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15 ANOS DE CRIAÇÃO DA REVISTA PREÁ

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AUTOR – Tácito Costa

Jornalista

FONTE – http://www.substantivoplural.com.br/revista-prea/

As coisas pedem para ser escritas. Insistem por caminhos variados. Eu não tenho outro jeito senão obedecer. No sábado (04/03), o poeta Oreny Júnior me enviou um WhatsApp. Queria saber se eu tinha determinados números da revista Preá para completar a coleção dele. Respondi-lhe que não. Fui doando e fiquei sem nenhuma. Ou melhor, tenho duas lançadas recentemente.

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Da esq. para a dir. Anchieta, Érico, eu e Gustavão pelas estradas do RN à procura de boas histórias para contar

No dia 20 de fevereiro, meu aniversário, o jornalista Gustavo Porpino me enviou uma foto em que aparecem eu, ele, Anchieta Xavier e Érico Alves. Eu era o editor da revista, Gustavo o subeditor e repórter, Anchieta o fotógrafo e Érico o motorista. Raríssimo registro da gente em ação.

No emaranhado de pessoas e grupos do Whats eu só vi a foto neste domingo (05/03). Vasculhando o aplicativo, dei com a mensagem de Gustavo. Entrei em contato com ele na hora para agradecer a lembrança e falamos sobre a revista.

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Pedi para ele escrever sobre a aventura que foi trabalhar na Preá, revista de cultura criada pelo então presidente da Fundação José Augusto, François Silvestre, em 2003. Foi mesmo uma aventura e tanto. Com uma equipe reduzida, recursos parcos e uma burocracia sinistra, era uma luta botar a revista na rua, primeiro trimestralmente e depois bimestralmente. Periodicidade cumprida religiosamente. Às vezes, milagrosamente.

Mas conseguíamos graças à determinação de François, que uma vez chegou a pagar do próprio bolso gasolina para abastecer o carro velho da Fundação José Augusto que nos levaria ao interior para reportagem. Cito apenas esse exemplo para mostrar que esse era o espírito da coisa. Fazíamos na marra mesmo e tinha muito amor envolvido no projeto.

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Eu não conhecia François, Gustavo ou Anchieta. Quer dizer, François não me era desconhecido. Uns anos antes eu tinha malhado um poema dele incluído em coletânea organizada por Manoel Onofre, numa coluna sobre livros na Tribuna do Norte.

Então, eu era o nome menos provável, pelo menos para mim, para fazer parte de uma equipe comandada por François. Não tanto pelo episódio do poema, mas por vir da gestão passada (Woden/Garibaldi), num contexto de forte disputa política.

E de fato, o nome para a Assessoria de Imprensa já estava escolhido pelo gabinete da governadora Wilma de Faria, tratava-se de uma colega que já tinha trabalhado com Wilma na prefeitura. No entanto, François conseguiu sustar a nomeação e me indicou. Somente depois tomei conhecimento que acumularia a Assessoria com a editoria da revista.

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Fomos à luta e fizemos uma revista que marcou época. Entrevistas com Fernando Morais, Ariano Suassuna, Nei Leandro, Antônio Francisco, Vingt-um Rosado, Glorinha Oliveira, ensaios fotográficos e capas de Giovanni Sérgio, Marcelus Bob, Henrique José, Anchieta Xavier. Reportagens sobre a cultura nos municípios e sobre figuras como Oswaldo Lamartine, Raimundo Soares de Brito, Roberto Furtado, Osório Almeida.

Foi uma bela aventura. Mas na foto citada acima, deveria aparecer mais gente. Como o próprio François e o diagramador Lúcio Masaaki, as meninas do Gabinete, Aninha, Dulcineide, Socorro, que cuidavam da distribuição, os colaboradores. O que quero ressaltar é que a revista foi resultado de um trabalho coletivo, todos imbuídos das melhores intenções e por isso deu tão certo.

Só tenho ótimas lembranças e saudades daquele tempo. Infelizmente, Érico, o motorista, para quem não tinha tempo ruim, muito ligado a Gustavo, faleceu há alguns anos.

