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BRASIL TEVE O MAIOR PARTIDO NAZISTA FORA DA ALEMANHA

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Reprodução da capa de revista Der Nationalsozialist, periódico do Partido Nazista

Estima-se que existiram 2,9 mil filiados ao partido em 17 estados brasileiros

Apesar de o Brasil não ter aderido ao nazismo – e lutar contra ele junto aos aliados na Segunda Grande Guerra –, um grupo de alemães que morava no país cultivou as ideologias propostas por Adolf Hitler. Essas pessoas ajudaram, inclusive, a colocar o Füher no poder em 1933.

Calcula-se que chegaram a 2,9 mil os filiados ao Partido Nazista Brasileiro. Mesmo se tratando de um partido, ele não almejava nem concorrer a eleições nacionais, nem ser registrado na Justiça Eleitoral do Brasil. Por este motivo, o presidente Getúlio Vargas e os governadores locais não se importaram com sua fundação, pelo contrário, eram simpatizantes, até mesmo participaram de festividades nazistas. O partido existiu em 83 países, mas, no exterior, foi justamente no Brasil onde teve mais repercussão. “Sua expressividade foi maior, inclusive, do que em países como a Áustria e a Polônia, que estavam sob a tutela do 3.º Reich”, afirma a professora de História da Universidade Federal do ABC Ana Maria Dietrich.

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Fundação

Um documento mostra que foi em Santa Catarina, na cidade de Timbó, em 1928, que o partido foi fundado no país. O estado, porém, teve um número menor de filiados (528) do que São Paulo (785). No Paraná, o partido foi o quinto maior (com metade dos filiados em Curitiba). Segundo o Censo da época, havia 12 mil alemães natos no estado, dos quais menos de 2% eram filiados. “Os nazistas do Paraná, do ponto de vista institucional, não se reportavam diretamente à Alemanha. Acima estava o Landesgruppe (com sede em São Paulo) e este, por sua vez, se reportava à Auslandsorganisation (Organização do Partido Nazista para o Exterior), em Berlim”, explica o historiador Rafael Athaides, que acaba de lançar o livro O partido nazista no Paraná (Editora UEM, R$ 50 com frete).

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Na foto, crianças alemãs da cidade de Presidente Bernardes (SP) fazem a saudação a Hitler, na década de 1930

Comunidade alemã

A explicação para o partido nazista ter sido bem sucedido por aqui está diretamente relacionada com a extensa comunidade alemã do Brasil – eram cerca de 230 mil – que migraram, sobretudo para São Paulo, na década de 1920, quando a Alemanha de Weimar estava em crise e havia a busca por melhora na vida econômica.

Assim como na Alemanha, o partido nazista brasileiro pregava a superioridade de certas raças, combatia o comunismo, fomentava o repatriamento de alemães (muitos retornaram, após receber um financiamento) e, graças ao partido, os alemães daqui também puderam votar em Hitler para assumir o poder na Alemanha em 1933. “O Füher também financiou atividades nazistas nas empresas alemãs instaladas no país”, conta Ana.

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No Paraná, segundo Athai­­des, a atuação do partido foi barulhenta. “Se fez sentir, sobretudo, nos indivíduos da comunidade germânica do estado. Os nazistas se sentiam no direito de se portar como administradores das entidades germânicas locais ”, afirma. É claro que, para fazer parte do partido, era preciso ser alemão de nascimento (os descendentes não eram bem-vindos). Os partidários, de certa forma, também sabiam que o nazismo não era apenas uma reviravolta na economia alemã – que cresceu e quase zerou o desemprego –, mas, acima de tudo, era violento e exterminador.

Dentre as organizações vinculadas ao Partido Nazista Brasileiro, uma delas era a Juventude Hitlerista. “O discurso de Hitler era o de investir em crianças e jovens, porque, dizia ele, os velhos estavam gastos”, afirma a historiadora Ana Maria Dietrich. As crianças alemãs que viviam no Brasil cantavam hinos nazistas, celebravam o aniversário de Hitler e faziam saudações a ele. O Füher pediu a introdução da disciplina de eugenia nas escolas. As crianças aprendiam, entre outras coisas, que não podiam se miscigenar. Os professores das escolas alemãs do Brasil foram orientados a ensinar às crianças segundo os ideários do 3º Reich. 

Amazônia seria alvo de alemães

Existem diversas especulações de que os nazistas pretendiam criar uma área alemã no Brasil, mas historiadores descartam a hipótese porque esta intenção política nunca foi documentada. Na verdade, segundo historiadores, isso não passa de confusão.

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Primeiro porque existiu uma expedição de alemães, patrocinada por nazistas, de 1935 a 1937, à Amazônia. “Na verdade, estas expedições de reconhecimento de território eram comuns à época. A questão é que um dos integrantes morreu durante o caminho e o enterram lá com uma cruz que existe até hoje”, afirma a historiadora Ana Maria Dietrich. A cruz, que tem uma suástica, é explorada como atração turística no Amapá.

