Uma edificação que acompanhou mais de dois séculos da história do Rio Grande do Norte, foi sede de um governo revolucionário, quartel-general do Exército em Natal e hoje é um local dedicado a nossa cultura.Uma edificação que acompanhou mais de dois séculos da história do Rio Grande do Norte, foi sede de um governo revolucionário, quartel-general do Exército em Natal e hoje é um local dedicado a nossa cultura.
Quem passa pela Praça André de Albuquerque, no coração da Cidade Alta, geralmente presta atenção na Catedral Metropolitana, no obelisco comemorativo da Revolução de 1817 ou na estátua de Luís da Câmara Cascudo, diante de um antigo edifício de linhas neoclássicas.
Para muitos natalenses, especialmente os mais velhos, aquele prédio continua sendo simplesmente o “QG”, o antigo Quartel-General do Exército em Natal. Outros o conhecem apenas como Memorial Câmara Cascudo. Pouca gente imagina, entretanto, que aquelas paredes guardam uma história muito mais antiga.
Durante mais de duzentos anos, gerações de natalenses passaram por suas portas sem imaginar quantas histórias ali se acumularam. O edifício mudou de função inúmeras vezes, mas jamais deixou de ser um dos grandes protagonistas silenciosos da história do Rio Grande do Norte. E, felizmente, continua de pé.
Um Prédio Nascido no Tempo dos Reis
Embora não exista consenso sobre a data exata de sua construção, acredita-se que o edifício tenha sido erguido entre as décadas de 1780 e 1810, quando Natal ainda era uma pequena vila colonial de poucas ruas, concentrada ao redor da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.
Naquela época, a cidade e a Capitania do Rio Grande do Norte possuíam reduzida — ou quase nenhuma — importância política e econômica dentro do Império Português. Mesmo assim, era necessário manter uma estrutura administrativa responsável pela arrecadação dos tributos destinados à Coroa.
Segundo a professora Jeanne Nesi, em seu livro Natal Monumental (2012, p. 58-61), houve uma ordem da Junta da Fazenda Real de Pernambuco, datada de 17 de outubro de 1788 — justamente o ano em que se iniciavam as articulações da Inconfidência Mineira — determinando a construção desse edifício. A obra ficou a cargo de Manoel Antônio de Azevedo, que somente iniciou os trabalhos no ano seguinte, após receber um conto e sessenta mil réis, de um total firmado de três contos e duzentos mil réis. Para a autora, a construção deve ter sido concluída entre 1810 e 1817.
Como sede da Fazenda Real da Capitania do Rio Grande do Norte, dali saíam ordens, conferiam-se contas, registravam-se receitas e despesas e administravam-se os recursos destinados ao governo colonial. Naturalmente, não era um dos lugares mais queridos pelos moradores. Afinal, sempre que o assunto era imposto, dificilmente havia simpatia por parte da população.
Embora muita gente utilize a expressão “Real Erário” para se referir ao prédio, tecnicamente o Real Erário era o órgão central das finanças do Reino de Portugal, sediado em Lisboa. Nas capitanias brasileiras funcionavam repartições fazendárias locais, subordinadas à administração régia. Ainda assim, para os natalenses daquela época, pouco importavam essas diferenças administrativas.
Quem aparecia para cobrar impostos representava, na prática, o mesmo poder da Coroa. E era exatamente daquele prédio que partiam muitas dessas determinações.
Quando a República Chegou a Natal
Poucos edifícios do Rio Grande do Norte tiveram o privilégio de testemunhar um dos acontecimentos mais importantes da história política da antiga Capitania.
Em março de 1817, as ideias republicanas vindas de Pernambuco chegaram a Natal. No dia 28 daquele mês, liderado por André de Albuquerque Maranhão, um grupo de revolucionários tomou o controle da administração local.
Foi justamente naquele prédio que passou a funcionar a Junta Governativa do novo governo republicano. Durante alguns dias, o edifício deixou de representar a autoridade do rei de Portugal para tornar-se símbolo de um governo inspirado nos ideais de liberdade, autonomia política e republicanismo. Era um sonho ousado, mas que, infelizmente, durou pouco.
As forças fiéis à Coroa reagiram rapidamente, e a revolução foi sufocada. André de Albuquerque acabou assassinado em circunstâncias extremamente violentas, tornando-se o maior mártir da Revolução de 1817 no Rio Grande do Norte. Seus restos mortais seriam posteriormente sepultados na igreja localizada exatamente em frente ao edifício onde havia instalado o governo republicano. Uma ironia da História.
O Império, a República e os Impostos
Com o fracasso do movimento republicano, o velho prédio voltou à rotina burocrática.
Mudaram os governantes após a Independência do Brasil, em 1822; mudaram as bandeiras; mudaram os nomes das repartições. Permaneceram, porém, a função arrecadadora e diversas outras atribuições administrativas. Ao longo do século XIX, a estrutura fazendária foi sendo reorganizada sucessivamente.
Sabe-se que o edifício passou por importantes reformas em 1875. Acredito que tenha sido nessa ocasião que adquiriu parte das características arquitetônicas que ainda hoje podem ser observadas.
Com a Proclamação da República, em 1889, o imóvel permaneceu exercendo funções fiscais, passando a sediar a Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional. Durante décadas, milhares de funcionários públicos, comerciantes, fazendeiros e cidadãos comuns frequentaram aquele edifício para resolver questões relacionadas aos tributos federais.
Em 1955, a Delegacia Fiscal transferiu-se para uma nova sede, construída na Ribeira. Pela primeira vez em muitos anos, o velho prédio ficou sem uma função administrativa definida. Não demorou, entretanto, para receber novos ocupantes.
Uma Nova Missão
O Exército Brasileiro instalou ali o Quartel-General da Guarnição de Natal, fazendo com que o edifício passasse a ser conhecido por praticamente toda a população como o famoso “QG”. Durante décadas, essa sigla tornou-se parte da memória dos natalenses. Especialmente para aqueles que viveram os anos da Ditadura Militar, o prédio adquiriu um significado que ia muito além da sua história ou sua arquitetura.
Para alguns, era apenas um quartel. Para outros, representava lembranças difíceis de um período marcado por perseguições políticas, interrogatórios e restrições às liberdades democráticas. O velho edifício, mais uma vez, assistia silenciosamente a outro capítulo da história brasileira.