Aqui você pode ler algumas edições da revista Preá.

http://www.cultura.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=13530&ACT=null&PAGE=null&PARM=null&LBL=NOT%C3%8DCIA


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P.S – Esses 15 anos da REVISTA PREÁ merece muito ser comemorado. Em setembro de 2008 eu fiquei muito feliz com a aceitação por parte do pessoal da redação de um texto que criei sobre uma visita que realizei na Gruta dos Tapuias, na zona rural do município de Santana do Matos. A matéria saiu na edição de Outubro/Novembro do mesmo ano e certamente aquela publicação me deu muita vontade de continuar escrevendo sobre História. Consequentemente aquilo tudo muito me ajudou no desenvolvimento dos meus quatro livros e do nosso blog TOK DE HISTÓRIA. Parabenizo o jornalista Tácito Costa e sua equipe pela luta na criação deste valioso material, que vai servir no futuro para entender estes tempos complicados que estamos vivendo. Valeu mesmo!

Rostand Medeiros

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UMA ÓTIMA INICIATIVA – MOSTRA PROMOVE PASSEIO PELA HISTÓRIA DO RN EM CAICÓ

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FONTE – http://papocultura.com.br/491-2/#.WKOVukZaJDw.facebook

O município de Caicó abriga a partir desta quinta-feira (16) até dezembro uma grande mostra que retrata a história e cultura do Rio Grande do Norte inspirada na obra do escritor Luís Câmara Cascudo.

A exposição “Descobrindo o Rio Grande do Norte com Luís da Câmara Cascudo” estará aberta ao público seridoense, sempre de segunda à sexta, das 8h às 16h30, no Centro de Educação José Augusto (Ceja), localizado à Rua Zeco Diniz, S/N, Penedo, Caicó. Visitas de escolas e entidades poderão ser marcadas pelo telefone 3417 1715.

A exposição, promovida pelo Governo do Estado, através da Fundação José Augusto, exibe peças que revelam os detalhes da linha do tempo do Estado e seu contexto no Brasil e no mundo, destacando também aspectos fundamentais da cultura seridoense.

Haverá uma recepção onde estão instalados textos sobre a história da região com ênfase na obra musical com apresentação de canções alusivas a região e na exibição de figuras rupestres.

Para ilustrar a mostra foi produzido um catálogo especial com 46 páginas que detalha o conteúdo apresentado com ilustrações, informações históricas e culturais sobre a história e a cultura do Rio Grande do Norte, destacando a vida social, o folclore, a formação étnica, entre outros temas.

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História do RN

Recortes da obra literária do etnógrafo conduzem o passeio pela história, desde a chegada dos portugueses, a tradição dos índios locais, a invasão holandesa, a fundação da cidade e seu desenvolvimento, o papel de Natal na 2ª Guerra Mundial, até o panorama atual. A mostra toma como base o livro História da Cidade do Natal, do autor potiguar.

A iniciativa consiste em um passeio entre os corredores históricos e galerias do Memorial, guiado pelo próprio Câmara Cascudo, através de recortes da sua obra literária. O visitante deverá viajar ao longo de mais de 500 anos de história, desde a chegada dos portugueses às nossas terras, os índios potiguares, o domínio holandês, a fundação de Natal, seus períodos áureos e conflituosos, o papel da cidade na 2ª Guerra Mundial, até chegar aos dias de hoje.

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A mostra é composta por grandes painéis, bonecos em tamanho real de personagens ilustres e heróis potiguares, artefatos, livros, miniaturas, além de uma diversidade de objetos museológicos. Em cada trecho da exposição, painéis estampam textos de Câmara Cascudo, mapas, cartas náuticas, pinturas, fotografias, tudo em busca de se aproximar do visitante e despertar nele o interesse e valorização pela história potiguar e pela obra de Cascudo.

Uma outra parte da mostra aborda as principais ações desenvolvidas pelo Governo do Estado que apontam para o futuro, como as obras realizadas nas áreas de saneamento, estradas, saúde, educação e recursos hídricos e outros setores essenciais.

DORIAN GRAY CALDAS, UM HOMEM MUITO SIMPLES E MUITO DINÂMICO!

 

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Foto – Novo Jornal

Rostand Medeiros – Membro do IHGRN

Ele foi pintor, escultor, tapeceiro, poeta, membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras e muitas outras coisas. Mas para mim, pelo pouco que o conheci, guardo na minha memória a visão de uma homem muito simples, tranquilo, trabalhador e que sempre se apresentou como alguém de bem com a vida!