O historiador Rafael Athaides lembra que a ideia de que os nazistas “agiam sorrateiramente para conquistar o Sul do Brasil é uma falácia veiculada pela mídia durante a Segunda Guerra Mundial.”

“Esse mito de ‘perigo alemão’ serviu durante o Estado Novo (1937–1945) por dois motivos”, diz Athaides. Um deles, o projeto nacionalista varguista, que via nos alemães uma ameaça nacional; outra, a aproximação do Brasil com os Estados Unidos durante a Segunda Guerra, que resultou em benefícios econômicos ao país, mas criou a necessidade de rompimento com a Alemanha.

Atualidade

Outra confusão que costuma acontecer é associar as ações dos neonazistas (de hoje) com a comunidade alemã e o nazismo histórico. Athaides acredita que é pouco provável que exista qualquer ligação. “Basta fazermos um levantamento do perfil dos indivíduos presos por atividades neonazistas. Nenhum deles é descendente dos nazistas históricos”, diz, antes de completar em seguida. “Os neonazis são, em geral, jovens, desprovidos de referencial identitário e que manipulam os signos do nazismo no mundo.” (PM)

Fonte – http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/brasil-teve-o-maior-partido-nazista-fora-da-alemanha-cf8zq3aco0zap6q9928osdzym

P.S. – Algumas fotos possuem função meramente ilustrativa.

Fonte das fotos – http://historia.newsweek.pl/odpowiedzialnosc-niemcow-za-ii-wojne-swiatowa-spoleczenstwo-niemieckie-ii-wojna-swiatowa,artykuly,371716,1.html

CORREIO AÉREO NACIONAL – CAN, EM 1971

Observação – Ao clicar no termo “You Yube”, no canto direito da tela acima, você assiste este material com melhor qualidade.

Autor – Rostand Medeiros

Esta é para aqueles que gostam de aviação histórica. Filmagens realizadas em 1971 do CAN – CORREIO AÉREO NACIONAL, da FAB, com antigas aeronaves PBY Catalina e C-47 em operações na Amazônia, no transporte de passageiros e assistência as tribos indígenas. Apesar da propaganda tipicamente ufanista do período do Regime Militar, meu foco é trazer as imagens históricas destas aeronaves.  A voz é do inconfundível locutor Adir José “Alberto” Curi, da Agência Nacional e Rádio Jornal do Brasil. Já as filmagens ficaram a cargo do cineasta Renato Neumann, fotógrafo nos filmes: “Caso Claudia” de Miguel Borges, “Fogo Morto” de Marcos Ney Farias e “Batalha dos Guararapes” de Paulo Thiago, trabalhou na montagem de “Mar Corrente” de Luis Paulino dos Santos. Neumann também dirigiu vários documentários como “Roberto Burle Marx” e “Lapa 67”, entre outros. Material do Arquivo Nacional.

GUERRA DO BRASIL É NA FRONTEIRA

No ano passado, foram localizadas 60 pistas clandestinas na Região Norte; as de maior risco foram destruídas pela FAB- Johnson Barros / FAB
No ano passado, foram localizadas 60 pistas clandestinas na Região Norte; as de maior risco foram destruídas pela FAB-Johnson Barros / FAB

Para agências de análise estratégica, o inimigo regional é o crime organizado 

Roberto Godoy – O Estado de S. Paulo

Depois de dois dias de chuva fina e neblina, finalmente um sábado de sol, céu sem nuvens – os três aviões de ataque, Super Tucanos, decolaram quase simultaneamente da base em Boa Vista, capital de Roraima, dois deles levando duas bombas de 230 quilos. Monitorados eletronicamente desde Manaus, distante 700 quilômetros, os turboélices do Esquadrão Escorpião faziam um voo manso, ajustando as coordenadas do alvo, a 218 km: uma faixa de terra rasgada no meio da selva; 300 metros de extensão por 15 de largura que recebia, para pouso e decolagem, aviões de traficantes de armas e drogas. Os A-29 da FAB entraram na aproximação final a 1.200 metros e, no momento do lançamento, faziam um mergulho a 600 metros. As bombas atingiram a pista a 550 km por hora, abrindo crateras de 10 metros de diâmetro por 3,5 m de profundidade.

Super Tucano bombardeia pistas de tráfico- Johnson Barros/ FAB
Super Tucano bombardeia pistas de tráfico-
Johnson Barros/ FAB

O terceiro Super Tucano do grupo registrou toda a operação – mas tinha outra missão, mais delicada, de escolta armada, com metralhadoras .50, durante o tempo de bombardeio. Havia a possibilidade de que os quadrilheiros, cada vez mais ousados, disparassem contra os aviões militares.