Algumas pessoas afirmam que ali funcionou a sede da 7ª Região Militar. Entretanto, essa unidade de comando foi criada em 1923 e sempre teve sua sede em Recife. O prédio, na realidade, abrigou a sede da 7ª Divisão de Infantaria, que, por meio do Decreto nº 72.637, de 7 de novembro de 1973, passou a denominar-se 7ª Brigada de Infantaria Motorizada. Em 1977, o Exército deixou o imóvel.
O Renascimento Como Espaço Cultural
Poucos anos depois, entre 1982 e 1984, durante a gestão de Valério Mesquita à frente da Fundação José Augusto, foi realizada uma ampla restauração, financiada com recursos da ordem de 184 milhões de cruzeiros. A recuperação devolveu ao edifício parte de sua imponência. Inicialmente, passou a funcionar como Centro de Cultura. Depois, em 10 de fevereiro de 1987, foi criado ali o Memorial Câmara Cascudo.
Em 24 de agosto de 1989, o edifício foi oficialmente tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual. Foi um reconhecimento plenamente merecido. Afinal, poucos imóveis de Natal acompanharam tantas transformações políticas, administrativas e sociais.
Aquelas paredes testemunharam a administração colonial portuguesa, a Revolução de 1817, o trabalho das repartições fazendárias do Império e da República, a presença do Exército, a redemocratização do país e, finalmente, sua transformação em um espaço dedicado à preservação da memória potiguar.
Enquanto tantos edifícios históricos desapareceram sob o avanço da modernização urbana, e outros, mesmo oficialmente tombados, continuam “tombando” por abandono e falta de políticas efetivas de preservação, aquela construção permanece firme diante da Praça André de Albuquerque.
Mais do que um belo exemplar da arquitetura antiga de Natal, ela é uma testemunha silenciosa da história do Rio Grande do Norte. Talvez seja justamente isso que torne sua preservação tão importante.
Cada pedra, cada parede e cada janela parecem lembrar aos que passam por ali que uma cidade sem memória dificilmente compreenderá o seu próprio futuro.
48 anos depois da publicação desse interessante texto, foram tão intensas e drásticas as alterações e mudanças que aconteceram na capital potiguar, que só resta daquela cidade o que existe nos registros e nas memórias daqueles que a conheceram.
Apresento-vos Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, Brasil. É a ponta mais avançada da América do Sul para dentro do Atlântico, situação geográfica que lhe proporcionou, durante a última Grande Guerra, a denominação histórica de “Trampolim da Vitória”. Porque daqui partiram as tropas e “Fortalezas Voadoras” para a invasão da África e, posteriormente, da Europa. Sua importância estratégica, pela maior aproximação com a costa da África, é reconhecida universalmente. Daí ser sede, ainda hoje, de duas poderosas bases aérea e naval brasileiras.
No entanto, no passado, Natal já foi chamada, por um dos nossos poetas, Ferreira Itajubá, de “um vale ameno entre coqueiros“. Pela sua amenidade de clima e estar situada entre o Rio Potengi e o Atlântico, com as praias orladas de coqueiros.
Neste 1975, com seus trezentos e tantos mil habitantes, fundada por colonizadores portugueses, no Século XVI, (1599), Natal é cidade velha que se moderniza rapidamente. Suas ruas e avenidas largas, lindas praias, a incrível luminosidade tropical, a brisa constante e doce que sopram do mar, a temperatura oscilando entre 27 e 30 graus centígrados, tudo isso faz desse recanto um dos pontos mais saudáveis e atraentes do Nordeste brasileiro.
O FORTE DOS REIS
Ainda hoje não existe acordo entre os nossos historiadores a respeito do legítimo fundador da cidade do Natal. Para uns, teria sido o colonizador Manoel Mascarenhas Homem, Capitão-Mor de Pernambuco, que veio do Recife (1597) fundar um forte na confluência do Rio Potengi com o Atlântico, a fim de proteger a terra e combater os corsários franceses, que traficavam com o pau-Brasil. Outros entendem que o fundador teria sido Jerônimo de Albuquerque, o primeiro comandante do Forte dos Reis, enquanto outros estudiosos ainda se fixam no nome de João Rodrigues Colaço, lugar-tenente de Jerônimo de Albuquerque, pelo fato de, no ano de 1599, Jerônimo se achar na Europa.
Há quem sustente, bisantinamente, que Mascarenhas Homem, fundando o forte, não fundou a primeira povoação. Esta surgiria depois. Argumentamos: Se o forte, o primeiro núcleo de população, era e é a porta da cidade do Natal e foi por ele fundado, por que ir procurar um segundo fundador para a primitiva aldeia? Por isso, nos arrimamos entre aqueles que sustentam a tese de Mascarenhas Homem. E a mais racional e mais de acordo com a documentação histórica.
Interior da Fortaleza dos Reis Magos.
Na verdade, Mascarenhas Homem fundou um fortim de madeira, provisório. A atual Fortaleza dos Reis Magos foi iniciada a 6 de janeiro de 1598, daí o seu nome, no dia de Reis, sendo concluída já no Séc. XVII. (1614). É sólida e bela construção militar, ainda bem conservada, considerada, no gênero, um dos mais importantes monumentos arquitetônicos do País. Visitá-la é algo indispensável a todos que vêm à cidade, sendo tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional De lá descortina-se panorama de indizível beleza local, ao longo das praias e do casario da cidade.
O NATALENSE
O natalense, dizem os visitantes, é dos mais hospitaleiros entre todos os nordestinos. Povo extrovertido. bom, aberto a tudo e a todos, recebe sempre bem e paga para fazer favor a um turista.
Nas suas origens, naturalmente, é português, índio e negro. Talvez o tipo físico predominante seja a mistura de lusos e índios ou descendentes. A percentagem de negros é mínima na população. Explica-se: Natal não foi porto de desembarque de escravos africanos. A população de cor no Estado, descende de negros que vieram de Pernambuco, nos primeiros séculos, para os engenhos de açúcar. Pequena, portanto, desde que pequeno era o número dos nossos engenhos.
Acesso a Ponta Negra na década de 1970.
Há, no Seridó, região de pecuária, minérios e algodão de fibra longa, a predominância de um tipo físico que se destaca dos demais: São indivíduos altos, brancos, louros, olhos azuis, de compleição robusta. Ingenuamente, diz o povo que são descendentes de holandeses, ou flamengos…
Nada disso. Sabemos, historicamente, que são descendentes de portugueses do norte de Portugal, o tipo ali característico em relação aos lusos do sul, mediterrâneos. Em Natal, não há presença ponderável de indivíduos de outras etnias, como se observa no Sul do Brasil. Portugueses natos, atualmente, talvez se conte uma dúzia. Norte-americanos, em trânsito, sempre existe. Alemães, italianos, japoneses, espanhóis, só um ou outro perdido no meio do natalense. Os sírio-libaneses, descendentes em sua maioria, constituem o maior número de indivíduos originários de outras etnias e residentes no Estado.