Na minha adolescência, na época que a minha família possuía uma casa de veraneio na praia de Búzios, muitas vezes vi “Seu Dorian” percorrendo a praia pela manhã, bem cedinho, acompanhando os pescadores que traziam suas redes do mar. Guardo a imagem do artista circulando descalço, de bermudas cáqui, camisa azul clara de botão, cabelos brancos desalinhados pelo vento do litoral, com um bloquinho e um lápis na mão. Sem alardes e nem estrelismos Seu Dorian circulava entre os homens do mar e seus troféus, enquanto sua mente desenvolvia alguns esboços.

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Eu vi uma vez alguns destes desenhos e na mesma hora eu respeitei muito a sua capacidade de reproduzir artisticamente o que ele via. Sabia que ele era um conhecido e respeitado pintor, mas naquele momento me pareceu que era apenas alguém que queria registrar as cenas do cotidiano de uma tranquila praia ao sul de Natal.

Em outra ocasião, por alguma razão que não me recordo, eu estava na sua casa em Búzios e vi três belíssimas e coloridas pinturas. Eram feitas em pequenos cartões retangulares e Seu Dorian percebeu que aquele belo material chamou a minha atenção. Com uma calma e tranquilidade magníficas, me explicou como ele pintou aqueles cartões e que eram esboços para um possível grande painel, que talvez fosse realizar em Fortaleza em uma instituição bancária. Nunca soube se Seu Dorian realmente conseguiu pintar este painel, mas pelo colorido e pelas formas magnificas existentes naquelas pinturas, aquilo nunca saiu da minha memória.

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Para algo assim me chamar atenção naquela época, tinha de ser realmente muito belo, diferente, intenso e chamativo. E nem tente me reprimir meu caro leitor, pois eu estava em plena juventude, vivendo intensamente aqueles loucos anos 80. E estando em Búzios eu só gostava mesmo de namorar, está na beira da praia batendo bola, ou mergulhando com um arpão atrás de peixes nas transparentes águas da enseada daquela linda praia.

Dorian Gray Caldas nasceu no dia 16 de fevereiro de 1930, em Natal, sendo filho de uma família tradicional, com parentes que desenvolviam trabalhos artísticos. Sua primeira exposição foi realizada em 1950, junto com os pintores Newton Navarro e Ivon Rodrigues, todos eles organizadores do 1º Salão de Artes Plásticas de Natal.

Já como um contumaz leitor de jornais antigos eu descobri como este evento foi marcante na história da arte potiguar no Século XX.

A sua escultura na Praça das Mães foi extremamente festejada na época de sua inauguração, em 8 de maio de 1960, chamando muita atenção na cidade. A obra foi executada na gestão do prefeito José Pinto Freire, com Dorian Gray produzindo a estátua que representava a mãe potiguar. Na época já existia no local, ao lado da antiga sede do Tribunal de Justiça, uma praça, ou “square”, como se dizia na época. Ali repousou primitivamente o busto de bronze de Pedro Velho, o fundador da República no Rio Grande do Norte e obra do escultor Corbiniano Vilaça, sendo este retirado e levado para a atual Praça Pedro Velho.

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O Rio Grande do Norte deve muito a Dorian Gray não apenas pelo desenvolvimento de sua arte, mas igualmente pela sua atuação em prol da cultura potiguar. Ele muito batalhou pela criação do Conselho Estadual de Cultura, instalado em dezembro de 1961. Dorian Gray foi, junto com o escritor Manoelito de Ornelas e o então Governador Aluízio Alves, um dos oradores na cerimônia de instalação desta instituição. Neste mesmo ano lançou seu primeiro livro, intitulado “Instrumento de Sonho”.

Participou de varias exposições individuais e coletivas, em sua cidade e pelo Brasil. Os jornais comentaram após seu falecimento que ele produziu mais de 10.000 obras entre pinturas a óleo, gravuras, bicos-de-pena, desenhos, painéis, tapeçaria e escultura. Informaram também que seu talento artístico foi reconhecido internacionalmente.