O plano de ação de guerra e o cuidado com a segurança são justificados. A inteligência das Forças Armadas localizou em junho de 2013 ao menos 60 pistas irregulares, sete delas próximo das linhas de fronteira com a Colômbia e o Peru. As gangues mantêm o tipo de facilidades na Bolívia. O procedimento segue um padrão: pasta de coca e outros produtos, os eletrônicos principalmente, são trocados por armas ou apenas vendidos nesses pontos. Parada rápida e nova decolagem na direção de conexões em países de vigilância frágil, como o Suriname, ao norte.

Aviões intrusos devem usar frequência de rádio especial; o jato E-99 (foto) controla o espaço aéreo brasileiro- Johnson Barros/FAB
Aviões intrusos devem usar frequência de rádio especial; o jato E-99 (foto) controla o espaço aéreo brasileiro-Johnson Barros/FAB

A principal ameaça à segurança e defesa dos países da América Latina e Caribe é o crime organizado de grande envergadura que envolve tráfico de drogas, contrabando de armas e de componentes eletrônicos, sequestro e a ação de piratas e dos traficantes de pessoas. Segundo o Instituto de Estudos Estratégicos de Londres, o Brasil reage a essa situação. Mantém as Forças Armadas mobilizadas e atua nas fronteiras com emprego de tropas e equipamentos em condição de combate. Está preparando duas grandes blindagens tecnológicas: o Sisfron, que deve fechar as fronteiras, e o SisGAAZ, a rede que cobrirá o Atlântico na proporção de 4,5 milhões de km², equivalente ao território do oeste da Europa. Ambos os sistemas serão feitos em etapas ao longo de dez anos e vão exigir, conjuntamente, algo como R$ 20 bilhões.

Helicóptero AH-2, usado pela FAB durante operações na fronteira- Johnson Barros/ FAB
Helicóptero AH-2, usado pela FAB durante operações na fronteira-
Johnson Barros/ FAB

Só nas sete Operações Ágata, realizadas de agosto de 2011 a junho de 2013, os efetivos empregados chegaram a 76 mil, inclusos aí os agentes civis. O resultado: cerca 12 toneladas de drogas apreendidas, duas pistas de pouso destruídas, armas e munições recolhidas em larga escala.

O inimigo, todavia, ganha poder. O Estado teve acesso a um documento do Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos que destaca: as corporações criminosas como os Zetas, os Cavaleiros Templários II e o Cartel de Jalisco Nova Geração – todos de origem no México, mas com ramificações comprovadas na América Central – estão adquirindo capacidades paramilitares.

Recebem bom treinamento de mercenários. Já seriam capazes de se organizar em pelotões de 20 a 60 homens, ou em companhias de até 250 ‘corazón hermanos’, chefiados pelo equivalente a um capitão. Combinados com o grupo Mara Salvatrucha, de El Salvador, e o Comando Rojo, da Guatemala, responsáveis por, talvez, mais 900 outras gangues associadas, teriam um quadro estimado entre 70 mil e 200 mil militantes. “Eles avançam inexoravelmente rumo à América do Sul, olhando os grandes mercados, trabalhando como empresários, mas devastando tudo como gafanhotos”, analisa o pesquisador Martin Rames, da Universidade Autônoma do México.

Helicóptero de ataque da FAB, de fabricação russa,  participa da defesa aérea na Amazônia- Johnson Barros/FAB
Helicóptero de ataque da FAB, de fabricação russa, participa da defesa aérea na Amazônia-Johnson Barros/FAB

O professor Gunther Rudzit, especialista em segurança internacional e coordenador das Faculdades Rio Branco, concorda: “A visão é em parte correta, pois o poder desagregador e corruptivo do narcotráfico, por exemplo, é muito grande – há necessidade de combatê-lo como principal ameaça à segurança nacional”. Gunther destaca o fato de “não haver duas coalizões, uma de governos contra o crime, e outra, das organizações marginais, se enfrentando”.

É apenas questão de tempo, acredita o mexicano Rames: “O pior cenário contempla a ascensão intencional de um governo proscrito, em um Estado nacional vulnerável, facilitando atos ilícitos”.

Piratas

O governo brasileiro considera pirataria os atos cometidos em alto mar ou fora da jurisdição de um país. Os assaltos e saques havidos na Amazônia e no litoral são tratados como crimes comuns.

Detalhe da aeronave Super Tucano, o A-29, usado pela FAB- Paulo Marques / FAB
Detalhe da aeronave Super Tucano, o A-29, usado pela FAB-
Paulo Marques / FAB

Todavia, os “ratos d’água” preocupam o Comando da Marinha, que reconhece ocorrências em localidades como Comunidade do Perpétuo Socorro, em Manaus, Jesus Ressuscitado, no Careiro da Várzea, em São José do Amatari e Nossa Senhora da Conceição, em Itacoatiara; nos municípios de Santo Antonio do Içá e Coari, no Amazonas, além da região dos Estreitos e Gurupá, no Pará.