ARQUITETURA E ATRAÇÕES
A cidade do Natal nasceu, como é da tradição portuguesa, em torno da capela (hoje, matriz), o cruzeiro, a praça e os edifícios públicos e residências particulares em torno. Assim surgiram igualmente as cidades mais prósperas do interior do Rio Grande do Norte.
Ao lado da matriz de Nossa Senhora da Apresentação, padroeira da cidade, lá está o Palácio do Governo, imponente prédio colonial, de 1868. A Prefeitura, já descaracterizada, o velho edifício onde tem sede a Guarnição Militar de Natal, a Igreja de Santo António, mais linda fachada barroca da cidade, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, mais modesta, e o único sobradinho colonial, à Rua da Conceição, onde a Fundação José Augusto instalou um museu histórico e artístico, digno de visitação, constituem o melhor que ainda nos resta do passado da cidade.
Palácio Filipe Camarão, sede do poder executivo municipal de Natal.
Administradores anteriores praticamente arrasaram com a velha arquitetura colonial, – herança portuguesa na nossa cultura. Em sua maioria, os edifícios públicos modernos deixam muito a desejar do ponto de vista arquitetônico. O conforto interno, as elegantes instalações contrastam com a pobreza de suas fachadas simplórias. Saliente-se que esse não é apenas um mau natalense. É brasileiro. A pretexto de uma chamada arquitetura moderna, destruíram quase tudo que havia de mais característico na velha arquitetura colonial. Raras capitais como Recife, Salvador, São Luiz e cidades do interior mineiro e maranhense ainda conservam um bom patrimônio, graças, sobretudo, à vigilância enérgica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que não permite reformas modernizantes.
Se há algo que o turista, vindo a Natal, não pode deixar de ver é a velha Fortaleza dos Reis Magos. Aconselharíamos, também, uma visita à Vila Flor, próximo a Canguaretama, para apreciar a beleza da Casa da Câmara e Cadeia do Séc. XVIII, agora restaurada pelo IPHAN. Também seria imprescindível uma visita ao nosso estádio de futebol, em dia de grande jogo. O Campus da Universidade, fundado em 1972, é outro recanto que precisa ser visto Ali está a semente da grande universidade do futuro. O Museu “Câmara Cascudo” oferece ao visitante uma visão de conjunto dos aspectos mais importantes da antropologia, geologia e paleontologia norte-rio-grandenses.
Campus Universitário da UFRN em Natal no ano de 1972.
BARES E RESTAURANTES
A grande atração da cidade reside nas suas praias de águas verdes e temperatura sempre amena. Seus nomes são pitorescos: Praia do Meio, Areia Preta, Ponta Negra, Pirangi, Redinha, Genipabu, as duas últimas do lado norte do Rio Potengi. Praias do Meio e Areia Preta, banhando a cidade, tem ainda denominação setoriais: É Praia do Forte, ao lado do velho monumento; Poço do Dentão, defronte ao hotel da cidade, o “Hotel Internacional dos Reis Magos”; e “Miami Beach”, a praia preferida pelos norte-americanos durante a guerra.
Praia de Pirangí em 1972.
Aí estão situados alguns dos bares e restaurantes mais movimentados de Natal, principalmente à noite. São eles, atualmente, o “Panelão”, O “Brazeiro” e o “Saravá”, – os locais onde a moçada se reúne para bebericar e curtir a boa vida. Entre os restaurantes típicos, os visitantes não podem deixar de frequentar a “Carne Assada do Lira” e a “Peixada da Comadre”, ambos no bairro das Rocas. Ali também há um restaurante gostoso, “A Rampa”, dos oficiais da Aeronáutica, mas aberto ao público. Ainda na beira do rio, há um barzinho, o “Brisa del Mare”, onde Glorinha Oliveira, a maior cantora da cidade, sempre está cantando.
Na Cidade Alta, o turista não pode deixar de conhecer o “Granada Bar”, do espanhol Nemésio, onde se pode comer a melhor lagosta ao vinagrete da cidade. Outros restaurantes e bares de boa frequência são o “Kasarão”, o “Xique-Xique” e o “Casa Grande”, o mais novo.
A melhoria das estradas interestaduais na década de 1970 ajudou a incrementar o turismo regional no rio Grande do Norte.
Mas, quem tiver disposição e gosto, é só tocar o carro em direção à praia de Ponta Negra e conhecer as boates da cidade, ao longo da estrada. O ponto mais tranquilo, para uma temporada de férias, é a “Casa de Hóspedes”, em Ponta Negra, um sítio à beira do mar, diante das dunas.
E quem gosta de recanto primitivo, onde a civilização ainda não chegou, é enfrentar as estradas que levam à praia de Genipabu, de morros carecas, jangadas e coqueiros sobre as dunas.
COSTUMES E TRADIÇÕES
O folclore natalense é essencialmente português, ao lado de contribuições negras e indígenas.
Quem se der ao trabalho de pesquisar as origens das manifestações folclóricas nordestinas, como já o fizemos, em vários aspectos, constatará que setenta por cento das nossas tradições e costumes são de raízes lusas. Provérbios, adivinhas, cantigas de roda, superstições, contos populares, romances, cantigas de viola, autos e bailados, quase tudo é português em suas origens, embora com as adaptações e acréscimos da população nativa brasileira.
Sociedade de Danças Antigas e Semidesaparecidas Araruna, mais conhecida como Araruna, é um tradicional grupo de dança folclórica de Natal.
Durante a última guerra, sofremos influências dos norte-americanos, que aqui transitaram aos milhares. Influências na indumentária e expressões populares. Com o advento da televisão, claro, estamos sofrendo influências de todo o mundo. Muito mais do que tudo aquilo que, durante várias décadas, recebíamos por intermédio do cinema, rádio, jornais e revistas. Apenas um exemplo: Os jovens natalenses de hoje, moças e rapazes, não diferem, em coisa nenhuma, dos jovens do Rio e São Paulo. E a chamada geração “pra-frente”, de indumentária comum a homens e mulheres (unisex), – os rapazes de barba e cabelo longos, calças apertadas, sem bolsos, camisas de mil cores e sapatos enormes, cintos gigantescos. A linguagem dos jovens é algo inusitado para os mais velhos: “Estou grilado (apaixonado): E um pão (irresistível!): estou na fossa (triste): bacana (coisa boa, serve pra tudo), etc.