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Fonte – Lívio Oliveira

Dorian Gray atuou como assessor da secretaria estadual da cultura do Rio Grande do Norte (1967-1968) e da Fundação José Augusto (1974) e foi diretor do Teatro Alberto Maranhão (1967-1968). Em 1989 publicou o livro “Artes Plásticas do Rio Grande do Norte 1920—1989”.

A cultura do Rio Grande do Norte sofre com a morte deste homem uma perda irreparável. Acredito que o exemplo de Seu Dorian como artista, o seu dinamismo, seu sentido inovador e sua humildade, é algo raro de se observar hoje em dia entre os que produzem cultura em terras potiguares.

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DUAS BIOGRAFIAS SERÃO RELANÇADAS DURANTE MEGA EXPOSIÇÃO NA PINACOTECA, NESTA SEXTA, EM NATAL.

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Duas obras literárias terão espaço no vernissage do Salão Dorian Gray de Arte Potiguar, marcado para às 19h desta sexta-feira (6) na Pinacoteca do Estado: “A Estrela Conta”, do jornalista Nelson Patriota, e “Dom Marcolino Dantas por ele mesmo”, organizada pelo padre José Mário de Medeiros, ambos publicados pela Coleção Cultura Potiguar da Fundação José Augusto (FJA).

Os lançamentos integram a programação do salão criado pela Sociedade Amigos da Pinacoteca (SAP), entidade sem fins lucrativos que abriu seleção para sete categorias: pintura, escultura, fotografia, gravura, performance, arte digital e arte em movimento. Cem artistas foram selecionados, num total de cerca de 300 obras que estarão à disposição do público. A exposição coletiva tem o apoio do Governo do Estado, através da Fundação José Augusto (FJA).

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Glorinha Oliveira

“A Estrela Conta” é uma biografia produzida pelo jornalista Nelson patriota a convite da cantora Glorinha Oliveira. O autor já vinha coletando informações a respeito da intérprete antes do lançamento da primeira edição em 2003.

O título faz referência ao programa “A Estrela Canta”, transmitido a partir da década de 50 pela Rádio Poti, período em que brilhavam no país grandes nomes da MPB como Cauby Peixoto, Marlene, Jamelão, e Emilinha Borba.

A obra foi publicada pela AS livros em 2003 trazendo histórias baseadas em materiais colecionados pela artista, além de entrevistas a partir de visitas à sua casa. A obra apresenta ilustrações e exibe várias fases da vida de Glorinha e revela fatos pessoais da vida da pessoa. Agora, a obra ganha em 2016 uma reedição revista e ampliada dentro da Coleção Cultura Potiguar, editada pela Fundação José Augusto.

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Dom Marcolino

O padre José Mário de Medeiros, escritor e vigário da Paróquia de Bom Jesus das Dores, na Ribeira, reuniu documentos históricos e pessoais sobre a vida de Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas.

A obra “Dom Marcolino Dantas por ele mesmo”, é uma autobiografia construída através de depoimentos, matérias jornalísticas e discursos proferidos pelo religioso potiguar ao longo de sua trajetória.

O livro apresenta em 400 páginas, a produção poética de Dom Marcolino, além de homilias, bençãos, pregações e imagens históricas.

Dom Marcolino Dantas estabeleceu o marco de transição da Diocese para a Arquidiocese de Natal. Foi o quarto e último bispo e o primeiro arcebispo. Sua gestão foi marcada por inúmeras realizações, destacando-se a construção do Seminário de São Pedro.

Sua administração primou pela hierarquia, autoridade e formalidade. Durante o relançamento desta sexta-feira o livro será vendido ao preço de R$ 30.

Serviço

Relançamento dos livros

“A Estrela Conta”, do jornalista Nelson Patriota
“Dom Marcolino Dantas por ele mesmo”, organizada pelo padre José Mário de Medeiros
Data: Sexta-feira (6)
Horário: 19h
Local: Pinacoteca do Estado ( Praça 7 de Setembro S/N, Cidade Alta)

Autor – Sergio Vilar

Fonte – http://www.substantivoplural.com.br/duas-biografias-serao-relancadas-durante-mega-exposicao-na-pinacoteca-nesta-sexta/

NO TEATRO ALBERTO MARANHÃO, RECEBENDO A MEDALHA DO MÉRITO DEÍFILO GURGEL

Recebendo da Governadora Rosalba Ciarline a Medalha do Mérito Cultural Professor Deífilo Gurgel - Foto - Eduardo Alexandre Garcia
Recebendo da Governadora Rosalba Ciarline a Medalha do Mérito Cultural Professor Deífilo Gurgel – Foto – Eduardo Alexandre Garcia

A Secultrn/FJA realizou nesta quarta-feira, 17 de dezembro de 2014, a solenidade de Outorga da Medalha do Mérito Deífilo Gurgel, às 18h, no Salão Nobre do Teatro Alberto Maranhão. O mérito tem por objetivo reconhecer e valorizar o trabalho de pessoas que se destacaram na salvaguarda da cultura de tradição. 