Navios, aviões, helicópteros, tropas especializadas e ações conjuntas de fiscalização participam de iniciativas de controle de área. A mais recente, em fevereiro, mobilizou 30 mil militares durante seis dias – fiscalizou 8.159 embarcações e apreendeu 239.

Fonte – http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,guerra-do-brasil-e-na-fronteira,1141267,0.htm

OS VERDADEIROS HERÓIS ESQUECIDOS – OS SOLDADOS DA BORRACHA

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Autor – Ricardo Lavecchia – Pesquisador paulista sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial e responsável pelo blog Ecos da Segunda Guerra (http://segundaguerra.net/)

Quando falamos sobre o Brasil na Segunda Guerra Mundial, logo vem à cabeça os ataques a Monte Castelo e Montese na Itália, ou os ataques dos submarinos alemães a nossa marinha mercante em nossa costa. Mas o que muitos não sabem, e sinceramente eu até poucos dias também não sabia, é que aqui em nosso território, de baixo de nosso nariz, alistaram mais de 50 mil brasileiros no esforço de guerra, os chamados “Soldados da Borracha”.

Durante a Segunda Guerra Mundial a utilização de borracha em material bélico era essencial, e com a utilização em automóveis e demais aparelhos o consumo era muito alto. Nessa época os americanos tinham um estoque razoável, mas com o avanço nipônico na Ásia onde os ingleses tinham grandes concentrações de extração de borracha, causou um colapso mundial. Sendo assim os planejadores militares tiveram que arrumar alternativas para a borracha, uma vez que ainda não tinha sido criada a borracha sintética.

A principal estratégia seria a busca do material na América Latina, ou seja, na Amazônia. Nessa hora que entra a história de milhares de nordestinos que, fugindo da seca viram na promessa do Governo uma possibilidade de riqueza no então novo “El Dorado”.

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Um relatório do Governo Brasileiro informava a existência de mais de 300 mil arvores chamada de “seringueira” na região amazônica, e uma estimativa anual de 800 mil toneladas anuais de borracha, essa noticia encheu os olhos dos americanos. Na época os Estados Unidos ofereceu em troca da borracha, uma enorme lista de matérias bélicos para Brasil, entre eles estão tanques, metralhadoras e etc…

Mas como tudo que é bom, não dura muito, esse relatório não contava com os imprevistos, entrem eles tinha a distancia e o difícil acesso a Amazônia, outro detalhe não pensado foi que em um acre de terra tinha em média 6 a 8 seringueiras, e o mais agravante de todos os imprevistos era a mão de obra, uma vez que os seringais estavam abandonados desde a década de 30. Todos esses imprevistos junto com a urgência do material não podia ter outro nome senão “Batalha da Borracha”.

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O recrutamento para mão de obra teve o principal foco no nordeste brasileiro, o Governo fez propagandas oferendo o “El Dorado”, todos voluntários teriam direito a porcentagens na extração de borracha, da colheita de castanhas, na madeira derrubada, também teriam direito a poder caçar, pescar e a um hectare de terra para poder plantar, todos tinham direito a viagem de ida e volta e o principal de tudo, seria considerado “Heróis do Brasil”.  Todas essas promessas encheram os olhos dos flagelados da seca e logo milhares de caminhões saiam lotados em direção aos seringais.

O Presidente Getúlio Vargas deu um presente aos então soldados da borracha, era um kit para o trabalho, esse kit era composto de uma calça azul, uma camisa branca, um chapéu de palha, um par de sandálias, um caneca, um prato fundo, um talher, uma rede e uma carteira de cigarros, tudo isso em um saco de estopa. Assim o voluntário iria passar seus dias de trabalho no inferno verde.

Tudo parecia muito bonito nas propagandas, mas infelizmente nada aconteceu como previsto, os voluntários tiveram problemas com alimentação e transporte para chegar nos seringais, la chegando viram o sonho jogando no lixo, não passaram de meros escravos dos patrões tendo que trabalhar em troca de comida e sendo vigiados por capataz o tempo tendo. Dali, não conseguiam fugir, tudo que precisavam para se manter era cobrado a preço de ouro, até a viagem de ida e volta estava anotada na caderneta de cada voluntario, ele já foram com uma divida, e muitos morreram e não conseguiram quitar, e muitos outros milhares jamais voltou para sua casa, para seus pais.

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Os voluntários não tinham para quem reclamar, nem para quem recorrer, os americanos não estavam nem ai para nada, eles tinham pressa para ter a borracha, não se preocupavam com os soldados e nem com o desenvolvimento da Amazônia e bem estar da população.

O reflexo de tudo isso foi a morte de mais de 30 mil voluntários, a grande maioria por conta de doenças, na região não tinha medicamentos necessários para o tratamento de todos e o nível de contaminação era maior que o de médicos e medicamentos, teve também um grande numero de mortes por conta de assassinato e brigas.