ATIVIDADES CULTURAIS
Antes da Universidade, as instituições de cultura de Natal se resumiam ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e à Academia Norte-rio-grandense de Letras, esta última fundada por Luís da Câmara Cascudo. Os jovens valores da época, não encontrando oportunidades para permanecer no Estado, estudavam noutras terras e logo depois de formados arribavam.
A Universidade teve o mérito de oferecer campo de trabalho para fixar a maior parte da mocidade norte-rio-grandense, hoje integrando, como professores e noutras funções técnicas, faculdades, institutos, escolas, clínicas e demais serviços.
“Miami Beach”, a praia preferida dos americanos em Natal, durante a Segunda Guerra.
A Escola de Música da UFRN prepara uma nova geração de músicos e professores e há crescente interesse dos jovens pela organização de conjuntos musicais, especialmente os da chamada “música-jovem”, na base de guitarras e ritmo, jovens compositores e instrumentistas estão aparecendo nos programas da TV-Universitária e espetáculos teatrais.
Em Natal, no aspecto musical, há curiosidade que poucos observam: Quase todos os jovens tocam ou acompanham o violão, alguns excelentemente. Casa sem violão, na cidade, não é frequentada por jovens: Daí a nossa surpresa, na Filadélfia, nos Estados Unidos, ao pedir um violão para matar saudades, e quase numa rua inteira de belo está bairro residencial, constatar que ninguém ali possuía uma só guitarra…
Aspecto também digno de relevo foi o aparecimento recente, em Natal, de uma floração de artistas plásticos. Os pioneiros foram Newton Navarro (pintor e desenhista) e Dorian Gray Caldas, (pintor e tapecerista). Com o surgimento de laponi Araújo (pintor ingênuo) e descoberta de Maria do Santíssimo (pintora primitiva) e Manxa (entalhador), dezenas de jovens artistas foram repontando, alguns de méritos incontestáveis.
Praia de Ponta Negra e as dunas onde atualmente se encontram os melhores hotéis de Natal, na área da Via Costeira.
Um trabalho de talha recente, de Manxa, na agência do Banco do Brasil em Natal, tomando toda uma grande parede, talvez de vinte metros, está sendo apreciado como obra monumental, tanto pelas proporções quanto pela expressão vigorosa e motivação de fontes populares.
No campo propriamente da arte popular, dois nomes ainda sobressaem na cidade: O de Xico Santeiro, escultor em madeira, já falecido, que espalhou Cristos e cangaceiros por centenas de residências e repartições públicas; e o de Luzia Dantas, eximia escultora. Esta última, residindo em Currais Novos, já influenciou a irmã, Ana Dantas, que também tem produzido peças de larga procura, pela singeleza de traços e sabor popular características das duas jovens artistas.
Ladeira do Sol.
CASCUDO
O papa e a meca da cultura norte-rio-grandense é São Luís da Câmara Cascudo e sua velha casa residencial.
Cascudo, aos 76 anos, já escreveu mais de cento e vinte livros e estudos, destacando-se como etnólogo, historiador, ensaísta, orador e conferencista. Professor universitário, hoje aposentado, tem horário certo para receber visitantes de todo o País, que o procuram para consultas, ou simplesmente conhecê-lo em pessoa.
Já teve mil convites para candidatar-se à Academia Brasileira de Letras, mas resiste heroicamente, alegando deficiência de audição e o incómodo das viagens ao Rio de Janeiro. E Cascudo é um caso raro no Brasil de escritor que se fixou na Província, realizando obra admirável sob todos os aspectos, razão por que recebeu de Afrânio Peixoto, faz tempo, o epíteto de “provinciano incurável”!
Luís da Câmara Cascudo
Sua residência, à Av. Junqueira Aires, destaca-se pela enorme biblioteca, acumulada em mais de 50 anos de atividades, além de obras de arte que foi adquirindo e recebendo dos principais artistas brasileiros e alguns estrangeiros.
Pessoalmente, Cascudo é um encanto e um demônio. Encanto pela simpatia envolvente com que sabe receber e conversar sobre todos os assuntos. Demônio de verve, graça, anedotas de toda natureza. Por isso, visitar Natal e não ver Cascudo, diz-se, é ir à Roma e não ver o Papa.
TURISMO
Nos últimos anos, o Governo do Estado e a Prefeitura de Natal criaram órgãos para desenvolvimento do turismo na cidade Já estão sendo restauradas velhas construções estando em andamento o aproveitamento de logradouros e recantos pitorescos.
Praça Kennedy, no centro de Natal, antiga Praça das Cocadas.
A infraestrutura já foi iniciada com a construção do Hotel Internacional dos Reis Magos, na Praia do Meio, Hotel Samburá, no centro da cidade. Há outros hotéis de categoria em construção e em projeto, como o que o grupo “Quatro Rodas” está construindo em Ponta Negra.
O artesanato (palha e madeira) e a arte popular norte-rio-grandense já podem ser adquiridos em casas especializadas, a preços módicos. Os apreciadores das danças populares podem deliciar-se com uma visita à Sociedade Araruna de Danças Antigas, nas Rocas, ou como o Conjunto “Asa Branca”, para conhecer o bambelô e o nosso coco de roda, sobrevivência negra na nossa cultura.
A simplicidade das antigas barracas da Praia de ponta Negra.
As casas de culto de umbanda, em vários pontos, também atraem os curiosos por conhecerem as peculiaridades da religião afro-brasileira. A maior festa popular da cidade ainda é a dos Reis Magos, a 6 de janeiro, em frente à capela do mesmo nome, nas Rocas. Os apreciadores do folclore poderão admirar o nosso Fandango (Nau Catarineta), os Congos, Pastoris, Lapinhas, Cheganças e outros folguedos que se exibem em palanque armado pela Prefeitura, em praça pública. Também podem bebericar e comer doces e comidas típicas nas barracas cobertas de palha, em torno da praça. São dois dias de festas consecutivos.
No Parque “Aristófanes Fernandes”, em Parnamirim, vez por outra, o visitante pode apreciar um dos espetáculos de competição esportiva mais violentos: A Vaquejada, consiste na derrubada do gado pela cauda. Grandes vaqueiros de todo o Nordeste ali sempre se encontram e os norte-rio-grandenses são os campeões absolutos desse esporte tradicional.
Foguete do tipo Sonda sendo lançado da Barreira do Inferno.