O Mérito Deífilo Gurgel foi criado em 2013, durante as festividades do 3º Agosto da Alegria. O maior homenageado da solenidade da Medalha é o próprio Deífilo Gurgel, que dedicou anos de sua vida à pesquisa e promoção da cultura popular do Rio Grande do Norte.

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Deífilo foi diretor de Promoções Culturais da Fundação José Augusto e presidente da Comissão Norte-rio-grandense de Folclore, além de ter lecionado a cadeira folclore brasileiro na UFRN, por 12 anos. Ele se orgulhava de ter “descoberto” a romanceira D. Militana, de São Gonçalo do Amarante, o mamulengueiro Chico Daniel e o mestre Manoel Marinheiro. Publicou vários livros sobre folclore. 

Nesta 2ª edição da entrega da medalha, foram homenageados 12 nomes da cultura potiguar, entre artistas, estudiosos, gestores, pesquisadores e instituições, em cerimônia com a presença da Governadora do Estado Rosalba Ciarlini e da Secretária Extraordinária de Cultura Isaura Rosado. 

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Entre os homenageados estão Cláudio Augusto Pinto Galvão, historiador e gestor público; Carlos André Lopes, cantor, compositor e produtor artístico; Gibson Machado Alves, professor, pesquisador e produtor cultural; Maria das Graças Cavalcante, presidente da Associação Potiguar do Teatro de Bonecos (APOTB); Tião Oleiro, mestre de Congo (Dança Popular); Paulo de Medeiros Gastão, pesquisador e idealizador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC); Rostand Medeiros, escritor e guia de turismo; Racine Santos, dramaturga, fundadora a Associação dos Dramaturgos do Nordeste. Ricardo Elias Ieker Canella, professor, doutor e pesquisador na área de culturas populares; e Roberto Lima, poeta, compositor e escritor. Na categoria Instituição, a homenagem vai para o Programa Biblioteca Para Todos, e na homenagem aos Brincantes, o Pastoril Dona Joaquina receberá a medalha de mérito. 

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Programação segue às 19h, nos jardins do TAM, onde será lançado o livro Royal Cinema – Uma Valsa Centenária, de Claudio Galvão, nº 64 da Coleção Cultura Potiguar, com encarte de um CD da Valsa Royal Cinema, cuja renda será revertida para a Liga Norte-rio-grandense Contra o Câncer. Apresentações artísticas começam às 20h, com o espetáculo Quebra-Nozes da Cia. de Dança do Teatro Alberto Maranhão e Concerto da Orquestra Sinfônica do RN.

Apertando a mão da Secretária Extraordinária de Cultura Isaura Rosado,  junto com o sub-secretário de agricultura do governo potiguar e ex-prefeito de Carnaúba dos Dantas, Valdenor Euclides
Apertando a mão da Secretária Extraordinária de Cultura Isaura Rosado, junto com o sub-secretário de agricultura do governo potiguar e ex-prefeito de Carnaúba dos Dantas, Valdenor Euclides
Muita honra receber esta medalha ao lado de um homem que para mim é um verdadeiro gênio - O Professor Claudio Galvão.
Muita honra receber esta medalha ao lado de um homem que para mim é um verdadeiro gênio – O Professor Claudio Galvão.
Junto a Iaperi Araújo, escritor, pesquisador e Presidente do Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte
Junto a Iaperi Araújo, escritor, pesquisador e Presidente do Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte
Aqui com o amigo Haroldo Pinheiro Borges, grande figura, grande simpatia, escritor de mão cheia e pesquisador de primeira.
Aqui com o amigo Haroldo Pinheiro Borges, grande figura, grande simpatia, escritor de mão cheia e pesquisador de primeira.
Com os velhos amigos Ricardo Sávio Trigueiro de Morais e Solon Almeida Netto.
Com os velhos amigos Ricardo Sávio Trigueiro de Morais e Solon Almeida Netto.
Con mi gran amigo de Argentina, una gran persona y un estudioso de la historia de la Segunda Guerra Mundial. Gracias por su participación en este evento German Zaunseder.
Con mi gran amigo de Argentina, una gran persona y un estudioso de la historia de la Segunda Guerra Mundial. Gracias por su participación en este evento German Zaunseder.
Sem a família não somos nada!
Sem a família não somos nada!

