito aprendizado, treinamento duro e muita luta contra todo tipo de entraves e deficiências. Para o general João Batista Mascarenhas de Morais, comandante do corpo expedicionário, a partida do 1º Escalão da FEB naquele navio foi considerada como sendo uma vitória contra a onda de pessimismo e de derrotismo que impregnava certos setores da administração e da própria opinião pública nacional. Na época o militar comentou – “Agora que vencemos o inimigo interno, vamos ver de perto o Exército alemão”[8].

Mann (13)

Percebi lendo os livros que tratam do tema que a chegada do General Mann foi visto em parte como algo do tipo “Agora vai”, ou “Agora era prá valer”. Enfim, havia chegado a hora de os pracinhas iniciarem a travessia do Atlântico. Os brasileiros iriam para os campos de batalha, finalmente “A Cobra ia fumar”.

FEB Embarcada

Na quinta-feira, 29 de junho, começou o embarque de milhares de soldados vindos da Vila Militar, na zona oeste do Rio, sendo transportados pela Estrada de Ferro Central do Brasil, até o cais da Praça Mauá, no centro da cidade.

Embarque da FEB
Embarque da FEB

Ao redor do porto havia muita segurança e isolamento. Gente de toda parte do país, com seus sotaques, cores, trejeitos e maneiras próprias entravam na grande nave carregando sacos de lona. O general Mascarenhas de Moraes e alguns oficiais de seu Estado Maior embarcaram ao lado dos militares do 1º escalão, que totalizaram 5.075 homens.

Mascarenhas de Moraes listou as primeiras unidades da FEB transportadas no General Mann – Escalão Avançado do  Quartel General da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), Estado Maior da Infantaria Divisionária da 1ª DIE, 6º Regimento de Infantaria, 4ª Companhia e 1º Pelotão de Metralhadoras do 11º Regimento de Infantaria, II Grupo do 1º Regimento de Obuses Auto Rebocados, 1ª Companhia do 9º Batalhão de Engenharia, uma parte da Seção de Suprimento e Manutenção do 9º Batalhão de Engenharia, 1º Pelotão do Esquadrão de Reconhecimento, Seção de Exploração e elementos da Seção de Comando da 1ª Companhia de Transmissões, 1ª Companhia de Evacuação, o Pelotão Tratamento e elementos da Seção de Comando, todos do 1º Batalhão de Saúde, Companhia de Manutenção, Pelotão de Polícia Militar, um pelotão de viaturas, uma Seção do Pelotão de Serviços e elementos da Seção de Comando da 1ª Companhia de Intendência, o Correio Regulador, o Depósito de Intendência, a Pagadoria Fixa, os correspondentes de guerra, elementos do Hospital Primário, Serviço de Justiça e Banco do Brasil[9].

O capitão Paul Maguire e Getúlio Vargas no General Mann
O capitão Paul Maguire e Getúlio Vargas no General Mann

Segundo o diário de bordo do USS General W. A. Mann, o embarque do 1º escalão da FEB foi concluído ás três da manhã do sábado, 1 de julho.

João Barone afirma que na madrugada do dia 30 de junho quem subiu a bordo, de forma totalmente discreta, foi o presidente Getúlio Vargas. Ele proferiu um discurso pelo intercomunicador da nave, visitou as instalações do General Mann, apertou a mão de pracinhas deitados em seus catres, posou para fotos e foi embora para uma viagem a Minas Gerais que foi amplamente divulgada nos jornais[10].

No domingo, 2 de julho, ás cinco e quarenta e três da matina o navio norte-americano General Mann desatracou e partiu. Pelos próximos quatorze dias a nave seguiria pelo Oceano Atlântico e pelo Mar Mediterrâneo, sempre escoltado.

Diário de bordo do USS General W. A. Mann sobre a partida do Rio de Janeiro
Diário de bordo do USS General W. A. Mann sobre a partida do Rio de Janeiro

Enquanto toda essa movimentação militar acontecia no porto, os jornais cariocas nada comentaram do que acontecia devido a pesada censura. Mas o Rio seguia sua vida normal, inclusive nos esportes. No sábado, enquanto centenas e centenas de pracinhas embarcavam, tinha início o campeonato carioca de futebol com o “match” entre o Fluminense e o Vasco da Gama (Empataram em 3 x 3). Já no domingo estavam marcados mais seis jogos, sendo um deles entre as equipes do Botafogo e do Bonsucesso (Botafogo venceu de 4 x 3).