Na Barreira do Inferno, um pouco além de Ponta Negra, está localizado o campo de lançamento de foguetes da Aeronáutica, a primeira estação espacial brasileira. Além disso, foram desenvolvidos importantes projetos de exploração do espaço, inclusive com a cooperação de cientistas europeus e norte-americanos. A direção da Estação de Barreira do Inferno permite visitas às suas instalações, uma vez por semana.
*Veríssimo de Melo (9 de julho de 1921 — 18 de agosto de 1996) foi advogado, juiz, professor de Etnografia do Brasil da Faculdade de Filosofia de Natal e de Antropologia Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, além de jornalista.
A grande base de Parnamirim Field durante a Segunda Guerra Mundial – Fonte – NARA.
Rostand
Medeiros – Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte –
IHGRN
Na tarde da última quinta-feira, 14 de março de 2019,
ocorreu no prédio anexo da Procuradoria do Ministério Público Federal do Rio
Grande do Norte-MPF-RN, através da ação do seu Núcleo de Cidadania e Ambiental,
uma importante e interessante audiência extrajudicial com o objetivo de tratar
de assuntos pertinentes ao resgate, preservação e valorização do patrimônio
histórico existente em Natal e Parnamirim ligados ao período da Segunda Guerra
Mundial.
O Dr. Victor Manoel Mariz, Procurador Federal.
Essa reunião foi provocada pela positiva iniciativa do
amigo Ricardo da Silva Tersuliano, do Instituto dos Amigos do Patrimônio
Histórico e Artístico Cultural e da Cidadania-IAPHACC, que em 29 de agosto do
ano passado deu entrada no MPF-RN com um ofício solicitando a realização de uma
audiência para debater temas ligados ao período da Segunda Guerra Mundial.
Nesse documento, entre outras coisas, Ricardo sugeriu a criação de um
inventário do patrimônio histórico utilizado pelas forças militares
estrangeiras e brasileiras que se encontravam sediadas no Rio Grande do Norte durante
o conflito, a criação de uma possível rota histórico-turística abrangendo essas
edificações, além do tombamento e preservação desse patrimônio.
Em 15 de fevereiro de 2019 recebi um ofício do MPF-RN convidando-me
para participar dessa reunião, fato que me trouxe muita satisfação.
Da esquerda para direita Ricardo Tersuliano do IAPHACC, Leonardo Dantas da Fundação Rampa, o autor desse texto e João Hélio do SEBRAE.
Estiveram presentes o vereador Felipe Alves,
representando a Câmara de Vereadores de Natal, João Hélio Cavalcanti, Diretor
do Serviço de Apoio da Micro e Pequena Empresa do Rio Grande do Norte-SEBRAE,
Leonardo Dantas e Augusto Maranhão como representantes da Fundação Rampa,
Maximiniano Braga representando a Secretaria Municipal de Turismo, Hélio de
Oliveira da Fundação Cultural Capitania das Artes-FUNCARTE, Márcio Alekssander
como representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no
Rio Grande do Norte-IPHAN/RN, os comandantes Henrique Afonso e João Leal Neto
representando o 3º Distrito Naval da Marinha do Brasil, o coronel Tito Tavares
como representante da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército
Brasileiro, o major Cidney Paiva Ribeiro, a 2º tenente Rosa Célia Gonçalves e a
professora Grazielly dos Anjos Fontes representando a ALA-10 da Força Aérea
Brasileira, a Procuradora Estadual Majore Madruga representando a Procuradoria
Geral do Estado, além de Sérgio W. B. Paiva e Harryson Magalhães como
representantes da Fundação José Augusto.
Participantes.
A audiência foi presidida pelo Procurador Federal Victor
Manoel Mariz, que me pareceu uma autoridade do judiciário bastante centrado no
desenvolvimento do seu trabalho, além de interessado e preocupado com as
questões envolvendo o patrimônio histórico potiguar. Fato esse bastante
alvissareiro em uma terra onde eu tenho a impressão que tudo ligado a questões
sobre a sua própria história é tratado de forma irresponsável, desleixada e
secundária por muitas de suas autoridades.
Inicialmente o Dr. Victor Mariz ressaltou que o MPF-RN não pode interferir de maneira abrangente na execução de políticas públicas, mas informou que esse órgão tem a incumbência constitucional de fomentar o debate e instar o Poder Público a adotar medidas voltadas a conferir proteção aos valores históricos e culturais.
Na sequência o Procurador Federal apontou duas questões que para ele estavam bastante claras: a enorme importância histórica da região de Natal e Parnamirim em relação a história da Segunda Guerra Mundial e o descaso do Poder Público no tocante a valorização e ao resgate da memória desses fatos. Finalizou seus apontamentos iniciais comentando que o objetivo daquela reunião era provocar a ação dos atores interessados nesse tema, que permitisse promover o resgate desse patrimônio histórico, bem como sua valorização.
Depois ocorreram várias manifestações dos presentes, das
quais separei as que eu considero as mais relevantes, além da minha própria
manifestação perante o Procurador Federal.
Ricardo Tersuliano, do IAPHACC, comentou que o motivo
que levou a sua instituição a provocar o MPF-RN foi a percepção que Natal e
Parnamirim estão perdendo de maneira célere as suas respectivas identidades
históricas em relação à importância que tiveram durante o período da Segunda
Guerra. Para ele não existe até o presente momento ações concretas destinadas
ao resgate e a preservação desse importante patrimônio histórico.
Já a Procuradora do Estado Majore Madruga comentou que tem visualizado a subutilização do patrimônio histórico do Estado do Rio Grande do Norte, notadamente no âmbito das atividades turísticas. Acrescentou que é preciso conhecer quais das edificações que foram importantes para a época, saber o estado que se encontram e adotar as medidas necessárias para evitar possíveis demolições.
Procuradora do Estado Majore Madruga e o Dr. Victor.
Os representantes da Fundação Rampa Leonardo Dantas e
Augusto Maranhão informaram que essa entidade vem desde 2008 realizando estudos
sobre a Segunda Guerra e promovendo ações como o resgate do passeio de Jeep
realizado por Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt por Natal e ocorrido em
janeiro de 1943. Esse resgate é realizado através de uma interessante encenação
histórica pelas ruas da cidade.
Tripulação de um avião da marinha norte americana do tipo PB4Y-1 LIBERATOR, do esquadrão VPB-107, com base em Natal, Rio Grande do Norte, que patrulhava e caçava submarinos na costa brasileira.