Hoje os veteranos da guerra da borracha continuam em busca de seu reconhecimento, alguns poucos conseguiram sua aposentaria com o nível de veterano, mas muitos não conseguiram a aposentadoria e vivem até em extrema miséria, morando em palafitas sobre os rios ou em favelas no interior do Acre e outros estados amazônicos,

Infelizmente como já se era esperado o Governo não cumpriu com sua palavra, os voluntários (soldados) não tiveram o seu El Dorado e sim a desgraça e miséria, e o rotulo de “HERÓIS DO BRASIL” ficou somente na memória dos poucos sobreviventes, muitos morreram e foram enterrados e vala comum, isso quando foram enterrados, morreram por uma causa, por um propósito e seus nomes não estão na lista de veteranos de guerra, nem tão pouco na lista de Heróis.

O Brasil sem memória, sem história, sem reconhecimento, já tinha la em meados dos anos 40 a ideia de se aproveitar da vontade de trabalhar de seu povo e da ingenuidade dos retirantes nordestinos. Essa é mais uma parte da história que caiu no buraco negro da história militar brasileira na Segunda Guerra Mundial.

CIÊNCIA PARA CRIAR UMA NAÇÃO

Rondon com índios Paresi, em imagem de documentário do Major Thomaz (sem data) - Museu do Índio
Rondon com índios Paresi, em imagem de documentário do Major Thomaz (sem data) – Museu do Índio

PRESENÇA POUCO CONHECIDA DE NATURALISTAS NA COMISSÃO RONDON AJUDOU A INSTITUCIONALIZAR A PESQUISA CIENTÍFICA NO BRASIL

CARLOS HAAG | Revista de Pesquisa da FAPESP – Edição 195 – Maio de 2012

Há exatos 100 anos, a produção anual de filmes no Brasil, iniciada apenas em 1908, não passava de meia dúzia. Naquele mesmo ano, em 1912, o primeiro-tenente Cândido Rondon (1865-1958), desde 1907 nomeado pelo presidente Afonso Pena como chefe da Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas (CLTEMTA), que deveria construir uma linha telegráfica entre Cuiabá e Santo Antonio do Madeira (Porto Velho), cria a Secção de Cinematographia e Photographia, que coloca sob a direção do Major Thomaz Reis. Se na capital federal o cinema engatinhava, imagine a ousadia da criação de uma seção especializada em documentar a expedição em material fotossensível, que exigia altos investimentos e a apropriação e uso de uma tecnologia inexistente no país em péssimas condições ambientais, de alta umidade, com dificuldades de transporte por matas cheias de índios e doenças.

Esse esforço do sertanista só é compreendido ao se revelar um aspecto desconhecido da Comissão Rondon (1907-1915): a estreita relação com a ciência. Ou, nas palavras do antropólogo Roquette-Pinto, que acompanhou Rondon em 1912: “A construção da linha telegráfica foi o pretexto. A exploração científica foi tudo”. “Já se analisou a função de defesa das fronteiras e da ‘missão civilizatória’ da Comissão, mas quase nada das pesquisas científicas e do grupo de naturalistas, em sua maioria do Museu Nacional, feitas durante a expedição e que abriram um campo inédito para a ciência e para os pesquisadores brasileiros”, explica a historiadora Dominichi Miranda de Sá, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz e responsável pelo projeto Inventário da natureza do Brasil: as atividades científicas da Comissão Rondon. “A ciência, a partir da expedição, passou a ser vista como elemento fundamental na construção do Estado Nacional brasileiro, objetivo maior da República”, analisa Dominichi. 

Rondon sentado em acampamento, fotograma de documentário da comissão (sem data) - Museu do Índio
Rondon sentado em acampamento, fotograma de documentário da comissão (sem data) – Museu do Índio

A pesquisa concluiu que o propósito da Comissão Rondon era de que seus membros não estavam encarregados apenas da expansão da rede telegráfica nacional, mas da definição das distintas potencialidades do território da porção norte do país para a discriminação entre áreas de exploração e conservação de recursos naturais e humanos. O projeto, nesse contexto, traz à luz a importância da comissão na institucionalização das ciências no país e no papel crescente do Estado como fomentador das pesquisas científicas, em especial a ciência aplicada, pensada como instrumento de modernização nacional. “Enquanto estendiam fios telegráficos para efetivar as comunicações com a porção norte do Brasil, eram delimitadas as áreas de fronteira com outros países e demarcadas terras indígenas, mas também aquelas propícias ao povoamento, ao cultivo de lavouras e à expansão da pecuária”, conta a pesquisadora. “Ao lado disso, foram realizadas incursões de exploração científica para conhecimento e descoberta de rios, vistos como caminhos de escoamento da produção agrícola, marcos naturais de fronteiras e de orientação geográfica, bem como obstáculos à colonização por supostamente dificultarem a circulação e potencializarem a incidência de doenças, sobretudo a malária”, observa. Este último aspecto, aliás, nunca havia sido trabalhado pela historiografia da comissão, embora seja porta de entrada para discutir a história da apropriação de um objeto natural, os rios, por projetos estatais de conhecimento e ocupação territorial.