O Cardeal Arcebispo do Dom Jaime de Barros Câmara transmite uma prece para os pracinhas pelo intercomunicador do navio. Dom Jaime foi bispo de Mossoró-RN, entre 1934 e 1941.
O Cardeal Arcebispo do Dom Jaime de Barros Câmara transmite uma prece para os pracinhas pelo intercomunicador do navio. Dom Jaime foi bispo de Mossoró-RN, entre 1934 e 1941.

Mas o jogo principal envolveu o Flamengo e o América carioca, com a peleja sedo disputada no tradicional Estádio de São Januário (América 2 x 1 no Mengo). No Jóquei Clube foram disputados nove páreos, onde no oitavo ocorreria o “Grande Prêmio Diana”, cuja égua “Cataflor” era tida como uma verdadeira barbada (E a égua ganhou com quatro corpos de vantagem para o segundo colocado)[11].

Tédio e Preocupação

Nos primeiros dias da viagem os destróieres brasileiros “Marcilio Dias”, “Greenhalgh”, “Mariz e Barros” escoltaram o transporte de tropas, normalmente navegando a velocidade de 17 nós e sempre ziguezagueando para evitar ataques de submarinos[12].

Elogio do almirante Ingram aos capitães das escoltas brasileiras e publicado nos jornais cariocas
Elogio do almirante Ingram aos capitães das escoltas brasileiras e publicado nos jornais cariocas

Sobre a escolta realizada pelos barcos brasileiros, o capitão Paul Maguire fez elevados elogios a atuação dos comandantes Raul G. Reis de Souza, Archimedes B. Pires de Souza e Roberto Nunes. Fato que foi repercutido pelo comandante da 4ª Frota da US Navy, o almirante Jonas Howard Ingram, a partir de sua base em Recife e que teve ampla divulgação na imprensa nacional.[13]

Diário de bordo do USS Omaha, comentando sobre o encontro com o General Mann e suas escoltas brasileiras
Diário de bordo do USS Omaha, comentando sobre o encontro com o General Mann e suas escoltas brasileiras

Na manhã do dia 5 de julho, o grande navio americano e suas três escoltas brasileiras foram captados pelo radar do cruzador USS Omaha (CL-4), que havia partido de Recife na madrugada do dia 4, junto com os destróieres USS Reybold (DE-177) e o USS Marts (DE-174). As naves americanas renderam as brasileiras e prosseguiram na escolta. Esta mudança foi marcada por uma cerimônia marítima.

Apesar de uma pequena diminuição de velocidade devido a um problema no motor de um dos navios, a pequena frota seguia tranquila. Durante certo tempo tiveram cobertura aérea de hidroaviões PBYs Catalinas[14].

Um PBY Catalina sobrevoando o General Mann
Um PBY Catalina sobrevoando o General Mann

A noite todas as luzes do General Mann eram apagadas e o calor tornava a viagem bastante desgastante para os nossos soldados. Devido a possibilidade de ataques de submarinos, era necessário total alerta e treinamentos constantes para a tropa e a tripulação.

Era aconselhado ficar dentro dos dormitórios, e, quando se saía, geralmente era para ir à cozinha ou à lavanderia. Os corredores do navio eram cheios de guardas americanos observando tudo, e pela dificuldade de comunicação, dado que não falavam o Português, os guardas só apontavam para a direção em que os soldados deveriam ir.[15]

Canhão antiaereo do general Mann
Canhão antiaereo do general Mann

Lendo os diários de bordo do Omaha e do General Mann sobre esta travessia, pude confirmar um fato muito comentado pelos brasileiros que estiveram no navio de transporte – houve durante vários dias ocorreram disparos de armas, principalmente as antiaéreas, para treinamento das tripulações. Por exemplo, no dia 7 de julho ocorreu no General Mann, respectivamente 40 e 52 “rounds” de disparos nos canhões antiaéreos de 75 e de 20 m.m. Já no Omaha, muito mais armado, houve um treinamento no dia 11 de julho onde foram disparados 246 “rounds” de antiaéreos de 20 m.m[16].

Contato entre pracinhas brasileiros e marujos americanos
Contato entre pracinhas brasileiros e marujos americanos

Apesar dos navios mistos de carga e passageiros serem o principal meio de transporte naquele tempo no Brasil, onde viajar de navio era algo normal até para as classes menos abastadas, muitos pracinhas deixaram registrado o misto de tédio e preocupação que sentiam a bordo do navio de transporte. Até aquele momento o destino final era completamente desconhecido, o que fazia com que muitos deles andassem da popa à proa do General Mann, seguindo a balaustrada, apenas para fazer o tempo passar e diminuir a ansiedade. Outros para passar o tempo jogavam baralho e assistiam a sessões de cinema.