Já João Hélio Cavalcanti, Diretor do Serviço de Apoio da
Micro e Pequena Empresa do Rio Grande do Norte-SEBRAE-RN, informou que esta
entidade está trabalhando há quatro anos na elaboração de um projeto que tem
como tema a importância de Natal no cenário histórico da Segunda Guerra e visa
a criação de uma rota turística, onde tanto a Governadora do Estado quanto o
Prefeito de Natal tem conhecimento desse projeto.
Como escritor, pesquisador e sócio efetivo do Instituto
Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte-IHGRN, eu tive a oportunidade de
compartilhar minhas experiências com estudos e pesquisas sobre a Segunda Guerra
Mundial no meu estado.
Aproveitei a ocasião para ressaltar o positivo trabalho
realizado na cidade de Mossoró em relação ao resgate da memória histórica da
resistência cívica, efetuada pela sua população em 1927 contra o ataque do bando
de cangaceiros de Lampião. Apontei a importância das ações em prol desse projeto
e da existência do conhecido Memorial da
Resistência como um local que ajudou e vem ajudando a população mossoroense
a ampliar a percepção relativa a esse episódio e, consequentemente, valorizar a
história da sua cidade.
´Memorial da Resistência, um exemplo de como Mossoró preserva a memória do ataque de Lampião d um exemplo para Natal e Parnamirim.
Como muitos dos presentes afirmaram nessa reunião, eu
também endossei que pouco tem sido feito para resgatar e preservar a memória da
Segunda Guerra em Natal e Parnamirim, um momento histórico tão intenso e
importante dessas duas cidades. Mas na minha fala igualmente eu fiz questão de
enaltecer que é primordial a criação de um memorial da Segunda Guerra Mundial
em Natal. Como vários comentaram nessa reunião, igualmente apontei que
certamente o melhor local para existir esse espaço é o prédio histórico da
Rampa, com a sua utilização sendo administrada pela Fundação Rampa.
Não tenho dúvidas que a existência desse espaço será de
suma importância para ampliar o conhecimento e a própria valorização sobre esse
tema que, mesmo de forma limitada, é referenciado por uma grande parcela da
população potiguar.
Inclusive informei situações e problemas pela não existência
de um local de memória especializado no período da Segunda Guerra no Rio Grande
do Norte e a minha atuação profissional junto ao turismo potiguar. Citei como exemplo
que durante o período de grande fluxo de turistas estrangeiros ao Rio Grande do
Norte, ocorrido entre o final da década de 1990 e início da década seguinte,
quando então desenvolvia atividades laborais como Guia de turismo cadastrado
pela EMBRATUR e atendia visitantes oriundos da Península Ibérica, após relatar com
detalhes as histórias relativas a Segunda Guerra na nossa região, em algumas ocasiões
fui cobrado a apresentar os locais históricos citados, ou algum museu que
mostrasse com detalhes o período. Essas situações me causaram constrangimento
junto a esses turistas, por ter pouco a apresentar e a inexistência de um museu
especializado para a realização de visitas.
Ainda durante a minha fala trouxe para o Dr. Victor
Mariz a informação que em junho de 2015 o Dr. João Batista Machado, então
Promotor de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte, na época titular da 41ª
Promotoria de Justiça da Comarca de Natal, me solicitou a elaboração de um
relatório preliminar sobre os locais utilizados pelas forças militares
norte-americanas que se encontravam estacionados em Natal durante a Segunda
Guerra Mundial. Como resultado desse relatório o Dr. João Batista decidiu
organizar uma visita a esses locais, o que efetivamente ocorreu no dia 20 de
junho de 2015. Participaram dessa visitação membros do Ministério Público
Estadual, do IAPHACC, outras entidades e convidados.
Convite da 41ª Promotoria de Justiça da Comarca de Natal para a realização das visitas aqui comentadas.
Quando da elaboração do documento apresentado ao
Ministério Público Estadual encontrei na bibliografia e fontes existentes a
referência de 32 locais utilizados em Natal. Mas como o relatório focava nos
pontos utilizados pelos norte-americanos eu listei e detalhei então 17
edificações, as quais foram efetivamente visitadas em 20 de junho de 2015. Quanto
aos outros 15 locais os mesmo não foram visitados por não terem sido inseridos
no relatório, em razão de possuírem utilizações históricas diversas da focada
no objetivo solicitado.
Comprovante da entrega do relatório de 2015.
Por determinação do Dr. Victor Mariz, como uma das
deliberações finais dessa reunião, coube a mim e ao amigo Leonardo Dantas ampliar
o relatório que entreguei ao Ministério Público Estadual em 2015, coletando
todas as informações disponíveis sobre as 32 edificações consideradas
interessantes para a época histórica pesquisada. Isso não impede que outros
locais sejam apontados como importantes para aquele período histórico e sejam
acrescentados a esse novo relatório. Igualmente foi solicitado a outros
representantes das entidades presentes na reunião o cumprimento de outras
deliberações.
“Sobrevoo-Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”, meu quinto e mais novo livro, que faz parte da “Coleção A Participação do RN na Segunda Guerra Mundial”, material que contou com o apoio do SEBRAE-RN para sua elaboração, através do Edital Economia Criativa 2018. Esse livros será lançado no dia 2 de abril de 2019, na sede do SEBRAE de Natal, junto com os livros dos amigos Leonardo Dantas e José Correia Torres Neto.
Acredito que essa reunião foi extremamente positiva, bem como positiva é a ideia do MPF-RN de provocar a ação dos atores interessados nesse tema. Talvez os desdobramentos desse momento possam promover o resgate desse patrimônio histórico, bem como sua valorização. Fico na torcida para que tudo funcione corretamente.
No nariz de um PBSY-1 LIBERATOR, em meio a uma pintura de mulher, conhecida como “pin-up art”, o nome da cidade potiguar de Macaíba, escrito na forma antiga.
Entretanto não tenho muitas ilusões sobre uma possível
atuação de maior relevância do Poder Público nesse caso. Apesar desse tema ser
de alta relevância para a história e memória potiguar, devido a continuada omissão
desse mesmo Poder Público, creio que eu tenho direito a não ter ilusões.
As coisas pedem para ser escritas. Insistem por caminhos variados. Eu não tenho outro jeito senão obedecer. No sábado (04/03), o poeta Oreny Júnior me enviou um WhatsApp. Queria saber se eu tinha determinados números da revista Preá para completar a coleção dele. Respondi-lhe que não. Fui doando e fiquei sem nenhuma. Ou melhor, tenho duas lançadas recentemente.