A ciência era, então, tão estratégica quanto os postos de telégrafo, defendidos pelo engenheiro Francisco Bhering, o autor do projeto telegráfico levado a cabo pela comissão, como “precursor do progresso” que deveria chegar à Amazônia, vista, ao lado de Mato Grosso e Goiás, como prioridade republicana, sob pena de esse trecho norte e suas populações “acabarem por se destacar e distanciar do território nacional”. O “clima intelectual” entre os oficiais da época, doutrinados pelo positivismo, não queria criar militares para a guerra, mas defendia um treinamento técnico e científico para formar “agentes do progresso”, não soldados. Para esse grupo, a dualidade sertão (atraso) e litoral (civilização), polêmica central no novo regime, era uma falácia. Segundo eles, o sertão era definido pela distância em relação ao poder central e aos projetos modernizadores.

Rondon com índios Paresi, imagem do Major Thomaz (sem data) - Museu do Índio
Rondon com índios Paresi, imagem do Major Thomaz (sem data) – Museu do Índio

“O sertão no Brasil começa onde termina a Avenida Central”, como disse o intelectual Afrânio Peixoton“A Amazônia era ‘sertão’ pelo abandono do poder central e sua ‘paisagem’ estava destinada a desaparecer. Era preciso ocupar, povoar e modernizar o ‘território vazio’, delimitar a ‘fronteira’ e domar a ‘floresta’ com seus animais, doenças e rios. A civilização, no entendimento dos membros da comissão, era resultado possível”, observa a socióloga Nísia Trindade, da Fiocruz e integrante do projeto. Afinal, segundo Rondon, “desbravar esses sertões, torná-los produtivos, submetê-los à nossa atividade, aproveitar a sua feracidade e suas riquezas é o mesmo que estender até os confins desta terra enorme a ação civilizadora do homem”. Estaria, assim, resolvida a dualidade com a inclusão do sertão nos projetos de construção da nacionalidade.

Quando, em 1906, o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio (Maic) foi criado, as atividades e instituições científicas (entre elas o Museu Nacional e o Jardim Botânico) foram atreladas ao novo órgão e passaram a fazer parte das expedições de integração, como a Comissão Rondon, também ligada a um Ministério da Guerra positivista e pró-ciência. O levantamento científico do território, com o estudo de climas, incidência de doenças, rios, plantas, animais e capacidade de terras para agricultura, mineração e pecuária era indissociável dos projetos de diversificação produtiva, de modernização da agricultura, construção de caminhos para  o escoamento da produção e fixação de mão de obra no interior. A ênfase na ciência aplicada era imperativa, pois se tratava de colocar a natureza (vista como recurso natural), com destaque para a agricultura, a serviço do homem. Com o poder sobre as expedições nas mãos do Maic, ao lado dos fios, iriam os naturalistas e os próprios engenheiros militares para identificar as terras boas para lavoura que tivessem condições de salubridade para o povoamento pelos trabalhadores, integrando ao poder central as áreas isoladas. Acima de tudo, era preciso descobrir os rios para permitir a comunicação com os mercadores consumidores.

A isso se juntaram as demandas do Museu Nacional, em plena crise, achincalhado por Olavo Bilac como “instituição anquilosada”, paralisada. O diretor do museu, João Batista Lacerda, enfurecido, desde 1905 tentava sensibilizar as autoridades de que “se queremos tornar indiscutível a hegemonia do Brasil na América do Sul, devemos encarar essa política do ponto de vista de superioridade de nossos recursos intelectuais, e dos nossos institutos de ensino e ciência”. Como “condição essencial ao progresso e desenvolvimento científico do Museu, é preciso o restabelecimento do antigo cargo de naturalista-viajante”, criado no Império e extinto na República. Era preciso “criar conhecimentos por brasileiros sobre a natureza brasileira”, até então uma atividade monopolizada por naturalistas estrangeiros, como satirizado por Machado de Assis no conto Lição de botânica (1906).

Homem trabalhando em laboratório (sem data) - Museu do Índio
Homem trabalhando em laboratório (sem data) – Museu do Índio 

Os naturalistas que acompanharam Rondon, além de coletarem, classificarem e catalogarem o material coligido, redigiram relatórios científicos detalhados, deram conferências e publicaram textos de divulgação sobre as viagens. Entre eles destacavam-se: na zoologia, Alípio de Miranda, Arnaldo Blake Santana e José Geraldo Kuhlmann; na geologia, Cícero de Campos e Euzébio de Oliveira; na antropologia, Roquette-Pinto; e na botânica, Frederico Carlos Hoehne e João Geraldo Kuhlmann. Boa parte desses nomes estaria, no futuro, no panteão da ciência nacional. O Museu Nacional cresceu a passos largos: entre 1908 e 1916 a instituição recebeu 8.837 espécimes botânicos, 5.637 espécimes zoológicos, 42 exemplares geológicos, mineralógicos e paleontológicos e 3.380 peças antropológicas, tudo originado da Comissão Rondon, conforme assinalado pela pesquisadora Magali Romero Sá, da Fiocruz, outra integrante do projeto.