Enquanto os brasileiros seguiam o seu misto de tédio e tensão, a pequena frota progredia e os membros da US Navy continuavam seu intenso trabalho de vigilância antissubmarino e atentas ao horizonte em busca de aviões e navios desconhecidos. Existe o registro no diário do Omaha a informação que foi avistado um barco que causou certa preocupação inicial, mas que depois foi identificado como sendo a fragata inglesa HMS Tess, comandada pelo capitão C. H. Candler[17].

Um dos inúmeros treinamentos que os pracinhas realizaram para o caso de alguma emergência
Um dos inúmeros treinamentos que os pracinhas realizaram para o caso de alguma emergência

Para a maioria dos pracinhas, a travessia foi tensa e cansativa. Na US Navy havia uma tradicional brincadeira que consistia em presentear os marinheiros que atravessam a Linha Imaginária do Equador com “Diplomas do Rei Netuno. Para diminuir a tensão da viagem, esta cerimonia tornou a viagem mais animada e, como o espírito brasileiro naturalmente é caracterizado pela irreverência, trouxe um ânimo a mais para tropa no General Mann.[18]

A Chegada ao Teatro de Luta

No dia 12 os pracinhas tiveram novamente a visão da terra, mas de terras africanas, o Marrocos. Finalmente, no dia 13 de julho, por volta de três da tarde, os navios chegaram ao Estreito de Gibraltar. Do transporte de tropas, com a ajuda de binóculos, foi possível os brasileiros avistarem a cidade espanhola de Algeciras e o rochedo de Gibraltar. No lado africano foram visualizadas as cidades de Tanger e Ceuta[19].

Militar brasileiro de patente elevada passando em ordem a guarda de Fuzileiros navais (Marines) a bordo do General Mann. Eram estes fuzileiros que mantinha a ordem a bordo.
Militar brasileiro de patente elevada passando em ordem a guarda de Fuzileiros Navais (Marines) a bordo do General Mann. Eram estes fuzileiros que mantinha a ordem a bordo. O armamento é o fuzil M1903A3

Nesta área o Omaha, o Reybold e o Martz, foram substituídos na escolta e o General Mann passou a ser protegido pelos destroieres USS Kearny (DE-432), USS Hollis (DE-794) e USS Marsh (DE-699)[20].

Ao entrar no Mar Mediterrâneo sentiu-se logo um alívio geral, pois com as águas mais calmas, o navio já não jogava e sacudia tanto quanto no Oceano Atlântico, o que fazia quase todos ficarem mareados e vomitarem quase o tempo todo.[21] Durante o trajeto, uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos pracinhas dizia respeito à alimentação servida a bordo. Com um efetivo superior a 5.000 militares embarcados, as refeições eram feitas em sistema de rodízio. A cozinha funcionava 24 horas por dia, e não podia ser de modo diferente, pois eram servidas duas refeições diárias para cada homem. Para os que estivessem trabalhando eram três.

A não adaptação à comida, em conjunto com o balanço do navio, fez com que muitos dos pracinhas adoecessem logo ao partirem do Rio de Janeiro[22].

Diário de bordo do General Mann, sobre a chegada a Nápoles e o desembarque da FEB nesta cidade italiana.
Diário de bordo do General Mann, sobre a chegada a Nápoles e o desembarque da FEB nesta cidade italiana.

O capitão Paul Maguire apontou no diário de bordo do General Mann que na manhã de 16 de julho de 1944 o seu navio entrava na Baía de Nápoles, Itália. Lentamente, o navio foi se aproximando do cais do porto em escombros, pontilhado de embarcação em variados graus de destruição. Navio chegou ao Píer A, e atracou no Ancoradouro 8 e logo foi visitado pelos tenente general Jacob Devers e pelo major general David G. Barr, ambos do Exército dos Estados Unidos (US Army). Os generais americanos e seus oficiais confraternizaram com o general Mascarenhas de Morais e os oficiais da FEB. Além da presença dos oficiais estadunidenses, jornalistas também estavam no cais. Já o desembarque dos pracinhas e dos equipamentos levou três horas e meia.

A FEB estava na Europa e logo iria lutar. Já o USS General W. A. Mann partiu três dias depois para Orã e de lá para Liverpool, Inglaterra, depois seguiu para Nova York, Estados Unidos e em 14 de setembro de 1944 retornava ao Rio de janeiro para transportar o 2° escalão de combate da FEB na Itália.