Da esq. para a dir. Anchieta, Érico, eu e Gustavão pelas estradas do RN à procura de boas histórias para contar
No dia 20 de fevereiro, meu aniversário, o jornalista Gustavo Porpino me enviou uma foto em que aparecem eu, ele, Anchieta Xavier e Érico Alves. Eu era o editor da revista, Gustavo o subeditor e repórter, Anchieta o fotógrafo e Érico o motorista. Raríssimo registro da gente em ação.
No emaranhado de pessoas e grupos do Whats eu só vi a foto neste domingo (05/03). Vasculhando o aplicativo, dei com a mensagem de Gustavo. Entrei em contato com ele na hora para agradecer a lembrança e falamos sobre a revista.
Pedi para ele escrever sobre a aventura que foi trabalhar na Preá, revista de cultura criada pelo então presidente da Fundação José Augusto, François Silvestre, em 2003. Foi mesmo uma aventura e tanto. Com uma equipe reduzida, recursos parcos e uma burocracia sinistra, era uma luta botar a revista na rua, primeiro trimestralmente e depois bimestralmente. Periodicidade cumprida religiosamente. Às vezes, milagrosamente.
Mas conseguíamos graças à determinação de François, que uma vez chegou a pagar do próprio bolso gasolina para abastecer o carro velho da Fundação José Augusto que nos levaria ao interior para reportagem. Cito apenas esse exemplo para mostrar que esse era o espírito da coisa. Fazíamos na marra mesmo e tinha muito amor envolvido no projeto.
Eu não conhecia François, Gustavo ou Anchieta. Quer dizer, François não me era desconhecido. Uns anos antes eu tinha malhado um poema dele incluído em coletânea organizada por Manoel Onofre, numa coluna sobre livros na Tribuna do Norte.
Então, eu era o nome menos provável, pelo menos para mim, para fazer parte de uma equipe comandada por François. Não tanto pelo episódio do poema, mas por vir da gestão passada (Woden/Garibaldi), num contexto de forte disputa política.
E de fato, o nome para a Assessoria de Imprensa já estava escolhido pelo gabinete da governadora Wilma de Faria, tratava-se de uma colega que já tinha trabalhado com Wilma na prefeitura. No entanto, François conseguiu sustar a nomeação e me indicou. Somente depois tomei conhecimento que acumularia a Assessoria com a editoria da revista.
Fomos à luta e fizemos uma revista que marcou época. Entrevistas com Fernando Morais, Ariano Suassuna, Nei Leandro, Antônio Francisco, Vingt-um Rosado, Glorinha Oliveira, ensaios fotográficos e capas de Giovanni Sérgio, Marcelus Bob, Henrique José, Anchieta Xavier. Reportagens sobre a cultura nos municípios e sobre figuras como Oswaldo Lamartine, Raimundo Soares de Brito, Roberto Furtado, Osório Almeida.
Foi uma bela aventura. Mas na foto citada acima, deveria aparecer mais gente. Como o próprio François e o diagramador Lúcio Masaaki, as meninas do Gabinete, Aninha, Dulcineide, Socorro, que cuidavam da distribuição, os colaboradores. O que quero ressaltar é que a revista foi resultado de um trabalho coletivo, todos imbuídos das melhores intenções e por isso deu tão certo.
Só tenho ótimas lembranças e saudades daquele tempo. Infelizmente, Érico, o motorista, para quem não tinha tempo ruim, muito ligado a Gustavo, faleceu há alguns anos.
P.S – Esses 15 anos da REVISTA PREÁ merece muito ser comemorado. Em setembro de 2008 eu fiquei muito feliz com a aceitação por parte do pessoal da redação de um texto que criei sobre uma visita que realizei na Gruta dos Tapuias, na zona rural do município de Santana do Matos. A matéria saiu na edição de Outubro/Novembro do mesmo ano e certamente aquela publicação me deu muita vontade de continuar escrevendo sobre História. Consequentemente aquilo tudo muito me ajudou no desenvolvimento dos meus quatro livros e do nosso blog TOK DE HISTÓRIA. Parabenizo o jornalista Tácito Costa e sua equipe pela luta na criação deste valioso material, que vai servir no futuro para entender estes tempos complicados que estamos vivendo. Valeu mesmo!
Ele foi pintor, escultor, tapeceiro, poeta, membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras e muitas outras coisas. Mas para mim, pelo pouco que o conheci, guardo na minha memória a visão de uma homem muito simples, tranquilo, trabalhador e que sempre se apresentou como alguém de bem com a vida!
Na minha adolescência, na época que a minha família possuía uma casa de veraneio na praia de Búzios, muitas vezes vi “Seu Dorian” percorrendo a praia pela manhã, bem cedinho, acompanhando os pescadores que traziam suas redes do mar. Guardo a imagem do artista circulando descalço, de bermudas cáqui, camisa azul clara de botão, cabelos brancos desalinhados pelo vento do litoral, com um bloquinho e um lápis na mão. Sem alardes e nem estrelismos Seu Dorian circulava entre os homens do mar e seus troféus, enquanto sua mente desenvolvia alguns esboços.
Eu vi uma vez alguns destes desenhos e na mesma hora eu respeitei muito a sua capacidade de reproduzir artisticamente o que ele via. Sabia que ele era um conhecido e respeitado pintor, mas naquele momento me pareceu que era apenas alguém que queria registrar as cenas do cotidiano de uma tranquila praia ao sul de Natal.
Em outra ocasião, por alguma razão que não me recordo, eu estava na sua casa em Búzios e vi três belíssimas e coloridas pinturas. Eram feitas em pequenos cartões retangulares e Seu Dorian percebeu que aquele belo material chamou a minha atenção. Com uma calma e tranquilidade magníficas, me explicou como ele pintou aqueles cartões e que eram esboços para um possível grande painel, que talvez fosse realizar em Fortaleza em uma instituição bancária. Nunca soube se Seu Dorian realmente conseguiu pintar este painel, mas pelo colorido e pelas formas magnificas existentes naquelas pinturas, aquilo nunca saiu da minha memória.
Para algo assim me chamar atenção naquela época, tinha de ser realmente muito belo, diferente, intenso e chamativo. E nem tente me reprimir meu caro leitor, pois eu estava em plena juventude, vivendo intensamente aqueles loucos anos 80. E estando em Búzios eu só gostava mesmo de namorar, está na beira da praia batendo bola, ou mergulhando com um arpão atrás de peixes nas transparentes águas da enseada daquela linda praia.