Miranda Ribeiro chegou a afirmar que “as coleções reunidas durante a Comissão Rondon fizeram em oito anos mais pelo Museu Nacional do que tudo o que tinha sido realizado em 100 anos de existência da instituição”. O zoólogo, aliás, não atuava apenas como coletor, mas seu entrosamento com as teorias evolucionistas, ainda polêmicas no país então, levava-o a estabelecer questões, observar as inter-relações dos animais como meio e outras observações ecológicas sobre os espécimes coletados.

Rondon com oficiais da Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso - Museu do Índio
Rondon com oficiais da Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso – Museu do Índio

Adolpho Lutz foi premiado com uma coleção de dípteros vindos do grupo de Rondon e publicou, em 1912, um trabalho sobre os 70 exemplares de tabanídeos coletados. O botânico Hoehne percorreu 7.350 quilômetros de campos e florestas de Mato Grosso e comentou mais tarde que mapear a região com Rondon equivaleria a desenvolver a economia de todo o Brasil.

“Para além da pesquisa científica, os membros da comissão demarcavam terras indígenas, discriminavam, em levantamentos médicos, a ‘selva’, onde grassaria a malária, da ‘floresta’, objeto que começava a ser discutido como área de ‘aproveitamento racional’”, observa Dominichi. A floresta amazônica virou foco da comissão entre 1915 e 1920, em especial no levantamento de rios, que, esperava-se, eram os caminhos, as estradas de penetração, esquadrinhamento e inventário, modernização e ocupação da fronteira noroeste do país. Os mapas eram sempre corrigidos e novos rios descobertos, como o Juruena ou o rio da Dúvida, afluente do Madeira, “descoberto” na célebre viagem feita por Rondon ao lado do ex-presidente americano Theodore Roosevelt, entre 1913 e 1914. Começava a surgir o novo “mito da Amazônia”.

Índios Apalaí do rio Jari dançando, em imagem do fotógrafo Harald Schultz (sem data) - Museu do Índio
Índios Apalaí do rio Jari dançando, em imagem do fotógrafo Harald Schultz (sem data) – Museu do Índio

O termo “Amazônia” foi usado como designação de uma região associada à prodigalidade pela primeira vez no livro O país das amazonas, de 1883, do barão de Santa-Anna Nery. Seu título, que convertia a província do Amazonas em Amazônia, era destinado a atrair imigrantes. “A Amazônia”, escreveu Nery, “confirmaria o destino de ‘terra de promissão’ apontado por cronistas e naturalistas, se povoada em favor do incremento da agricultura e da mineração; se desmentidas as ideias negativas sobre os malefícios do clima quente; se a floresta e matérias-primas exploráveis fossem usadas racionalmente e em detrimento da extração exclusiva da borracha; sobretudo se os elementos naturais fossem conhecidos em sua ‘harmoniosa unidade’”, explica a pesquisadora Nísia Trindade.

A República renovou, com maior intensidade, o interesse monárquico na região. Daí os investimentos do Estado em financiar uma política regular de conhecimento científico da diversidade natural e regional brasileira, em que a Amazônia tinha um lugar de destaque, objeto de análise das instituições científicas nacionais. Em especial, após o nascimento do Maic, que enviou grupos de naturalistas para estudar a região e que, na volta, divulgaram suas visões em publicações populares. Boa parte desses trabalhos veio de membros da Comissão Rondon. Mesmo o mapeamento dos rios ajudou a criar um novo mito moderno. “Da polissemia dos rios do norte se foi construindo a imagem da floresta amazônica pela comissão: região de chuvas intermitentes e clima quente; grandes extensões de terras opulentas, férteis e abundantes para serem cultivadas; solos perfeitos para agricultura e alternativa ao exclusivismo extrativista da borracha, cujo aumento da plantação dependia apenas da derrubada ‘racional da mata’, ocupação e povoamento por ‘lavradores operosos’ e criação de meios de transporte para o escoamento da produção”, conta Dominichi.

Era mesmo o “país das amazonas”. Miranda Ribeiro tinha razão ao elogiar a comissão por eliminar a palavra “desconhecido” dos mapas nacionais, o que iria, no futuro, transformar esse “país das amazonas” em Brasil. “A comissão forneceu material e imaginário para a consolidação da ‘Amazônia’: objeto de ciência, imaginação, turismo, disputas políticas, curiosidade e temário central dos debates sobre o uso sustentável de recursos naturais e preservação ecossistêmica.” Mas a utopia geográfica que via o país como uma imensa fronteira e que bastava abrir a picada mais adiante que o progresso faria o resto não se confirmou.