Fim de Carreira

O USS General W.A. Mann continuou sendo usado na Segunda Guerra Mundial, na Guerra da Coréia e na Guerra do Vietnã. Na Guerra da Coréia, foi utilizado pelo governo da República da Coréia para transportar documentos, além de ouro e prata. Na crise dos mísseis cubanos, transportou para o Caribe, armamento caso o conflito ocorresse. Em 1966 foi colocado na frota da Reserva Nacional Americana e em 1987 foi vendido como sucata, sendo desmontado em Taiwan.

Mann (17)

O USS General W.A. Mann ganhou duas Estrela de Serviço, uma para a Guerra da Coréia e outra pelos seus serviços na Guerra do Vietnã.[23]


NOTAS –

[1] – Sobre este tema ver – http://veja.abril.com.br/historia/descobrimento/naus-caravelas-portuguesas.shtml

[2] – Sobre este tema ver – https://tokdehistoria.com.br/2013/11/02/1640-a-maior-batalha-naval-ocorrida-nos-mares-brasileiros/

[3] – Sobre este tema ver – https://www.marinha.mil.br/marinha-do-brasil-e-independ%C3%AAncia

[4] – Sobre este tema ver – http://www.naviosbrasileiros.com.br/ngb/b/B017/B017-NB.htm

[5] – Sobre essa classe de navios ver – http://www.globalsecurity.org/military/systems/ship/ap.htm

[6] – O Major General William Abram Mann (1854 – 1934) Se formou na Academia Militar de West Point em 1875, da arma de infantaria, onde serviu em várias unidades até o final do século XIX. Em 1917 tornou-se o primeiro comandante da 42ª Divisão de Infantaria, conhecida como Divisão do Arco-íris, composta por unidades da Guarda Nacional a partir de 26 estados e o Distrito de Columbia. Foi a primeira vez que as unidades da Guarda Nacional a partir de vários estados foram organizadas em conjunto. Mann levou a Divisão do Arco-íris para a França durante a Primeira Guerra Mundial, mas não conseguiu passar pelo exame físico e por isso não foi capaz de comandar a sua divisão em combate. Voltou para os Estados Unidos e continuou no exército até chegar a idade da aposentadoria compulsória no final de 1918. Após sair da carreira militar se tornou empresário.

[7] – Diário de bordo do USS General A. W. Mann, 2 de julho de 1944, pág. 2.

[8] – Sobre este tema ver – http://www.cepen.org/web1/index.php/48-portal-cepen/feb-fab/mascarenhas/326-embarque-e-desembarque-da-feb-em-italia

[9] – Enciclopédia da II Guerra Mundial, Editora Globo, Livro VI, páginas 285 e 286, 2ª edição, 1956.

[10] – Barone, João, “1942 – O Brasil e sua guerra quase desconhecida”, páginas 137 a 142. Editora Nova Fronteira, 1ª edição, 2013.

[11] – Ver edições esportivas do jornal “Diário da Noite”, Rio de Janeiro-RJ, edições de 1 a 3 de julho de 1944.

[12] – Diário de bordo do USS General A. W. Mann, 2 de julho de 1944, pág. 2.

[13] – Ver jornal “Gazeta de Notícias”, Rio de Janeiro-RJ, edições de 1 a 3 de julho de 1944, pág. 2.

[14] – Diário de bordo do USS Omaha, 5 de julho de 1944, pág 6.

[15] – Ver em http://www.portalfeb.com.br/uma-conversa-com-a-historia-veterano-pedro-candido-ribeiro/

[16] – Diário de bordo do USS Omaha, 7 de julho de 1944, pág. 7 e Diário de bordo do USS General A. W. Mann, 11 de julho de 1944, pág. 10.

[17] – Diário de bordo do USS Omaha, 11 de julho de 1944, pág. 10.

[18] – Ver https://chicomiranda.wordpress.com/tag/navio-general-mann/

[19] – Ver jornal “Diário da Noite”, Rio de Janeiro-RJ, edição de 19 de setembro de 1944, págs. 1 e 2.

[20] – Diário de bordo do USS General A. W. Mann, 13 de julho de 1944, pág. 13.

[21] – Ver http://www.anvfeb.com.br/siteantigo/amynthas.htm

[22] – Ver http://www.portalfeb.com.br/longa-jornada-com-a-feb-na-italia-capitulo-8/

[23] – Ver http://pt.wikipedia.org/wiki/USS_General_W.A._Mann