Dorian Gray Caldas nasceu no dia 16 de fevereiro de 1930, em Natal, sendo filho de uma família tradicional, com parentes que desenvolviam trabalhos artísticos. Sua primeira exposição foi realizada em 1950, junto com os pintores Newton Navarro e Ivon Rodrigues, todos eles organizadores do 1º Salão de Artes Plásticas de Natal.
Já como um contumaz leitor de jornais antigos eu descobri como este evento foi marcante na história da arte potiguar no Século XX.
A sua escultura na Praça das Mães foi extremamente festejada na época de sua inauguração, em 8 de maio de 1960, chamando muita atenção na cidade. A obra foi executada na gestão do prefeito José Pinto Freire, com Dorian Gray produzindo a estátua que representava a mãe potiguar. Na época já existia no local, ao lado da antiga sede do Tribunal de Justiça, uma praça, ou “square”, como se dizia na época. Ali repousou primitivamente o busto de bronze de Pedro Velho, o fundador da República no Rio Grande do Norte e obra do escultor Corbiniano Vilaça, sendo este retirado e levado para a atual Praça Pedro Velho.
O Rio Grande do Norte deve muito a Dorian Gray não apenas pelo desenvolvimento de sua arte, mas igualmente pela sua atuação em prol da cultura potiguar. Ele muito batalhou pela criação do Conselho Estadual de Cultura, instalado em dezembro de 1961. Dorian Gray foi, junto com o escritor Manoelito de Ornelas e o então Governador Aluízio Alves, um dos oradores na cerimônia de instalação desta instituição. Neste mesmo ano lançou seu primeiro livro, intitulado “Instrumento de Sonho”.
Participou de varias exposições individuais e coletivas, em sua cidade e pelo Brasil. Os jornais comentaram após seu falecimento que ele produziu mais de 10.000 obras entre pinturas a óleo, gravuras, bicos-de-pena, desenhos, painéis, tapeçaria e escultura. Informaram também que seu talento artístico foi reconhecido internacionalmente.
Fonte – Lívio Oliveira
Dorian Gray atuou como assessor da secretaria estadual da cultura do Rio Grande do Norte (1967-1968) e da Fundação José Augusto (1974) e foi diretor do Teatro Alberto Maranhão (1967-1968). Em 1989 publicou o livro “Artes Plásticas do Rio Grande do Norte 1920—1989”.
A cultura do Rio Grande do Norte sofre com a morte deste homem uma perda irreparável. Acredito que o exemplo de Seu Dorian como artista, o seu dinamismo, seu sentido inovador e sua humildade, é algo raro de se observar hoje em dia entre os que produzem cultura em terras potiguares.
Recebendo da Governadora Rosalba Ciarline a Medalha do Mérito Cultural Professor Deífilo Gurgel – Foto – Eduardo Alexandre Garcia
A Secultrn/FJA realizou nesta quarta-feira, 17 de dezembro de 2014, a solenidade de Outorga da Medalha do Mérito Deífilo Gurgel, às 18h, no Salão Nobre do Teatro Alberto Maranhão. O mérito tem por objetivo reconhecer e valorizar o trabalho de pessoas que se destacaram na salvaguarda da cultura de tradição.
O Mérito Deífilo Gurgel foi criado em 2013, durante as festividades do 3º Agosto da Alegria. O maior homenageado da solenidade da Medalha é o próprio Deífilo Gurgel, que dedicou anos de sua vida à pesquisa e promoção da cultura popular do Rio Grande do Norte.
Deífilo foi diretor de Promoções Culturais da Fundação José Augusto e presidente da Comissão Norte-rio-grandense de Folclore, além de ter lecionado a cadeira folclore brasileiro na UFRN, por 12 anos. Ele se orgulhava de ter “descoberto” a romanceira D. Militana, de São Gonçalo do Amarante, o mamulengueiro Chico Daniel e o mestre Manoel Marinheiro. Publicou vários livros sobre folclore.
Nesta 2ª edição da entrega da medalha, foram homenageados 12 nomes da cultura potiguar, entre artistas, estudiosos, gestores, pesquisadores e instituições, em cerimônia com a presença da Governadora do Estado Rosalba Ciarlini e da Secretária Extraordinária de Cultura Isaura Rosado.
Entre os homenageados estão Cláudio Augusto Pinto Galvão, historiador e gestor público; Carlos André Lopes, cantor, compositor e produtor artístico; Gibson Machado Alves, professor, pesquisador e produtor cultural; Maria das Graças Cavalcante, presidente da Associação Potiguar do Teatro de Bonecos (APOTB); Tião Oleiro, mestre de Congo (Dança Popular); Paulo de Medeiros Gastão, pesquisador e idealizador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC); Rostand Medeiros, escritor e guia de turismo; Racine Santos, dramaturga, fundadora a Associação dos Dramaturgos do Nordeste. Ricardo Elias Ieker Canella, professor, doutor e pesquisador na área de culturas populares; e Roberto Lima, poeta, compositor e escritor. Na categoria Instituição, a homenagem vai para o Programa Biblioteca Para Todos, e na homenagem aos Brincantes, o Pastoril Dona Joaquina receberá a medalha de mérito.
Programação segue às 19h, nos jardins do TAM, onde será lançado o livro Royal Cinema – Uma Valsa Centenária, de Claudio Galvão, nº 64 da Coleção Cultura Potiguar, com encarte de um CD da Valsa Royal Cinema, cuja renda será revertida para a Liga Norte-rio-grandense Contra o Câncer. Apresentações artísticas começam às 20h, com o espetáculo Quebra-Nozes da Cia. de Dança do Teatro Alberto Maranhão e Concerto da Orquestra Sinfônica do RN.
Apertando a mão da Secretária Extraordinária de Cultura Isaura Rosado, junto com o sub-secretário de agricultura do governo potiguar e ex-prefeito de Carnaúba dos Dantas, Valdenor Euclides
Muita honra receber esta medalha ao lado de um homem que para mim é um verdadeiro gênio – O Professor Claudio Galvão.
Junto a Iaperi Araújo, escritor, pesquisador e Presidente do Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte
Aqui com o amigo Haroldo Pinheiro Borges, grande figura, grande simpatia, escritor de mão cheia e pesquisador de primeira.
Com os velhos amigos Ricardo Sávio Trigueiro de Morais e Solon Almeida Netto.
Con mi gran amigo de Argentina, una gran persona y un estudioso de la historia de la Segunda Guerra Mundial. Gracias por su participación en este evento German Zaunseder.