Índias Paresi em rede, registradas pelo Major Thomaz (sem data) - Museu do Índio
Índias Paresi em rede, registradas pelo Major Thomaz (sem data) – Museu do Índio

Rondon preocupava-se em registrar tudo em imagens e preparou vários álbuns fotográficos das atividades da comissão e os enviava para as autoridades mais importantes do governo brasileiro. “Os álbuns, os artigos publicados nos principais jornais do país e principalmente as apresentações dos filmes seguidas de conferências funcionavam como uma espécie demarketing pessoal e uma forma de persuasão para a continuidade das atividades da comissão. Visavam principalmente a elite urbana, sedenta de imagens e informações sobre o sertão brasileiro, e principal grupo formador de opinião”, observa o historiador Fernando Tacca, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor de A imagética da Comissão Rondon (1996). Assim, Rondon alimentava o espírito nacionalista construindo etnografias de um ponto de vista estratégico e simbólico: a ocupação do oeste brasileiro através da comunicação pelo telégrafo, pela visualidade da fotografia e do cinema mudo, com filmes do Major Thomaz, em especial Ao redor do Brasil (1932). “Todo esse período de produção de imagens pode ser considerado uma extensão das atividades da comissão”, avalia Tacca.

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“O cruzamento entre filmes e fotografias foi uma prática inovadora na produção da Comissão Rondon e a segunda categorização se dá no campo da pacificação, quando imagens demonstram um índio dócil e sujeito a mudanças pelo avanço civilizatório. Constrói-se assim uma imagem de sujeição, e não de impedimento à ocupação territorial da nação”, observa Tacca. Há uma construção imagética, “científica”, da existência de grupos tradicionais que aceitam a nacionalidade da bandeira e de outros símbolos da nação reconhecendo, em alguns casos, a fronteira nacional. É exemplar da condução para uma integração do índio pela ação civilizatória do Estado a imagem simbólica do índio fronteiriço ao lado da bandeira nacional, marcando a existência de um índio brasileiro, e não somente “índio”.

Em 1915, o Mato Grosso tinha 4.502 quilômetros de linhas telegráficas, e os membros da expedição tinham realizado o que consideravam uma “epopeia”, a custo de muitas vidas e sacrifícios terríveis, fazendo o levantamento de uma área de 50 mil quilômetros entre os rios Juruena e Madeira. Apesar dos muitos equívocos, Rondon se esforçou em integrar os índios, de forma pacífica, ao Brasil. Como positivista, não desprezava os índios, só acreditava que viviam num estágio anterior da evolução social, numa época em que intelectuais urbanos como Silvio Romero escreviam sobre a inferioridade racial dos nativos. Era um otimista que via todos como parte de um Brasil só, que ele conseguiria reunir e modernizar.

Índios escutando música de vitrola (sem data) - Museu do Índio
Índios escutando música de vitrola (sem data) – Museu do Índio

“Em pouco tempo, porém, esse entusiasmo de que se conseguiria superar a natureza e fazer dela o ‘celeiro da terra’, como dizia Rondon, com um povoamento sem grandes problemas, bastando estradas e linhas telegráficas, deu de cara com barreiras nosológicas intransponíveis, doenças que dizimavam as expedições e cuja difícil erradicação vai transparecendo, de forma crescente, nos relatórios dos médicos da comissão”, observa Arthur Torres, mestre em história formado na Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. “Viu-se que era imprescindível estratégias de controle de moléstias como a malária para que a comissão pudesse concluir a linha telegráfica no noroeste do país e implantar a civilização desejada. Isso não aconteceu e a custosa e demorada transformação deixou os objetivos de Rondon distantes dos planos da sua comissão.”

Marechal Cândido Mariano Rondon, exemplo de inteligência, capacidade, dedicação e abnegação no meio militar brasileiro
Marechal Cândido Mariano Rondon, exemplo de inteligência, capacidade, dedicação e abnegação no meio militar brasileiro

Ao mesmo tempo que Rondon lutava para instalar seus fios, Oswaldo Cruz, a pedido da Mamoré Railway Company, tentava fazer a profilaxia da malária que matava os trabalhadores da estrada de ferro. As expedições feitas por ele e seus colegas de Manguinhos trouxeram um novo retrato, sanitarista, do Brasil, diverso do otimismo positivista do Estado e de Rondon, enfatizando que não era o clima, mas a doença a grande causa do atraso nacional. Vários dos membros da comissão, inclusive o próprio chefe, já integram as fileiras do movimento pelo saneamento dos sertões e o movimento sanitarista tornou público o debate. “O debate sobre identidade nacional no Brasil passou a se dar pela metáfora da doença. O sertão não é apenas distante do poder central, mas uma região que passa a ser caracterizada de vez pelo abandono e pelas moléstias”, nota Nísia, que analisou o tema, ao lado de Gilberto Hochman, na pesquisaBrasil imenso hospital (Fiocruz). 

Fonte – http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/05/11/ciencia-para-criar-uma-nacao/