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A TRISTE SITUAÇÃO DA CASA DO SABE MUITO

A Casa do Sabe Muito, Caraúbas, Rio Grande do Norte
A Casa do Sabe Muito, Caraúbas, Rio Grande do Norte

Autor – Rostand Medeiros

Quando fiz pela primeira vez uma viagem para a região Oeste do Rio Grande do Norte foi no ano de 1985. Fui montado em uma valente e resistente moto Yamaha DT-180, com a carteira de motorista/motociclista recém-saída do DETRAN e com muita vontade de conhecer algo mais da minha terra.

Segui para casa de amigos na cidade de Janduí. Em meio a um momento de fantástica receptividade sertaneja, ao chegar o momento de retornar para Natal, decidi seguir mais adiante e acabei dando uma longa volta até Apodi, depois passei por Mossoró e finalmente voltei para casa.

O caminho me levou pela rodovia estadual RN 223, que liga os municípios de Caraúbas e Apodi e na época ainda uma estrada de barro. A paisagem era muito interessante. Mesmo sendo árida, seca, possuía visuais amplos, com cores contrastantes, maravilhosos cenários e muita luz. De longe era possível avistar o contorno da Bacia Potiguar, onde embaixo fica a cidade de Apodi e na parte superior o conhecido Lajedo de Soledade, com seus interessantes painéis com antigas pinturas rupestres. Naquele momento eu não sabia que em 1992 viria a participar, como membro do CERN-Clube de Espeleologia do Rio Grande do Norte, de um trabalho de catalogação e mapeamento das cavidades naturais desta futura área preservação. Este trabalho foi na época financiado pela PETROBRÁS, sob o comando do falecido geólogo Eduardo Bagnolli e com a participação dos amigos amigo Francisco Willian da Cruz Junior (o grande Chico Bill), também geólogo, Lisandro Juno e Vladir Quintilhiano, ambos biólogos. Época boa!

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Mas naquele 1985, ao chegar a um ponto mas elevado na estrada, vislumbrei na direção oeste uma casa muito ampla, que se destacava na paisagem e que chamava a minha atenção conforme me aproximava dela. Era um casarão diferente do que havia visto ao longo do trajeto de 300 quilômetros que realizava desde Natal. Era a casa do sítio Sabe Muito, ou Casa do Sabe Muito, na zona rural do município de Caraúbas.

Localizada a 13 quilômetros da área urbana de Caraúbas, consta que foi construída em 1868. A sua estrutura possui 27 portas, 16 cômodos, 11 janelas e nas medidas da época possuía “11 palmos de frente, 133 de fundo e 52 de altura”. É considerada a maior casa de Caraúbas, já possuiu em seu interior uma casa de farinha e ainda tem em suas terras uma fonte de água potável, ou como dizemos por aqui, um olho d’água.

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Conforme podemos ver acima, nas páginas do Censo Agrícola de 1920, temos na cidade de Caraúbas, duas indicações de propriedades com o denominativo Sabe Muito
Conforme podemos ver acima, nas páginas do Censo Agrícola de 1920, temos na cidade de Caraúbas duas indicações de propriedades com o denominativo Sabe Muito

Esta casa pertenceu ao casal Antônio Fernandes Pimenta (Capitão) e Francisca Romana do Sacramento, casal que fez a união das famílias Fernandes e Carneiro em Caraúbas e adjacências. Contam também que a construção do casarão do Sabe Muito foi uma disputa entre dois irmãos que tinham muitos escravos e decidiram ver quem faria a maior casa. Um construiu a sua moradia no sítio São Vicente e o outro nas terras do Sabe Muito, próximo ao olho d’água comentado anteriormente e que seria conhecido pelos indígenas que outrora habitaram a região.

Na minha singela opinião não sei qual é a mais interessante (Acho que as duas). Mas sei que o casarão do sítio São Vicente foi um dos locais atacado pelo bando do cangaceiro Lampião, quando de sua passagem pelo Rio Grande do Norte no ano de 1927. Eu conheci o São Vicente em 2010, quando percorri de motocicleta o mesmo caminho trilhado por Lampião no Rio Grande do Norte (Ver – https://tokdehistoria.wordpress.com/2011/08/15/trilhando-o-mesmo-caminho-de-lampiao-no-rio-grande-do-norte/ ).

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Apesar da casa do Sabe Muito ser um local interessante, uma referência regional do poder que outrora os grandes fazendeiros possuíam no interior potiguar, infelizmente a antiga vivenda está fadada a se transformar em ruínas.

Recentemente, através do amigo Francisco Veríssimo de Souza Neto, da cidade de Apodi, tomei conhecimento que o jornalista Assis Oliveira, nascido em Caraúbas e há muitos anos morando na cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul esteve na sua terra depois de 16 anos de ausência. Entre os locais por ele visitados na sua cidade natal estava a interessante Casa do Sabe Muito. Acredito que aquilo que ele viu e fotografou, como um dileto filho da terra, deve tê-lo deixado muito triste. Pois eu que nem sou de lá, nem tenho sequer parentes na região, fiquei impressionado quando vi suas fotos (Que gentilmente ele cedeu para serem utilizados neste texto).

O local vem ruindo já há algum tempo. Blogs da região Oeste Potiguar apontam que parte do telhado caiu e o restante pode desabar durante o próximo inverno. Existe a afirmação que a estrutura é tombada pela Fundação José Augusto, hoje transformada em Secretaria Extraordinária da Cultura e pertenceria ao espólio do casal Joana Eulália de Oliveira e Jonas Armagíldo de Oliveira.

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Mas o que fazer?

Esta situação de abandono e destruição lenta e paulatina destes patrimônios históricos não é exclusividade de terras potiguares. Pelo Brasil afora antigas casas grandes de fazendas históricas, igrejas seculares e até prédios públicos tombados estão vindo abaixo por falta de conservação. Sei que, diante da situação complicada que se encontra a agropecuária no Rio Grande do Norte, manter de pé uma casa destas não é fácil e nem barato. Não é a toa que o salvamento destes patrimônios por iniciativa privada são raros. Mas existem! (Ver – https://tokdehistoria.wordpress.com/2011/11/23/a-restauracao-do-engenho-machado-um-exemplo-a-ser-seguido/ ).

O que o poder público dentro das esferas federal, estadual e municipal pode fazer para salvar este patrimônio? Se ele já é tombado a nível estadual, pelo que percebi nada acontece.

Se ao menos a gestão turística governamental no Rio Grande do Norte fosse uma coisa levado a sério pelos gestores e houvesse sido desenvolvido na prática a integralização turística potiguar, a Casa do Sabe Muito poderia ser um ótimo ponto de apoio para os turistas que se deslocam de Natal para visitarem as belas pinturas rupestres localizadas no Lajedo Soledade. Este ponto de apoio s margens da RN-223 poderia ser associado a um museu que mostrasse a história e cultura da região.

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Assis Oliveira no Sabe Muito

Mas já que o turismo não anda lá estas coisas aqui no nosso estado e aproveitando a ideia da histórica casa ser um ponto de preservação da memória regional, creio que seria possível criar um projeto de recuperação e utilização pública. Mas com destinação prioritariamente educacional, com a finalidade principal de manter viva junto à comunidade caraubense, principalmente os mais jovens, a história da sua terra. Mas escrevo isso sem conhecer totalmente a atual realidade local.

Não tenho a ilusão que isto é fácil, Mas sei que só com a união da comunidade é que este patrimônio poderá ser salvo e melhor utilizado.

http://www.icemcaraubas.com/2011/08/casa-do-sabe-muito-um-potencial.html

http://alodudeviana.blogspot.com.br/2012/03/em-caraubas-fazendas-abandonadas.html

http://janduisemfoco.blogspot.com.br/2012/01/luta-para-conservar-casa-da-fazenda.html